
Continuando a postagem anterior, e respondendo às perguntas deixadas pelo leitor João Luiz. Comecemos pelo começo, pergunta 1...
1) Você encontrou o que estava procurando? Encontrou Deus? Encontrou a vida eterna? Definitivo?
Encontrei muitas coisas na Busca, sim. Por algumas vezes, em alguns episódios extraordinários da minha vida, que tentei descrever aqui, e você também leu e comentou, eu vivi a indescritível experiência de estar perto de Deus, sim.
É interessante responder a essa sua primeira pergunta, a pergunta de alguém que leu a minha história desde o começo e quer saber o desfecho, o ato final, o que aconteceu com o herói na conclusão da grande saga. Sabe, aquilo que eu imaginava, aquele contato direto, com todas as respostas objetivas, diretas e claras, como eu queria no começo, não, eu não encontrei essas coisas. Eu recebi um chamado, e depois tive uma série de confirmações desse chamado, confirmações da fé que eu abracei. Mas continua sendo fé.
Aqui, é importante falar de fé. Um amigo me disse, uma vez, que não acredita em ateísmo, que é impossível viver sem fé. Interessante essa afirmação, não? Não acreditar em não acreditar... Para explicar o conceito, ele deu um exemplo bem simples: um sujeito que vai à padaria pela manhã, compra alguns pães e talvez um pedaço de bolo. - Até para realizar um gesto simples como esse, é preciso ter fé. Fé naquele estabelecimento comercial, naquela padaria, no padeiro, na pessoa que está vendendo o pão e o bolo, no fornecedor da padaria, etc. É um gesto de fé consumir produtos de qualquer estabelecimento, pois o pão poderia estar envenenado, o bolo estragado, poderia ser prejudicial à saúde, por exemplo. O balconista poderia mandar uma cusparada no recheio do bolo, antes de embrulhar, ou coisa pior, só por estar com raiva da vida naquele dia... Mas o homem vai lá, compra o pão, o pedaço de bolo, leva para casa e come. É um ato de fé.
Esse raciocínio diz que tudo, absolutamente tudo o que fazemos, está baseado na fé em alguma coisa. Eu estou aqui, agora, e acredito que minha esposa não está me traindo, que meu filho não está cabulando aula, que vale a pena fazer o que estou fazendo, seja lá o que for, porque é o que deve ser feito por mim neste exato momento. Tudo é um gesto de fé.
Esse raciocínio diz que tudo, absolutamente tudo o que fazemos, está baseado na fé em alguma coisa. Eu estou aqui, agora, e acredito que minha esposa não está me traindo, que meu filho não está cabulando aula, que vale a pena fazer o que estou fazendo, seja lá o que for, porque é o que deve ser feito por mim neste exato momento. Tudo é um gesto de fé.
Não se vive sem fé. Todos nós temos fé em alguma coisa. Fé na ciência, por exemplo. E é da incerteza das coisas comumente aceitas como certas é que nascem as revoluções, para o bem e para o mal, as grandes invenções, e também... as teorias da conspiração. Foi o Bush quem mandou explodir as torres gêmeas, para ter um álibi para começar a guerra e se apossar do petróleo... Os Illuminati, aliados aos maçons, estão tramando a dominação do mundo, o que, se não tomarmos cuidado, vai acontecer em breve... Elvis não morreu... E a Nike comprou a copa do mundo de 1998 para a França, pois o Brasil nunca teria perdido aquela final, se não estivesse, inteirinha, subornada...
Sem fé, a cabeça pira, entra em parafuso. Todos temos fé em alguma coisa. Ter fé faz parte da experiência humana mais básica de todas: viver. E talvez até os animais, num nível instintivo, tenham fé. Minha gata deita-se sob a cadeira onde eu sento para escrever, bem debaixo dos meus pés. Ela tem uma grande convicção de que eu não vou pisar nela, que vou tomar cuidado e não vou me afastar para trás, passando com as rodinhas e meus 93 quilos sobre o seu rabo ou pata... ou será que ela simplesmente não tem noção do perigo? Acho que não, porque quando vem alguém aqui em casa que não gosta de gatos, ela nem chega perto. Mas quando é alguém que gosta dos bichanos, ela se aproxima, e se fizer um agrado ainda se aninha no colo dessa pessoa.
