Livro da Sabedoria: a Religião

ou "Comunhão, lugares e guardiões"




No meu Livro Pessoal da Sabedoria, falo das minhas convicções. Falo das coisas que verdadeiramente aprendi com meu mestre interior. Para Santo Agostinho, é através das interrogações que se ensina, e foi assim que sempre aprendi, como contei na primeira fase deste blog, onde narrei minha busca espiritual desde o início. Agostinho, grande buscador, descobriu que no ensino espiritual as palavras são apenas sinais. Porém, as palavras trazem à mente as coisas que simbolizam; por isso exortam a procurar as coisas em si, mesmo que, entretanto, não possam mostrá-las, pois palavras não mostram as coisas. O mestre exterior somente admoesta, desafia e desperta o desejo de conhecer no discípulo; quem ensina verdadeiramente é o mestre interior. Por isso a Verdade não pode ser realmente transmitida: somente o mestre interior pode ensiná-la.

Na teoria agostiniana, os mestres exteriores apenas despertam o interesse e o desejo no discípulo, para que ele possa buscar sabedoria. Para isso, o aluno deve ser verdadeiro e sincero consigo mesmo, antes de tudo. Ele deve ter plena consciência do seu conhecimento e do seu aprendizado. O discípulo deve estar munido de vontade plena para aprender. Ele deve querer ser educado e educar-se, aperfeiçoar-se e abrir-se para seu mestre interior; é preciso que ele esteja aberto para a auto-avaliação e para a autocrítica. O discípulo precisa adquirir o hábito de educar a si próprio; do contrário, nunca haverá uma autêntica e verdadeira educação espiritual. Até aqui falei sobre como se escreve um livro pessoal da Sabedoria. A partir deste ponto, segue conteúdo do livro.


Não há neste mundo um lugar que seja perfeito, que seja tão bom ou tão puro que possa servir como lugar de acolhida para DEUS. Não há neste mundo templo ou casa que possa conter/encerrar a Presença de DEUS.

_______Ao mesmo tempo, de algum modo que não posso compreender, qualquer lugar é bom o bastante. Qualquer lugar é palco; qualquer lugar é ou pode ser Morada do Altíssimo, porque Ele está dentro de nós.

_______É algo difícil de explicar, e os homens-guardiões têm muito medo de expressar essas coisas, e com razão. Não podemos culpar esses guardiões por temerem botar tudo a perder. Por serem tão cautelosos, eles são frequentemente incompreendidos. Muitos os desvalorizam. A maioria de nós os subestima.

_______Ensinar o Caminho de DEUS é uma responsabilidade grande, imensa demais para qualquer ser humano. É como pedir a uma formiga que carregue o mundo. Mas essa missão assim tão grandiosa foi confiada a alguns homens especiais. É algo muito difícil de entender e de crer, como tudo que vem de DEUS.

_______Alguns homens aparentemente comuns guardam a Mensagem, o Mapa do Caminho, as Chaves da Porta. São estes os guardiões. E eles não podem dizer que essa Chave está dentro de cada um de nós, - mesmo que seja verdade, - porque isso sem dúvida seria mal compreendido. Seria mal compreendido pela maioria. O risco é muito grande. Por isso os guardiões às vezes dizem, e depois contradizem.

_______Infelizmente isso acaba gerando confusão, e por essa razão muitos buscadores sofrem. Há muita gente gemendo e chorando, porque o Caminho não lhes é mostrado claramente, objetivamente, como gostariam. Nesse lapso do processo, inúmeros falsos mestres se inserem, aproveitando para oferecer aos buscadores toda sorte de explicações "bonitas" e confortáveis, as respostas prontas e consoladores tão desejadas por todos. São falsas soluções, e extremamente perigosas. Isso, porém, não representa um perigo real para os verdadeiros buscadores, pois estes estão sempre amparados. A Verdade sempre encontra um modo de desviá-los destes falsos caminhos, pois quem deseja a Verdade acima de tudo acaba percebendo onde ela não está.

_______Como explicar que a Lei de DEUS está contida em nossas consciências? Se eu penso, respiro e existo, DEUS aí está. Mas como os guardiões poderiam ensinar isso sem abrir espaço para descaminhos e interpretações equivocadas?

_______Estar em Comunhão é se abrir, "rasgar" seu espírito de cima abaixo, como o véu do Templo. É se colocar diante de DEUS e se confessar integralmente, sabendo que ele ouve, entende e responde, melhor e mais perfeitamente do que qualquer pessoa poderia. Mas Ele também designa homens, os mesmos guardiões da Verdade, para nos ouvir e até nos perdoar. Por quê? Porque precisamos de alguém que possamos ver, alguém que interaja fisicamente conosco e nos diga, diretamente, o que fazer. Precisamos desses guardiões, porque somos limitados. Os guardiões são pessoas humanas através dos quais a Pessoa Divina interage conosco, diretamente. Não são representantes de DEUS na Terra, como detentores da Graça Divina, mediadores entre DEUS e os homens ou atravessadores do processo de Comunhão. São mais como canais, além de "médicos espirituais". E são muito, muito importantes.

