Livro Pessoal da Sabedoria - Diálogo 1

Nunca desfrutei a benção do sono pesado. Dormir pesadamente, largado, despreocupada e descaradamente, o sono dos justos, é uma benção. Minha última noite de completo descolamento do mundo dos acordados deve ter sido lá no tempo dos meus 10 anos de idade. Ou não. Sei lá, às vezes tenho a sensação de que acordo a todo instante, a noite inteira, e às vezes acho que penso que acordo, mas estou como que em sonho. Alerta ao leitor: não sou um cara lá muito normal, mas gosto de mim mesmo nos meus melhores dias.

_______Mas então aquele dia foi... Ou melhor, aquela noite foi uma dessas noites em que eu não sabia se estava acordando a toda hora, se dormia, se acordava mas era dentro do sonho. Sei bem é que, cansado de rolar na cama, resolvi levantar para um copo de água e um pouco de TV na sala. É o melhor a fazer quando se está desperto em plena madrugada. Isso ou um bom livro, que assim o sono volta. Passei pela sala escura, meio zonzo e com muita sede. Abri a geladeira, enchi aquele copázio de mega-sede até a boca e mandei para dentro, de um gole só.

_______O líquido gelado aguçou a minha sensação de despertamento. Achei que agora o sono demoraria a voltar, má notícia, amanhã a dificuldade para sair da cama seria redobrada. Mas ao retornar à sala, voltei a me questionar: estava mesmo desperto ou sonhava? Lá estava, no meu canto favorito do sofá, em meio à penumbra, um velho conhecido. Que não poderia estar ali de verdade. E lá vamos nós de novo, para mais uma louca jornada alma adentro...


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