
_______Olhe para dentro de si mesmo agora. Olhe dentro da sua mente, dentro dos seus pensamentos: quem é você? De onde você veio? Qual a sua origem? Quem é você, no sentido mais profundo que puder conceber?
_______Você é capaz de encontrar uma resposta para estas questões fundamentais da vida? São questões complexas, e por pura preguiça passamos toda a nossa vida deixando essas coisas para depois. "Depois eu descubro quem sou. Um dia eu descubro de onde vim, para que vim, o que quero. Um dia eu paro e penso. Depois. Depois eu paro e dedico algum tempo a pensar em Deus".
_______Eu digo que o tempo é agora. Sempre afirmei isso; foi para isso que eu vim. Eu digo que a aventura começa quando você pula do trem em movimento. Quando desperta do transe e grita com toda a força dos seus pulmões e da sua alma: “Chega!”
_______Chega de viver de mentira, chega de perder tempo. Chega de ser zumbi. D’us está à porta e bate. Se você ouvir, e abrir a porta, Ele entrará, se sentará à mesa com você, e vocês comerão juntos.
_______O que você vai servir a D’us?
_______Num comentário deste blog surgiu uma pergunta: “D’us é Deus?”... Uma boa pergunta, e a reposta pode ser sim ou não. Depende do que significa “Deus” para cada um. Prefiro grafar "D’us", como fazem os judeus ortodoxos, ou "DEUS", com todas as letras em maiúsculas, como um jeito de chamar a atenção para o fato de que estou falando do Sagrado: não estou falando de uma coisa qualquer. Estou falando da “Coisa das coisas”. Estou falando da Coisa em Si, no sentido mais perfeito do termo...
_______Judeus ortodoxos usam a forma "D'us" como um ato de extremo respeito e reverência; uma espécie de reflexo do preceito bíblico de não pronunciar em vão o Nome de Deus. Reflexo porque, sem dúvida, "Deus" não é nome, é um termo genérico, um substantivo. Seria como alguém me chamar de "homem". Homem não é o meu nome, então não poderia dizer que estão usando meu nome em vão. Meu nome não foi pronunciado. Se cremos em um único Deus, dizer "Deus" não é chamá-lo pelo nome; é se referir a este único Deus sem pronunciar o Nome Sagrado.
_______Conforme a situação, eu gosto de usar "D'us" ou "DEUS". - São maneiras de tornar especial essa referência especialíssima. Isto é, falar em Deus virou algo muito banal: as pessoas repetem o tempo todo, sem pensar, coisas tipo "Deus me livre", "Só por Deus mesmo", "Vai com Deus", e muitas outras desse tipo. São frases interjetivas repetidas sem nenhuma reverência, sem nenhuma noção do Sagrado.
_______Por isso, quando estou me referindo ao Criador, num contexto realmente sagrado, às vezes acho conveniente chamar a atenção para isso, para que a ideia não passe desapercebida. Mas não faço isso sempre. Há também o risco de as pessoas pensarem que sou “metido a besta” ou que pretendo com isso me elevar usando termos diferenciados...
_______Mas, e aí? Já pensou no que você vai servir a D’us? Bem, primeiro é preciso convidá-Lo a entrar.
_______Este post é o primeiro capítulo do meu Livro Pessoal da Sabedoria. Por coincidência ou não, aconteceu na virada do ano. Um novo ano está prestes a começar. E uma nova fase da Arte das artes começa. O primeiro capítulo se fundamenta em D’us. Eu gosto de começar do começo, e tudo começa com D’us. Começa e termina. Começa, flui e termina. O primeiro capítulo só poderia ser “D’us”.
_______Quantas páginas foram escritas, quanta tinta foi gasta, quantas pedras entalhadas na tentativa inútil de explicar D’us?
_______De tão difícil, quantos não preferiram, ao longo dos milênios, deixar este assunto para depois? E, num último impulso desesperado, quantos não tentaram criar uma religião sem D’us?
_______“Deus está morto.” – Nietzsche, 1882
_______“Nietzsche está morto.” – Deus, 1900
_______KKKK KKKKK Kkkkk kkkkk kkkkkk kkkkKK KKKKK!..
_______A piada não é nova, mas eu a acho muito, muito boa. Talvez ela tenha sido contada algumas vezes por pessoas que não possuem senso de humor, com um ranço de revanchismo contra o coitado do Friedrich Nietzsche, um gênio atormentado que gravou seu nome na história e, penso eu, merece nosso respeito. Assim, contada com sentimento de revanche, a piada fica sem graça. Mas contada com o espírito aberto, é muito engraçada. Não tem como não soar patético um homenzinho inteligente decretar a morte dA Inteligência. Nietzsche era uma pulga inteligente. E atrevida. Só foi levado tão a sério porque a mediocridade do mundo era ainda maior que o seu atrevimento. Uma pulga inteligente no meio de pulgas medíocres. Mas ainda uma pulga. E penso que D'us ama os atrevidos. D'us tem um senso de humor maravilhoso e incompreensível; assim como é incompreensível tudo que vem dEle.
_______E D'us persiste, por mais que milhões de Nietzsches e Dawkins se levantem contra ele. Isto é, a "ideia D'us" persiste no mundo, desde que existe mundo, e se um dia essa ideia deixasse de existir, acho que não seríamos mais humanos. Somos seres religiosos, antes de tudo. Somos seres religiosos mais até do que somos seres sociais. A prova são os eremitas de todas as religiões ancestrais: pessoas que se retiraram do convívio em sociedade e foram viver isolados no alto de montanhas, em cavernas, casebres no meio do mato... e até no alto de colunas. Apesar de ser muito difícil, penoso e contraindicado, conseguimos viver isolados de nossos semelhantes. Mas não conseguimos viver sem D'us. Até os ateus são assim: seu passatempo preferido é atacar Deus, e seus maiores expoentes foram e são sempre aqueles que fazem da cruzada contra as religiões a sua missão de vida. De um modo ou de outro, não vivem sem D'us.
