Essa noite eu tive um sonho bem inquietante. Resolvi escrever sobre isso enquanto as lembranças ainda estão frescas...
O sonho começa meio sem pé nem cabeça, como costumam ser os sonhos. Estou andando pelas ruas, num lugar que não conheço, passando por cenários idílicos e sossegados. Estou levando um pequeno carrinho de mão feito de madeira clara e polida, cheio de maçãs, até em cima.
Normalmente, não tenho grande atração por maçãs. Numa lista de minhas frutas preferidas, elas sem dúvida não apareceriam. Acho-as um pouco sem graça, talvez. Mas aquelas maçãs, que eu levava no carrinho, eram especialmente apetitosas: as cascas eram muito vermelhas, de um tom bem escuro e vivo, beirando o vinho, quase púrpura, de casca brilhante e com aspecto de frescor agradabilíssimo. O suave perfume que essas maçãs emanavam me assaltava os sentidos e me transportava. Sentia uma vontade quase irresistível de escolher uma daquelas maçãs para nela cravar os meus dentes, sem dó nem piedade. Mas, no sonho, eu sabia que não podia fazer isso, porque eu estava ali para vendê-las; eu precisava vender aquelas maçãs. Sem entender bem o motivo, como costuma acontecer no reino dos sonhos, eu sabia que era muito importante vender as maçãs.
Caminhei mais um pouco e parei numa esquina daquela cidade que eu nunca tinha visto. Estava então numa encruzilhada de várias ruas, todas pavimentadas com pedras arredondadas e graciosamente encaixadas. A esquina onde parei dava de frente para o que parecia uma espécie de largo, com uma pequena praça no centro e rodeado de casas comerciais. Havia um grande movimento de pessoas entrando e saindo das lojas, passeando pela praça, cavalheiros com seus chapéus e senhoras com seus carrinhos de bebê, entre jovens, meninos e meninas, moços e moças... Mas o movimento era apenas moderado: bastante gente, mas não alvoroço.
Ajeitei o carrinho com as maçãs ali mesmo, na esquina, e me recostei na parede de uma casa, um pouco tímido, esperando que a beleza e o perfume das frutas atraísse uma multidão de compradores. Estranhamente, porém, todos passavam incólumes.
Minha mente começou a se dispersar, e como costuma acontecer nos sonhos, senti que dali já ia para algum outro lugar estranho, esquecendo do carrinho, das maçãs, do largo, da responsabilidade de vender aquelas lindas frutas... Mas, nesse momento, senti um leve toque em minha mão direita. Minha atenção foi imediatamente retomada, voltei para o mesmo lugar e, olhando para baixo, vi um menino meio estranho, parado diante de mim, tocando minha mão direita. Era uma criança muito séria, que me olhava bem fundo nos olhos. Pensei que naquele lugar as palavras talvez não fossem tão importantes, e até achei que aquele menino estava me dizendo alguma coisa, mesmo sem falar nada. Mas eu não pude entender o que era. Olhando para ele me sentia desarmado. Então tentei me comunicar com um sorriso, mas me pareceu inútil, pois ele não esboçou nenhuma reação. Não reagiu ao meu gesto simpático, não sorriu de volta, só me olhava com aquele olhar penetrante. Eu tentei balbuciar alguma coisa, talvez aproveitar para tentar vender uma maçã, mas ele, sempre muito sério, me disse:
“Essas maçãs não são bonitas. Vai ser difícil vendê-las.” E eu respondi: “Como assim? São as frutas mais lindas e perfumadas que eu já vi na vida”!
Mas o menino ignorou a minha observação, e balançando a cabeça negativamente, com aquela expressão grave, concluiu:
“O seu inimigo não é sincero. Ele não tem moral nenhuma”.
Eu não entendi, não fazia ideia do que ele estava falando, mas não sei porque, assenti com a cabeça. Acho que eu queria que ele fosse embora, sua presença tinha um quê de incômoda, apesar de... Não sei, apesar de que ele me transmitia algo de muito bom, também. Quando ele disse aquilo, me passou a sensação de que não queria que eu respondesse, e que se o fizesse, seria ignorado. Ele queria apenas que eu entendesse. Mas eu não entendi, ao menos não totalmente. Ele se afastou, e eu olhei para vê-lo se afastanto, porque estava curioso e queria ver o seu jeito, o modo como andava, sua roupa, sua altura, a direção que ia tomar. Mas não pude vê-lo indo embora. Alguém entrou na minha frente, impedindo a minha visão. Ou alguma coisa desse tipo.
Havia um degrau na construção em que eu estava apoiado, recostado, que aliás era toda feita de grandes tijolos vermelhos: um pequeno degrau de pedra bruta. Eu então me sentei, tentando entender o que acabara de acontecer. E aconteceu uma coisa muito interessante, que acontece muito comumente comigo, transformando meus sonhos num outro tipo de experiência, que de uma certa maneira eu aprecio: eu me conscientizei que aquilo era um sonho, que eu estava no meio de um sonho, que meu corpo físico estava bem acomodado em minha cama, naquele momento, e que tudo estava acontecendo apenas na minha mente, ou numa outra realidade fora desta que consideramos normal...
Ter me conscientizado disso fez com que a minha atenção fosse redobrada para o que poderia acontecer a seguir. Sonhos às vezes são sinais. E eu me senti tranquilo.
Comecei a apreciar a vista, vi que o céu estava limpo, mas era meio amarelado, como num pôr de sol de um dia de verão. Estava frio, porém, e além disso, eu tenho certeza, era de manhã. Olhei para as maçãs, e ainda pareciam deliciosas... Mais uma vez senti vontade de comê-las. Então aconteceu um salto, eu me vi numa casa muito simples, e estava diante do meu velhinho, meu pai querido. Era meu pai, só que ele estava mais jovem, forte e bonito, como nas memórias da minha infância e nas poucas fotos antigas que restam dele. Estávamos sentados ao redor de uma mesa redonda, de madeira muito grossa, de aparência pesada e antiga, e sobre ela havia uma pequena toalha verde, bordada. Ele estava vestindo uma camisa de mangas longas, desbotada. Xadrez, como convém a um bom parente de ameríndios. Seus olhos pretos estavam bem fixos nos meus, e ele me dizia com a sua voz mansa: “Filho, você precisa vender todas estas maçãs. É a nossa última esperança, e eu só confio em você”. Lá estavam aquelas lindas maçãs empilhadas sobre a mesa, todas arrumadas sobre uma travessa de metal fosco, formando uma pirâmide.
Me emocionei ao ver meu pai, novamente jovem, depois de tantos anos. Ele estava forte, bonito e cheio de classe, como sempre. E tinha aquele olhar triste, típico dele... Num lampejo me lembrei de quando eu era um bebê e ele cantava para mim, e das vezes em que brincávamos no chão, sobre o tapete, eu pulando sobre a sua barriga, como se fosse um trampolim... Me lembrei também de quando ele se sentava para contar os seus ‘causos’ de assombração, para mim e para o meu irmão, sempre à noite, antes de dormir, o que nos fazia passar divertidas noites em claro, um dando susto no outro... Mas isso tudo foi antes da separação traumática dos meus pais, que nos afastaria por décadas. Uma outra história, que não será contada. Importa é dizer que, naquele instante, ficou claro que o compromisso de vender as maçãs era mesmo muito sério.
E lá estava eu de volta à esquina movimentada, diante do carrinho com as maçãs, esperando que alguém se interessasse pela mercadoria...
Surgiu então uma linda moça, de cabelos louros e longos, com tranças bem arrumadas e olhos castanhos claros, grandes e expressivos. A energia sexual que emanava dela era tão intensa que parecia quase palpável, como se pudesse ser cortada com uma faca. Era tão bonita que só estar perto dela era quase como uma agressão. Aproximou-se sorrindo, com um andar que era uma dança, me olhou com uma expressão enigmática e depois olhou as maçãs. Alegrei-me com a chegada de uma compradora em potencial, porque eu estava realmente ansioso para vendê-las. Ela se curvou devagar e começou a apalpar os frutos, sensualmente, e eu tentava manter, seguindo o conselho de Buda, os meus pensamentos firmemente controlados. Por maluco que pareça, no entanto, naquele momento eu comecei a sentir o meu desejo de devorar uma maçã ser fortemente intensificado. Mas ainda me mantinha firme no propósito de cumprir a minha missão de vendê-las, agora que sabia o quanto era importante.
Então a moça se ergueu e abriu sua pequena bolsa. Pude ver, contendo um sorriso, que ela manuseava um grosso maço de notas, e então ela me olhou e fez uma estranha proposta:
“Eu compro todas as maçãs, mas só se você comer todas elas”.
Havia algo de malícia na proposta, mas eu não pude ver nada de errado em unir o meu desejo de devorar aquelas belezas à minha responsabilidade de vendê-las. Para ser direto, era simplesmente perfeito! Olhei para a quantidade de maçãs, que não era tão grande, e elas me pareciam cada vez mais deliciosas. Concordei. Ela sorriu e eu comecei a comer. Quando mordi a primeira maçã, a casca vermelha escura se rompeu e se liquefez, escorrendo pelos meus lábios, pingando pelo meu queixo, e o sabor era doce, delicioso. Estranho, como todo o resto. Comi mais uma e mais outra e outra, e não me sentia empanturrado. Afinal peguei a última maçã, a casca estava grudenta, grudava nas minhas mãos... O sabor ainda era muito bom, extremamente doce, mas essa última grudava nos meus dentes, no céu da boca e na garganta, quando eu tentava engolir. Cansei de mastigar, os músculos do meu maxilar se entorpeceram, mas com muita dificuldade engoli a maçã, em pedaços inteiros, quase sufocando, engasgando, com grande agonia... Mas afinal consegui comer todas.
Olhei para a moça, orgulhoso. Estava me sentindo mal por ter comido tanto, mas feliz por ter conseguido vender todas as maçãs. Eu tinha vendido todas, não tinha? A moça estava sorrindo, e o sorriso suave virou uma risada meio divertida, meio debochada, quando ela... Simplesmente foi embora. Sem pagar, sem explicações, sem mais nada. Eu tentei correr atrás dela, mas estava com o estômago tão pesado que mal podia me mexer. Tentava me mover e parecia pregado; meus membros, meus braços, meus joelhos... mal se moviam. Vi um policial logo adiante, pensei em pedir ajuda, mas... O que eu diria? Eu mesmo tinha comido a minha própria mercadoria.
Fui tomado por um desespero profundo, cortante, uma angústia pesada, sombria. Só então percebi que a venda daquelas maçãs era mais do que apenas importante, era mesmo "a última esperança". E eu acabara de ser enganado, estupidamente... A essa altura eu tinha me esquecido completamente que aquilo era um sonho; minha garganta fechou, meus olhos pesaram, senti um grande soluço chegando, e, mesmo não querendo, comecei a chorar. Assim acordei, chorando, no meio de uma noite fria, em minha cama quente, mas não fiquei aliviado, mesmo depois de constatar que tudo tinha sido só um sonho. Ainda era madrugada, mas aquela sensação amarga de ter falhado numa missão essencial permaneceu por angustiantes minutos, até eu pegar novamente no sono.
Pela manhã, contei tudo para Hana, e ela me perguntou: "Você não sabe porque sonhou isso?" Eu disse que não, e ela me lembrou do trecho de um livro do Nilton Bonder que ela tinha lido pra mim, há alguns dias, numa livraria, e que na hora não me fez pensar em nada. O trecho era sobre um antigo provérbio rabínico envolvendo um vendedor de pães. Agora eu quero comprar aquele livro...
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O sonho começa meio sem pé nem cabeça, como costumam ser os sonhos. Estou andando pelas ruas, num lugar que não conheço, passando por cenários idílicos e sossegados. Estou levando um pequeno carrinho de mão feito de madeira clara e polida, cheio de maçãs, até em cima.Normalmente, não tenho grande atração por maçãs. Numa lista de minhas frutas preferidas, elas sem dúvida não apareceriam. Acho-as um pouco sem graça, talvez. Mas aquelas maçãs, que eu levava no carrinho, eram especialmente apetitosas: as cascas eram muito vermelhas, de um tom bem escuro e vivo, beirando o vinho, quase púrpura, de casca brilhante e com aspecto de frescor agradabilíssimo. O suave perfume que essas maçãs emanavam me assaltava os sentidos e me transportava. Sentia uma vontade quase irresistível de escolher uma daquelas maçãs para nela cravar os meus dentes, sem dó nem piedade. Mas, no sonho, eu sabia que não podia fazer isso, porque eu estava ali para vendê-las; eu precisava vender aquelas maçãs. Sem entender bem o motivo, como costuma acontecer no reino dos sonhos, eu sabia que era muito importante vender as maçãs.
Caminhei mais um pouco e parei numa esquina daquela cidade que eu nunca tinha visto. Estava então numa encruzilhada de várias ruas, todas pavimentadas com pedras arredondadas e graciosamente encaixadas. A esquina onde parei dava de frente para o que parecia uma espécie de largo, com uma pequena praça no centro e rodeado de casas comerciais. Havia um grande movimento de pessoas entrando e saindo das lojas, passeando pela praça, cavalheiros com seus chapéus e senhoras com seus carrinhos de bebê, entre jovens, meninos e meninas, moços e moças... Mas o movimento era apenas moderado: bastante gente, mas não alvoroço.
Ajeitei o carrinho com as maçãs ali mesmo, na esquina, e me recostei na parede de uma casa, um pouco tímido, esperando que a beleza e o perfume das frutas atraísse uma multidão de compradores. Estranhamente, porém, todos passavam incólumes.
Minha mente começou a se dispersar, e como costuma acontecer nos sonhos, senti que dali já ia para algum outro lugar estranho, esquecendo do carrinho, das maçãs, do largo, da responsabilidade de vender aquelas lindas frutas... Mas, nesse momento, senti um leve toque em minha mão direita. Minha atenção foi imediatamente retomada, voltei para o mesmo lugar e, olhando para baixo, vi um menino meio estranho, parado diante de mim, tocando minha mão direita. Era uma criança muito séria, que me olhava bem fundo nos olhos. Pensei que naquele lugar as palavras talvez não fossem tão importantes, e até achei que aquele menino estava me dizendo alguma coisa, mesmo sem falar nada. Mas eu não pude entender o que era. Olhando para ele me sentia desarmado. Então tentei me comunicar com um sorriso, mas me pareceu inútil, pois ele não esboçou nenhuma reação. Não reagiu ao meu gesto simpático, não sorriu de volta, só me olhava com aquele olhar penetrante. Eu tentei balbuciar alguma coisa, talvez aproveitar para tentar vender uma maçã, mas ele, sempre muito sério, me disse:
“Essas maçãs não são bonitas. Vai ser difícil vendê-las.” E eu respondi: “Como assim? São as frutas mais lindas e perfumadas que eu já vi na vida”!
Mas o menino ignorou a minha observação, e balançando a cabeça negativamente, com aquela expressão grave, concluiu:
“O seu inimigo não é sincero. Ele não tem moral nenhuma”.
Eu não entendi, não fazia ideia do que ele estava falando, mas não sei porque, assenti com a cabeça. Acho que eu queria que ele fosse embora, sua presença tinha um quê de incômoda, apesar de... Não sei, apesar de que ele me transmitia algo de muito bom, também. Quando ele disse aquilo, me passou a sensação de que não queria que eu respondesse, e que se o fizesse, seria ignorado. Ele queria apenas que eu entendesse. Mas eu não entendi, ao menos não totalmente. Ele se afastou, e eu olhei para vê-lo se afastanto, porque estava curioso e queria ver o seu jeito, o modo como andava, sua roupa, sua altura, a direção que ia tomar. Mas não pude vê-lo indo embora. Alguém entrou na minha frente, impedindo a minha visão. Ou alguma coisa desse tipo.
Havia um degrau na construção em que eu estava apoiado, recostado, que aliás era toda feita de grandes tijolos vermelhos: um pequeno degrau de pedra bruta. Eu então me sentei, tentando entender o que acabara de acontecer. E aconteceu uma coisa muito interessante, que acontece muito comumente comigo, transformando meus sonhos num outro tipo de experiência, que de uma certa maneira eu aprecio: eu me conscientizei que aquilo era um sonho, que eu estava no meio de um sonho, que meu corpo físico estava bem acomodado em minha cama, naquele momento, e que tudo estava acontecendo apenas na minha mente, ou numa outra realidade fora desta que consideramos normal...
Ter me conscientizado disso fez com que a minha atenção fosse redobrada para o que poderia acontecer a seguir. Sonhos às vezes são sinais. E eu me senti tranquilo.
Comecei a apreciar a vista, vi que o céu estava limpo, mas era meio amarelado, como num pôr de sol de um dia de verão. Estava frio, porém, e além disso, eu tenho certeza, era de manhã. Olhei para as maçãs, e ainda pareciam deliciosas... Mais uma vez senti vontade de comê-las. Então aconteceu um salto, eu me vi numa casa muito simples, e estava diante do meu velhinho, meu pai querido. Era meu pai, só que ele estava mais jovem, forte e bonito, como nas memórias da minha infância e nas poucas fotos antigas que restam dele. Estávamos sentados ao redor de uma mesa redonda, de madeira muito grossa, de aparência pesada e antiga, e sobre ela havia uma pequena toalha verde, bordada. Ele estava vestindo uma camisa de mangas longas, desbotada. Xadrez, como convém a um bom parente de ameríndios. Seus olhos pretos estavam bem fixos nos meus, e ele me dizia com a sua voz mansa: “Filho, você precisa vender todas estas maçãs. É a nossa última esperança, e eu só confio em você”. Lá estavam aquelas lindas maçãs empilhadas sobre a mesa, todas arrumadas sobre uma travessa de metal fosco, formando uma pirâmide.
Me emocionei ao ver meu pai, novamente jovem, depois de tantos anos. Ele estava forte, bonito e cheio de classe, como sempre. E tinha aquele olhar triste, típico dele... Num lampejo me lembrei de quando eu era um bebê e ele cantava para mim, e das vezes em que brincávamos no chão, sobre o tapete, eu pulando sobre a sua barriga, como se fosse um trampolim... Me lembrei também de quando ele se sentava para contar os seus ‘causos’ de assombração, para mim e para o meu irmão, sempre à noite, antes de dormir, o que nos fazia passar divertidas noites em claro, um dando susto no outro... Mas isso tudo foi antes da separação traumática dos meus pais, que nos afastaria por décadas. Uma outra história, que não será contada. Importa é dizer que, naquele instante, ficou claro que o compromisso de vender as maçãs era mesmo muito sério.
E lá estava eu de volta à esquina movimentada, diante do carrinho com as maçãs, esperando que alguém se interessasse pela mercadoria...
Surgiu então uma linda moça, de cabelos louros e longos, com tranças bem arrumadas e olhos castanhos claros, grandes e expressivos. A energia sexual que emanava dela era tão intensa que parecia quase palpável, como se pudesse ser cortada com uma faca. Era tão bonita que só estar perto dela era quase como uma agressão. Aproximou-se sorrindo, com um andar que era uma dança, me olhou com uma expressão enigmática e depois olhou as maçãs. Alegrei-me com a chegada de uma compradora em potencial, porque eu estava realmente ansioso para vendê-las. Ela se curvou devagar e começou a apalpar os frutos, sensualmente, e eu tentava manter, seguindo o conselho de Buda, os meus pensamentos firmemente controlados. Por maluco que pareça, no entanto, naquele momento eu comecei a sentir o meu desejo de devorar uma maçã ser fortemente intensificado. Mas ainda me mantinha firme no propósito de cumprir a minha missão de vendê-las, agora que sabia o quanto era importante.
Então a moça se ergueu e abriu sua pequena bolsa. Pude ver, contendo um sorriso, que ela manuseava um grosso maço de notas, e então ela me olhou e fez uma estranha proposta:
“Eu compro todas as maçãs, mas só se você comer todas elas”.
Havia algo de malícia na proposta, mas eu não pude ver nada de errado em unir o meu desejo de devorar aquelas belezas à minha responsabilidade de vendê-las. Para ser direto, era simplesmente perfeito! Olhei para a quantidade de maçãs, que não era tão grande, e elas me pareciam cada vez mais deliciosas. Concordei. Ela sorriu e eu comecei a comer. Quando mordi a primeira maçã, a casca vermelha escura se rompeu e se liquefez, escorrendo pelos meus lábios, pingando pelo meu queixo, e o sabor era doce, delicioso. Estranho, como todo o resto. Comi mais uma e mais outra e outra, e não me sentia empanturrado. Afinal peguei a última maçã, a casca estava grudenta, grudava nas minhas mãos... O sabor ainda era muito bom, extremamente doce, mas essa última grudava nos meus dentes, no céu da boca e na garganta, quando eu tentava engolir. Cansei de mastigar, os músculos do meu maxilar se entorpeceram, mas com muita dificuldade engoli a maçã, em pedaços inteiros, quase sufocando, engasgando, com grande agonia... Mas afinal consegui comer todas.
