A queda do homem


De acordo com uma mitologia muito antiga, houve um dia uma raça humana primordial, que teria vivido na terra antes da atual forma de ser humano que nossa civilização conhece. Formavam uma grande e adiantada civilização, que já foi identificada com os lendários atlantes, com os habitantes de Tule, da Lemúria, etc, etc... Esses seres humanos tinham uma sabedoria diferente da nossa e vidas muito longas, o que era possível por eles conviverem num mundo perfeito, de paz, saúde e felicidade, - já que haviam aprendido a manter uma relação de Amor e respeito com a natureza do Cosmo e com seu Criador.

A Bíblia se refere aos primeiros patriarcas da humanidade como seres que viviam saudáveis por séculos, e também se refere aos poderosos nefilins (ou refains, anaquins, enaquins, zanzumins...), gigantes que viveram sobre a Terra antes do Dilúvio, como sendo filhos dos “filhos de Deus” com as “filhas dos homens”. Golias, o gigante filisteu morto por Davi e sua funda, seria descendente de um deles?

E quanto aos grandes heróis arquetípicos de todas as culturas, tais como Sansão, Osíris, Gilgamesh, Hércules e outros, assim como os míticos heróis da Bhagavad Gita: poderiam eles refletir antiquíssimas memórias desses nossos predecessores?

Os próprios textos bíblicos não afirmam taxativamente que Adão foi o primeiro homem a existir sobre a face da terra. Adão era um dos homens primordiais que viveram na Terra, escolhido para representar, metaforicamente, a primeira geração humana, dando início à saga do povo de Israel. - Ora, Caim, depois de matar Abel, imigrou para um país ao nascente do Éden, onde se casou, constituiu família e edificou uma cidade. Sendo Adão e Eva literalmente os primeiros seres humanos, de onde teria vindo a mulher de Caim? E como poderia existir toda uma cidade, para onde ele poderia se mudar? - E nesse caso, o “barro da Terra”, do qual Adão foi tirado, poderia representar uma humanidade anterior?

Segundo certas mitologias esotéricas, a raça humana derivada de Adão é a quarta raça a ocupar a terra. Antes dela, outras raças nos precederam, sendo que todas foram destruídas por grandes cataclismos. O Mahabharata descreveria um desses conflitos.


O Homem Vitruviano




A Biblia diz que o homem da Terra foi feito à imagem e semelhança de Deus. A Cabala, por sua vez, diz que o homem da Terra é um retrato do "Homem do Céu", chamado Adão-Kadmon, cuja figura reproduziria, simbolicamente, as medidas do Cosmo, - o qual, por sua vez, guardaria relação geométrica e matemática com o próprio Criador que o produzira. O homem da terra, feito á imagem e semelhança do Homem do Céu, portanto, era uma reprodução do Mestre Arquiteto do Cosmo, e suas medidas podiam ser aprendidas através de relações geométricas e matemáticas, utilizando-se para isso, conhecimentos cabalísticos.

Foi isso que buscou o arquiteto italiano Cláudio Vitrúvio. Utilizando tais conhecimentos aliados aos que já possuía em Arquitetura, ele compôs o chamado "homem vitruviano", que Leonardo da Vinci imortalizou no seu famoso desenho, reproduzido acima.

Note-se que no estudo feito por Vitrúvio, todas as partes do corpo humano estão em relação eométrica como o seu todo, isto é, braços e pernas são a medida exata do tronco, pés e mãos também mantém uma exata proporção com o tronco, e todas as demais medidas igualmente guardam essa relação. A ideia do homem vitruviano também revela uma analogia bastante próxima aos famosos heróis da mitologia grega, cuja perfeição de formas era sempre destacada, e lembra, de alguma maneira, o desenho da Árvore Sefirótica da Cabala, Árvore da Vida, símbolo da conformação energética do Universo.

No desenho de Da Vinci é possível notar que a combinação das posições dos braços e pernas do homem formam quatro posturas diferentes. As posições com os braços em cruz e os pés são inscritas juntas dentro de um quadrado. Por outro lado, a posição superior dos braços e das pernas é inscrita dentro de um círculo. Isso ilustra o seguinte princípio: na mudança entre as duas posições, o centro aparente da figura parece se mover, mas o umbigo, que é o verdadeiro centro de gravidade, permanece imóvel. Desse desenho é possível deduzir as seguintes relações:

