Selo 'a Arte das artes'


Amigos leitores do a Arte das artes. Espero que apreciem o novo layout. Afinal consegui, depois de muita pesquisa, desenvolver um 'logotipo' para este blog, na realidade um símbolo que tem tudo a ver com a minha proposta.

O caractere central é a concepção da Árvore da Vida celta. A Árvore da Vida é um símbolo ancestral presente em diversas tradições antigas, inclusive no Judaísmo. Mas a concepção celta me atrai especialmente porque, nela, os galhos da copa, que simbolizam o Céu, se juntam às raízes, que simbolizam a Terra. Céu e Terra interagindo, como era no princípio... A forma circular que a envolve é um antigo símbolo da Eternidade, de transcendência das condições de tempo e espaço do mundo dos fenômenos. Das raízes até os galhos estão os símbolos das maiores religiões do mundo, a começar pelas ancestrais, nas raízes, e terminando pelas mais novas, na base dos ramos. A Cruz está no centro não por uma questão de identificação pessoal, mas por representar a religião com maior número de seguidores do planeta, no momento atual. Ao lado do tronco central estão, ainda, os elementos gráficos gregos que representativos do Alpha e do Ômega, Princípio e Fim, símbolo magno da Divindade.

Para o template, experimentei todas as cores, estudei a influência das cores na mente humana e etc. Depois, porém, acabei optando pela neutralidade do preto, no fundo, com os demais elementos em tons de prata. - Não faria sentido usar o azul para acalmar, se alguns posts falam sobre ação e energia, e nem o vermelho para animar, se aqui eu também falo sobre meditação, relaxamento e paz. Então finalmente, conheçam o selo ou brasão do a Arte das artes.

Por enquanto é isso. E não se preocupem com a desaceleração no ritmo das postagens, porque estou preparando muitas surpresas para breve...

Deus seja com todos, a Paz seja com todos, o Amor seja com todos, e saibam que o que tenho pedido para todos nós é Luz, para iluminar mentes e caminhos. Se continuarmos juntos, tudo será um pouco mais fácil e muito mais bonito.



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Auto-observação e vigilância

Este post demorou um pouco a ser publicado, mas eu comecei a escrevê-lo no mesmo dia da última postagem sobre o Dhammapada. Quando terminar a leitura, você vai entender os porquês...




É impossível se acostumar com algumas coisas, ou melhor, é impossível um buscador sincero deixar de se maravilhar com certas coisas.

Na manhã do dia 22 de Abril eu fiz uma meditação curta, sozinho, no quintal da minha casa, antes de começar a trabalhar. Durante a prática, algumas vezes abri meus olhos e elevei o olhar. Era um dia nublado, mas num determinado instante eu pude ver uma abertura se formando entre as nuvens, o azul do céu surgindo por trás do cinza e um raio de luz solar muito sutil que descia para a terra, como se fosse uma espécie de escada para o Paraíso a se oferecer. Ao mesmo tempo, o movimento de tudo a minha volta pareceu acelerar: os pássaros passavam voando muito rapidamente, de um jeito quase anormal. Uma mariposa passou ao meu lado, e parecia estar voando em câmera acelerada. A copa da pequena árvore do jardim se movia com o vento, mas muito rápido, com movimentos que me pareceram beirar o sobrenatural. Olhando de novo para o céu, os movimentos das nuvens eram como uma alegre dança em honra à Natureza. Mas não me lembrava de ter visto nuvens se moverem assim, a não ser em filmes.

E eu me senti como se não pudesse mover meu corpo. - Eu não queria me mexer, e não tentei fazê-lo, mas por alguns instantes tive a sensação de estar 'congelado'. Achava que não seria capaz de me mover, mesmo que quisesse; ao menos não normalmente: era como se eu estivesse criando raízes, conectado à terra, ao mundo e tudo que nele há.

E percebi que o mundo não estava realmente mais rápido; então supus que eu é que devia estar mais lento: respirando lentamente, me movendo lentamente, sendo mais lentamente do que de costume. Isso foi uma sensação maravilhosa e indescritível, pois assim podia apreciar meus próprios pensamentos como se não fossem meus. Pude me 'desidentificar' de mim mesmo e me vigiar como quem assiste a um filme na TV ou coisa do gênero. Não sei porque, mas viver aquela experiência foi como receber uma injeção de Amor divino, concentrada, diretamente na alma...

Quando encerrei a prática, voltei a pensar no tempo, imaginando o quanto poderia ter permanecido ali sentado, porque tinha muito a fazer naquele dia, e temi não dar conta de todas as tarefas assumidas. Mas olhei no relógio e vi que estivera 'desligado do mundo' por apenas uns vinte minutos. Estava tão relaxado e tranquilo que precisei de mais alguns minutos para voltar ao mundo das responsabilidades... E imaginei como seria bom se não fosse preciso 'voltar'. - Será que é mesmo preciso? Bem, falar sobre isso agora seria um outro mergulho, e o que importa dizer neste momento é que, naqueles preciosos instantes, me aconteceu uma iluminação repentina.




Minha mente e minha consciência começavam a voltar, lentamente, para o mundo das coisas temporárias, egoístas e mesquinhas; - para o medo dos 'fracassos' e para as cobiças de 'sucessos' deste mundo. Minha 'sanidade' humana começava a retornar, as peças do quebra-cabeças da minha vida comum e mediana começavam a retomar, lentamente, seus devidos lugares. Nesse exato intante, quando a luz que me fazia esquecer das misérias humanas começava a perder intensidade, dentro de mim, cedendo lugar às costumeiras densidades e sombras da monotonia dos receios, eu pensei: "Por quê? Por quê não pode ser sempre assim? Por que tenho que voltar a ser fraco depois de ter conhecido tamanha glória? Por que sempre volto para as trevas depois de caminhar na luz??"

E logo depois de formuladas as perguntas, - porque é preciso que as perguntas sejam feitas, - a resposta estalou como um relâmpago no mais profundo do meu entendimento: meu ser e minha consciência foram assaltados por uma certeza perfeita e súbita, de um modo totalmente incomum, maravilhoso, e eu entendi:

"Só é preciso manter a consciência atenta, alerta, vigilante... Mesmo diante do maior de todos os tesouros, mesmo diante da Beleza que excede a todo o entendimento, o homem comum desvia sua atenção. Se eu me vigiar, vou alcançar a libertação definitiva que procuro. Vigiar sem cessar é preciso."


Essas palavras me vieram como se um anjo as soprasse aos meus ouvidos. Mas não foi como ouvir um ensinamento precioso, porque as vezes ouvimos coisas divinas e não entendemos. Estas coisas, porém, eu entendi, de um modo tão perfeito e inapelável que pude apenas sorrir. Entrei num estado de êxtase que durou todo o dia, e, ah! Como eu queria poder dividir tal maravilhoso entendimento com outras pessoas, que eu sei que sofrem por não entender...

Aquelas suas fraquezas, aqueles seus medos, as angústias que o(a) perturbam, irritam, fazem perder a calma? Elas só existem porque você presta atenção nelas. Preste atenção ao que realmente importa, - DEUS, - e todas essas limitações desaparecerão. Observe-se, vigie-se, perscrute suas profundezas, e você se entenderá. Saia do automático. Quando algum comportamento reativo, automático, se manifestar, quando alguma daquelas suas reações instantâneas, que o(a) leva a fazer o que sempre faz, e chegar aos mesmos resultados indesejáveis a que sempre chega, e se arrepender depois, como sempre se arrepende... Pare, resista e observe-se. Entenda porque está agindo assim, e então... Mude! Faça diferente! Etendendo-se a si mesmo, a Verdade aparecerá. E a Verdade liberta.

Nesse mesmo dia, sentei ao computador para escrever o próximo post do a Arte das artes, e resolvi que seria o capítulo seguinte do Dhammapada, que eu não me lembrava qual era. Abri o livro e dei de cara com o título: 'VIGILÂNCIA'.

"A vigilância é o caminho daquele que se livra da morte. O descuido é o caminho da morte. O vigilante não morre, mas os descuidados são como os que já estão mortos. Somente na vigilância e na plena atenção pode ser encontrada a verdadeira e suprema Alegria."

"Quando, pela vigilância, o homem deixa de ser negligente e descuidado, ele se eleva às alturas da Sabedoria e se liberta do sofrimento. Então ele pode observar com serenidade a multidão sofredora, como um escalador das montanhas que vê, somente ele, do alto, as divisas da planície."

"Vigilante entre os desatentos, desperto entre os indolentes, o sábio avança rápido como um corcel veloz que deixa atrás de si um pobre e fraco pangaré."


Dhammapada - capítulo 2


Nunca havia entendido tão bem estes versos! Jamais havia lido estes princípios de modo tão perfeito, e nunca havia compreendido o seu real sentido, até aquele dia!

Mas as revelações do meu dia ainda não tinham acabado. Eu tenho um pequeno calendário muito especial em minha casa, com preceitos bíblicos diários para meditação. - Logo depois de escrever e publicar o post sobre o Dhammapada, que falava exatamente a mesma coisa que eu havia descoberto durante a minha meditação, não sei porquê, minha atenção se voltou para esse calendário, que fica num móvel ao lado mas um pouco distante do lugar onde me sento para escrever. E vi que Hana, nesse dia, não tinha virado a página para o dia 22 nesse dia. Ela faz isso todas as manhãs, infalivelmente, mas não o fez naquele dia. Por quê? Sentado à escrivaninha, podia ver o número do dia, - 21, - mas não conseguia enxergar o preceito do dia, escrito em letra pequena. Me levantei para virar a página para o dia certo, - 22, - mas estava curioso para ler o preceito do dia 21, que não tinha sido virado. Me aproximei, e lá estava:

"Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca."

Mc 14,38


Todo esse meu dia foi luz ininterrupta e sem sombras. E nos dias seguintes, a luz permaneceu, mas devido ao trabalho, acabei não entrando neste blog para acompanhar os novos comentários. Por isso demorei um pouco para saber que, apenas um dia depois da postagem, meu nobre amigo Daniel, aquele mesmo, tinha deixado a seguinte mensagem (grifos meus):

"Toda vez que nos distraímos, nos desconectamos da nossa essência e é como se morrêssemos. Todas as vezes que voltamos ao centro da nossa consciência é como um renascimento. Aquele que se mantém alerta, consciente, desperto, livra-se desses ciclos de morte e renascimento. Todo o tempo que passamos no automatismo, descuidados, é desperdício do tempo e da energia de Deus. Como estando diante do maior e mais belo tesouro do mundo, o homem ainda consegue desviar sua atenção? Grande parte da humanidade atribui valor ao que não tem valor algum e despreza o verdadeiro tesouro.

Aquele que vigia sem cessar vive num estado de entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

Deus não quer nossa atenção somente aos sábados, nas missas dominicais ou em nossos momentos de oração e meditação. Ele nos quer plenamente e todo o tempo. Tudo que acontece enquanto você não está centrando suas ações e pensamentos em Deus é distração, ilusão, pura perda de tempo, é 'não vida'. Só há Vida em Deus.

Henrique, meu nobre amigo. Enquanto eu meditava hoje, sua imagem me veio à mente, na verdade eu senti sua presença... e isso me alegrou muito. Resolvi deixar uma mensagem, daquelas que nos lembram das coisas que já sabemos, para que você tenha certeza que continuo sempre por aqui e que sou muito grato por toda luz que o Artes trouxe e traz para minha vida. E amo especialmente cada um daqueles que vitalizam esse espaço.



O que mais há para se dizer depois disso? Talvez apenas ALELUIA! AMEM.




Dedicado ao amigo/irmão Daniel. Aquele.



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Linha do tempo das religiões

Um vídeo bem interessante e correto mostra a linha do tempo das religiões no mundo.




Aproveito para deixar uma pergunta aos meus queridos leitores do a Arte das artes: que assunto vocês gostariam que fosse abordado por aqui? Mandem suas sugestões para novas postagens (não vale novela nem campeonato de futebol... ;P), pois este humilde autor, por motivos de excesso de trabalho, está sem tempo para exercer plenamente a sua criatividade, pelo menos até Junho próximo. Aguardando suas propostas...