_______As coisas se complicam porque esses guardiões não são seres mágicos, superpoderosos ou especiais de algum modo que possamos perceber usando nossos sentidos físicos. Muitas vezes os guardiões sequer são dignos de sua missão grandiosa. Mas continuam sendo guardiões, porque assim foi determinado.


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Um apelo urgente








Olá! Meu nome é Jean, e sou pai da PIETRA, esta menina que aparece nas fotos (clique sobre as imagens para ampliá-las).

Estou escrevendo para pedir a sua ajuda, pois ela está desaparecida, desde o dia 28/11/08. Por favor, passe adiante esta mensagem e as fotos!

Estou pedindo pelo amor de DEUS: se você tiver qualquer informação sobre ela, me avise. Caso tenham alguma informação, por favor entrem em contato comigo.

Disque Denúncia: 0800 15 63 15

DEIC / Divisão anti-sequestro:
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5867
(11)3823-5868

Muito obrigado,
Jean Neves

E-mail: jeanneves@terra. com.br

Livro da Sabedoria: aforismo 1




Para existir a paz em sua vida

E poder

E equilíbrio

E alegria

E energia para fazer o que deve fazer

E discernimento

E visão

E serenidade

É preciso que o interior seja igual ao exterior. E vice-versa.


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Recomendado



O blog a Arte das artes recomenda a HQ baseada no fantástico (em diversos sentidos) romance de Neil Gaiman, Coraline. Um trabalho limpo, esmerado e apaixonante.

_______Li numa tarde. Hoje! - Levei mais ou menos 2 horas para devorar a obra: grudei e não consegui desgrudar mais, até terminar! - Sem pular nem um quadrinho.

_______Se puder, leia. É uma viajem estranha (dá para esperar outra coisa de Neil Gaiman?), inquietante e divertida ao mesmo tempo.

_______Até!

DEUS: Diálogos

Poucos leitores deste blog me levam a reflexões tão profundas, e poucos me levam a desdobrar as minhas postagens de forma tão útil para todos quando o meu querido amigo Gustavo, o "Gugu". - Observação: se eu tivesse um nome tão bonito, nunca ia querer um apelido do tipo "Gugu"... ;P~~ Mas acho que até isso é um reflexo da simplicidade e da grandeza do caráter desse cara especial, que mesmo ainda muito jovem me parece um dos mais experientes (espiritualmente falando) e atrevidos leitores deste blog. E só os atrevidos alçam vôo.

_______No meu post anterior, Livro Pessoal da Sabedoria, Capítulo I - "D'us", Gugu deixou o seguinte comentário-resposta:

"D’us é:

Vida * Pulsar * Pensar * Largar * Relaxar * Permitir-se * Alegria * Morrer Todas as Noites * Voltar a Despertar * Fugir * Achar * Renascer * Forte * Fraco * O Prazer de Ser Fraco * Flexível * Desnudar * Proteger * Entregar * Pureza * Acariciar * Receber Carinho * Olhar * Sorrir Espontaneamente * Recarregar * Lançar Fora * Mãos * Pés Descalços * Caminhar * Correr * Sol * Brisa * Vento * Aquecer * Refrescar * Frio * Agasalhar * Lua * Água * Mar * Oceano * Entrar * Estar Dentro * Sair * Respirar * Inspirar * Expirar * Destruir * Queimar * Renovar * Recomeçar * Terra * Plantar * Chuva * Florescer * Flor * Fruto * Colher * Belo * Feio-Belo * Sexo * Resistir * Escolher * Renegar * Abraçar * Acolher * Manhã * Agora * Justiça * Espírito * Aceitação * Revolta * Revolução * Noite * Nuvem * Raio * Trovão * Luz * Música * Cor * Reflexo * Cristalino * Céu * Vôo da Águia * Vôo da Coruja * Vôo do Pardal * Vôo do Beija Flor * Salto do Tigre * Salto do Gato * Salto do Cervo * Desapego * Entender * Palavra * Conhecer * Reconhecer * Conceder * Desfazer-se * Admirar-se * Deslumbrar-se * Metamorfose * Mudar * Transformar * Despertar * Maravilha * Êxtase * Asas * Prazer * Dor * Chorar * Fluir * Descansar * Invencível * Incompreensível * Inalcançável * Imenso * Ânimo * Infinito * Absoluto * Tremendo * Assustador * Humilde * Pequeno * Pedir * Pedinte * Pedir Perdão * Perdoar * Dar * Ser * Partir * Quebrar * Derrubar * Chocar * Lutar * Vencer * Desarmar-se * Alcançar * Escalar * Chegar * Ser * Eu * Você * Eu em Você * Tudo * Nada * Além * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor..."

Unidade! Tudo é tudo. E não há mais nada.


_______A partir daí se desenrolou um diálogo que eu achei que valeria a pena publicar em forma de post, já que o conteúdo das respostas que ele me fez escrever representam uma perfeita continuidade dos posts. O resultado segue abaixo. Para facilitar a visualização, as falas em azul são do Gugu, as que estão em verde são minhas. Imagino que só os mais loucos terão paciência para ler tudo, porque o papo ficou bem grande... Enjoy...


