Em busca da Libertação Final - 13

A última solução clássica para o problema da existência do mal e do sofrimento no mundo - conclusão




Conclusão das palavras do Eclesiastes, filho de Davi, rei de Jerusalém


X


Assim como uma mosca morta infecta e corrompe o azeite perfumado; assim também um pouco de loucura é suficiente para corromper a sabedoria.

O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda.

No meio da estrada, quando caminha o tolo, falta-lhe o bom senso, e todos dizem: 'É um louco'.

Se a ira do príncipe se inflama contra ti, não abandones teu lugar, porque a calma previne grandes erros.

Ainda há um mal que vi debaixo do sol, uma falha que procede do soberano:

Os tolos ocupam os mais altos cargos, enquanto os homens de valor estão colocados em empregos inferiores.

Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando sobre a terra como escravos.

Quem abrir uma cova, nela cairá, e quem romper um muro será picado por uma serpente.

Aquele que transporta pedras será machucado por elas, e o que rachar lenha está arriscado a se ferir.

Se o ferro estiver gasto, e não se afiar o corte, então a força deve ser redobrada; mas afiá-lo é uma vantagem que a sabedoria proporciona.

Se a serpente morde por erro de encantamento, não vale a pena ser encantador.

Nas palavras da boca do sábio há favor, porém os lábios do tolo o devoram: o começo de suas palavras é tolice, e o fim do seu falar um perigoso desvario.

O tolo multiplica as suas palavras, porém, o homem não conhece o futuro; quem lhe fará saber o que será depois dele?

O trabalho do insensato é fadiga; ele não sabe como ir à cidade.

Ai de ti, ó terra, quando seu rei é uma criança, e cujos príncipes comem desde a manhã.

Bem-aventurada tu, ó terra, quando seu rei é filho dos nobres, e seus príncipes comem à hora conveniente, não por devassidão, mas para se fortalecerem.

Por desleixo se enfraquece o teto, e quando as mãos são inativas, choverá dentro da casa.

Para rir se fazem banquetes, o vinho alegra esta vida, e por tudo o dinheiro responde.

Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico; porque uma ave dos céu levaria a tua voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto.





XI


Lança o teu pão sobre as águas; depois de muito tempo o acharás novamente.

Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.

Quando as nuvens estiverem carregadas, derramarão chuvas sobre a terra. Caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que cair, ali ficará.

Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.

Assim como tu não sabes qual o caminho do vento da vida, nem como se formam os ossos no ventre da mãe, assim também não sabes sobre as obras de Deus, que faz todas as coisas.

Pela manhã semeia a tua semente, e não deixes de usar tuas mãos para semear também à tarde, até a noite, porque não sabes onde terás êxito, se nesta manhã, se nesta tarde, ou se ambas serão igualmente boas.

Certamente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.

Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo o que ocorre é vaidade.

Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e enquanto ainda és jovem, entrega teu coração à alegria. Anda pelos caminhos do teu coração e segundo os olhares de teus olhos. - MAS fica sabendo que de tudo isso Deus te fará prestar conta. Por todas as coisas te trará Deus a juízo.

Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade.



Salomão Rei, o Eclesiastes, filho de Davi. O mais sábio
entre os soberanos, e seu símbolo de glória


XII - Epílogo


Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade e juventude, antes que venham os maus dias e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: não sinto prazer neles;

Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;

No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;

E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem.

Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite... Porque o homem se encaminha à morada eterna, e os pranteadores andarão pelas praças;

Antes que se rompa o cordão de prata e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro na fonte, e se quebre a roldana junto ao poço,

Antes que o pó volte à terra, como era antes, e o sopro de vida volte a Deus, que o deu.

Vaidade de vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade.

Foi sábio o Eclesiastes, ensinou ao povo sabedoria; pesou, perscrutou, dispôs muitos provérbios.

Procurava o Eclesiastes achar sentenças agradáveis; redigir com exatidão palavras da verdade.

As palavras dos sábios são como aguilhões, como pregos, bem fixados pelos mestres das assembléias: reunidas em coleção, são parecidas a estacas plantadas, que nos foram dadas pelo único Pastor.

De resto, filho meu, escuta: quanto a um maior número de palavras, além estas, fica sabendo que se podem multiplicar os livros, sem limite. O muito estudar é enfado da carne.

De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; este é o dever de todo o homem.

Deus fará prestar contas de tudo o que está oculto e encoberto, todo ato, seja bom ou mau.


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Traduções da Bíblia utilizadas:
Almeida Corrigida e Revisada Fiel;
Almeida Revisada Imprensa Bíblica;
Bíblia Sagrada Editora Ave Maria.




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