O Livro Pessoal da Sabedoria




Introdução

Todos temos um Livro Pessoal da Sabedoria, que para algumas pessoas pode funcionar como uma espécie de manual para o Livro Sagrado, que por sua vez é como um manual para o Grande Livro da Sabedoria. - Que não é bem um livro, é mais como uma realidade transcendente, uma Energia ou Vida que permeia tudo o que existe.

_______Os livros sagrados variam conforme o lugar e a história, de acordo com as diferentes culturas, tradições e costumes de cada nação. Estão todos certos, todos esses livros sagrados, mesmo se contradizendo uns aos outros? São mesmo sagrados? Qual deles está mais próximo da Verdade? Isso eu não posso responder, porque, se o fizesse, já estaria sendo incoerente. Pretendo abordar essa questão nos primeiros capítulos.

_______Usar o termo “livro” para falar do Grande Livro da Sabedoria é um jeito de tentar formatar, tornar palatável à nossa razão humana algo totalmente incognoscível, inescrutável e indefinível; portanto, inclassificável. É preciso formatar ideias para que possamos aprendê-las.

_______Todos temos um livro pessoal, mas são bem poucos os que se dispõem a escrevê-lo. Quando lemos alguma coisa em palavras, - algo que foi entendido, racionalizado, pensado e escrito por outra pessoa, - imediata e automaticamente “escrevemos” uma versão do que estamos lendo em nossa própria memória, e também em nossa consciência. E mais conteúdo vai sendo acrescentado ao nosso Livro Pessoal de Sabedoria.

_______Um “livro pessoal” também é criado, revisado, ampliado e corrigido incessantemente, a cada nova experiência que vivemos. Isto é mais do que apenas a interpretação pessoal de cada um a respeito de tudo. É como um programa de computador dentro de nós, que vai sendo atualizado de acordo com os efeitos causados por nossas experiências e vivências cotidianas.

_______O Livro Pessoal não é uma cópia do Livro Sagrado, mas em certos casos, em certo sentido, pode ser considerado a versão adaptada do Livro Sagrado ao indivíduo que o produz. Por razões a serem ainda compreendidas, os seres humanos têm uma inclinação compulsiva para a autodestruição. Por isso mesmo, o Livro Pessoal é muitas vezes deformado e imperfeitamente adaptado, para servir a um único fim: a destruição completa do seu autor. Estas são versões corrompidas do Livro Sagrado, e por consequência o são também do Grande Livro da Sabedoria.

_______Livros que levam à destruição via de regra são versões falsas e corrompidas, pois o objetivo da Vida é a vida, e o Grande Livro da Sabedoria é como um produto da Vida. Por isso mesmo ele também pode ser chamado de Livro da Vida. Por um grande infortúnio, muitos corruptores do Livro da Vida se tornam líderes neste mundo. Eles se tornam líderes porque existem milhões de seres humanos procurando consolo, refúgido e conforto, e aceitam essas coisas aonde quer que as encontrem. Não questionam muito, pois pensam que questionar a mão que supre as necessidades - irreais, que eles criaram para si mesmos, - seria auto-sabotagem. Caminham para longe da Verdade. Chafurdam na lama. Tais líderes conduzem muitos ao erro, como cegos guiando cegos.

_______O Livro Sagrado não traz respostas particulares. É no Livro Pessoal que as encontramos. O Livro Pessoal tem todas as respostas, a respeito de todos os assuntos. É capaz de aplacar todas as nossas dúvidas, e tem todos os conselhos perfeitos no momento certo. Porém, justamente por ser pessoal, o Livro Pessoal nem sempre é infalível. E assim, precaução é uma condição imprescindível na sua confecção e leitura.


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19 comentários:

Mizi disse...

"Por isso mesmo, o Livro Pessoal é muitas vezes deformado e imperfeitamente adaptado, para servir a um único fim: a destruição completa do seu autor. Estas são versões corrompidas do Livro Sagrado, e por consequência o são também do Grande Livro da Sabedoria."


Pufff... ai, bofetada... essa doeu até em mim, pincel. Você já começa as primeiras pinceladas com (coerentes) provocações. Infelizmente, uma gota dessa tinta caiu direto no meu olho esquerdo, e ardeu um pouquinho. Percebi que meu livro está a me sabotar...

NHÁ... mas meu livro quem escreve sou eu. Assim, eu estou a me... sabotar(?)

Socorro... alguém deveria impedir que esse livro fosse escrito! Matem esse escritor suicida!

mas...

"matar um suicida não é redundância?"

Relaxa - alguém diz - parece que esse pincel sabe pintar a boa morte. Deixe que ele mate esse escritor.


o.O


Obs.: como eu queria suicidar esse escritor agora mesmo. afff....