Bem, bem, a fé é um fator intrínseco da vida. Sem fé em alguma coisa, a vida seria impossível. E o objetivo máximo da fé é, como não poderia deixar de ser, DEUS: não podemos ver nem tocar, não podemos ouvir, não podemos sentir usando nenhum dos nossos sentidos físicos. Mas cremos que é o responsável por nossas vidas, por tudo o que somos, temos, vivemos... Ora, tudo o que podemos comprovar, como objetivamente real, neste mundo, se dá pelas vias dos sentidos físicos, certo? Afinal, vivemos num Universo físico. Tudo o que passa daí se inclui na categoria do subjetivo. E se é subjetivo, é pessoal, não pode ser compartilhado com outras pessoas, não pode ser provado nem demonstrado. a não ser... pela fé. Como uma ideia como essas pode ter sobrevivido por tanto tempo é algo de enlouquecer. A maior prova da importância fundamental da fé na experiência humana.
Bem, bem, a fé é um fator intrínseco da vida. Sem fé em alguma coisa, a vida seria impossível. E o objetivo máximo da fé é, como não poderia deixar de ser, DEUS: não podemos ver nem tocar, não podemos ouvir, não podemos sentir usando nenhum dos nossos sentidos físicos. Mas cremos que é o responsável por nossas vidas, por tudo o que somos, temos, vivemos... Ora, tudo o que podemos comprovar, como objetivamente real, neste mundo, se dá pelas vias dos sentidos físicos, certo? Afinal, vivemos num Universo físico. Tudo o que passa daí se inclui na categoria do subjetivo. E se é subjetivo, é pessoal, não pode ser compartilhado com outras pessoas, não pode ser provado nem demonstrado. a não ser... pela fé. Como uma ideia como essas pode ter sobrevivido por tanto tempo é algo de enlouquecer. A maior prova da importância fundamental da fé na experiência humana.
Se eu encontrei o que estava procurando? A resposta mais sincera que posso dar, a esta altura da minha vida, é bem simples: não. Acho que cheguei perto, talvez bem perto. É nesse ponto que estou agora, num quarto escuro, tateando, chamando sem cessar: DEUS? Estais aí? Estou no caminho certo? É isso mesmo o que quereis de mim? Qual deve ser o meu próximo passo?
Às vezes, posso jurar, ouço uma voz muito suave me dizendo: "Sim, continua tentando, que Eu Sou próximo, não desanima!"... E, às vezes, é mais do que uma impressão, pois as comprovações daquilo que ouço se traduzem em efeitos concretos, palpáveis, bem reais.
O que tenho percebido é que DEUS parece querer que eu o procure, que eu o encontre por meus próprios esforços ou, ao menos, por minha persistência e determinação. Ás vezes sou tomado por dúvidas terríveis, e às vezes uma certeza imensa me invade, me aquece e conforta.
O que tenho percebido é que DEUS parece querer que eu o procure, que eu o encontre por meus próprios esforços ou, ao menos, por minha persistência e determinação. Ás vezes sou tomado por dúvidas terríveis, e às vezes uma certeza imensa me invade, me aquece e conforta.
Disse que não encontrei o que procurava, porque o que procurava era uma certeza, uma resposta clara, um Encontro definitivo, perene, pleno, estável. Não encontrei estas coisas. Encontrei uma batalha, uma Busca depois da busca, que parece ser infinita enquanto durar esta vida.
Encontrei DEUS. Mas não como eu esperava. A vida eterna? Sim. Mas não como eu esperava. Algo definitivo? O que pode ser mais definitivo do que o Agora?
( Comentar este post __ Ver os últimos comentários
( Comentar este post __ Ver os últimos comentários
15 comentários:
Estranho um texto tão sincero e contundente não apresentar ainda nenhum comentário...talvez por ser tão grande a pergunta e tão pequena a probabilidade de qualquer de nós, humanos, apresentarmos uma resposta definitiva, ou nem perto disso...!
Ainda ontem meditava sobre a fé, segunda a máxima "Pedi e recebereis...". Será que SEMPRE que pedirmos receberemos? E se recebermos, será sempre o que pedimos? Talvez falta acrescentar àquela frase um "segundo a Sua vontade." Porque penso que nunca ficamos sem resposta...apenas, às vezes, não é a que esperávamos, e muitas vezes nem compreendemos a resposta, ou até nos revoltamos com ela, pela nossa visão parcial de seu significado.