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Hoje é dia do Planeta Terra


Hoje, no dia do Planeta Terra, comemora-se 39 anos do primeiro protesto em caráter internacional contra a poluição do planeta. A manifestação foi encabeçada pelo então senador americano Gaylord Nelson, na época estudante de Harvard, que organizou eventos para discutir projetos sobre o meio ambiente.

O movimento, que nasceu no dia 22 de abril de 1970, cresceu, ganhou adeptos e o Brasil acabou unindo-se à causa em 1990.

De lá para cá, muita coisa mudou, só que para pior.

Como bem disse o filósofo, escritor e poeta francês Paul Valéry: "O homem de hoje não cultiva o que não possa ser abreviado".

É assim que nos relacionamos com as pessoas, com o mundo, com os recursos naturais. Com pressa, muita pressa.

Mas se hoje, no dia do Planeta Terra, sobrar um tempo, entre no site Carta da Terra e veja que as ações locais e individuais também ajudam a promover mudanças.



Fonte: Blog Verde



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O Dhammapada - conversando com Buda 2



Capítulo II

Appamada Vagga
[1]

"Vigilância"


1. A vigilância é o caminho daquele que se livra da morte. O descuido é o caminho da morte. O vigilante não morre, mas os descuidados são como os que já estão mortos.

2. Distintamente compreendendo essa diferença, os sábios concentrados na vigilância se alegram, cheios de cuidados, seguem felizes nos caminhos dos nobres (árias).

3. O que medita constantemente[2], é perseverante e, sem nunca se cansar, persevera no Caminho, alcança por fim a realização do Nirvana, a suprema paz sem ligaduras[3].

4. A glória daquele que é enérgico, concentrado, puro em sua conduta, reflexivo, vigilante e atento, aos poucos e sempre aumenta.

5. Pelo esforço, reflexão, vigilância e autocontrole, o sábio se tornará uma ilha que inundação alguma destruirá.

6. Os ignorantes da Verdade e os tolos se permitem o descuido, mas os sábios guardam a vigilância, - a plena atenção, - como o maior dos tesouros.

7. Não te permitas descuidar, não tenhas intimidade com os deleites sensuais. Somente na vigilância e na plena atenção pode ser encontrada a verdadeira e suprema Alegria.

8. Quando, pela vigilância, o homem deixa de ser negligente e descuidado, ele eleva às alturas da Sabedoria e se liberta do sofrimento. Então ele pode observar com serenidade a multidão sofredora, como um escalador das montanhas que vê, somente ele, do alto, as divisas da planície.

9. Vigilante entre os desatentos, desperto entre os indolentes, o sábio avança rápido como um corcel veloz que deixa atrás de si um pobre e fraco pangaré.

10. Graças à vigilância, Indra conquistou o posto mais alto entre os deuses[4]. A vigilância é sempre admirada, mas a negligência é para sempre desprezada.

11. O monge (bhikkhu) que se alegra na vigilância e olha com temor os descuidados avança como o fogo, queimando todo tipo de ligaduras, as maiores e as menores.

12. O que se alegra na vigilância e teme a negligência não pode se perder no Caminho: está próximo do Nirvana.


________________________
Notas:

1.
Appamada, a sinceridade em fazer algo bom. A essência ética do budismo pode ser resumida com esta palavra. As últimas palavras do Buda histórico (Sidarta Guatama- Sakiamuni) foram: "Appamada sampadetha", isto é: "Sejam vigilantes, lutem com diligência".

2.
A meditação aqui referida é uma prática específica que inclui o termo samatha, que significa concentração, e também o termo vipassana, que quer dizer contemplação ou penetração no objeto da meditação.

3.
Sannojanam ou samyojana: são as dez ligaduras ou obstáculos que prendem os seres à roda da existência material. São dez os tipos de ligaduras: 1) autoilusão; 2) dúvidas; 3) indulgência em rituais equivocados; 4) desejos dos sentidos; 5) ódio; 6) apego às reino das coisas deste mundo; 7) apego ao reino das não-formas (como o imaginamos); 8) convencimento; 9) desassossego, 10) ignorância.

4. Antes de se tornar um renunciante, o Buda histórico foi um príncipe hindu da casta sakia, criado e educado na tradição hindu, que viveu toda a sua vida como peregrino na Índia. Ocasionalmente faz uso de termos alusivos às crenças hinduístas. - O Buda não afirma nem nega a existência de Deus ou dos deuses (aspectos de Deus) hindus, mas às vezes faz uso dos temas da mitologia hindu em suas explanações.


Fontes e Bibliografia:

SILVA, Georges da. Dhammapada Atthaka, 4ª edição. São Paulo: Ed. Pensamento, 1989;

FRONSDAL, Gil. The Dhammapada: A New Translation of the Buddhist Classic with Annotations‎, Boston: Shambhala Publications, 2006.



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O Santo Sudário - conclusão

'La Santa Sindone', pintura do século XVIII atribuída a
Giovanni Batista Tiepolo (clique sobre a imagem para ampliar)

A comunidade científica reagiu rapidamente à divulgação da descoberta do fotógrafo Secondo Pia em 1898, acusando-o de ter criado uma fraude. - Naquela época já se sabia, com certeza, que o tecido era oriundo da Idade Média ou de uma época anterior, pois existiam registros históricos mencionando a sua existência desde pelo menos 1536, quando um cruzado chamado Geoffroy de Charny o entregou aos cônegos de Lirey, cidade próxima a Troyes, França[1]. Segundo os registros, Geoffroy declarou, à época, que a relíquia estivera aos seus cuidados por três anos. - Uma peça tão antiga não poderia, portanto, conter um negativo fotográfico como Pia alegava. E os cientistas, é claro, estavam certos. A não ser...

A não ser que a imagem tivesse sido formada miraculosamente. E foi exatamente essa possibilidade fantástica que acabou por atear fogo em toda a discussão acerca do Sudário. – Nos anos seguintes, a partir de 1931, foi permitido a Giuseppe Enrie fotografar novamente o Sudário, com equipamento mais avançado e sem ter que bater as chapas através de um vidro protetor. Estas fotografias enfatizaram com mais detalhes e mais dramaticamente o homem crucificado do que as imagens obtidas por Pia. E, sim, confirmaram que a imagem possuía todas as características de um negativo fotográfico!

Anos depois, autoridades médicas que efetuaram avaliações com o auxílio de análises de cadáveres constataram que as imagens eram totalmente consistentes com a crucificação. Mas foi somente em 1973 que o Vaticano permitiu que se extraísse uma minúscula amostra do tecido para avaliação. As análises microscópicas confirmaram que o Sudário era feito de puro linho, tecido em padrão espinha-de-peixe 3x1, perfeitamente compatível com a época de Cristo, mas que só poderia ter sido adquirido por um homem rico, - assim como José de Arimatéia nos relatos dos Evangelhos. - Somando-se a tudo isso às pesquisas do Dr. Max Frei-Sulzer (vistas na postagem anterior), que ao analisar partículas de pó e pólen extraídas da superfície do Sudário encontrou material exclusivo das regiões em torno do Mar Morto, os cientistas, finalmente, se convenceram de que valia a pena aprofundar os estudos a respeito do chamado Santo Sudário.

Assim foi formada a equipe do ‘Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim’, o PPST, num esforço para avaliar o Sudário sistematicamente e segundo a metodologia científica avançada. Os resultados finais do estudo da equipe PPST foram publicados em 1981. As conclusões oficiais daquele relatório foram as seguintes[2]:

"Não foram encontradas pinturas, tinturas ou manchas nas fibras. Radiografia, fluorescência e microquímica aplicadas às fibras excluíram a possibilidade de pintura como método de criação da imagem. Avaliação por raios ultravioleta e infravermelhos confirmaram estes estudos".

"A definição da imagem por computador e as análises pelo analisador de imagem VP-8 revelaram que a imagem tem codificada, em si, informação tridimensional, uma característica sem paralelo em nenhum outro artefato submetido a análise científica até o dia de hoje".

"A avaliação microquímica não indicou qualquer evidência de especiarias, óleos ou elementos bioquímicos conhecidos. Está claro que houve um contato direto do Sudário com um corpo humano, o que explica certas características, como marcas de açoite e de sangue ".

"Entretanto, enquanto este tipo de contato poderia explicar algumas das características do torso, é totalmente incapaz de explicar a imagem da face com a alta resolução amplamente demonstrada através de fotografia".

"O problema básico, do ponto-de-vista científico, é que algumas explicações sustentáveis do ponto-de-vista químico são impedidas pela Física. Ao reverso, certas explicações físicas que seriam consideradas adequandas são impedidas pela Química. Uma explicação satisfatória para a imagem do Sudário tem que ser cientificamente razoável dos pontos de vista físico, químico, biológico e médico. No presente, esse tipo de solução não está ao alcance da equipe que estuda o Sudário. As experiências realizadas em física e química com linho velho não foram capazes de reproduzir adequadamente o fenômeno do Sudário de Turim. O consenso científico é que a imagem foi produzida por algo que resultou em oxidação, desidratação e conjugação da estrutura polissacarídica das microfibras do próprio linho. Tais mudanças podem ser reproduzidas no laboratório por certos processos químicos e físicos. Um tipo semelhante de mudança em linho pode ser obtido com ácido sulfúrico ou calor intenso. Porém, nenhum método químico ou físico conhecido pode responder pela totalidade da imagem, nem o pode qualquer combinação de circunstâncias físicas, químicas, biológicas ou médicas adequadamente".

"Assim, a resposta para a pergunta de como a imagem foi produzida ou o que produziu a imagem permanece um mistério. Podemos concluir, por ora, que a imagem do Sudário é a real forma humana de um homem açoitado e crucificado. Não é o produto de um artista. As manchas de sangue são compostas de hemoglobina e também foram positivadas em teste para albumina de soro. A imagem é um mistério contínuo e até que sejam feitos estudos químicos adicionais, talvez por este mesmo grupo ou por cientistas do futuro, o problema permanece não solucionado ".

Depois dessas conclusões no mínimo espetaculares (se você pulou a parte acima e não leu os resultados das análises do PPST, volte e leia, porque vale a pena ;D) , não havia como a comunidade científica não mudar sua postura. Muitos céticos passaram a se interessar pelo Sudário: estavam diante de um dos maiores enigmas de todos os tempos. O fato de haver questões religiosas envolvidas, o que em princípio afastou muitos cientistas arreligiosos, já não era mais suficiente para impedir a curiosidade e o interesse numa pesquisa tão importante. Muitos especialistas ateus de diversas áreas se interessaram na pesquisa do Sudário, até com o objetivo de desmistificá-lo ou tentar derrubar a hipótese de autenticidade. Um desses cientistas céticos e profundamente agnóstico era o Dr. Raymond Rogers, que acabaria assumindo importância fundamental na história toda, como veremos a seguir.

O fato de haver soro (invisível a olho nu) ao redor das manchas de sangue no Sudário, por exemplo, era algo que não poderia ter sido produzido por nenhum falsificador. - Ocorre que, sob tortura, as paredes dos glóbulos vermelhos do sangue se rompem, liberando bilirrubina, presente nessas áreas do tecido. Como explicar isso? Assim como concluiu o Dr. Barriem Schwortz, membro da equipe PPST, um absurdo muito maior do que considerar o Sudário autêntico seria imaginar que um falsificador da Idade Média esconderia manchas invisíveis no tecido para que os cientistas, 700 anos depois, a encontrassem utilizando equipamentos que ele nunca poderia sonhar existir...

As evidências em favor da autenticidade do Sudário eram muitas, e tudo parecia caminhar para a inacreditável comprovação, não só da veracidade das narrativas evangélicas, como também (o mais impressionante) do caráter supernatural de algum fato inexplicável ocorrido após a morte daquele crucificado (como veremos adiante)... Isso até o malfadado teste de datação por Carbono 14 realizado em 1988: a maior pedra no sapato dos que defendiam a autenticidade da relíquia, tanto religiosos quanto cientistas...

Como visto, os testes de datação concluíram que o linho do Sudário só poderia ter sido produzido numa data entre 1260 e 1390 dC. Ateus ativistas festejaram, mas muitos cientistas respeitados ficaram perplexos. Como conciliar tantas evidências pró com uma única, mas contundente, prova contra a autenticidade da mortalha? O mundo científico estava diante de um enigma gigantesco. E cientista que é cientista ama o desafio.