Obs.2: não... não sou louco... quer dizer, um pouquinho, talvez.

Daniel Borges disse...

tô de olho no senhor! rsrs

H K Merton disse...

Pois é, MIZI,

E como é bom receber essas bofetadas... Hashahshshehsh!.. Eu mesmo preciso de várias dessas constantemente, para permanecer desperto. E mesmo assim vivo cochilando.

Mantenha em mente que a Arte das artes também é a arte da loucura. Só não se esqueça de que VOCÊ é quem escreve o livro. Então, se o enredo estiver confuso, enfadonho, sem nexo... Mude! Mude tudo já!

Abraço forte.

H K Merton disse...

Bom saber, DANIEL. Sou mais forte assim, com a presença de todos.

Anônimo disse...

O Livro Pessoal é o meu livro, o livro sagrado é a Bíblia, o Grande Livro da Sabedoria(ou livro da vida) é a Verdade Divina. Certo?

- Mizi - disse...

Bom, anônimo... acho que sim. Se eu não tiver entendido errado. Mas acho que na categoria "livro sagrado" se encaixariam outros livros além da Bíblia. Sei lá... Upanishads, alcorão e outros livros sagrados de outras denominações... Será?

Olha, e acho ainda que deveria haver uma grande coerência entre esses livros pessoais, esses livros sagrados e o Grande livro da Sabedoria. Ou não? Afinal, se há três tipos de livros, uma identidade apenas entre dois deles significa que necessariamente um deles está mal escrito. Ou não? No meu comentário acima, identifiquei que meu livro pessoal tem sido mal escrito durante uma boa quantidade de suas páginas passadas. Mas, espero, haver muitas páginas em branco para serem escritas... A verdade é que a gente nunca sabe quantas páginas em branco há em nossos livros. Isso é o preocupante.


Bem... acho que estou variando de mais! Hahehaheui...

Abraços!

H K Merton disse...

Anônimo, o MIZI respondeu bem à sua pergunta. Obrigado, MIZI!

H K Merton disse...

Pessoas de nacionalidades e culturas diferentes possuem livros sagrados diferentes. Entender qual livro sagrado está mais próximo da Verdade, e qual o papel desses livros em nossas vidas, é tarefa que compete a cada um de nós.

Gugu disse...

Muito interessante e inteligente, esse post, Merton.

O livro pessoal parece ser nossa capacidade intelectual (QI) e espiritual (QE) de discernimento das verdades sagradas que encontramos nas escrituras.

Como as interpretações são várias (porque também inúmeras são a quantidade de pessoas), talvez vale a pena mencionar aquela conhecida hitória que conta sobre três homens cegos apalpando cada qual uma parte do elefante.

Claro que essa história não exemplifica 100% o que o post quis dizer, porque poderia abrir margens para confeccionar "um Livro Pessoal imperfeitamente adaptado". Para que o livro possa estar bem adaptado, podemos nos orientar por um critério: quanto "ego pessoal" há no que está escrito em nosso Livro Pessoal? Quando esse ego está muito evidente, isso significa que a pessoa se diferencia/se distancia/se separa demais do outro. O ego leva o indivíduo para longe da unidade, diretamente rumo à separatividade, dualidade.

O ensinamento cristão ensina o homem a amar. Se ensina assim, é para que a pessoa possa ir, com a prática, aprendendo a sentir/compreender que todos os outros são um com ele. E, consequentemente, compreender que esse "todos que são UM" é um reflexo vísivel de uma UNIDADE invisível ainda maior.

Amar significa "juntar o que está separado", ou que "parece" estar separado. O sentimento de separatividade é muito forte, é uma ilusão. Quando um homem compreende realmente que todos são um, espontaneamente ele começa a mudar e agir segundo as leis do amor.

Acredito que este seja um bom critério para observarmos, quando estivermos escrevendo o nosso Livro Pessoal.

Grande Abraço a todos!

H K Merton disse...

"Como as interpretações são várias (porque também inúmeras são a quantidade de pessoas), talvez vale a pena mencionar aquela conhecida hitória que conta sobre três homens cegos apalpando cada qual uma parte do elefante."

Não é bem isso, mas isso tem a ver, em parte.

Dentro de cada um de nós existe uma consciência, uma inteligência ou entendimento que é capaz de compreender a Verdade. A Verdade como ela é.

Mas os nosso condicionamentos e medos são um obstáculo.

"Amar significa 'juntar o que está separado', ou que 'parece' estar separado. O sentimento de separatividade é muito forte, é uma ilusão. Quando um homem compreende realmente que todos são um, espontaneamente ele começa a mudar e agir segundo as leis do amor.

Acredito que este seja um bom critério para observarmos, quando estivermos escrevendo o nosso Livro Pessoal."

