Mais do mesmo

Por Thomas Merton



A chuva cessa, e o canto puro de um pássaro anuncia, de repente, a diferença entre o Céu e o Inferno.

Deus, nosso Criador, deu-nos uma linguagem em que Ele pode ser anunciado, pois a fé nos vêm pelo ouvido, e a nossa língua é a chave que abre o Céu aos outros.

Mas, quando o Senhor vem como um Esposo, nada fica por dizer, exceto que Ele vem e que devemos ir ao seu encontro: “Eis que vem o Esposo. Saí ao seu encontro!...” (Mt 25,6)

Saímos, então, a encontrá-lo na solidão. Aí nos comunicamos com Ele só, sem palavras, sem pensamentos discursivos, no silêncio integral de todo nosso ser.

Quando o que dizemos se destina só a Ele, é difícil poder dizê-lo em palavras. O que não se dirige à comunicação, nem sequer é objeto de experiência num nível que pode ser claramente analisado. Sabemos que isso não deve ser dito, - simplesmente porque não pode.

Mas, antes de chegarmos a esse inefável e impensável, o espírito ronda as fronteiras da linguagem, indeciso em ficar ou não nos seus próprios limites, a fim de ter alguma coisa a trazer aos homens. Essa é a prova daqueles que desejam cruzar as fronteiras. Se eles não estão prontos a deixar atrás suas próprias idéias e palavras, não podem ir além.



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