Criacionismo X Evolucionismo: o outro lado


"De acordo com a tradição cabalista, do Vazio da não-existência Deus gera o primeiro estado de Existência Imanifesta. - Além do qual Deus é Tudo e Nada."

Rabino Z´ev ben Shimon Halevi


"Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra. Reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada."

Bíblia Sagrada: II Macabeus 7, 28


"Dar ao Inefável um nome e visuálizá-Lo sob uma forma é inevitável, pois o homem não saberia adorá-Lo de outro modo. Deus, porém, é tudo e nada. Está em tudo, mas também está além de tudo, não se limitando a sua criação e nem mesmo às formas nas quais se manifestou."

Paramahansa Yogananda - 'A Essência do Bhagavada Gita'


"Se fazemos algo, é em Deus que fazemos. Deus é tudo e nada. Nada é Deus, tudo é Deus. Deus é o Tao e o Uno, o Insondável. - O Nada, o Infinito e o Tudo."

Lao Tsé


"AFINAL DE CONTAS, ALGUM DIA, ALGUMA COISA TEM QUE TER SURGIDO DO NADA."

Jostein Gaarder, filósofo e autor de 'O Mundo de Sofia'.


Uma das principais objeções feitas à teoria de Darwin, atualmente, diz respeito ao registro fóssil. Mesmo entre evolucionistas, existem sérias discussões sobre como interpretar os registros fósseis, que são as mais importantes fontes de evidências científicas relativas à história natural. Muitos desses registros refutam a teoria da evolução e mostram que a vida sobre a Terra surgiu repentinamente, independente do processo evolutivo que - aí sim, - indubitavelmente começou a partir daí. Em outras palavras, as formas de vida teriam que ter sido criadas. Ou então, as formas de vida teriam que ter surgido 'do nada'. Sim. Isso explicaraia tudo. E essas não são afirmações religiosas ou espiritualistas, mas 100% científicas! Bem, nós sabemos que todas as religiões que reverenciam o Mistério afirmam há milênios que "Deus é tudo e nada".




A pedra no sapato dos evolucionistas é um fato óbvio, tão inexorável quanto inexplicável: se todas espécies vivas atualmente descendessem de um único ancestral comum, como pressupõe os teóricos da evolução, então já deveriam ter sido descobertas, há muito tempo, claras evidências disso no registro fóssil. – O que, estranhamente, não acontece! - O respeitado zoólogo francês Pierre Grassé diz que "os naturalistas devem se recordar de que o processo evolutivo é revelado somente através de formas fósseis. (...) Somente a paleontologia pode prover-nos evidências da evolução e revelar-nos os seus mecanismos ou a sua forma de agir".[1]

Para entender porquê, precisamos dar uma rápida olhada na alegação fundamental da teoria da evolução: que todos os seres vivos descendem uns dos outros. Isso significa que um organismo vivo que tivesse surgido inicialmente de uma maneira aleatória, gradualmente teria se transformado numa outra espécie, que por sua vez teria dado origem a uma outra nova espécie, e assim, sucessivamente, todas as espécies seguintes teriam surgido, ou evoluído, dessa mesma maneira. De acordo com essa alegação, - que ao contrário do que se imagina está fundamentada num princípio que contraria outros princípios científicos aceitos, - todas as plantas, animais, fungos e bactérias surgiram da mesma maneira. Os cerca de cem diferentes filos animais (compreendendo categorias básicas, tais como moluscos, artrópodes, vermes e esponjas) todos teriam descendido de um único ancestral comum. Ainda de acordo com essa teoria, os invertebrados, gradualmente, no decorrer do tempo e devido à pressão da seleção natural, se transformaram em peixes, que por sua vez se transformaram em anfíbios, que vieram a se transformar em répteis. Alguns répteis tornaram-se aves e outros mamíferos.

Essa transição teria que acontecer muito gradualmente, no decorrer de centenas de milhões de anos. O grande problema é que, sendo esse o caso, então uma imensa quantidade de formas de transição deveria ter surgido e deixado muitíssimos traços da sua existência, ao lado de fósseis de dinossauros e outras espécies extintas, no decorrer de um período incomensuravelmente longo. Essa é uma conclusão óbvia, lógica, fácil de entender e não há cientista neste planeta que a refute.

Explicando um pouco melhor: para que todo o conjunto de informações contidos na teoria de Darwin pudesse ser dado como incontestavelmente certo, criaturas meio-peixe-meio-anfíbias, que ainda teriam características de peixe, embora apresentassem formação de quatro patas e pulmões, por exemplo, teriam que ter vivido no passado. Da mesma maneira, répteis-aves que mantivessem algumas características de répteis mas que tivessem adquirido características de aves também teriam que ter existido. Como essas espécies fariam parte de um processo de transição, elas também deveriam ter sido incompletas, num certo sentido. - As patas dianteiras de um réptil desse período de transição deveriam cada vez mais assemelhar-se às asas das aves, à medida que passassem as gerações, até que, no decorrer de centenas de gerações, essa criatura não teria nem patas dianteiras completamente funcionais, nem asas completamente funcionais – em outras palavras, ela teria existido de maneira deficiente. Obviamente, não seria possível que, de repente, uma espécie réptil simplesmente tivesse um filhote pássaro completamente formado. Essas criaturas intermediárias que precisariam necessariamente ter existido, para que a teorida da evolução pudesse ser definitivamente comprovada, são chamadas ‘formas de transição’.

Acho que o raciocínio até aqui está bem claro. Se criaturas desse tipo realmente tivessem existido no passado, ainda que distante, então elas deveriam constituir bilhões de criaturas, e os seus restos fósseis deveriam poder ser encontrados facilmente, abundantemente, em escavações ao redor de todo o nosso planeta. Mas isso nunca, nunca aconteceu! Fósseis de trilobitas (primeiros antrópodes), que viveram há mais de 250 milhões de anos (!), no período Cambriano, são abundantes. Existem fósseis preservados de bactérias que viveram presumivelmente há bilhões de anos! Entretanto, é no mínimo impressionante que não tenha sido encontrado nem um simples fóssil de qualquer forma de transição imaginável! Existem fósseis de muitas espécies, de bactérias a formigas, e de aves a plantas com flor. Mesmo fósseis de espécies extintas têm sido preservados tão bem que somos capazes de apreciar o tipo de estruturas que essas espécies uma vez tão abundantes apresentavam, e que jamais vimos em espécies vivas. Como explicar, então, que nunca tenham encontrado sequer uma amostra de fóssil de alguma espécie de transição?? Darwin aceitou a lógica desse pensamento, e ele mesmo tentou explicar porque não se encontraria um número muito grande de formas de transição: "Pela teoria da seleção natural, todas as espécies vivas são interligadas com as espécies progenitoras de cada gênero, por diferenças não maiores do que as que vemos hoje entre as variedades natural e doméstica das mesmas espécies; e essas espécies progenitoras geralmente extintas, por sua vez, teriam sido interligadas de maneira semelhante com outras formas mais antigas; e assim sucessivamente, sempre convergindo para o ancestral comum de cada grande classe".[2]

O que Darwin estava querendo dizer é que, independentemente de quão pequena possa ser a diferença entre as espécies vivas hoje – entre um cão pastor alemão com pedigree e um lobo, por exemplo – a diferença entre os ancestrais e os descendentes, que alegadamente devem ter-se sucedido um ao outro, precisaria ser igualmente pequena. Por essa razão, se realmente a evolução tivesse acontecido como creem os darwinistas, então ela teria se sucedido através de mudanças graduais bastante diminutas. A alteração efetiva em um ser vivo exposto a mutações teria de ser muito, muito pequena. - Milhões de pequenas alterações precisariam combinar-se no decorrer de bilhões de anos para que patas se transformassem em asas funcionais, guelras em pulmões capazes de respirar ar ou nadadeiras se tornassem patas capazes de andar sobre o solo. Ok. E mais uma vez, a questão óbvia e inescapável, que se torna uma pedra no sapato dos cientistas, é que um processo como esse teria que, necessariamente, dar origem a bilhões de formas de transição.

E o próprio Darwin expressou essa realidade em outras partes de seu livro: "Se minha teoria for verdadeira, numerosas variedades intermediárias ligando mais entre si todas as espécies do mesmo grupo certamente deveriam ter existido... Conseqüentemente, deverão ser encontradas evidências da sua existência anterior entre os restos fósseis que se encontrem preservados, como tentaremos mostrar em capítulo seguinte, em um registro extremamente imperfeito e intermitente".[3]

Portanto, Darwin estava bem ciente de que jamais haviam sido descobertos fósseis desses elos de transição. Ele próprio considerava este grande empecilho à sua teoria.

"Porém, exatamente na mesma proporção em que esse processo de extermínio atuou em tão grande escala, deveria ter existido um número de variedades intermediárias verdadeiramente enorme, variedades estas que teriam existido sobre a Terra. Por que então todas as formações geológicas, em todos os estratos, não estão repletas de formas de transição como essas? A geologia certamente não revela nenhuma cadeia orgânica com gradação tão fina como esta; e isto talvez seja a objeção mais óbvia e mais grave que possa ser feita contra a minha teoria."[4]

Charles Darwin. “Dificuldades da Teoria”, capítulo de A Origem das Espécies.


Em face desse grande dilema, a única explicação que Darwin apresentou foi a insuficiência do registro fóssil em seu tempo, o que foi coerente da sua parte, baseado nos conhecimentos disponíveis em sua época. Mas ele afirmou que as formas de transição não existentes inevitavelmente apareceriam quando o registro fóssil fosse completado e examinado detalhadamente. Entretanto...


Isso é ou não uma bela foto?


A verdade histórica é que a pesquisa cada vez maior e mais capacitada de fósseis, durante os últimos 150 anos, frustrou todas as expectativas de Darwin! – E de todos os evolucionistas que o acompanharam também... – Não foi encontrado sequer um simples fóssil de qualquer forma de transição!!

Hoje, existem cerca de 100 milhões de fósseis preservados em milhares de museus e exposições. E todos eles são restos de espécies plenamente desenvolvidas com suas características específicas, separadas de todas as outras espécies por características fixas. Quanto aos fósseis de meio-peixe-meio-anfíbio, meio-dinossauro-meio-ave, e, principalmente, enigma dos enigmas, meio-símio-meio-humano, preditos tão confiantemente e definitivamente pelos evolucionistas, JAMAIS foram encontrados.