GUGU, velho amigo. Ainda que você repita mil vezes que "tudo é tudo", eu vou repetir um milhão de vezes que não! ;D~~~ Isso é profundo demais, meu velho...


E se eu tivesse dito "Deus é tudo"? =)


Bem, GUGU, eu poderia afirmar com toda a certeza que D'us é tudo para mim. Na verdade, D'us é tudo em todos. Mas, antes que essa conversa comece a se parecer com panteísmo, deixo bem claro que:

1. Eu não sou D'us,

2. Você não é D'us

3. Nenhum de nós, seres humanos, é D'us, ao menos não de forma absoluta.

4. Sim, há um D'us Transcendente além do Deus Imanente.

É impressão minha ou já tivemos essa conversa antes? ;P


Eu disse isso porque já aconteceram outras conversas sobre temas parecidos entre eu e o Gugu, neste blog, como ficará claro mais adiante. Segue a conversa:


Merton, com certeza já tivemos esse bate-papo, antes. E, nesse instante, eu gostaria de prosseguir com ele mais um pouco, caso você concorde.

Eu também afirmo que "Deus é tudo que há". Estou de acordo com você em todos estes pontos:

1. Eu (Gugu) não sou Deus.
2. Você (Merton) não é Deus.
3. Jamais ser humano algum é ou será Deus. Quando muito, podemos dizer que o homem é um reflexo muito pálido de Deus, e olhe lá! (Talvez a existência humana material e grosseira também seja apenas um reflexo pálido de uma realidade espiritual e divina. Quem sabe?)
4. Somente Deus é Deus.

Eu gostaria de acrescentar mais estes pontos:

5. O panteísmo é uma tolice.
6. A Onipresença é real.
7. Por isso, entendo que a frase "Deus é tudo" não inclui o ser humano, nem mundo material.

Merton, por ora eu gostaria de continuar com algumas perguntas:

Existe ilusão? Eu sou você? Você sou eu? Existe unidade em tudo aquilo que você listou no seu post? Se sim, essa ligação (ou unidade) é devido a que?

Obrigado! Grande Abraço!


GUGU, o que seria deste blog sem as suas participações? Bem menos interessante, eu garanto. Muito obrigado por existir no a Arte das artes. Lá vamos nós...

"Eu também afirmo que 'Deus é tudo que há'."

Mas eu não afirmo isso. Não diria desse modo. Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação. Existe, sim, algo de divino em toda a Criação, isto é, num certo sentido, a Natureza (nós incluídos) é DEUS. Nesse sentido poderíamos dizer que eu e você somos DEUS.

Mas o grande “detalhe” é que DEUS não está limitado à Natureza; esta é a grande questão nesse assunto. DEUS vai além da Natureza, além da Criação. Por isso é que eu renego totalmente a ideia do panteísmo.

Eu já falei longamente sobre isso num post intitulado “Eu sou o quê?!”, lembra-se? E foi uma postagem que escrevi totalmente inspirado nesse nosso papo antigo.

A fala de Krishna no capítulo 10 do Mahabharata resume muito bem a que estou me referindo:

“Eu lhe falarei de Minhas manifestações esplendorosas, mas somente das que são proeminentes, pois Minha opulência é ilimitada. Eu sou o Eu, ó Gudãkesa, situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres. (...) Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim. Eu sou tudo, mas sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim...”

É uma definição perfeita. DEUS não é “tudo que há”. DEUS pode estar em tudo, de algum modo, mas nem tudo está em DEUS.

Tentarei aprofundar um pouco mais: não sei se você leu o post
"Esta noite escapei do Inferno”. Pois bem, na situação ali descrita, eu tive algum contato com uma entidade ou energia, por assim dizer, que tenho certeza que não procede de DEUS.

Agora veja: eu sei bem aonde este raciocínio vai nos levar, inevitavelmente: “pode existir alguma força ou energia fora de DEUS, algo como uma entidade espiritual que se opõe a DEUS, sendo que DEUS é o Criador de todas as coisas, e Ele é bom?"

E lá estamos nós de volta ao assunto sobre o qual me debrucei na sequência de posts
“Em busca da Libertação Final”. – Sim, já conversamos sobre essas mesmíssimas coisas antes... Mas a resposta não é tão difícil nem tão absurda quanto possa parecer. Vejamos...

DEUS quis criaturas livres, independentes e autônomas, semelhantes a Ele mesmo. Ele não quis criar seres autômatos, como robôs teleguiados, predispostos a cumprir a sua Vontade o tempo todo. Conheci um jovem monge bastante inclinado às coisas místicas (você gostaria dele) que me disse: “Às vezes é duro resistir às tentações da carne, e às vezes eu penso como seria fácil se Deus tivesse nos criado imunes a essas fraquezas. Assim como existem pessoas que não sentem desejo sexual devido a conformações cerebrais específicas, seria muito bom se todos os monges tivessem sido criados assim. Seria melhor ainda se todos nós, seres humanos, tivéssemos pleno controle sobre nossos desejos e impulsos. Mas, se assim fosse, que graça teria? O que DEUS quer é amigos, não escravos; foi o que o Senhor Jesus disse. Ninguém obriga ninguém a ser seu amigo. Ninguém é seu amigo se não for por opção, por escolha, por por empatia, afeição, amor. Por isso DEUS nos dá opção”.

