Livro Pessoal da Sabedoria - Capítulo I

_____"D'us"




Levante sua mão e ponha-a sobre seu coração. Ouça a palpitação; ouça a vida que flui e vibra. De onde vem essa força, esse poder, esse fluir, esse ser?

_______Olhe para dentro de si mesmo agora. Olhe dentro da sua mente, dentro dos seus pensamentos: quem é você? De onde você veio? Qual a sua origem? Quem é você, no sentido mais profundo que puder conceber?

_______Você é capaz de encontrar uma resposta para estas questões fundamentais da vida? São questões complexas, e por pura preguiça passamos toda a nossa vida deixando essas coisas para depois. "Depois eu descubro quem sou. Um dia eu descubro de onde vim, para que vim, o que quero. Um dia eu paro e penso. Depois. Depois eu paro e dedico algum tempo a pensar em Deus".

_______Eu digo que o tempo é agora. Sempre afirmei isso; foi para isso que eu vim. Eu digo que a aventura começa quando você pula do trem em movimento. Quando desperta do transe e grita com toda a força dos seus pulmões e da sua alma: “Chega!”

_______Chega de viver de mentira, chega de perder tempo. Chega de ser zumbi. D’us está à porta e bate. Se você ouvir, e abrir a porta, Ele entrará, se sentará à mesa com você, e vocês comerão juntos.

_______O que você vai servir a D’us?

_______Num comentário deste blog surgiu uma pergunta: “D’us é Deus?”... Uma boa pergunta, e a reposta pode ser sim ou não. Depende do que significa “Deus” para cada um. Prefiro grafar "D’us", como fazem os judeus ortodoxos, ou "DEUS", com todas as letras em maiúsculas, como um jeito de chamar a atenção para o fato de que estou falando do Sagrado: não estou falando de uma coisa qualquer. Estou falando da “Coisa das coisas”. Estou falando da Coisa em Si, no sentido mais perfeito do termo...

_______Judeus ortodoxos usam a forma "D'us" como um ato de extremo respeito e reverência; uma espécie de reflexo do preceito bíblico de não pronunciar em vão o Nome de Deus. Reflexo porque, sem dúvida, "Deus" não é nome, é um termo genérico, um substantivo. Seria como alguém me chamar de "homem". Homem não é o meu nome, então não poderia dizer que estão usando meu nome em vão. Meu nome não foi pronunciado. Se cremos em um único Deus, dizer "Deus" não é chamá-lo pelo nome; é se referir a este único Deus sem pronunciar o Nome Sagrado.

_______Conforme a situação, eu gosto de usar "D'us" ou "DEUS". - São maneiras de tornar especial essa referência especialíssima. Isto é, falar em Deus virou algo muito banal: as pessoas repetem o tempo todo, sem pensar, coisas tipo "Deus me livre", "Só por Deus mesmo", "Vai com Deus", e muitas outras desse tipo. São frases interjetivas repetidas sem nenhuma reverência, sem nenhuma noção do Sagrado.

_______Por isso, quando estou me referindo ao Criador, num contexto realmente sagrado, às vezes acho conveniente chamar a atenção para isso, para que a ideia não passe desapercebida. Mas não faço isso sempre. Há também o risco de as pessoas pensarem que sou “metido a besta” ou que pretendo com isso me elevar usando termos diferenciados...

_______Mas, e aí? Já pensou no que você vai servir a D’us? Bem, primeiro é preciso convidá-Lo a entrar.

_______Este post é o primeiro capítulo do meu Livro Pessoal da Sabedoria. Por coincidência ou não, aconteceu na virada do ano. Um novo ano está prestes a começar. E uma nova fase da Arte das artes começa. O primeiro capítulo se fundamenta em D’us. Eu gosto de começar do começo, e tudo começa com D’us. Começa e termina. Começa, flui e termina. O primeiro capítulo só poderia ser “D’us”.




_______Quantas páginas foram escritas, quanta tinta foi gasta, quantas pedras entalhadas na tentativa inútil de explicar D’us?

_______De tão difícil, quantos não preferiram, ao longo dos milênios, deixar este assunto para depois? E, num último impulso desesperado, quantos não tentaram criar uma religião sem D’us?