Apesar de ser evolucionista, Steven M. Stanley, da John Hopkins University, admite que "o registro fóssil conhecido não está e nunca esteve de acordo com o gradualismo proposto por Darwin...”.[5]


“A maioria dos paleontólogos sentiu que as evidências contradizem a afirmação de Darwin a respeito de alterações lentas, pequenas e cumulativas levando as espécies a se transformarem.”

Dr. William Coleman, historiador da Biologia


Não há como negar que a ausência total de evidências de sequer uma única forma de transição entre fósseis, provenientes de fontes tão ricas, não pode mais ser atribuída a insuficiência dos registros fósseis. Temos que considerar a invalidade de alguns pontos da teoria da evolução, ao menos em essência. Ou, como diria meu filho de dez anos, numa situação como essas: "E agora??" São muitos os cientistas que admitem as implicações dessa ausência das formas de transição, bem como a implicação desta ausência no quadro geral da teoria da evolução. Rudolf A Raff, diretor do Indiana Molecular Biology Institute, e Thomas C. Kaufmann, pesquisador da Universidade de Indiana, escreveram em sua obra Embryos, Genes and Evolution: "A ausência de formas ancestrais ou intermediárias entre espécies fósseis não é uma peculiaridade bizarra da história inicial dos metazoários. Hiatos são gerais e prevalecentes ao longo do registro fóssil".[6]

Ian Tattersall e Niles Eldredge, curadores do Departamento de Antropologia do American Museum of Natural History, da cidade de Nova York, descrevem como o registro fóssil contradiz a teoria da evolução: "O registro é descontínuo, e todas as evidências mostram que ele é real: os hiatos que vemos refletem acontecimentos reais na história da vida – não o resultado de um registro fóssil deficiente".[7]


Em outras palavras, é um fato científico plenamente observável que as espécies que conhecemos (e as que não chegamos a conhecer) 'surgiram' repentinamente na história do nosso planeta! Mas, se há tantas evidências científicas nesse sentido, porque tanta dificuldade em reconhecer isto? Porque soa 'anticientífico' demais aceitar que a vida simpesmente SURGIU DO NADA (que vontade de repetir todas aquelas citações que eu coloquei no começo deste post!)... Como afirmam todos esses cientistas evolucionistas, entre muitos outros, a verdadeira história da vida pode, sim, ser vista no registro fóssil, mas este não aponta formas de transição. Ou seja, a teoria da evolução, se indubitavelmente correta em alguns dos seus aspectos, em outros se revela incompleta ou mesmo equivocada. Uma verdade difícil de engolir, mas... ainda é a verdade.



As citações do cabeçalho deste post podem ser encontradas em:

Rabino Z´ev ben Shimon Halevi: http://hebreu.blogspot.com/2005/11/ado-e-rvore-kabbalstica.html;
Paramahansa Yogananda: YOGANANDA, Paramahansa. a Essência Do Bhagavad Gita, São Paulo: Editora Pensamento, p. 311;
Lao Tsé: BULL, Wagner J. Aikido, Caminho da Sabedoria, São Paulo: Editora Pensamento, p.47;
Jostein Gaarder: GAARDER, Jostein. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 30.



Referências bibliográficas:

1. GRASSÉ, Pierre P. Evolution of Living Organisms, New York: Academic Press, 1977, p.4.
2. DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, p. 281-283.
3. Idem, p. 211.
4. Ibidem, p. 291, 292.
5. STANLEY, S. M. The New Evolutionary Timetable: Fossils, Genes and the Origin of Species, New York: Basic Books, Inc., 1981, p. 71.
6. RAFF, R. A. / KAUFMAN, T. C., Embryos, Genes and Evolution: The Developmental Genetic Basis of Evolutionary Change, in: Indiana University Press, 1991, p. 34.
7. ELDREDGE, Niles/TATTERSALL, Ian, The Myths of Human Evolution, New York: Columbia University Press, 1982, p. 59.




Post baseado em artigo do portal 'Criacionismo', de Michelson Borges: www.michelsonborges.blogspot.com



Criacionismo X Evolucionismo

Professor Michael Reiss

Michael Reiss, reverendo anglicano e dirigente de educação da Royal Society britânica, a mais prestigiada sociedade científica da Inglaterra, cometeu um deslize para ser lembrado para o resto de sua vida. - Em discurso na Inglaterra, em setembro do ano passado, ele sugeriu que a teoria da evolução de Charles Darwin, que vimos no post anterior, deveria ceder ao criacionismo parte do seu espaço no currículo escolar básico. O que se seguiu ao pronunciamento foi uma tempestade pública que só se acalmou com a demissão de Reiss do cargo de diretor.

O episódio deu a oportunidade perfeita para as duas mais importantes confissões cristãs da Inglaterra reiterarem seu apoio à teoria da evolução de Darwin. O primeiro veio da Igreja Anglicana, na qual o naturalista inglês é batizado: um pedido de desculpas pela posição contrária de alguns de seus clérigos, como é o caso de Reiss, – que não representa a posição oficial da instituição religiosa, que jamais o condenou. "Duzentos anos após seu nascimento, a Igreja Anglicana da Inglaterra lhe deve desculpas (a Darwin) pelos mal-entendidos"...

A segunda manifestação partiu do presidente do Conselho para a Cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, que reafirmou que "não há contradições entre o evolucionismo e as idéias católicas".

A Igreja Católica jamais se declarou contra teoria da evolução de Darwin, embora tenha mostrado certa relutância em aceitá-la nas primeiras décadas após a publicação de A Origem das Espécies, em 1859. - Reação idêntica a da própria comunidade científica da época. - E foi exatamente a retomada das descobertas genéticas pelo monge católico Gregor Mendel, no século 20, que permitiu à ciência comprovar a teoria evolucionista – até então controversa e puramente abstrata.

Em 1950, o papa Pio XII afirmou que "não há contradição entre a evolução e a doutrina cristã", posição que foi reforçada por João Paulo II, em 1996. Já o ministro de Cultura do Vaticano lembrou que "Darwin nunca foi condenado e seu livro 'A Origem das Espécies' nunca foi proibido pela Igreja Católica". - O sacerdote espanhol e professor de história da ciência, Rafael Martínez, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, disse à revista VEJA que "os primeiros mal-entendidos a respeito da aceitação da teoria da evolução referem-se a uma interpretação literal da narração bíblica da criação. Hoje entendemos que a Sabedoria Divina criou o mundo utilizando as forças da natureza".

A aversão que ainda persiste às idéias de Darwin deve-se a um grupo específico de religiões, como algumas confissões batistas, metodistas e pentecostais, que permanecem presas à leitura ao pé da letra da origem do Universo contida na Bíblia. São os chamados 'criacionistas', um grupo bem instalado em algumas regiões dos Estados Unidos e em outras cidades importantes do mundo, como São Paulo (Brasil).

O comunicado da Royal Society diz que os comentários de Reiss, que havia falado na condição de dirigente da entidade, se prestavam facilmente a "interpretações erradas", e conclui: "Mesmo que não fosse essa sua intenção, houve dano à reputação da Society. O criacionismo carece de base científica e não deveria ter parte no currículo de ciências. E se um jovem levanta a questão do criacionismo numa aula de ciência, os professores deveriam ser capazes de explicar que a evolução é uma teoria com sólida base científica e que esse não é o caso, de modo algum, com o criacionismo".

O prelado acrescentou ainda que, para um estudo produtivo do evolucionismo, se faz necessário um "ato de humildade" da parte dos teólogos e "a superação da arrogância" por parte de alguns cientistas.



Aprofundando o assunto:
Darwinismo em debate no Vaticano;
Darwin na perspectiva cristã (para ler e ouvir);
Instituto Presbiteriano Mackenzie defende criacionismo em aulas de ciências.



Fontes:
Portal do jornal O Estado de São Paulo, seção Vida & Educação - http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid243441,0.htm (27/02/2009);
Revista Veja. Edição 2079, de 24 de setembro de 2008.



O enigma de Darwin

Charles Darwin (*1809 + 1882)

Charles Darwin é um verdadeiro enigma moderno. Não sob a ótica da ciência, área em que seu trabalho é plenamente aceito e festejado como ponto de partida para um grau de conhecimento sem precedentes a respeito dos seres vivos. Sem a teoria da evolução, a moderna biologia, - incluindo a medicina e a biotecnologia, - simplesmente não faria sentido. O enigma reside na relutância, quase um mal-estar, que suas ideias ainda causam entre um vasto contingente de pessoas, algumas delas fervorosamente religiosas, mas outras nem tanto.

Vejamos o que ocorre nos Estados Unidos: estamos falando de um país que, longe de ser apenas a superpotência tirana e imperialista que seus inimigos tanto gostam de pintar, dispõe das melhores universidades do mundo, detém metade de todos os cientistas premiados com o Nobel e registra mais patentes do que todos os seus concorrentes diretos somados. Ainda assim, somente um em cada dois cidadãos americanos acredita que o homem possa ser produto da evolução das espécies. - O outro considera razoável que nós, do jeito que somos, juntamente com todas as coisas que existem e nos cercam, do jeito que são hoje, sejamos dádivas prontas e finalizadas da Criação divina.

Mesmo na Inglaterra, país natal de Darwin, o fato de ele ser festejado como herói nacional não impede que um em cada quatro ingleses duvide de suas ideias ou as veja como pura enganação. No ano do bicentenário de nascimento de Darwin e, por coincidência, ano de aniversário de 150 anos da publicação de seu livro mais célebre, A Origem das Espécies, como explicar a persistente má vontade para com as suas teorias em países campeões na produção científica?

Para investigar a razão pela qual as ideias de Darwin ainda são vistas como perigosas, é preciso recuar no tempo e observar o passado. Quando o naturalista inglês propôs pela primeira vez as suas teses sobre a evolução pela seleção natural, a maioria dos cientistas acreditava que a Terra não tivesse mais de 6.000 anos de existência(!) e que as maravilhas da natureza fossem manifestação da Sabedoria divina. A hipótese mais aceita sobre os fósseis de dinossauros era que se tratavam de resquícios das criaturas que perderam o embarque na Arca de Noé e haviam sido extintas pelo dilúvio bíblico(!).