A partir daí, as mais estapafúrdias hipóteses passaram a ser levantadas: surgiu inclusive a teoria de que algum coitado teria sido capturado e torturado, submetido aos mesmos sofrimentos de Jesus, espancado, flagelado, ‘coroado’ com espinhos, crucificado e morto, depois perfurado com uma lança, tudo para depois ser envolvido num tecido e assim produzir uma relíquia falsa, há 700 anos...

O fato é que se o Sudário fosse uma falsificação medieval, teria que ter sido produzida por um grande gênio, daí alguns palpiteiros sensacionalistas terem levantado a fantástica hipótese de a mortalha ter sido produzida por ninguém menos que Leonardo da Vinci... Mas, bem, isso equivale a acusar o mestre renascentista de ser um assassino cruel e sádico. Além disso, o único motivo para se produzir tal falsificação seria o lucro, e sabemos que Da Vinci foi um homem rico e prestigiado, um gênio internacionalmente reconhecido, - e também um homem profundamente religioso, inclusive com fortes tendências místicas. - Seria um absurdo completo imaginar que tal homem seria capaz de capturar e torturar um inocente, das maneiras mais horríveis, até a morte, somente para produzir uma falsa relíquia.

Mas a hipótese de alguém ter sido submetido às mesmas torturas e à mesma morte que Jesus para se produzir o Sudário, apesar de fantástica, não poderia ser considerada impossível; - se não fossem as incríveis particularidades da relíquia em questão. - Como por exemplo a perfeita conformidade entre o tamanho da lança que perfurou o flanco do crucificado e as que eram usadas pelos soldados romanos na época de Jesus. Ou as feridas perfeitamente condizentes com as que seriam provocadas pelo flagelum romano no mesmo período histórico. Ou inúmeros outros detalhes que o Sudário revela (que veremos mais adiante), e que ninguém, nem mesmo o maior de todos os gênios poderia conceber, na Idade Média.


O maior dos enigmas: o Sudário é uma prova física da Ressurreição?

De todas as questões trazidas à baila pelo estudo do Sudário, sem dúvida o que mais impressiona é o fato de a sua ‘impressão’, - que não apresenta nenhum sinal de produção por mão humana, - ser superficial, isto é, a coloração que forma a imagem não penetra os fios. A imagem toca apenas as fibras superiores da trama do lençol, sobre uma profundidade de aproximadamente 40 microns[2]. Isso exclui qualquer aplicação de líquidos e qualquer outra técnica de impregnação de imagem. A impressão é composta apenas por ‘fibrilas amarelas’, e a coloração que compõe a imagem é produto de uma desidratação da celulose de origem desconhecida; uma espécie de queimadura, que só poderia ter sido provocada por calor intenso ou pela exposição à uma fonte de luz extremamente intensa(!).

Explicando melhor: a imagem visível do Sudário é uma espécie de chamuscado sem impregnação, como somente uma queimadura poderia provocar. É esse queimado aparente do tecido que constitui a imagem, principal característica visual do Sudário, que não chegou a afetar as fibras dos fios, mas apenas, e de maneira seletiva, as fibrilas. Mais: essa marca da Imagem não existe sob as partes manchadas de sangue, como se o sangue tivesse protegido o tecido. A imagem não atravessa a 'tela' de lado lado. Sobre uma única face do Sudário é que está a imagem frontal e dorsal de um homem em rigor mortis. De fato, ali se encontram, - e isso não é matéria de fé, - registros até hoje inexplicados de uma forma de ‘radiação’ ou energia similar desconhecida, gerada misteriosamente no momento exato da formação, por inteiro, da imagem no Sudário.

Por mais céticos que sejamos, por mais contestador e ‘pé-no-chão’ que alguém seja, não há como deixar de reconhecer que a explicação mais perfeita para a formação da imagem seria o fenômeno descrito pelos evangelistas como 'Ressurreição'. A Bíblia diz que Jesus, quando se manifestava em sua Glória divina, "brilhava mais que o sol". Um brilho assim intenso seria não só a mais perfeita como a única explicação possível para a imagem que existe no Sudário de Turim(!).



Elaborações de como seria a face do 'Homem do Sudário'
(clique sobre as imagens para ampliar)


Mas ainda restava o problema da datação por carbono 14

Depois da divulgação dos resultados dos testes por C-14, não demoraram a pipocar por toda parte as mais diversas tentativas de 'explicação' por parte de devotos inconformados. Crentes do mundo inteiro se recusavam a admitir a hipótese de uma simples falsificação. Não poucas pessoas precisavam crer nisso, e não seria um grupo de antipáticos metidos em jalecos brancos que iria desencorajá-los. Esse é o problema da fé. E é por isso que eu gosto do termo “buscador da Verdade”: um buscador da Verdade precisa ser como um cientista. Ele não pode fazer escolhas, acreditar naquilo que lhe 'faz bem' ou no que está em conformidade com o que diz a sua religião. Ele não deve aceitar nem mesmo o que diz o bom senso. - Ele precisa aceitar o que é. - Não é a Verdade que se adapta ao que pensa o buscador, mas sim o buscador deve se aperfeiçoar na Arte de se moldar à Verdade, 'ser um com' a Verdade. Mas os reais buscadores são uma pequena minoria, e não faltaram tentativas ridículas de desacreditar os testes do C-14:

# Disseram que as amostras retiradas estavam impregnadas por uma grande quantidade de poeira, acumulada no decorrer dos séculos, o que havia comprometido os resultados. - Tolice. Os testes por C-14 não são prejudicados nem alterados por poeira, e materiais muito mais antigos já foram perfeitamente datados por esse método. Além disso, antes de submeter as amostras ao teste, elas foram devidamente tratadas por um meticuloso processo de remoção de impurezas.

# Disseram que o calor a que o Sudário fora submetido por ocasião do incêndio de 1532 na Capela de Chambery, onde estivera guardado, teria provocado alterações no resultado dos testes. - Mais uma tentativa frustrada: esse tipo de calor não seria suficiente para confundir o teste por carbono.

# E quanto às amostras de pólem encontradas pelo Dr. Frei-Sulzer? Bem, a única coisa que essas amostras poderiam comprovar é que o linho do Sudário era proveniente da região da Palestina onde Jesus foi sepultado. Constatação incrível, sem dúvida, mas o falsificador poderia ser alguém extremamente meticuloso...


Vitória definitiva dos céticos? Tudo indicava que sim, até...


“Graças te dou, ó Pai, porque revelastes estas coisas aos pequeninos e as escondestes dos doutores e entendidos...” - Jesus Cristo (Evangelho segundo Mateus 11,25)


Em 2000, um casal de leigos sem nenhuma formação científica fez a descoberta de algo que até então nenhum dos muitos doutores e homens da ciência envolvidos nos projetos de estudo do Sudário havia percebido. Joseph Marino e Susan Benford, através de simples exame visual em imagens do Sudário disponibilizadas pelo PPST na internet, notaram que havia uma espécie de ‘remendo invisível’ exatamente na parte do Sudário recortada pelos cientistas para análise. Aprofundaram-se então na pesquisa e descobriram que esse tipo de remendo era muito utilizado na Idade Média para reforçar tecidos de valor, e era conhecido como ‘retecelagem francesa’. Maravilhados, perceberam que estavam diante de uma grandiosa descoberta: a análise por C-14 poderia ter sido feita numa parte remendada do tecido, o que teria sem dúvida introduzido uma grande margem de erro na datação! Procuraram então o Beta Analytic, - o maior laboratório de datação por Carbono-14 do mundo – que sustentou que, sim, uma mistura próxima a 60% de remendos do ano de 1500 ou posterior, com cerca de 40% de tecido do século I, causaria uma falsa datação do século XIII. – Exatamente os resultados obtidos pelo PPST! - Mais ainda: o casal de pesquisadores sabia que o período entre 1500 e 1600 foi a época em que mais comumente se usou a técnica da retecelagem...

Tudo se encaixava. Joseph Marino e Sue Benford mal podiam acreditar em sua incrível descoberta. Resolveram então procurar ajuda direta dos membros do PPST, mas foram prontamente rechaçados e até ridicularizados por cientistas céticos como o respeitadíssimo paleontólogo Dr. Ray Rogers, citado acima. Como dois leigos sem formação acadêmica poderiam contestar os resultados obtidos por uma equipe científica tão abalizada? Depois de muita insistência, porém, e depois de apresentarem diversas e fortes evidências em favor de sua teoria, conseguiram a preciosa colaboração de um outro membro do PPST: o Dr. Barriem Schwortz em pessoa.

O próximo passo foi submeter reproduções ampliadas das fotografias das amostras do Sudário que haviam sido datadas pelo C-14 à apreciação de diversos especialistas em tecidos antigos, - sem revelar que se tratava da trama do tecido do Sudário. - O resultado foi a opinião unânime de que aquela amostra parecia mesmo ter sido retecida!

Tais evidências levaram o Dr. Barriem Schwortz a reexaminar as imagens das amostras microscopicamente, e foi assim que ele comprovou que ali, diferente de todo o tecido do Sudário, havia sinais de algodão com pigmentação e resina. Além disso, as fotografias com ultrafluorescência que ele havia tirado décadas antes mostravam que naquela área específica havia um contraste completamente diferente de todo o restante do material, o que demonstrava uma clara adulteração. Dr. Barriem começava mais uma vez a se empolgar com a incrível e real possibilidade de o Sudário ser mesmo a mortalha que envolveu o corpo de Jesus Cristo. Tal fato, independente de questões religiosas, seria a mais inacreditável descoberta arqueológica de todos os tempos! – Resolveu então, pessoalmente, pedir ajuda ao seu irascível colega, que ainda tinha em seu poder alguns preciosos fios do material coletado do Sudário: ninguém menos que o cético convicto Dr. Raymond Rogers.

O Dr. Rogers, conhecido pela truculência e ironia com que costumava receber as contestações aos resultados obtidos pelo C-14, mal pode acreditar no que lhe pedia o colega cientista. Segundo o Dr. Barriem, Dr. Rogers assim reagiu ao seu telefonema: “Ora, isso é mais uma tolice dos crédulos que não aceitam a simples verdade dos fatos. Eu não acredito que você esteja me perturbando com essa história. Me dê quinze minutos e eu lhe provo que essa história não passa de mais baboseira”[3]... Ainda segundo o seu relado, o Dr. Barriem apenas respondeu: “Fique à vontade, Ray...”. [4]

Muito à contragosto, o Dr. Ray Rogers localizou os pequenos fragmentos de fios que tinha guardado da amostra do Sudário de Turim, para examiná-los sob o potente microscópico do seu laboratório particular. E o que descobriu o deixou pasmo. Esse breve exame fez com que ele mudasse completamente a sua atitude cética e se tornasse um dos maiores defensores da necessidade de um novo teste de datação. O que o Dr. Rogers viu, sob a poderosa lente de aumento, naquele fio do chamado Santo Sudário, foi a presença inequívoca de microfragmentos de algodão juntamente com vestígios de... pigmentação e resinas! - Elementos que não existem em nenhuma outra parte do Sudário, como visto feito de puro linho! - Uma prova incontestável de que, sim, a parte do tecido retirada para datação devia estar contaminada por material não original. Em outras palavras, ele acabava de comprovar por si mesmo que a tese da retecelagem era não só perfeitamente plausível como evidente!

Levando-se em conta a hipótese da retecelagem, todas as lacunas encontradas no estudo do Sudário passariam a ser perfeitamente preenchidas, como por exemplo, a margem de erro de praticamente 200 anos entre um resultado e outro. – A saber, os resultados da datação foram os seguintes:

Universidade do Arizona teste 1: datou a amostra como sendo do ano de 1238; Universidade de Oxford: datou a amostra como sendo do ano de 1246; Instituto Tecnológico de Zurich: datou a amostra como sendo do ano de 1376; Universidade do Arizona teste 2: datou a amostra como sendo do ano de 1430.

Os resultados obtidos por C-14 costumam ser específicos (a margem de erro aceitável é de 30 anos para mais ou para menos), mas nesse caso em particular, estranhamente, há uma variação de 192 anos(!) entre um resultado e outro. Anomalia esta perfeitamente explicada pela tese da retecelagem, pois em diferentes partes da amostra retirada haveria maior ou menor quantidade do tecido de remendo misturado ao tecido original do Sudário, pela própria maneira como a técnica é empregada.