_______“Deus está morto.” – Nietzsche, 1882

_______“Nietzsche está morto.” – Deus, 1900

_______KKKK KKKKK Kkkkk kkkkk kkkkkk kkkkKK KKKKK!..

_______A piada não é nova, mas eu a acho muito, muito boa. Talvez ela tenha sido contada algumas vezes por pessoas que não possuem senso de humor, com um ranço de revanchismo contra o coitado do Friedrich Nietzsche, um gênio atormentado que gravou seu nome na história e, penso eu, merece nosso respeito. Assim, contada com sentimento de revanche, a piada fica sem graça. Mas contada com o espírito aberto, é muito engraçada. Não tem como não soar patético um homenzinho inteligente decretar a morte dA Inteligência. Nietzsche era uma pulga inteligente. E atrevida. Só foi levado tão a sério porque a mediocridade do mundo era ainda maior que o seu atrevimento. Uma pulga inteligente no meio de pulgas medíocres. Mas ainda uma pulga. E penso que D'us ama os atrevidos. D'us tem um senso de humor maravilhoso e incompreensível; assim como é incompreensível tudo que vem dEle.

_______E D'us persiste, por mais que milhões de Nietzsches e Dawkins se levantem contra ele. Isto é, a "ideia D'us" persiste no mundo, desde que existe mundo, e se um dia essa ideia deixasse de existir, acho que não seríamos mais humanos. Somos seres religiosos, antes de tudo. Somos seres religiosos mais até do que somos seres sociais. A prova são os eremitas de todas as religiões ancestrais: pessoas que se retiraram do convívio em sociedade e foram viver isolados no alto de montanhas, em cavernas, casebres no meio do mato... e até no alto de colunas. Apesar de ser muito difícil, penoso e contraindicado, conseguimos viver isolados de nossos semelhantes. Mas não conseguimos viver sem D'us. Até os ateus são assim: seu passatempo preferido é atacar Deus, e seus maiores expoentes foram e são sempre aqueles que fazem da cruzada contra as religiões a sua missão de vida. De um modo ou de outro, não vivem sem D'us.

_______Mas, no fim, sábio é aquele que reconhece a inutilidade de tentar compreender o incompreensível. Ele aceita que basta saber. Ele leva a mão ao coração, ele sente a vida fluindo em suas veias. Ele aceita que a Maravilha necessita de uma Causa, e aceita suavemente que essa Origem não se dobra ao nosso entendimento, às nossas explicações ou racionalismos.

_______Conheci um sacerdote especial e muito amado. Seu nome é César. Ele me contou a experiência mais intensa que viveu em toda a sua vida: um belo dia, poucos dias antes de consagrar sua vida como sacerdote, simplesmente, sem mais nem menos, ele perdeu a fé. Sim; ele, que tinha dedicado toda a sua vida, desde a juventude, a seguir o Caminho de Cristo, simplesmente deixou de crer. Acordou, num dia comum, sem crer, sem ver sentido em nenhuma das práticas a que vinha se entregando, diariamente. Não via mais sentido na oração, na adoração, no estudo... Nada, nada.

_______Olhou o mundo e viu apenas matéria e acaso. Viu a vida como uma combinação de fórmulas matemáticas, uma coincidência física improvável, uma raríssima porém relativamente simples junção de elementos químicos, que culminam formando pensamentos, sentimentos e... fé.

_______Juntou seus livros e objetos antes sagrados e jogou tudo no lixo. Confessou-se com seu orientador espiritual, que, não sabendo orientá-lo, simplesmente o aconselhou a... Parar com tudo, por um tempo. Este homem perdido saiu para fora, ganhou os jardins do seminário, sentido vertigens, pois não é fácil para um homem que abdicou de tudo em nome da fé, de repente chegar à conclusão que simplesmente estivera enganado por toda a sua vida. Chegando no jardim, em sua tontura, procurando por um apoio simplesmente físico, já que as realidades espirituais agora lhe pareciam ilusão, encostou-se numa árvore.

_______E aquela árvore então lhe disse: “Tolo! Por que acha que eu estou aqui, pronta a apoiá-lo? De onde você acha que eu vim, para que pudesse sustentar suas mãos trêmulas? Do acaso? O acaso existe, mas não se sustenta, não permanece, não subsiste em harmonia, não pode pressupor algo maior que ele próprio. Nós não somos maiores que o acaso? E você, de onde veio? Viemos do mesmo lugar: D’us!”

