Há dois dias apareceu entre os comentários deste blog uma pergunta de ouro que representa mais uma oportunidade de ouro para um post de ouro. Estou pensando em aproveitar o agravamento da escassez de tempo livre na minha vida, ultimamente, para começar uma nova etapa deste blog, na qual eu apareço para responder às perguntas que me fizerem (antes que alguém pergunte, o animal mais rápido da Terra é o guepardo, aquele felino charmoso, e a capital da Eslováquia é Bratislava. Hoshhohshhosh... Claro que as perguntas tem que se situar nos campos em que eu auto: Teologia, Ciência da Religião, Filosofia... talvez um pouco de História Antiga). Falando sério, a pergunta do meu leitor e amigo LEON é bem oportuna e me deu muito prazer em responder. O tema é complexo e gerou um texto longo, que pretendo publicar em duas partes (se tudo der certo e se este conteúdo realmente couber em duas partes, assim será, sendo que a segunda parte virá, no máximo, até o final da próxima semana). Enjoy...
Leon pergunta: "...aproveitando o Domingo de folga pra voltar de cabeça aos estudos, voltados atualmente pro cristianismo, me deparei com algo que me afastou da Igreja Católica lá no começo da minha Busca pela Grande Obra: Cruzadas e, principalmente, as várias "Inquisições". (...) Eu pude refletir e, apesar de eu ter uma afeição mto grande pelos preceitos da vida monástica católica e uma grande admiração pelos grandes fundadores das ordens, desde o comecinho informal do monasticismo, esses dois pontos ainda me constituem um Grande Obstáculo a minha aceitação do catolicismo."
"Por isso, gostaria de pedir a vc Merton (se puder, claro) como uma pessoa que conseguiu aceitar de volta a raiz cristã de sua vida, escrever algo sobre as Cruzadas e a Inquisição."
Antes de qualquer coisa faço questão de deixar bem claro que não, eu não vou tentar defender a Igreja, só porque sou católico. Não é possível defender o indefensável. E.. Wow! "Grande Obstáculo" com iniciais maiúsculas!? Isso deve ser algo realmente grande aí na sua psique! Por isso mesmo, em respeito à sua inteligência e em nome da Verdade, vou apenas apresentar fatos, nus e crus, porque os conheço bem, já que são parte da ciência a qual estudo há anos (lá se vão mais de duas décadas), e que há pouco retomei "academicamente", com o intuito de me tornar mestre e doutor. - Mestre e doutor de homens, porque os maiores mestres que já conheci não tinham diploma algum a não ser o amor incondicional impresso em seus corações, a marca divina gravada e selada em suas almas. Os conhecimentos que todas as universidades do mundo seriam capazes de transmitir não me graduariam para tocar os pés de um Francisco de Assis, um João da Cruz... Mas isso é outro assunto. Retomemos a pergunta.
_______Como eu disse na resposta ao seu comentário (no espaço para comentários), responder à pergunta quanto à Inquisição não é difícil como possa parecer. Nem um pouco difícil, na verdade. A explicação da resposta, esta sim é complexa, por envolver termos e conceitos que podem não ser do conhecimento público. Afinal, como é que um cara de boa consciência, como supostamente eu sou, pode ser católico, sabendo que a Igreja, em eras passadas, cometeu atrocidades? Inquisição?? Cruzadas??? Ooohhhh!..
_______Gostaria de fazer um drama e criar um clima de suspense, deixando a grande revelação para o final, mas vou é desembaralhar a aparente grande dificuldade logo de cara. A resposta é tão simples que chega a parecer mágica, quando a conhecemos. Se resume a algumas palavrinhas mágicas. Aí vão elas: História das Mentalidades, isto é, História das Representações Sociais, isto é, Imaginário Coletivo.
_______Pronto. É basicamente isso. Aí está a sua resposta, perfeita, completa e acabada. Obrigado pela participação e até a próxima oportunidade.
_______Viu o que eu disse? A resposta é muito, muito simples. Ela já foi dada, e é mais do que suficiente para justificar todos os seus questionamentos, LEON, tanto os expostos quanto os que não foram expostos e estáo aí dentro, tumultuando seus pensamentos. Como disse, a explicação da resposta é que talvez não seja tão simples. - Mas também não é assim tão difícil. Então vamos a ela, já que você me deu um tema para um post relativamente fácil...
_______Você já parou para pensar no que significa o termo evolução? E evolução da mente? Se somos espiritualistas, podemos falar sem melindres em evolução do espírito. Tá, o famigerado do Kardec se apropriou indevidamente do termo, e aqui no Brasil compraram a ideia de uma tal maneira que não tem como usar essa expressão sem lembrar de doutrina espírita. Mas, acredite, essa expressão nada tem a ver com espiritismo. Estou falando do modo como os seres humanos evoluíram moralmente na História, desde a época das cavernas até os dias de hoje.
O problema fundamental
_______Para que a resposta fique realmente muito clara, se faz necessário analisar o significado de moral, antes de qualquer coisa. Por quê? Porque a questão toda se resume a um dilema moral, e nada além disso. A reflexão automática e instantânea que se faz é: como pode uma instituição que milhões de pessoas consideram, em última análise, santa e divinamente instituída, que deveria ser a guardiã da moral no mundo (ainda mais sendo a sublime moral baseada no Amor, trazida por Cristo), se comportar de maneira tão absurdamente imoral? É este, e somente este, o problema.