Há quem peça com ardorosa fé a cura de um doente, e saia da igreja pleno de esperança em Deus...e o doente falece pouco tempo depois. O plano de Deus não se coadunou com o plano de quem pediu...e como aquele que pediu poderia saber, ao certo, que a cura era o melhor a acontecer na vida daquele enfermo...?
Talvez a única coisa que possamos fazer é pedir com fé e esperar o retorno, sim...mas deixar nas mãos de Deus tudo o mais, inclusive a sabedoria de nos dar o que precisamos naquele momento, pois só Ele saberá o que é melhor para nós.
A maioria esmagadora de nós ainda tateia, e pode confundir a corda que nos salvará no precipício com uma serpente peçonhenta...que a luz de Deus nos ilumine então, para aprendermos a aceitar os Seus desígnios.
Muito obrigado, NOSSO CANTINHO.
É... Este espaço já foi (bem) mais movimentado. Ainda recebo muitas visitas, mas o pessoal tem uma preguiça de comentar...
Obrigado pela participação. Achei bem interessantes os seus textos, no seu blog, também.
Não, nem sempre recebemos o que pedimos, ou seria talvez melhor dizer que sempre recebemos o que pedimos, ao menos quando sabemos pedir, mas não reconhecemos o nosso pedido sendo atendido. Porque o que realmente pedimos, - ao menos o que realmente queremos, - ao final das contas, é o melhor para nós.
E é isso que sempre acontece, mesmo que não saibamos reconhecer à primeira vista.
Este mundo é um lugar confuso, opressor, cheio do sofrimento. Jesus mesmo disse que no mundo teríamos tribulações. Acredito que essas tribulações também se enquadram em tudo o que o Merton nos contou em seu post, e não é somente ele que pasa por isso, mas a humanidade toda. Este mundo é um lugar maluco, é um fardo que todos nós temos de carregar. É um lugar tão maluco, que até mesmo as pessoas que têm tudo o que a vida pode oferecer (dinheiro, sexo, status, fama, fortuna, etc.) continuam vivendo vidas insatisfeitas e infelizes.
Não tem jeito: este mundo oprime a todos, não importa quem seja a pessoa nem a condição em que ela está. Jesus estava certo: "no mundo tereis tribulações", porque este mundo é um lugar de dores, incertezas, sofrimento, perdição. Não há resposta alguma a ser encontrada neste mundo (para aqueles que buscam uma Resposta). A vida eterna foi-nos prometida pela bíblia e demais livros sagrados. Mas a Vida eterna prometida não é deste mundo. O algo/resposta definitiva também não é deste mundo. Pode parecer chocante, mas também Deus não é deste mundo. O próprio Cristo disse "o meu Reino não é deste mundo". Nem poderia ser, do contrário o Reino de Deus seria um reino de perdição. O que é incerto sera sempre incerto; o que efêmero será sempre efêmero. Por outro lado, o que é eterno é sempre eterno, e o que é definitivo será definitivo sempre. A resposta que procuramos não pode estar num lugar onde as coisas são sempre incertas, cheias de dores e sofrimento - porque assim elas sempre serão.
Precisamos encontrar algo que seja definitivo mesmo depois que a vida mutável/efêmera termine. Nós sabemos que ela vai terminar. Será que não seria loucura buscarmos a eternidade na própria vida fenomênica que é efêmera? Igualmente, será que não um absurdo tentarmos encontrar Deus ou o definitivo em coisas que são humanas e não definitivas? Que estamos fazendo, onde estamos procurando?!
Cont...
Se o mundo não pode satisfazer o homem, isso só pode significar que o homem não é deste mundo, não pertence a este mundo. Se o homem vive sua vida neste mundo, ele está decaido, ou seja, não está onde deveria (foi feito para) estar, e por isso sofre. Jesus também disse: "Também vós, deste mundo, não sois." O homem só pode ser espiritual; só pode pertencer à Criação que Deus fez "e viu que tudo era muito bom". O homem só pode pertencer ao "Meu Reino" do qual Jesus falava. Reino este que nada tem a ver com as coisas daqui. A Bíbia revela que "as obras de Deus já estão concluídas/prontas/terminadas, delas nada podendo ser acrescentado ou retirado." O homem só pode pertencer a estas obras inalteráveis de Deus, onde nada pode ser acrescentado ou diminuído. Certamente, tais coisas de Deus não nada tem a ver com "este mundo" do qual Jesus falou, mas sim do "Meu Reino" ao qual ele se referiu.