_______O aspirante a sacerdote então compreendeu que não era capaz de compreender D’us e suas razões, e que era por isso que estava tão confuso e perdendo a fé. Não entendia muitas coisas, e esse não entender o fazia questionar as raízes de tudo que considerara como certo até então. Como poderia o D’us incognoscível aceitar suas orações tão toscas? Sendo D’us Todo Poderoso e Todo Suficiente, por que precisaria dos seus louvores, das suas patéticas tentativas de aproximação? A partir do momento em que começou a racionalizar assim, passou a entender D’us mais como um Motor imóvel e distante do que como o Pai Celestial anunciado por Cristo. "Deus Pai" começou a lhe soar como uma impossibilidade completa, uma piada de mau gosto. Como poderia a Energia Absoluta, Criadora e Geradora de todas as coisas, tê-lo por filho, se importar com as suas mesquinharias, suas aventuras e desventuras, seus pecados, seus conflitos e questões tão ridículas? Depois de questionar Deus como Pessoa, o próximo e rápido passo foi questionar a existência do próprio D’us.

_______Mas naquele dia, no jardim do seminário, quando ele pensava em juntar seus poucos pertences e voltar para casa, sentindo vertigens, uma árvore apoiou sua queda e lhe fez entender que é preciso que D’us Onipotente e Onisciente se manifeste como Pessoa aos homens. E que os homens abracem essa Manifestação, pois do contrário a Comunhão é perdida. E compreendeu o sentido e a razão de ser das formas e fórmulas religiosas. Compreendeu que este mundo é como uma maquete da Realidade Perene, uma imitação infinitamente reduzida do Reino de D’us. Não podemos suportar a visão da Verdade como ela é, não estamos aptos a lidar com a Coisa em Si, por isso, precisamos olhar a maquete que é o mundo, aprender com ela, decifrar o Grande Mistério através de imitações.




_______Não sabemos porque é assim, mas é assim que é. Esta é uma etapa de um grandioso processo, do qual fazemos parte. Olhe para dentro de si mesmo e entenda. Foi isso que fez o aspirante a sacerdote, naquele momento. E ele disse, como de si para si mesmo: "O D’us que É há de aceitar a fé de que sou capaz, no Deus que sou capaz de conceber com o meu intelecto; e que eu O sirva com o meu trabalho, com pureza de alma. Pois ainda não sou capaz de conceber o D’us que É. Tudo que posso fazer é aceitar. Esta é a Comunhão possível, por enquanto. Espero o dia de ir além”.

_______D’us é assim. Ou se sabe ou não se sabe. Ou se reconhece ou não. Paradoxalmente, nesse dia os olhos da alma do aspirante a sacerdote se abriram. E ele compreendeu, mesmo sem poder compartilhar essa dádiva com outros. Pois cada um precisa escrever, ler e entender seu próprio Livro Sagrado.

_______Então o que podemos fazer? O que devemos fazer? Como e de que maneira seremos felizes? Tendo uma religião? Guardando a fé? Ou simplesmente nos libertando de todas as amarras que as crenças nos impõem?

_______Será que crer nos impõe amarras, isto é, limitações? Ou será que nos liberta? A resposta é que as duas alternativas podem estar corretas. Sem dúvida há crença que escraviza, e há crença que liberta. Crer no real é libertar-se. Crer no que não é real escraviza.

_______Coloque a mão em seu coração. Ouça a palpitação; ouça a vida que vibra. De onde vem essa força, esse poder, esse fluir, esse ser?

_______Olhe para dentro de si mesmo agora. Olhe dentro de sua mente, dentro dos seus pensamentos: quem é você? De onde você veio? Qual a sua origem? Quem é você, no sentido mais profundo que puder conceber?

_______Olhe seu corpo. Perceba que ele é a manifestação visível de algo invisível, que flui dentro dele e o cria e recria, diariamente. Seu corpo é uma impossibilidade científica completa. Mas ele existe, está ao seu serviço. Um milagre particular, feito só para você, renovado a cada instante. Este "algo invisível" que move seu corpo é a maior preciosidade que existe neste mundo. A maior preciosidade que existe, dentro de você. É a Assinatura Divina no seu ser. Traga esta força para fora. Faça-a crescer, tomar conta do físico, do seu pensar, do seu sentir.