E é a partir daí que a possibilidade do Mal se torna real. Permanecer em DEUS ou se opor a Ele é uma escolha que Ele mesmo nos dá. Uma opção.

Particularmente, creio que deve haver toda uma intrincada hierarquia de seres espirituais acima de nós. Agora imagine se um ser espiritual muito poderoso, fazendo uso da plena liberdade que o Criador lhe garantiu, opta por rebelar-se... Bem, essa foi a maneira encontrada pelos autores bíblicos, - e também pelos autores de muitos livros sagrados, de uma infinidade de culturas antigas, - para explicar a existência do Mal no mundo: um anjo rebelado. Um ser espiritual poderoso, criado livre por DEUS, que quis se tornar igual a DEUS, tomar o lugar de DEUS. Ele teve liberdade para desejar isso. Optou por isso.

Claro, eu não digo que seja literalmente assim, mas esse seria um jeito de explicar. Do lugar onde estamos agora, tudo que podemos fazer é especular sobre essas questões, que são maiores que nós mesmos.

“(...)entendo que a frase ‘Deus é tudo’ não inclui o ser humano, nem o mundo material.”

Aí a coisa se complica, meu amigo de grandes jornadas. Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente?

Porque a única referência que temos é a Natureza. Somos humanos e vivemos no mundo material. Então, tudo que sabemos e temos como certeza, tudo de que dispomos para efeito de orientação está aí contido. Como poderíamos fazer quaisquer afirmações a respeito do que está além disso?

Mas eu também já sei aonde essa nova sequência lógica vai nos conduzir: este mundo e esta realidade física não são reais. A Realidade Divina, invisível e imperceptível aos nossos sentidos físicos é que é real, e portanto, DEUS é tudo neste sentido muitíssimo mais profundo.

Bem, quanto a isso, tudo o que posso dizer, sendo sincero e honesto comigo mesmo é: não sei. Não faço ideia de como é o Reino de Deus, a Realidade Verdadeira ou como quer que chamemos o Plano Divino.

Claro, eu posso intuir o que é esta Realidade, este Reino. Por tantas experiências místicas/extáticas/transcendentes que já tive o maravilhoso privilégio de vivenciar, faço uma ideia do que está oculto aos meus olhos e imperceptível aos meus sentidos. Mas seria desonesto da minha parte pretender explicar em detalhes como são as Realidades Divinas. Assim como Nietzsche, não passo de uma pulga atrevida... Mas nada além disso, se comparado às Potências Divinas Infinitas.

“Existe ilusão?”

Sem dúvida. Aproveitando a deixa, eu creio, honestamente, que a maior delas é acreditar que somos capazes de decifrar DEUS.

“Eu sou você? Você sou eu? Existe unidade em tudo aquilo que você listou no seu post? Se sim, essa ligação (ou unidade) é devido a que?”

Eu sinto que sim. Essa ligação entre os seres está no fato de termos todos uma mesma Origem, de sermos provenientes de uma mesma Fonte. A essa Fonte chamo DEUS. Essa lista que acrescentei ao final do post representa uma série de coisas que me vieram à mente e que, segundo a minha sensibilidade, são dádivas divinas. Mas com isso não quis dizer que “tudo é DEUS” ou “DEUS é tudo”. Talvez tenha dado essa impressão, e até já penso em retirar a lista de lá, para não dar margem a essas interpretações dúbias; mas não foi a minha intenção, absolutamente.

Quando falo sobre essas coisas, fico sempre com o gostinho de não ter respondido satisfatoriamente, porque se o papo já é complicado falando "olhos nos olhos", imagine por escrito...

Muito obrigado, GUGU!



Merton, que isso, não há de quê. Há tempo que não me sinto compelido a debater na internet essas coisas. Gostaria de aproveitar a oportunidade, enquanto estiver durando. Pode ser que dure muito ou pouco. Mas, no momento, o que eu estou tentando fazer é entender a base de tudo o que você fala. Li todos os posts que você apontou na sua resposta, mas você sabe que é possível chegar a entendimentos diferentes, lendo esses mesmos posts, dependendo do ponto de vista (ou base) que o leitor (e o escritor) tem, e que é de onde ele parte. Por isso todas essas perguntas que lhe fiz até agora! Estou tentando entender exatamente a sua base, que fundamenta/sustenta toda a sua sabedoria espiritual.

Em sua resposta achei isto aqui interessante:

"Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação."

"o grande “detalhe” é que DEUS não está limitado à Natureza; esta é a grande questão nesse assunto."

Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente? Porque a única referência que temos é a Natureza.

Entendi a base. Olha só, eu não quero, nesse bate-papo, ser uma "antítese" das idéias expostas nas explicações do Merton. O que vou colocar a seguir é apenas uma exposição de pontos de vista, para que possamos ver como as conclusões a que podemos chegar podem ser diferentes, dependendo da base de que partimos.