A publicação de A Origem das Espécies teve o efeito de um tsunami na Inglaterra vitoriana. Os biólogos se viram desmentidos na sua certeza de que as espécies eram imutáveis. A Igreja, bem como os religiosos de todas as religiões, ficou perplexa por alguém desafiar a crença segundo o qual Deus criou o homem à sua semelhança e todos os animais já da forma como os conhecemos hoje. A sociedade se chocou com a deturpada conclusão de que o homem não seria um ser especial na natureza e, ainda por cima, teria parentesco com macacos. Havia, naquele momento, uma compreensível grande contestação, mesmo científica, às novas ideias. Darwin havia reunido, sim, uma quantidade impressionante de provas empíricas – mas ainda restavam, como ainda restam, muitas questões sem resposta.


'A Origem das Espécies' - 1859


O primeiro exemplar de A Origem das Espécies a sair da gráfica foi enviado a sir John Herschel, um dos mais famosos cientistas ingleses vivos em 1859. Darwin tinha tanta admiração por ele que o citou no primeiro parágrafo de sua obra. Herschel não gostou do que leu. Ele não podia acreditar, sem provas científicas tangíveis, que as espécies podiam surgir de variações ao acaso. Pressionado, Darwin disse que, se alguém lhe apontasse um único ser vivo que não tivesse um ascendente, sua teoria poderia ser jogada no lixo. - O que se encontrou, a partir daí, foram evidências em profusão da correção do pensamento de Darwin, ao menos em seus pontos essenciais. Hoje, para entender a história da evolução, sua narrativa e mecanismo, os modernos darwinistas não precisam conjeturar sobre o funcionamento da hereditariedade. Eles simplesmente consultam as estruturas genéticas. As evidências que sustentam o darwinismo são agora de grande magnitude – mas, estranhamente, a ansiedade permanece.

Outros pilares da ciência moderna, como a teoria da relatividade, de Albert Einstein, não suscitam tanta desconfiança e hostilidade. Raros são aqueles que se sentem incomodados diante da impossibilidade de viajar mais rápido que a luz ou saem à rua em protesto contra a afirmação de que a gravidade deforma o espaço-tempo. Evidentemente, o núcleo incandescente da irritação causada por Darwin deve ter origens religiosas. A descoberta dos mecanismos da evolução enfraqueceu o principal argumento disponível na época para a existência de Deus. Se Ele não é responsável por todas as maravilhas da natureza, sua presença só poderia ser realmente sentida através da fé de cada indivíduo. Mas isso não bastava na época de Darwin. E a postura de certos homens de ciência só fazia piorar a situação. - Em 1920, ao escrever sobre o impacto da divulgação das ideias darwinistas, Sigmund Freud deu seu afobado palpite: "Ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autoestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente do mundo animal". Pelo raciocínio do psicanalista, a rejeição à teoria da evolução seria uma forma de compensar o "rebaixamento" da espécie humana contido nas ideias de Copérnico e Darwin.

Bem, uma boa parte dos mais brilhantes cientistas de hoje concordaria que afirmar que o ser humano, mesmo sob uma ótica estritamente científica, não é um ser especial, que não se destaca na natureza de maneiras ainda incompreensíveis, seria no mínimo um radicalismo. Mas em fins do século 19 e início do 20 faltava bom senso e noção de meio-termo, tanto por parte da maioria dos religiosos quanto dos cientistas. O que ainda ocorre nos dias de hoje.

O biólogo americano Stephen Jay Gould, um dos grandes teóricos do evolucionismo no século 20, falecido em 2002, dizia que as teorias de Darwin são tão mal compreendidas não porque sejam complexas, mas porque muita gente evita compreendê-las. Concordar com Darwin significa aceitar que a existência de todos os seres vivos é regida pelo acaso e que não há nenhum propósito elevado no caminho do homem na Terra.

"As grandes ideias e teorias são aceitas ou rejeitadas popularmente por suas consequências, não pelo seu valor intrínseco. Infelizmente, a evolução é percebida por muitos como uma arma projetada para destruir a religião, a moral e o potencial dos seres humanos".

Stephen Jay Gould (EUA), biólogo e teórico exponencial do evolucionismo, falecido em 2002


Uma pesquisa publicada pela revista New Scientist sobre a aceitação do darwinismo ao redor do mundo mostra que os mais ardentes defensores da evolução estão na Islândia, Dinamarca e Suécia. De modo geral, a predominância da crença na evolução inversamente proporcional à da crença em Deus. Mas a pesquisa encontrou outra configuração interessante: os habitantes dos países ricos acreditam menos em Deus que aqueles que vivem em países inseguros.


Medo da separação


Emma Darwin


Muito religiosa, Emma, a esposa de Darwin, temia que o marido fosse para o inferno. Ela dava por certo que iria para o céu, e sofria com a ideia de ficar separada do marido pela eternidade.

Mas, se por um lado a teoria da evolução causa mal-estar em muita gente, a verdade é que só algumas confissões evangélicas converteram o darwinismo em um inimigo a ser combatido a todo custo. Como essas religiões são poderosas nos Estados Unidos, é lá que se trava o mais renhido combate dessa 'guerra santa'. Ciência e religião já andaram de mãos dadas pela maior parte da história da humanidade (post futuro). Mas esse nó se desatou há dois séculos e Darwin foi um dos maiores responsáveis por esse funesto divórcio, com nítidas desvantagens para ambos os lados.

Desde o ano passado, o bordão entre os criacionistas americanos é "liberdade acadêmica". A ideia que tentam passar é que o darwinismo é apenas uma teoria e não um fato, que ainda por cima está cheio de lacunas e é carente de provas conclusivas. Sendo assim, não há por que Darwin merecer maior destaque que o criacionismo. Mas a verdade é que esse argumento é muito fraco. Em seu significado comum, 'teoria' é sinônimo de hipótese, de 'achismo'. - Mas a teoria da evolução de Darwin leva o termo em sua conotação científica, muito mais rígida. - Nesse caso, a teoria é a síntese de um vasto campo de conhecimentos formado por hipóteses que foram testadas e comprovadas por leis e fatos científicos. Ou seja, uma linha de raciocínio que foi confirmada por evidências e experimentos.

A ciência não tem respostas para todas as perguntas. Não sabe, por exemplo, o que existia antes do Big Bang, que deu origem ao universo há 13,7 bilhões de anos. O conhecimento humano só começa cerca três minutos depois do evento, quando as leis da física passaram a existir. Os cientistas também não são capazes de recriar a vida a partir de uma poça de água e alguns elementos químicos – o que muitos acreditam ter acontecido 4,5 bilhões de anos atrás. Teria a Mão de Deus contribuído para que esses eventos primordiais tenham ocorrido? Não cabe à ciência responder enquanto não houver provas científicas do que aconteceu, e por isso mesmo, acreditar numa Energia inteligente suprema e criadora não contraria a ciência, em essência, e vice-versa.

O fato é que a luta dos criacionistas contra Darwin nada tem de científica. Em sua profissão de fé, eles têm o pleno direito de acreditar literalmente em tudo o que diz o livro do Gênesis. - Coisa bem diferente é querer impingir essa maneira de enxergar a natureza às crianças em idade escolar, renegando fatos comprovados pela ciência. Essa atitude nega às crianças os fundamentos da razão, substituindo-os pelo pensamento sobrenatural.

Sidarta Gautamam, o Buda histórico, entendeu a importância de se trilhar o Caminho do Meio. Manda o bom senso que não se contraponha ciência à religião. A primeira perscruta os mistérios do mundo físico; a segunda, os do mundo espiritual. Elas não necessariamente se eliminam. Há cientistas eminentes que creem em Deus e não veem nisso nenhuma contradição com o darwinismo. Um dos mais conhecido deles é o biólogo americano Francis Collins, um dos principais responsáveis pelo mapeamento do DNA humano e diretor do Projeto Genoma. Diz ele: "Usar as ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada. A Bíblia não é um livro científico. Não deve ser levado ao pé da letra".

A Igreja Católica aceitou há bastante tempo que sua atribuição é cuidar da alma de seu 1 bilhão de fiéis e que o mundo físico é mais bem explicado pela ciência. E, mesmo chefiado por um Papa que muitos consideram conservador, o Vaticano até organizará, ainda em Março deste ano, o simpósio 'Evolução biológica: fatos e teorias – Uma avaliação crítica 150 anos depois de A Origem das Espécies'. - Isto é, sim, evolução do pensamento religioso: necessária e sempre benéfica.



Veja o quadro 'Atualidade da evolução' (o darwinismo explica).



Fonte:
Reportagem de Gabriela Carelli, Leandro Narloch, Paula Neiva e Renata Moraes. Veja 2099 - 02/2009, Acervo Editora Abril. Contém excertos de Henrique K. Merton.



História do Cristianismo - 4

Origens da Bíblia - conclusão


A Bíblia não foi escrita de uma só vez. Levou quase 1.300 anos para alcançar a sua forma atual(!). Começou a ser compilada aproximadamente 1.200 anos antes de Jesus e terminou cerca de 100 anos após o seu nascimento, quando o Apóstolo João Evangelista escrevendo o Apocalipse. Mas as suas origens remontam a tempos bem anteriores a 1200 aC. As histórias que foram registradas nos livros da Bíblia certamente tiveram a sua origem na tradição oral dos antigos hebreus, isto é, as histórias tradicionais que eles contavam uns aos outros e que eram passadas de geração em geração. Essa transmissão oral das histórias de acontecimentos antigos certamente permaneceu por muito tempo entre aquele povo, até que os chamados escribas começaram a passar tudo para o papel. Foi assim que, pouco a pouco, a Bíblia começou a ser formada.

A maior parte da Bíblia foi escrita na Palestina, terra onde o povo hebreu viveu e por onde Jesus andou. Outras partes foram escritas na Babilônia, onde o povo de Israel viveu como escravo por 70 anos, e no Egito, para onde muitos deles se mudaram a partir de um certo período da História. Outras partes, ainda, foram escritas na Síria, na Ásia menor, na Grécia e na Itália.

Por isso tudo é muito importante estudar a Bíblia com extremo cuidado e atenção: ela utiliza modos de falar e pensar BEM diferentes do nosso. Se não soubermos interpretar corretamente as suas mensagens, corremos o risco de deturpar o seu real significado. E acredite, isso é o que mais se vê.