_______Mas, no fim, sábio é aquele que reconhece a inutilidade de tentar compreender o incompreensível. Ele aceita que basta saber. Ele leva a mão ao coração, ele sente a vida fluindo em suas veias. Ele aceita que a Maravilha necessita de uma Causa, e aceita suavemente que essa Origem não se dobra ao nosso entendimento, às nossas explicações ou racionalismos.
_______Conheci um sacerdote especial e muito amado. Seu nome é César. Ele me contou a experiência mais intensa que viveu em toda a sua vida: um belo dia, poucos dias antes de consagrar sua vida como sacerdote, simplesmente, sem mais nem menos, ele perdeu a fé. Sim; ele, que tinha dedicado toda a sua vida, desde a juventude, a seguir o Caminho de Cristo, simplesmente deixou de crer. Acordou, num dia comum, sem crer, sem ver sentido em nenhuma das práticas a que vinha se entregando, diariamente. Não via mais sentido na oração, na adoração, no estudo... Nada, nada.
_______Olhou o mundo e viu apenas matéria e acaso. Viu a vida como uma combinação de fórmulas matemáticas, uma coincidência física improvável, uma raríssima porém relativamente simples junção de elementos químicos, que culminam formando pensamentos, sentimentos e... fé.
_______Juntou seus livros e objetos antes sagrados e jogou tudo no lixo. Confessou-se com seu orientador espiritual, que, não sabendo orientá-lo, simplesmente o aconselhou a... Parar com tudo, por um tempo. Este homem perdido saiu para fora, ganhou os jardins do seminário, sentido vertigens, pois não é fácil para um homem que abdicou de tudo em nome da fé, de repente chegar à conclusão que simplesmente estivera enganado por toda a sua vida. Chegando no jardim, em sua tontura, procurando por um apoio simplesmente físico, já que as realidades espirituais agora lhe pareciam ilusão, encostou-se numa árvore.
_______E aquela árvore então lhe disse: “Tolo! Por que acha que eu estou aqui, pronta a apoiá-lo? De onde você acha que eu vim, para que pudesse sustentar suas mãos trêmulas? Do acaso? O acaso existe, mas não se sustenta, não permanece, não subsiste em harmonia, não pode pressupor algo maior que ele próprio. Nós não somos maiores que o acaso? E você, de onde veio? Viemos do mesmo lugar: D’us!”
_______O aspirante a sacerdote então compreendeu que não era capaz de compreender D’us e suas razões, e que era por isso que estava tão confuso e perdendo a fé. Não entendia muitas coisas, e esse não entender o fazia questionar as raízes de tudo que considerara como certo até então. Como poderia o D’us incognoscível aceitar suas orações tão toscas? Sendo D’us Todo Poderoso e Todo Suficiente, por que precisaria dos seus louvores, das suas patéticas tentativas de aproximação? A partir do momento em que começou a racionalizar assim, passou a entender D’us mais como um Motor imóvel e distante do que como o Pai Celestial anunciado por Cristo. "Deus Pai" começou a lhe soar como uma impossibilidade completa, uma piada de mau gosto. Como poderia a Energia Absoluta, Criadora e Geradora de todas as coisas, tê-lo por filho, se importar com as suas mesquinharias, suas aventuras e desventuras, seus pecados, seus conflitos e questões tão ridículas? Depois de questionar Deus como Pessoa, o próximo e rápido passo foi questionar a existência do próprio D’us.
_______Mas naquele dia, no jardim do seminário, quando ele pensava em juntar seus poucos pertences e voltar para casa, sentindo vertigens, uma árvore apoiou sua queda e lhe fez entender que é preciso que D’us Onipotente e Onisciente se manifeste como Pessoa aos homens. E que os homens abracem essa Manifestação, pois do contrário a Comunhão é perdida. E compreendeu o sentido e a razão de ser das formas e fórmulas religiosas. Compreendeu que este mundo é como uma maquete da Realidade Perene, uma imitação infinitamente reduzida do Reino de D’us. Não podemos suportar a visão da Verdade como ela é, não estamos aptos a lidar com a Coisa em Si, por isso, precisamos olhar a maquete que é o mundo, aprender com ela, decifrar o Grande Mistério através de imitações.
_______Não sabemos porque é assim, mas é assim que é. Esta é uma etapa de um grandioso processo, do qual fazemos parte. Olhe para dentro de si mesmo e entenda. Foi isso que fez o aspirante a sacerdote, naquele momento. E ele disse, como de si para si mesmo: "O D’us que É há de aceitar a fé de que sou capaz, no Deus que sou capaz de conceber com o meu intelecto; e que eu O sirva com o meu trabalho, com pureza de alma. Pois ainda não sou capaz de conceber o D’us que É. Tudo que posso fazer é aceitar. Esta é a Comunhão possível, por enquanto. Espero o dia de ir além”.
_______D’us é assim. Ou se sabe ou não se sabe. Ou se reconhece ou não. Paradoxalmente, nesse dia os olhos da alma do aspirante a sacerdote se abriram. E ele compreendeu, mesmo sem poder compartilhar essa dádiva com outros. Pois cada um precisa escrever, ler e entender seu próprio Livro Sagrado.
_______Então o que podemos fazer? O que devemos fazer? Como e de que maneira seremos felizes? Tendo uma religião? Guardando a fé? Ou simplesmente nos libertando de todas as amarras que as crenças nos impõem?
_______Será que crer nos impõe amarras, isto é, limitações? Ou será que nos liberta? A resposta é que as duas alternativas podem estar corretas. Sem dúvida há crença que escraviza, e há crença que liberta. Crer no real é libertar-se. Crer no que não é real escraviza.
_______Coloque a mão em seu coração. Ouça a palpitação; ouça a vida que vibra. De onde vem essa força, esse poder, esse fluir, esse ser?
_______Olhe para dentro de si mesmo agora. Olhe dentro de sua mente, dentro dos seus pensamentos: quem é você? De onde você veio? Qual a sua origem? Quem é você, no sentido mais profundo que puder conceber?