Vamos lá.

"Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação."

Esta é uma base de onde podemos partir. Há uma outra base, adotada principalmente nos ensinamentos orientais, que diz: "Deus é a criação". Logo, também seria possível afirmar que "existe Deus e existe a criação". E tudo isso fundamentado na própria declaração de Krishna, feita nos Bhagavad Gita, que você citou.

Pra facilitar a leitura, vou colar de novo a citação:

“Eu lhe falarei de Minhas manifestações esplendorosas, mas somente das que são proeminentes, pois Minha opulência é ilimitada. Eu sou o Eu, ó Gudãkesa, situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres. (...) Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim. Eu sou tudo, mas sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim...”

Quanto a este ponto "eu estou em você, mas você não está em mim" e "Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim", a outra corrente que parte da base de que "Deus é a criação" entende igualzinho a você: Deus não está limitado à criação física. Ele é, por exemplo, a árvore, mas também é muito (infinitamente) mais do que uma árvore. E o mesmo se dá com tudo o mais. Desta forma, nada fica excluído de Deus, como quando você diz: DEUS pode estar em tudo, de algum modo, mas nem tudo está em DEUS.

Esta corrente entende que tudo está em Deus e que, mesmo tudo estando em Deus - apesar disso - Deus é ainda maior do que todas as coisas que estão nele. Veja que na passagem védica também está escrito: "Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres". Então, pelo entendimento filosófico que estou explanando, tudo só poderia estar em Deus. (A menos é claro, que partamos de um outro ponto de vista, ou base). Por exemplo, na Bíblia diz que "Em Deus nos movemos, existimos e temos o nosso ser" (Atos 17:28). A meu ver, esta citação bíblica também casa com aquela declaração de Krishna.

Aliás, indo um pouco mais a fundo do Bhagavad Gita, você sabe do que realmente se trata o diálogo travado entre so personagens "Krishna" e "Arjuna" (Novamente, não é o Gugu falando, querendo fazer oposição ao Merton - o que estou fazendo é mostrar o ponto de vista de uma outra corrente filosófica)?

Na história do Gita é a cuminação de tudo o que veio sendo narrado pelos outros três livros sagrados que compõe os Vedas. O Gita é apenas a parte final, o desfecho da hitória dos Vedas. Todo o Gita foi construído pela conversa travada entre Krishna e Arjuna, e essa conversa possui um significado simbólico muito especial. Não é um diálogo comum, porque o diálogo que está acontecendo ali não acontece de modo comum, mas acontece entre Krishna (a personificação de Deus, segundo aquelas escrituras) e Arjuna (um homem comum - como eu você e qualquer outro -, que está tentando compreender a aquilo que eles chamam de Realidade Suprema).

Resumindo, o diálogo do Gita ocorre entre a Consciência Divina Iluminada (Krishna) e a mente humana cega (Arjuna), que tenta compreender os mistérios que são exaustivamente revelados à Arjuna por Krishna. Essa Consciência Divina, retratada pelo personagem "Krishna" no Bhagavad Gita, também pode ser chamada de "Consciência Crística" (ou "Mente de Cristo"), ou "Consciência Búdica", dependendo dos ensinamentos de onde quisermos partir. Mas, por mais que Krishna fale, Arjuna não entende. E isto também comporta um significado ou simbologia muito especial: a mente, que é cega, jamais conseguirá entender os mistérios revelados pela Consciência Divina. E mesmo assim, a escritura hindu é construída sobre tal diálogo, algo que não pode jamais acontecer. Por isso, nesse aspecto, o Bhagavad Gita é uma escritura muito bela. Mas voltando... é só no último capítulo do livro, que Arjuna consegue entender. Por que ele só conseguiu entender, depois de tanto tempo, no último capítulo? Aqui poderia entrar aquela fala de Krishna que diz: "eu estou em você, mas você não está em mim". Segundo essa outra corrente, Krishna não estava dizendo que Arjuna estava excluído de Sua onipresença. A Onipresença estava nele o tempo todo. "Mas você não está em mim" significaria apenas "estou em você o tempo todo, mas você não está consciente disto. Desperte!".

Krishna está dizendo que "Arjuna não está n'Ele" não porque ele não faça parte de Krishna, mas porque, apesar de Arjuna fazer parte, ele não consegue enxergar - está inconsciente. Esse "Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim" não é uma afirmação definitiva, que comporte o significado de "você jamais estará em mim". Krishna fala assim, porque ele é a representação de Deus, e Arjuna é a representação do homem que ainda não entendeu, mas que está fazendo tudo para conseguir compreender (pois tenta a todo custo deficrar isso com a mente - esse foi o motivo por que Arjuna só veio a entender Krishna no último capítulo do livro).

O Gita é Deus conversando com o homem. Mais uma vez, esse diálogo é um diálogo impossível de acontecer na verdade, porque a mente nunca se comunica com a Consciência, porque elas são de naturezas distintas. A mente é só um instrumento da Consciência e mais nada. E, fazendo novamente uma referência à Bíblia, nela está escrito o seguinte:

"Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus".