Como vimos no post anterior, a Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego, que foram as línguas que se sucederam na terra onde o povo hebreu viveu, e que eram faladas pelos povos que escreveram os diferentes livros que a compõem. Dentro da Bíblia nós encontramos de tudo: fatos históricos, mitologia, histórias metafóricas, provérbios, cânticos, cartas, leis, etc... Mas por trás de tudo isso está o anúncio da mais importante das mensagens: a da importância de se conhecer a Deus como Pai, o Criador de todas as coisas, e ver em cada um dos nossos próximos um irmão ou uma irmã.

Sendo a Bíblia é uma biblioteca composta de 73 livros escritos por autores diferentes em épocas diferentes, não é de se admirar que o estilo narrativo e até doutrinário de muitos desses livros sejam bem diversos e por vezes pareçam até contraditórios. Mas esse é um outro longo assunto que terá que ficar para uma outra ocasião. Alguns dos livros que compõem a Bíblia não passam de uma página; outros são bem maiores. Todos eles, porém, descrevem a história de um povo que viveu a busca da única verdadeira felicidade: Deus.


Os dois Testamentos da Bíblia cristã:

O Antigo Testamento (AT), que é uma preparação para a vinda de Jesus. Corresponde aos tempos da Antiga Aliança (‘testamento’, no contexto bíblico, quer dizer ‘aliança’), uma longa saga que se inicia com a criação do Universo e vai até aproximadamente 465 aC (época da produção do último livro do AT – o do Profeta Malaquias). Ao longo de todo esse tempo, o povo de Israel vai vivendo uma espécie de 'graduação' espiritual: é liberto da escravidão do Egito pelo próprio Criador, que se manifesta a Moisés e se identifica como o “Deus de Abraão, Isac e Jacó”, o conduz à terra prometida, o educa para a liberdade e a fraternidade e o prepara para a vinda do seu próprio Filho, no futuro. Mas, apesar da mensagem central de Amor e fraternidade, o AT está recheado de passagens bem complicadas para as mentes mais sensíveis, cenas e afirmações que refletem usos, costumes e tradições dos povos orientais da Antiguidade, bem difíceis de serem entendidas pelo ocidental moderno. Precisamos tomar cuidado e analisar tudo dentro do seu devido contexto, e evitar interpretar exortações que foram feitas há 4.000 anos usando dos nossos padrões de moral atuais; - que por sinal foram completamente moldados pelo próprio Cristianismo...

O Novo Testamento (NT), que contém os quatro Evangelhos canônicos, onde se narra a vida de Jesus Cristo, seus ensinamentos, milagres, morte e ressurreição. Os seus demais livros relatam o nascimento da Igreja, - seus primeiros passos e a sua atuação à luz do Espírito Santo. - No NT encontramos ainda as cartas enviadas pelos Apóstolos às várias comunidades da Igreja nascente, com o objetivo de direcionar, animar e alinhar a fé dos irmãos em Cristo, anunciando as Boas Novas (em grego Besora = Evangelho) de Jesus Cristo.


Para facilitar a sua leitura e a localização das lições, a Bíblia foi dividida em ‘capítulos’ e ‘versículos’ ou versos. Essa divisão foi feita no ano de 1.228, pelo cardeal Langton. A Bíblia toda possui 1.333 capítulos e 35.700 versículos. 'Capítulo', na Bíblia, corresponde a um trecho longo, formado por vários 'versículos', que são trechos mais curtos, formados por uma frase ou menos.

Cada livro da Bíblia possui uma abreviação específica. Por exemplo: o livro do Gênesis, o primeiro do AT, abrevia-se Gn; o livro do Êxodo abrevia-se com as letras Ex; o Evangelho de Mateus com Mt; o livro do Apocalipse com as letras Ap, e assim por diante. - As abreviações são muito usadas nas citações de passagens bíblicas.

Vejamos agora como encontrar um trecho na Bíblia. Para ler 'Jr. 20, 7 - 9', procure do profeta Jeremias. - Se é um profeta, você já sabe que está no Antigo Testamento, certo? - Esse livro possui 52 capítulos. No exemplo em questão, nós estamos interessados no capítulo 20. Quando encontrar esse capítulo, vai notar que ele tem 18 versículos. Aí é só procurar os versículos 7-9, isto é, do 7 ao 9: os de número 7, 8 e 9. Muito simples.


Milhões de pessoas de diversas nacionalidades consideram a Bíblia como o maior presente que Deus legou à humanidade. Outros a vêem como um entre outros livros sagrados, e outros a entendem como ‘apenas’ um tesouro histórico. Mas independente da sua relação (se é que existe alguma) com a Bíblia Sagrada, é fato incontestável que se trata do documento espiritual e histórico mais importante da história humana. A leitura cotidiana da Bíblia é uma grande (e intrincada) arte, e deve ser encarada como tal.


Quem traduziu a Bíblia?

Já vimos que a Bíblia possui três idiomas de origem (hebraico, aramaico e grego). Mas com o passar do tempo, foram surgindo traduções para diversos idiomas. Hoje em dia, a Bíblia é o livro mais traduzido no mundo, e isso foi graças ao esforço de muitos estudiosos de épocas passadas. Jerônimo é um grande exemplo disso: foi ele quem primeiro traduziu a Bíblia para o latim. Pouco a pouco, após essa primeira tradução, foram sendo feitas novas traduções em mais e mais línguas, até chegar ao ponto atual: a Bíblia como o livro mais lido mundialmente.




A pergunta mais importante: como interpretar a Bíblia?

A correta interpretação da Bíblia é fundamental para qualquer cristão, mas NÃO devemos interpretá-la de qualquer maneira. É muito importante notar que, segundo a própria Bíblia, Jesus Cristo deu autoridade aos seus Apóstolos para que transmitissem a sua real mensagem aos quatro cantos do mundo, e isso para que os seus ensinamentos não fossem deturpados e nem interpretados equivocadamente.

A Bíblia pode facilmente se converter, de instrumento da Verdade, num pretexto para se justificar todo tipo de exploração da fé, fanatismo e superstição, o que já ocorreu inúmeras vezes ao longo da história humana. - Fundamentar uma fé cega na Bíblia, como a única detentora de todas as respostas que nunca erra, e ao mesmo tempo crer que basta a sua leitura para se conhecer a Verdade final de todas as coisas: eis aí uma combinação perigosíssima. Muitos são os equívocos que podemos cometer na tentativa de interpretar a Bíblia sem a ajuda de outras fontes ou de um conhecedor do assunto.

O mundo de hoje está repleto de seitas e religiões que pregam a livre interpretação dos textos bíblicos, desprezando qualquer conhecimento prévio dos seus significados e contextos. Absolutamente qualquer um pode ler a Bíblia, interpretá-la ‘do seu jeito’, alugar uma garagem e criar uma nova ‘igreja’. E isso vêm acontecendo mais e mais, a cada dia que passa... O que vemos ao nosso redor, nos dias de hoje, é uma profusão de seitas e mais seitas que pregam interpretações pessoais e descomprometidas dos textos sagrados. Alguém simplesmente lê a Bíblia, decora meia dúzia de passagens e se acha no direito de 'pastorear' outras pessoas. Basta uma breve busca na internet para encontrar uma infinidade de "cursos para 'pastor’" que não duram mais do que três ou quatro meses! Sei, pelo testemunho direto de ex-alunos de alguns desses cursos, que a ênfase de tais aulas está muito mais no poder de persuasão e nas técnicas de comunicação e convencimento do pregador do que no conhecimento aprofundado da Bíblia em si. Quais os resultados da proliferação indiscriminada desses verdadeiros 'profissionais da fé'? Os exemplos são inúmeros e estão ao nosso redor. Cada um faça a sua análise segundo o seu discernimento e a sua consciência.


Enquanto isso, há milhares de anos...

"Não se preocupe tanto com a exatidão histórica. O importante
é a mensagem, ninguém vai levar tudo literalmente, mesmo..."



Fonte bibliográfica:
STACCONE, Giuseppe. Teologia para o Homem Crítico, São Paulo: Editora Vozes,1984, p. 30;
Charge: Sipress. Veja 2099 - 02/2009, Acervo Editora Abril.



História do Cristianismo - 3

Origens da Bíblia


A Bíblia é o livro mais lido de toda a história da humanidade: foi a primeira obra literária a ser impressa e já foi traduzida para 1.685 línguas(!). Milhões e milhões de pessoas procuraram e continuam procurando sabedoria e conforto nas suas páginas, e muitos encontraram aí a força e a coragem para viver a sua fé. Muitos outros se perderam em elucubrações lógicas, tentando conciliar as aparentes contradições existentes entre suas muitas afirmações. Outros acreditaram ter encontrado nela as previsões para todos os acontecimentos deste mundo, passados e futuros. Alguns insistem em interpretá-la ao pé da letra, acreditando literalmente, por exemplo, que todo o Universo foi criado em seis dias, mesmo contra todas as provas científicas e datações geológicas incontestáveis em contrário que temos hoje. Há também os que tentam conciliar as suas histórias com as histórias de outros livros sagrados de outros povos.

A Bíblia está repleta de narrativas fantásticas, que são míticas para os pesquisadores científicos, acontecimentos maravilhosos reais para os fundamentalistas, e preciosas lições metafóricas para os espiritualistas. - As histórias fantásticas da Bíblia serão contadas e analisadas, numa outra série do 'a Arte das artes' que começa em breve. Por ora, importa explicar o que é a Bíblia.