_______Inquisição, simonia, indulgências, cruzadas... Por que essas coisas são chocantes, revoltantes e/ou desanimadoras para nós? A resposta é uma só, e é bem simples: porque são imorais. Se todas essas coisas fossem moralmente corretas, se fossem pelo menos moralmente aceitáveis, não haveria henhuma polêmica, nem dificuldade para entender, aceitar, e nós não estaríamos tendo esta conversa, agora. Tudo se resume a uma questão moral.
_______Se chegamos a um termo a respeito do que torna essas questões inaceitáveis, - a nossa noção de moral, - o próximo e óbvio passo é compreender o que significa moral. E para entender o que significa qualquer coisa, a melhor maneira é sempre a maneira mais simples. Ok, lá vamos nós: o que qualquer aluno do primeiro ano de qualquer ciência da área de humanidades precisa saber sobre moral é que ela é, basicamente:
"...um conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada. O seu significado, função e validade não podem deixar de variar historicamente nas diferentes sociedades. Assim como umas sociedades sucedem a outras, também as morais concretas, efetivas, se sucedem e substituem umas às outras." 1
_______Compreendida esta noção fundamental, retomemos as nossas palavrinhas mágicas: História das Mentalidades. E o que vem a ser isto? História das Mentalidades é um disciplina da Historiografia cujos estudos enfatizam a maneira de pensar, interagir e sentir dos indivíduos que viveram num mesmo período histórico, fundamentados na dialética, na sociologia, filologia, arqueologia e, principalmente, na antropologia. É uma matéria fascinante. Mais do que fascinante, porém, trata-se de um estudo essencial e necessário. Se não fosse por essa consciência básica, elementar, de que a moral humana evolui com o passar dos tempos, seria completamente inviável analisar acontecimentos históricos ocorridos há tempos. O autor que eu citei acima, o espanhol Adolfo Sánchez Vázquez, é uma sumidade no assunto, referência absoluta para ética e moral (por isso comecei o post citando um cara que conhece muito bem o assunto). Vejamos o que mais ele tem a dizer:
"...Pode-se falar da moral da Antiguidade, da moral feudal, própria da Idade Média, da moral burguesa da sociedade moderna, etc... Portanto, a moral é um fato histórico e, por conseguinte, a ética, como ciência da moral, não pode concebê-la de uma vez para sempre (ou seja, ela não é rígida, imóvel, estática, definitiva, acabada, imutável), mas tem de considerá-la como um aspecto da realidade humana que é mutável com o tempo. A moral é histórica precisamente porque é um modo de comportar-se de um ser - o homem - que por natureza é histórico, isto é, um ser cuja característica é estar-se construindo ou autoproduzindo constantemente, tanto no plano da sua existência material quanto no da sua vida espiritual, incluída nesta a moral." 2
_______
_______Não sei se ficou claro. Trocando em miúdos, tudo que tentei fazer até aqui foi demonstrar que a moral não é uma coisa rígida, pronta e acabada, que exisitiu desde sempre da maneira como a entendemos hoje. A moral não pode deixar de variar historicamente, através das diferentes sociedades. Assim como as culturas se sucedem, também os conceitos de moral se sucedem e se subistituem uns aos outros. Nos tempos dos homens primitivos, por exemplo, a moral estava vinculada à noção de coletivo. - O coletivo absorvia o indivíduo. - Não se reconhecia a propriedade privada nem a divisão da sociedade em classes. Era uma só moral válida para todos os membros da comunidade (comum unidade), e o comportamente de cada um era regulado pelos princípios aceitos pelo grupo. O que os outros grupos (tribos vizinhas, no caso) aceitavam como certo não interessava, era simplesmente considerado errado, inválido, pecaminoso perante os deuses. Essa realidade era tão concreta nas mentes desse período histórico que a reparação de um mal causado a um membro da comunidade era coletiva: o derramamento do sangue de um era o derramamento do sangue de todos, e como tal deveria ser vingado e/ou punido/reparado por todos. Assim, uma mulher infiel não era castigada somente pelo marido traído, mas por toda a tribo. Um filho que desonrasse os pais ou transgredisse a moral comunitária era punido por todo o grupo, completamente excluído ou, em casos mais severos, sumariamente eliminado - leia-se assassinado - de modo exemplar. Não havia noção de individualidade, mas sim de tribo. Os que existiam fora daquele grupo eram considerados, em certo sentido, menos que humanos.
_______Somente sob esta lente é possível a leitura do Antigo Testamento da Bíblia, por exemplo. Testemunho pessoal: ler aqueles livros sem nenhum conhecimento complementar, sem o acompanhamento de um tutor qualificado, me deixou literalmente doente. Minha mente adolescente foi destroçada pelas cenas do Deus Todo Poderoso ordenando aos filhos de Israel, seu povo escolhido e eleito dentre todas as nações da terra, que trucidasse os povos inimigos, que assassinassem os velhos e crianças sem piedade, que arremessassem os bebês de peito contra as rochas... Um deus capaz de mandar um anjo para assassinar uma criança inocente (o filho do Faraó, que não tinha nada a ver com a história) para libertar seus protegidos, que não eram melhores que os egípcios em absolutamente nada. Como poderia aquele deus tribal, irado e guerreiro, que favorecia um pequeno grupo de seus filhos contra toda a humanidade que ele mesmo criara, ser o mesmo Inefável Pai do Amor ao qual Jesus se referia tão apaixonadamente? Minha recuperação psicológica durou décadas...