_______Olhe seu corpo. Perceba que ele é a manifestação visível de algo invisível, que flui dentro dele e o cria e recria, diariamente. Seu corpo é uma impossibilidade científica completa. Mas ele existe, está ao seu serviço. Um milagre particular, feito só para você, renovado a cada instante. Este "algo invisível" que move seu corpo é a maior preciosidade que existe neste mundo. A maior preciosidade que existe, dentro de você. É a Assinatura Divina no seu ser. Traga esta força para fora. Faça-a crescer, tomar conta do físico, do seu pensar, do seu sentir.
_______O que você vai servir a D’us? Primeiro, é preciso convidá-Lo a entrar.
_______E então, sirva-se a si mesmo. Sirva seu espírito, sua alma, sua vida. E para convidá-Lo a entrar, claro, primeiro é preciso notar que Ele está à porta, batendo. Para notar, é preciso ouvir. Para ouvir, é preciso parar tudo o que estiver fazendo, agora, e fazer silêncio. As batidas de D’us à porta são muitíssimo suaves. Se não houver silêncio absoluto, você não poderá ouvir. Se estiver ocupado, com a mente agitada pensando em mil afazeres, você não será capaz de ouvir. Se estiver com raiva, com medo ou cheio de desejos, também não. Acalme-se. Faça silêncio. Ouça. Abra a porta.
_______Por esses dias, ganhei um cartão com uma oração, até bonita, uma "oração de ano novo", e pensei em postá-la aqui, hoje, véspera de ano novo. Comecei a digitar a oração, mas, enquanto o fazia, percebi que era mais uma oração do tipo que as pessoas lêem, acham “bonita” e descartam em seguida. Uma oração com pedidos de bençãos pelos parentes e amigos...
_______Mas hoje despertei me sentindo inundado por um Amor tão perfeito, puro e absoluto, que quase perdi o controle sobre meu corpo físico. Em êxtase, senti vertigens. Desejei abraçar o chão, beijar as paredes, acariciar as nuvens. Quis me declarar às torrentes de água que fluíam do chuveiro e da torneira.
_______Com olhos renovados olhei em volta, e achei tudo muito bom. O mal não pode me tocar, num momento como este. Degustei, deliciado, o prazer da Comunhão. E encontrei a minha oração:
_______Bendito, mil vezes bendito és, Pai das Origens. Eu te louvo e dou graças, porque és o Criador e Provedor de todas as coisas.
_______Todos os prazeres e suavidades te pertencem, e todas as dores e asperezas deste mundo são bálsamo e maravilhoso perfume se estamos em Ti.
_______Eu te louvo e dou graças, amado D’us, Senhor e Razão das razões, porque me aceitas, me consolas, me purificas, fazes de mim um filho e irmão, ainda que eu, por mim mesmo, não possua méritos. Meu mérito é a Luz Divina que puseste dentro de mim, quando me concebeste. Meu mérito é ser um Pensamento teu. Meu mérito é ser amado por Ti.
_______Concedei-me levar tua Glória infinita, a glória de viver em ti, a tantos quantos cruzarem o meu caminho, a tantos quantos ouvirem minhas palavras, ou lerem minhas letras; que sejam tuas palavras e tuas letras, hoje e sempre. Amem.
_______Dito isto, voltei a focar minha atenção no mundo ordinário dos homens, pois há uma missão a cumprir, e essa missão se dá neste plano de sonhos, mundo vazio e duro, controlado por homens violentos e cegos.
_______Sentei-me em minha escrivaninha e pensei: “chegou o momento. Já posso compartilhar as coisas que aprendi. Já posso tornar público o meu Livro Pessoal da Sabedoria”.
Da inutilidade de tentar entender D’us
D’us é
_______Vida * Pulsar * Pensar * Largar * Relaxar * Permitir-se * Alegria * Morrer Todas as Noites * Voltar a Despertar * Fugir * Achar * Renascer * Forte * Fraco * O Prazer de Ser Fraco * Flexível * Desnudar * Proteger * Entregar * Pureza * Acariciar * Receber Carinho * Olhar * Sorrir Espontaneamente * Recarregar * Lançar Fora * Mãos * Pés Descalços * Caminhar * Correr * Sol * Brisa * Vento * Aquecer * Refrescar * Frio * Agasalhar * Lua * Água * Mar * Oceano * Entrar * Estar Dentro * Sair * Respirar * Inspirar * Expirar * Destruir * Queimar * Renovar * Recomeçar * Terra * Plantar * Chuva * Florescer * Flor * Fruto * Colher * Belo * Feio-Belo * Sexo * Resistir * Escolher * Renegar * Abraçar * Acolher * Manhã * Agora * Justiça * Espírito * Aceitação * Revolta * Revolução * Noite * Nuvem * Raio * Trovão * Luz * Música * Cor * Reflexo * Cristalino * Céu * Vôo da Águia * Vôo da Coruja * Vôo do Pardal * Vôo do Beija Flor * Salto do Tigre * Salto do Gato * Salto do Cervo * Desapego * Entender * Palavra * Conhecer * Reconhecer * Conceder * Desfazer-se * Admirar-se * Deslumbrar-se * Metamorfose * Mudar * Transformar * Despertar * Maravilha * Êxtase * Asas * Prazer * Dor * Chorar * Fluir * Descansar * Invencível * Incompreensível * Inalcançável * Imenso * Ânimo * Infinito * Absoluto * Tremendo * Assustador * Humilde * Pequeno * Pedir * Pedinte * Pedir Perdão * Perdoar * Dar * Ser * Partir * Quebrar * Derrubar * Chocar * Lutar * Vencer * Desarmar-se * Alcançar * Escalar * Chegar * Ser * Eu * Você * Eu em Você * Tudo * Nada * Além * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor...
Feliz tudo novo e renovado, hoje e sempre! Amem!
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31 comentários:
Ano novo - a volta das grandes postagens!
“A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar.
Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou econômico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou hábeis manipulações.
Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e de um povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada.
Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz, e sobretudo aos jovens, a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado.”