_______O que você vai servir a D’us? Primeiro, é preciso convidá-Lo a entrar.

_______E então, sirva-se a si mesmo. Sirva seu espírito, sua alma, sua vida. E para convidá-Lo a entrar, claro, primeiro é preciso notar que Ele está à porta, batendo. Para notar, é preciso ouvir. Para ouvir, é preciso parar tudo o que estiver fazendo, agora, e fazer silêncio. As batidas de D’us à porta são muitíssimo suaves. Se não houver silêncio absoluto, você não poderá ouvir. Se estiver ocupado, com a mente agitada pensando em mil afazeres, você não será capaz de ouvir. Se estiver com raiva, com medo ou cheio de desejos, também não. Acalme-se. Faça silêncio. Ouça. Abra a porta.

_______Por esses dias, ganhei um cartão com uma oração, até bonita, uma "oração de ano novo", e pensei em postá-la aqui, hoje, véspera de ano novo. Comecei a digitar a oração, mas, enquanto o fazia, percebi que era mais uma oração do tipo que as pessoas lêem, acham “bonita” e descartam em seguida. Uma oração com pedidos de bençãos pelos parentes e amigos...

_______Mas hoje despertei me sentindo inundado por um Amor tão perfeito, puro e absoluto, que quase perdi o controle sobre meu corpo físico. Em êxtase, senti vertigens. Desejei abraçar o chão, beijar as paredes, acariciar as nuvens. Quis me declarar às torrentes de água que fluíam do chuveiro e da torneira.

_______Com olhos renovados olhei em volta, e achei tudo muito bom. O mal não pode me tocar, num momento como este. Degustei, deliciado, o prazer da Comunhão. E encontrei a minha oração:


_______Bendito, mil vezes bendito és, Pai das Origens. Eu te louvo e dou graças, porque és o Criador e Provedor de todas as coisas.

_______Todos os prazeres e suavidades te pertencem, e todas as dores e asperezas deste mundo são bálsamo e maravilhoso perfume se estamos em Ti.

_______Eu te louvo e dou graças, amado D’us, Senhor e Razão das razões, porque me aceitas, me consolas, me purificas, fazes de mim um filho e irmão, ainda que eu, por mim mesmo, não possua méritos. Meu mérito é a Luz Divina que puseste dentro de mim, quando me concebeste. Meu mérito é ser um Pensamento teu. Meu mérito é ser amado por Ti.

_______Concedei-me levar tua Glória infinita, a glória de viver em ti, a tantos quantos cruzarem o meu caminho, a tantos quantos ouvirem minhas palavras, ou lerem minhas letras; que sejam tuas palavras e tuas letras, hoje e sempre. Amem.



_______Dito isto, voltei a focar minha atenção no mundo ordinário dos homens, pois há uma missão a cumprir, e essa missão se dá neste plano de sonhos, mundo vazio e duro, controlado por homens violentos e cegos.

_______Sentei-me em minha escrivaninha e pensei: “chegou o momento. Já posso compartilhar as coisas que aprendi. Já posso tornar público o meu Livro Pessoal da Sabedoria”.


Da inutilidade de tentar entender D’us




D’us é

_______Vida * Pulsar * Pensar * Largar * Relaxar * Permitir-se * Alegria * Morrer Todas as Noites * Voltar a Despertar * Fugir * Achar * Renascer * Forte * Fraco * O Prazer de Ser Fraco * Flexível * Desnudar * Proteger * Entregar * Pureza * Acariciar * Receber Carinho * Olhar * Sorrir Espontaneamente * Recarregar * Lançar Fora * Mãos * Pés Descalços * Caminhar * Correr * Sol * Brisa * Vento * Aquecer * Refrescar * Frio * Agasalhar * Lua * Água * Mar * Oceano * Entrar * Estar Dentro * Sair * Respirar * Inspirar * Expirar * Destruir * Queimar * Renovar * Recomeçar * Terra * Plantar * Chuva * Florescer * Flor * Fruto * Colher * Belo * Feio-Belo * Sexo * Resistir * Escolher * Renegar * Abraçar * Acolher * Manhã * Agora * Justiça * Espírito * Aceitação * Revolta * Revolução * Noite * Nuvem * Raio * Trovão * Luz * Música * Cor * Reflexo * Cristalino * Céu * Vôo da Águia * Vôo da Coruja * Vôo do Pardal * Vôo do Beija Flor * Salto do Tigre * Salto do Gato * Salto do Cervo * Desapego * Entender * Palavra * Conhecer * Reconhecer * Conceder * Desfazer-se * Admirar-se * Deslumbrar-se * Metamorfose * Mudar * Transformar * Despertar * Maravilha * Êxtase * Asas * Prazer * Dor * Chorar * Fluir * Descansar * Invencível * Incompreensível * Inalcançável * Imenso * Ânimo * Infinito * Absoluto * Tremendo * Assustador * Humilde * Pequeno * Pedir * Pedinte * Pedir Perdão * Perdoar * Dar * Ser * Partir * Quebrar * Derrubar * Chocar * Lutar * Vencer * Desarmar-se * Alcançar * Escalar * Chegar * Ser * Eu * Você * Eu em Você * Tudo * Nada * Além * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor...