_______Mas essa é outra história. Importa no momento saber que esse tipo de confusão se dá exatamente, e somente, por não conhecermos o contexto histórico, cultural, político, etc, etc... de cada época. E quer saber de uma coisa fascinante? Vivemos o hoje sem ter a percepção da mentalidade agora existente. Seremos estudados daqui a 500 anos pelos historiadores do futuro, que saberão classificar o nosso modo de pensar atual. Imagine um professor de um tempo futuro dizendo à classe: "As pessoas que viviam lá nas primeiras décadas do século 21 acreditavam que podiam encontrar a felicidade nas posses materiais! E achavam o sistema capitalista muito justo, porque qualquer pessoa disposta a trabalhar duro seria capaz de conquistar uma posição social digna! Eles não consideravam os biologicamente incapazes de se adequar ao meio! As desigualdades sociais eram vistas como coisa perfeitamente normal e justa..." - E a classe toda, com toda a razão, exclama: "Aaaaahhhhh, mas que absurdo!"...
_______Sim, a moral muda. E parece evoluir, isto é, progredir. É quase consenso entre os estudiosos do assunto que, assim como os princípios e normas morais mudam com o passar dos tempos, essas mudanças e substituições estão numa relação de continuidade, de tal forma que a conquista de uma época ou determinada sociedade acaba por "preparar o caminho" para um nível superior que a substituirá. Existiria um progresso moral no correr da História.
_______Objetividade, no estudo da História, é reconhecer a complexidade do objeto das ciências sociais. Não sei se a esta altura já ficou claro o ponto central deste post, mas retomarei o assunto diretamente do tema central da conversa, a Inquisição e as Cruzadas.
Ler a continuação...
_____________________________________________________
1 VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética, 24ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 37;
2 Idem.
Leon pergunta: "...aproveitando o Domingo de folga pra voltar de cabeça aos estudos, voltados atualmente pro cristianismo, me deparei com algo que me afastou da Igreja Católica lá no começo da minha Busca pela Grande Obra: Cruzadas e, principalmente, as várias "Inquisições". (...) Eu pude refletir e, apesar de eu ter uma afeição mto grande pelos preceitos da vida monástica católica e uma grande admiração pelos grandes fundadores das ordens, desde o comecinho informal do monasticismo, esses dois pontos ainda me constituem um Grande Obstáculo a minha aceitação do catolicismo."
"Por isso, gostaria de pedir a vc Merton (se puder, claro) como uma pessoa que conseguiu aceitar de volta a raiz cristã de sua vida, escrever algo sobre as Cruzadas e a Inquisição."
Antes de qualquer coisa faço questão de deixar bem claro que não, eu não vou tentar defender a Igreja, só porque sou católico. Não é possível defender o indefensável. E.. Wow! "Grande Obstáculo" com iniciais maiúsculas!? Isso deve ser algo realmente grande aí na sua psique! Por isso mesmo, em respeito à sua inteligência e em nome da Verdade, vou apenas apresentar fatos, nus e crus, porque os conheço bem, já que são parte da ciência a qual estudo há anos (lá se vão mais de duas décadas), e que há pouco retomei "academicamente", com o intuito de me tornar mestre e doutor. - Mestre e doutor de homens, porque os maiores mestres que já conheci não tinham diploma algum a não ser o amor incondicional impresso em seus corações, a marca divina gravada e selada em suas almas. Os conhecimentos que todas as universidades do mundo seriam capazes de transmitir não me graduariam para tocar os pés de um Francisco de Assis, um João da Cruz... Mas isso é outro assunto. Retomemos a pergunta.
_______Como eu disse na resposta ao seu comentário (no espaço para comentários), responder à pergunta quanto à Inquisição não é difícil como possa parecer. Nem um pouco difícil, na verdade. A explicação da resposta, esta sim é complexa, por envolver termos e conceitos que podem não ser do conhecimento público. Afinal, como é que um cara de boa consciência, como supostamente eu sou, pode ser católico, sabendo que a Igreja, em eras passadas, cometeu atrocidades? Inquisição?? Cruzadas??? Ooohhhh!..
_______Gostaria de fazer um drama e criar um clima de suspense, deixando a grande revelação para o final, mas vou é desembaralhar a aparente grande dificuldade logo de cara. A resposta é tão simples que chega a parecer mágica, quando a conhecemos. Se resume a algumas palavrinhas mágicas. Aí vão elas: História das Mentalidades, isto é, História das Representações Sociais, isto é, Imaginário Coletivo.
_______Pronto. É basicamente isso. Aí está a sua resposta, perfeita, completa e acabada. Obrigado pela participação e até a próxima oportunidade.