Enquanto estivermos aqui, teremos que suportar tudo o que este mundo é, e tudo o que ele nos faz. Ele pode ser vencido. Cristo disse: "Eu venci o mundo". Também creio que podemos vencê-lo. Talvez a vida eterna, a resposta definitiva, Deus, somente nos serão revelados quando tivermos vencido este mundo. Isso é algo árduo, mas é possível. Afinal, não nos foi prometido que, se batêssemos na porta, ela seria aberta? Que se nós buscássemos, certamente acharíamos? Jesus ainda nos disse: "não fiquem tão aflitos, pois é do agrado do Pai dar-vos o Reino".
Em última análise, este mundo puríssima ilusão. A Vida de real valor está no "Meu Reino" que não é "deste mundo". Todas as respostas estão lá, esperando para serem reveladas, descobertas.
Acredito que, no início, a busca por todas essas coisas requerem fé (no sentido em que as pessoas podem dizer "eu acredito" ou "eu não acredito). E que no decorrer do caminho, em algum ponto, essa fé deixa de ser "fé" para tornar-se "certeza". Certeza essa que é quase uma experiência (uma coisa viva!) e que independe da atitude da pessoa de ter de acreditar ou não.
Mas tudo isso é apenas a minha conclusã das coisas, e que eu gostaria de poder dividir/compartilhar com todos.
Foi bom ter voltado aqui, depois de tanto tempo, e deixado um comentário.
Grande Abraço, Merton!
Oi, GUGU! Foi muito bom entrar aqui no blog e ver o seu comentário, como nos bons tempos deste ponto de encontro para buscadores.
Do que eu falei no post, a minha principal percepção é a de que o nosso modo de entender as coisas vai amadurecendo conforme nós mesmos mesmos vamos amadurecendo, vivendo e aprendendo coisas novas, absorvendo experiências...
As perguntas do JOÃO LUIZ (cadê você?) refletem as perguntas que eu mesmo fazia lá no começo da Busca, conforme contei aqui no blog. E naquela época eu queria respostas concretas, diretas, objetivas, sem margens para enganos, interpretações diferentes... Eu queria a Verdade.
E eu ainda quero, hoje. Mas aprendi a ver as nuances, os meios tons, o dito no não dito, os sinais sutis que a vida nos dá, a mensagem escondida nas cores, nas coisas, na natureza... Aprendi a entender e aceitar a diversidade das pessoas. Aceitar a minha condição única (como somos todos únicos, cada um de nós) e também a minha realidade: a Verdade não tem "obrigação" de se manifestar a mim do jeito que eu quero, como eu quero, porque eu quero e exijo, tipo criança mimada: "eu quero agora!"
Aprendi a escutar, mais do que a falar. Provavelmente esse é um dos motivos pelos quais o ADA anda meio parado, ultimamente. Eu ja não tagarelo tanto. Antes eu tentava escutar, sim, mas acho que o ruído das minhas próprias súplicas acabava sufocando a voz da Verdade. Em outras palavas, eu falava demais. E eu ouvia mais a mim mesmo do que outra coisa; ouvia mais os sussurros da minha alma obcecada do que à voz da Verdade...
Mesmo assim, às vezes uma pequena dica, uma sílaba, uma palavra do que a Verdade dizia passava e se fazia ouvir, entre o turbilhão dos meus próprios pensamentos e ansiedades. E assim fui crescendo, aprendendo a abrir meus olhos, pouco a pouco. E fui me tornando capaz de ver, cada vez mais, da minha tão desejada Verdade.
Ainda não sou capaz de ver muita coisa, mas pelo menos não sou mais cego. E o que sou capaz de ver, hoje, é bem parecido com aquilo que você descreveu aqui. Que bom! Sinal de nossa honestidade, penso eu. Obrigado.
"Ás vezes sou tomado por dúvidas terríveis, e às vezes uma certeza imensa me invade, me aquece e conforta."
Merton,
Existiu um mestre budista iluminado que disse: "Mesmo quando alcançamos a iluminação (percepção da Verdade, em seu sentido transcendental), precisamos continuar trabalhando por ela, para que ela não nos escape. Devemos viver de modo aconquistar/atingir a iluminação a cada instante."
Na busca, nós empreendemos um trabalho árduo para obter a percepção transcendental da Verdade e, quando finalmente conseguimos um vislumbre, uma experiência fractal - ou mesmo quando adquirimos a habilidade de mantê-la "ativada" - ainda sim precisamos continuar trabalhando para nos manter nela. Temos de viver atentos, alertas, momento a momento, a fim de que nos mantenhamos conectados.
