É mais ou menos isto, agora...



Continuando a postagem anterior, e respondendo às perguntas deixadas pelo leitor João Luiz. Comecemos pelo começo, pergunta 1...


1) Você encontrou o que estava procurando? Encontrou Deus? Encontrou a vida eterna? Definitivo?


Encontrei muitas coisas na Busca, sim. Por algumas vezes, em alguns episódios extraordinários da minha vida, que tentei descrever aqui, e você também leu e comentou, eu vivi a indescritível experiência de estar perto de Deus, sim.

É interessante responder a essa sua primeira pergunta, a pergunta de alguém que leu a minha história desde o começo e quer saber o desfecho, o ato final, o que aconteceu com o herói na conclusão da grande saga. Sabe, aquilo que eu imaginava, aquele contato direto, com todas as respostas objetivas, diretas e claras, como eu queria no começo, não, eu não encontrei essas coisas. Eu recebi um chamado, e depois tive uma série de confirmações desse chamado, confirmações da fé que eu abracei. Mas continua sendo fé.

Aqui, é importante falar de fé. Um amigo me disse, uma vez, que não acredita em ateísmo, que é impossível viver sem fé. Interessante essa afirmação, não? Não acreditar em não acreditar... Para explicar o conceito, ele deu um exemplo bem simples: um sujeito que vai à padaria pela manhã, compra alguns pães e talvez um pedaço de bolo. - Até para realizar um gesto simples como esse, é preciso ter fé. Fé naquele estabelecimento comercial, naquela padaria, no padeiro, na pessoa que está vendendo o pão e o bolo, no fornecedor da padaria, etc. É um gesto de fé consumir produtos de qualquer estabelecimento, pois o pão poderia estar envenenado, o bolo estragado, poderia ser prejudicial à saúde, por exemplo. O balconista poderia mandar uma cusparada no recheio do bolo, antes de embrulhar, ou coisa pior, só por estar com raiva da vida naquele dia... Mas o homem vai lá, compra o pão, o pedaço de bolo, leva para casa e come. É um ato de fé.

Esse raciocínio diz que tudo, absolutamente tudo o que fazemos, está baseado na fé em alguma coisa. Eu estou aqui, agora, e acredito que minha esposa não está me traindo, que meu filho não está cabulando aula, que vale a pena fazer o que estou fazendo, seja lá o que for, porque é o que deve ser feito por mim neste exato momento. Tudo é um gesto de fé.

Não se vive sem fé. Todos nós temos fé em alguma coisa. Fé na ciência, por exemplo. E é da incerteza das coisas comumente aceitas como certas é que nascem as revoluções, para o bem e para o mal, as grandes invenções, e também... as teorias da conspiração. Foi o Bush quem mandou explodir as torres gêmeas, para ter um álibi para começar a guerra e se apossar do petróleo... Os Illuminati, aliados aos maçons, estão tramando a dominação do mundo, o que, se não tomarmos cuidado, vai acontecer em breve... Elvis não morreu... E a Nike comprou a copa do mundo de 1998 para a França, pois o Brasil nunca teria perdido aquela final, se não estivesse, inteirinha, subornada...

Sem fé, a cabeça pira, entra em parafuso. Todos temos fé em alguma coisa. Ter fé faz parte da experiência humana mais básica de todas: viver. E talvez até os animais, num nível instintivo, tenham fé. Minha gata deita-se sob a cadeira onde eu sento para escrever, bem debaixo dos meus pés. Ela tem uma grande convicção de que eu não vou pisar nela, que vou tomar cuidado e não vou me afastar para trás, passando com as rodinhas e meus 93 quilos sobre o seu rabo ou pata... ou será que ela simplesmente não tem noção do perigo? Acho que não, porque quando vem alguém aqui em casa que não gosta de gatos, ela nem chega perto. Mas quando é alguém que gosta dos bichanos, ela se aproxima, e se fizer um agrado ainda se aninha no colo dessa pessoa.

Bem, bem, a fé é um fator intrínseco da vida. Sem fé em alguma coisa, a vida seria impossível. E o objetivo máximo da fé é, como não poderia deixar de ser, DEUS: não podemos ver nem tocar, não podemos ouvir, não podemos sentir usando nenhum dos nossos sentidos físicos. Mas cremos que é o responsável por nossas vidas, por tudo o que somos, temos, vivemos... Ora, tudo o que podemos comprovar, como objetivamente real, neste mundo, se dá pelas vias dos sentidos físicos, certo? Afinal, vivemos num Universo físico. Tudo o que passa daí se inclui na categoria do subjetivo. E se é subjetivo, é pessoal, não pode ser compartilhado com outras pessoas, não pode ser provado nem demonstrado. a não ser... pela fé. Como uma ideia como essas pode ter sobrevivido por tanto tempo é algo de enlouquecer. A maior prova da importância fundamental da fé na experiência humana.

Se eu encontrei o que estava procurando? A resposta mais sincera que posso dar, a esta altura da minha vida, é bem simples: não. Acho que cheguei perto, talvez bem perto. É nesse ponto que estou agora, num quarto escuro, tateando, chamando sem cessar: DEUS? Estais aí? Estou no caminho certo? É isso mesmo o que quereis de mim? Qual deve ser o meu próximo passo?

Às vezes, posso jurar, ouço uma voz muito suave me dizendo: "Sim, continua tentando, que Eu Sou próximo, não desanima!"... E, às vezes, é mais do que uma impressão, pois as comprovações daquilo que ouço se traduzem em efeitos concretos, palpáveis, bem reais.

O que tenho percebido é que DEUS parece querer que eu o procure, que eu o encontre por meus próprios esforços ou, ao menos, por minha persistência e determinação. Ás vezes sou tomado por dúvidas terríveis, e às vezes uma certeza imensa me invade, me aquece e conforta.

Disse que não encontrei o que procurava, porque o que procurava era uma certeza, uma resposta clara, um Encontro definitivo, perene, pleno, estável. Não encontrei estas coisas. Encontrei uma batalha, uma Busca depois da busca, que parece ser infinita enquanto durar esta vida.

Encontrei DEUS. Mas não como eu esperava. A vida eterna? Sim. Mas não como eu esperava. Algo definitivo? O que pode ser mais definitivo do que o Agora?




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