Sim, concordo com isso.

Jenifer disse...

Sou leitora do blog desde 2008. Sou sua admiradora não sou muito de comentar, sou muito intuitiva e prefiro meditar os ensinamentos que tiro das coisas dentro de mim.

Hoje gostaria de pedir uma coisa que estou precisando muito e sei que voce pode me ajudar. estou com uma dúvida muito grande, espero não abusar da boa vontade, vou pedir um conselho. Se vocwe se sentir invadido, nao precisa responder?

Estou com uma indecisão muito grande na minha vida: é que eu e o meu quse "noivo" terminamos um relacionamento de 2 anos. Na verdade eu que rompi com ele, mas depois de uns dias percebi que n consigo viver sem ele. Já lhe pedi desculpas, mas acho que estaguei tudo. O motivo de pedir ajuda é que nós somos muito diferentes na maneira de ser e pensar ..

Eu ás vezes nao aceitava os defeitos dele, eu achava que conseguiria superar tudo com o amor, mas percebi que é muito difícil.

Por outro lado o sentimento é muito mais forte do q eu imaginava... Já procurei pedi uma chance mas ele está magoado. Mesmo assim eu sei que ele tb me ama... Mas ele esta determinado a me esquecer:(

Que posso fazer para ele voltar?
Além de tdo ele agora está muito ocupado,trabalha e estuda, é muito mais difícil a gente se ver. A última vez já faz mais de um mes. Nao sei mais o que fazer da minha vida. Só queria uma nova chance para não cometer os erros que eu sei que cometi...

Voces podem me ajudar?

H K Merton disse...

Bom, JENIFER...

Fico feliz por inspirar confiança. Mas acho que o melhor conselho que posso deixar é lhe dizer que ouça a voz da sua consciência. Coloque-se sozinha, afaste-se de todos, fique em silêncio por um instante e peça orientação a DEUS, se você acredita. Se não acredita, peça do mesmo jeito.

Confie. E seja muito sincera consigo mesma. Não se engane de propósito, não se deixe levar pela fraqueza, pelos apegos. A resposta virá.

Seja bem-vinda.

Anônimo disse...

Obrigada pela resposta, so que nao ajudou muito. se eu vim aqui perguntar é pq acredito que vc pode me ajudar na sua experiencia. Ainda sou muito imatura e por isso nao tenho vergonha de pedir um conselho. se uma pessoa mais experiente do que eu puder me ajudar ficaria agracecida.

HK Merton, por favor responda este meu apelo, pois estou com muita dificuldade, tenho crises de tristeza e acho que n vou conseguir superar. obrigada.

Jenifer

Anônimo disse...

Todo lugar tem gente sem noção.

H K Merton disse...

Olha, JENIFER, pelo que estou entendendo você quer um conselho direto, não é mesmo?

Quando estamos desesperados, é normal procurarmos por alguém que nos traga todas as respostas prontinhas, pois estamos confusos demais para pensar, ponderar, fazer escolhas...

Eu entendo isso, mas é muito importante que você entenda que não é possível depositar a responsabilidade por uma escolha que é só sua nos ombros de outra pessoa.

Mesmo assim, percebo que você está sendo sincera, e por ler as coisas que escrevo, chegou à conclusão que eu poderia ser um bom conselheiro. Bem, não há nada de errado nisso, desde que você mantenha em mente que, em última análise, quem precisa decidir se o que eu vou dizer faz ou não sentido tem que ser você mesma. Consulte a sua consciência antes de tudo.

A vida do meu irmão foi literalmente salva, uma vez, por causa de um bom conselho, e eu mesmo já me livrei de belas enrascadas por aceitar conselhos de pessoas mais experientes do que eu. Não seria justo me recusar a aconselhar uma pessoa que honestamente me pede.

Vamos lá (continua...)

H K Merton disse...

Pelo que você relatou nesse breve pedido de ajuda, JENIFER, e do que pude entender baseado na minha consciência e com minha experiência de vida, o que aconteceu foi o melhor para você e para o seu ex-noivo.

Você diz que os dois são muito diferentes, a convivência era difícil, e que você achava que conseguiria superar essas incompatibilidades com amor, mas que na prática isso era bem mais complicado.

Tente raciocinar comigo: se nessa fase de namoro, em que as coisas são muito mais belas, mais fáceis e coloridas, as brigas aconteciam e as incompatibilidades eram por vezes insuportáveis, imagine ter que viver e conviver, para o resto da vida (ao menos essa é a intenção) com essa pessoa.