Tudo que envolve a história do Santo Sudário é envolto por fatos marcantes e emblemáticos, como os estranhos incêndios que ocorrem nos lugares onde ele é guardado. – Além do incêndio na Catedral de Chapelle (Chambery, França) em 4 de Dezembro de 1532, no dia 11 de Abril de 1997 também a Catedral de Turim, onde a relíquia estava guardada, pegou fogo: o Sudário foi salvo espetacularmente por um bombeiro devoto e muito corajoso; fato este que, por si só, está cercado de particulares mistérios: na ocasião do incêndio, o Sudário estava protegido por um fortíssimo vidro à prova de balas e ataques, mas o valente oficial conseguiu quebrá-lo sem dificuldades, salvando o manto do perigo, levando-o nas costas até o exterior do templo.

Outro fato marcante é que o Dr. Rogers, que agora havia voltado a acreditar, nessa época lutava contra a morte, acometido por um câncer fatal, e cada novo dia de vida era para ele uma batalha. A essa altura, ele desejava muito vir a conhecer a possibilidade da autenticidade do Sudário, antes de morrer. Logo após a sua incrível descoberta de materiais estranhos na amostra coletada para datação, enviou seus fragmentos de fios ao seu colega microscopista Dr. Robert Vilarreal, que tinha acesso a equipamentos muito mais avançados para análise do material. Mas quando o resultado das análises saiu, o Dr. Rogers já havia falecido, vencido pelo câncer. - Assim como Moisés, que conduziu o povo hebreu à Terra Prometida mas não pode entrar nela. - Ele nunca soube que as amostras do fiapo demonstraram que ele era constituído, na verdade, por duas fibras de materiais diferentes entrelaçadas, coladas e tingidas para tornar o remendo invisível. Estavam definitivamente derrubados, afinal, os polêmicos resultados da datação de 1988.


Então, o Sudário é mesmo santo (autêntico)?

Ainda não podemos ter absoluta certeza sobre a autenticidade do Sudário, até que novos testes com C-14 sejam realizados, dessa vez com material válido. Particularmente não afirmo que o Sudário seja autêntico, embora acredite nisso. Assim como Susan Benford, a simpática pesquisadora independente que fez a maior descoberta a respeito do Sudário até hoje, eu também 'sinto' que ele é autêntico. Mas isso é só a minha opinião e eu posso me enganar, como já me enganei outras vezes. Digo, porém, que é assim que Deus costuma agir sempre: deixa pistas, mas não se mostra claramente. Acho que faz parte da nossa missão encontrá-Lo, oculto por trás das aparências. Se o Sudário não for o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo após a morte, isso não muda em nada a minha fé. Mas, se for... Ele é sem dúvida o objeto mais sagrado do mundo em todos os tempos. Principalmente porque ele pode ser a prova viva de que um fenômeno inexplicável aconteceu aquele corpo, guardado num túmulo escuro há dois mil anos. A imagem do Sudário é feita por marcas de queimadura que só poderiam ter sido provocadas por um intenso calor ou por um brilho extremo. Isso não é pouca coisa.


“O problema é que, como há correlação com a figura histórica de Jesus, sentimentos religiosos e emocionais sempre afetam a pesquisa. Os crédulos querem acreditar e se recusam a aceitar qualquer explicação que não seja miraculosa. Enquanto isso, os céticos insistem em fechar os olhos para todas as muitas e sólidas evidências em favor da autenticidade.”

Joseph Marino



Imagens tridimensionais do Sudário obtidas com o analisador V-P8.
Nenhuma outra imagem bidmensional analisada por esse equipamento
obteve resultados semelhantes (clique sobre as imagens para ampliar).


Algumas curiosidades sobre o Santo Sudário

# Em duas décadas de estudos, 23 cientistas do PPST e de outros grupos de pesquisa morreram precocemente. O último deles foi Raymond Rogers, do Laboratório Nacional de Los Alamos, em 2003.

# A Igreja decidiu antecipar a próxima exibição pública do Santo Sudário, que estava prevista para 2025, para 2010 (pretendo estar lá, se Deus quiser!).

# O trabalho do Dr. Rogers foi publicado em 2005 no periódico científico Thermochimica Acta, que emprega o sistema peer review (revisão por pares, uma espécie de controle de qualidade feita por especialistas independentes dos autores do estudo em causa).

# O Homem do Sudário foi coroado com uma espécie de chapéu completo feito de espinhos. - Todas as imagens da Idade Média retratavam a coroa de espinhos em forma de aro. Além disso, as marcas de pregos estão localizadas nos pulsos e não nas palmas das mãos, como nas imagens clássicas. Tais características são mais evidências em favor da autenticidade, pois um falsificador jamais iria contrariar algum detalhe popularmente aceito como certo.

# Os Evangelhos falam dos panos que envolveram o corpo de Jesus, - às pressas, para não quebrar o descanso sabático judaico (a crucificação e o falecimento foram numa sexta-feira). Os judeus envolviam os cadáveres com bandagens, mas com Cristo não tiveram tempo, porque morreu às três horas da tarde e era necessário terminar a sepultura antes da noite, quando era proibido qualquer tipo de trabalho. José de Arimatéia deveria pedir autorização a Pilatos para levar o cadáver, obter instrumentos e descer Jesus da cruz. A tarde terminava e deveriam enterrá-lo rapidamente, cobrindo-o com um sudário. É por isso que, segundo os Evangelhos, após o sábado foram as mulheres terminar a sepultura e prestar suas últimas homenagens. - Quando encontraram no sepulcro apenas os panos e faixas.

# O Sudário apresenta sangue que corresponde ao grupo AB, o mais frequente entre os hebreus.

# Segundo legistas, todas as feridas visíveis no Sudário foram produzidas em vida, com exceção da lançada no flanco direito, que chegou a aurícula direita do coração.

# O evangelista Mateus diz que José de Arimatéia tomou o corpo de Jesus e o envolveu num lençol limpo, colocando-o num túmulo novo (Mt 27,29-60). Marcos e Lucas referem-se ao fato, usando a expressão "envolveu-o no lençol" (Mc 15,46; Lc 23,53).



Aprofundando o assunto:

Shroud of Turim Research Project (STURP);

Ver imagens de alta resolução do Santo Sudário (com detalhes);

Artista recria, em 3D, imagem do Sudário de Turim;

A cronologia do Sudário;

Fórum Santo Sudário;

National Geographic;

Turin Shroud.


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Fontes e bibliografia:

1. ZACCONE, Gian Maria. Nas pegadas do Sudário, São Paulo: Edicoes Loyola, 2001, p. 9.

2. MENEZES, Eurípedes Cardoso de. São Paulo: Ed, Loyola, 1987 - p. 41.
3. Inf. disponível no documentário O Mistério do Santo Sudário - Discovery Channel.
4. Idem.



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O Santo Sudário


Parte do 'Santo Sudário de Turim' que mostra a imagem frontal
(clique sobre a imagem para ampliar)


Pessoal, amanhã, Sexta-feira Santa, é um dia muito especial para mim. É um dia que eu, já há bem mais de dez anos, desde muito antes de me considerar cristão, reservo para meditar, orar e jejuar. Antes eu jejuava por no mínimo 24 horas, ultimamente menos. Isso, porém, não é o mais importante. Importante é reservar esse dia para não fazer mais nada, absolutamente nada a não ser estar próximo de Deus, mentalizar em Deus, curtir e cultivar especialmente o Amor por Deus... E nessa Sexta-feira da Paixão, estar especialmente na Presença de Jesus Cristo, o Deus Filho que tira o pecado do mundo e nos traz a Paz. Não é um dia para encher a pança de bacalhau, longe disso. É um dia para levantar olhos e mente para o Senhor e dizer: "Nunca te esquecerei, nunca te abandonarei, como sei que nunca vais me abandonar. Muito obrigado, porque pela tua santa cruz remistes o mundo".

Estou falando essas coisas porque só voltarei agora a este espaço depois da Páscoa. E aproveito essa véspera de um dia tão especial, - não só para cristãos como para espiritualistas de todas as fés, - para publicar uma postagem pela qual estou esperando há muito tempo (e que tem tudo a ver com a ocasião)...


Descrição
O que é 'sudário'? A palavra provém do latim sudarium, e na sua origem era alusiva tanto ao lenço que se usava para enxugar o suor do rosto quanto o pano com que se cobria o rosto dos mortos. Posteriormente, passou a designar o lençol que na Antiguidade era comumente usado para envolver cadáveres ou mortalha.

Como é o Santo Sudário? O 'Sudário de Turim' ou 'Santo Sudário' é um manto retangular de 4,36 metros de comprimento por 1,10 metros de largura. O tecido, firme e forte, é feito de puro linho e apresenta cor amarelada. A espessura do tecido é de cerca de 34/100 de milímetros; é macio e fácil de dobrar. O peso avaliado, aproximadamente, é de 2,450 Kg. O linho usado na tecedura do Sudário foi fiado à mão. Cada fio do tecido composto de 70-120 fibras tem um diâmetro variado e torcedura em 'Z' no sentido horário. No ano de 1532 ocorreu um grande incêndio na Capela do Castelo de Chambéry, onde o Sudário estava guardado, dobrado e encerrado numa caixa de prata. Com o calor do fogo, a prata derreteu e gotejou sobre o Sudário, causando queimaduras por todo o lençol, que estava dobrado duas vezes no sentido da largura e quatro vezes no sentido do comprimento, formando 48 sobreposições. Quando foi desdobrado, viu-se que estava danificado de modo simétrico.

Além disso, a água usada para apagar o incêndio e esfriar a caixa incandescente deixou muitos halos (marcas) em forma de losango, as quais são sutilmente visíveis sobre as zonas que permaneceram secas. Os triângulos irregulares mais claros que se vê são ao longo do Sudário são os remendos dessas partes queimadas, feitos pelas irmãs clarissas de Chambéry.


Por que o Sudário desperta tanto interesse
Obviamente, a Imagem no tecido é tudo o que realmente interessa quando se fala no Sudário. Quem observa o tecido estendido pode ver a figura, esmaecida mas impressionante, de um corpo humano em tamanho natural. Na verdade são duas imagens do mesmo corpo: numa se vê o corpo de frente e na outra de costas. Elas se prolongam cabeça contra cabeça, em frente e verso. A imagem mostra claramente que o Sudário foi posto longitudinalmente em torno do corpo: o cadáver que deixou as marcas foi deitado sobre uma metade do lençol, o qual depois foi passado por cima da cabeça e estendido até os pés. A figura humana é formada, basicamente, por manchas de dois tipos, que apresentam colorações diferentes. Dois estudiosos norte-americanos, o engenheiro Kenneth E. Stevenson e o Filósofo Gary R. Habermas, sintetizaram assim a descrição do 'homem do Sudário': "A imagem é de um homem com barba, de mais ou menos 1,80m de altura. A idade é calculada em 30-35 anos e o peso em cerca de 80 Kg. É um homem bem constituído e musculoso".



Imagem escurecida para facilitar a visualização


O exame dos sinais visíveis
1. O exame da imagem demonstra que o homem do Sudário é muito semelhante a imagem clássica de Jesus Cristo, e que foi espancado, flagelado e crucificado. Na imagem vista de frente, o rosto apresenta sinais bastante claros de traumas múltiplos: na testa, nas arcadas superciliares, nos zigomas, nas faces e no nariz, - que traz uma escoriação na ponta, - existem deformações típicas de inchaço causado por fortes pancadas. Apesar de tudo, no conjunto, o rosto traz um aspecto composto e sereno.

2. Os ombros estão erguidos, como se o corpo tivesse permanecido suspenso pelos braços até o momento da morte. Nota-se uma grande equimose no nível da omoplata esquerda e uma ferida no ombro direito, indicando fricção contínua com um objeto pesado e áspero, - exatamente como ocorreria se o homem tivesse transportado um patibulum (travessão da cruz romana) no ombro.

3. Os joelhos, especialmente o esquerdo, estão escoriados, com ferimentos muito semelhantes aos que seriam provocados por quedas violentas.

4. Fios de sangue estão presentes em todo o crânio, mais evidentes na nuca e na testa, como se algum tipo de capacete ou coroa feita de espinhos tivesse sido cravado em sua cabeça.

