(Uma) Conclusão


Afinal, a conclusão de "Expansão". Há muito a ser dito. Quero começar pela grande revelação de toda esta série de postagens, que seria: eu sou completamente maluco.

_______Sem dúvida eu me considero louco, entre muitos outros loucos. Para buscar a Deus, vivendo neste mundo hedonista e materialista, é preciso ser um pouco louco. E para buscar a Deus em primeiro lugar, como eu sempre fiz, é preciso ser completamente maluco. Ultimamente tenho passado muito tempo estudando entre religiosos consagrados, e, se não acreditasse na perfeição de todas as potencialidades, pensaria que foi um erro meu ter desistido de ser padre. Um religioso católico, nos dias de hoje, goza de muita liberdade para escolher entre uma pluralidade de vias e maneiras, dentro de um mesmo grande caminho, e até mudar de umas vias para outras quando achar conveniente, o que permite um enriquecimento espiritual imenso. Eu teria gostado disso. Mas não lamento, porque a minha vida é sumamente abençoada hoje, e os rumos que tomei me fizeram feliz e realizado. Hoje, a sensação de não estar cumprindo a missão que me foi confiada, que carreguei durante muitos anos, foi-se completamente. Sei que estou fazendo o que deveria estar fazendo. Isto é realização. O que resta é buscar a perfeição no que sou e faço, e creio que este é um processo sem fim.

_______Sim, o mundo considera loucura a verdadeira sanidade. Bom, bom, mas vamos parando com as divagações por aqui, que eu tenho coisas a esclarecer. A grande revelação de toda esta série de postagens (ver a série completa) não é a minha maluquice, até porque isso é de conhecimento público. A revelação é o fato de que tudo o que eu narrei das minhas experiências insólitas, desde "A Busca é eterna" até "Expansão", era, o tempo todo, uma espécie de diálogo comigo mesmo. Eu interagi com muitas facetas do meu próprio eu: a menina de olhos brilhantes, o velho no parque, o homem no sofá da minha sala, a criança escondida no quarto escuro. Todos são aspectos meus, me fazendo ver coisas que por mim mesmo, em meu “padrão consciencial comum”, eu não seria capaz de perceber. Uma parte da minha própria consciência se manifestou a mim em formas insólitas, para que eu lhe desse a devida atenção. Para que eu conseguisse prestar atenção àquilo que eu mesmo tenho a dizer a mim! Confuso? Eu sei...


_______Talvez algum leitor antigo perceba que esta foi uma espécie de confirmação dramática para o que eu já havia descoberto há muito tempo, lá num dos primeiros estágios da minha busca, quando descobri o meu "Segundo Pilar". Ao começar a escrever este blog, pretendia falar muito mais sobre os meus pilares, mas no correr das coisas, este assunto acabou ficando para depois, e para depois... E assim, nunca mais retornei a ele. Agora é o momento, pois foi exatamente o que aprendi com a revelação destes vários “personagens” ou “reflexos” de mim mesmo.

_______Dentro de mim, dentro de cada um de nós, existe uma consciência que poderíamos quase chamar de “super-poderosa”. Esta consciência, que já foi chamada de “eu superior”, é um certo nível do nosso entendimento que é capaz de guardar tudo aquilo que aprendemos, desde que existimos. Em nosso estado de consciência ordinária, isto é, dispersa nos muitos afazeres e preocupações do dia-a-dia, não somos capazes de acessar todo este conhecimento, toda esta riqueza de sabedoria em potencial. Mas se nos colocamos muito calmos, silenciosos e tranquilos, somos capazes de acessá-la, por assim dizer. E encontrar respostas. Parece simples, e é. O problema é que as coisas simples, nos nossos dias, andam muito distantes. É muito difícil simplesmente se colocar quieto. É muito difícil simplesmente ter silêncio, ainda mais o silêncio interno.

_______Toda a sabedoria de que somos capazes, e me parece que ainda mais, pode ser acessada a partir deste nosso nível inconsciente, que não se esquece de nada (muito menos do que nos foi revelado do Alto), em toda a nossa experiência de vida. É muito conteúdo! É muita sabedoria. Mas não é só isso: a partir de um estado de grande serenidade, somos capazes de acessar o canal através do qual todo este aprendizado foi possível: aquele pontinho especial e luminoso em você que transcende o físico e o mental. Aquele ponto em você que vai além de você mesmo.