_______Viu o que eu disse? A resposta é muito, muito simples. Ela já foi dada, e é mais do que suficiente para justificar todos os seus questionamentos, LEON, tanto os expostos quanto os que não foram expostos e estáo aí dentro, tumultuando seus pensamentos. Como disse, a explicação da resposta é que talvez não seja tão simples. - Mas também não é assim tão difícil. Então vamos a ela, já que você me deu um tema para um post relativamente fácil...
_______Você já parou para pensar no que significa o termo evolução? E evolução da mente? Se somos espiritualistas, podemos falar sem melindres em evolução do espírito. Tá, o famigerado do Kardec se apropriou indevidamente do termo, e aqui no Brasil compraram a ideia de uma tal maneira que não tem como usar essa expressão sem lembrar de doutrina espírita. Mas, acredite, essa expressão nada tem a ver com espiritismo. Estou falando do modo como os seres humanos evoluíram moralmente na História, desde a época das cavernas até os dias de hoje.
O problema fundamental
_______Para que a resposta fique realmente muito clara, se faz necessário analisar o significado de moral, antes de qualquer coisa. Por quê? Porque a questão toda se resume a um dilema moral, e nada além disso. A reflexão automática e instantânea que se faz é: como pode uma instituição que milhões de pessoas consideram, em última análise, santa e divinamente instituída, que deveria ser a guardiã da moral no mundo (ainda mais sendo a sublime moral baseada no Amor, trazida por Cristo), se comportar de maneira tão absurdamente imoral? É este, e somente este, o problema.
_______Inquisição, simonia, indulgências, cruzadas... Por que essas coisas são chocantes, revoltantes e/ou desanimadoras para nós? A resposta é uma só, e é bem simples: porque são imorais. Se todas essas coisas fossem moralmente corretas, se fossem pelo menos moralmente aceitáveis, não haveria henhuma polêmica, nem dificuldade para entender, aceitar, e nós não estaríamos tendo esta conversa, agora. Tudo se resume a uma questão moral.
_______Se chegamos a um termo a respeito do que torna essas questões inaceitáveis, - a nossa noção de moral, - o próximo e óbvio passo é compreender o que significa moral. E para entender o que significa qualquer coisa, a melhor maneira é sempre a maneira mais simples. Ok, lá vamos nós: o que qualquer aluno do primeiro ano de qualquer ciência da área de humanidades precisa saber sobre moral é que ela é, basicamente:
"...um conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada. O seu significado, função e validade não podem deixar de variar historicamente nas diferentes sociedades. Assim como umas sociedades sucedem a outras, também as morais concretas, efetivas, se sucedem e substituem umas às outras." 1
_______Compreendida esta noção fundamental, retomemos as nossas palavrinhas mágicas: História das Mentalidades. E o que vem a ser isto? História das Mentalidades é um disciplina da Historiografia cujos estudos enfatizam a maneira de pensar, interagir e sentir dos indivíduos que viveram num mesmo período histórico, fundamentados na dialética, na sociologia, filologia, arqueologia e, principalmente, na antropologia. É uma matéria fascinante. Mais do que fascinante, porém, trata-se de um estudo essencial e necessário. Se não fosse por essa consciência básica, elementar, de que a moral humana evolui com o passar dos tempos, seria completamente inviável analisar acontecimentos históricos ocorridos há tempos. O autor que eu citei acima, o espanhol Adolfo Sánchez Vázquez, é uma sumidade no assunto, referência absoluta para ética e moral (por isso comecei o post citando um cara que conhece muito bem o assunto). Vejamos o que mais ele tem a dizer:"...Pode-se falar da moral da Antiguidade, da moral feudal, própria da Idade Média, da moral burguesa da sociedade moderna, etc... Portanto, a moral é um fato histórico e, por conseguinte, a ética, como ciência da moral, não pode concebê-la de uma vez para sempre (ou seja, ela não é rígida, imóvel, estática, definitiva, acabada, imutável), mas tem de considerá-la como um aspecto da realidade humana que é mutável com o tempo. A moral é histórica precisamente porque é um modo de comportar-se de um ser - o homem - que por natureza é histórico, isto é, um ser cuja característica é estar-se construindo ou autoproduzindo constantemente, tanto no plano da sua existência material quanto no da sua vida espiritual, incluída nesta a moral." 2
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_______Não sei se ficou claro. Trocando em miúdos, tudo que tentei fazer até aqui foi demonstrar que a moral não é uma coisa rígida, pronta e acabada, que exisitiu desde sempre da maneira como a entendemos hoje. A moral não pode deixar de variar historicamente, através das diferentes sociedades. Assim como as culturas se sucedem, também os conceitos de moral se sucedem e se subistituem uns aos outros. Nos tempos dos homens primitivos, por exemplo, a moral estava vinculada à noção de coletivo. - O coletivo absorvia o indivíduo. - Não se reconhecia a propriedade privada nem a divisão da sociedade em classes. Era uma só moral válida para todos os membros da comunidade (comum unidade), e o comportamente de cada um era regulado pelos princípios aceitos pelo grupo. O que os outros grupos (tribos vizinhas, no caso) aceitavam como certo não interessava, era simplesmente considerado errado, inválido, pecaminoso perante os deuses. Essa realidade era tão concreta nas mentes desse período histórico que a reparação de um mal causado a um membro da comunidade era coletiva: o derramamento do sangue de um era o derramamento do sangue de todos, e como tal deveria ser vingado e/ou punido/reparado por todos. Assim, uma mulher infiel não era castigada somente pelo marido traído, mas por toda a tribo. Um filho que desonrasse os pais ou transgredisse a moral comunitária era punido por todo o grupo, completamente excluído ou, em casos mais severos, sumariamente eliminado - leia-se assassinado - de modo exemplar. Não havia noção de individualidade, mas sim de tribo. Os que existiam fora daquele grupo eram considerados, em certo sentido, menos que humanos.