Eu tive a experiência de me casar com uma pessoa que era uma espécie de "negativo" meu, em tudo. Era minha antítese. Tudo que eu mais valorizava na vida era desprezado por ela. As coisas mais importantes para ela me pareciam tolices. O jeito de ser, a maneira de se relacionar, um com o outro e com o mundo, eram totalmente incompatíveis. Só nos dávamos bem (no começo) na cama.

No começo, em meio a toda a paixão e o calor de um princípio de relacionamento, entre dois jovens saudáveis, os prazeres carnais pareciam suficientes para segurar a relação. Mas na prática não é assim. Porque o tempo passa, a atração física vai esfriando, isto é, a paixão vai perdendo força com o passar dos dias, com o acordar e ir dormir com aquela pessoa todos os dias, numa rotina de vida que vai ficando cada vez mais complicada, ao lado de alguém que não é capaz de lhe compreender, de lhe dar a força e o suporte que precisa, quando precisar. E você também não é capaz de dar esse apoio, porque você não compreende as necessidades dessa pessoa ao seu lado.

(Continua...)

H K Merton disse...

Muitas vezes, - e esse parece ser o seu caso, JENIFER, - confundimos apego com amor. Nos acostumamos com aquela pessoa, nos habituamos a conviver com aquele(a) parceiro(a) e ficamos meio dependentes, por pura fraqueza psicológica. Já ouvi depoimentos de ex-presidiários que diziam sentir falta da cela, apesar de todos os pesares. Não queriam voltar para a prisão, mas em alguns momentos sentiam falta dos companheiros, dos carcereiros, e até da rotina na cadeia!

Nós, seres humanos, somos assim! Nos acostumamos com as coisas, com as situações, e muito mais ainda com as pessoas. Mesmo que esse companheiro não seja o ideal para você, formou-se um hábito, um costume de estar com ele... É quase um vício.

Então, se você quer o meu conselho direto, é este: pondere muito bem se você o ama de verdade ou se é apenas apego, costume, hábito. Tente se imaginar com ele daqui há muito tempo, daqui há alguns anos. Como vai ser essa convivência? É este homem que você quer ao seu lado para o resto da sua vida? Ele completa você em tudo? Ele é capaz de suprir as suas expectativas? Se por acaso esse romance tiver um fim, você será incapaz de começar um novo relacionamento, ou será que existe a chance de vir a conhecer alguém que tem mais a ver com você, com reais possibilidades de fazê-la feliz?

Se por qualquer motivo não for possível reatar essa relação, saiba que o que parece impossível agora vai parecer possível daqui há um mês, dois meses, um ano. Lembre-se sempre de uma realidade muito palpável e prática: essa história de que "os opostos se atraem" é uma das piores sabotagens da felicidade humana que as pessoas inventaram! Os opostos só se atraem e ficam juntos na física, porque nas relações humanas, eles podem até se atrair, mas a convivência vai ser um inferno. Unir-se a alguém que é o seu oposto em tudo é a passagem para uma vida infeliz. Procure alguém que tenha os mesmos valores que os seus, que tenha os mesmos princípios e os mesmos objetivos.

O que mais dói é parar e ficar pensando, passar nos mesmos lugares e lembrar de quando vocês foram ali juntos, assistir os programas que costumavam ver juntos, etc, etc... Então, procure novidades! É tempo de renovar!

Para começar, não fique muito tempo em casa, não fique muitas horas sozinha, só pensando nele. Saia de casa, faça novas amizades, passeie bastante. Procure investir em você! Que tal começar agora aquele curso que você sempre teve vontade de fazer? Que tal entrar numa academia, começar a praticar atividade física, cuidar do corpo e da mente?

Não dê chance para a tristeza nem para a depressão. Ocupe a mente. Pense que, daqui há algum tempo, essa dor será cada vez mais amena, cada vez mais fácil de suportar. Fale com DEUS. Procure amigos. Seja feliz. Se precisar conversar, estou aqui, e arrisco dizer que outros amigos deste espaço também terão bons conselhos para lhe dar. Não tenha medo; ninguém está sozinho. Nem uma folha seca cai da árvore se não for pela Vontade de Deus. - E o que não a destrói a faz mais forte.

Anônimo disse...

Eu já li sua resposta Merton muito obrigada por me ajudar. Eu gostava muito de sempre ler o que vc escreve, mas agora virei sua fã.

Td que vc falou serve perfeito pra mim. Tempo de renovar era isso que precisava escutar sabe! estou fazendo bem isso mesmo que vc falou, seus conselhos foram perfeito pra mim. Faltavam alguem pra me dizer bem isso.
Estude psicologia que voce ficará rico!

Muito obrigada mesmo
Jenifer

H K Merton disse...

Fico feliz, JENIFER. Que bom que ajudei! Não penso em estudar psicologia; já tenho toda a riqueza de que preciso... Seja feliz.