A Bíblia é sagrada para judeus, cristãos, muçulmanos e também para uma infinidade de outras religiões e seitas menores ao redor do globo, mas ela não caiu pronta do céu. Ela surgiu do meio de um povo muito singular do antigo Oriente: o povo de Israel, formado pelos descendentes de Abraão, os chamados hebreus. A grande obra literária hoje conhecida como 'Bíblia' na verdade não é um livro, mas uma coleção de livros, uma biblioteca reunida, daí o nome, que vem do grego 'biblios'. Segue a relação dos 73 livros que compõem a Bíblia, com a sua devida classificação:

Livros do Antigo Testamento ( 46 Livros )

PENTATEUCO (5)

- Gênesis
- Êxodo
- Levítico
- Números
- Deuteronômio

HISTÓRICOS (16)

- Josué
- Juízes
- Rute
- I Samuel
- II Samuel
- I Reis
- II Reis
- I Crônicas
- IICrônicas
- Esdras
- Neemias
- Tobias
- Judite
- Ester
- I Macabeus
- II Macabeus

POÉTICOS E SAPIENCIAIS (7)

- Jó
- Salmos
- Provérbios
- Eclesiastes
- Cântico dos Cânticos
- Sabidoria
- Eclesiástico

PROFETAS (6)

- Isaías
- Jeremias
- Lamentações
- Baruc
- Ezequiel
- Daniel

PROFETAS (12)

- Oséias
- Joel
- Amós
- Abdias
- Jonas
- Miquéias
- Naum
- Habacuc
- Sofonias
- Ageu
- Zacarias
- Malaquias


Livros do Novo Testamento ( 27 Livros )

EVANGELHOS E ATOS DOS APÓSTOLOS (5)

- Evangelho segundo São Mateus
- Evangelho segundo São Marcos
- Evangelho segundo São Lucas
- Evangelho segundo São João
- Atos dos Apóstolos

EPÍSTOLAS DE PAULO (14)

- Romanos
- I Coríntios
- II Coríntios
- Gálatas
- Efésios
- Filipenses
- Colossenses
- I Tessalonicenses
- II Tessalonicenses
- I Timóteo
- II Timóteo
- A Tito
- A Filemon
- Hebreus

EPÍSTOLAS CATÓLICAS OU UNIVERSAIS (8)

- Epístola de Tiago
- Epístola I de Pedro
- Epístola II de Pedro
- Epístola I de João
- Epístola II de João
- Epístola III de João
- Epístola de Judas
- Apocalipse


Lembrando que esta é a relação completa dos livros da Bíblia, já que na chamada Bíblia protestante, adotada a partir do século XVI por Lutero, não constam os livros de Tobias, Judite, algumas partes dos livros de Daniel e de Ester, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Carta de Jeremias e os dois livros dos Macabeus. Mas por que essa diferença? Essa é uma longa história, mas já que este é um post explicativo... É preciso explicar, oras! Então vamos lá...




COMEÇO DA HISTÓRIA: 300 ou 400 anos antes do nascimento de Jesus muita gente imigrou da Palestina para o Egito... Assim como os italianos que vieram para cá para o Brasil ainda falavam o italiano, mas os filhos começaram a falar português, e os netos já não entendem mais o italiano, assim aconteceu com os judeus que saíram da Palestina para morar no Egito.

Na Palestina falavam o aramaico, que é semelhante ao hebraico. A primeira e a segunda gerações entendiam o hebraico, mas a terceira não entendia porque era uma língua que eles não falavam.

Então sentiu-se a necessidade de fazer uma tradução da Bíblia. A tradução foi feita aos poucos e levou muito tempo. Começou em torno do ano 250 antes de Cristo e levou quase 100 anos até ficar pronta.

Assim eles acabaram ficando com duas Bíblias: uma em língua hebraica para os judeus da Palestina, e outra em língua grega para os judeus que viviam fora da Palestina, lá no Egito.

Os judeus que moravam no Egito foram escrevendo mais alguns livros em grego, e a Bíblia deles ficou maior.

Então os judeus da Palestina confrontaram as duas Bíblias, e fizeram uma lista dos livros que para eles eram Sagrados. Deixaram fora da lista os livros que os judeus do Egito tinham escrito a mais, em grego.

O pessoal do Egito soube disso, mas não ligou e continuou deixando a sua lista aberta. Assim, na Bíblia grega dos judeus, foram acrescentados sete livros a mais: Eclesiástico, Sabedoria, os dois dos Macabeus, Tobias, Judite e Baruc. Além disso, uns trechos de Daniel e Ester e uma Carta de Jeremias. Sendo assim a Bíblia deles ficou mais longa.

A Bíblia dos protestantes segue a lista da Bíblia Hebraica dos judeus da Palestina; a Bíblia dos católicos segue a lista da Bíblia Grega dos judeus do Egito, que se espalhou pelo mundo todo desde aquele tempo, pois a língua do mundo era o grego.


O MEIO DA HISTÓRIA: Os primeiros cristãos eram de Jerusalém e usavam a Bíblia em língua hebraica, aquela mais curta. Mas quando vieram as perseguições, os cristãos começaram a se espalhar para outros países, onde a língua falada era o grego. Passaram então a usar a Bíblia escrita em língua grega.

Tudo ficou tranqüilo até que os judeus da Palestina, para se defender contra os cristãos, começaram a dizer: "Tá vendo?! A Bíblia deles está errada. Tem livros demais."... - Aí fizeram uma reunião no ano 97 dC, e disseram: "Para nós a Sagrada Escritura é esta aqui, a lista pequena". - Mais uma vez, a exemplo dos judeus do Egito, os cristãos não ligaram muito e ficaram com a lista mais longa, que eles consideravam toda Palavra de Deus, inspirada por Ele.

Por volta do ano 400 dC, o Papa Dâmaso pede a Jerônimo, biblista, que traduza a Bíblia para o latim, pois naquele tempo não se falava mais nem o hebraico e nem o grego, mas sim o latim. Precisava então de alguém que fizesse uma nova tradução, para que todo o mundo pudesse entender. Jerônimo concordou e começou a trabalhar.

Jerônimo, porém, não conhecia o hebraico. Procurou então um velho rabino judeu de Belém, para ter aula com ele e os dois acabaram ficando muito amigos. Trocavam idéias sobre a Bíblia, até que Jerônimo ficou influenciado pelo rabino e começou a pensar que a verdadeira Bíblia era aquela mais curta, a dos judeus.

Jerônimo, porém, sabia que a Igreja não pensava como ele; então traduziu tudo, mas disse que os sete livros que não estavam na Bíblia hebraica eram "deuterocônicos": "dêutero" que dizer segundo; "canon" significa lista ou categoria.

São livros da segunda lista, segunda categoria.


O FIM DA HISTÓRIA: A opinião de Jerônimo tinha muito peso na Igreja. Aí a briga começou de novo. Antes ninguém tinha dúvidas, mas depois que Jerônimo veio com esta de "deuterocanônicos", a discussão voltou a ser forte e a briga continuou por muitos e muitos anos.

Com o passar dos séculos, foi ficando tão sério que os bispos resolveram pronunciar-se oficialmente. Fizeram isto numa Carta escrita durante o Concílio Ecumênico de Florença, no ano de 1439. Nesta Carta diziam que para a Igreja Católica faziam parte da agrada Escritura todos os Livros da lista longa.

Tudo parecia em paz, quando o assunto voltou à tona por causa de Lutero. Tendo deixado, por protesto, a Igreja Católica, Lutero tinha começado a Igreja Protestante. A primeira preocupação dele foi traduzir a Bíblia do latim para o alemão.

A Bíblia que Lutero traduziu, porém, foi a Bíblia pequena, aquela dos Hebreus, e com ela reabriu-se mais uma vez a discussão dentro da Igreja. Então, no Concílio de Trento, os Bispos definiram a coisa e, encerraram a discussão: "A Bíblia que a Igreja Católica aceita como inspirada por Deus é aquela longa". Desde então os católicos ficaram com a Bíblia longa e os protestantes com a curta, como Lutero a tinha traduzido.

E esta diferença existe ainda hoje, embora existam também Bíblias protestantes que tragam os outros Livros, porque reconhecem que são Livros antiquíssimos e de grande valor espiritual, humano e histórico.


Agora já sabemos porque a Bíblia católica e a protestante são diferentes, embora não exista nada de fundamentalmente diferente entre uma e outra. A mensagem é a mesma, a origem é a mesma e a doutrina é a mesma. Os livros que constam em uma a mais ou a menos em outra não se contrariam entre si, nem a falta deles significa que o ensinamento esteja incompleto.

Mas esse foi só o começo da nossa história... Você não esperava que eu pudesse contar a origem da Bíblia, mesmo que resumidamente, numa só postagem, não é?



Fonte:
Pe. Lucas de Paul Almeida, CM;
Portal
Diocese de Bauru.



História do Cristianismo - 2

O mais antigo documento cristão



O documento conhecido como 'Didaqué' (Διδαχń) é anterior a diversos livros da própria Bíblia: foi possivlmente escrito antes mesmo do Evangelho de S. João, do Apocalipse e de algumas das epístolas. "Didaqué" é uma palavra grega que significa "instrução" ou "doutrina", e era conhecido como a "Instrução dos Doze Apóstolos", o que lembra muito o que diz o livro de Atos (2,42) sobre "o ensinamento dos Apóstolos". Assim como ocorre com alguns livros do Novo Testamento, é difícil precisar se a obra foi escrita diretamente por algum(ns) dos Apóstolos de Jesus ou sob sua orientação, e se foi produzida por um só ou vários autores.

De todo modo, trata-se indiscutivelmente de uma preciosidade documental, um conjunto de textos que nos permite um mergulho profundo no inconsciente dos primeiros seguidores de Jesus, um olhar incrivelmente vivo e preciso sobre a maneira de ser e pensar das comunidades cristãs de 2 mil anos atrás. Atualmente, os estudiosos concordam que a obra é fruto da reunião de várias fontes escritas e/ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do primeiro século. Os locais mais prováveis da sua origem são a Palestina e a Síria.

A Didaqué é um manual da Religião, uma espécie de Catecismo dos primeiros cristãos: era o principal referencial escrito com que os primeiros seguidores do Cristo contavam além das Escrituras hebraicas, pois a Bíblia Cristã, como a conhecemos, ainda não existia. Esse documento nos permite entender melhor as origens do cristianismo, dá uma ideia de como eram a iniciação, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O(s) autor(es) dirige(m) seus ensinamentos às comunidades formadas pelos primeiros convertidos, que vinham principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos do século I dC. - O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e com diversos trechos dos Evangelhos. Dessa forma, esse Catecismo das comunidades da Igreja Primitiva é um testemunho incrivelmente preciso do modo de vida dos primeiros cristãos. o Texto menciona Bispos, diáconos, os Sacramentos do Batismo, da Confissão e da Eucaristia. 

Notável é o clima de preocupação que a comunidade vive, dentro de uma sociedade estruturalmente pagã, de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas disfarçados de profetas. Sente-se também a esperança um pouco nervosa de uma escatologia (fim dos tempos) próxima, e o tema da perseverança heróica no caminho da fé são características marcantes das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo a sua vocação e a sua missão no mundo.


Conteúdo da Didaqué - A Instrução dos Doze Apóstolos


'O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE'

Capítulo I

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.