Feliz tudo novo e renovado, hoje e sempre! Amem!


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

25 de Dezembro




Agora já estás aqui, Deus Menino!

Agora que o Verdadeiro Sol da Justiça
nasceu e brilhou para o mundo...

E eu continuo precisando ser conduzido por Ti;
precisando que meu coração seja guiado por Ti.

Precisando que minha vontade e minha fé
sejam fortalecidas por Ti, Deus Menino;
que minha alma seja purificada por Ti.

Continuamos precisando que os comandantes
deste mundo sejam mudados por Ti, Deus Menino;

Precisando de Ti para que saibamos amar
os que sofrem, os que estão presos, perdidos,
cegos para a Tua Luz, aflitos, oprimidos...

Precisando da tua Mão que cura; que ela esteja
sempre presente em nossas vidas, Deus Menino.

Precisando que nos tornes semelhantes a Ti,
Simples, Humilde e Verdadeiro Deus Menino;
para que possamos também confortar, curar e
salvar, por meio do Teu Amor.

Precisamos de Ti ontem, precisamos hoje
e esperaremos somente em Ti, sempre!
Vem reinar em nós, Deus Menino!

Henrique K Merton


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

24 de dezembro




Preciso ser conduzido por Ti, Deus Menino;
preciso que meu coração seja guiado por Ti.

Preciso que minha vontade e minha fé
sejam fortalecidas por Ti, Deus Menino;
preciso que minha alma seja purificada por Ti.

Precisamos que os comandantes deste mundo
sejam mudados por Ti, Deus Menino;

Precisamos de Ti para que saibamos amar
os que sofrem, os que estão presos, perdidos,
cegos para a Tua Luz, aflitos, oprimidos...

Precisamos da tua Mão que cura; que ela esteja
sempre presente em nossas vidas, Deus Menino.

Precisamos que nos tornes semelhantes a Ti,
Simples, Humilde e Verdadeiro Deus Menino;
para que possamos também confortar, curar e
salvar, por meio do Teu Amor.

Precisamos de Ti ontem, precisamos hoje
e esperaremos somente em Ti, sempre!
Vem reinar em nós, Deus Menino!

Henrique K Merton


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

23 de dezembro




Preciso ser conduzido por Ti, Deus Menino;
preciso que meu coração seja guiado por Ti.

Preciso que minha vontade e minha fé
sejam fortalecidas por Ti, Deus Menino;
preciso que minha alma seja purificada por Ti.

Precisamos que os comandantes deste mundo
sejam mudados por Ti, Deus Menino;

Precisamos de Ti para que saibamos amar
os que sofrem, os que estão presos, perdidos,
cegos para a Tua Luz, aflitos, oprimidos...

Precisamos da tua Mão que cura; que ela esteja
sempre presente em nossas vidas, Deus Menino.

Precisamos que nos tornes semelhantes a Ti,
Simples, Humilde e Verdadeiro Deus Menino;
para que possamos também confortar, curar e
salvar, por meio do Teu Amor.

Precisamos de Ti ontem, precisamos hoje
e esperaremos somente em Ti, sempre!
Vem reinar em nós, Deus Menino!

Henrique K Merton


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

Não nascemos prontos

No momento mais inesperado possível (eu diria inapropriado), entrei numa fase de "hibernação". Isso significa alguma coisa...

_______Para não deixá-los neste silêncio por mais tempo, resolvi pedir a alguém que falasse por mim. Teria que ser alguém que tivesse algo realmente útil a dizer, e então me lembrei dele. Afinal de contas, o post com a entrevista dele no Programa do Jô é um dos recorditas de views por aqui.