Mensagem de ano novo de Bento XVI
ontem, quando eu li o texto Da Inutilidade de entender De-s, fiquei pensando em toda a inutilidade da tentativa de se entender De-s. Principalmente por causa da disposicao visual do texto, muito bem bolada por sinal. faz-nos perder a nocao do espaco e tempo e projeta nossa mente em um nivel infinito e transcendente de percepcao. Logo vemos, De-s é tudo. E entendi o quao é inutil nossas vãs tentativas de entender De-s. Mas hj, quando li novamente, entendi toda a utilidade da inutilidade de entender De-s.
http://www.neo-ad-infinitum.blogspot.com
"D’us é:
Vida * Pulsar * Pensar * Largar * Relaxar * Permitir-se * Alegria * Morrer Todas as Noites * Voltar a Despertar * Fugir * Achar * Renascer * Forte * Fraco * O Prazer de Ser Fraco * Flexível * Desnudar * Proteger * Entregar * Pureza * Acariciar * Receber Carinho * Olhar * Sorrir Espontaneamente * Recarregar * Lançar Fora * Mãos * Pés Descalços * Caminhar * Correr * Sol * Brisa * Vento * Aquecer * Refrescar * Frio * Agasalhar * Lua * Água * Mar * Oceano * Entrar * Estar Dentro * Sair * Respirar * Inspirar * Expirar * Destruir * Queimar * Renovar * Recomeçar * Terra * Plantar * Chuva * Florescer * Flor * Fruto * Colher * Belo * Feio-Belo * Sexo * Resistir * Escolher * Renegar * Abraçar * Acolher * Manhã * Agora * Justiça * Espírito * Aceitação * Revolta * Revolução * Noite * Nuvem * Raio * Trovão * Luz * Música * Cor * Reflexo * Cristalino * Céu * Vôo da Águia * Vôo da Coruja * Vôo do Pardal * Vôo do Beija Flor * Salto do Tigre * Salto do Gato * Salto do Cervo * Desapego * Entender * Palavra * Conhecer * Reconhecer * Conceder * Desfazer-se * Admirar-se * Deslumbrar-se * Metamorfose * Mudar * Transformar * Despertar * Maravilha * Êxtase * Asas * Prazer * Dor * Chorar * Fluir * Descansar * Invencível * Incompreensível * Inalcançável * Imenso * Ânimo * Infinito * Absoluto * Tremendo * Assustador * Humilde * Pequeno * Pedir * Pedinte * Pedir Perdão * Perdoar * Dar * Ser * Partir * Quebrar * Derrubar * Chocar * Lutar * Vencer * Desarmar-se * Alcançar * Escalar * Chegar * Ser * Eu * Você * Eu em Você * Tudo * Nada * Além * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor * Amor..."
_________
Unidade! Tudo é tudo. E não há mais nada.
ANDREAS,
Leitor antigo? Em nome de todos, agradeço pelo carinho. Feliz ano novo!
MIZI,
Muito bom! Às vezes, a inutilidade é de extrema utilidade.
GUGU, velho amigo. Ainda que você repita mil vezes que "tudo é tudo", eu vou repetir um milhão de vezes que não! ;D~~~ Isso é profundo demais, meu velho...
Merton,
E se eu tivesse dito "Deus é tudo"?
=)
Bem, GUGU, eu poderia afirmar com toda a certeza que D'us é tudo para mim. Na verdade, D'us é tudo em todos.
Mas, antes que essa conversa comece a se parecer com panteísmo, deixo claro que:
1. Eu não sou D'us,
2. Você não é D'us
3. Nenhum de nós, seres humanos, é D'us, ao menos não de forma absoluta.
4. Sim, há um D'us Transcendente além do Deus Imanente.
É impressão minha ou já tivemos essa conversa antes? ;P
Merton,
Com certeza já tivemos esse bate-papo, antes. E, nesse instante, eu gostaria de prosseguir com ele mais um pouco, caso você concorde.
Eu também afirmo que "Deus é tudo que há". Estou de acordo com você em todos estes pontos:
1. Eu (Gugu) não sou Deus.
2. Você (Merton) não é Deus.
3. Jamais ser humano algum é ou será Deus. Quando muito, podemos dizer que o homem é um reflexo muito pálido de Deus, e olhe lá! (Talvez a existência humana material e grosseira também seja apenas um reflexo pálido de uma realidade espiritual e divina. Quem sabe?)
4. Somente Deus é Deus.
Eu gostaria de acrescentar mais estes pontos:
5. O panteísmo é uma tolice.
6. A Onipresença é real.
7. Por isso, entendo que a frase "Deus é tudo" não inclui o ser humano, nem mundo material.
Merton, por ora eu gostaria de continuar com algumas perguntas:
Existe ilusão? Eu sou você? Você sou eu? Existe unidade em tudo aquilo que você listou no seu post? Se sim, essa ligação (ou unidade) é devido a que?
Obrigado!
Grande Abraço!
GUGU, o que seria deste blog sem as suas participações? Bem menos interessante, eu garanto. Muito obrigado por existir no a Arte das artes. Lá vamos nós...
"Eu também afirmo que 'Deus é tudo que há'."
Mas eu não afirmo isso. Não diria desse modo. Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação. Existe, sim, algo de divino em toda a Criação, isto é, num certo sentido, a Natureza (nós incluídos) é DEUS. Nesse sentido poderíamos dizer que eu e você somos DEUS.
Mas o grande “detalhe” é que DEUS não está limitado à Natureza; esta é a grande questão nesse assunto. DEUS vai além da Natureza, além da Criação. Por isso é que eu renego totalmente a ideia do panteísmo.
Eu já falei longamente sobre isso num post intitulado “Eu sou o quê?!”, lembra-se? E foi uma postagem que escrevi totalmente inspirado nesse nosso papo antigo.
A fala de Krishna no capítulo 10 do Mahabharata resume muito bem a que estou me referindo:
“Eu lhe falarei de Minhas manifestações esplendorosas, mas somente das que são proeminentes, pois Minha opulência é ilimitada. Eu sou o Eu, ó Gudãkesa, situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres. (...) Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim. Eu sou tudo, mas sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim...”