2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que lhe façam.

3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que Graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.


CAPÍTULO II

1O segundo mandamento da instrução é:

2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.


CAPÍTULO III

1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.


CAPÍTULO IV

1Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4Não hesite sobre o que vai acontecer.

5Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.

12Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

13Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

14Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.


CAPÍTULO V

1Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.


CAPÍTULO VI

1Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.


'CELEBRAÇÃO LITÚRGICA'

CAPÍTULO VII


1Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.


CAPÍTULO VIII


1Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".

3Rezem assim três vezes ao dia.


CAPÍTULO IX

1Celebre a Eucaristia assim:

2Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".

3Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".

5Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".


CAPÍTULO X

1Após ser saciado, agradeça assim:

2"Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."

7Deixe os profetas agradecerem à vontade.


A VIDA EM COMUNIDADE

CAPÍTULO XI


1Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.


CAPÍTULO XII

1Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!


CAPÍTULO XIII
1Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.


CAPÍTULO XIV

1Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.
3Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".


CAPÍTULO XV

1Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no

Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.
4Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.


O FIM DOS TEMPOS

CAPÍTULO XVI


1Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". 8Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.



Fontes e Bibliografia:
ALTANER, B./STUIBER, A.' Patrologia, São Paulo: Edições Paulinas, 1972, pp. 89/91

Inst. Presbiteriano Mackenzie
Monergismo (Felipe Sabino de Araújo Neto)


História do Cristianismo:

Um legado de 2 mil anos
Baseado em texto de Ivan Antonio de Almeida -
Arquivo "História Viva"


"Apóstolos Pedro e Paulo" (1587) - Pintura de El Greco


Reunidos no dia de Pentecostes, menos de dois meses após a morte de Jesus, seus discípulos mostravam-se desnorteados. “Que faremos agora?”, perguntaram-se em aramaico, a língua falada não só na palestina como em todo o Oriente próximo no primeiro século de nossa era. No início do Cristianismo, ainda havia dúvidas em relação a difusão dos ensinamentos do Mestre.

Tiago, identificado nos Evangelhos como "irmão de Jesus", acreditava ser necessário impor a circuncisão e os costumes judaicos, inclusive o de orar no Templo de Jerusalém, a todos os que desejavam se converter ao Cristianismo. Os judeus de cultura grega, chamados helenistas, logo reclamaram que “suas viúvas eram desprezadas” (Atos dos Apóstolos 6,1) nas atividades cotidianas. Estava instalada a contradição na "comunidade dos nazarenos", como eram denominados os discípulos de Jesus de Nazaré.

Por conta das reclamações, a pedido dos apóstolos e segundo o critério da "boa reputação”, sete helenistas foram escolhidos para representar o grupo. Estevão era seu líder. Mais tarde, este mesmo Estevão foi acusado de blasfêmia pelas autoridades judaicas ortodoxas e morto a pedradas, tornando-se o primeiro mártir cristão. Perseguidos, os demais helenistas fugiram para a Samaria, costa mediterrânea e Antióquia.

Uma das maiores cidades do Império Romano, Antióquia reunia então cerca de 500 mil habitantes, que falavam rotineiramente o grego e o aramaico (ou siríaco). Foi lá que os “nazarenos” receberam o nome de “cristãos”, que significa ‘ungidos’.

Entre os assassinos de Estevão estava um homem enfezado de nome Saul ou Saulo. Não se sabe se ele participou do bárbaro crime, mas ele estava presente no ato do assassinato. Era um judeu helenizado da cidade de Tarso, na Cicília (território hoje pertencente à Turquia). Membro intransigente da seita dos fariseus, (falaremos mais tarde sobre), foi um dos mais ávidos perseguidores da comunidade dos nazarenos. Mais tarde, porém, viria a experimentar uma conversão mística e súbita, e se tornaria uma figura fundamental na formulação do Cristianismo que conhecemos hoje. A partir do episódio miraculoso de sua conversão, adotou o nome de Paulo ('Pequeno'). Foi em grande parte pelo intermédio deste, que passou a querer ser considerado como o menor entre todos, que a mensagem cristã extrapolou os limites dos ambientes judaicos e propagou-se extensamente entre "as gentes" (os 'gentios’, denominação bíblica aos povos não judeus).

A destruição do Templo de Jerusalém, no ano 70 dC, separou definitivamente os cristãos do Judaísmo, e reforçou a sua tendência "católica" (isto é, 'universalista’). Missionários cristãos ultrapassaram as fronteiras do Império Romano. Numa primeira História Eclesiástica, Eusébio de Cesaréia, que viveu entre 265 e 340, conta que “os santos apóstolos e discípulos” de Cristo se espalharam por toda a Terra.

Tomé evangelizou a Pérsia, e, segundo outras fontes, também a Índia. André fez o mesmo com os povos nômades indo-europeus conhecidos como ‘citas’; Marcos foi ao Egito; Mateus dirigiu-se à Etiópia; Bartolomeu alcançou a Índia; João fixou-se na Ásia Menor.

Nos Atos dos Apóstolos é descrita a primeira comunidade cristã da História:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na Comunhão e no partir do pão, e nas orações. E em toda alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que acreditavam estavam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo as necessidades de cada um. Perseverando unânimes todos os dias no Templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.”

Atos dos Apóstolos 2,42-7


Aquele que desejasse pertencer à comunidade cristã devia ser batizado em nome de Jesus: o batismo consistia numa cerimônia iniciática na qual o candidato, ao imergir num rio ou tanque, "morria" para a sua vida antiga e "renascia" para uma vida nova, tendo por modelo o próprio Cristo, conforme relata o a epístola à igreja de Éfeso, no verso 13 do capítulo 4.

O catecúmeno - nomezinho feio para designar aquele que se preparava a receber o batismo – era instruído no ensinamento dos apóstolos, que poderia durar anos, e sua inserção na comunidade se dava de forma gradual. Nos primeiros séculos, o cristão só tinha uma oportunidade de cometer alguma falta grave. Arrependendo-se, poderia, por meio da penitência, voltar à comunidade.

O mais antigo manual cristão conhecido, o ‘Didaquê’, (que quer dizer ‘instrução’), escrito entre os anos 90 e 100, portanto entre 50 e 70 anos após a morte de Jesus, caiu em desuso e quase foi perdido durante mais de oito séculos. – Falava sobre os usos e costumes dos primeiros cristãos, como o jejum às quartas e sextas-feiras e a oração do Pai Nosso três vezes ao dia.



História do Cristianismo: prólogo




Agora que a história de Jesus chamado Cristo foi contada, vamos embarcar numa reflexão profunda sobre a trajetória fascinante e, como não dizer, intrigante, do Cristianismo. Como foi que uma seita judaica relativamente pequena, nascida no interior da Palestina, veio a se tornar a maior religião do mundo?..

Vamos conhecer um pouco melhor essa grande jornada, que passa pela força da pregação de homens como Pedro e Paulo, verdadeiros heróis da fé e pilares do Cristianismo, desde as suas origens até a forma que conhecemos hoje. Vamos entender como a nova religião, já emancipada do Judaísmo, ganhou novo impulso com a conversão de Constantino, e afinal ganhou status oficial depois ser mortalmente perseguida pelo Império Romano.

O nosso estudo não vai deixar de englobar um assunto controvertido: os evangelhos apócrifos (ocultos, escondidos). Até que ponto são válidos para se conhecer a realidade sobre a vida de Jesus? O que têm para nos dizer sobre a história do começo do Cristianismo? Qual a sua origem? Por que não estão na Bíblia? Qual o seu valor histórico e quais as suas origens?

Vamos mergulhar numa análise realista dos fenômenos religiosos que ocorreram na controvertida Idade Média. - Sem parcialidades. - Sem defender e nem atacar. Aqui você não vai encontrar tentativas de justificar o injustificável e nem os ataques caluniosos que está acostumado a ver em outros lugares. Aqui não. Bem à maneira do a Arte das artes, vamos buscar, expor e analisar a verdade dos fatos, à luz da pesquisa histórica pura e simples. Quando houverem opiniões divergentes importantes a respeito de qualquer assunto relevante, todas serão mostradas, e a conclusão ficará ao encargo da sua consciência, leitor.

Vamos entender o primeiro Cisma, que deu origem às igrejas conhecidas atualmente como ortodoxas. Você vai conhecer a importância de Francisco de Assis para a história do Cristianismo, e o quanto a obra desse gigante da fé foi importante e quanto influiu no modo de pensar dos cristãos de hoje, de todas as igrejas, já que na época em que ele viveu havia uma coesão difícil de imaginar hoje. Para todo homem e para toda mulher ocidental da época de Francisco, ser cristão era pertencer a uma Igreja una.

Vamos entender juntos como Carlos Magno reforçou o poder da Igreja e como o Cristianismo conquistou a Europa e posteriormente veio a se militarizar para combater os muçulmanos no período das Cruzadas.




Vamos estudar o descontentamento que gerou o movimento protestante e a chamada ‘Reforma’, que veio a mudar a face daquilo que entendemos por Cristianismo. Vai conhecer a história de Lutero, Calvino e outros precursores desse movimento, e também as transformações que vieram com o passar dos séculos.

Você vai saber como o catolicismo ganhou um novo fôlego com a chegada dos jesuítas, responsáveis pela expansão para os quatro cantos do mundo, e como, a partir daí, a Igreja precisou enfrentar os desafios trazidos pela modernidade, como o Iluminismo e a implantação do Estado laico.

Por fim, vamos aprender como a nova reforma produzida pelo Concílio Vaticano II, já em meados do século passado, representou (e representa) uma tentativa de modernização para os novos tempos, e vamos conhecer as lideranças recentes da Igreja, que combinaram a vocação religiosa com o engajamento social.

Mas é claro que esta é uma história sem ponto final. João Paulo II e agora Bento XVI levaram o catolicismo a retomar um caminho mais conservador. Enquanto isso, no protestantismo, não cessam de proliferar as novas igrejas e denominações, quase todos os dias, muitas vezes com novas e polêmicas interpretações da Bíblia e dos Evangelhos.

Justamente por religião e História caminharem tão próximas é que se torna fundamental conhecer essa longa peregrinação que já dura mais de 20 séculos. Mas os que preferem ler sobre outros assuntos não precisam se preocupar, pois outras postagens, sobre outros temas, continuarão sendo publicadas por aqui, intercaladamente.

Em breve!..