5. São bem visíveis os antebraços e as mãos, - cruzadas sobre o abdômem, esquerda sobre a direita. - No pulso mais visível, o esquerdo, há uma grande mancha de sangue causada por uma ferida grave. Embora a mão direita esteja parcialmente oculta pela outra, o fio de sangue que escorre pelo antebraço indica que também este pulso tem uma ferida semelhante: ferimentos esses que se encaixam perfeitamente com as lesões que seriam provocadas por grandes cravos. Os dedos, bem visíveis, estão alongados. Nota-se que os polegares não aparecem na imagem, - o que é particularmente interessante, já que a lesão do nervo mediano, provocada por cravos atravessando os pulsos na altura do espaço de Destot obrigaria os polegares a se contraírem e se oporem às palmas das mãos.

6. No lado direito da caixa torácica - no Sudário é o lado esquerdo, porque a imagem é especular (como em um espelho, o lado direito da imagem é o lado esquerdo do corpo, e vice-versa) - nota-se uma ferida perfeitamente compatível com a que seria causada por uma ponta de lança romana: a chaga do lado direito do supliciado tem uma forma elíptica de 4,4 cm por 1,4 cm, o diâmetro exato de um ferimento causado por uma lança romana do primeiro século, sem ganchos que alargariam a ferida e sem nervuras de reforço, tal como as que se utilizavam em motins para ferir depressa e mortalmente, de modo a retirar a arma e visar imediatamente outro adversário. Na parte superior da mancha sangüínea se distingue nitidamente uma mancha oval com o eixo maior oblíquo de dentro para fora e de baixo para cima, que dá nitidamente a impressão da chaga do lado de onde saiu este sangue. Distingue-se uma dupla mancha no tecido: uma de sangue e outra, quase incolor, que só se tornou bem visível quando se usaram raios ultravioletas na observação. Os dois líquidos correram abundantemente até formarem uma espécie de círculo em torno dos rins. Como sabemos, o quarto evangelista afirma que da ferida saiu sangue e água. O sangue na imagem do Sudário procede do coração e talvez de hematomas causados por hemorragias internas. Quanto ao que João chama "água" e que corresponderia à mancha incolor observada no pano, é muito provavelmente uma mistura de soro sanguíneo – resultante dos hematomas – e de líquido pericárdico, situado dentro da bolsa pericárdica que envolve o coração. Esse líquido é tanto mais abundante quanto maior for o sofrimento da vítima; constitui inclusive uma prova usada em medicina legal para saber se a vítima foi seviciada antes da morte.

7. No torso das duas figuras, anterior e posterior, notam-se decalques de sangue em formas bastante regulares por todo o corpo. O sangue se coagulou em lesões lácero-contusas de modo diferente, muitas vezes aos pares e em sentido paralelo, indicação clara de que foram causadas por chicotadas repetidas, sendo que estudos demonstraram que foram cerca de 120. É evidente, ainda, que os golpes foram produzidos por dois homens posicionados um de cada lado do 'homem do Sudário'.

8. Percebe-se que o pé direito do crucificado foi apoiado diretamente no madeiro da cruz; o esquerdo foi posto sobre o direito; ambos foram pregados juntos nessa posição, e assim os fixou a rigidez cadavérica.

9 Maiores detalhes aqui e aqui.


Um negativo fotográfico!

Foram as primeiras fotografias tiradas do Sudário que determinaram a grande reviravolta que ocorreu nos anos seguintes: um grande progresso nos conhecimentos ao seu respeito e, consequentemente, um grande e sempre crescente interesse popular e científico pela relíquia, que até então era considerada apenas mais um simples objeto de devoção católica.

Tudo começou em 1898, quando o fotógrafo e advogado Secondo Pia obteve autorização para fotografar o Sudário. Ele o fez, obviamente com a aparelhagem técnica da época, e logo levou as chapas à câmara escura para a revelação. O que aconteceria a seguir seria a maior surpresa e o maior acontecimento de toda a sua vida: diante de seus olhos estupefatos, foram aos poucos surgindo os primeiros contornos, e depois, as definições cada vez mais perfeitas, evidentes e ricas em pormenores. Trêmulo, Secondo Pia percebeu que a imagem da chapa era muito mais vívida e nítida do que a que se podia ver diretamente no Sudário. Como fotógrafo, ele imediatamente percebeu que a imagem gravada no Sudário era na verdade uma espécie de negativo fotográfico!

Ao contrário do que Pia poderia imaginar, no negativo surgiu a imagem positiva perfeita, mais nítida e real do que a imagem fotografada.

"Fechado em minha câmara escura e absorto em meu trabalho, senti uma emoção fortíssima quando, durante a revelação, vi aparecer pela primeira vez, na chapa, a Sagrado Face, com tal clareza que fiquei aturdido".
Delaração de Secondo Pia em 1898


Aquela primeira fotografia revelou esse imprevisível e inacreditável segredo. - Desde então o Sudário passou a ser estudado como um dos mistérios mais apaixonantes da Antiguidade, pois obviamente não haveria como um falsificador reproduzir, há centenas de anos, um negativo fotográfico moderno. Muitos anos depois, com o uso de computadores e técnicas cada vez mais avançadas, seriam feitas descobertas cada vez mais impressionantes a respeito da imagem presente no Sudário.

Em 1973 nomeou-se uma comissão para autenticar outras fotografias tiradas em 1969. Era membro dessa comissão um conceituado cientista suíço, o Dr. Max Frei Sulzer, protestante, perito em microvestígios e criminólogo de fama internacional, fundador e diretor, durante 25 anos, do serviço científico da polícia de Zurique. Ele encontrou no Sudário uma notável quantidade de pó atmosférico muito fino, e retirou doze amostras usando fitas adesivas especiais para coletar microvestígios do tecido sem danificá-lo. Dessa maneira, Frei identificou 58 espécies de pólen no Sudário: 17 delas eram provenientes da França ou da Itália, locais onde o Sudário fora exposto muitas vezes durante a sua longa existência, mas as demais amostras vinham de plantas encontradas exclusivamente na Palestina, e muitas delas típicas de Jerusalém e arredores(!). Uma comprovação incontestável de que o Sudário estivera em Jerusalém, e um ponto a favor da sua autenticidade como verdadeira mortalha de Jesus Cristo. - Toda a coleção das amostras de Frei Sulzer se encontra à disposição, nos Estados Unidos, desde 1988.

Mais averiguações científicas foram realizadas em 1978, quando foi certificado que a imagem do Sudário não apresenta nenhum sinal de direção, isto é, não foi pintada nem desenhada. E durante os anos seguintes, muitíssimos outros estudos foram feitos e milhares de fotografias foram produzidas, com as mais deiversas e mais avançadas técnicas, além de macrofotografias, radiografias, termografias, reproduções por transparência, fluorescência, etc, etc...


O polêmico teste do carbono 14
Em Outubro de 1988, um pedaço de 7 por 1,2 centímetros foi recortado do Sudário, dividido ao meio e uma das metades novamente dividida em três. O objetivo era submetê-las ao teste do Carbono 14. Como é sabido, esse teste é um moderno sistema de datação de artefatos muito antigos. Se o Sudário era a mortalha de Jesus Cristo, ele teria que ter, no mínimo, aproximadamente 2 mil anos de idade. O carbono, sendo a base de toda matéria orgânica da Terra, é chamado de 'traçador radioativo', pois o acompanhamento da sua degradação pode ser utilizado para medir a idade de qualquer matéria orgânica. - Como o linho do Sudário.

O teste foi aplicado aos três pedaços por equipes independentes: Universidade de Oxford, Inglaterra; duas equipes da Universidade de Tucson, Arizona (EUA) e Instituto de Tecnologia de Zurique, Suíça. O Museu Britânico de Londres supervisionou, analisou os três pareceres e elaborou o relatório final e definitivo, que enfim determinou: "Idade não superior a 723 anos. Data entre 1260 e 1390. Século XIII"...

No mundo inteiro parecia se ouvir um desapontado 'Ohhhh'... Vitória definitiva dos céticos? Estava batido o martelo, desfeito o sonho? Para milhares de entusiastas ao redor do mundo, que viam na imagem do Sudário a melhor e mais concreta prova possível, não só da história de Jesus Cristo como também (e principalmente) da sua ressureição, por razões que veremos a seguir, representava esse resultado um triste e definitivo ponto final?

Na época, o então Cardeal Arcebispo de Turim, Dom Anastacio Ballestrero, revelou ao mundo que o Sudário não era uma relíquia dos tempos de Cristo, como até então acreditava tanta gente dentro e fora da Igreja, mas apenas uma reprodução medieval, uma obra de arte de um período em que as relíquias religiosas estavam em moda, eram falsificadas às centenas e comercializadas indiscriminadamente. Mas havia um problema. Alguma coisa não se encaixava na história toda.

Não era possível que esse resultado não provocasse, no mínimo, espanto, não só na comunidade religiosa como também na científica. Acontece que esse único resultado contrariava todos os resultados de todas as muitas análises e exaustivos estudos científicos até então realizados. Como explicar?



Reprodução do rosto visível no Sudário de Turim;
imagem escurecida para facilitar a visualização.



Negativo fotográfico da mesma imagem:
inexplicavelmente esta é a imagem positiva!


Além do carbono 14
a. A imagem do Sudário, comprovadamente e acima de dúvidas, não é uma pintura. Não há vestígios de pigmentos ou tintura de nenhuma espécie nele, além de a imagem não apresentar sentidos de direção.

b. Nas marcas do Sudário foram encontrados elementos químicos presentes no sangue humano. Os responsáveis pelos estudos de sangue no Sudário, Dr. John Heller e Baima Bollone, comprovaram a presença de hemoglobina, ferro, proteínas, porfirina, albumina e sangue tipo AB, fator RH positivo, na trama do linho.

c. A hipótese de alguém fazer uma pintura usando sangue humano também foi descartada, pois o exame de espectrometria de frequência da imagem digitalizada do Sudário revelou a total ausência dos picos que seriam causados por uma produção humana. Mais: o linho possui diversas camadas de fibras, e o estudo do sangue existente nessas fibras comprova ter sido este absorvido por contato, pois apenas as camadas mais superficiais estão impregnadas. - O que não ocorreria em caso de fraude.

d. A análise feita através de fotografias com luz ultravioleta fluorescente revelaram que ao redor das manchas de sangue presentes no Sudário há uma forte presença do soro que é formado pelo corpo humano em casos de tortura, como a que foi submetido Jesus nos Evangelhos.

e. Os cientistas Eric Jumper e John Jackson, na década de 1970, transferiram fotos do Sudário de Turim para um supercomputador da Nasa, o VP-8 — que colocou em relevo as imagens, transformando-as em 3D, e assim puderam recriá-las em terceira dimensão. - E assim demonstraram que, no Sudário, a maior ou menor proximidade do corpo com o pano é que fez com que a imagem ficasse em alguns pontos mais clara e em outros mais escura. Os mesmos testes foram repetidos à exaustão com uma infinidade de imagens de pinturas dos maiores gênios impressionistas e até com fotografias. - Em nenhum caso o efeito obtido com a imagem do Sudário pode ser repetido(!). A imagem de Turim é única em toda a história da humanidade. Em lugar algum, em nenhuma época, nada parecido jamais existiu!



Reprodução artística de Jesus
a partir da face visível no Sudário


O fato concreto é que ninguém conseguia (como não se consegue até hoje), mesmo com todas as novas tecnologias que iam surgindo, explicar e nem reproduzir a imagem do chamado Santo Sudário de Turim. A produção daquela imagem seria algo absolutamente impossível para qualquer falsificador ou artista da Idade Média. Como descartar tantas evidências em prol da autenticidade em razão de uma única evidência que apontava para uma fraude? Não demorou para que pesquisadores e cientistas retomassem o estudo da famosa relíquia.



Ler a continuação


________________
Fontes e bibliografia:

MOURA, Jaime Francisco de. Apostolado Veritatis Splendor: O Sudário de Turim (Parte 01). Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/2902. Desde 02/08/2004.
STEVENSON, Kenneth E. / HABERMAS, Gary R., A Verdade Sobre o Sudário, 2a. Edição, Paulinas, São Paulo, 1983.