"falamos da sabedoria de Deus, oculta em mistério (*obs. minha: para a mente), a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória" (*obs. minha: sabedoria que existiu desde sempre, junto com Deus)

"Deus nos revelou-las pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda todas as profundezas de Deus"

"Ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus"

"Mas nós não recebemos o Espírito do mundo (*obs. minha: mente humana, apenas), mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus"

"As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as coisas espirituais"

"Ora, o homem natural
(*obs minha: Arjuna) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não podem entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". *Obs. minha: este foi o motivo pelo qual Arjuna só vei a entender Krishna no final do Bhagavad Gita. O tempo todo ele estava tentando decifrar com sua própria sabedoria limitada as palavras de Krishna. Mas a mente não pode entender as coisas de Deus, porque tais coisas só são transmitidas/reconhecidas de Espírito para Espírito. Este Espírito é aquele que estava o tempo todo em Arjuna, e que Arjuna não conseguiu reconhecer enquanto tentava entender segundo os meios do "homem natural".

"Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é dircernido". (*Obs minha: Aqui também cabe a frase de Krishna: "Eu estou em você, mas você não está em mim". Pois o Espírito, apesar de ser tudo, também é maior que tudo)

"Quem conheceu a Mente do Senhor para que possamos instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo". (Obs. minha: Quando Arjuna conseguiu reconheceu isso, foi que ele conseguiu entender tudo o que Krishna vinha falando para ele durante todo o diálogo do Bhagavad Gita).

(Todas estas citações estão no livro de I Coríntios, a partir do versículo 5)

Merton, tudo isso foi apenas para expor que, se partirmos de bases diferentes, chegaremos a uma compreensão ou entendimento diferente, apesar de lidarmos com as mesmas palavras/ensinamentos espirituais.

"Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente? Porque a única referência que temos é a Natureza."

Este é realmente o "X" da questão. Ora, Merton, se eu incluísse aqui os seres humanos e o mundo material (Natureza), eu estaria sendo panteísta. Já disse que, pra mim, o panteísmo é uma crença infundada. Como, novamente, eu não quero deixar a impressão de que estou fazendo oposição, ou tentando fazer alguém acreditar no que estou dizendo, vou destacar uma pergunta, para suscitar reflexão. Assim cada um poderá pensar, refletir, meditar, e chegar às próprias conclusões:

Deus é infinito, imutável e eterno. A Natureza é finita, mutável e limitada. Natureza é fenômeno, Deus não é fenômeno... Deus é Espírito. Quando a Natureza acabar, o que sobrará? Será, então, que dá pra tentarmos entender realmente Deus, partindo do referencial do fenômeno?

A minha resposta pessoal para isso é que não dá pra compreender realmente o que é Deus tomando a Natureza como ponto de partida. Ela apenas nos fornece pistas. A verdadeira compreensão (a liberação ou iluminação tão citada em tantas escrituras) só pode ser realizada quando conseguirmos tomar outra coisa - o Espírito - como ponto de partida. E cabe a cada um conseguir se virar pra aprender como fazer isso.

Mais uma vez eu me apoiaria na citação bíblica: as coisas de Deus só podem ser discernidas espiritualmente, de Espírito para Espírito. A linha de raciocínio das filosofias que estou citando não partem do fenômeno ou mundo material para entender Deus. É por isso que elas dizem que a "base" de onde partimos faz toda a diferença. Se eu partir do mundo para querer conhecer Deus... não poderei dizer que Deus é o mundo. Mas se eu partir do próprio Deus, aí sim eu poderia dizer que Deus é também o mundo.

Então, já que a base faz toda essa diferença, vamos concentrar um pouco a nossa atenção nela: Como podemos dizer que uma base é "certa" ou "errônea", ou dizer que "uma é mais correta que a outra"?

Realmente isso é impossível dizer. A base é de onde partem todas as coisas. Ela mesma não parte de nada - ela é a base! Se partir de algo, então este "algo" é que deverá ser a base. O único meio é tentar experimentar e a partir daí florescer (ou não) a partir das próprias experiências práticas. A base é imeditata, ela é um conhecimento reto. "Fazei com que possamos conhecer retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito" (oração cristã do Espírito Santo).

Partindo dessas duas bases distintas, poderemos chegar à compreensão de que: "existe DEUS e existe a Criação" (Merton) ou "Deus é a Criação" (outras filosofias).

Espero ter sido bem sucedido em fornecer informações para que, quem quiser, possa montar um quadro amplo/geral e, estudando com base em ambos, relacioná-los e conseguir chegar à própria conclusão pessoal.

Acho que esta é a parte final do texto (a menos que não seja, rs.)

Por ora, me despeço. E agradeço ao diálogo.

Grande Abraço, Merton.


GUGU, não se preocupe em ser ou deixar de ser antítese. Se tiver que me contrariar, contrarie à vontade. Nunca tente me agradar, pois eu nunca faria isso nem por você nem por ninguém que eu goste de verdade. Esta é a melhor maneira de respeitar alguém, mesmo que seja um opositor (que não é o seu caso). Ser o que é. Meu respeito e amor por você estão acima das nossas concordâncias e discordâncias.