Alimentação saudável

Não esqueça: seu corpo é o Templo. Antes de escolher o que colocar no prato, talvez valha a pena consultar o novo guia que classifica os alimentos com uma pontuação de zero a cem e, nos Estados Unidos, já é tão respeitado que gerou a criação de um selo de qualidade.

Em reportagem assinada pelo jornalista Diogo Sponchiato, na edição de Dezembro, a revista Saúde! trata desse assunto tão importante. A chamada da capa é: "Os 40 alimentos que fazem você viver mais, ou o ranking do que não pode faltar no seu prato". Trata-se, portanto, de uma fonte importante para nos ajudar a fazer as escolhas certas na hora da alimentação. Ao montar o seu prato no restaurante ou em casal, esses dados podem ser muito úteis.


Como foi feito o estudo?

Os alimentos foram elencados depois de mais de uma década de trabalho, pelo nutrólogo David Katz, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Katz é responsável por um sistema que avaliou, item por item, a quantidade de substâncias essenciais para blindar o organismo.


Quantos alimentos foram avaliados?

Katz queria criar um sistema totalmente científico para avaliar o potencial dos alimentos que preservam a saúde por mais tempo. E conseguiu. “Já avaliamos 25 mil alimentos”, contou o cientista à redação da revista Saúde!. “A questão é que eles estão sendo catalogados, isto é, comparados entre si e inseridos no ranking aos poucos”.

O que você vai conhecer agora é a primeira versão dessa tarefa hercúlea — que, no futuro, incluirá milhares de outros itens. Detalhe: Katz garante que não irá sossegar enquanto sua lista tiver menos que 200 mil itens(!).


Nutrientes premiados

São muitos os ingredientes com enorme poder de alçar o alimento às primeiras colocações do ranking. A lista começa com as fibras e segue repleta de vitaminas, como a A, as do complexo B, C, D e E. O time dos minerais é estrelado por ferro, zinco, cálcio, potássio e magnésio. O ômega-3 é a única gordura a dar as caras por aqui, no time benéfico. Para completar, uma explosão de antioxidantes, representados pelos flavonóides e carotenóides, que costumam colorir frutas e verduras.


Arroz e feijão ainda não aparecem no ranking

Aviso aos brasileiros, considerados fenômeno mundial por comerem arroz com feijão todo santo dia sem nunca enjoar, e ainda, quando você pergunta qual seu prato predileto, conseguem a façanha de responder: "arroz com feijão"(!!!). - Um dia ainda vou formular uma tese sobre esse inacreditável fenômeno, que não me atinge, mas tenho certeza que será uma tarefa ainda mais hercúlea que a do Dr. Katz. Falando sério, o cientista, óbvio, deu preferência nessa fase inicial àquilo que faz parte da cozinha dos americanos e com o que está mais familiarizado. Mas “ainda chegará a vez do arroz e do feijão”, avisa ele. - A nutricionista Karla Ferreira, da Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, aposta que alguns dos nossos frutos alcançarão os primeiros lugares quando forem avaliados. “É o caso da jabuticaba, que infelizmente ainda é pouco estudada mundo afora”, diz ela.


Alimentos com a pontuação máxima

Laranja (nossa velha amiga é a primeirona da lista(!), aspargo, damasco, vagem, mirtilo, alface, morango, nabo, espinafre, quiabo, brócolis, couve-flor, repolho, kiwi e folha de mostarda.

Quanto à proteína animal, o salmão é o primeiro da lista. Rico em ômega 3, a única gordura aprovada para consumo moderado, ficou com 87 pontos. Clique aqui para ver a lista completa. Saúde!




Os 40 alimentos para viver mais

Conheça o ranking que apresenta as verduras, as frutas e as carnes que tornam o seu cardápio mais completo e prolongam a sua vida


A lista de alimentos e sua pontuação:

Laranja: 100 pontos

Aspargo: 100 pontos

Damasco: 100 pontos

Vagem: 100 pontos

Mirtilo: 100 pontos

Brócolis: 100 pontos

Couve-flor: 100 pontos

Repolho: 100 pontos

Kiwi: 100 pontos

Folha de mostarda: 100 pontos

Alface: 100 pontos

Morango: 100 pontos

Nabo: 100 pontos

Espinafre: 100 pontos

Quiabo: 100 pontos

Cenoura: 99 pontos

Grapefruit: 99 pontos

Abacaxi: 99 pontos

Ameixa: 99 pontos

Manga: 93 pontos

Batata: 93 pontos

Tangerina: 93 pontos

Cebola roxa: 93 pontos

Banana: 91 pontos

Milho: 91 pontos

Uva: 91 pontos

Melão: 91 pontos

Ruibarbo: 91 pontos

Salmão: 87 pontos

Catfish: 82 pontos

Alface-americana: 82 pontos

Bacalhau: 82 pontos

Tilápia: 82 pontos

Ostra: 81 pontos

Peixe-espada: 81 pontos

Maracujá: 78 pontos

Pitu: 75 pontos

Camarão: 75 pontos

Marisco: 71 pontos

Linguado: 51 pontos


Detalhe: os últimos da lista são o chocolate e os refrigerantes...



Fontes:
Revista "Saúde" - Editora Abril
Vejasaopaulo.Abril.Com.Br/



A supreendente história de Jesus Cristo

Quando aenciclopédia das religiões do Arte das artes chegou ao tópico 'Cristianismo', eu resolvi que faria uma compilação dos quatro Evangelhos canônicos e os publicaria na forma de uma série de postagens. Mas acabei de perceber que a conclusão desse projeto vai ser muito demorada, porque não é possível tratar grandes trechos dos Evangelhos de uma vez. - E eu tenho que confessar que me surpreendi ao perceber que a profundidade dos textos era tanta, que eu não poderia tratar mais do que algumas poucas linhas de cada vez, isso se eu fosse muito sucinto. Percebi que seria até possível publicar grandes posts para falar sobre cada única frase dita por Jesus. - E assim percebi que a demora em concluir essa série seria demais. Por isso mesmo, a partir de agora, a enciclopédia das religiões do Arte das artes volta a ser atualizada do ponto em que parou, qual seja, a origem do cristianismo. Quanto a referida série sobre os Evangelhos, intitulada "Boas Novas", continuará a ser publicada regularmente, como vem sendo feito até aqui. Isso não será nenhum problema sequencial para o blog, pois as mensagens dos Evangelhos tratam sempre de questões espirituais atemporais e universais, que transcendem a qualquer tópico ou assunto.


Claro que sorria! Ou você acha que ele
ficava sisudo nas festas que frequentava?


Para os cristãos, Jesus Cristo não é meramente uma pessoa importante que viveu e morreu há muito tempo. De acordo com as "Boas Novas" (Evangelhos), em especial o Evangelho segundo João, ele é o próprio Deus Criador, "sem o qual nada do que foi feito se fez” (João 1); que encarnou como homem comum (ou quase) e viveu nesta Terra para nos ensinar quanto ao Caminho da Vida e, principalmente, ao final desta vida terrena, derramar o seu sangue para nos dar a vida eterna, resgatando a humanidade sofredora do poder do pecado, de Satanás e da morte. Ele está vivo hoje, agora, e é a nossa única possibilidade de alcançar a vida verdadeira: a santificada.

Segundo essa visão, aceitar ou rejeitar Jesus Cristo é simplesmente uma questão de vida ou morte. “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5,12). E não estamos falando desta vida neste mundo, apenas. Estamos falando da vida eterna de nossa alma imortal. Não há salvação por nenhum outro meio; porque “debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual sejamos salvos” (Atos 4,12).


Segundo a mesma perspectiva, Jesus é o Cristo que preexistia antes de todas as coisas...

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.” - João 1,1-3

“Pois, nele, foram criadas todas as coisas....Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas...” - Colossenses 1:16, 17

“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.” - João 8:58


... E os Profetas predisseram a sua vinda:

"Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará 'Deus Conosco'.” - Isaías 7:14

“E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” - Miquéias 5:2

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim....” - Isaías 9:6, 7

“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer....Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi trespassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades...” - Isaías 53:3, 4, 5


Mas independentemente de quaisquer das questões subjetivas da fé, é um fato que a ideia do Deus todo-poderoso, distante e abstrato do judaísmo, comum também a outras religiões ancestrais, foi definitivamente substituída pela do Pai Amoroso, bem real, próximo e presente, a partir da surpreendente vida de Jesus de Nazaré.


Biografia do personagem histórico Jesus, chamado Cristo

Judeu da Galiléia, nascido em Belém, cidade da Judéia meridional, nos últimos anos do reinado de Herodes o Grande, quando Roma dominava a Palestina e Augusto era o imperador. Independente da ótica religiosa, ele produziu uma das mais profundas alterações na história das civilizações, seja por meio da sua imagem mística de “Filho de Deus” ou como profeta, moralista, revolucionário ou outra das muitas facetas a ela atribuídas.


Problemas de datação

O aparente paradoxo sobre o ano de seu nascimento deve-se a um erro de datação creditado a um monge romano. - No ano 531 da nossa era, um abade romano chamado Dionísio Exíguo, ‘o Pequeno’, escreveu uma carta a um certo bispo Petrônio, reclamando do calendário usado para registrar as datas calculadas para a Páscoa. O ano era '247 anno Diocletiani' (ano de Diocleciano), e lembrava a morte dos mártires cristãos perseguidos pelo imperador romano Diocleciano. Dionísio argumentou que tal calendário lembrava um imperador famoso pela perseguição dos cristãos, e que seria preferível "contar os anos a partir da Encarnação de Nosso Senhor". Dionísio então calculou que o nascimento de Jesus Cristo acontecera exatamente 531 anos antes. A esse ano ele chamou de 'ano I', ou “Il anno Domini nostri Jesu Christi” - Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo. - A carta, assinada em 531 aD ('anno Domini': 'Ano do Senhor') ou dC ('depois de Cristo'), iniciou a contagem de anos que até hoje utilizamos.

Mas, infelizmente, os cálculos de Dionísio estavam errados... A precisa data real do nascimento de Cristo é, até hoje, desconhecida. Os evangelistas não datavam as suas obras e as únicas referências disponíveis são os fatos históricos relatados e datados pelos romanos, que utilizavam o calendário estabelecido por Júlio César em 46 aC. - O calendário romano começava em 753 aC, data da suposta fundação de Roma. - Para os romanos, o ano 1 dC era 753 A.U.C. ('Anno Urbis Conditae' - ano da fundação da cidade).