Em termos bíblico, acredito que isso significa "orar e vigiar diariamente", "trabalhar pela comida que não perece"...
Por tudo isso, esse trecho (que destaquei) que vc escreveu no seu post é algo que acontece com todo mundo. Até mesmo Jesus, naquela época, sentia a necessidade de se isolar nas montanhas para que pudesse se manter aprofundado na percepção das "coisas do Pai". E, quando ele sentia que "este mundo" estava consumindo por demais sua atenção, ele se retirava novamente para algum lugar isolado a fim de diminuir sobre si as influências do mundo, e assim aumentar e manter sua abertura para a influência. Eu acredito nisso, pois Jesus também era humano, sujeito às mesmas (todas) vicissitudes da vida com as quais nós temos de nos defrontar. Creio que ele veio para dar à humanidade a prova de que, se ele pôde superá-las, então as humanidade também pode.
Porque até mesmo os mais experientes podem oscilar entre "dúvidas terríveis" e "certezas imensas"? A pessoa, enquanto viver num mundo dual (ou seja, enquanto personagem fenomênico que vive esta vida efêmera), estará sujeita a todas essas coisas. Creio que a frase de Jesus "no mundo tereis tribulações" aplica-se inclusive aí. Enquanto seres fenomênicos, estamos fadados à mutabilidades: nascimento, crescimento e morte. O personagem fenomênico está destinado a acabar. Dentro do âmbito de sua vida fenomênica, é natural que o personagem sofra todas as oscilações da dualidade, como dúvidas e certezas - inclusive no âmbito de sua busca/espiritualidade/fé. Até mesmo Jesus passou por um momento terrível, pois a mente do personagem dele o fez duvidar, a ponto de fazê-lo gritar para Deus: "Pai, por que me abandonaste?"
Mas o que deve ser percebido é que tanto as 'certezas' como as 'dúvidas' estão acontecendo somente para o personagem, e não para aquele Ser que sustenta a existência do personagem, e que mantém com ele uma "Unidade essencial". O personagem não é nada, mas o Ser que o apóia é tudo. E esse Ser não está sujeito a dúvidas de espécie alguma. É apenas a mente do personagem que às vezes cai nas dúvidas ou nas certezas. Por isso, o personagem deve manter-se atento ao Ser, minuto a minuto, sob pena de acabar sendo ludibriado por sua própria mente.
Os nossos momentos de meditação, de contemplação, de comunhão com Deus, são preciosíssimos, importantíssimos. Sem eles, acabamos caindo novamente na velha percepção (mental) do personagem, que não é a percepção iluminada do Ser. Quem percebe o Ser não é o personagem, mas o próprio Ser nele. Do ponto de vista iluminado, personagem é realmente nada, não faz nada. Jesus dizia de si mesmo: "Eu de mim mesmo nada sou, e nada faço. O Pai em mim é quem realiza as obras". Perceba Jesus fazendo uma distinção entre sua parte humana/personagem e seu Ser Divino, o Cristo (Aquele quem Jesus realmente é). Em Jesus, Deus se fez homem, para que Ele pudesse ser exatamente como todos nós. E, estando em igualdade de condições, nos mostrou que, se Ele pôde superar o mundo, vivendo uma vida de amor e realizando sua unicidade com o Pai, foi para nos dar o exemplo de que nós podemos conseguir isso também. "Segue-me tu", ele disse.
Também o "Pai em nós" deve fazer as obras, em qualquer ato, palavra ou pensamento que seja. Quando estivermos caminhando, deixemos que aquele ato seja Deus caminhando por nós. Quando estivermos ajudando uma pessoa ou fazendo caridade, deixemos que seja Deus em nós fazendo as obras. Nunca reivindiquemos autoria por nossos atos - mesmo que seja um simples respirar. Isso seria orgulho, vaidade. Nós, de nós mesmos, nada somos. Uma vida vivida assim, é uma vida devocional, em que a pessoa (personagem) devota todo o seu ser Àquele que mantém com ele uma "Unidade essencial". Deus é o único que É, é o único Quem faz. Em todos os nossos atos, percebamos "Quem faz". Essa mudança de foco, cria em nós a ambiência necessária (a abertura) para que o Ser em nós perceba a Si mesmo em tudo o que existe - nas demais pessoas e coisas. Então somos capazes de olhar qualquer pessoa que seja (até mesmo para um ladrão ou um assassino) e vermos Deus presente nela. Enquanto todos os judeus estavam vendo em Madadena uma mulher adúltera, o que Jesus enxergava nela que o fez perdoar os pecados dela e tratá-la com todo aquele amor? E o que será que Ele enxergava em todos os demais pecadores? Com certeza, ele via além do que todos podiam ver e, por aquelas pessoas não conseguirem ver como Ele via, dizia a elas: "tende olhos, mas não vedes?". A visão era além do que os meros olhos humanos podiam captar.