Vamos lá, vejamos se consigo organizar minhas ideias...

Tenho que dizer que vi vários equívocos na sua linha de raciocínio, deixando bem claro que não digo equívoco em termos de certo e errado, mas sim equívocos com relação a termos e conceitos que empreguei em minhas exposições anteriores.

Antes de começar, gostaria de observar que sinto uma mudança de paradigma bastante grande entre o GUGU com o qual eu costumava debater antes e o de hoje. Certas bases na sua linha de pensamento permanecem, mas me parece que outras foram sumariamente demolidas. Por exemplo, me surpreende vê-lo se declarar abertamente contra o panteísmo. Já vi você fazendo declarações 100% panteístas, do tipo: “Não há outro Deus além de você mesmo”, e ainda: “Somos tão dependentes de Deus quanto Deus é dependente de nós”. Agora você diz que Deus não se limita à natureza, pois Deus é Infinito e a Natureza é finita. Acho maravilhoso você dizer isso, porque nossas maiores discordâncias até hoje se deram exatamente por causa desse “detalhe” - que faz toda a diferença. Panteístas costumam confundir a arte com o Artista.

Daí vem a ideia de Deus como um Dançarino: Deus seria o Dançarino, o Universo a Dança. Um dependeria do outro para existir. Se o Dançarino parar de dançar, o Universo acaba, e o Dançarino também acaba. Acho essa visão tão absurda quanto falha em si mesma: quando um dançarino para de dançar, seja para comer, dormir, descansar, sair com os amigos ou se divertir... Ele deixa de existir? Não. A dança cessa, mas o dançarino ainda está lá, e continua sendo um dançarino. Basta ele querer e a dança recomeça. O espetáculo vai recomeçar quando ele quiser, quando voltar a dançar. É exatamente esta a visão cristã de DEUS.

Você quer saber como eu vejo a vida? Como cristão que sou. O problema é que, apesar de bilhões de pessoas ao redor deste planeta se declararem cristãs, verdadeiros cristãos são raríssimos. Encontrar um cristão verdadeiro é tão difícil quanto encontrar um yogue verdadeiro. Talvez você viva a sua vida inteira e não encontre um. Bem, eu sou um cristão verdadeiro.

Retomando o raciocínio, nessa fase de transição que eu imagino que você esteja atravessando, me atrevo a dizer que vejo algumas posturas contraditórias. Você diz: "O panteísmo é uma tolice". Mas ao mesmo tempo, diz: "Tudo é tudo, e não há mais nada". - Ora, essa segunda afirmação é panteísmo puro, é a declaração panteísta típica. Aliás, ela representa a afirmativa central, o dogma principal do panteísmo. É como se alguém, aqui em São Paulo, dissesse: "Eu não sou corintiano, acho o time do Corinthians desprezível", e em seguida saísse cantarolando: "Timão ê-ô, timão ê-ô..." ;P~~

Então, veja: quando você diz: "Deus é a Criação", eu concordo com essa afirmativa até o ponto final. Até o ponto final, porque a partir do momento em que se coloca o ponto final na frase, depois da palavra “Criação”, eu passo a discordar. Vamos ver se eu consigo explicar um pouco melhor. A frase começa assim:

"Deus é..." - Se terminasse aí, eu concordaria 100%. Esta é a melhor e mais perfeita descrição que o homem consegue alcançar a respeito de DEUS. Aliás, é exatamente assim que o DEUS Uno se apresenta à humanidade. O DEUS Transcendente se define assim, da maneira mais perfeita, em todos os sentidos, pois é a única maneira pela qual a humanidade é capaz de compreender: “EU SOU". - Até então, todos os povos acreditavam em deuses imanentes, e foi a partir deste exato momento que se passou a conceber a hipótese (completamente ‘santa’, isto é, completamente nova, estranha, radicalmente diferente de tudo que se acreditava até então) de um DEUS Transcendente. Pela primeira vez o ser humano considerou que DEUS não era a Natureza. - É exatamente isto que estamos discutindo. - DEUS se manifesta na Criação, na Natureza, mas a sua Real Presença não se limita à Natureza, isto é, ao Universo natural, físico, material.

A Natureza pode ser considerada criação divina, um aspecto divino ou até uma emanação divina. Mas ela não contém DEUS. Ao contrário, a Natureza está contida em DEUS. Esta é a diferença fundamental do paganismo e do panteísmo para o cristianismo.

A frase continua: "Deus é a Criação..." – e eu continuo concordando com ela. Em algum nível, sim, poderíamos dizer que Deus é a Criação, assim como este blog é o Henrique ou a Monalisa é Leonardo da Vinci. Quem visita este blog vê algo do Henrique, seu autor, pois fui eu quem elaborou o layout (com muito carinho), escolhi as fontes e as cores, eu elaborei a arte do cabeçalho... Fui eu quem escolheu as frases que aparecem como slogan, os slides, os vídeos que aparecem na seção "Ler com música" e as imagens da seção "Imagem"... E sou eu que escrevo todos os posts. Então, de algum modo, este blog é o Henrique. Sim, isso está correto. Ele tem o meu “DNA”, por assim dizer...