_______Somente sob esta lente é possível a leitura do Antigo Testamento da Bíblia, por exemplo. Testemunho pessoal: ler aqueles livros sem nenhum conhecimento complementar, sem o acompanhamento de um tutor qualificado, me deixou literalmente doente. Minha mente adolescente foi destroçada pelas cenas do Deus Todo Poderoso ordenando aos filhos de Israel, seu povo escolhido e eleito dentre todas as nações da terra, que trucidasse os povos inimigos, que assassinassem os velhos e crianças sem piedade, que arremessassem os bebês de peito contra as rochas... Um deus capaz de mandar um anjo para assassinar uma criança inocente (o filho do Faraó, que não tinha nada a ver com a história) para libertar seus protegidos, que não eram melhores que os egípcios em absolutamente nada. Como poderia aquele deus tribal, irado e guerreiro, que favorecia um pequeno grupo de seus filhos contra toda a humanidade que ele mesmo criara, ser o mesmo Inefável Pai do Amor ao qual Jesus se referia tão apaixonadamente? Minha recuperação psicológica durou décadas...
_______Mas essa é outra história. Importa no momento saber que esse tipo de confusão se dá exatamente, e somente, por não conhecermos o contexto histórico, cultural, político, etc, etc... de cada época. E quer saber de uma coisa fascinante? Vivemos o hoje sem ter a percepção da mentalidade agora existente. Seremos estudados daqui a 500 anos pelos historiadores do futuro, que saberão classificar o nosso modo de pensar atual. Imagine um professor de um tempo futuro dizendo à classe: "As pessoas que viviam lá nas primeiras décadas do século 21 acreditavam que podiam encontrar a felicidade nas posses materiais! E achavam o sistema capitalista muito justo, porque qualquer pessoa disposta a trabalhar duro seria capaz de conquistar uma posição social digna! Eles não consideravam os biologicamente incapazes de se adequar ao meio! As desigualdades sociais eram vistas como coisa perfeitamente normal e justa..." - E a classe toda, com toda a razão, exclama: "Aaaaahhhhh, mas que absurdo!"...
_______Sim, a moral muda. E parece evoluir, isto é, progredir. É quase consenso entre os estudiosos do assunto que, assim como os princípios e normas morais mudam com o passar dos tempos, essas mudanças e substituições estão numa relação de continuidade, de tal forma que a conquista de uma época ou determinada sociedade acaba por "preparar o caminho" para um nível superior que a substituirá. Existiria um progresso moral no correr da História.
_______Objetividade, no estudo da História, é reconhecer a complexidade do objeto das ciências sociais. Não sei se a esta altura já ficou claro o ponto central deste post, mas retomarei o assunto diretamente do tema central da conversa, a Inquisição e as Cruzadas.
Ler a continuação...
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1 VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética, 24ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 37;
2 Idem.
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11 comentários:
Antes de mais nada quero agradecer de coração a atenção dispensada a minha pergunta,mesmo com a sobrecarga de afazeres achar um tempo pra escrever deve ter sido difícil.Obrigada mesmo Merton,o irmãozão que eu nunca tive(sou filho unico xD).
Sobre o texto,eu gostei mto de vc abordar a Historia das Mentalidades,acho fascinante reconstruir o modo de ver a vida que os nossos antepassados tinham,é como se,por um momento,nós "olhássemos através dos olhos deles".
Fora que,ja ha algum tempo,eu estou para assistir a um documentário chamado "Inside Medieval Mind".Vou aproveitar o tema e começar a ver.
Mas então,eu sei que, entendendo a visão de moral daquela época especifica,podemos entender os "porques" das ações da igreja.Tmb há a questão da falibilidade humana,corrupção da qual nenhuma instituição escapa por melhor que o ideal seja.
Mas eu fico imaginando:essas pessoas supostamente eram pra ser santas,ter encontrado e estar em comunhão com Deus;Deus transcende épocas e mentalidades,alguém vivendo junto a Deus teria de ser diferente,um oásis de amor no meio do deserto de violência e ignorância.
Mtas figuras do catolicismo realmente foram esse Oásis,Francisco de Assis que vc citou no texto,e que eu fui conhecer tão tardiamente em minha vida(só a alguns meses)é um dos exemplos mais fortes.Acredito que,infelizmente,nem todos que tiveram contato com o Cristo,através da igreja,conseguiram entender e incorporar seu exemplo.
Vc citou tmb o Imaginário Coletivo,então eu "imagino" que exista uma visão um tanto quanto "folclórica" ou "mistificada" do que realmente aconteceu.