É uma afirmação perfeita. DEUS não é “tudo que há”. DEUS pode estar em tudo, de algum modo, mas nem tudo está em DEUS.
Tentarei aprofundar um pouco mais: não sei se você leu o post “Esta noite escapei do Inferno”. Pois bem, na situação ali descrita, eu tive algum contato com uma entidade ou energia, por assim dizer, que tenho certeza que não procede de DEUS.
Agora veja: eu sei bem aonde este raciocínio vai nos levar, inevitavelmente: “pode existir alguma força ou energia fora de DEUS, algo como uma entidade espiritual que se opõe a DEUS, sendo que DEUS é o Criador de todas as coisas, e Ele é bom?"
E lá estamos nós de volta ao assunto sobre o qual me debrucei na sequência de posts “Em busca da Libertação Final”. – Sim, já conversamos sobre essas mesmíssimas coisas antes... Mas a resposta não é tão difícil nem tão absurda quanto possa parecer. Vejamos...
(...continuando)
DEUS quis criaturas livres, independentes e autônomas, semelhantes a Ele mesmo. Ele não quis criar seres autômatos, como robôs teleguiados, predispostos a cumprir a sua Vontade o tempo todo. Conheci um jovem monge bastante inclinado às coisas místicas (você gostaria dele) que me disse: “Às vezes é duro resistir às tentações da carne, e às vezes eu penso como seria fácil se Deus tivesse nos criado imunes a essas fraquezas. Assim como existem pessoas que não sentem desejo sexual devido a conformações cerebrais específicas, seria muito bom se todos os monges tivessem sido criados assim. Seria melhor ainda se todos nós, seres humanos, tivéssemos pleno controle sobre nossos desejos e impulsos. Mas, se assim fosse, que graça teria? O que DEUS quer é amigos, não escravos; foi o que o Senhor Jesus disse. Ninguém obriga ninguém a ser seu amigo. Ninguém é seu amigo se não for por opção, por escolha, por por empatia, afeição, amor. Por isso DEUS nos dá opção.”
E é a partir daí que a possibilidade do Mal se torna real. Permanecer em DEUS ou se opor a Ele é uma escolha que Ele mesmo nos dá. Uma opção.
Particularmente, creio que deve haver toda uma intrincada hierarquia de seres espirituais acima de nós. Agora imagine se um ser espiritual muito poderoso, fazendo uso da plena liberdade que o Criador lhe garantiu, opta por rebelar-se... Bem, essa foi a maneira encontrada pelos autores bíblicos, - e também pelos autores de muitos livros sagrados, de uma infinidade de culturas antigas, - para explicar a existência do Mal no mundo: um anjo rebelado. Um ser espiritual poderoso, criado livre por DEUS, que quis se tornar igual a DEUS, tomar o lugar de DEUS. Ele teve liberdade para desejar isso. Optou por isso.
Claro, eu não digo que seja literalmente assim, mas esse seria um jeito de explicar. Do lugar onde estamos agora, tudo que podemos fazer é especular sobre essas questões, que são maiores que nós mesmos.
“(...)entendo que a frase ‘Deus é tudo’ não inclui o ser humano, nem o mundo material.”
Aí a coisa se complica, meu amigo de grandes jornadas. Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente?
Porque a única referência que temos é a Natureza. Somos humanos e vivemos no mundo material. Então, tudo que sabemos e temos como certeza, tudo de que dispomos para efeito de orientação está aí contido. Como poderíamos fazer quaisquer afirmações a respeito do que está além disso?
Mas eu também já sei aonde essa nova sequência lógica vai nos conduzir: este mundo e esta realidade física não são reais. A Realidade Divina, invisível e imperceptível aos nossos sentidos físicos é que é real, e portanto, DEUS é tudo neste sentido muitíssimo mais profundo.
Bem, quanto a isso, tudo o que posso dizer, sendo sincero e honesto comigo mesmo é: não sei. Não faço ideia de como é o Reino de Deus, a Realidade Verdadeira ou como quer que chamemos o Plano Divino.
Claro, eu posso intuir o que é esta Realidade, este Reino. Por tantas experiências místicas/extáticas/transcendentes que já tive o maravilhoso privilégio de vivenciar, faço uma ideia do que está oculto aos meus olhos e imperceptível aos meus sentidos. Mas seria desonesto da minha parte pretender explicar em detalhes como são as Realidades Divinas. Assim como Nietzsche, não passo de uma pulga atrevida... Mas nada além disso, se comparado às Potências Divinas Infinitas.
(...continuação 2)
“Existe ilusão?”
Sem dúvida. Aproveitando a deixa, eu creio, honestamente, que a maior delas é acreditar que somos capazes de decifrar DEUS.
“Eu sou você? Você sou eu? Existe unidade em tudo aquilo que você listou no seu post? Se sim, essa ligação (ou unidade) é devido a que?”
Eu sinto que sim. Essa ligação entre os seres está no fato de termos todos uma mesma Origem, de sermos provenientes de uma mesma Fonte. A essa Fonte chamo DEUS. Essa lista que acrescentei ao final do post representa uma série de coisas que me vieram à mente e que, segundo a minha sensibilidade, são dádivas divinas. Mas com isso não quis dizer que “tudo é DEUS” ou “DEUS é tudo”. Talvez tenha dado essa impressão, e até já penso em retirar a lista de lá, para não dar margem a essas interpretações dúbias; mas não foi a minha intenção, absolutamente.
Quando falo sobre essas coisas, fico sempre com o gostinho de não ter respondido satisfatoriamente, porque se o papo já é complicado falando "olhos nos olhos", imagine por escrito...
Muito obrigado, GUGU!
Olá amigos!
Cheguei agora de viagem!
Omedetô, para quem entende japones e Feliz Ano Novo para os leigos.
Bjs, depois leio com calma os posts!