Só que eu sou mais do que isso. Henrique é o blogueiro, mas Henrique também é o artista, o atleta amador, o escritor, o desenhista, o faz-tudo em casa, o filho amoroso(às vezes), o filho desnaturado(às vezes), o cara engraçado, o cara tímido, o cinéfilo, o karateka, o pai, o marido, o forte, o fraco, o frágil, o poderoso, o exemplo a ser seguido (às vezes), a influência negativa (às vezes), o yogue, o ativo, o contemplativo, o empolgado, o alegre, o depressivo, o apaixonado, o amante (dos bons hehehe), etc, etc, etc...

Tudo isso pode ser dito ao meu respeito, e muito mais. Mas nada disso me define. E olhe que eu sou só um homem comum, que leva uma vida medíocre, assim como milhões de outros seres humanos neste mundo; alguém que não amealhou uma fortuna até os 40, que não escreveu seu nome na história (ainda), que nunca viajou para fora do seu país, que não conhece muito de muita coisa... Um cara comum. Mesmo assim, sou um intrincado e maravilhoso universo de sentimentos, talentos, emoções, memórias... Sou a maior maravilha do mundo, sou o ápice da Criação!

Por isso, dizer que "o Henrique é o blog ‘a Arte das artes’" pode ser verdadeiro sob um certo ponto de vista, mas não é a Verdade última e definitiva ao meu respeito, de modo algum. Esta afirmação não me define, não me resume, não é suficiente. - Agora imagine partir deste mesmo raciocínio para definir... DEUS! O Arquiteto do Universo, a Fonte das Galáxias, o Autor da Vida... O Infinitamente Mais e Infinitamente Maior. Numa palavra: O Santo. - E vejo que eu já deveria ter escrito uma postagem sobre o significado da palavra "Santo". Santo significa, simplesmente, Transcendente. Esta é a chave.

O Deus contido na Criação/Natureza é o Deus imanente. Poderia até ser visto como um aspecto ou manifestação de DEUS. Mas o DEUS em que eu creio é DEUS Transcendente, UNO, Absoluto, Anterior ás primeiras coisas e Posterior às últimas. Talvez assim fique mais fácil entender porque eu concordo com aquela frase até o ponto final. A partir do ponto final eu deixo de concordar com ela.

"Deus é a Criação." - Ponto. - Agora eu não concordo mais. Essa frase faz subentender que DEUS está contido na Criação, e este é todo o problema. O problema todo é que a afirmativa “Deus é a Criação” induz a pensar que Deus é apenas isto. Não é errado dizer que Deus é a criação, mas dizer isso em termos absolutos é totalmente errado.

Excluindo-se do que você falou essa parte essencial, eu concordo com praticamente todo o resto. Claro que, partindo de bases diferentes, chegaremos a diferentes conclusões. Isso vale para qualquer coisa que se discuta.

Quanto ao que Krishna diz a Arjuna, naquele momento, eu vejo uma ênfase exatamente no mesmo ponto que acabei de expor. O que ele diz é: “Sim, eu sou a natureza, sou você, sou a árvore, sou tudo que existe. Mas sou mais do que isto. Eu contenho todas as coisas, mas todas as coisas não me contém, porque todas as coisas procedem de mim, mas não eu delas”. Grandes mestres hindus concordam comigo. E outros mestres concordam com a visão que você trouxe, também.

Outra observação. Você diz:

“...se eu incluísse aqui (na afirmação de que Deus é tudo) os seres humanos e o mundo material (Natureza), eu estaria sendo panteísta”.

Discordo. Tudo é tudo. A Natureza existe; logo, quando falo “tudo”, a Natureza tem que estar aí incluída. Caso contrário, não é tudo, é uma parte do “tudo” que não contém a Natureza. É como um "tudo específico", o que já desqualifica a afirmativa. Panteísmo seria dizer que não há outro Deus além daquele que pode ser experimentado através da Natureza. Panteísmo é dizer que Deus não é Transcendente.

“...existe DEUS e existe a Criação" (Merton) ou "Deus é a Criação" (outras filosofias).

Opa! Calma lá! Não me engrandeça tanto assim! Não dê asas tão grandes para o meu ego... Não é o Merton que diz que Deus e a Criação são coisas distintas. Praticamente todas as religiões o afirmam, desde as mais antigas, desde as religiões ancestrais, inclusive o paganismo, o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e até a linha dvaita do próprio hinduísmo. A filosofia-mãe da ideia “Tudo é Deus” ou “Deus é a Criação” é o hinduísmo, como sabemos. Bom, acho que era isso.

Para encerrar, um último ponto do seu comentário que gostaria de destacar:

"A minha resposta pessoal para isso é que não dá pra compreender realmente o que é Deus tomando a Natureza como ponto de partida. Ela apenas nos fornece pistas. A verdadeira compreensão (a liberação ou iluminação tão citada em tantas escrituras) só pode ser realizada quando conseguirmos tomar outra coisa - o Espírito - como ponto de partida. E cabe a cada um conseguir se virar pra aprender como fazer isso."

Concordo 100% com isso.

Mais uma vez, muito obrigado!



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