Pelo bem da objetividade, participe!

Querido leitor do a Arte das artes, eu não sei até que ponto a língua portuguesa é importante para você, mas para mim (e para minha esposa) esse assunto é muito importante, e, direta ou indiretamente, isso também tem a ver com as minhas postagens por aqui. Por isso mesmo, faço questão de divulgar este apelo que recebi por e-mail, do movimento Acordar Melhor (acordar de acordo, - ortográfico no caso), que luta pela simplificação da nova reforma ortográfica da língua portuguesa. Acontece que este acordo, na prática, trouxe mais desacordo do que qualquer outra coisa: as mudanças não foram (nada) práticas, as regras são cheias de exceções, complicando demais (ao invés de facilitar) a vida dos que tem a escrita por ofício. A reforma ortográfica foi assim descrita pelo Manual de Redação da PUC: "As regras de emprego do hífen, por exemplo, são numerosíssimas e das mais complicadas da Língua Portuguesa. Pior: com várias exceções, incoerências e omissões...". Essa questão do hífen (pra não falar da acentuação) se revelou mesmo tragicômica. As regras são do tipo "tal palavra não leva hífen, a não ser em noites de lua cheia ou se no momento da redação os passarinhos estiverem cantando...".




Se você é a favor da objetividade, ou - sem querer apelar para o lado emocional - se você gosta do que este pobre aprendiz de escritor publica por aqui, por favor, assine o manifesto pela simplificação da ortografia (nem meio minuto) clicando aqui. Segue o conteúdo do texto de divulgação, na íntegra. Por favor, divulgue!


"O movimento AcordarMelhor.com.br, que luta pela simplificação da ortografia, conseguiu que a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, realize no dia 4 de novembro de 2009, às 10 horas, naquela casa, audiência pública sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa recentemente posto em vigor no Brasil.

Estarão participando o Professor Evanildo Bechara – Academia Brasileira de Letras, a Professora Márcia Ângela da Silva Aguiar – Presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, a Professora Clélia Brandão Alvarenga Craveiro – Presidenta do Conselho Nacional de Educação, o Jornalista Maurício Azedo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, o Professor Leodegário Amarante de Azevedo Filho – Presidente de Honra da Academia Brasileira de Filologia, o Senador Cristovam Buarque, outras autoridades e o Professor Ernani Pimentel, representante do Movimento Acordar Melhor.

Será um importante momento para avaliação das vantagens e desvantagens do Acordo e para conscientização sobre a excelente oportunidade de se avançar na busca de uma ortografia mais racional, simples e adequada à realidade do século XXI.

Chegou a hora de mostrar nossa força. Peça aos seus amigos que, urgentemente, entrem no site “acordar melhor”, cliquem “eu assino o manifesto” e preencham e enviem os dados. Temos mais de 8 mil assinaturas e podemos dobrar esse número. Vamos concentrar esforços até o dia da audiência, 4 de novembro."



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Já lhe perguntaram se você acredita em Deus?




E você já parou pra pensar que, nesse momento, antes de responder, a primeira, lógica e óbvia reação seria perguntar a qual Deus a pergunta se refere? Ao Deus maior, incognoscível, essa Força Misteriosa que muitos crêem que criou o Universo, ou à imagem de Deus que existe no mais profundo de nossa psique, que poderíamos chamar de ‘Deus psicológico’?

A pergunta se refere ao Deus Supremo, o Deus Maior, a Força grandiosa que gerou o Big Bang, que criou o Universo com todos as galáxias, que controlou as infinitas variáveis para que pudesse existir um (ou mais) planeta(s) miraculosamente perfeito(s) para gerar e abrigar vida, indo contra todas as probabilidades estatísticas e científicas, que conduziu um maravilhoso processo evolutivo que partiu de organismos unicelulares até chegar ao maior milagre conhecido em todo o Universo, chamado homo sapiens? - Ou a pergunta se refere ao ser que criou o mundo em seis dias e colocou nossos primeiros ancestrais, como bonecos de barro, num jardim paradisíaco chamado Éden? Em qualquer dos casos, uma coisa não muda: Deus é incognoscível, isto é, não pode ser conhecido pela razão. A Bíblia poderia ser descrita, num certo sentido, como um (incrível) produto da psique humana.

É claro que as poderosas imagens da Bíblia não poderiam ser inventadas pela mente de modo consciente. Inspiradas por Deus ou não (isso é questão de fé), elas brotaram da parte mais profunda da psique humana, do chamado inconsciente. Para serem transformadas em histórias contadas ou escritas, tiveram que ser conscientizadas pelos autores bíblicos: as imagens vieram do inconsciente e chegaram à psique consciente dos autores. Consequentemente, as imagens da Bíblia podem ser entendidas como representações do Deus psicológico, isto é, da imagem de Deus que guardamos dentro de nossa psique.