Merton,
Que isso, não há de quê. Há tempo que não me sinto compelido a debater na internet essas coisas. Gostaria de aproveitar a oportunidade, enquanto estiver durando. Pode ser que dure muito ou pouco. Mas, no momento, o que eu estou tentando fazer é entender a base de tudo o que você fala. Li todos os posts que você apontou na sua resposta, mas você sabe que é possível chegar a entendimentos diferentes, lendo esses mesmos posts, dependendo do ponto de vista (ou base) que o leitor (e o escritor) tem, e que é de onde ele parte. Por isso todas essas perguntas que lhe fiz até agora! Estou tentando entender exatamente a sua base, que fundamenta/sustenta toda a sua sabedoria espiritual.
Em sua resposta achei isto aqui interessante:
Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação."
"o grande “detalhe” é que DEUS não está limitado à Natureza; esta é a grande questão nesse assunto."
Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente? Porque a única referência que temos é a Natureza.
Entendi a base. Olha só, eu não quero, nesse bate-papo, ser uma "antítese" das idéias expostas nas explicações do Merton. O que vou colocar a seguir é apenas uma exposição de pontos de vista, para que possamos ver como as conclusões a que podemos chegar podem ser diferentes, dependendo da base de que partimos.
Vamos lá.
(cont...)
"Da maneira como vejo, existe DEUS e existe a Criação."
Esta é uma base de onde podemos partir. Há uma outra base, adotada principalmente nos ensinamentos orientais, que diz: "Deus é a criação". Logo, também seria possível afirmar que "existe Deus e existe a criação". E tudo isso fundamentado na própria declaração de Krishna, feita nos Bhagavad Gita, que você citou.
Pra facilitar a leitura, vou colar de novo a citação:
“Eu lhe falarei de Minhas manifestações esplendorosas, mas somente das que são proeminentes, pois Minha opulência é ilimitada. Eu sou o Eu, ó Gudãkesa, situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres. (...) Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim. Eu sou tudo, mas sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim...”
Quanto a este ponto "eu estou em você, mas você não está em mim" e "Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim", a outra corrente que parte da base de que "Deus é a criação" entende igualzinho a você: Deus não está limitado à criação física. Ele é, por exemplo, a árvore, mas também é muito (infinitamente) mais do que uma árvore. E o mesmo se dá com tudo o mais. Desta forma, nada fica excluído de Deus, como quando você diz: DEUS pode estar em tudo, de algum modo, mas nem tudo está em DEUS.
Esta corrente entende que...
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Esta corrente entende que tudo está em Deus e que, mesmo tudo estando em Deus - apesar disso - Deus é ainda maior do que todas as coisas que estão nele. Veja que na passagem védica também está escrito: "Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres". Então, pelo entendimento filosófico que estou explanando, tudo só poderia estar em Deus. (A menos é claro, que partamos de um outro ponto de vista, ou base). Por exemplo, na Bíblia diz que "Em Deus nos movemos, existimos e temos o nosso ser<\em> (Atos 17:28). A meu ver, esta citação bíblica também casa com aquela declaração de Krishna.
Aliás, indo um pouco mais a fundo do Bhagavad Gita, você sabe do que realmente se trata o diálogo travado entre so personagens "Krishna" e "Arjuna" (Novamente, não é o Gugu falando, querendo fazer oposição ao Merton - o que estou fazendo é mostrar o ponto de vista de uma outra corrente filosófica)?
Na história do Gita é a cuminação de tudo o que veio sendo narrado pelos outros três livros sagrados que compõe os Vedas. O Gita é apenas a parte final, o desfecho da hitória dos Vedas. Todo o Gita foi construído pela conversa travada entre Krishna e Arjuna, e essa conversa possui um significado simbólico muito especial. Não é um diálogo comum, porque o diálogo que está acontecendo ali não acontece de modo comum, mas acontece entre Krishna (a personificação de Deus, segundo aquelas escrituras) e Arjuna (um homem comum - como eu você e qualquer outro -, que está tentando compreender a aquilo que eles chamam de Realidade Suprema).
Resumindo...
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Resumindo, o diálogo do Gita ocorre entre a Consciência Divina Iluminada (Krishna) e a mente humana cega (Arjuna), que tenta compreender os mistérios que são exaustivamente revelados à Arjuna por Krishna. Essa Consciência Divina, retratada pelo personagem "Krishna" no Bhagavad Gita, também pode ser chamada de "Consciência Crística" (ou "Mente de Cristo"), ou "Consciência Búdica", dependendo dos ensinamentos de onde quisermos partir. Mas, por mais que Krishna fale, Arjuna não entende. E isto também comporta um significado ou simbologia muito especial: a mente, que é cega, jamais conseguirá entender os mistérios revelados pela Consciência Divina. E mesmo assim, a escritura hindu é construída sobre tal diálogo, algo que não pode jamais acontecer. Por isso, nesse aspecto, o Bhagavad Gita é uma escritura muito bela. Mas voltando... é só no último capítulo do livro, que Arjuna consegue entender. Por que ele só conseguiu entender, depois de tanto tempo, no último capítulo? Aqui poderia entrar aquela fala de Krishna que diz: "eu estou em você, mas você não está em mim". Segundo essa outra corrente, Krishna não estava dizendo que Arjuna estava excluído de Sua onipresença. A Onipresença estava nele o tempo todo. "Mas você não está em mim" significaria apenas "estou em você o tempo todo, mas você não está consciente disto. Desperte!".
Krishna está dizendo que "Arjuna não está n'Ele" não porque ele não faça parte de Krishna, mas porque, apesar de Arjuna fazer parte, ele não consegue enxergar - está inconsciente. Esse "Saiba porém que eu estou em você, mas você não está em mim" não é uma afirmação definitiva, que comporte o significado de "você jamais estará em mim". Krishna fala assim, porque ele é a representação de Deus, e Arjuna é a representação do homem que ainda não entendeu, mas que está fazendo tudo para conseguir compreender (pois tenta a todo custo deficrar isso com a mente - esse foi o motivo por que Arjuna só veio a entender Krishna no último capítulo do livro).
O Gita é Deus conversando com o homem...
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O Gita é Deus conversando com o homem. Mais uma vez, esse diálogo é um diálogo impossível de acontecer na verdade, porque a mente nunca se comunica com a Consciência, porque elas são de naturezas distintas. A mente é só um instrumento da Consciência e mais nada. E, fazendo novamente uma referência à Bíblia, nela está escrito o seguinte:
"Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus".
