Comunhão com a Fonte da Vida

Aos fiéis leitores do a Arte das artes: enquanto eu não arranjo tempo e tranquilidade para dar continuidade às postagens autobiográficas que me motivaram a retomar as atualizações deste blog, resolvi brindá-los com os textos que recebo semanalmente do grupo de meditação do qual participo, no Mosteiro de São Bento de São Paulo. Aproveitem, e um final de semana simplesmente maravilhoso para todos vocês!


Da obra de John Main OSB, sacerdote e monge católico, "O Momento de Cristo" (São Paulo: Paulus, 1992). Tradução de Roldano Giuntoli

É do conhecimento de todas as grandes tradições espirituais que, em profunda imobilidade, o espírito humano começa a ter consciência de sua própria Fonte. Na tradição hindu, por exemplo, os Upanishads falam do Espírito do Uno que criou o Universo, e que habita em nossos corações. Descreve-se o mesmo Espírito como sendo Aquele que, em silêncio, é Amor por todos. Em nossa própria tradição cristã, Jesus nos fala do Espírito que habita nosso coração, e do Espírito como sendo Espírito de Amor. Esse contato interior com a Fonte da Vida para nós é vital, pois sem ele dificilmente poderíamos fazer uma ideia do potencial que nossa vida tem para nós. Potencial que diz que deveríamos crescer, que deveríamos amadurecer, que deveríamos alcançar a plenitude da vida; a plenitude do Amor e da Sabedoria.

O conhecimento desse potencial é de suprema importância para cada um de nós. Em outras palavras, aquilo que cada um de nós deve fazer, e aquilo que cada um de nós é convidado a fazer, é começar a compreender o mistério de nosso próprio ser, como sendo o próprio Mistério da vida.

Jesus, salve-nos das tempestades de nossas mentes agitadas!..

Dentro da visão que Jesus proclamou, cada um de nós é convidado a compreender a sacralidade de nosso ser e vida. É por isso que é de tão grande importância que permitamos que nosso espírito tenha espaço interior para se expandir. Na tradição da meditação, esse espaço para a expansão do espírito precisa ser encontrado no silêncio, e a meditação representa tanto um caminho de silêncio, quanto um compromisso para com o Silêncio. . . Torna-se um silêncio que só podemos descrever como sendo o Infinito Silêncio de Deus, o Silêncio Eterno. E é no silêncio que começamos a encontrar a humildade, a compaixão, a compreensão que necessitamos para a expansão do espírito.

Em toda parte, pensadores do mundo de hoje começam a enxergar que o crescimento espiritual, a consciência espiritual, é a mais elevada prioridade para o nosso tempo. Todavia, a pergunta é: como acessamos esse caminho?

Nesse ponto, a tradição da meditação é de suprema importância para nós, como sendo uma tradição de compromisso espiritual que atravessou eras e, no entanto, está disponível para você e eu. A única coisa que se faz necessária é que a acessemos iniciando a prática. Devemos dedicar algum tempo a esse trabalho: entrar em contato com a Fonte de toda a Vida, e para o trabalho de fazer com que haja espaço disponível em nossas vidas para a expansão do espírito.

O aprofundamento da fé e a própria prática da meditação: são ambos muito simples. Você simplesmente adota a sua palavra e a repete. . . . Você entra em contato com o fundamento de seu ser, pois o que você descobre é que o mantra tem suas raízes em seu coração, o centro de seu ser, e o seu ser tem suas raízes em Deus, o Centro de todos os seres.

Medite por trinta Minutos. Lembre-se: Sente-se imóvel e com a coluna ereta. Dedique sua prática ao Deus do Universo, o Criador, o Pai Celestial de todas as coisas. Feche levemente os olhos. Ponha-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha", que significa "Vem, Senhor" ou "O Senhor vem". Recite-a em quatro silabas de igual duração: "Ma - Ra - Na - Tha...". Ouça-a à medida em que a pronuncia, suave mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar a sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


( Comentar este post __ Ver os últimos comentários