_______Não é material novo, mas provavelmente não é conhecido de todos, e mesmo para quem já assistiu, vale a pena ver de novo (nada a ver com reprise de novela da Globo - eca!). Espero que gostem. Até breve!


Não Nascemos Prontos, por Mário Sérgio Cortella (I a IV)













( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

Esta noite escapei do Inferno

Este post foi escrito para mim, mais do que para vocês. É uma forma de registrar, para não esquecer; pois o mal do homem é esquecer.




Esta noite tive uma experiência apavorante. Me vi sendo sequestrado durante o sono, e transportado para um lugar macabro. Não me lembro de ter sentido tanto pavor em qualquer outro dia de toda a minha vida.

_______Não sei descrever meu sequestrador. Falei face a face com ele, ele me deu ordens e quis me obrigar a fazer coisas, mas eu não me lembro nada, absolutamente nada da sua aparência. Só sei que era como um homem. Um homem em trajes formais. Nada mais.

_______No começo eu não sabia exatamente o que estava acontecendo: achava que estava no interior de um grande edifício, vazio e estranho. As paredes me cercavam, eram hexagonais, com muitas portas e janelas por todos os lados. O estranho me fez entrar numa pequena sala. Ali me deu certas ordens. Para minha grande angústia, eu não me lembro exatamente o que ele queria que eu fizesse e porquê, mas basicamente eu tinha que entregar certos objetos e documentos para determinadas pessoas, que se encontravam em salas distintas, em andares diversos, espalhadas naquele grande edifício.

_______Eu podia sentir uma vibração pesadíssima de maldade exalando das paredes, espreitando nos corredores atrás de cada porta. Minha liberdade estava perdida, entregue ao controle do estranho. Tentei discutir e negar suas ordens, mas a sua ira era terrível; meus membros ficaram retorcidos ao renegá-lo. Por fim ele se mostrou tão poderoso e me fez ameaças tão horríveis que não pude mais resistir; relutante, disse que concordava em fazer o que ele queria, por puro terror. Eu sabia que ele podia me privar da minha liberdade e me infligir as dores mais atrozes, então assenti. Meus membros voltaram ao normal e ele me disse: "Assim que entregar o último pacote, você estará livre. Se você fizer o que mandei, teremos um pacto, pois você terá cumprido sua parte comigo. Você estará livre". Nesse momento ele sorriu e eu acreditei nele, isto é, acreditei que me libertaria.

_______Apesar do peso esmagador de toda a situação, talvez por estar fora do meu habitat, da realidade ordinária dos homens, eu me sentia entorpecido, e não tinha muita certeza do que estava acontecendo. Sabia que aquele ser, naquele momento, possuía completo controle sobre a minha vida. Minha cabeça pesava, e eu me encontrava num estado como que de transe. Não sabia bem o que estava fazendo, e somente aos poucos pude perceber, intuitivamente, o pior: eu havia encontrado um poderosíssimo representante do poder das trevas. No transcorrer da experiência, aos poucos passei a considerar que encontrara o príncipe dos demônios, frente a frente.

_______Não sei se poderia chamá-lo Belzebul, Satã, mas sei que era o mal personificado. O maligno recebeu muitos nomes: poderia eu dizer que aquele ser em forma de homem, diante de mim, era Satanás? Talvez fosse pior do que isso, pois Satanás é nosso acusador, e a energia com a qual me defrontei era puro mal: era todo sentimento e potência ruim que sou capaz de conceber.

_______De qualquer modo, a plena consciência de que estava sendo tentado ou posto à prova veio depois que aceitei a proposta. Tudo que eu queria era me ver livre daquela clausura angustiante, naquele prédio descorado e opressor. Coloquei os pacotes numa espécie de alforje que já carregava, e percebi que cada um deles era como uma grossa correspondência, embrulhada e selada. Não sabia o que fazer, mas aos poucos elaborei um plano: encontrar uma saída daquele lugar e fugir, antes de cumprir a minha parte no trato.

_______Claro, de maneira nenhuma eu concretizaria o pacto. Mas tomei meu caminho. De algum jeito, eu sabia que corredor tomar, que direção seguir, para realizar a nefasta missão que me fora confiada. Entrando e saindo de aposentos escuros, atravessando portas, tomei infindáveis escadarias, desci vários andares e comecei a entregar as encomendas, mesmo sabendo que estava fazendo algo muito errado. - Era em nome da liberdade que o fazia. – E principalmente porque sabia que, para que o mal fosse concretizado, era preciso que eu entregasse todos os pacotes, o que não faria.

