Reencarnação - final



Eu disse na postagem "Porque deixei de crer na reencarnação" que citaria um caso que considero bastante curioso: ocorre que uma das contestações à reencarnação mais bem elaboradas que já li na internet foi escrita por alguém que acredita piamente na reencarnação espírita. Ou acreditava, não sei. Estava falando do Acid Zero, do blog Saindo da Matrix. Apesar dos posts sacanas que ele costumava publicar descendo a lenha no catolicismo (pior que quase sempre injustamente e promovendo calúnias, ao invés de criticar a Igreja nos pontos em que ela de fato merece ser criticada), eu respeito o trabalho dele. E sempre achei interessante, também, o fato de ele recusar o rótulo de "espírita". - Isto é, ele considera o Allan Kardec como um dos homens mais importantes que já nasceram no planeta Terra, o Chico Xavier como um dos maiores mensageiros da Verdade de todos os tempos, além de ser, declaradamente, um devorador de livros espíritas e ter a reencarnação e os fenômenos ditos mediúnicos como verdades inquestionáveis... O que falta para que alguém assim possa ser considerado espírita??

Enfins... Já percebi há algum tempo que, assim como existem muitos indivíduos que se declaram católicos, sem o serem de fato, muitos espíritas não assumem o título, mesmo sendo espíritas de fato. É o contrário! Não afirmo que seja o caso específico do Acid, e nem poderia fazê-lo, mas que isso acontece, e muito, não há como se negar. Estranho... Mas vamos ao conteúdo da tal postagem, uma perfeita contestação à teoria da reencarnação, ela própria baseada, segundo as palavras do autor, - n"uma coletânea de coisas que foram debatidas na lista 'Voadores', principalmente por Lázaro Freire, Patrícia Montini e Arauto Draconiano. Me apoderei sem piedade dos textos deles como se fossem meus, mudando coisas aqui e ali, e acrescentando tantas outras"... - O que não lhe tira, de modo algum, o mérito pela clareza e brilho da postagem.

Então é isso. Eu também vou me apoderar do texto dele (hehe) agora, porque é tão perfeitamente alinhado com o que eu penso, que acho que não preciso me dar ao trabalho de reescrever tudo de novo, para falar exatamente as mesmas coisas... Encerro esta nossa série sobre a teoria da reencarnação, ao menos por enquanto, com a reprodução de alguns trechos do longo artigo publicado no "Saindo da Matrix", que começa com um exercício de razão combinado com dados estatísticos, bem semelhante ao da
minha postagem anterior, como poderão perceber. Enjoy...


Reencarnação - do blog "Saindo da Matrix" (agosto / 2007)

Alguns dados que comprometem o raciocínio reencarnacionista tradicional:

1) Nascidos nesse planeta até meados de 2002 = 106.456.367.669 pessoas.
Fonte:
Population Reference Bureau

2) Pessoas vivas nesse planeta até meados de 2002 = 6.215.000.000 pessoas.
Fonte: Population Reference Bureau

3) Razão entre total de espíritos encarnados e total de espíritos desencarnados aguardando reencarnação = 1:10.
Fonte: Várias obras espíritas dão essa estimativa.

4) Total de espíritos que já nasceram alguma vez nesse planeta, mas que já passaram a habitar planetas mais adiantados e não mais encarnarão aqui (digamos uma estimativa conservadora de 10% do total de nascidos) = 10.645.636.766,9.


Conclusão:

1) 95.810.730.902.1 vidas já foram realizadas, distribuídas entre 68.365.000.000 espíritos, o que dá uma média de 1,4 vidas por espírito(!), o que significa que, se cada um dos 68.365.000.000 espíritos ainda ligados a esse planeta tivesse tido o mesmo número de encarnações que os demais, então cada espírito teria que ter reencarnado 1,4 vezes(!).

2) Prosseguindo nos cálculos, chegamos à conclusão de que, para que pelo menos 10% dos espíritos ainda ligados a este planeta (encarnados ou não) tenham tido 5 encarnações, os outros 90% teriam que ter tido SOMENTE UMA ENCARNAÇÃO.

Estranho, não?



