A reencarnação é possível?

Seria possível que a reencarnação constituisse um sistema obrigatório para a evolução dos espíritos, como afirma o espiritismo de Kardec? Continue a leitura e tire suas próprias conclusões.




Sabemos que muita gente faz "terapia de vidas passadas" e afirma ter acessado lembranças de outras encarnações. Um estudo que pode se revelar bem interessante, e o próprio trabalho do Dr. Ian Stevenson, que abordei aqui, se baseou principalmente em casos de lembranças como essas. Mas é curioso observar também que essas pessoas nunca dizem que estão em sua primeira encarnação. Todos os que se submetem a essas "terapias", com êxito, retornam dizendo que já estiveram por aqui antes (de preferência na pele de alguém importante), numa outra vida, em outra época. Não são poucos os que se impressionam com essas histórias, e eu mesmo conheci alguns casos intrigantes, em que foram citados lugares e nomes de outros tempos, por pessoas que dificilmente poderiam ter tido acesso a essas informações. Entretanto, se quisermos adotar uma postura investigativa e realmente científica a respeito do assunto, temos que nos obrigar a analisar a questão por todos os ângulos. Será a reencarnação a única hipótese viável para explicar esses fenômenos? Ainda antes: será viável a hipótese da reencarnação?

A ciência estatística e a matemática, junto com o discernimento humano mais elementar, provam que a resposta é não. - E antes que se diga que espiritualidade não combina com ciência, lembro que é o próprio espiritismo kardecista que se auto-proclama não como religião, mas como uma ciência. - Sendo assim, observemos: é fato que a população mundial aumentou exponencialmente nos últimos 1.000 anos, sendo que nos últimos 500 anos esse crescimento chegou a se tornar assustador, como demonstram os dados oficiais abaixo[1]:

• Em 10.000 aC o planeta abrigava poucos milhões de habitantes.

• No ano 1 dC a população mundial totalizava cerca de 250 milhões de habitantes.

• Após 1.600 anos, a soma da população mundial não ultrapassava 500 milhões de habitantes.

• Em 1850, a população do planeta atingiu 1 bilhão de pessoas.

• De 1850 a 1950 o contingente populacional teve um estrondoso crescimento, alcançando 2,5 bilhões de habitantes.

• 40 anos depois, a população já havia crescido mais do que o dobro, totalizando 5,2 bilhões de habitantes.

• A partir do ano 2.000 a população total do mundo somava 6 bilhões de pessoas.

• No dia 05 de agosto de 2008, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou um relatório que apresenta uma estimativa em relação ao número de habitantes em escala planetária para o ano de 2050, que poderá atingir 9,2 bilhões de pessoas!!!


Para o bom entendedor meia palavra basta, e esta nossa análise poderia ser encerrada aqui mesmo, sem a necessidade de mais nenhuma palavra. Ocorre que, em 2.000 anos, a população mundial não só cresceu, mas dobrou, triplicou e quadruplicou - não uma, mas várias vezes! - Para avaliar esse fato concreto a partir da ótica da teoria da reencarnação, somos obrigados a concluir que a imensa maioria de nós teria que estar aqui pela primeira, ou no máximo, pela segunda vez. E é exatamente a partir deste ponto que todo o conceito de reencarnação começa a desabar por terra, de vez; simplesmente porque se revela nada menos que impossível! Vejamos...

A partir da simples constatação acima, o sistema reencarnatório se torna uma impossibilidade completa, por duas razões mais do que óbvias: primeiro, porque fica evidente que a humanidade não poderia se encontrar no meio de um processo evolutivo, através de uma sucessão gigantesca de reencarnações, sendo que a própria quantidade de indivíduos no mundo o desmente. Agora, se imaginarmos que uma quantidade simplesmente fenomenal de espíritos estaria sendo despejada em nosso plano de existência nos últimos séculos, seria preciso admitir que estaríamos, a grande maioria de nós, em nossa primeira encarnação. O que nos leva à segunda e óbvia conclusão: ora, segundo as afirmações de Kardec e os princípios básicos do espiritismo, os espíritos precisariam de muitas encarnações para evoluir e se tornarem seres humanos melhores. Sendo assim, com essa imensa quantidade de espíritos de primeira viagem chegando sem parar ao nosso mundo, seria de se esperar que o nosso plano estivesse involuindo, e tragicamente! - Observamos, no entanto, o exato oposto: que apesar de todos os pesares, mesmo o maior pessimista é obrigado a reconhecer que o nosso planeta vem evoluindo, cada vez mais e mais rápido, especialmente nos últimos séculos.

Evoluimos em nossas estruturas sociais, em nossos sistemas legais, em nossa justiça, de um modo geral, na medicina, na tecnologia... O avanço das telecomunicações tornou o mundo mais justo, pois agora é muito mais difícil esconder massacres e perseguições, como acontecia em outros tempos. Uma nóticia levava meses pra atravessar continentes, e hoje leva segundos. Com a globalização, a troca de informações facilita a integração entre culturas e línguas diferentes, o que levou o mundo a uma era de tolerância nunca vista. A escravidão, que já foi legal e "normal" no mundo considerado civilizado, foi finalmente vencida: embora persista em situações e lugares isolados, a sua prática hoje é ilegal em praticamente todo o planeta. Vivemos tempos inéditos com relação à superação do preconceito racial e religioso no mundo: vimos os EUA elegerem democraticamente um presidente negro, algo impensável em décadas passadas. Falar em política, a democracia cresce em todo o mundo, e se aperfeiçoa nos países em que existe há mais tempo. E este blog não poderia deixar de citar o avanço consciencial que as grandes religiões vivenciaram nos últimos anos. Avançamos dos tempos de guerra (literal) entre islâmicos e cristãos para uma época de diálogo e aproximação, ainda lenta, porém gradual. Entre muitos outros exemplos que poderia citar, posso testemunhar que acompanho, pessoalmente, uma integração nunca antes vista entre católicos e budistas, com diversos encontros de estudo, retiros espirituais conjuntos, oficinas de meditação e palestras mistas, monges que interagem, etc... Algo que seria impensável nos tempos dos meus avós.

A conclusão irrecusável é que o mundo está, sim, evoluindo, embora lentamente, e apesar de certos retrocessos que nos parecem inadmissíveis. Mas também é importante entender que até o fato de as coisas erradas nos parecerem tão teríveis, hoje, também é uma demonstração de evolução consciencial. Em outros tempos, situações muito mais graves eram vistas com indiferença por nossos antepassados. Voltando à questão central: se a maioria de nós está na primeira encarnação, como se explica a evolução da humanidade?


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1. Fonte: Divisão de População do Departamento de Assuntos Sociais e Econômicas da ONU (DESA)



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