O que há de especial com as árvores?

ou 'Aquela velha árvore na beira do lago"...




"Nascido do ventre da minha mãe, em terra preta e fértil, às margens de um lago profundo de águas límpidas, Eu Sou aquela velha árvore sem sombra. Do alto de mim mesmo reina soberana a consciência que me pensa, e perante ela, Eu Sou silêncio e paz. Sobre vastas planícies de vegetação verde e rasteira, Eu Sou aquele que é visto ao entardecer, no horizonte, emoldurado no céu de muitas cores, ao lado do sol flamejante. Estando onde sempre estive, vejo em tudo equilíbrio e, daqui donde estou, cumpro meu papel no mundo.

As minhocas fazem cócegas nos meus pés; os pássaros, ninho nos meus braços; cupins, colônia no meu corpo e independente do reino a que pertençam, vivo na memória de todos que um dia me viram. Através das estações, o sol me aquece em dias de frio, a chuva me banha, nos de calor. Diante de secas e enchentes, a minha respiração é sempre constante e suave como a brisa que alisa meus cabelos. Da terra, da água e do ar tomo apenas o necessário, e além de tudo aquilo que ocupa o espaço e perece no tempo, eu permaneço: Eu Sou aquela velha árvore na beira do lago. Eu Sou.

Gosto do som da chuva caindo no espelho d´água, do som dos gravetos estalando no inverno rigoroso e do som da grama alta curvando-se ao vento. Mas é a ausência do som em noites de muitas estrelas que me faz verdadeiramente feliz."


Texto de Daniel Borges de Sousa (respondendo soberbamente a uma provocação feita na seção 'Imagem da semana'...)


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