# Um palmo equivale à largura de quatro dedos;

# Um pé tem a largura de quatro palmos;

# Um antebraço ou cúbito é igual a largura de seis palmos;

# A altura de um homem é de quatro antebraços (24 palmos);

# Um passo equivale a quatro antebraços;

# A longitude dos braços estendidos de um homem é a medida da sua altura;

# A distância entre o começo do cabelo e a ponta do queixo é igual um décimo da altura de um homem.

# A distância do começo do cabelo para o topo do peito pode ser calculado como um sétimo da altura.

# A distância do topo da cabeça para os mamilos equivale a um quarto da altura e a largura máxima dos ombros é igual a um quarto da altura ; A distância do cotovelo para o fim da mão também é um quarto da altura, e distância do cotovelo para a axila equivale um oitavo da altura de um homem;

#
O comprimento da mão é um décimo da altura de um homem e distância do fundo do queixo para o nariz é um terço da longitude da face;

#
A distância do início do cabelo para as sobrancelhas é um terço da longitude da face e a altura da orelha é um terço da longitude da face.


O propósito de Vitrúvio era mostrar a relação matemática entre as proporções do corpo humano e o Universo. Isso comprovaria a tese de que o homem foi feito á imagem e semelhança do Criador (Homem do Céu), partindo do princípio de que o Cosmo nada mais era que a reprodução do corpo do seu Criador? - A ideia era comprovar essa relação de simetria, através das relações geométricas. Note-se que a área total do círculo onde ele é inscrito é idêntica á área total do quadrado. Dele se pode extrair o número mágico Phi , que os antigos matemáticos acreditavam ser o algoritmo fundamental para o cálculo de qualquer medida do Universo...




Bem, bem, mas toda essa introdução foi só para dizer que, se nós viemos de Deus; se somos mesmo imagem e semelhança do Criador Bom e Perfeito... Se habita em nós a memória Universal e transcendente de nossa própria condição humana, se viemos a esta existência já com uma "bagagem" psíquica espiritual/ancestral que existe desde o princípio dos tempos... Então, nesse caso, algo aconteceu para nos trazer a nossa condição presente. Em algum momento de nossa história, houve uma ruptura. - Se existíamos e estávamos já com DEUS, desde o começo, se éramos "UM com" Ele, e agora estamos como estamos, torna-se evidente que houve um rompimento, uma divisão, um ponto de ruptura que ocorreu em algum momento da nossa história espiritual.

Podemos afirmar tranquilamente, sem medo de errar, que praticamente todas as tradições religiosas referiram a esse momento em suas mitologias, que para nós, ocidentais, se convencionou chamar de "a Queda do Homem". O homem (isto é, a humanidade) estava com Deus, era UM com Deus e partilhava da Vida de Deus, em Deus. Hoje, estamos separados, divididos, afastados de nosso Criador. Perdemos contato com essa Realidade Transcendente e só conseguimos acessá-la, e mesmo assim em parte e imperfeitamente, em momentos e situações muito especiais, como nas epifanias. Foi algo assim que eu tentei relatar na postagem anterior, e também aqui, aqui e aqui, entre tantas outras. São esses raros e especiais momentos de conexão que chamam de "milagres".

Mas o que fazer para reatar essa relação íntima e direta com DEUS? Isso é possível? É desejável? Vale a pena tentar? O que ganhamos com isso? O que perdemos? Devemos ter medo? Esse "reatar relações" com Deus pode ser alcançado por meio de alguma religião? Ou por todas elas? Algum personagem histórico já conseguiu tal feito? Se a resposta for positiva, como alcançar tal experiência? Ou ela só estará disponível para aqueles seres humanos muito especiais ou muito santos? Como buscar essas experiências sem me tornar alienado, maluco, execrado pela sociedade, sem perder a noção da realidade, do que é concreto, e, até mesmo, sem me sentir especial ou superior aos outros?

Perguntas, perguntas... Que eu vou responder. Na próxima. Uma Santa Sexta-feira Santa, Sábado de Aleluia e Páscoa a todos os que creem, e especialmente aos que não creem nestas coisas.

E a você que me lê agora e sabe que estou falando diretamente para você e mais ninguém: não fique triste, não se deixe abater. Tudo faz parte da Experiência, e quanto antes você rever e "reformatar" a sua escala de valores, tanto antes você vai superar todas essas dúvidas e anseios. Essas dúvidas todas são nada, mas cabe somente a você fazer a escolha certa. Meu Amor de amigo verdadeiro está com você, sempre, e mesmo que você não o queira e o jogue fora, a qualquer momento poderá resgatá-lo, porque o Amor não morre nunca. Amor e Paz!


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Fonte e bibliografia
Partes desta postagem são baseadas na obra de
ANATALINO, João. O Filho do Homem, São Paulo: Recanto das Letras, 2009



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