_______Entreguei o primeiro, o segundo, o terceiro pacote. Tomava corredores que me levavam a outras partes do edifício, descia escadas, encontrava pequenas salas, todas parecidas, entregava as encomendas para pessoas sem rosto.

_______E assim prossegui. Por fim, faltava apenas um pacote. Alcancei a última sala, onde deveria entregar o último pacote. Sem saber direito o que fazer, mas decidido a não entregá-lo, entrei na sala. Se eu não o entregasse, as conseqüências seriam terríveis para mim. Se entregasse, estaria cumprindo um pacto com o demônio.

_______Então não entreguei o pacote. Abri-o e joguei seu conteúdo numa lixeira, atrás de um balcão, sem que o destinatário sem rosto, sentado ao fundo da sala, o percebesse. Depois fechei o embrulho vazio, e o entreguei sem nada dentro. O que eu queria era um jeito de entregar sem entregar, fazer sem fazer. Escapar, "agradando a Deus e ao demônio". Depois saí daquela sala, esperando ser libertado.

_______Nesse momento eu estava no nível mais baixo daquele edifício angustiante. O maligno surgiu diante de mim imediatamente, me parabenizou e me disse que eu tinha feito a minha parte: “Você está livre!” Uma porta se abriu e o demônio disse: “Vá! Você ganhou sua liberdade, porque cumpriu o pacto ainda melhor do que eu planejei. Você tentou me enganar! Você é um enganador! Todo enganador é meu servo!”

_______Fiquei apavorado. Mas me lancei em direção à porta, querendo escapar daquele lugar terrível o quanto antes. Mal atravessei a porta, estabanado, despenquei abaixo, numa escadaria em curva, ao fim da qual fui dar numa nova sala hexagonal, igual a maioria das outras naquele edifício de pesadelo, com muitas portas e janelas, mas estavam todas trancadas. Agora eu estava num nível ainda mais baixo, como que no subsolo do prédio, e o peso da angústia no ar, ali, era ainda mais tenebroso.

_______Como um animal acuado, completamente desesperado, eu me pus a tentar todas as portas e janelas, e a cada trinco que não se abria mais aumentava o meu pavor. A escadaria pela qual eu descera rolando, até ali, tinha sumido. Não havia saída. Eu, ireemediavelmente trancado. Encerrado. Enganado. Desespero absoluto...

_______Depois de várias tentativas inúteis de encontrar uma saída que não existia, passei a implorar para que o demônio me libertasse. No meu íntimo, eu sabia que não havia sido libertado por não ter cumprido o pacto. Mas não obtinha resposta. De uma maneira terrível, compreendi que minha vida estava perdida: eu estava no lugar que chamam de Inferno. Nunca, nunca mais sairia dali.

_______Então comecei a implorar por mais uma chance. Chorando, desesperado, pedia ao demônio que me desse uma nova oportunidade, em troca de liberdade. Novamente, eu não estava sendo sincero. Só tentava encontrar um jeito de sair dali; buscava desesperadamente uma nova oportunidade para tentar enganar o diabo e escapar; ganhar a liberdade...

_______Nada. Rastejei e implorei, chorei e gemi, completamente aterrorizado. No mais profundo de minha alma, entendia que minha vida estava totalmente perdida, para sempre. Compreendia que nunca mais sairia dali e que tudo estava inevitavelmente perdido para mim. Não é possível pactuar com o demônio, com vantagem. Eu passaria a eternidade trancado naquele lugar, oprimido por poderes negativos, pavorosos, arrasadores, sentindo medo. O medo mais total e absoluto que pode existir.




_______E foi então, e só então, que me lembrei. Ergui minhas mãos trêmulas e, sem nenhuma fé em meu coração, pois estava desesperado, comecei a entoar a Oração do Peregrino Russo, a Oração do Coração, que é também um versículo dos Evangelhos: "Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo, tem piedade de mim, que sou pecador!”

_______Mas não pude completar a oração. Mal pronunciei o nome de Cristo e, imediatamente, as paredes, o teto, o piso e tudo que havia ao meu redor começou a se desintegrar, como um castelo de cartas que desaba ou uma construção de areia na beira do mar, que se desfaz sob uma onda poderosa. Senti meu ânimo se recobrar enquanto, rápido como um raio, fui transportado dali para o meu leito, no escuro do meu quarto!