Bom... tudo isso foi apenas para dizer que, enquanto seres fenomênicos/personagens, estamos destinados viver segundo a natureza da dualidade. É normal que as nossas mentes às vezes caiam em dúvidas, às vezes se encham de certezas. Mas a resposta que procuramos está além de tudo isso. A resposta provém do Ser, e não pode ser obtida mediante nossos esforços mesquinhos. Sim, por mais bem intencionados que sejam, se os esforços são nossos, são mesquinhos. Aquilo que procuramos, Deus nos dá pela graça. "Pai, a Tua Graça me basta". É a nossa humildade/receptividade/abertura que permite fazer com que o Ser em nós perceba a Si mesmo em todas as coisas. A Onipresença de Deus é, então, revelada.
A Bíblia diz que o que é espiritual só pode ser dicernido espiritualmente, e que temos a mente de Cristo. É a mente de Cristo em nós que vê tudo "face a face", iluminadamente. Enquanto que nossas mentes pessoais vêem tudo "obscuramente, como que por expelho em enigma".
Finalizo este comentário com uma transcrição de alguns versículos do Capítulo de Cortíntios 2:
"A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persusivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder.
Para que a vossa fé não se apoiásse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos (aqueles em que o Ser neles é quem realiza as obras); não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncpes deste mundo, que se aniquilam;
Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória.
A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória.
Mas, como está escrito: "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e que não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam."
Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.
Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito (atentemos para este "E" maiúsculo, indicando o divino e não o humano) que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.
Coisas as quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
Ora, o homem natural (personagem) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elasse discernm espiritualmente.
Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
Porque quem conheceu a mente do Senhor para que posa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.
É o que desejo compartilhar com todos hoje. E obrigado por essa oportunidade!
Grande Abraço a todos!!
Uau, Gugu... tanto tempo sem comentar e agora solta essa bomba (num bom sentido). Muito lindo. Até chorei ao ler.
E lembrei-me de uma musiquinha:
"o que agrada a Deus é minha pequena alma, é que eu ame minha pequenez e minha pobreza..."
A humildade é tudo, cara. Só assim, o ego sai de cena e o Ser toma o seu espaço em nós. Na minha opinião, a humildade é uma grande (senão a maior) prova de fé. É preciso ter muita fé para ser humilde, pois tendemos a achar que estamos no controle de tudo, mas nao estamos no controle de nada. É preciso ter fé em Deus, sendo sempre humilde, deixando Deus agir em nós, ao invés que queremos forçar Deus a ser igual a gente.
Obs.: Fé, esperança e Amor...
Abraços a todos!
Obs.: cadê o homem da pergunta, gente? Rss...
Você fala do GUGU, mas você, heim, MIZI?
Quanto tempo sumido! Já estava até preocupado com vocês todos, MIZI, GUGU, FIAT... Fala sério...
E aí, tá bonzinho, tá?
Amigo, estou ótimo. Meio sem tempo, como sempre... mas to indo, com fé... hehehe.
Mas eu sempre passo por aqui e leio os posts, viu!?
Abraços!
Tá certo, MIZI, também não posso falar muito sobre isso, afinal, sou o mais sumido...
Olá Merton.
É, faz tempo que não venho aqui no seu blog. Desde o nascimento de meu filho (Mikhael) não apareço aqui, então já se vão 2 anos e 4 meses.
Bem, sobre ser cristão, Camões "poderia" ter dito assim:
" 'ser cristão' é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Certo?!
Abraços
Paulo Papas
Simplismente amei esse post... navegando pela internet num momento de angustia me deparo com esse site... Que palavras fantasticas! Não sei nem o que falar, na verdade não tem o que falar pois na verdade estou mesmo buscando escutar e aqui estou ouvindo exatamente o q preciso... Obrigada Merton.
Postar um comentário