A psicologia, sendo uma ciência racional, não pode fazer qualquer afirmação sobre o Deus Maior. Ele está muito acima da capacidade racional da mente humana. Por outro lado, pode observar e descrever os resultados da ação de Deus na mente humana, quando Ele se manifesta como imagem visível e passível de ser entendida pela mente humana, o que chamamos de Deus psicológico. – Na linguagem junguiana, poderíamos chamar de Self ou Si-mesmo.

Nada impede que se façam da Bíblia, que é uma coleção multifacetada de livros, leituras diferentes, e isso acaba ocorrendo sempre, até dentro de uma mesma tradição religiosa. Sendo o objetivo desta série de postagens desvendar as verdades psicológicas que ela encerra, vamos interpretar o Deus da Bíblia como sendo a imagem de Deus que trazemos em nossa psique, o chamado Deus psicológico.




Todos os seres humanos trazem dentro de sua psique uma imagem pessoal de Deus. É essa imagem, desse Deus psicológico, que vamos discutir nestas postagens. – Reafirmando o conceito essencial: o Deus transcendente e incognoscível, exatamente por ser transcendente e incognoscível, não pode ser acessado pelo lado racional da mente humana. Pode ser reverenciado, pode ser o foco de nossas orações, pode ser entendido, sentido e intuído pelo nosso lado emocional, e pode ser amado profundamente, de fato. Mas não pode ser entendido racionalmente por nós, seres humanos. Esta série de postagens não pretende uma abordagem teológica da Bíblia, mas uma visão psicológica. O objetivo é buscar as fundamentais verdades psicológicas contidas na Bíblia; portanto, sempre que se falar em Deus, Javé, Eloim, El Shaddai, Senhor, etc, estarei me referindo ao Deus psicológico, isto é, a imagem de Deus dentro de nossa psique, ao Self, conforme referido por Jung. Mas interessa observar que isso não conflita com o fato de a maioria dos teólogos verem na Bíblia o Deus maior, o Deus Supremo e incognoscível.

O nosso objetivo é aproveitar as histórias da Bíblia como fontes de lições de vida de inestimável valor. – Lições que não podem ser contestadas por crentes e nem por agnósticos ou ateus.

Por que a Bíblia, cheia de histórias antigas que não têm qualquer relação com a vida moderna, continua sendo o livro mais popular do mundo? Para essa pergunta existe uma resposta bastante viável: a Bíblia fala diretamente à nossa psique, e à sua parte mais profunda, fazendo vibrar muitas 'cordas' enterradas em nosso inconsciente. Psique é o termo grego para alma. Alguns psicólogos relutam em falar de alma, por acharem que o termo carrega conotações religiosas. Para Jung, e para os objetivos destas postagens, os dois termos – alma e psique – tem significados equivalentes.

A Bíblia, para quem sabe ler, traz preciosas lições de vida. Porém, temos que entendê-la corretamente, e para isso cumpre nos aprofundarmos na natureza dos mitos e em sua função psicológica. - É fundamental entender que o termo “mito”, na linguagem popular, adquiriu a conotação de inverdade, de mentira. o Dicionário Aurélio, entre diversos outros significados, define mito como “ideia falsa, sem correspondente na realidade”. É possível acreditar, séculos depois de Darwin, que o homem foi criado do barro? Que a arca de Noé singrou os mares, com um casal de cada um dos milhões de espécimes de animais da Terra a bordo? A palavra mito pode, equivocadamente, ser interpretada de maneira negativa. Até mesmo falar de mitos na Bíblia pode causar reações calorosas entre os religiosos mais radicais. Mas reconhecer e assumir a existência evidente dos muitos mitos contidos na Bíblia não significa desvalorizá-la, muito pelo contrário. As valiosas lições psicológicas ali contidas, registradas milhares de anos antes do surgimento das ciências da mente, só podem nos levar à reflexão mais profunda a respeito das alegações de sua origem divina.

Muitos pesquisadores entendem os mitos como uma pré-ciência, uma forma de o homem primitivo explicar os fenômenos da natureza. Como tal, depois do desenvolvimento da ciência, passariam a ser apenas histórias bonitas, fábulas para crianças. Outros vêem a mitologia como narrativas de fatos reais apenas transfiguradas pelas fantasias da época e a imaginação de quem as transmitiu. Após as descobertas da psicologia analítica de Jung, porém, esses pontos de vista precisaram ser revistos.

É claro que, para muitos, é difícil acreditar que a serpente falou com Eva, que o Criador de todo o Universo andava despreocupadamente por um jardim que havia criado para os primeiros seres humanos. Mas esses fatos, se não são verdadeiros no mundo físico, podem representar verdades psicológicas interessantíssimas, como veremos. Da mesma forma como os sonhos mostram ao indivíduo verdades psicológicas sobre si mesmo, os mitos sempre apontaram verdades psicológicas aplicáveis a toda a comunidade que os produziu, e, em alguns casos, sobre toda a humanidade.


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Fonte bibliográfica:
NETTO, Roberto Lima. Os Segredos da Bíblia, Rio de Janeiro: Ed. Best Seller, 2008.




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O poder do Mito




A verdade do mito é, em muitos aspectos, maior que a verdade do fato. O mito fala uma linguagem simbólica, metafórica e analógica; Assim, se aceito, é fundamental para o desenvolvimento espiritual (o que quer que isso signifique para quem lê) do homem, para dar sentido às nossas vidas. As imagens mitológicas da Bíblia simbolizam poderes espirituais que todos os seres humanos carregam dentro da psique, mesmo aqueles que se dizem ateus. Por isso mesmo os mitos não se referem a fatos, mas jogam sua luz para além deles. São verdades maiores, que vão além, que transcendem aos fatos. Sobre eles, Salústio, o historiador romano, proferiu uma frase admirável:

“Mitos são coisas que nunca aconteceram, mas que sempre existiram.”



Uma verdade maior

A Bíblia, essa obra fantástica que sobrevive aos passar dos milênios, fala aos seus leitores de diferentes maneiras. Antropólogos a lêem buscando conhecer como viviam os povos do Oriente Médio nas épocas em que ela foi escrita; teólogos a lêem em busca de verdades religiosas, e se baseiam nela para definir dogmas; o homem comum busca nela uma via para entender o seu mundo e os mistérios da vida e da morte.

No mundo moderno, duas correntes principais se digladiam na interpretação da Bíblia. Um grupo vê nela verdades factuais incontestáveis: acredita que o Universo foi realmente criado em seis dias; que Adão e Eva são factualmente nossos primeiros ancestrais, que habitavam num jardim chamado Éden e foram seduzidos pela serpente, que era o mais astuto dos animais (Gênesis 1). Acreditam que, em tempos antigos, os filhos de Deus, de lá do alto do céu, observaram as filhas dos homens e as acharam formosas, desceram à Terra e casaram-se com elas, gerando uma raça de gigantes (Gênesis 6). Acreditam que os homens tentaram construir uma torre tão alta que quase chegou a tocar o céu (que os autores da época achavam que era uma abóbada que recobria toda a Terra e a separava do Céu, morada dos deuses), mas antes que isso acontecesse, Deus fez com que suas línguas se confundissem, e assim a construção não pode ir em frente, e que essa foi a origem da multiplicidade de idiomas no mundo (Gênesis 11). Acreditam que um homem foi engolido por um peixe gigante e sobreviveu no seu ventre durante três dias, mas tendo suplicado a Deus de dentro do peixe, foi regurgitado pelo peixe, são e salvo (Jonas cap. 1 e 2)... - Pode parecer mentira, mas muitas denominações cristãs protestantes acreditam em todas essas histórias não num sentido metafórico, mas literal. - Acreditam ao pé da letra nessas e em várias outras afirmações absurdas da Bíblia, chegando a defender que o Universo tem apenas 6.000 anos de existência (!!), mesmo que a ciência e o mais simples e elementar uso do bom senso as considerem absurdas.

Do outro lado estão aqueles que vêem na Bíblia nada mais uma coleção de lendas e fantasias, refletindo crenças de povos primitivos que tinham necessidade de explicar o mundo em que viviam e não dispunham dos conhecimentos da ciência dos tempos atuais. Essas duas maneiras de interpretar a Bíblia, ambas radicais, foram as que prevaleceram nos últimos séculos, e são opostas e irreconciliáveis.

Porém, a obra admirável que é a Bíblia não precisa se limitar a essas duas interpretações radicais e reducionistas. A Igreja Católica, já há algum tempo, vem priorizando e buscando uma compreensão mais aprofundada e mística do conjunto de textos bíblicos que denomina como “Palavra de Deus”. A compreensão de que o livro sagrado ensina muito mais através das entrelinhas e de revelações pessoais que se manifestam a quem a lê com olhos meditativos e desapegados da literalidade e das explicações prontas, - como ocorre nos círculos católicos de Lectio Divina (Leitura Orante ou Centrante da Bíblia), Oração Centrante Meditação Cristã, - trouxe muito progresso espiritual a esta egrégora, além de uma aproximação nunca antes vista entre a tradição cristã e as religiões orientais. Importa mais o sentido profundamente espiritual e místico, - por vezes até didático - dos textos bíblicos que a sua literalidade. O que não implica dizer que tudo que a Bíblia conta é mito, muito pelo contrário. São incontáveis as descobertas arqueológicas que comprovam muitíssimas passagens descritas no livro sagrado, e hoje é uma certeza acadêmica que a maior parte das histórias bíblicas representam fatos reais, acontecimentos históricos. O que não pode (e não deve) ser esquecido, é que toda as narrativas (em especial aquelas do AT) estão repletas de conceitos mitológicos, analogias e significados místicos muito mais profundos do que o que pode ser encontrado na superfície literal, e é exatamente essa parte recheada de tesouros inestimáveis, que deveria ser priorizada.

Fato incontestável é que o livro sagrado também nos dá fantásticas lições de psicologia e humanidades, ajudando-nos a entender a mente humana. Esta nova maneira de ler a Bíblia, que é o tema desta nova série de postagens, não conflita com nenhuma das anteriores. Não nega que boa parte dos textos contenha realidades literais, Mas se atém às preciosidades morais que eles encerram. É um caminho relativamente novo, aberto com as descobertas de Carl G. Jung - sábio, médico e psicólogo suíço do século XX (1875-1961). Um caminho ainda pouco trilhado, que proporciona ensinamentos valiosos e proporciona um novo entendimento do livro sagrado, que atende aos que querem ver a Bíblia com os olhos da razão, e ao mesmo tempo não conflita com os que a vêem com os olhos da fé.


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Fonte bibliográfica:
NETTO, Roberto Lima. Os Segredos da Bíblia, Rio de Janeiro: Ed. Best Seller, 2008.




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Os segredos da Bíblia




A abordagem simbólica da Bíblia evita o entendimento (equivocado) das grandes e maravilhosas verdades que ela traz de forma puramente literal, como fazem certas religiões institucionalizadas. Terá Deus realmente criado o Universo em 7 dias? Qual o sentido do relato sobre a história do paraíso terrestre e de Adão, criado do húmus da terra, e Eva, a partir da sua costela? Estes e diversos outros pontos são magistralmente discutidos por Roberto Lima Netto (vale o clique) em sua obra ‘Os Segredos da Bíblia’, que eu recomendo fortemente a todos os leitores deste blog.

Interpretar o livro sagrado mediante os conhecimentos científicos atuais e principalmente segundo uma profunda análise psicológica (junguiana) é a proposta do autor, que é doutor pela Universidade de Stanford e escreveu também ‘O Pequeno Príncipe para Gente Grande’, publicado pela editora Best Seller. A partir de hoje, você vai acompanhar uma resenha de ‘Os Segredos da Bíblia’ aqui no a Arte das artes. Aproveite!




Carl Gustav Jung, em seu livro autobiográfico ‘Memórias, Sonhos e Reflexões’, escreve sobre a importância do mitologizar, isto é, não tomar os conteúdos significativos literalmente, mas sim como símbolos, metáforas, sobre cujo significado deveríamos meditar profundamente, de forma a irmos penetrando em seu sentido central e mais importante. Para apreendermos estes significados, devemos realizar o que Jung denominou um circumanbulatio, uma respeitosa caminhada em torno do símbolo, para irmos nos familiarizando, aos poucos, com a multiplicidade inesgotável de seus significados. A palavra ‘Mito’, aqui, adquire um sentido oposto ao corriqueiro, de algo falso ou equivocado. Pelo contrário, mito está sendo entendido como plenamente verdadeiro, algo que não pode ser expresso pela linguagem comum.

Quando Roberto Lima Netto conversa sobre os mitos da Bíblia, ele está precisamente executando essa função de mitologizar, isto é, tomar o principal acervo de ensinamentos sobre a alma humana do mundo ocidental, um legado de sabedoria extraordinário, a experiência de nossos ancestrais, adquirida em sua adaptação às diversas situações típicas da vida e o forte papel da religião para a sobrevivência. A Bíblia é frequentemente entendida, sobretudo por parte das religiões cristãs protestantes ou reformadas, sem o critério de sua forma mitológica e simbólica, exatamente seu conteúdo mais precioso para a espiritualidade humana. O instrumento conhecido mais perfeito de que dispomos para promover a aproximação desses símbolos é a psicologia analítica de C. J. Jung.

Há diversas vantagens na abordagem simbólica dos textos da Bíblia.; em primeiro lugar, evita-se a aproximação dessas grandes e maravilhosas verdades de uma forma puramente literal. Analisaremos as duas versões bíblicas sobre a origem da humanidade: A versão P, segundo a qual a mulher foi tirada da costela do homem, e a versão J, que diz que Deus “macho e fêmea os criou”. – Ou seja, criou a ambos, Adão e Eva, da lama da terra. Entre muitos outros tópicos, estudaremos como a existência de duas versões para a criação dos seres humanos aponta para a realidade simbólica mais profunda desses relatos. É curioso que a suposta inferioridade da mulher perante o homem não está presente na versão J, pois revela a mulher como criação direta a partir de YHWH, sem a necessidade da intermediação de Adão. Essa diferença, que aos nossos ouvidos pode soar irrelevante, tinha uma grande importância no mundo antigo. Todas as culturas antigas da região do AT ensinavam que os deuses iam perdendo poderes e importância a medida em que as gerações se distanciavam do Criador primordial: havia sempre um deus criador que gerava um outro deus, menos poderoso que ele próprio, que por sua vez gerava outro deus um pouco menos poderoso, e assim por diante. Essa relação estava profundamente marcada na vida dos povos ancestrais, fossem babilônicos, cananeus, hititas, mesopotâmicos, etc. – O fato de Adão ter sido criado primeiro, segundo um dos relatos do Gênesis (versão P), significava que o homem era superior a mulher, estando mais próximo do Criador. Mas essa não era a visão unânime da época, conforme comprovamos pelo relato de J. Através deste pequeno exemplo, percebemos a fundamental importância de se saber interpretar a Bíblia com base em sua profunda simbologia.




Os mitos da Bíblia dão a sensação de pertencer a um cosmo ordenado e próprio. Procuram oferecer sempre uma explicação que conforte e situe o homem perante os grandes problemas do sentido da vida e do Universo. Também os mitos bíblicos dizem respeito a todos os problemas cotidianos da vida, os relacionamentos entre irmãos, pais e filhos e, acima de tudo, à suprema lei, a relação com o Senhor Deus, uma ética transcendente que deve regular todas as ações dos homens. As histórias míticas que envolvem todos esses personagens servem como um modelo para as ações dos homens.

A leitura que Roberto Lima Netto propõe é a leitura mítica, que evita qualquer forma de fundamentalismo religioso. Pelo fundamentalismo, o crente se apega à letra do Livro Sagrado, seja ele a Bíblia, o Alcorão ou qualquer outro. O fundamentalista torna-se possuidor de uma verdade absoluta, e todos os demais, para ele, estão mergulhados na escravidão, pois nada sabem. O debate e o diálogo criativo são evitados a todo custo. A visão fundamentalista traz uma falsa segurança, fanatismo e proselitismo. A visão mitológica amplia, enriquece e traz nova percepção das coisas do cotidiano e do Universo. É o que este livro procura oferecer, uma nova dimensão psicológica e um enriquecimento simbólico para a personalidade.



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Mistério na Jordânia: temperatura sobe a 400ºC!

Temperatura atinge níveis impossíveis e queima animais


A magnífica cidade perdida de Petra, na Jordânia


Amã, hoje. - 7 out (EFE): as autoridades jordanianas investigam, a partir de hoje, o que motivou um repentino aumento da temperatura para 400ºC(!) em uma região próxima a Amã, segundo informaram fontes oficiais.

O fenômeno ocorreu nesta terça-feira em uma área de quase dois mil metros quadrados na província de Balqa, 15 quilômetros ao oeste de Amã, segundo o governador da província, Abdul Khalil Sleimat. "O fenômeno foi descoberto por acaso quando ovelhas entraram no terreno enquanto estavam pastando", disse o governador.

Sleimat relatou que, de acordo com os pastores que cuidavam das ovelhas, os animais "foram completamente queimados e desapareceram".

Autoridades isolaram a área e retiraram os moradores do local, acrescentou ainda o governador. - O Governo jordaniano deixou a investigação do fenômeno a cargo de um painel formado por diversos departamentos e instituições acadêmicas. - O chefe da associação jordaniana de geólogos, Bahjat Adwan, descartou a presença de qualquer atividade sísmica ou vulcânica na área, o que torna a notícia ainda mais intrigante.

O diretor do Conselho de Recursos Naturais da Jordânia, Maher Hijazin, informou que materiais orgânicos podem ter se juntado e reagido sob a superfície, e também destacou que há uma rede de água e esgoto que lança seus resíduos na região.


Fonte: Agência EFE.



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