Confesso que,apesar da grande curiosidade,sou meio desleixado(preguiçoso mesmo xD)pra estudar as camadas mais profundas de certos temas.Conheço as inquisições e cruzadas através de livros de historia geral apenas,nunca encontrei nenhum livro dedicado exclusivamente ao tema.
No aguardo da continuação.
Abração o/
Parabéns pelo texto, particularmente gostei da maneira direta com que vc falou sobre o tema. Na realidade sempre vejo pessoas de formação católica se esquivarem de falar do período da inquisição, que sabemos o quanto esse lastimável evento, envergonha a igreja, invergonha a concepção de que é na religião que encontramos a verdade e a paz para as nossas vidas através do conhecimento e da aproximação da fé e o nosso verdadeiro encontro com Deus.
Mas fico imaginando: como a mentalidade humana em certos momentos e em certas épocas da história do homem,pode ser tão mesquinha e tão miséravel, até onde aquelas pessoas foram para satisfazer as suas vaidades e tudo isso em nome de Deus, em nome de um amor maior.
Obrigado amigo por compartilhar conosco a sua visão e a sua maneira tão simples de ver uma desgraça humana que veio contribuir com as grandes mudanças na humanidade e principalmente na maneira de vermos a nossa igreja.
Olá, achei seu blog por acaso quando procurava para material de estudo sobre teologia, patrística, iconografia, epigrafia, arqueologia bíblica, etc.
E acredito que você possa se interessar por esses blogs
http://patristicabrasil.blogspot.com/, história e patrística da igreja do século I ao VIII, todo em português.
http://iconografiascristas.blogspot.com/, Ícones antigos da igreja.
http://angelusexverum.blogspot.com, que pretende comprovar verdades da Igreja a partir de achados arqueológicos.
Conheça a história da sua igreja para saber a razoes de sua fé.
Exemplo:
Estados Unidos, berço de tudo, falaremos das boas, rsrsrs, maior potencia mundial, financeira, e entre outras tantas, é a maior nação “PROTESTANTE DO MUNDO”, claro, vendo isso como uma conotação boa, ora, são “CRISTÃOS”.
Daí eu pergunto, “POR QUE TEM PENA DE MORTE?”, por são criminosos miseráveis, merecem isso? Mas o principio cristão não é o amor? Ou seja, o que é feito é “AMOR”? Você pode questionar, são os políticos que governam, e eu diria, são 73% de protestantes (até onde sei), e acredito que isso seja refletido (espero) nos números de políticos, no juiz que condena, no funcionário que aperta o botão (cadeira elétrica, etc), no povo que os elegem, nos familiares das vitimas, etc. Acreditando quer você entendeu o que quis expressar, pergunto “SERÁ QUE UMA PESSOA DAQUI A 100, 500, 1000 ANOS TERÁ UM REAL E INQUIVOCA FORMAÇÃO CULTURAL DO TEMPO ATUAL PARA FAZER NO FUTURO UMA EXPLANAÇÃO QUE ISSO É OU NÃO JUSTO (a pena de morte), OU UM CRIME?
Muitos historiadores pensam que são da área de exatas, como 1+1, fosse 2, será que não é 11, rsrs.
Ou ao seu tempo a inquisição católica, mas ao seu tempo ouve a que vou chamar de inquisição protestante e inquisição civil, ou do próprio povo que se considerava cristão (protestante).
Lembro a muitos que lerem isso que na própria constituição dos EUA, tinha pena de morte para assassinos, bem como associação a magia negra e pacto com diabo.
Isso que afirmo acima é desconhecido de muitos, pois é, a pena de morte americana constava pena de morte para satanismo e bruxaria, e os juízes eram pastores protestante. O fato mais conhecido é o das bruxas de Salém, mas não era um quesito fanático daqueles pastores, constava na carta da constituição americana, que os dava esse poder.
Pois é, ter palavras acusatórias para com a igreja católica é fácil, difícil é tem em loco o que aconteceu no seu tempo para ter uma opinião longe das paixões e fanatismo de algumas pessoas, seja elas de qualquer linha religiosa ou acadêmica.
Essas palavras e fatos que usei não são para minorisar ou explicar a inquisição católica, mas para que muitos antes de acusar, ponderem não o fato com um julgamento mais longe posivel das paixões e conscientes que os tempos e razoes que nos levam a ser “CIVILIZADOS”, hoje, compreendem pena de morte nos EUA e um papa que pede para que não mate o criminoso.
Sobre cruzadas
Nesse ponto sou um pouco leigo (muito), mas penso assim:
Temos um parte da Europa tomada pelos árabes, redutos antes cristãos também na Ásia e África, penso que a unidade de nação não tinham sido a firmada na Europa e ainda mais na África e Ásia, ora, é a igreja que tem esse papel de aglutinador de organização, e pensar que os árabes chegaram pedindo licença para invadir e matar é utopia, pois assim pensam alguns mulçumanos, lembro quando o papa atual citou um documento acho do patriarca de Constantinopla, onde afirmava que vou a base de sangue que o islã chegou, o papa foi até ameaçado de morte, então colocando de lado para outra conversa a 4 cruzada, as três primeiras, estava numa situação de invasão, e em guerra pergunto “EXISTE ALGUEM CERTO?”.