O Evangelho de Mateus afirma que Jesus nasceu na época de Herodes, o Grande, que segundo os registros históricos romanos morreu em 749 A.U.C., ou seja, 4 aC. Isto quer dizer que Cristo nasceu pelo menos 4 anos “antes de Cristo”, isto é, a partir de 4 aC. - Para muitos estudiosos, o nascimento ocorreu entre 5 e 4 aC. Assim, o ano 2.000 do nosso calendário, contado a partir do que seria o verdadeiro ano do Senhor, já se passou, e ocorreu provavelmente entre 1996/97.

Quanto ao 25 de Dezembro, este só foi fixado como a data de celebração do nascimento de Cristo quando já eram passados mais de quatro séculos da nossa era, - em 440 dC, - numa medida para converter ao cristianismo a festa pagã que se realizava naquele dia. - O objetivo da Igreja era fazer com que os romanos abandonassem os festejos em honra ao deus Mitra, o ‘Sol Invictus’, para celebrar o nascimento de Jesus, a um só tempo Filho de Deus e único Deus verdadeiro: trocar a celebração de um ídolo pela celebração do nascimento do Filho do Deus Vivo.

Um dado curioso: o episódio bíblico da visita dos magos teria ocorrido cerca de 8 meses depois do nascimento de Jesus, ou precisamente em 19/12/06 aC. Essa data exata justificaria inclusive a menção à ‘Estrela Guia’, por uma conjunção planetária identificada em estudos astronômicos modernos.


Os Evangelhos

O principal testemunho sobre a vida e a doutrina de Jesus está contido nos quatro evangelhos denominados canônicos, que constituem a base da fé cristã. Ali estão relatadas as suas palavras e atos, e também as reações do povo ao que ele dizia e fazia. Aceita-se que tenham sido escritos originalmente em grego, se bem que existam sólidas evidências de que o de Mateus possa provir de um texto aramaico anterior. Há muita controvérsia com relação à época em que foram escritos os Evangelhos, e nós voltaremos a este assunto: muitos pesquisadores respeitados consideram o de Marcos anterior ao ano 80, outros o encaixam num período entre 20 e 25. - Mas entre os especialistas há também aqueles que consideram os Evangelhos como registros quase jornalísticos, produzidos como uma espécie de diário 'online' da vida de Jesus, tendo sido escritos enquanto os fatos aconteciam. – Embora a maioria dos estudiosos rejeite essa última tese, existem evidências bem interessantes nesse sentido, como o célebre “Papiro de Jesus”, descoberto por um pesquisador inglês no século 19. - Esta é uma outra história a ser contada. Para os interessados no assunto, há um documentário bem detalhado do Discovery Channel à venda no Americanas.Com. - Já o Evangelho segundo João, denominado o Evangelho gnóstico, que traz muitas diferenças com relação aos outros três, este foi muito provavelmente escrito no final do século I.




Os relatos dos quatro Evangelhos coincidem entre si no conteúdo principal, mas existem diferenças entre um e outro, embora nenhuma delas esteja diretamente relacionada a conceitos essenciais. Há coincidências importantes, também, entre os Evangelhos e os relatos de historiadores da época, como Flávio Josefo, - correspondente judeu da corte de Domiciano e o maior dos historiadores romanos, e também Tácito, para ficar nos exemplos mais óbvios. Eu falei mais sobre esse assunto aqui.

Filho de José, um carpinteiro de Nazaré da Galiléia, e sua esposa Maria, Jesus nasceu quando seus pais estavam em Belém por causa de um recenseamento. Como corria a notícia de que tinha nascido aquele que se tornaria o 'Rei dos Judeus', e como não se sabiam maiores detalhes a respeito, Herodes ordenou a matança de todas os meninos de Belém até dois anos de idade. Jesus, porém, escapou da matança porque seus pais conseguiram fugir para o Egito. Ali permaneceram até a morte de Herodes, alguns meses depois, quando José decidiu regressar com sua família, e estabeleceu-se em Nazaré, onde Jesus provavelmente passou a maior parte da sua vida, trabalhando com o pai nas tarefas de carpintaria.

Segundo Lucas, sua primeira aparição pública se deu aos 12 anos, quando a 'Sagrada Família' visitava Jerusalém: seus pais o encontraram entre os doutores do Templo, ouvindo-os e interrogando-os, e consta que já demonstrava assombrosa sabedoria.

Segundo a tradição cristã, após a morte de José, Jesus compreendeu que estava na hora de começar a cumprir sua missão divina. Aos trinta anos encontrou-se, na Judéia, com seu primo João Batista, filho de Zacarias, famoso na região do Jordão por pregar o batismo para o perdão dos pecados. Ali, também Jesus foi por João batizado, e a partir desse momento iniciou o anúncio das 'Boas Novas', - ‘Evangelho’ no grego, - ou seja, a realização das profecias sobre o Messias e a instauração do Reino de Deus no mundo, a partir de Israel.

Seguiu-se então uma série acontecimentos absolutamente incomuns em sua vida, a começar pelo jejum de quarenta dias no deserto e o episódio miraculoso da conversão da água em vinho nas bodas de Caná, primeira manifestação do seu poder divino. - Iniciou a sua pregação e realizou inúmeros milagres, de Samaria à Galiléia. Foi rejeitado em Nazaré, quando declarou que “Um profeta não fica sem honra, a não ser na sua terra, entre os seus parentes, e na sua. própria casa." (Marcos 6, 1-6) – Afirmação que deu origem ao dito popular “Santo de casa não faz milagre”. Em Cafarnaum, às margens do lago Tiberíades ou mar da Galiléia, aconteceu o episódio da pesca milagrosa.

Aos 31 anos completou a escolha dos seus 12 apóstolos diretos, todos eles galileus, para segui-lo de perto e aprender os mistérios do Reino do Céu, além de, posteriormente, receber dele a autoridade sobre a sua doutrina e a Igreja nascente. Os doze foram estes:

1) Simão Pedro, o “Príncipe dos Apóstolos”;
2) André, o primeiro “pescador de homens” e irmão de Pedro;
3) João, o “Discípulo Amado”;
4) Tiago o Maior, filho de Zebedeu e irmão de João;
5) Felipe, o místico helenita;
6) Bartolomeu Natanael, o Viajante;
7) Tomé, o Ascético;
8) Mateus Levi, o publicano;
9) Tiago Menor, filho de Alfeu;
10) Judas Tadeu, primo do Cristo;
11) Simão Zelote, o cananeu;
12) Judas Iscariotes, o traidor, que viria a ser substituído por Matias.


Foi também aos 31 anos que Jesus realizou o famoso Sermão da Montanha e pregou suas mais notáveis parábolas, através das quais transmitia sua doutrina ao povo, aos sacerdotes e especialmente aos seus seguidores. No período de seus 32 anos aconteceu a morte de João Batista por ordem de Herodes Antipas, e dois grandes milagres: a multiplicação dos pães e dos peixes e a ressurreição de Lázaro.

Também nesse período Jesus ensinou no templo de Jerusalém, estabeleceu o primado de Simão, a quem chamou 'Pedro' ('pedra', 'rocha'). Foi em presença deste, e também de Tiago e de João, que Jesus realizou o prodígio da Transfiguração, quando, no topo de um alto monte “foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. Logo depois, “uma nuvem luminosa os envolveu; e eis que, vindo da nuvem, uma Voz dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi'”...

Algum tempo depois, Jesus entrou triunfante em Jerusalém. - À época de seu nascimento, a Galiléia era um conhecido foco da resistência judia contra Roma. O povo judaico esperava por um salvador revolucionário e libertador que recuperasse a sua independência política perdida desde o exílio da Babilônia, no fim do século VI aC; depois de dominados por outros povos, tinham passado ao poder de Roma (63 aC). A pregação de Jesus, portanto, para muitos judeus estava longe de ser coerente com a missão de ser apenas o “rei dos judeus”.

Aos 33 anos Jesus foi considerado blasfemo e acusado de conspirar contra o César, quando Tibério era imperador de Roma. Aprisionado no horto de Getsêmani, foi levado até ao pontífice Anás. Ante Caifás, príncipe dos sacerdotes, com quem haviam se reunido os escribas e os anciãos, foi submetido a um processo político/religioso. Depois foi conduzido à residência do procurador romano da Judéia, Pôncio Pilatos, que, sem entender a revolta da população, o enviou a Herodes Antipas. Por um gesto político de Herodes, foi devolvido a Pilatos, que não achou delito naquele homem, mas diante da pressão dos chefes de Israel e de uma multidão incitada por eles, propôs uma permuta de prisioneiros. A maior parte da multidão, porém, optou pela soltura do prisioneiro político Barrabás quando da opção de troca proposta.




Pilatos então pronunciou a sentença da condenação de Jesus à morte na cruz, considerada uma das penas mais cruéis de todos os tempos, depois de declarar-se “inocente do seu sangue”. De acordo com as leis romanas, foi barbaramente flagelado e teve que carregar sua cruz até a colina do Calvário, no monte chamado 'Gólgota' ('Caveira'). Ali foi crucificado junto com dois malfeitores comuns, - segundo cálculos de estudiosos, historiadores e astrônomos, isso aconteceu no dia 7 de abril, dez dias antes de completar 33 anos de idade.


Observações:

A paixão de Jesus, desde a última ceia até a sua crucifixão e morte, é mais ou menos minuciosamente relatada pelos quatro evangelistas, porém não se pode afirmar com certeza absoluta o lugar exato em que se cumpriu a sentença, pois a destruição de Jerusalém no ano 70 arrasou todos os possíveis vestígios, restando apenas os relatos populares e a tradição. Cinquenta dias após a sua morte, durante a festa de Pentecostes, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus, entre seus muitos discípulos para divulgar o Evangelho ao mundo, anunciaram a sua ressurreição, e que haviam sido enviados a pregar a todo o mundo a Boa Nova da Salvação.


"Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz." - João 18:37

"Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem." - João 7:37-39

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne." - João 6:51

"Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas." - João 10:9, 11

"Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a Luz da Vida." - João 8:12

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá." - João 11:25



A tradução da Bíblia Sagrada utilizada é a da 'Almeida Text' (Revista e Atualizada-2a Edição, © 1993 Sociedade Biblica do Brasil).