Sim. Para quem crê na reencarnação, deve ser estranho. Muito. Para quem tem convicções diferentes, como é o meu caso, nem um pouco. Bem, neste princípio foi feita uma análise racional e estatística, como já disse, bem parecida com a que vimos na última postagem do "a Arte das artes", só que mais completa e mais aprofundada. A seguir vem a reprodução de um diálogo do filme Waking Life, e a partir daí, a postagem caminha para uma conclusão que, como disse no começo, traz linhas de raciocínio bem semelhantes às minhas próprias. Veja o diálogo:


- É... andei pensando sobre algo que você disse.

- O que é?

- Sobre reencarnação, e de onde todas as novas almas vêm ao longo do tempo. Todo mundo sempre diz ser a reencarnação de Cleópatra, ou de Alexandre, o Grande... Não passam de bestas quadradas, como todo mundo. Quero dizer, é impossível. Pense sobre isso: a população mundial duplicou nos últimos 40 anos, certo? Então, se você acredita nessa história egóica de ter uma alma eterna, há 50% de chance da sua alma ter mais de 40 anos. Para que ela tenha mais de 150 anos, é... uma chance em seis.

- O que você está dizendo? Reencarnação não existe ou somos todos almas jovens? Metade de nós é de humanos de primeira viagem?

- (...) Eu acredito que, de alguma forma, a reencarnação é uma expressão poética... do que realmente é a memória coletiva... Eu li um artigo de um bioquímico, não faz muito tempo. Ele dizia que, quando um membro de uma espécie nasce, ele tem um bilhão de anos de memória para usar. É assim que herdamos nossos instintos.

- Gosto disso. É como se houvesse uma ordem telepática da qual nós fazemos parte, conscientes ou não. Isso explicaria os saltos aparentemente espontâneos, universais e inovadores na ciência e na arte. Como os mesmos resultados surgindo em toda a parte, independentemente. Um cara num computador descobre algo e, simultaneamente, várias outras pessoas descobrem a mesma coisa. - Houve um estudo em que isolaram um grupo por um tempo e monitoraram suas habilidades em fazer palavras cruzadas em relação à população em geral. Então, deram-lhes um jogo da véspera, que as pessoas já tinham respondido. A sua pontuação subiu dramaticamente. Tipo 20%. É como se, uma vez que as respostas estejam no ar, pudessem ser pescadas. É como se estivéssemos partilhando nossas experiências telepaticamente...



População da Terra - ano 1000: 310 milhões / ano 2050: 9 bilhões.

Não precisa de muita conta para ver que, matematicamente, quase todos estão na primeira "encarnação" aqui. Ou que o que chamamos de reencarnação pode ser algo bem mais coletivo, assim como a evolução, se "Somos Todos Um Só". Será por isso que tantas pessoas diferentes dizem acreditar (mesmo!) ter sido Cleópatra - ou Allan Kardec? Será que não está na hora de abrirmos a mente para um modelo um pouco mais akáshico e coletivo para reencarnação?

Se por um lado existem certas evidências em favor da autenticidade de pessoas que se lembram de vidas passadas, parece bastante razoável supor que acessamos, não "vidas", mas "vivências passadas", até como parte de nossa experiência pessoal. Podemos inclusive ter lembranças e sincronicidades. Mas será que vem mesmo de uma vida vivida por nosso espírito num outro corpo? Será que o que acessamos em TVP, Akash e sonhos, vem mesmo da continuidade de nosso ego pessoal?

Num artigo publicado em agosto de 2007 pela revista Science, o Dr. H. Henrik Ehrsson, do Departamento de Neurociências Clínicas do Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), conseguiu induzir pessoas sadias a uma experiência extra-corporal. Segundo Ehrsson, o fenômeno é "uma ilusão perceptiva na qual os indivíduos experimentam que seu centro de consciência, ou seu 'eu', está situado fora de seus corpos físicos, e que olham para seus corpos do ponto de vista de outra pessoa. Esta ilusão demonstra que o sentido de 'ser', localizado dentro do corpo físico, pode estar determinado plenamente por processos perceptivos, isto é pela perspectiva visual junto com o estímulo multi-sensorial do corpo".

Caso não tenham entendido, é um cientista neuronal dizendo que seu EU não necessariamente existe dentro do seu corpo!!! E baseado em métodos científicos, publicados na prestigiada revista Science!