Sem mais.
Paz do Senhor.
Irmão primeiramente desculpa por não ler o post todo, mas desconte a falta de tempo que estou no momento e se cometi algum erro ao afirmar o que vou fazer.
Sobre inquisição.
Muito se tem falado sobre inquisição, e se me pergunta-se o que eu acho “HOJE”, eu diria, de forma resumidíssima “QUE FOI UM CRIME”.
Mas o “HOJE”, no texto acima tem uma conotação maior que o dia que eu escrevo essas palavras, ao dizer “HOJE” eu me refiro ao tempo atual, com todas as mudanças “CULTURAIS”, usando essa palavra para abarcar algo que vai alem de um julgamento simplório como o “PASSADO” fosse tão fácil de exprimir em uma palavra simples de acusação, “FOI UM CRIME”.
Temos uma total desorganização européia, seria mais ou menos, “SALVEM-SE QUE PUDER”, e temos uma instituição (visão agora humana), organizada, que exerce seu poder, por ter essa organização, e é tida como criminosa, temos que pelo menos refletir, “PODEMOS JULGAR A IGREJA COM O MESMO TER DE FORMAÇÃO CULTURAL QUE TEMOS HOJE OU DEVEMOS NOS AREMETER AO PASSADO PARA QUE POSSOMOS DESLUBRAR O QUE ACONTECEU NO EXATO MOMENTO DOS FATOS?”
Vou exemplificar para melhor ficar o que quero dizer, pois posso esta sendo não tão claro.
CONTINUA A BAIXO
Passando só pra desabafar de novo...
Enfim,depois de penar bastante,tinha chegado a conclusão de que a Toca de Assis seria o realmente o meu lugar,o lugar pra encontrar as 3 coisas que busco atualmente.
Fui até o blog vocacional da Toca,onde encontrei o endereço de E-mail pra contato com o animador vocacional da região sudeste,mandei então minha mensagem,disse que apos procurar deus em todo canto acreditava que podia encontra-lo na toca.
Quando recebi o E-mail de resposta com a "Carta do Primeiro Contato" e a ficha de cadastro.
Fui correndo ler,tava extremamente animado,mas(tem que ter sempre esse "mas" pra estragar o dia né)acabei me decepcionando bastante.
Lendo o a carta do primeiro contato,com as especificações,uma das exigências me incomodou.O Ensino Médio Completo.Eu tenho o EM completo,formação Técnica e tmb Superior incompleto,isso não é problema para mim.Porem isso quebrou aquela imagem simples que eu tinha da Toca.Imaginei uma pessoa sincera de coração,com vontade de servir ao próximo e a Deus,sendo barrado da Toca por não ter o EM.
Via a Toca como um lar para todos,todos podem fazer algo,independente do conhecimento academico.O próprio Padre Roberto frisou a "escola da vida" e a sabedoria "de rua".Mas enfim,nada é perfeito.
Fui então preencher a ficha de cadastro pra começar o acompanhamento o quanto antes.Quando abro a ficha,tal é minha surpresa:Me enviaram uma ficha preenchida.
Acreditei ser um "modelo" no começo,mas constatei a existência da pessoa a qual a ficha pertencia através de nome e e-mail.
A ficha continha informações pessoais e numero de documentos.Sei que deve ser corrido pro Admin. lidar com tantos e-mails por dia,mas isso foi um relaxo.
Desisti de preencher a fica no fim das contas.
Abraço Merton,e espero que o nosso amigo Mizi volte a comentar por aqui.
Leon, desculpe-me o sumiço... É que andei passando por uns "maus bocados". E ainda não tive tempo de me recuperar e colocar as coisas em ordem... Nem tive tempo para atualizar meu próprio blog, aliás...
Mas saiba que estou sempre por aqui, lendo os comentários e os textos, mesmo que não tenha muito tempo para comentar... Saiba também que oro por todos vocês (por nós).
Ainda não tenho tempo (agora por exemplo, estou comentando aqui do serviço - e espero que o chefe não veja... Rsss -). Então, a única coisa que posso dizer por enquanto é "não desista" de Deus. Você pode encontrá-Lo em lugares inimagináveis e em circunstâncias extremamente comuns. É só olhar com bastante cuidado. É só ouvir com bastante atenção.
Se não for este o seu lugar, não significa que não seja outro, certo? Principalmente, lembre-se disto: o primeiro e principal templo do Espírito Santo é você mesmo. Encontre-O em si mesmo. E você verá que será capaz de encontrá-Lo EM TODOS OS LUGARES.
Obs.: isso não tira de você a responsabilidade por buscar sempre, certo?! Não me compreenda errado. A partir do encontro, a busca deixa de ser "procura" e torna-se "vivência". Que você nunca deixe de buscá-Lo sempre mais.
Abraços!
Bom, quanto à inquisição e às cruzadas, vejo que cada um traz uma explicação que parte mais ou menos do campo de estudo em que é mais famialirizado.
O Merton nos trouxe uma visão filosófica e antropológica. O colega Jorge Luiz trouxe uma questão sociológica.
E eu venho aqui e trago uma questão jurídica. Sim, por que não? Estudioso do Direito, entendo que essa mácula na história da Igreja se deveu obviamente por causa de seu papel como "Estado de Direito". Acredito que o fato de a Igreja ter exercido o Poder estatal de praticamente toda a Europa foi o motivo principal.
Ora, o que a Igreja precisava fazer naquela época para manter a ordem e a paz social não é muito diferente do que os modernos Estados (ditos democráticos) de Direito fazem hoje em dia.
Associa-se à obrigação jurídica da Igreja de ser Estado todo o fator cultural e sociológico próprio da época, e teremos a resposta pra tudo.
Bom... não é uma justificativa, vejam bem... É apenas uma resposta (e compreensível). Ninguém aqui está falando que a Igreja agiu da forma correta (imagino que o Espírito Santo deve ter sofrido muito nessa época). Inclusive (o que poucos sabem, aliás), a Igreja já reconheceu seus erros do passado e já pediu perdão à humanidade por seus "crimes".
Mas... parem para pensar. No que os Estados de hoje em dia são diferentes? Eles não estabelecem leis, penas, punições (inclusive de morte)? Eles não são à favor dos abortos? Eles não fazem guerras uns com os outros? (ainda que se substitua o motivo religioso pelo econômico... mas ainda sim o fato social é o mesmo?)
O que os EUA estão fazendo com a Líbia? O que fizeram com o Iraque, etc? E a guerra fria? E as guerras mundiais? E as bombas atômicas?
E as intermináveis guerras entre palestinos e judeus pela miserável Faixa de Gaza?
O que o Japão fez com a China? O que a China tem feito ao mundo? Por que brasileiros e argentinos não se entendem?
Será que não estamos todos vivendo épocas de intensas cruzadas modernas?
Enfim... o advento dos Estados modernos não fez cessar o fato sociológico da guerra entre os povos, nem da violência que parece ser inerente ao próprio ser humano. As pessoas continuam se matando uns aos outros por causa de suas ideologias. Apenas os motivos são diferentes. E por que? Por que a ordem jurídica mudou.
Agora quem está no poder não é mais a Igreja e os Reis. Agora é a vez do Capital. Simples assim. Agora quem manda é o dinheiro. Ponto e acabou.
E daqui a alguns anos, nossos netos ou bisnetos nos estudarão e pensarão "nossa... que Idade das Trevas... Nos anos 2000, as pessoas matavam e morriam por dinheiro. Que absurdo. E o Estado precisava de leis para proteger a propriedade privada, e punia com intermináveis anos de reclusão um pobre miserável, que apodreceu na prisão por roubar um pão na padaria para matar a própria fome. E o pior, sem julgamento. Que absurdo."
Bom, se ainda há alguém que acha que aquela época era ruim para se viver, deve ser porque ainda não enxergou muito bem o período crítico da história pelo qual estamos passando...
Sorry.
Bom, na minha opinião. A pior coisa que aconteceu à Igreja Católica foi exercer esse poder jurídico, ou seja, ter se colocado no lugar do Estado, em substituição ao império Romano. Tudo surgiu daí.
E hoje em dia, inclusive, o Papa até lançou livros dizendo que a Religião não deve se misturar com o Estado. E que Jesus nitidamente pregava essa separação...
Bom, acreditem se quiser... é isso. Uma questão jurídica. E também cultural, sociológica, antropológica, etc....
Abaços!
A manipulação do cristianismo como arma POLÍTICA de uma época...Constantino fez essa aquisição para roma após assistir inumeras demostrações de força que a fé proporcionava...ele requisitou aos grandes sábios dá época e mandou que fizesse o que fosse necessário para controlar os rebeudes cristãos....Surgiu a bíblia livro supostamente colocado na conta de pessoas que teriam sido instrumento de DEUS para relatar verdades e justificar barbarie...Essa sim importou o termo espírito santo das religiões da ÍNDIA antiga termo já conhecido é usado nessas religiões á 4mil anos antes de CRISTO nascer...Constantino manipulou e transformou os CRISTÃOS em arma de guerra sentido totalmente diferente ao que CRISTO defendia...a prova maior de que os romanos venceram aquela batalha esta no nome IGREJA CATÓLICA APOSTOLICA ROMANA...OS DOGMAS PATETICOS TEM O DEDO ROMANO...Os dogmas de pureza e bondade vem dos ensinamentos de JESUS CRISTO, que em nome do PAI sempre pregou a liberdade é o livre arbítrio...O medo da morte torna o homem escravo e de fácil manipulação pelo próprio homem...Os portais selados da liberdade são violentados pelos absurdos de controle que a igreja tenta impor ao homem livre...O cristianismo se espandiu pela imposição do terror e do medo. mas nesse caso os fins não justifica os meios pois desde o principio JESUS só pregou amor, mas a igreja demostrou bem esse amor...na inquisição onde queimou mulheres vivas com acusaçoes falças de bruxária
Ô loco, Elson! Quanta ira, rapaz! Calma lá, que artilharia é essa??
Devagar com a metralhadora giratória, porque está saindo um monte de abobrinhas misturadas com meias-verdades, e talvez alguma verdade, contra a qual você queira protestar, fica perdida no meio dessa bagunça toda. Calma lá, pezinhos no chão...
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