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Gato yogue



"Durante o tempo em que permaneci na Índia, eu vivi em uma pequena choupava de aproximadamente 2x2 metros. Eu tinha como porta uma cortina feita de lona.

Certo dia, eu estava sentado em minha cama meditando, quando entrou sorrateiramente um gato e deitou-se no meu colo. Peguei ele e o joguei porta afora. Dez segundos depois, lá estava ele novamente, deitado no meu colo. Logo nós começamos um tipo de dança, o gato e eu. Eu o lançava para fora do quarto e ele voltava logo em seguida. Eu o jogava para fora, pois tentava meditar, mas o gato continuava voltando...

Eu estava ficando cada vez mais irritado, cada vez mais aborrecido com a persistência do gato.

Finalmente, após uns trinta minutos tentando me livrar do gato, eu tive que me render. Não havia mais nada a fazer. Não havia nenhuma maneira de obstruir a porta. Então sentei-me novamente em minha cama, e... Surpresa! Lá estava o gato, no meu colo. Só que desta vez eu não fiz nada. Eu apenas o deixei ali.

Trinta segundos depois o gato levantou-se e saiu lentamente pela porta.

Como você vê, nossos professores se apresentam de diversas formas."





Não sei porquê, mas os gatos são mesmo apaixonados por Yoga e meditação. Eu tenho cinco gatos em casa (tinha só uma fêmea, mas demorei para castrar e aí... =P); pois basta me sentar para meditar ou praticar alguns ásanas que os bichanos vêm na mesma hora, é incrível! Já ouvi dizer que é porque sentem energia boa, que é porque todo gato é um yogue por natureza, - dada a sua elasticidade, velocidade e leveza, e o modo como gostam de se alongar, - existem teorias e até livros sobre isso...

Mas, bem, o fato é que esses animais têm mesmo um quê de mistério em si: quando criança eu tinha um que se colocava sempre ao meu lado quando estava doente ou chateado, e não saía dali enquanto não melhorasse. Uma vez eu tive uma gripe forte e fiquei dois dias de cama. O bichano ficou os dois dias inteiros deitado ao meu lado, e não adiantava tirar que ele voltava na mesma hora. Acredite se quiser, nesses dois dias ele não saiu do meu lado nem para comer, e minha mãe teve que trazer um pratinho com ração e colocar ao lado do sofá onde eu estava deitado! Só depois que eu melhorei ele voltou a ser o animal independente de sempre, que infelizmente faz com que muita gente não os compreenda...

Será que os gatos veem a nossa 'aura' ou percebem o nosso estado energético em algum nível que os nossos olhos não podem?



Trecho do livro de Joseph Goldstein, Transforming the Mind, Healing the World



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O Código da Bíblia

Michael Drosnin (esquerda) e o rabino e matemático Dr. Eliyahu Rips


Uma revelação divina?

"No livro de Daniel, Deus deu ao Profeta duas revelações: uma diretamente acessível, - a saber, o próprio conteúdo bíblico, - e uma outra revelação selada, sendo esta última chamada de Código da Bíblia".


Essa afirmação do pesquisador Rogério da Costa representa uma assertiva compartilhada por diversos estudiosos do chamado 'Código da Bíblia'. Segundo eles, essa revelação selada nas letras das Escrituras permaneceu oculta por cerca de 3.200 anos, mas desde 1997 setores da comunidade judaica estão alarmados com a descoberta de informações que vieram à tona com o surgimento do computador.

A divulgação mundial da descoberta de um código na Bíblia Judaica (o nosso Antigo Testamento), veio através do livro intitulado O Código da Bíblia, escrito por um jornalista americano chamado Michael Drosnin, que foi um dos primeiros e principais divulgadores do assunto. Todavia Drosnin é apenas o canal da informação, pois o verdadeiro descobridor é um rabino e matemático judeu, o Prof° Eliyahu Rips.

A alegada prova da autenticidade da descoberta se dá na impressionante precisão de mais de mil fatos acontecidos, - com detalhes e datas, - tudo codificado nos cinco livros de Moisés (Torah), entre os quais: o assassinato de dois membros da família Kennedy, o atentado à bomba de Oklahoma, a eleição de Bill Clinton, a 2ª Guerra Mundial, o caso Watergate, o Holocausto Nazista, a bomba de Hiroshima, a chegada do homem à Lua e a queda de um cometa em Júpiter(!), entre outros. Mas os casos mais impressiontes são o da descoberta da data da Guerra do Golfo - vinte e um dias antes de ela acontecer, e da data do assassinato de Ytzhak Rabin - mais de um ano antes do crime ocorrer em Tel-Aviv.

É especialmente interessante o fato de ter sido descoberto, exatamente entre as profecias messiânicas da Bíblia Judaica, a afirmativa 'Meu Nome é Jesus', seguido das palavras 'Eu Sou o Messias'. - O que não chegou a provocar uma grande comoção na comunidade judaica, entre os que estudam o Código, já que Jesus (Yeshua) é um nome comum nas Escrituras. - Mas no texto de Isaías, escrito em torno de 700 aC, um dos que fala mais diretatemente sobre a vinda futura do Messias, no capítulo 53 aparece a seguinte frase: 'O meu nome é Jesus Nazareno', ao lado dos nomes 'Pôncio Pilatos', 'Maria', 'Maria Madalena', 'Discípulos', 'Sepulcro' e 'Manhã de domingo'.

Com isso, algo até há pouco tempo impensável vem acontecendo: muitos judeus estão se convertendo ao Cristianismo[1]. - E este autor não teria como se abster de deixar aqui um testemunho pessoal: eu conheço um deles! É um homem de mais de 40 anos, judeu e israelita desde o nascimento, recentemente convertido, que nesse momento é aluno da Catequese para Adultos da Paróquia São João Batista do Brás. A sua professora é a Sra. Adelina Avino Nardi, e eu acrescentarei o seu nome a essa postagem assim que obtiver autorização.


Um Livro Selado (ou criptografado)

"Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente. Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o Livro até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará."

Daniel 12, 1-4


"Vi na destra do que estava assentado sobre o Trono um Livro escrito por dentro e por fora, bem selado com sete selos. Vi também um anjo forte, clamando com grande voz: Quem é digno de abrir o Livro e de romper os seus selos? E ninguém no Céu, nem na Terra, nem debaixo da Terra, podia abrir o Livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque não fora achado ninguém digno de abrir o Livro nem de olhar para ele. E disse-me um dentre os anciãos: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o Livro e romper os sete selos."

Apocalipse 5 1-5


"Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, os profetas; e vendou as vossas cabeças, os videntes. Pelo que toda visão vos é como as palavras dum Livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora lê isto; e ele responde: Não posso, porque está selado. Ou dá-se o Livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora lê isto; e ele responde: Não sei ler. Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor; portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa com este povo, sim uma obra maravilhosa e um assombro; e a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus entendidos se esconderá. Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do Senhor, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece? Vós tudo perverteis! Acaso o oleiro há de ser reputado como barro, de modo que a obra diga do seu artífice: Ele não me fez; e o vaso formado diga de quem o formou: Ele não tem entendimento?"

Isaías 29:10-18


Estas são algumas das passagens em que os estudiosos se fundamentam para ratificar a sua pesquisa. Claro que esses textos deixam margem para outros tipos de interpretação, e é importante não esquecer disso.

Os estudos do código apresentaram três principais fatos na seqüência dos acontecimentos cumpridos, que seriam referentes à época moderna:


1º. O código apresenta a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais com detalhes, datas e nomes dos envolvidos. - Na sequência, em torno do sobrenome do ex-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, e da palavra Jerusalém, o código apresenta as seguintes frases: "Dia da III Guerra Mundial"; "Todo o seu povo irá para a guerra"; "Holocausto atômico em Jerusalém";

2º. O código relaciona diversos terremotos, desde os que aconteceram há muito tempo até os mais recentes. Ex.: o maior terremoto do mundo, que aconteceu na China em 1976, na cidade de Tang Chan, onde mais de 800.000 chineses morreram. Continuando, o código apresenta um outro terremoto em Los Angeles (EUA) com informações que, segundo interpretações do código, indicam o seu total desaparecimento do mapa em 2010;

3º. O código apresenta o choque de um cometa com o planeta Júpiter, que aconteceu em 1994. - Na seqüência apareceriam as quedas de outros três grandes cometas no planeta Terra; a primeira em 2006 (que obviamente não aconteceu), a segunda em 2010 e a terceira em 2012 (sim, mas diz que este se esfacelará antes do choque). Segudno alguns estudiosos, a predição de dois cometas caindo na Terra encontra-se no Livro das Revelações (Apocalipse 8, 8-10). Recentemente, a NASA divulgou a aproximação do asteróide Apophis ao nosso planeta, e um possível choque previsto para 2036. Apesar de as chances serem pequenas, o impacto seria devastador.


O Código da Bíblia - Um resumo do livro de M. Drosnin

"Em 1o de setembro de 1994, voei até Israel e encontrei-me em Jerusalém com um amigo íntimo do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, o poeta Chaim Guri. Dei-lhe uma carta que ele passou imediatamente ao primeiro-ministro. Eis o que dizia a carta: "Um matemático israelense descobriu um código oculto na Bíblia que parece revelar detalhes de acontecimentos que ocorreram milhares de anos após a Bíblia ter sido escrita. "A razão pela qual estou lhe dizendo isso é que, na única vez em que seu nome completo - Yitzhak Rabin - está codificado na Bíblia, as palavras 'assassino que assassinará' o cruzam." Em 4 de novembro de 1995, veio a terrível confirmação: um tiro pelas costas tirou a vida do primeiro-ministro de Israel. E a descoberta do matemático israelense passou a interessar a todos os estudiosos das Escrituras Sagradas, que passaram a ser lidas como criptogramas que interessam à história atual da humanidade."

Michael Drosnin, autor de 'O Código da Bíblia'


Trecho onde consta o assassinato de Yitzhak Rabin
(clique sobre a imagem para ampliar)


No final do século XVIII, um sábio judeu, conhecido como Genius de Vilna, referindo-se à Torah, os cinco primeiros livros da Bíblia, afirmou:

"A regra é que tudo o que foi, tudo o que é e tudo o que será, até o fim dos tempos, está incluído na Torah da primeira à última palavra. E não só num sentido geral, mas nos detalhes de cada espécie e de cada um individualmente, com detalhe dos detalhes de tudo o que lhe aconteceu desde o dia de seu nascimento até sua morte".[2]


Transcorria a Segunda Grande Guerra Mundial, quando um rabino da Tchecoslováquia chamado H.M. Weissmandel, movido pelo desejo de encontrar um possível código na Bíblia, começou a contar as letras hebraicas da Torah. Já no primeiro capítulo de Gênesis, notou que, saltando 50 letras e depois outras 50, e assim por diante, soletrava-se a palavra TORAH. Admirado, viu que o mesmo resultado podia ser encontrado nos demais livros que compõem a Torah! Este surpreendente resultado, que não pareceu-lhe casual, levou-o a escrever um pequeno livro, falando de sua descoberta.

Cinquenta anos depois, o Dr. Eliahu Hips, um matemático de fama mundial, catedrático na Universidade de Jerusalém, ouviu através de um rabino sobre esse curioso livro, cuja única cópia podia ser encontrada na Biblioteca Nacional de Israel. Curioso, Hips foi em busca de tal livro, e pode comprovar o curioso fato em sua própria Bíblia. Hips lembrou-se de outros cientistas que, muito antes dele, haviam investido tempo à procura de um possível código na Bíblia. Isaac Newton fora um deles. Newton, que havia imaginado a mecânica do sistema solar e havia descoberto a força da gravidade, aprendeu o hebraico e passou metade da vida tentando descobrir esse código, o qual acreditava existir (saiba mais aqui).

Mas o Dr. Eliahu Hips tinha uma grande vantagem sobre Newton. Ele possuía uma ferramenta poderosa: o computador. "Quando recorri ao computador", afirmou Hips, "achei a brecha. Encontrei palavras codificadas, numa quantidade muito maior do que o permitido pelo acaso randômico da estatística, e então soube que estava chegando a algo de real importância".