_______Minha recuperação psicológica, porém, não poderia ser assim tão rápida. Sentei-me na cama de um pulo, berrando e chorando muito alto, fazendo grande alarde. Hana levou um grande susto, perguntando apavorada: “O que foi? O que foi?”

_______Pulei da cama, olhei em redor. O quarto estava tenuemente iluminado pelos leds do aparelho de som. Levei alguns minutos para me certificar que estava mesmo em meu quarto, e que tudo continuava no lugar de sempre. Por fim, me senti aliviado. Foi um pesadelo? Naquele instante, eu tive a mais absoluta certeza que a resposta para essa pergunta era Não.

_______Sim. O nome de Jesus livra e liberta de todo o mal. Já o havia comprovado antes, mas jamais assim, tão literalmente na prática. Me coloquei de joelhos e agradeci. Respirei fundo. Voltei a deitar, e prometendo explicar tudo para Hana somente no dia seguinte, voltei a dormir, tranquilamente. Não me lembro de ter sonhado depois disso.

_______Por quê, nessa experiência, demorei tanto para recorrer a Deus? Por que tentei "dar o meu jeito" antes de pedir ajuda? Um dos aspectos mais estranhos da situação toda é que eu não me sentia eu mesmo. Todo o tempo era como se eu estivesse "no corpo" de alguma outra pessoa, vivendo a experiência de alguém, e não a minha própria. Ou como se a minha memória, a minha consciência tivesse sido completamente anestesiada. Porque o "eu" que conheço, se é que me conheço, em primeiro lugar e antes de qualquer coisa, pediria a ajuda de DEUS. O que essa experiência me mostra? Uma série de coisas importantes, que foram muito bem aprendidas, pois ficaram impressas, definitivamente, em meu coração e em meu espírito.


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários

A arte da sinceridade



A arte mais difícil é a arte da confiança. - Que é a arte da fé. Quando você é jogado no olho da tempestade, não importam mais as suas elaborações, nem as suas teorias ou convicções bem estruturadas. Só vale o que você é, onde você está e em que se transformou até aqui.

_______Todos viemos ao mundo munidos de talentos próprios e muito especiais. Com esses talentos é que nos construímos, nos formamos, física, mental e espiritualmente.

_______Quando raios poderosos e fulminantes despencam ao seu redor, destelhando casas e derrubando árvores com estrondo ensurdecedor; quando você se sente sozinho, abandonado à própria sorte, e vê o quanto a sua permanência neste corpo físico é frágil; quando a expectativa de sofrimento iminente é real e próxima demais para ser ignorada... Nesse momento só resta o verdadeiro você. Ou o verdadeiro tu, como diriam os meus irmãos (de sangue) portugueses.

_______Agora é você mesmo. E Deus. Deus? Será? E se foi tudo paranóia, uma coleção de delírios e alucinações sem nenhuma relação com a verdade objetiva dos fatos???

_______Mas o mais complicado de tudo, sem dúvida nenhuma, é que eu sempre acreditei num Deus exigente, que me cobraria duramente por meus erros e fraquezas... Que será de mim se eu morrer agora, aqui, atingido por um raio? E se o raio não me matar, mas me deixar no chão, agonizante por um longo e tenebroso tempo, esticado no chão, sem poder me mover, sem poder me comunicar, apenas sentindo... Dor?

_______Nunca tive muito medo da dor. Mas não existe nada mais temível do que ela. Nada. Não existe nem pode existir nada pior do que a dor, nada mete mais medo. A não ser a agonia da perda da liberdade, ou a agonia do isolamento, talvez.

_______E eu ficaria sozinho, isolado, sem poder me comunicar, no chão, jogado, corpo queimado, sentindo a dor mais pavorosa que um homem é capaz de sentir, se um raio me atingisse de raspão.

_______De raspão, porque se me atingisse em cheio, a probabilidade de eu morrer instantaneamente seria maior...

_______Mas será que existe essa coisa de probabilidade? Eu não acredito em probabilidade. Mas quando há uma centena de raios explodindo ao seu redor, cortando o vento e a chuva gelada, quase fazendo estourar os seus tímpanos... A probabilidade de haver probabilidade é assustadoramente viável.

_______Pense nisso. A arte da fé é a arte da sinceridade - meditar sobre isso dia e noite.


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários