Em busca da Libertação Final - 4

O inevitável e maior problema


Sendo este um espaço que pretende tratar de espiritualidade, filosofia, religião e fé, - e principalmente de busca pela Verdade, - seria inevitável que este momento chegasse . O momento para abordar a pergunta mais difícil de todas as perguntas. Não há buscador da Verdade que não tenha se perdido nesse deserto terrível, e não uma vez, mas muitas. Um deserto de trevas que parece infinito, inescapável. Não há buscador que não tenha se sentido profundamente frustrado por não conseguir encontrar essa resposta. Nenhuma questão perturbou tantos, durante tanto tempo. Nenhum mistério suscitou tanta angústia. Nenhum outro pesadelo atormentou o sono de tantos, por tanto tempo. Nenhuma lacuna tão incômoda perturbou as consciências dos santos de maneira tão avassaladora. Foram (e continuam sendo) inúmeras tentativas de resposta. As maiores e mais brilhantes mentes de todos os tempos tentaram, fizeram o seu melhor, e não tiveram sucesso. A filosofia não foi capaz de resolver este enigma. Nem os livros sagrados (estou falando de todos os livros sagrados) e nem mesmo a santidade mais luminosa foi capaz de fornecer à humanidade inquieta uma resposta definitiva, - direta e reconfortante, - à pergunta mais difícil de todas as perguntas.

Por que existe o sofrimento? Se Deus é bom e perfeito, por que criou um mundo mau e imperfeito? Se Deus é Amor, por que permite que soframos? Por que existe o mal? Como podemos ser maus, se Deus, sendo infinitamente bom, nos criou à sua imagem e semelhança? Se Deus é bom, onipotente e onipresente, como podem existir o mal e o sofrimento?

Entre as inúmeras tentativas de resposta que os inúmeros sábios, religiões e filosofias trouxeram, - todas imperfeitas, - uma em particular me vem à mente, principalmente por ser sempre defendida por um leitor deste blog que eu considero um amigo. Essa resposta-padrão, adotada entre outros pela filosofia Seicho-No-Ie, seria mais ou menos a seguinte: “O mal e o sofrimento não existem. São apenas ilusões da mente, apegada à ilusão do mundo fenomênico. Se despertarmos da ilusão dos sentidos para a realidade maravilhosa do Mundo Verdadeiro, isto é, o Reino de Deus, veremos que tudo que realmente existe é perfeição e plenitude. Assim, não precisamos 'buscar' absolutamente nada. Tudo já é perfeito e divino do jeito que é. O mal, a dor, o sofrimento, as injustiças... Tudo isso não existe realmente. A Verdade é uma só, e a Verdade apenas É. Em última análise, portanto, não é preciso buscar explicações para o mal e o sofrimento, porque essas coisas simplesmente não existem”.


Embora eu tenha combatido essa visão das coisas por aqui, por mais contraditório que possa parecer, num nível profundamente íntimo e inexplicável, eu sempre acreditei nisso tudo. Difícil entender? Bem, eu sempre acreditei no Reino de Deus como uma Realidade separada do nosso mundo ordinário; obviamente sempre acreditei que nessa realidade não existem o mal e o sofrimento, e que essa realidade, mesmo separada deste mundo de dores, deve ser vivida , imediatamente, a partir daqui e de agora.

Mas de modo algum eu poderia dizer que ‘o mal não existe’ num sentido absoluto, porque o mal é evidente na realidade que me cerca, a realidade em que eu vivo, e que para todos os efeitos é a única em que posso concretizar meu existir e meus ideais. Se estou neste mundo, partilhando desta realidade palpável e visível, dura e cruel, junto com toda a humanidade, e é somente aqui que posso interagir com o meu próximo, não posso simplesmente fechar meus olhos e tentar me convencer de que 'nada disto é real'. Nesta realidade, o mal e o sofrimento são muito reais, evidentes, estão bem diante dos meus olhos a cada momento, e é nesta realidade que eu vivo.

Olho para baixo e vejo que o teclado do meu computador está sujo. Meu filho derrubou sorvete nas teclas, e as letras ‘R’, e ‘T’ estão grudentas. Outras teclas por onde os dedinhos dele deslizaram também estão manchadas. Percebo que vou ter que desmontar este teclado para limpar. Também o monitor do meu computador não está bom. Tem alguns anos de uso e começa a apresentar defeitos: a imagem treme e há variação de cores, o que atrapalha a visualização. Além disso, por algum desses motivos que técnico algum consegue explicar, a navegação na internet anda bastante lenta nestes últimos dias, o que dificulta o meu trabalho. Penso que num mundo divino, perfeito e maravilhoso, tais dificuldades não existiriam. Mas eu vejo o meu próximo sofrendo, todos os dias, e não posso e não quero me tornar insensível a esse sofrimento, pois vejo a mim próprio (e a Deus) nos meus próximos. Se tornou um clichê dizer que “somos todos um”, mas até que ponto estamos conscientes (nós, humanidade) do significado profundo dessa afirmação?

Então, percebam que não basta dizer que ‘o mal não existe’ para os que despertam da armadilha das ilusões, porque a imensa maioria de nós simplesmente não compartilha dessa percepção. Para bilhões de seres humanos ao redor deste planeta, o mal e o sofrimento não só existem como representam a única realidade que conhecem. Há algum tempo recebi um email com um filminho em slides que mostrava cenas pavorosas da fome nos países pobres da África. Havia cenas extremamente terríveis daquelas crianças famintas, com ossos visíveis por baixo da pele e moscas nos olhos. Os slides se sucediam, mostrando populações inteiras de gente faminta. Gente sem nenhum futuro. Imagens de miséria extrema, que a alguns comovem e a outros revoltam. A miséria pelo mundo, seja em Uganda, no Haiti, no sul da Ásia, no Ceará, na Índia ou em Bogotá, é massacrante. Ao final do festival de horrores daquele filme, a legenda concluía afirmando que todos nós deveríamos nos sentir muito gratos a Deus por termos o que comer, o que beber, o que vestir, quando há tantos miseráveis no mundo. Curioso, mas ver esse tipo de coisa causa um efeito completamente oposto em mim. Ver aquelas atrocidades tão cruamente expostas é uma experiência que me deixa totalmente arrasado, me afasta de Deus, me faz rever minhas certezas, questionar minhas posturas, perguntar "por que, por que, por que, por que, por que, por que..."





Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, entendem? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número, mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões, o mundo seria um lugar socialmente justo. Não houve, no entanto, passeata, discurso político, filosófico ou foto artística (fotos de gente morrendo de fome ganham prêmios em museus, como obras de arte) que sensibilizasse os grandes líderes do mundo. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão humanitária que resolvesse. Mas no prazo corrido de uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram 'da cartola' 2,2 TRILHÕES de dólares para “salvar” de prejuízos comerciais com a queda da Bolsa uma elite de ricos empresários e investidores que com certeza já estavam de barriga bem cheia.




A foto acima ficou famosa no mundo inteiro há alguns anos. Foi tirada por um repórter de campo norte-americano no Sudão. Ele retratou, de passagem, um garotinho que literalmente morria de fome tentando rastejar até um posto de assistência da ONU, instalado algumas centenas de metros adiante dali. Ao lado, um urubu espera até que a refeição pare de se mover. Lembrei que os urubus nem sempre esperam a vítima morrer para começar a bicar. Basta que pare de oferecer resistência. Será que alguém poderia dizer a este menininho que o sofrimento simplesmente não existe?

Ainda que considerássemos que o mal e o sofrimento não possuam existência verdadeira, que apenas façam parte de um mundo de ilusões, ainda assim seríamos forçados a admitir que o mal e o sofrimento existem, efetivamente, para bilhões de seres humanos (e animais) ao redor deste planeta, que ainda não 'despertaram' para o mundo perfeito real. O mal e o sofrimento, portanto, existem, são reais, para bilhões de pessoas. Conclusão inexorável: o mal e o sofrimento são reais. Terrivelmente reais.




Crianças suplicam pela vida nas ruas de Uganda. Outras imagens de agências internacionais mostram crianças com os rostos enfiados nos ânus de vacas, numa busca desesperada por qualquer fonte de nutrientes.


Criança morre de fome em via pública durante a II Grande Guerra, sob os pés de transeuntes preocupados demais com seus próprios problemas para ajudar.


Crianças vítimas de "experiências" genéticas nazistas em Auschwitz. A segunda menina sentada, da esquerda para a direita, apresenta extensas queimaduras por todo o corpo, provavelmente provocadas por testes químicos.


O sofrimento dessas crianças é real? Ou a culpa é delas mesmas, por não terem 'despertado' do sonho de ilusões que é esta vida? Mas, ainda que seja este o caso, de onde vieram estas ilusões, que nos desconectam do Mundo Real, do Reino de Deus, do Paraíso perfeito, para sermos submetidos a coisas assim tão horríveis? Por que uma criança precisa sofrer tanto? Crianças também nascem com defeitos congênitos todos os dias, e antes que alguém diga que isso é consequência de algum processo reencarnatório, lembrem-se que animais também nascem com defeitos congênitos, e até plantas nascem defeituosas. Basta olhar de perto para ver que vivemos num mundo imperfeito, cruel e injusto. É simples assim. O que poderia justificar isso? Por que existem pessoas com problemas mentais? Seres humanos mentalmente incapazes, estão sendo submetido a maus tratos, neste exato momento. Como um Deus bom pode permitir tal estado de coisas?

Ronald Nash, reconhecido autor e professor de Teologia e Filosofia no Reformed Theological Seminary de Orlando, Flórida, escreveu que “o mais sério desafio ao teísmo foi, é e continuará sendo a questão da existência do mal”. [1]

Thomas B. Warren consagrado autor de obras teológicas, acredita “não haver acusação mais freqüente e poderosa ao teísmo (...) do que as complicações decorrentes da existência do mal”. [2]

David Elson Trueblood, autor e filósofo, chega a sustentar que "o obstáculo representado pela existência do mal e do sofrimento no mundo é uma forte evidência em favor do ateísmo”. [3]


Eu poderia acrescentar centenas de citações a respeito deste assunto, sempre com as mesmas conclusões. Mas talvez nenhuma seria tão impactante quanto as declarações dos próprios autores bíblicos, - que também não fugiram do tema relação entre Deus e o mal. - O Profeta Habacuque queixou-se diretamente a Deus:

“Por que olhas para os que procedem traiçoeiramente e te calas enquanto o ímpio destrói aquele que é mais justo do que ele?” (Habacuque 1,13)


Gideão, o quinto Juiz e Libertador do povo de Israel, perguntou:

“Oh, Senhor meu! Se o Senhor é conosco, por que todo este sofrimento nos sobreveio?” (Juízes 6,13).


De acordo com a Bíblia é Deus, Onipotente e Bom, que decreta, - desde toda a Eternidade, - tudo o que acontece neste e em todos os mundos. A Bíblia declara que "não cai uma folha da árvore sem a permissão do Criador". É Deus que, soberana e providencialmente, controla todas as coisas. E é assim que a nossa pergunta se torna mais e mais insuportável: como se pode crer num Deus bom, um Deus que é Amor, e ao mesmo tempo admitir o mal no mundo? Como justificar as ações de Deus como causa de todo o imenso mal e sofrimento que vemos?

Ao longo da História filósofos, sábios, andarilhos e santos, místicos ou não, lutaram bravamente e nos deixaram diversas tentativas de resposta para a pergunta das perguntas, mas a verdade mais pura é que nenhum deles, - nenhum sequer, - foi bem sucedido na tarefa de nos dar uma solução que ao menos chegasse perto de ser considerada satisfatória. Vamos aprofundar esta pergunta sem resposta e sem sentido. Estou falando de ir fundo nessa viagem, por mais que doa. Um lembrete: enquanto a conclusão não chega, lembrem-se de nunca sentir medo de encontrar a Verdade.


__________________________________________
Notas:

1 - NASH, Ronald H. Faith and Reason, Nova York: Zondervan, 1988, p. 177.
2 - WARREN, Thomas B. Have Atheists Proved There is No God? Nova York: Gospel Advocate Co., 1972, cap. VII.
3 - TRUEBLOOD, David Elson. Philosophy of Religion, New York: Harper and Row Publishers, 1975, p. 231.




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34 comentários:

Cris disse...

Está valendo a pena esperar...show de bola o post.Mas dói mesmo.
Continuo achando que não é Deus quem faz o mal.
Mas que somos nós os responsáveis, nós, que Ele armou de consciência e meios, por não fazermos o que podemos.
Não será mais cobrado aquele que mais recebe?
Ainda fico surpresa qdo vc conta de suas experiências no abismo.
A música do CPM é demais.
bjo e no aguardo.

ps- A foto que vc diz que é uma criança tentando mamar na vaca, parece o seio de um ser humano.

Mizi disse...

Bah... mas sabe o que me peguei orando ontem diante do Santíssimo? Não sei se era eu a orar ou se era o próprio Espírito orando em meu auxílio. Eu orei:

"Senhor, nunca deixe eu ter certeza de nada, para que minha alma não se perca na soberba e na vaidade. Conserva em mim um coração humilde, puro e buscador. Que eu não me canse nunca de buscar seu Reino, seus braços, sua paz".

Que eu nunca tenha certeza de nada?? Ora, que tipo de oração mais maluca, enquanto todos estão orando para ter um pingo que certeza... Não sei, mas acho que a certeza é inimiga da fé. E a fé é o fundamento da salvação. Porém, ainda que tenhamos toda a fé a ponto de transportar montanhas, se não tiver Amor, nada seria. Donde se conclui que a certeza é inimiga do Amor.

Caro buscador, as respostas que buscamos nunca terão fim... e acho que assim mesmo é que tem que ser, senão nosso coração é invadido pela estase (ao invés de invadido pelo êxtase).

Tambpem já me perguntei sobre as maldades do mundo:

http://neo-ad-infinitum.blogspot.com/2009/03/por-que-deus.html

Também já cheguei a algumas respostas:

http://neo-ad-infinitum.blogspot.com/2009/05/dor-e-o-sofrimento.html


Mas a verdade é que coisas que "existem" são diferentes das coisas que "são". E é por isso que essas confusões nos atormentam, enquanto que não nos cabe ficar atormentados, mas apenas a fazer a nossa parte nessa grande história e no desenrolar dos tempos. Às vezes penso que estamos num grande teatro. E nesse teatro também há cenas de horror. Nós temos que lidar com isso, para que tais cenas não ocorram mais. Mas o fato de o teatro existir não significa que os atores sejam iguais aos seus personagens. Os atores são os nossos verdadeiros "eus" que pertencem ao plano da perfeição, o plano que você cita no post.

E ela está em perfeito acordo com os ensinamentos dos santos e doutores da Igreja Católica, por exemplo, que afirmam:

"Deus não é de modo algum, nem direta nem indiretamente, a causa do mal moral. E não existe nada que não deva sua existência a Deus Criador. O Deus Todo-poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal". (Santo Agostinho).

Assim, Deus não é a fonte do Mal, não é o Criador do Mal. Se não há nada que exista que não deva sua existência a Deus, o Mal não existe (no mundo de Deus). Então, o Mal é criação do homem... Se os homens são feitos à imagem e semelhança de Deus, então os homens criam... pena que eles criam imperfeitamente, pois dão ouvidos a tentações. O Mal não vem de Deus, vem dos homens e do mau uso que eles fazem do seu livre arbítrio, de sua liberdade. É como a Cris falou, "somos nós os responsáveis". Mas, como diz Agostinho, Deus nem permitiria a nossa maldade, se não fosse sábio e poderoso o suficiente para usar a nossa própria maldade para fazer surgir um bem maior ainda.

Bom, mesmo assim, questões sempre surgem em nossas mentes, e é natural que seja assim, e é bom que nunca tenhamos certeza de nada, pois isso nos privaria da nossa busca.

Abraços!

Andresa disse...

Bem marcante e realista....
Profunda verdade...

Bjs
Andresa

Chad Crusemire disse...

Penso que, no fundo, nao ha resposta a essa questao. No maximo podemos tentar entender a logica do dilema "Deus vs. Mal".

Ha dois textos, que coloco abaixo, que me parecem pertinentes e complementares sobre o assunto. Peco desculpas por nao saber informar o autor do primeiro (facilmente encontrado na internet, em slides).

Parabens pelo post e, sem duvida, sera uma grande forma de crescimento se voltarmos a tratar do mesmo.

Carinho,
Chad Crusemire
___________________________________
Texto 1

Um professor universitário, desafiou seus alunos com esta pergunta:
- "Deus criou tudo o que existe?"

Um aluno respondeu:
- "Sim, Ele fez tudo."

"Deus criou tudo?", perguntou novamente o professor;
"Sim senhor!", respondeu o jovem.

O professor responde:
- "Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal, pois o mal existe,
e, partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de
nós mesmos, então Deus é mau."

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor,
feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé
era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse:
- "Posso fazer uma pergunta, professor?"
"Lógico!", foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou:
- "Professor, existe o frio?"

- "Que pergunta é essa?
Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?"

O rapaz respondeu:
- "De fato, senhor, o frio não existe.
Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade
é a ausência de calor.
Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo, quando possui ou
transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo, tenha
ou transmita energia.
O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os
corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe.
Nós criamos essa definição, para descrever como nos sentimos,
se não temos calor."

"E, existe a escuridão?" Continuou o estudante.

O professor respondeu: "Existe."

O estudante respondeu:
- "Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe.
A escuridão na realidade é a ausência de luz."
"A luz pode-se estudar, a escuridão não, até existe o prisma de Nichols,
para decompor a luz branca, nas várias cores de que está composta,
com suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não.
Um simples raio de luz, atravessa as trevas, e ilumina a superfície,
onde termina o raio de luz.
Como pode saber quão escuro está um espaço determinado?
Com base na quantidade de luz, presente nesse espaço, não é assim?
Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu,
para descrever o que acontece, quando não há luz presente.

Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
- "Senhor, o mal existe?"

O professor respondeu:
- "Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo.
Vemos estupros, crimes e violência no mundo todo.
Essas coisas são do mal."

Ao que o estudante respondeu:
- "O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo.
O mal é simplesmente a ausência de Deus, é o mesmo dos casos
anteriores, o mal é uma definição que o homem criou, para descrever
essa ausência de Deus.".

"Deus não criou o mal”. Não é como a fé ou como o amor, que existem
como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade,
não ter Deus presente em seus corações.
É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão
quando não há luz.

Então o professor, depois de balançar a cabeça, ficou calado.
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Nota: Por questao de espaco, coloco o texto 2 no proximo comentario.

Chad Crusemire disse...

(Continuacao)

Texto 2 (Parte 1)

Que Deus é este?
(Especial Artigo Reinaldo Azevedo – Revista VEJA – Edicao 2092 – 24/12/2008)

"Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida,
a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso
quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se
assiste à dramática renúncia ao homem"

Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, "Senhor Deus dos Desgraçados" (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio... Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das "espectrais procissões de braços estendidos", como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado...

Até quando haveremos de honrá-Lo com nossa dor, com nossas chagas, com nosso sofrimento? Até quando pessoas miseráveis, anônimas, rejeitadas até pela morte, murcharão aos poucos na sua insignificância, fazendo o inventário de suas pequenas solidões, colecionando tudo o que não têm – e o que é pior: nem se revoltam? Se Ele realmente nos criou, por que nos fez essa coisa tão lastimável como espécie e como espécimes? Se ao menos tirasse de nosso coração os anseios, os desejos, para que aprendêssemos a ser pedra, a ser árvore, a ser bicho entre bichos... Mas nem isso. Somos uns macacos pelados, plenos de fúrias e delicadezas (e estas nos doem mais do que aquelas), a vagar com a cruz nos ombros e a memória em carne viva. Se a nossa alma é mesmo imortal, por que lamentamos tanto a morte, como observou o latino Lucrécio (séc. I a.C.)? Se há um Deus, por que Ele não nos dá tudo aquilo que um mundo sem Deus nos sonega?

Evito, leitor, tratar aqui do mistério da fé, que poderia, sim, responder a algumas perplexidades. O que me interessa neste texto é a mensagem do Cristo como uma ética entre pessoas, povos e até religiões. Não pretendo, com isso, solapar a dimensão mística do Salvador, mas dar relevo a sua dimensão humana. O cristianismo é o inequívoco fundador do humanismo moderno porque é o criador do homem universal, de quem nada se exigia de prévio para reivindicar a condição de filho de Deus e irmão dos demais homens. É o fundamento religioso do que, no mundo laico, é o princípio da democracia contemporânea. Não por acaso, a chamada "civilização ocidental" é entendida, nos seus valores essenciais, como "democrática" e "cristã". Isso tudo é história, não gosto ou crença.

Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas.
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Nota: Continua...

Chad Crusemire disse...

(Continuacao)

Texto 2 (Parte 2)

Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem. Esperavam talvez que se dissesse aqui que o Mal Absoluto decorre da deposição da Cruz em favor de alguma outra crença ou convicção. A piedade cristã certamente se ausentou de todos esses palcos da barbárie. Mas, com ela, entrou em falência a Razão, humana e salvadora.

Fé e Razão são categorias opostas, mas nasceram ao mesmo tempo e de um mesmo esforço: entender o mundo, estabelecendo uma hierarquia de valores que possa ser por todos interiorizada. As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610) na imagem que ilustra este texto – o carpinteiro José segura a partitura para o anjo. As representações dessa passagem, pouco importam pintor ou escola, nunca são tristes (esta vem até com música), ainda que se conheça o desfecho da história. É o cuidado materno, símbolo praticamente universal do amor de salvação, sobrepondo-se à violência irracional que o persegue.

Nazismo, comunismo, tribalismos contemporâneos tornados ideologias... São movimentos, cada um praticando o horror a seu próprio modo, que destruíram e que destroem, sem dúvida, a autoridade divina. Mas nenhum deles triunfou sem a destruição, também, da autoridade humana, subvertendo os valores da Razão (afinal, acreditamos que ela busca o Bem) e, para os cristãos, a santidade da vida. Todas as irrupções revolucionárias destruíram os valores que as animaram, como Saturno engolindo os próprios filhos. O progresso está com os que conservam o mundo, reformando-o.

Pedem-me que prove que um mundo com Deus é melhor do que um mundo sem Deus? Se nos pedissem, observou Chesterton (1874-1936), pensador católico inglês, para provar que a civilização é melhor do que a selvageria, olharíamos ao redor um tanto desesperados e conseguiríamos, no máximo, ser estupidamente parciais e reducionistas: "Ah, na civilização, há livros, estantes, computador..." Querem ver? "Prove, articulista, que o estado de direito, que segue os ritos processuais, é mais justo do que os tribunais populares." E haveria uma grande chance de a civilização do estado de direito parecer mais ineficiente, mais fraca, do que a barbárie do tribunal popular. Há casos em que é mais fácil exibir cabeças do que provas. A convicção plena, às vezes, é um tanto desamparada.

Este artigo não trata do mistério da fé, mas da força da esperança, que é o cerne da mensagem cristã, como queria o apóstolo Paulo: "É na esperança que somos salvos". O que ganha quem se esforça para roubá-la do homem, fale em nome da Razão, da Natureza ou de algum outro Ente maiúsculo qualquer? E trato da esperança nos dois sentidos possíveis da palavra: o que tenta despertar os homens para a fraternidade universal, com todas as suas implicações morais, e o que acena para a vida eterna. O ladrão de esperanças não leva nada que lhe seja útil e ainda nos torna mais pobres de anseios.

O cristianismo já foi acusado de morbidamente triste, avesso à felicidade e ao prazer de viver, e também de ópio das massas, cobrindo a realidade com o véu de uma fantasia conformista, que as impedia de ver a verdade. Ao pregar o perdão, dizem, é filosofia da tibieza; ao reafirmar a autoridade divina, acusam, é autoritário. Pouco afeito à subversão da autoridade humana, apontam seu servilismo; ao acenar com o reino de Deus, sua ambição desmedida. Em meio a tantos opostos, subsiste como uma promessa, mas também como disciplina vivida, que não foge à luta.

Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror. Sem essa certeza, Darfur – a guerra do forte contra o indefeso, da criança contra o fuzil, do bruto contra a mulher –, uma tragédia que o mundo ignora, seria ainda mais insuportável.

H K Merton disse...

Obrigado, CRIS, eu tinha postado a foto errada. Correções feitas...

MIZI, ANDRESA, CHAD CRUSEMIRE,

Obrigado por trazerem suas reflexões. Estou bem focado agora, depois comentarei mais o que trouxeram. Eu sabia que essa postagem renderia boas análises, e isso já está começando a acontecer.

Essa continuação por certo não irá demorar, pois preciso partir para a conclusão enquanto os conceitos estão bem 'frescos' na minha cabeça.

Boa noite a todos.

Hana disse...

Bem, esse é um dos posts mais tristes que já li por aqui... é muito duro enxergar a realidade. Principalmente quando ela está tão perto...
As imagens das crianças ainda estão na minha mente, eu diria que estou perturbada, estou me sentindo tão sem coração.

Bjs

Fiat Lux disse...

Ontem a noite fiquei matutando neste post.

Me coloquei no lugar de Deus, até aonde a minha limitada consciência consegue imaginar.

Tentei vizualizar a vida desde a criação até o infinito(?), como se fôsse uma linha cronológica sem a divisão de passado, presente e futuro.

Eu, como uma expectadora, observando do alto, todos os acontecimentos, a partir do instante da criação, regida por leis perfeitas e inexoráveis, num universo cheio de detalhes harmônicos, que abrangesse desde a mais ínfima célula até os inimagináveis sistemas planetários.

Vejo o desenvolvimento do ser humano, único dotado de um talento especial que o diferencia de toda a criação, com a liberdade de pensar por si-mesmo, de ter a consciência do eu-sou.

E eu, lá do alto, sabendo de antemão que esses ingredientes do:
Sentir, Desejar e inteligência que capacite o Poder, seriam a fórmula perfeita para transformar qualquer homem em anjo, ou num demônio nesta Terra.
Mas confiante de que, o sentir Amor, é tão poderoso qto sentir apego.

O homem, ao contrário do animal irracional, sofreu a influência do meio em que vive, mas foi capacitado para superar as dificuldades inerentes da natureza, através da evolução do seu raciocínio.
Ele deixou de ser um nômade selvagem, deixou de se submeter às intempéries naturais.

A bem da verdade, ele foi um desbravador e sofreu um bocado para chegar até aonde chegou. Mas esse esforço todo, que lhe trouxe tantos benefícios para sobreviver e que culminou com o desenvolvimento de sua inteligencia, tb o afastaram da sua verdadeira natureza divina.

O homem precisou percorrer um caminho inverso para desenvolver seus talentos, ou seja, se apegar à matéria e ao seu instinto de sobrevivência.
Desenvolveu armas para se proteger dos animais e percebeu que seria capaz de dominar outros grupos de homens, dominar terras, adquirir riquezas, levar uma vida mais confortável e prazerosa.

De repente o verdadeiro Deus criador, vendo que o homem estava meio perdido em suas realizações, mas maduro o suficiente para absorver conhecimentos mais sofisticados, num ato misericordioso, resolveu de tempos em tempos, enviar mensagens de amor, de união, de respeito e fraternidade, pois olhando lá na frente, previu um desfecho um tanto qto trágico para sua criação.

Alguns resolveram seguir seus conselhos, outros se apegaram ao caminho mais fácil, e a vida continuava, com a formação de novas gerações e grupos cada vez mais distintos e auto-suficientes.

Resumindo, pra não ficar tão maçante, eu, observando lá do alto de maneira mais abrangente, percebi que o mal e o sofrimento só existem como uma herança das ações do homem.

Deus permite o mal e o sofrimento?
Não se trata disso, a Lei da vida já foi criada e estabelecida, Ele é apenas um observador daquilo que o ser humano vem construindo para si mesmo.
Deus criou tudo perfeito, mas concedeu ao homem a independência de construir o seu ser individualmente nesta vida material, sabendo que retornaria ao Todo, após a morte.

ELE sempre soube que, se o homem não se apegasse tanto à sobrevivência material e ouvisse mais o seu Ser interior, certamente sofreria menos.

As vítimas do holocausto, da bomba atômica, da fome na África, da violência das drogas, etc. é uma consequência das ações do homem.

Pq nascem seres defeituosos? Acredito que seja uma herança genética de um desequilíbrio antepassado, devido a má alimentação, consumo de substancias aparentemente inofensivas, enfim, o corpo humano é tão delicado, perfeito e complexo, não é mesmo?

Confesso que já acreditei nas justificativas reencarnatórias, mas como tudo na vida muda, eu tb tenho mudado.

Os conselhos para retornar à natureza divina e evitar essas desgraças, foram deixadas há milhares de anos atrás para quem tivesse ouvidos para ouvir.

cont.

Fiat Lux disse...

Assim como temos herdeiros da corrupção do homem, acredito que tb temos herdeiros do amor do homem.

E somos todos nós, que temos esse comichão de buscar e compreender Deus, que temos consciência daquilo que nos prejudica e nos beneficia em todos os sentidos.

Se existem os algozes, existem tb os salvadores que se preocupam com as dores do mundo.

Matar o ego que construímos é o início de retorno ao que somos verdadeiramente.
Esvaziar a mente para não se concentrar 24h/dia em coisas materiais e deixar um espaço para entrar em comunhão com Deus, permitindo que Seu Amor nos preencha e com esse Amor, possamos dividir com o próximo.

Buscar o equilíbrio da natureza, o caminho do meio em tudo o que fizermos nesta vida. Orai e vigiai.

As orientações que foram deixadas, por exemplo, os 7 pecados capitais, são apenas conselhos para se evitar o desequilíbrio mental, pois os nossos pensamentos é que comandam a vida e a mente é a nossa conexão com Deus.

O planeta está em desequilíbrio, mas nós sempre pudemos escolher, então a responsabilidade é nossa, e não de dEle!

Cris disse...

merton.Li todas as ótimas reflexões do Mizi, Fiat, Chad.
Não tenho muito que falar, pq estou bem longe de compreender.
Mas ao ler o comentário da Fiat, lembrei que por muito tempo eu tbém achava resposta em muitas dessas questões na reencarnação.
Mas hoje não mais.

Ontem qdo estava saindo vi uma menina com dois garotinhos no lixo.Perguntei se ela estava separando lixo reciclável (bem comum aqui na minha cidade), ela disse que estava procurando comida.
Dei comida e algum $ para eles.
Sei que tem gente que não gosta de dar dinheiro para os pobres, mas eu dou, não tô nem aí.
Não é muito orgulho e prepotência nosso achar que vão "comprar drogas", por exemplo?
Não penso assim.
Embora não seja a solução, mas pelo menos por alguns momentos vc repõe a dignidade da pessoa.
E fui trabalhar com aquela sensação de que é muito pouco, e está tudo errado, e o que a gente pode fazer é muito pouco.
Mesmo que a gente faça muito, é pouco diante de tanta miséria.

Pq Deus dá tanto dinheiro e poder pra gente que não ajuda ninguém???
Aliás, o Michael Jackson deixou uma grana para instituições de caridade. Só que ninguém fala, né, só falam das esquisitices dele e da briga de família que vem por aí (nem sei pq lembrei disso, mas lembrei qdo ia trabalhar).

Estou muito triste hoje, com o coração apertado.

bjos

Anônimo disse...

Porque vc está fazendo isso com as pessoas? Apague ese post por favor

Mizi disse...

Não se pode apagar o que é evidente... Se as pessoas não amadurecerem, o que será do nosso mundo? Ainda assim, mesmo com todo o nosso esforço, é pouco o que podemos fazer, e nada podemos sem a graça de Deus.

Apaga não! Proclame! A humanidade desumana. O mundo imundo. Tudo está errado. Deus Criou a humanidade. O homem criou a desumanidade. Deus criou o mundo. O homem criou o imundo.

(Aliás, mundo, em latim, nossa língua mãe, significa "puro", "perfeito". Prova de que o impuro e o imperfeito chega pelas mãos dos homens e não de Deus).

Apaga não, porque um tapa na consciência às vezes é necessário para se despertar de um mórbido sono de milênios.

Uma coisa eu aprendi: "devemos amar as pessoas sempre: ou porque elas se assemelham a Deus, ou para que elas se assemelhem a Deus". Do jeito que está não dá mais. O planeta precisa de mais Amor, precisa voltar a ser Mundo novamente e deixar as imundícies de nossas mentes torpes. Devemos buscar nos afeiçoar com a Mente de Deus. Sei que é clichê, mas se "cada um fizesse sua parte", seria um bom começo. Mas desconfio que só a nossa parte ainda é pouco. Só Deus mesmo para nos dar a força.

O sofrimento decorrente da escassez de bens materiais não tem fundamento religioso. O único sofrimento desejável ao homem é o de perder a si mesmo por meio da morte do ego, pois esse sofrimento sim nos aproxima de Deus e nos leva às verdades eternas. O sofrimento material, não. É apenas fruto de pessoas desalmadas: "nós"

H K Merton disse...

O que estou "fazendo com as pessoas"?

O que estou fazendo é levar a minha busca espiritual a todos que queiram, possam ou se identifiquem com ela. O MEU tipo de busca espiritual. Foi assim que eu sempre busquei a Deus. Indo até às últimas consequências. É bem extremo, mas vale à pena.

É fácil mostrar só o lado bonito, o lado fácil e óbvio da história. Todos fazem isso. Se você quer ler sobre defesa da fé, existem muitos sites excelentes com material desse tipo. Mas aqui é um espaço dedicado à busca interior, - intensa, profunda, verdadeira, - do tipo que não se detêm diante de nada a não ser da Verdade.

Se as coisas que eu estou mostrando não existem, se são mentiras, eu estou equivocado. Mas se são verdadeiras, encará-las de frente e com coragem só poderá levar a um de dois resultados: a perda da fé ou o fortalecimento absoluto da fé. Se nós não discutirmos sobre as coisas difíceis aqui, se eu pintar um mundo lindo e cor-de-rosa (de mentira), você vai olhar lá fora e ver o feio e o cinza, e nada vai fazer sentido. Mas se você tiver coragem para falar dessas coisas por aqui, olhar para o lado tenebroso bem de frente, encarar os olhos da fera e dizer: "Me mostre tudo o que você tem, o que você é de verdade", aí, então, talvez você consiga se libertar de uma vez para sempre.

Nesse processo, há o risco de se perder a fé? Sim, acho que sim (embora eu não acredite que isso seja possível para os que já estavam predestinados a encontrar a Luz desde antes do princípio dos tempos, o que já é uma outra longa conversa).

Por outro lado, se os riscos existem, também é verdade que a possibilidade de encontrar a si mesmo (e por conseguinte encontrar DEUS) de um modo único e transformador, profundamente benéfico, também existe.

Para mim, o risco sempre valeu e continua valendo a pena. Quem não tiver coragem é livre para voltar pra casa e voltar a se aninhar naquele sofá confortável, o da sala das falsas certezas. O que estou propondo por aqui é a certeza verdadeira, definitiva e final.

Tato Anderson disse...

Parabéns pelo post. Me tocou bastante e é, por incrivel que pareça, algo que sempre penso e que sempre pensei. É algo que me deixa com raiva a existencia do mal e do mau. Mas, toda vez que me lembro desse tema, me vem sempre a mente a questao da parabola do Joio e do Trigo, que tem que conviver assim até o trigo amadurecer, e nunca o joio pode ser colhido antes de o trigo ficar pronto. O mal é um mistério! - é a única conclusao a que cheguei até agora. Quem sabe um dia eu tenha a resposta. Mas acredito que, milhoes ou bilhoes antes de mim pensaram que encontrariam e nao encontraram, e por isso o mal e o mau continuam sendo um dos maiores mistérios de todos.
Grande abraço de irmao.

Matt disse...

Me sinto só...

Mas quem é que nunca se sentiu assim

Procurando um caminho pra seguir,

Uma direção - respostas

Um minuto para o fim do mundo,

Toda sua vida em 60 segundos

Uma volta no ponteiro do relógio pra viver

O tempo corre contra mim, sempre foi assim e sempre vai ser...

Vivendo apenas pra vencer a falta que me faz você

De olhos fechados eu tento esconder a dor agora

Por favor entenda, eu preciso ir embora porque...

Quando estou com você

Sinto meu mundo acabar,
perco o chão sob os meus pés
Me falta o ar pra respirar

E só de pensar em te perder por um segundo,

Eu sei que isso é o fim do mundo

Volto o relógio para trás tentando adiar o fim,

Tentando esconder o medo de te perder quando me sinto assim

De olhos fechados eu tento enganar meu coração

Fugir pra outro lugar em uma outra direção porque

Quando estou com você
Sinto meu mundo acabar
Perco o chão sobre os meus pés
Me falta o ar pra respirar

E só de pensar em te perder por um segundo

Eu sei que isso é o fim do mundo

Gugu disse...

Merton,

Me senti chamado a fazer um comentário com relação a este post. Realmente, este é, talvez, o assunto que suscita a mais importante dúvida de todas: A questão do mal.

Mas peço permissão para discordar da questão de que "ninguém foi capaz de fornecer à humanidade a resposta definitiva". Uma resposta verbal, na grande maioria das vezes, não traz a solução direta e definitiva para o entendimento espiritual. A palavra falada ou escrita pode despertar alguém (direta e definitivamente) quando é dita no momento em que a pessoa se encontra preparada. Mas se a pessoa não estiver pronta, mesmo o mais iluminado dos homens, mesmo os dotados de mente e explicações mais brilhantes não poderão proporcionar ao homem essa resposta "definitiva" e "direta" que você menciona em seu post. O ensinamento espiritual da não-dualidade ensina que, quando a pessoa está pronta para despertar, qualquer coisa poderá atuar como "gatilho". Qualquer coisa! Pode ser um texto, pode ser apenas uma palavra dita no momento certo. Pode ser também uma situação, um fato, um evento que a pessoa possa eventualmente estar observando - por exemplo, o vento soprando as folhas da árvores, ou o barulho de uma pedra batendo contra uma parede. No momento certo, qualquer coisa pode servir de desculpa para que a compreensão espiritual se dê - não faz diferença se for uma palavra dita por Jesus, ou o sopro do vento. O entendimento não ocorre pelo intelecto - ocorre pela inteligência espiritual existe e é inerente ao nosso ser. Todo ser vivente possui esta inteligência espiritual, e é com ela que as coisas espirituais podem ser compreendidas. A inteligência cerebral/mental é limitada. A Bíblia diz que as coisas do Espírito só podem ser discernidas espiritualmente, ou seja: pelo próprio Espírito. Para a inteligência mental/cerebral, elas terão uma aparência de "loucura". Por isso, quando perguntamos: "Porque Deus é tão bom, perfeito, e o mal existe"? Não parece uma contradição impossível de ser resolvida, uma loucura? A mente humana (inteligência cerebral) não encontra "brechas" para criar teorias, um sistema que dê conta de resolver este assunto. O que ela pode fazer é criar justificativas para fazer o homem aceitar e, assim, sentir-se consolado com a explicação da coexistência destes dois elementos contraditórios - Deus e o mal. Só que não importa que tipo de sistemas sejam inventados ou que tipo de teorias e justificativas sejam dadas - enquanto existir a coexitência destas contradições, a alma não será saciada. E a certeza não será alcançada.

Mas, se conseguirmos perceber com a inteligência espiritual, ela nos mostrará algo que somente ela vê. A inteligência espiritual é infinita. Nós não a usamos, é ela que nos usa! É ela que nos faz ver. O que nos basta fazer é tão somente nos entregarmos. Entrar numa espécie de "relaxamaneto" mental (da inteligência cerebral). Quando ocorre esse relaxamento, quando a mente se abre, a visão da inteligência espiritual começa a aparecer. Nós não forçamos nada.

(continua...)

Gugu disse...

Por exemplo: faça uma experiência, cerre sua mão e mantenha-a fechada. É este o estado natural de suas mãos? Não. Suas mãos entram em seu estado natural quando você relaxa todos os seus dedos. Então eles se abrem espontaneamente, e sua mão se torna "livre". Você precisa fazer força para abrir a mão? Também não! Tudo o que te basta é relaxar a força que você estava empreendendo para mantê-la fechada. O que aconteceria se você tentasse fazer "força" para abrí-la? Você agiria completamente fora do natural. A mente humana, a inteligência cerebral é como a mão que está fechada. Inteligência mental e inteligência espiritual são a mesma inteligência, assim como a mão cerrada e a mão aberta também são a mesma mão. A inteligência mental é o estado em que a inteligência espiritual está "tensa". Suas mãos estão cerradas com tal força... suas mãos simplesmente não podem voltar ao seu estado livre e natural. As mãos relaxadas e abertas do exemplo, representam o infinito. E as mãos cerradas com força representam a tentativa/o esforço de fazer com que o infinito caiba dentro de uma existência finita. A mente humana, que é finita, faz força e tenta compreender o que é infinito. E quanto mais força ela faz, mais ela fracassa, e é simplesmente natural que isso aconteça. Veja o nosso mundo: ele é finito! Ele possui dimensões finitas! Apenas três dimensões, largura, comprimento e profundidade. Só três dimensões! É um mundo muito limitado! E mesmo que ele possuíssse 4 5 ou 10 dimensões, ainda sim ele seria limitado. Então, o que significa a palavra "infinito"? Isso é algo a ser contemplado. E a reposta que todos procuramos está no entendimento do que vem a ser o infinito. As pessoas em geral pensam no infinito como sendo a extensão "ilimitada" do espaço tridmiensional. Elas olham para o espaço sideral, para o cosmos, e percebem a vasta existência do universo. E, assim, dizem: "vejam, o universo é infinito!". Mas mesmo este universo que elas apontam é finito! Porque existe na tridimensionalidade. A extensão do espaço de nosso universo pode ser infinita; mas é infinita dentro de uma existência finita (a tridimensionalidade). Portanto, este não é o infinito que precisamos compreender para que se dê o nosso despertar espiritual.

Anônimo disse...

Mais um exemplo: sabemos que não podemos compreender o infinito a partir da tridimensionalidade. Então, se eu estivesse na quarta dimensão, seria possível a mim compreeder o infinito? Não? E se eu estivesse na quinta? Na sexta?Na décima? Na centésima?... O infinito está sempre além. Ele permanece sempre a nossa frente. Por isso, ele é invisível, inaudível, incognoscível. Ele é transcendente. Isto é uma lei: tudo o que for visível é finito. O infinito não cabe dentro de nada.

A Bíblia diz que temos a mente de Cristo (a inteligência espiritual). Temos a mesma mente que habitou a consciência de Jesus Cristo, quando ele esteve neste mundo. A mesma! É essa mente que nos revela a Verdade. A mente de Cristo só conhece o Cristo. Ela não conhece nenhuma mente cerebral ou individual, porque é infinita. Se é infinita, não existe nenhuma outra mente ao lado dela. "Não terás outros deuses diante de mim"... o complemento dessa afirmação é: "ou você não Me verá". "Eu sou Deus, e ao lado de Mim não há outro". Essas palavras são ditas por Cristo, por Deus. Estas coisas só podem serem vistas/percebidas pela mente de Cristo.

É para a mente de Cristo que o pecado, a doença e o sofrimento não existem. Para nossa mente "tensa", todas essas injustiças e desgraças são coisas bem reais. Mas a mente de Cristo não conhece a mente humana. Assim como a mão aberta não conhece (não coexiste) com a mão fechada. Ou a mão está fechada, ou está aberta. Ela não pode estar as duas coisas ao mesmo tempo. Portanto, uma não conhece a existência da outra. O mesmo se dá com a Mente divina e a mente humana (que nada mais é do que a Mente Divina em estado de "tensão", tolhendo a própria liberdade).

No mais...
Grande Abraço!

H K Merton disse...

GUGU,

"Ninguém, até hoje, foi capaz de fornecer à humanidade a resposta definitiva sobre a questão do mal e do sofrimento.”

Você discorda? Mas tudo que você disse só fez confirmar essa afirmação! Veja, se as pessoas não encontram ou não conseguem enxergar a resposta porque estão tentando com o intelecto e não com a inteligência espiritual, isso só confirma o fato de que ninguém até hoje conseguiu trazer essa resposta - autosuficiente e definitiva - para a questão. E foi só isso que o post afirmou, sem se deter nos motivos. Segundo a sua visão, a resposta não pode ser descrita em palavras, isto é, a Verdade pode ser encontrada, mas não explicada, e nessa parte concordamos: eu também acho que a compreensão depende mais do indivíduo, do grau de entrega de cada um, do que da resposta formal em si.

Em outras palavras, como você disse, a resposta pode ser encontrada no vento ou nas palavras de Jesus, tanto faz. – E aí cabe um adendo meu: para mim, uma coisa (o vento) não é diferente da outra (palavras de Jesus). Esse Jesus que fala coisas diferentes daquilo que canta o vento, esse eu sempre desprezei e continuo desprezando. O Jesus que conheci é Vida, Verdade, Princípio e Fim. Não é um personagem, um boneco ou uma pintura, e nem uma coleção de ensinamentos (por belos que sejam) escritos num livro. Está no céu, está no ar, na extensão (incompreensível e impossível de se medir) do infinito...

Mas voltando ao tema, só gostaria que você entendesse que tudo que você falou continua não respondendo, absolutamente, a nenhuma das questões do post. Agora observe que foram citados, propositalmente, casos envolvendo crianças. Consideremos o garotinho que não pediu para nascer, mas nasceu numa terra de extrema miséria, rastejando pelo chão, enquanto morre de fome, à míngua. Um caso entre muitos milhares, só naquela região da África, e são milhões ao redor do mundo. Estamos falando de uma realidade que é pública. Pois bem. Aí chega você e diz que isso só está acontecendo porque ele não vê as coisas usando a inteligência espiritual?? Tenho certeza que tem algo muito errado nesse raciocínio!

Se você disser: “se todos usassem a inteligência espiritual, situações como essa não existiriam”. - Aí eu concordaria plenamente. Mas não posso concordar, como o post explica detalhadamente, que o mal e o sofrimento simplesmente não existam. E é exatamente isso, e apenas isso, que está sendo discutido: o mal têm, sim, existência real.

Agora consideremos um ser humano que tenha atingido a iluminação, a liberação final, alguém que viva o tempo todo fazendo uso dessa inteligência espiritual, dessa Mente Crística a que você se refere. Veja, esse é um assunto muito difícil, porque está tão além da realidade da esmagadora maioria das pessoas, que é difícil falar sobre. Mas eu creio que essa pessoa, sim, está além do mundo dos sofrimentos, que vive uma vida de plenitude e perfeita liberdade. - Digo “creio” porque não posso afirmar categoricamente que seja assim, visto que eu próprio ainda não atingi tal condição, e portanto só posso imaginar especular, acreditar. – Continuando, creio que tal indivíduo, mesmo submetido a situações difíceis, permanece plenamente feliz, vivendo sua vida interior de Luz e Harmonia, em Comunhão com Deus e com o Universo. Ok. Voltemos, no entanto, ao assunto do post: ainda que tais pessoas existam, - o que não posso afirmar, porque nunca conheci ninguém assim, - também somos obrigados a reconhecer que existe a imensa e esmagadora maioria que caminha longe desse ideal de perfeição, e que essas pessoas sofrem e padecem.

É só isso que o post afirma! O mal e o sofrimento existem. Ponto. Por que? Interrogação. E a pergunta continua sem resposta. Muito obrigado e muito obrigado pela participação.

Gugu disse...

Oi Merton.

Isto está muito bom! Gosto deste tipo de conversas. Conversas que exigem de nós a nossa capacidade máxima, que nos faz ir até o extremo de nossas forças, na tentativa de encontrar a resposta. A Verdade deve ser procurada assim! Esforçando-se. É como se a ilusão fosse um elástico que estivesse amarrado à você. Então você vai fazendo força... e cada vez mais força. Você dá tudo de si até quase não aguentar mais. O importante é manter sempre essa intensidade, essa força na nossa busca. Porque vai chegar uma hora, quando a gente menos esperar, que o elástico irá arrebentar. Ele não arrebentará se não forçarmos.

Vamos lá! Com todo respeito, eu não concordei nem confirmei essa afirmação (a que vc destacou). Se Deus é tudo, se "Cristo é tudo em todos" (como afirma Paulo), se temos a mente de Cristo, então todo mundo já entende a resposta. Mas vamos com calma! Não estou afirmando que não precisamos fazer nada para para alcançar a compreensão espiritual. Essa é uma questão muito, muito delicada mesmo. Delicada ao extremo. Porque, ao mesmo tempo em que necessitamos buscar, não necessitamos buscar nada. Por isso, qualquer coisa que eu disser poderá ser interpretada de maneira errada. Por isso, vamos "separar" um pouco as coisas (apenas para fins didáticos), para que possamos entender. Na verdade, na Realidade Absoluta de Deus, não existe essa separação que irei fazer. Porque Deus não enxerga o mundo da maneira como nós, seres humanos iludidos enxergamos. Deus vê a Realidade de uma forma completamente diferente. Ele enxerga a Realidade através da "loucura" descrita na Bíblia. "As coisas de Deus são loucuras para o homem".

Gugu disse...

Então, vamos tentar usar de um artifício para tentar entender essa questão profunda: REFERENCIAIS. Adotemos um objeto: a existência. Agora, vamos pegar Deus e vamos pegar tambem o homem e colocálos em dois pontos distintos, de onde eles estarão observando o mesmo objeto (a existência). Devido ao "lugar" onde Deus está, Ele verá a existência de uma determinada forma. Quanto ao homem, ocorre a mesma coisa: devido a ele estar "posicionado" em um diferente ponto, ele verá o mesmo objeto, só que com uma ótica diferente. A ótica de Deus e a ótica do homem não serão as mesmas. Deus vê o objeto de um ponto de vista único e exclusivo, e assim também é com o homem. O modo como o homem enxerga o objeto não pode ser sabido por Deus, ou seja, Deus desconhece totalmente, simplesmente porque ele está posicionado/localizado num outro referencial. É isso o que ocorre! A mente de Cristo e a mente humana iludida vêem de formas diferentes. O que a mente humana capta, a mente divina simplesmente não consegue ver. Desconhece. É totalmente ignorante. A mente humana não existe para a mente divina. E a mente divina não existe para a mente humana.

Entende, então, o que a SNI quer dizer quando ela afirma que “a matéria não existe”?

Deus não conhece a humanidade. Para Deus não existe e nunca houve um ser humano sequer sofrendo. Essa é a visão que Deus possui da existência, portanto, não existe outra. Existe o mito de que as pessoas atingem sozinhas a iluminação, mas isso é uma mentira. Quando você se ilumina, o muno inteiro se ilumina junto com você. Quando você entra no Reino de Deus, primeiro: você percebe que sempre esteve nele, e que, portanto nunca teve que "entrar". Segundo: a humanidade inteira entra nele junto com você. Mas esta será a sua visão, quando você estiver olhando do referencial de "lá" (o referencial absoluto). Enquanto estivermos "aqui" (no referencial relativo), aos nossos olhos, estaremos percebendo que precisamos "buscar a Verdade", e parecerá também que as pessoas estão tentando "enxergar a resposta". Elas não precisam enxergar nada! (Mas é importante compreender que essa frase foi dita do referencial absoluto). Se tivesse que falar a partir do referencial relativo, diria: "busque e encontre!". O mundo é só um espelho. Ele nos reflete. Se estivermos iluminados, toda humanidade estará iluminada também. Se não estivermos, então, assim como julgamos que precisamos "entrar no Reino de Deus", julgaremos que o outro também terá de "entrar".

Gugu disse...

O mundo que a mente humana vê, a mente divina não vê, e vice-versa. Se estamos vendo o mundo com a mente iludida (do referencial relativo), como fazer para enxergarmos a partir do referencial do absoluto? Não existe caminho que ligue um mundo ao outro. É como se você estivesse caminhando e chegasse à beira de um penhasco, cujo abismo separa dois pedaços de chão distintos. Se você tentar chegar até o outro "pedaço de chão" apenas caminhando, você não conseguirá - simplesmente porque não há elos conectando os dois pedaços de terra, há um abismo entre eles. Então, para conseguir andar no outro, você deverá "saltar", ou seja, por um momento, seus pés deverão "parar" de caminhar e desencostar do pedaço de chão no qual você vinha caminhando. Por um momento, SEUS PÉS NÃO ENCOSTARÃO NO CHÃO (este é o ponto!). Para chegar à outra extremidade, ao outro referencial, seus pés deverão deixar de tocar a terra na qual você vinha caminhando. Mas as pessoas não querem saltar. Elas querem e tentam chegar ao "outro lado" apenas caminhando... mas há um abismo ali... não há ponte que ligue as dus extremidades. O salto deverá ser necessário.

Como "chegar" até o outro referencial? Duas respostas podem ser dadas. A primeira: buscando, meditando, orando, pedindo, não deixando Deus em paz nem por um minuto sequer, até Ele se cansar e dizer finalmente: "está bem! eu lhe mostro, mas por favor, deixe-me em paz". Essa resposta é para quem não consegue saltar. Um dia U.G. Krishnamurti foi visitar Ramana Maharshi e perguntou a ele: "essa iluminação de que tanto falam existe mesmo? Ela é real? Se for real, você poderia dá-la para mim"? E Ramana respondeu: "Dá-la a você eu posso, mas seria você capaz de segurá-la?". Essa primeira resposta é dita a partir do referencial relativo, é para as pessoas que não são capazes de segurar a Verdade quando ela vem em sua totalidade.

A segunda forma de responder seria: "não é necessário buscar", "você já chegou", "Deus é tudo", "a matéria não existe", "a doença não existe, "o sofrimento não existe", "a morte não existe", "somente existe Deus", "temos a mente de Cristo", "Cristo é tudo em todos", "Eu e o Pai somos um", "aquele que vê a Mim vê ao Pai", "Eu sou Deus, e ao lado de mim não há outro", "Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por mim", "antes que Abraão fosse, Eu sou", "a água, o rio, a erva, seres animados, seres inanimados, cada qual já é Buda"... e inúmeras outras frases que foram ditas, foam ditas através da compreensão do referencial absoluto. Se vistas do referencial relativo, essas frases serão um absurdo!

Gugu disse...

Agora, vamos destacar a parte que você transcreveu sobre a Seicho-no-Ie no seu post, e analisar frase por frase, entender quando se fala do referencial relativo e quando se fala do referencial absoluto.

Está escrito no post:

"“O mal e o sofrimento não existem (referncial absoluto).

São apenas ilusões da mente, apegada à ilusão do mundo fenomênico (referecial relativo).

Se despertarmos da ilusão dos sentidos para a realidade maravilhosa do Mundo Verdadeiro, isto é, o Reino de Deus, veremos que tudo que realmente existe é perfeição e plenitude. (referencial relativo)

Assim, não precisamos 'buscar' absolutamente nada. Tudo já é perfeito e divino do jeito que é. O mal, a dor, o sofrimento, as injustiças... Tudo isso não existe realmente. A Verdade é uma só, e a Verdade apenas É. Em última análise, portanto, não é preciso buscar explicações para o mal e o sofrimento, porque essas coisas simplesmente não existem” (referencial absoluto).

Se você tentar ler e compreender essas afirmações de um mesmo e único jeito, vai se embananar todo. Cada coisa precisa ser discernida. Através desse discernimento, dessa classificação, as coisas começarão a ficarem mais claras para você. Mas esse método da "classificação de referenciais" é apenas um artifício usado para fazer com que a mente humana se aquiete, fazendo com que fique mais fácil para ela dar o salto. Quando ela der esse salto e chegar lá do outro lado (no outro referencial), você verá que Deus é tudo o que existe. E que não existe outro referencial. Toda essa explicação está sendo usada dentro do referencial relativo.

Se Deus vê a realidade sob um ponto de vista, quem é o homem para ver a realidade sob outro ponto de vista? A realidade vista pelo homem não existe. Quem é o homem diante de Deus? Nada mais do que uma ilusão. Mas no momento, é uma ilusão bem real. Então, vamos indo com calma... bastante calma.

Abraços.

Gugu disse...

Obs:

Gostei da forma como você descreveu Jesus. Para mim Jesus Cristo é exatamente este ser divino e onipresente ao qual você se referiu.

Mais um grande abraço.

H K Merton disse...

GUGU,

Olha só: é engraçado, mas como eu não adoto a visão da Seicho-no-ie, - porque não serviu para mim, não me completou e não me satisfez, - por algum motivo as pessoas que adotam essa filosofia de vida acham que eu não a entendo. Garanto que não é o caso. Eu ENTENDO perfeitamente a proposta da Seicho-no-ie. Apenas não concordo com ela. Entendo, mas não concordo. É simples assim.

Eu descartei essa explicação há muito tempo, por achá-la tão insuficiente e imperfeita quanto qualquer outra doutrina explicada. Alíás, eu acho que nesses casos, quanto mais se pretende explicar, pior fica.

Acho inadmissível qualquer ser humano pretender explicar o que Deus vê e o que Deus não vê. Dizer que Deus não é capaz de ver as pessoas sofrendo é o mesmo que dizer que Deus não é Todo Poderoso, que não é Todo Transcendente, Todo Presente. Isso contraria todos os grandes mestres!

Só queria insistir num ponto: por mais que alguns pontos do que você tenha trazido contenham grandes verdades, as perguntas fundamentais feitas no post continuam sem respostas. Não há como "eu me colocar no lugar de Deus", isso seria especulação pura. E especular é válido, mas não afirmar essas especulações como se fossem verdade absoluta.

Curioso, mas foi do Osho que eu li que homem algum pode falar qualquer coisa a respeito de Deus, - nem mesmo que nada se pode falar ao Seu respeito, - simplesmente porque Deus está em outra dimensão, inalcançável. Então, tudo que se pode dizer a respeito de Deus está errado, mesmo antes de começar a ser dito. Tudo que podemos fazer a respeito de Deus é manter silêncio. Essa é a maior sabedoria. Esta reflexão está no livro "Semente Mostarda", do Osho, e com isso eu concordo 100%...

Abraço!

Gugu disse...

Ok! Respeito sua posição.

Ficam só algumas considerações para que, talvez, sei lá, sirvam de alguma reflexão...

"Acho inadmissível qualquer ser humano pretender explicar o que Deus vê e o que Deus não vê. Dizer que Deus não é capaz de ver as pessoas sofrendo é o mesmo que dizer que Deus não é Todo Poderoso, que não é Todo Transcendente, Todo Presente. Isso contraria todos os grandes mestres!"

Eu não acho inadmissível. Deus só pode ser compreendido por uma mente que não possua apego. E "não possuir apego" significa estar desapegado da idéia de que "posso explicar o que Deus é, o que Deus vê e o que ele não vê" assim como da idéia de que "Não se pode dizer o que Deus vê ou não vê, Deus não pode ser explicado, só Deus é Deus". A mente que se apega a uma dessas idéias está em ilusão. Se o desapego estiver presente, que diferença faz se eu digo que consigo explicar o que Deus vê ou o que ele não vê. Nada importará para mim. Dessa forma, eu permaneço na eternidade. Esse "lugar", essa eternidade é tudo o que importa. Precisamos ter cuidado com qualquer tipo de idéia.

Por isso, com relação ao que o Osho disse, da idéia de que temos de no silenciar diante de Deus, cuidado com isso. Esse "silêncio" não é ausência de palavras, ou ausência de especulação. Se você estiver dentro do entendimento correto, pouco importa se você especula Deus ou não. Não vai fazer diferença nenhuma, porque o Absoluto simplesmente não muda, ele permanece sempre o mesmo apesar de tudo.

E, respeitosamente, quero dizer que você possui algum entendimento dos ensinamentos da SNI, mas o seu conhecimento sobre eles não é profundo. Se você, por hipótese, se aprofundasse, lendo pelo menos os oito primeiros volumes da coleção "A Verdade da Vida", seria alta a possibilidade de você entender tudo o que está escrito lá e, portanto, mudaria inteiramente a sua visão.

A questão não é o que o ser humano faz ou deixa de fazer. A questão é: Deus é! Só isso. E se Deus é tudo, pouco importa que a haja existência humana ou divina. E também pouco importa se Deus existe ou inexiste. O desapego é total! Somente dentro desse estado de desapego é que a mente recupera sua liberdade inata. E, dentro dessa liberdade inata, o mal não existe.

Vamos pontuar melhor as coisas: seria melhor dizer que o mal não existe ORIGINARIAMENTE. O mal não existe porque não foi criado por Deus. Simplesmente porque Deus é perfeito e, por isso, não cria mal algum. Só existe o Reino. O mal não existe, mas ele pode se manifestar. E "estar manifestado" é diferente de "existir". O mal não existe, mas está manifestado. Tudo o que não existe, surge, passa e desaparece. Tudo o que não existe é transitório. O mal surge e desaparece? Então ele não é existência real. Mas pode perfeitamente estar manifestado. Justamente porque ele surgiu é que, pela conscientização da Verdade, ele pode ser abolido da existência. Se o mal existisse realmente, ele não poderia ser abolido de forma alguma, por mais que a Verdade fosse conscientizada. Por isso, o mundo que você vê é criação do homem, e não a criação de Deus. Se quiser ver a criação de Deus surgindo (e isto está acontecendo aqui e agora), e se você quiser aprender a não se "auto-expulsar" dela a cada vez que ela surge (momento-a-momento), então você deveria tentar alcançar essa visão espiritual.

miludas disse...

O que é bom, o que é harmonia, o que é alegria, êxtase, paz, amor, todas essas coisas existem por si só. Mas quando você se expulsa do jardim do éden, você encobre a criação perfeita de Deus, passa a viver num mundo de livre-arbítrio, e então terá de sofrer as consequências de seus atos e escolhas. Aprenda a ficar onde você está agora. Não se expulse do lugar onde você está com a sua mente. Ou você cairá no mundo. E todas essas coisas, inclusive aquelas crianças mostradas na foto serão bem reais. Talvez com essas fotos você quisesse impressionar as pessoas com a dura e triste realidade do mundo. Quem se impressionar com isso e disser: "oh! é mesmo como a realidade é triste. O mal de fato existe realmente", está se afundando cada vez mais na ilusão. E quem combate o "mal" com esse entendimento pouco pode fazer pelo mundo. Com todo respeito Merton, você não foi a fundo nos ensinamentos. E estudar os ensinamentos é muito mais do que apenas ler livros e gravar na memória o conteúdo da doutrina. Nem mesmo grandes preletores que há anos estudam Seicho-no-Ie não entenderam o que de fato a Seicho-no-Ie é. De todos os preletores de que tenho conhecimento, só conheço dois que vivem despertos no Jisso. O resto, por mais que saibam recitar sutras e livretos, por mais que estudem centenas de livros, não compreendem o Jisso.

Portanto, não se apegue. Podemos, sim, nos colocar no lugar de Deus, desde que façamos isso com o entendimento, a humildade e a postura mental correta. E também podemos "não nos colocar no lugar de Deus, porque afinal, nada somos". Isso também não fará a mínima diferença. Qualquer coisa que seja feita com a mente em apego, seja você "colocando-se no lugar de Deus" ou achando-se "indigno de colocar-se no lugar de Deus", não será nada mais nada menos do que você correndo atrás do horizonte, na esperança de tocá-lo.

Não é porque é o Osho que está falando essas coisas que eu irei me curvar diante dele. Não me curvo diante de ninguém, apenas de Deus (ou nem mesmo de Deus, caso eu esteja dentro do entendimento correto). Osho é um grande professor. Mas quem não tiver cuidado com ele irá se ferrar legal, legal.


Bom... vou ficando por aqui.
Grande abraço a você e a todos.
Desejo-lhes felicidades.

Gugu disse...

Haha...

Esse "miludas" aí em cima sou eu.
É que acabei colocando o nome errado.


Estamos na Paz de Deus.

Abraços.

H K Merton disse...

GUGU,

O respeito e o amor fraterno estão sempre presentes em nossas conversas, que para mim são preciosas. Só posso aprofundar de fato as argumentações, como faço com você, quando encontro alguém especial, e poucas pessoas me dão a oportunidade de ir tão fundo. Fico muito feliz com essas raras oportunidades.

Esses pensamentos do Osho me ocorreram espontaneamente, e como quase sempre é você quem cita o cara, achei que seria válido e curioso usá-los nessa conversa. - A situação ficou meio invertida. - Mas não era pra "se curvar", era só para estimular a reflexão, abrir a mente para outras possibilidades. Vejo você 'fechado' demais nessas certezas que sempre defende, numa postura de quem já sabe tudo e não precisa mais refletir, porque já conhece tudo... Por isso sempre tento 'balançar' essas certezas, fazê-lo repensar, rever conceitos, ou talvez pelo menos buscar novas maneiras de explicar as suas verdades. Um princípio espiritual, por precioso que seja, fica melhor ainda se puder ser compartilhado.

Percebo que quando alguém acena com alguma abordagem diferente das coisas, você imediatamente, - quase automaticamente - refuta e defende essas suas certezas. A sua verdade é a única que existe, e quem pensa diferente é porque ainda não entendeu aquilo que você entende, ou ainda não conseguiu enxergar o que você enxerga. Percebe o que estou dizendo?

Gostaria que você desse uma espiadinha do lado de fora, tentasse entender o que está sendo exposto de um ponto de vista mais universal, antes de voltar a defender essas convicções tão enraizadas. Como diz a última afirmação do ‘Manual do Messias’ de Richard Bach (que eu juro que acaba de, literalmente, cair em minhas mãos, neste exato momento!!): “Tudo neste livro pode estar errado”.

Isso é um lembrete para o buscador se manter sempre aberto, sempre disposto a apagar tudo que acha que sabe e recomeçar do zero. É a prática do ‘se tornar nada’, para que Deus se torne tudo.

A Arte da Sabedoria é a Arte da Incerteza. Tudo neste livro pode estar errado. Tudo que eu tenho certeza que sei pode estar errado. É preciso saber recomeçar do zero a cada dia.

Mas deixo bem claro que isso é só o que eu acho, eu que sou um ser humano imperfeito, ainda em processo de aprimoramento. Manter isso em mente só me faz crescer, aprender mais a cada dia. Mas de repente eu estou completamente enganado, você já alcançou mesmo esse estágio de perfeição absoluta que tanto defende; de repente você caminha sobre as nuvens e eu estou errado, tentando movê-lo desse caminho.

Mas eu simplesmente ADORO dialogar com você, sempre. Pode não parecer, mas esses papos me enriquecem, eu aprendo com eles e sou grato pela oportunidade de trocar experiências e ideias. Valeu, GUGU! Obrigado por somar tanto valor ao debate. Muito obrigado.

Gugu disse...

Pois é, Merton...
Só podemos doar aquilo que temos.

Apesar de eu ter dito o que disse, isso não passa de forma. A Verdade não nada disso do que está sendo dito. (Inclusive isto que estou dizendo agora... ad eternum.)

Sabia que a Sutra do lótus contém o ensinamento supremo de Buda? Ela é o lugar em que Buda virou para os seus discípulos e disse: "Até hoje eu estive pregando a verdade de forma relativa. Mas agora irei transmitir a vocês a verdade absoluta." E assim surgiu a sutra do lótus. E o interessante é que Buda começa a pregar a Verdade suprema - ele diz tudo. Os discípulos ficam maravilhados com suas palavras, seus ensinamentos. Só que, quando chega lá no final do sutra, Buda vira para todos eles e fala: "E agora esqueçam-se de tudo o que eu lhes disse. A Verdade não é isso". Pronto! E assim é que termina a sutra do lótus.

Portanto, mesmo o que eu disse também está errado. Nisso, a minha opinião continua: "a resposta definitiva e direta já nos foi dada". Se até hoje ela não nos foi dada através dos ensinamentos de Buda, Jesus, e outros, então essa resposta nunca jamais será revelada por ninguém. A resposta veio - o mundo é que não entendeu.

Por mais que tentemos falar do absoluto, nada pode ser dito sobre ele. Sorte de quem o conhece. Fazer o que, né! Apenas vivamos a vida. No mundo (exterior), amemos as pessoas, pos isso é o máximo que pode ser feito. E no mundo interior, tentemos discernir esta verdade, até chegar o momento em que compreenderemos que a verdade não está em lugar algum, mas que somos a própria verdade. A menos que sejamos a verdade, a sede de nossa alma não será saciada.

"Eu sou a Verdade, o caminho e a vida".

E, também, pode esquecer tudo isso o que foi dito. Afinal, não é a verdade.

Desapego de tudo - só isso é o necessário.


Abraços.

TEREZA disse...

Olá
Tenho acompanhado seus textos, desde que conheci o blog e realmente, cada vez mais fico feliz em saber que existem pessoas que tem afinidades em seus questionamentos.Eu também já me perguntei inúmeras vezes porquê a dor existe, porquê a fome, as doenças, enfim.
Eu trabalhei durante dez anos dando aulas de artes para pacientes da cirurgia pediátrica no Hospital Universitário da Universidade de Brasília, esses pacientes, na maioria oncológicos,crianças de 6 meses a doze anos, me colocavam em questionamento diariamente.Por que
eu me perguntava? são tão pequenos, tão pouco contato com este Universo? E lá, neste
mesmo Hospital, presenciei alguns milagres.Meu questionamento não era sobre a existência de Deus, em momento algum duvidei de sua existência.
O fato é que nessa mesma época eu atravessava por várias situações
onde minha fé em Deus me fortalecia a cada dia.Perdi meu irmão mais velho de maneira brutal,assim, da noite para o dia(morreu trabalhando, era policial civil no Rio de Janeiro)
No Hospital Universitário tive a preciosa oportunidade de presenciar
muitas curas de casos diagnosticados como terminais.
E lá estava Deus, em todos esses momentos, e em todos momentos que tive que lidar com emoções até então desconhecidas como a perda
de pessoas tão próximas e amadas.(Nessa mesma época o Meu primeiro Marido, meu melhor amigo, também se foi em acidente Motociclistico)
Não quero aqui ir contra a opinião de ninguém, acho muito interessante o blog e quando leio os comentários fico impressionada com o compromentimento de cada um em sua busca. Em meu trabalho(trabalho como repórter) fotográfico), já estive tres vezes no Haiti,India, Amazônia, Vale do jequitinhonha e em muitas regiões carentes, pude retratar as dificuldades de cada lugar, e cada vez que faço as coberturas faço acreditando que algo possa mudar, que minhas fotos possam ser instrumento de mudança, de alerta.
Houve um tempo em que eu pensava que tudo podia ser mais simples, quem tinha muito deveria dar a quem tem nada, e assim, se todos os bilhardários do planeta se dipusessem a resolver a questão da fome, pronto estaria resolvido. Mas, na prática não acontece assim.
O bem e o mal existem, e é tão bom quando percebo o bem nas pessoas, quando percebo o real desejo de mudar o mundo.Mudar o mundo não pode ser um desejo
de uma fase, de um período, deve-se desejar e buscar maneiras de ser uma parte a contribuir.
Um abraço a todos e fiquem com Deus

H K Merton disse...

Perfeito, GUGU.

Sabe, quase sempre, quando nossos papos são concluídos (ou não) eu fico com a sensação de que estivemos falando a mesma coisa o tempo todo (ou quase), mas que por algum motivo é preciso que eu cntinue utilizando uma línguagem e você outra, e que esses papos aconteçam. Da maneira como vejo, isso também é uma grande Graça, poder e saber interagir com a diversidade de compreensões que há no mundo.

Eu - A resposta não foi dada;

Você - A resposta foi dada;

Eu - a Verdade pode ser encontrada, mas não explicada;

Você - Por mais que tentemos falar do absoluto, nada pode ser dito sobre ele... -

Existe realmente alguma diferença entre essas afirmações?

A resposta veio - o mundo é que não entendeu. E como o mundo não entende, é como se a resposta não existisse. Pois para quem não conhece 'X', não existe 'X'.

Eu digo que a resposta sem dúvida existe, mas se não foi entendida, então essa resposta de fato nunca foi dada por nenhum homem/mulher, e nisso o post está correto. Exatamente por isso foi especificado que não foi dada "uma resposta definitiva, direta e reconfortante". - Com isso eu me referi a uma resposta que pudesse ser claramente compreendida por todos.

Então, cada qual em seu sentido próprio, ambas as conclusões estão corretas: a resposta foi dada/a resposta não foi dada. Mas tudo isso pode estar errado, no que também concordamos... =P

Abraço forte e obrigado mais uma vez.

H K Merton disse...

TEREZA,

Maravilhoso depoimento! Muito obrigado pela sua participação.