Juntaram-se ao Dr. Eliahu Rips e sua pesquisa dois outros eruditos judeus, Doron Witztum, e Yoav Rosemberg. Desenvolveram um sofisticado modelo matemático que, quando implementado por um computador, confirma que todo o Antigo Testamento, não só a Torah, contêm mensagens codificadas. Prepararam inicialmente uma tese denominada 'Seqüências Alfabéticas Equidistantes no Livro de Gênesis'. Introduziram a tese com um resumo de seu significado:

"A análise randômica indica que informações ocultas estão estremeadas no texto do Gênesis, sob a forma de seqüências alfabéticas eqüidistantes. O efeito é significativo em 99,998%. Observou-se, que quando o Livro do Gênesis é escrito como séries bidimensionais, seqüências alfabéticas eqüidistantes formando palavras com sentidos correlatos aparecem freqüentemente em estreita proximidade. Foram desenvolvidas ferramentas quantitativas para mensurar este fenômeno. A análise de randomização mostra que o efeito é significante ao nível de 0.00002".[3]


Na experiência inicial - o que seria posteriormente empregado em toda a Torah e outros livros da Bíblia - todas as letras hebraicas que compõe o livro de Gênesis foram unidas formando um único fluxo, sem nenhum espaço, como originalmente foi escrito. Organizaram todo o texto num quadrado perfeito, havendo tanto nas linhas horizontais como nas verticais, a mesma quantidade de letras, exceto na última linha. Foi nesse quadrado perfeito, que o código começou a ser revelado, primeiramente no livro do Gênesis, depois em toda a Torah, em palavras cruzadas que na tela do computador se apresentam em diferentes cores. Ao observarem que algumas palavras iniciavam-se em uma extremidade do texto, dando continuidade na outra, resolveram unir essas extremidades formando um cilindro, no qual a primeira linha se une à segunda, a segunda à terceira, e assim continuamente, até alcançar a linha final.Com esse modelo, qualquer palavra que surgisse, poderia ser lida numa única seqüência.

Para confirmar a não casualidade das revelações que se poderiam encontrar codificadas na Bíblia, os pesquisadores submeteram ao teste outras obras, entre elas a versão hebraica de Guerra e Paz, de Tolstoi, que tem a mesma dimensão da Torah. Em todas as experiências realizadas nessas obras, o resultado foi nulo, sem a presença de nenhum código.

A experiência inicial foi buscar nomes de personagens importantes da história do judaísmo, desde os dias bíblicos até nossos dias. Fizeram uma relação com 32 nomes. Ficaram impressionados com o resultado, pois além do nome de cada um deles, podia-se ver as datas em que nasceram e morreram. Matematicamente falando, as probabilidades de encontrar randomicamente essas informações codificadas, eram de 1 em 10 milhões. Tomaram então os 32 nomes e as 64 datas, e as misturaram em 10 milhões de combinações diferentes, de modo que 9.999.999 seriam incompatíveis e só um emparelhamento seria correto. Eles então rodaram esse programa no computador, para ver quais dos 10 milhões de exemplos alcançariam melhor resultado, e só os nomes e as datas corretas se uniram na Bíblia.

Harold Gans, um decodificador da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, ouviu com incredulidade sobre a descoberta dos israelenses, e procurou-os com o intento de desmascarar esse código da Bíblia, que para ele não passava de uma farsa ridícula. Gans preparou seu próprio programa de computador, e ao submeter o livro de Gênesis ao teste, surpreendeu-se ao ver os nomes dos 32 personagens, acompanhados pelas datas de nascimento e morte. Dominado pelo fato curioso, indagou sobre a possibilidade de encontrar, junto aos nomes desses personagens, os nomes das cidades em que viveram. O resultado foi fantástico: ali estavam as cidades nomeadas ao lado de cada sábio. Desta maneira, o primeiro a tentar desmascarar o código da Bíblia acabou confirmando-o.

Rips e seus amigos submeteram seu ensaio aos mais rigorosos testes que foram aplicados pelos maiores matemáticos do mundo, muitos deles ateus, e todos eles se dobraram diante do fato incomum. Diante de seus olhos, na tela do computador, parecia estar mesmo uma prova de a Bíblia foi elaborada por uma Inteligência infinitamente superior a dos homens. Rips, enquanto religioso, não teve dúvidas de que estavam sendo conduzidos por Deus a uma revelação especial. O seu próximo passo, depois da experiência com o livro do Gênesis, foi uma busca em toda a Torah. O que poderiam revelar aquelas 304.805 letras, organizadas em seqüência ininterrupta? Teria o código algo a dizer sobre os grandes acontecimentos da história? Procuraram primeiramente por Holocausto, e o computador encontrou as palavras: 'Hitler', 'homem mau', 'nazista inimigo' e 'massacre'.

Outro rastreamento do texto, revelou formações mais detalhadas sobre o Holocausto. A expressão nazista surgiu codificada com juntamente com as palavras 'na Alemanha'; As palavras 'fornos' e 'extermínio', apareceram vinculadas ao nome Eichmann. - Comandante do grande massacre. Avançando em suas buscas, descobriram que todos os lideres da Segunda Guerra Mundial, apareciam juntos naquele código: Roosevelt, Churchil e Stalin, além de Hitler. Rips e seus amigos ficaram fascinados ao verem que o código não se calava sobre os grandes acontecimentos da história. 'Napoleão', por exemplo, está codificado junto com 'França', 'Waterloo' e 'Elba'. A grande Revolução comunista que mudou a face do século XX, está codificada junto à palavra 'Rússia', e o ano em que triunfou: '5678' (em nosso calendário, 1917).

Procuraram por 'Einstein', e viram surgir na tela do computador o seu nome, cruzado por outras palavras e frases: 'ciência', 'novo e excelente entendimento', 'ele revolucionou a realidade' e 'pessoa inteligente'. 'Edison' encontra-se codificado com 'eletricidade' e 'lâmpada elétrica'. Grandes artistas e escritores, inventores e cientistas de todos os tempos encontram-se codificados. 'Beethovem' e 'Bach' estão ambos codificados com 'compositores alemães'. Os assassinatos que mudaram o curso da história humana encontram-se codificados: 'Abraham Lincoln', 'Mahatma Gandhi', 'Anuar Sadat', a maioria deles com detalhes que revelam a data e o nome do assassino. Na única vez em que aparece 'Presidente Kennedy', a palavra seguinte na mesma seqüência do código é 'morrer'. O nome da cidade Dallas, em que foi alvejado, encontra-se codificado, junto ao nome 'Oswald'. O nome do presidente egípcio Anuar Sadat aparece junto com o nome do assassino Chaled Baleará Sadat, acompanhado pela data do crime e a ocasião do atentado, um desfile militar...

Depois de descobrir uma infinidade de nomes de pessoas, acontecimentos e datas que marcaram a História, o Dr. Eliahu Rips e amigos começaram a indagar se aquele código da Bíblia poderia indicar acontecimentos futuros. Por essa ocasião, ao final de dezembro de 1990, nações do Ocidente, lideradas pelos Estados Unidos da América, formavam um grande cerco contra o Iraque, devido a invasão recente do Kuwait. Rips procurou pelo nome de Sadan, e ficou espantado com o que surgiu na tela do seu computador. Destacadas num padrão de palavras cruzadas, o nome de Sadan Hussein, acompanhado por surpreendentes revelações: 'inimigo', 'guerra', 'missil' e 'fogo no terceiro dia de Shevat', isto é, 18 de Janeiro de 1991.

Diante desta revelação, Rips ficou preocupado e ao mesmo tempo eufórico. Pela primeira vez o código revelava um acontecimento vinculado à uma data futura. Foram três semanas de muita expectativa. Ao chegar o dia marcado no código, Rips, como toda a população de Israel, achava-se de sobreaviso para um possível ataque do Iraque. E naquele dia confirmou-se a previsão que teria sido codificada na Bíblia há mais de 3.000 anos, quando caiu sobre Tell Aviv o primeiro de uma série de mísseis scuds lançados sobre Israel!

O código da Bíblia, cujas revelações já haviam sido confirmadas por vários pesquisadores de Israel e do mundo, despertou finalmente o interesse de pessoas dentro do governo de Israel. Assim como os reis de Israel no passado procuravam nas pedras da estola sacerdotal, Urim e Tumim (I Samuel 28, 6), respostas para os seus temores, os agentes secretos do Mossad haveriam de recorrer ao código da Bíblia.

Rips, dada a importância de sua descoberta, entendeu que ela teria que ser amplamente publicada, para que todo o mundo inteiro pudesse conhecer suas revelações, mas não sabia como isso haveria de acontecer. Foi num desses dias que recebeu a visita de Michael Drosnin, jornalista e repórter da Washington Post. Depois de ouvir sobre a surpreendente descoberta em relação à guerra do Golfo, Drosnim, um ateu, foi até Rips, mais movido pelo desejo de ridiculá-lo do que de verificar o fato. A primeira coisa que o jornalista fez foi tomar uma Bíblia que estava sobre a mesa, desafiando Rips a mostra-lhe tal profecia sobre o Iraque. Sorrindo, Rips disse-lhe que o código da Bíblia somente podia ser lido através do computador. Cheio de incredulidade, Drosnin viu Rips digitar o nome de Sadan no espaço para busca. Surgiu em instantes o impressionante resultado. Rips fez o mesmo teste com a obra clássica Guerra e Paz, de Victor Hugo, e nada apareceu. Drosnin estava pasmado.


O grande Isaac Newton tentou encontrar um código divino
na Bíblia, mas ele não contava com a ajuda de um computador.


O ateu Michael Drosnin, que jamais se interessara pela Bíblia anão ser para desacreditá-la, decidiu investigar pessolamente o código, em seu próprio computador. Rips forneceu-lhe os disquetes com o programa de procura e os textos da Torah, e também os de Guerra e Paz. Retornando aos Estados Unidos, Drosnin não pensava em outra coisa, e começou a dedicar longas horas a sua pesquisa. Depois de rever tudo o que já havia sido encontrado, começou a fazer suas próprias buscas.

Em maio, de 1994, Drosnin ficou surpreso com o que encontrou. Ele havia lido sobre o cometa Shoemaker-Levi, que segundo a previsão dos astrônomos haveria de se chocar com Júpiter no dia 16 de Julho daquele ano, dois meses depois. Ao procurar por Júpiter , encontrou-o numa seqüência horizontal, e cruzando-o em linha perpendicular, numa representação gráfica da queda do cometa, estava o seu nome completo, acompanhado pela mesma data que fora anunciada pelos astrônomos! E, sim, isso veio a se cumprir com precisão. Falando sobre o efeito desta descoberta em sua vida, Drosnin afirmou:

"Esta descoberta foi tão dramática que me fez voltar a acreditar em tudo. Durante aqueles dois anos de investigação, eu estava sempre me perguntando: - 'Será que isso é mesmo verdade? Teria alguma Inteligência não-humana realmente codificado a Bíblia?' Cada manhã eu acordava duvidando de tudo, apesar das provas esmagadoras ".[4]


Drosnin compreendeu então que a ausência de uma única letra na Torah seria suficiente para anular todo o esquema. É interessante notar que o próprio Jesus, referindo-se à integridade da Lei, que é a Torah, afirmou: "Em verdade vos digo que até que o Céu e a Terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido" (Mateus 5, 18). Para que este propósito divino fosse cumprido, os massoretas, judeus que ao longo dos séculos trabalharam incansavelmente copiando a Bíblia, observaram um cuidado extremo. Ao fim de cada cópia, contavam todas as letras do texto; Se a soma delas não correspondesse ao original, o livro era lançado ao fogo.