"falamos da sabedoria de Deus, oculta em mistério (*obs. minha: para a mente), a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória" (*obs. minha: sabedoria que existiu desde sempre, junto com Deus)
"Deus nos revelou-las pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda todas as profundezas de Deus"
"Ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus"
"Mas nós não recebemos o Espírito do mundo (*obs. minha: mente humana, apenas), mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus"
"As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as coisas espirituais"
"Ora, o homem natural (*obs minha: Arjuna) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não podem entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (*Obs. minha: este foi o motivo pelo qual Arjuna só vei a entender Krishna no final do Bhagavad Gita. O tempo todo ele estava tentando decifrar com sua própria sabedoria limitada as palavras de Krishna. Mas a mente não pode entender as coisas de Deus, porque tais coisas só são transmitidas/reconhecidas de Espírito para Espírito. Este Espírito é aquele que estava o tempo todo em Arjuna, e que Arjuna não conseguiu reconhecer enquanto tentava entender segundo os meios do "homem natural".
"Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é dircernido". (*Obs minha: Aqui também cabe a frase de Krishna: "Eu estou em você, mas você não está em mim". Pois o Espírito, apesar de ser tudo, também é maior que tudo)
"Quem conheceu a Mente do Senhor para que possamos instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo". (Obs. minha: Quando Arjuna conseguiu reconheceu isso, foi que ele conseguiu entender tudo o que Krishna vinha falando para ele durante todo o diálogo do Bhagavad Gita).
(Todas estas citações estão no livro de I Coríntios, a partir do versículo 5)
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Merton,
Tudo isso foi apenas para expor que, se partirmos de bases diferentes, chegaremos a uma compreensão ou entendimento diferente, apesar de lidarmos com as mesmas palavras/ensinamentos espirituais.
Continuando:
"Se eu afirmo que DEUS é tudo, mas não estou falando dos seres humanos nem do mundo material, - isto é, da Natureza, - a que estou me referindo, exatamente? Porque a única referência que temos é a Natureza."
Este é realmente o "X" da questão. Ora, Merton, se eu incluísse aqui os seres humanos e o mundo material (Natureza), eu estaria sendo panteísta. Já disse que, pra mim, o panteísmo é uma crença infundada. Como, novamente, eu não quero deixar a impressão de que estou fazendo oposição, ou tentando fazer alguém acreditar no que estou dizendo, vou destacar uma pergunta, para suscitar reflexão. Assim cada um poderá pensar, refletir, meditar, e chegar às próprias conclusões:
Deus é infinito, imutável e eterno. A Natureza é finita, mutável e limitada. Natureza é fenômeno, Deus não é fenômeno... Deus é Espírito.
Quando a Natureza acabar, o que sobrará? Será, então, que dá pra tentarmos entender realmente Deus, partindo do referencial do fenômeno?
(A minha resposta pessoal para isso é que não dá pra compreender realmente o que é Deus tomando a Natureza como ponto de partida. Ela apenas nos fornece pistas. A verdadeira compreensão (a liberação ou iluminação tão citada em tantas escrituras) só pode ser realizada quando conseguirmos tomar outra coisa - o Espírito - como ponto de partida. E cabe a cada um conseguir se virar pra aprender como fazer isso)
Mais uma vez eu me apoiaria na citação bíblica: as coisas de Deus só podem ser discernidas espiritualmente, de Espírito para Espírito. A linha de raciocínio das filosofias que estou citando não partem do fenômeno ou mundo material para entender Deus. É por isso que elas dizem que a "base" de onde partimos faz toda a diferença. Se eu partir do mundo para querer conhecer Deus... não poderei dizer que Deus é o mundo. Mas se eu partir do próprio Deus, aí sim eu poderia dizer que Deus é também o mundo.
Então, já que a base faz toda essa diferença, vamos concentrar um pouco a nossa atenção nela: Como podemos dizer que uma base é "certa" ou "errônea", ou dizer que "uma é mais correta que a outra"?
Realmente isso é impossível dizer. A base é de onde partem todas as coisas. Ela mesma não parte de nada - ela é a base! Se partir de algo, então este "algo" é que deverá ser a base. O único meio é tentar experimentar e a partir daí florescer (ou não) a partir das próprias experiências práticas. A base é imeditata, ela é um conhecimento reto. "Fazei com que possamos conhecer retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito" (oração cristã do Espírito Santo).
Partindo dessas duas bases distintas, poderemos chegar à compreensão de que: "existe DEUS e existe a Criação" (Merton) ou "Deus é a Criação" (outras filosofias).
Espero ter sido bem sucedido em fornecer informações para que, quem quiser, possa montar um quadro amplo/geral e, estudando com base em ambos, relacioná-los e conseguir chegar à própria conclusão pessoal.
Acho que esta é a parte final do texto (a menos que não seja, rs.)
Por ora, me despeço. E agradeço ao diálogo.
Grande Abraço, Merton.
GUGU, tenho tantas observações para fazer quanto aos seus comentários que nem sei por onde começar. Me faz pensar o quanto seria interessante nos encontrarmos pessoalmente, algum dia.
Bem, comecei a responder suas questões e o texto foi ficando grande. Como não gosto de publicar em várias partes, resolvi escrever um post. Muito obrigado por me levar nessa viagem, querido amigo, e leve outro abraço de volta.
FIAT,
Omedetô gozaimás!
É aniversário dela? Da Fiat?
Não. Sou eu respondendo atrasado aos votos de feliz ano novo que ela deixou. X)
Ah bom... Nesse caso é "Akemashite omedetou gozaimasu"
(oh eu sendo nerd de novo...). Aff... =/
Abraços!
Tá bom, geek, a sua transliteração foi melhor que a minha:
Acho "omedetou" melhor que "omedetô", e "gozaimasu" é mais correto que "gosaimás"...
Mas não precisa dizer "akemashite" antes de "omedetou gozaimasu", principalmente entre amigos (de um jeito informal)...
Se alguém diz: "Shin nem akemashite omedetou gozaimasu!" (Feliz ano novo), você pode responder simplesmente:
Omedetou gozaimas! (algo como 'igualmente')... E foi isso que eu fiz, ora...
Fui criado por japonês, rapá, tá me tirando? Oshsohshsohssh!
FIAT, aparece e manda esses japoneses do Paraguay irem catar coquinho... :P~~
Rsss...
Nobres e lendários cavaleiros,
Se eu nunca quis aprender o idioma dos meus ancestrais, foi justamente por achá-lo muito cheio de detalhes e complicações para compreender e me fazer entender.
Portanto, apesar do puro sangue nipônico que corre em minhas veias, eu sou mais paraguaia do que vcs dois juntos, tanto é que na escola me apelidadvam de "japa falsificada"...rs made in china!
Mas observando essa pequena, mas profunda discussão entre vcs, concluí que ambos sofrem daquilo que na psiquiatria é conhecido como Síndrome do Sol Nascente, vulgarmente chamado de Complexo do Bakataré...kkk (perco os amigos, mas não perco a piada! Sorry!)
Happy New Year!!!!
MIZI,
Só para esclarecer: quando eu falei "japonês do Paraguay" estava me referindo a nós dois, ha?.. Só sacaneio quem é da casa, cara... Heheshesh!.. Falar nisso, estou precisando pedir uma coisinha para você, irmãozinho. Te escrevo um e-mail, blz?
FIAT,
Quando o karatê e o bushidô eram a minha vida, e um pouco depois também, quando estudei mangá e nihongo, eu só andava com a japonezada, e tinha um garçom lá do "Bentô House" (um bar no bairro da Liberdade que eu frequento até hoje: http://www.restaurantesjaponeses.com.br/bento-house) que me chamava de "japonês do Paraguay"... =/
Confesso, FIAT, eu sofro do complexo de bakatarê (pegou pesado... ai!)... Tá vendo, MIZI, podíamos ir dormir sem essa...
PS.: Quem quiser me conhecer e bater um papo de maluco, é só passar lá no Bentô House qualquer fim de tarde desses, de preferência uma quarta ou quinta-feira, entre 18h e 21h, e me procurar no balcão de sashimi... Se tiver um careca malucão, acompanhado de uma garota magra, alta e linda, com um ar meio misterioso(ganhando pontos), ao lado de uma Skol bem gelada, talvez um Martini e uma porção de sushi skin maki, pode chegar que somos eu e minha digníssima esposa malucona, relaxando o stress do dia e conversando sobre assuntos transcendentais...
Que isso, pow... eu entendi a piada. Foi por isso que eu ri. Eu sabia disso, só que eu estava sendo um nerd chato mesmo... Rss. Hehe. De vez em quando isso acontece. Me apego aos detalhezinhos bobos. É que omedetou (ao pé da letra, só quer dizer parabéns... por isso perguntei se era niver dela... Algo que minha sensei perguntaria com letras vermelhas e garrafais, só de sacanagem, se estivesse corrigindo uma prova minha... "momento Deja vu")... Hehe.
Mas bem, sofro totalmente dessa síndrome que a Fiat disse (hehe). Sou apaixonado por tudo o que diz respeito ao Japão. Foi uma pena que não terminei minha licenciatura em Nihongo (tive que abandonar Letras-Japonês em prol do Direito, pq as duas "faculs" estavam me deixando louco e sem tempo), mas eu acho que supero isso algum dia... Hhehehe.
Obs.: pow, essa história de sashimi foi crueldade total. Agora fiquei com vontade de um salmãozinho fresco. Pena que SP fica bem longe de onde estou, senão esse convite estaria totalmente aceito. Rs. Por falar nisso, aqui em Brasília o sushi era baratíssimo e eu comia direto, mas agora, que virou moda, os restaurantes estão enfiando a faca. Muito, muito caro... Fazer o que, né? Acho que tb supero essa algum dia... Hahehuieaehaeuia.
Obs.2: pode mandar o e-mail quando quiser, Merton. Eu leio a caixa todos os dias, praticamente (exceto quando falta energia... Rsss). =P~~
Abraços aos Japas mais queridos do blog e do mundo (tanto legítimos quanto paraguaios... ou, no bom e velho nihongo, "hontou no mo, 'paraguai' no mo").
Sério, MIZI (ainda sobre o significado do 'omedetou')? Não sabia que vc também tinha estudado nihongo. Agora fiquei cafuso...
Até fiz uma busca rápida na internet e achei um material sobre esse tema, e achei no site do jornal Nipo Brasil (por pouco não trabalhei lá!). - Sei que esse material é produzido por japoneses, então botei fé. Dá uma olhada lá:
http://www.nippobrasil.com.br/2.semanal.aula/136.shtml
Segundo eles, depois de uma congratulação de "feliz ano novo", o "Omedetou gozaimasu" serviria como um "igualmente"... Foi exatamente esse o meu raciocíno... Sei lá.
Voltando ao mais importante, é mesmo uma pena estarmos em estados tão distantes. Quem sabe um dia esse nosso encontro não será possível? Seria muito bom, porque eu sinto por você um intenso amor, como de pai ou irmão mais velho, difícil de explicar. Até esse dia!
Hei,
eu tb quero participar desse encontro memorável!
Já pensou, uma japa careca estilo fake e dois aspirantes a sushimen?
Desculpem pelo bakatarê, peguei pesado tb...rs
Merton, fui pra Sampa nesse inicio de ano e como sempre, me lembrei de vc e da Hana, mas não me arrisquei a sair de casa pra dar um pulo na Liberdade, pois as chuvas estão castigando muito por lá, como tds sabem. Undia a gente se encontra tb!
Outra curiosidade é q meu irmão caçula já trabalhou no Nippo Brasil, mas detestou...e minha irmã mais velha escreveu uma reportagem pra eles sobre a escalada do Monte Fuji, qdo ela morava no Japão.
Bjs aos meus brothers pseudo nipônicos =)
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