Lázaro conta que certa vez teve certezas íntimas de ter sido um personagem conhecido. Para não viajar muito, aceitou talvez ter sido um conhecido do cara, um colaborador. Mas o fato é que pegava um livro e lhe vinha tudo, fora sincronicidades variadas. Tudo o que faria um espírita pensar ter sido "o" cara, e tentar recuperar sua "missão". Por precaução, preferiu confirmar para si mesmo do que sair revivendo sua "encarnação" anterior. E obteve algumas confirmações. Até que começou a acessar a vida de outro autor B, com a mesma sinceridade e intensidade. Mais confirmações vieram, do mesmo modo. Mais tarde, ao pegar em um livro de um autor C, um pacote de conhecimentos lhe veio à mente. Ele já sabia o que estava escrito, escrevia parecido com ele, se identificou muito com o autor. O mesmo valeu para D, que referências de espiritualidades confiáveis lhe disseram mais tarde ter sido ele em uma outra vida. De fato, ele se identificava com todos eles. E os vários karmas de A, B, C e D explicavam bem sua vida, tanto nos defeitos quanto nas qualidades. O problema é que essas pessoas tinham vivido praticamente no mesmo tempo!! Ainda tentaram lhe dizer que talvez eles tivessem se encontrado, ou que talvez ele tivesse sido um intelectual que estudou muito os quatro, mas no íntimo ele sabe que os "acessou" de alguma forma.

O fato é que o nosso "hardware", mesmo sendo de última geração, parece poder acessar os "softwares" mais antigos via emulação.

Um modelo mais "dilatado" dos Arquivos/Registros Akáshicos pode responder por estes fenômenos. Pra quem não sabe, esses arquivos são como registros de eventos que acontecem em determinado lugar. Um sensitivo, por exemplo, poderia, ao caminhar nas praias da Normandia (França), "acessar" algumas cenas do desembarque do Dia-D (mais ou menos como aquela propaganda do History Channel, o "descubra onde você está") que ficaram impressas no "éter" ou "Akash" (a matéria-prima do Universo, na metafísica). Seria pelos mesmos motivos que certos lugares ficam "mal assombrados".

Uma pessoa faz terapia de vidas passadas para saber porque não gosta da nora, e então descobre que ela roubou seu marido em outra vida. Tudo faz sentido, tudo se encaixa magicamente como num romance da Zíbia Gaspareto, e a pessoa sai dali dizendo que "se resolveu". (...) Não basta, a meu ver, saber que o peso daqui é igual ao de lá, e que tudo está certo na mesma proporção. Ao contrário, creio que as coisas se encaixam tão magicamente assim (em sonhos, regressões ou romances da Zíbia) exatamente porque foram "feitas sob medida", ou seja, são a perfeita compensação da mente.



Aí está. Achei genial. Genial e simples, como as coisas geniais costumam ser. Me chama atenção especialmente este trecho de Walking Life: "(...)Quando um membro de uma espécie nasce, ele tem um bilhão de anos de memória para usar. É assim que herdamos nossos instintos". - É muito possível, biológica e racionalmente falando, que seja também assim que herdemos (alguns de nós), certas memórias ancestrais que os mais afoitos se apressam em afirmar que seriam provas da reencarnação. O texto do Saindo da Matrix alude a alguns casos de pessoas que relataram "memórias de vidas passadas" múltiplas, de diversos personagens que viveram na mesma época... Mais uma evidência da impossibilidade da reencarnação, ao menos segundo o conceito espírita. Penso também que seria interessante publicar alguma coisa sobre o Registro Akáshico, por aqui, e aprofundar sobre a matéria Inconsciente Coletivo: são alternativas bastante interessantes que explicam satisfatoriamente os fenômenos mediúnicos e de reminiscências de outras vidas. Tais lembranças são possíveis, mas não quer dizer que tenhamos sido nós, na pele dessas pessoas que viveram em outras épocas.

Esperando não ser processado por ter reproduzido um trecho de uma obra alheia ligeiramente maior do que o permitido por lei, me despeço deste polêmico assunto (achei que ia render mais debates, mas sei que alguns amigos meus ou estão tristes comigo, ou se colocaram numa postura 'religião não se discute'). Bom. O barulho que pretendo fazer, assim como o movimento que procuro provocar, é interno, muito mais do que externo.



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