Pouco tempo depois de encontrar no Código da Bíblia a surpreendente revelação sobre o cometa Shoemaker-Levi, Drosnin mais uma vez se sentiu profundamente abalado, quando ao digitar o nome de Ytzhak Rabin, viu surgir na tela, atravessando o seu nome, na única vez em que aparece, em saltos de 4.772 letras, a sentença 'assassino que assassinará'. Junto à sentença, encontrava-se o ano judaico 5.756, que começaria em finais de 1995. Naquela mesma noite, dia 1 de Setembro de 1994, Drosnin voou para Israel com o propósito de alertar o primeiro ministro, tentando preveni-lo para que evitasse esse trágico fim. Chegando a Israel, não conseguindo contato direto com Ytzhak Rabim, fez chegar até ele uma carta, através do poeta Chaim Guri, amigo íntimo do primeiro ministro. A parte principal de sua carta dizia o seguinte:

"A razão pela qual estou lhe dizendo isso, é que, na única vez em que seu nome completo - Yitzhak Rabim - está codificado na Bíblia, as palavras 'assassino que assassinará' o cruzam. Este fato não deve ser ignorado, pois os assassinatos de Anuar Sadat e de John e Robert Kennedy também estão codificados na Bíblia - no caso de Sadat, com o nome e sobrenome de seu matador, bem como a data e local do crime e como ele se deu. Penso que o Sr. corre perigo real; mas esse perigo pode ser evitado".[5]


Rabim não levou a sério a advertência. E um ano depois, em 4 de Novembro de 1995, confirmou-se a trágica previsão, no início do ano indicado! Mas as surpresas não acabaram aí. Depois do fato acontecido, Drosnin e Rips descobriram que, próximo ao nome de Rabim, encontravam-se codificadas outras informações relacionadas ao crime, incluindo o nome da cidade Tel Aviv e o nome do assassino Amir!!

Outra frase codificada no conjunto de palavras e frases ligadas ao assassinato de Rabim era a seguinte: 'a partir do dia quinto de Adar todo seu povo para a guerra'. O dia 5 de Adar, no calendário judaico, cairia no ano seguinte em 25 de Fevereiro. O que poderia acontecer naquela data, capaz de desviar Israel de seus esforços para a paz, levando-o para uma posição de guerra?

Quando chegou o dia 25 de Fevereiro de 1996, Israel foi atingido pelo pior ataque terrorista dos últimos três anos. Um jovem palestino, com uma bomba presa ao corpo, explodiu um ônibus em Jerusalém, matando 23 pessoas. Nos nove dias seguintes, duas outras bombas terroristas elevaram o número de mortos para 61. Antes destas bombas começarem a explodir no dia previsto, a nação de Israel, sensibilizada com o assassinato de Yitzhak Rabim por um judeu, se mostrava disposta a eleger Shimon Peres o novo primeiro ministro, um dos arquitetos da paz com os palestinos. Seu concorrente era o oponente da paz Netanyahu, cujas possibilidades de sair vitorioso nas eleições eram mínimas. Isso até começarem os atentados. Sua pregação contra a paz com os palestinos começou então a ganhar força, mas uma grande maioria ainda parecia apoiar a paz. Uma semana antes da histórica eleição de 29 de maio de 1996 em Israel, Drosnin que era favorável à pacificação de Simon Peres, procurou no código da Bíblia pelo seu nome e nada foi revelado com relação à uma possível vitória. Experimentou então Netanyahu, e viu surgir: 'primeiro-ministro Netanyahu', 'eleito', 'Bibi'. - Bibi é o seu apelido em Israel.

Sim, Netanyahu foi eleito. Mais uma inacreditável confirmação! E quando se confirmou a sua vitória, Drosnin e o Dr. Eliahu fizeram nova minuciosa procura no código e ficaram surpresos ao perceberem que o nome do novo primeiro ministro se encaixava justamente entre 'Yitzhak Rabim' e o nome de seu assassino 'Amir', logo acima da frase 'todo seu povo para a guerra'. Associadas ao nome de Netanyahu, começaram a descobrir outras formações de frases e palavras: 'sua vida será ceifada'; 'assassinado'; 'grande horror'; 'holocausto atômico'.

Rips e Drosnin ficaram apavorados com o nome do novo primeiro ministro associado a todas essas declarações de catástrofe. O Código da Bíblia, que os atraíra pouco a pouco, conquistando confiança através de suas incríveis revelações, os encaminhava agora num crescendo, aturdindo-os. Procuraram descobrir, então, o que revelariam essas mesmas palavras em formações de saltos aritméticos diferentes. Na primeira experiência encontraram: 'holocausto atômico' ao lado de 'no fim dos dias'. Depois encontraram: 'fim dos dias', 'pragas' e 'salvem'. O código da Bíblia revelou-lhes finalmente a mais espantosa de todas as revelações. Drosnin descreveu essa descoberta com as seguintes palavras: "Quando abrimos o código em busca da Terceira Guerra Mundial, descobrimos que o ano em que ela poderia começar estava predito num pergaminho de 22 linhas que é a essência da Bíblia. Tal pergaminho é chamado 'Mezuzah'".

O Mezuzah contém 170 palavras que, dentre todas as 304.805 letras dos cinco livros originais da Bíblia, Deus ordenou fossem mantidas num rolo de pergaminho em separado e colocado na entrada de cada residência. Nesse conjunto de palavras encontraram 'em 5760' e 'em 5766', que são os anos 2000 e 2006, ali codificados. 'Guerra Mundial' na única vez em que está codificada em toda a Bíblia, aparece no mesmo trecho, e cruza um dos versículos sagrados. 'Holocausto atômico', na única vez em que está codificado na Bíblia, também aparece junto com os dois mesmos anos, nos mesmos versículos do pergaminho. E no local em que os anos 2000 e 2006 estão codificados, o texto oculto alerta sobre a guerra: 'bombardearão seu pais', 'terror', 'devastação', 'está sendo lançada' .

Drosnin continua: "Não poderia ser por mero acaso que os anos mais claramente codificados junto com 'Guerra Mundial' estivessem, ambos, ocultos nas 170 palavras que foram preservadas num rolo de pergaminho em separado durante três mil anos, e ainda hoje são presos aos umbrais das portas de quase todos os lares em Israel. Se uma simples letra estiver faltando, um Mezuzah não pode ser utilizado. 'Alguém' queria ter absoluta certeza de que, não importa o que pudesse acontecer ao restante da Bíblia, essas 170 palavras, esse rolo de pergaminho seria preservado, tal como originalmente escrito, com seu código intacto".[6] Para enfatizar a seriedade das advertências reveladas no texto da Mezuzah, Drosnin conclui: "E aquele antigo código, que agora predizia que a Terceira Guerra Mundial poderia começar dentro de uma década, também predissera que a Segunda Guerra Mundial começaria 'em 5700' - no nosso calendário moderno, 1939/1940. - E o Armagedon entre os anos 2000/2006 era o alerta codificado nos mesmos versículos sagrados da Bíblia, o código cuidadosamente preservado no Mezuzah".[7]

Agora acreditando ter sido incumbido da divina missão de divulgar o código, Michael Drosnin, que já trabalhou no Washington Post e no Wall Street Journal; autor de Citizen Hughs, livro que esteve na lista de best-sellers do New York Times, escreveu o seu novo livro, O Código da Bíblia, onde revela a impressionante história de sua descoberta, as pesquisas que foram feitas e suas comprovações. Desde o seu lançamento, em 1997, O Código da Bíblia tem se mantido no alto da lista dos livros mais vendidos em todos os países onde já foi publicado, entre os quais, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, África do Sul, Austrália, Japão, Portugal, Espanha, Holanda, Brasil, etc.


Com a popularidade do Código da Bíblia, como costuma ocorrer
nesses casos, surgiu uma grande série de obras sobre o assunto.


O outro lado: o que nos trouxe a História

Entre as muitas e muitas fontes de previsão do futuro que surgem de tempos em tempos, quase todas acabam, quase sempre, caindo por terra. O Código da Bíblia seria mesmo digno de credibilidade? Há controvérsias.

Céticos afirmam que Michael Drosnin conseguiu ganhar muito dinheiro com a idéia que hoje, 2009, parece ter já caído de moda (a 'onda' agora são as 'profecias mayas'...). O fato é que, logo após o lançamento do seu livro, Michael Drosnin desafiou os críticos a acharem a profecia do assassinato de algum primeiro ministro no livro Moby Dick, de Herman Melville, assim como ocorrera com os textos sagrados. Se conseguissem, ele cederia e reconheceria que tudo não passava de coincidência. - Para sua surpresa, pesquisadores céticos conseguiram achar várias 'previsões' como essa na obra clássica, desde o assassinato de Abraham Lincoln, passando por Martin Luther King e J. F. Kennedy até Indira Ghandi...

Por fim, é bom notar que o alfabeto hebraico facilita muito o encontro de "mensagens ocultas", já que há vários modos de ler e não há uma divisão clara entre consoantes e vogais (na verdade, no hebraico não existem vogais, elas estão implícitas pelo uso). Pode parecer estranho encontrar tantas mensagens como coincidência, mas muitos matemáticos afirmam que, na verdade, seria estranho que não existissem ocorrências como essas em livros tão volumosos quanto a Bíblia.

Voltando ao desafio de Drosnin, o matemático australiano Brendan McKay também aceitou o desafio e trabalhou com o romance Moby Dick, seguindo o método do código da Bíblia: ele chegou aos mesmos resultados, encontrando dados apropriados para acontecimentos como o assassinato de Yitzhak Rabin e até o trágico acidente de Lady Diana. Mesmo o hebraico sendo um idioma de sílabas ambíguas e palavras mais curtas que o inglês, o que aumenta imensamente as chances de se encontrar codificações que fazem sentido, o romance Moby Dick também "previu" esses acontecimentos terríveis. McKay também realizou cálculos em relação ao nome de Michael Drosnin. Bem próximo ao nome, o matemático australiano encontrou a palavra 'liar''mentiroso', assim como referências à morte do autor do livro O Código da Bíblia.


Conclusões

O ataque atômico contra Israel entre 2000 e 2006, como bem sabemos, não ocorreu. O livro O Código da Bíblia também previa que o ex-primeiro ministro de Israel Benjamim Netanyahu morreria até o fim do seu mandato (pp. 72, 78, 79 do livro). Mais uma falha. - Os defensores de Drosnim argumentam que o mesmo disse ser esta apenas uma possibilidade. - Entretanto, ele próprio diz: “Se seguisse apenas o códïgo da Bíblia, teria de dizer que Netanyahu, caso eleito, não viverá até o fim de seu mandato” (p.72), e é exatamente o que vemos no fac-símile da página 79: "o assassinato de Benjamim". Além disso, importa dizer que o próprio Dr. Eliyahu Rips fez uma declaração pública nada lisojeira a respeito do livro O Código da Bíblia de Drosnin.

"Não apóio os trabalhos do Sr. Drosnin, nem as conclusões a que ele chega.... Todas as tentativas de se extrair mensagens dos códigos do Torah, ou de se fazer predições baseadas neles são fúteis e não têm qualquer valor. Essa não é apenas minha opinião pessoal, mas a de todo cientista que já esteve envolvido em pesquisas sérias dos Códigos."


Taxativo. Uma coisa é crer na veracidade do código. Outra é acreditar que seja possível conhecer o futuro através dele. Conclusões definitivas? Como de costume, deixo para você, querido leitor. Se por um lado existem falhas e polêmicas, por outro não se pode negar a incrível co-incidência entre os mais importantes acontecimentos da História, com nomes e datas, e os textos bíblicos, descobertos através do estudo do código. Pessoalmente acho que tentar prever o futuro é sempre perigoso, e a própria Bíblia o condena. Eliyahuu Rips e Doron Witztum, assim como Satinover, os maiores expertos do assunto no mundo, concordam que utilizar o código para prever o futuro, no mínimo, trará transtornos, e citam que 'Destino', em última análise, não existe: somos nós que fazemos o destino.



Visão judaica

Opinião dos céticos



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1. FRANZEN, Edson de Almeida e. A Bíblia da Religião - Seitas e Religiões Livro 14, São Paulo: Herr, 1999, p. 188.

2. DROSNIN, Michael. O Código da Bíblia, São Paulo: Ed. Cultrix, 1997 p.18.

3. Idem, p.22 e apêndice 1.

4. Ibidem, p. 35.

5. Ibidem, p. 13.

6. Ibidem, p. 124.

7. Ibidem, p. 124.


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Fontes e bibliografia:

DROSNIN, Michael. O Código da Bíblia, São Paulo: Ed. Cultrix, 1997, pp. citadas.
FRANZEN, Edson de Almeida e. A Bíblia da Religião - Seitas e Religiões Livro 14, São Paulo: Herr, 1999, p. 178, 179, 180, 181, 187, 188.

As referências bíblicas desta postagem constam da tradução de João Ferreira de Almeida, versão Revisada segundo os Melhores Textos Gregos e Hebraicos (AMTGH) da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).




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