_______Quando você faz uma pergunta para outra pessoa, a respeito de que decisão deve tomar, num momento importante da sua vida, ou sobre o que é certo ou errado, quando precisa resolver algo crucial, que vai mudar o destino, seu ou de outrem, para sempre, tudo o que você tem a fazer é parar e olhar para dentro de si, com muita calma e sinceridade: na maioria dos casos, você tem a resposta ali. Por isso é que sempre parece tão fácil resolver os problemas dos outros, mas os nossos problemas parecem difíceis: o fato de estarmos envolvidos emocionalmente é que dificulta tudo, por isso é mais difícil encontrar a calma para acessar essa memória interna, que é quase infinita. Sentimentos e expectativas criam muito barulho e confusão interna.

_______E por causa da nossa teimosia, das nossas crenças erradas ou por causa das nossas preocupações, ou ainda por causa da nossa vida corrida, por não dedicarmos o tempo devido a essa consciência superior, ela é capaz de usar de subterfúgios para entrar em contato conosco. E recebemos avisos em forma de sonhos, pressentimentos, insights. NÃO! Não estou dizendo que todos os sonhos, visões, pressentimentos e insights sejam manifestações desta nossa superconsciência: digo que alguns podem ser. E também não estou falando de coisas mágicas, místicas, esotéricas. Estou falando da coisa mais natural, que ao mesmo tempo é a mais mágica e incrível: ser naturalmente humano, com todas as incríveis capacidades que os seres humanos possuem.

_______A primeira revelação que eu fiz a mim mesmo (e que não é revelação, mas sim um relembrar de algo primordial e que eu estava prestes a esquecer) foi: "Você não pode domesticar a Transcendência Divina!"

_______Todos nós temos falsas crenças, profundamente enraizadas em nossa psique. Todos somos induzidos a "formatar" a Realidade que não tem forma, nem princípio nem fim, de acordo com as nossas próprias capacidades e "gostos", nossa própria finitude. Se DEUS é Infinito, como podemos nós, que somos finitos, interagir com Ele? Em nosso nível de consciência ordinário, só há um jeito: criando uma imagem. Essa imagem pode ter utilidade, mas não é real. É necessariamente incompleta.


_______Ok. Mas, se por sermos finitos, somos "obrigados" a interagir com o Infinito através de imagens imperfeitas que criamos, qual a utilidade, ou qual a finalidade de saber que "não podemos domesticar a Transcendência Divina"? A grande utilidade de saber disso é não nos preocuparmos com as coisas que não fazem sentido! Porque, em nossa busca espiritual, muitas coisas parecem não "se encaixar", os fatos muitas vezes parecem contrariar as nossas convicções, e por isso, muitos perdem a fé. Manter em mente que a Transcendência Divina não pode ser "domesticada", isto é, modelada de acordo com as nossas próprias limitações e expectativas, nos torna livres de buscar sentido em tudo, o tempo todo. Podemos parar de raciocinar e nos assumirmos, simplesmente, como nós mesmos. Isso é tão bom...

_______Na Visão do Profeta Isaías, anjos proclamavam que "Deus é Santo, é Santo, é Santo". Isto quer dizer que DEUS está Além, está Além, está Além! Além de tudo o que podemos ver, sentir com nossos sentidos físicos, compreender com o nosso intelecto... Conscientizarmo-nos disso nos liberta para simplesmente sermos o que somos, sem o peso da obrigação de corresponder às falsas expectativas que nós mesmos inventamos. É exatamente isso o que significavam, na minha visão, todas aquelas tranqueiras acumuladas e empoeiradas no quarto escuro: uma série de construções elaboradas da nossa própria mente, mascarando a consciência de que DEUS é eternamente Santo, Santo, Santo. Está Além, Além, Além. Além de toda explicação, além de toda crença. Há mais para dizer? Sim. Infinitamente mais. Inutilmente, muito mais.


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