Olhei para a moça, orgulhoso. Estava me sentindo mal por ter comido tanto, mas feliz por ter conseguido vender todas as maçãs. Eu tinha vendido todas, não tinha? A moça estava sorrindo, e o sorriso suave virou uma risada meio divertida, meio debochada, quando ela... Simplesmente foi embora. Sem pagar, sem explicações, sem mais nada. Eu tentei correr atrás dela, mas estava com o estômago tão pesado que mal podia me mexer. Tentava me mover e parecia pregado; meus membros, meus braços, meus joelhos... mal se moviam. Vi um policial logo adiante, pensei em pedir ajuda, mas... O que eu diria? Eu mesmo tinha comido a minha própria mercadoria.
Fui tomado por um desespero profundo, cortante, uma angústia pesada, sombria. Só então percebi que a venda daquelas maçãs era mais do que apenas importante, era mesmo "a última esperança". E eu acabara de ser enganado, estupidamente... A essa altura eu tinha me esquecido completamente que aquilo era um sonho; minha garganta fechou, meus olhos pesaram, senti um grande soluço chegando, e, mesmo não querendo, comecei a chorar. Assim acordei, chorando, no meio de uma noite fria, em minha cama quente, mas não fiquei aliviado, mesmo depois de constatar que tudo tinha sido só um sonho. Ainda era madrugada, mas aquela sensação amarga de ter falhado numa missão essencial permaneceu por angustiantes minutos, até eu pegar novamente no sono.
Pela manhã, contei tudo para Hana, e ela me perguntou: "Você não sabe porque sonhou isso?" Eu disse que não, e ela me lembrou do trecho de um livro do Nilton Bonder que ela tinha lido pra mim, há alguns dias, numa livraria, e que na hora não me fez pensar em nada. O trecho era sobre um antigo provérbio rabínico envolvendo um vendedor de pães. Agora eu quero comprar aquele livro...
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29 comentários:
Identifiquei muito simbolismo nessa história. Podemos desenvolver?
Pq é que maçã é sempre a vilã?
Na história de Eva e da Branca de Neve?
Tbém não gosto de maçãs, mas sei lá.
Sonho é bom escrever logo que acordamos, senão ele vai se apagando da memória mesmo.
Aguardo o desfecho.
beijos
FELIPE,
Não pode, não. Deve. Estou curioso para conhecer possíveis interpretações.
CRIS,
Não tem desfecho nenhum. É só um sonho, não tem começo meio e fim e não sei se tem uma 'moral da história'. Eu só achei interessante contar, porque, assim como o Felipe, identifiquei muito simbolismo nessa história. E por que você achou que a maçã era vilã? Se tinha algum vilão na história, foi a moça que me fez comer tudo e saiu sem pagar, ou eu mesmo, que fui bobo de acreditar nela. Ao menos para mim, a maçã teve um 'papel' neutro...
Maçãs são lindas, mas não me apetecem. Só como porque fazem bem.
Amigo, você já soube desta notícia?
http://filhaprodiga.wordpress.com/2009/05/17/padre-norman-weslin80-anospreso-na-universidade-de-notre-damepor-protestar-contra-o-aborto/
Estarrecedor! Onde iremos parar?
Abraços e que Deus tenha misericórdia de nós!
Merton, eu não achei que no seu sonho a maçã teve o papel de vilã...Só que como a maçã é a vilã da história de Adão e Eva e da Branca de Neve, foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça.
Então minha pergunta do porque ela ser o símbolo do pecado, da tentação, não tem exatamente a ver com o seu sonho, é que eu não sei mesmo.
O desfecho eu pensei que seria vc contar a relação entre o sonho e o livro que a Hana disse que fez vc sonhar.Que vc ia contar o que tinha no livro, qual a relação entre os dois.
Mas se não tem desfecho, minha interpretação é que a quando as coisas são muito fáceis, quando o caminho é largo, a gente tem que desconfiar.
Só consegue vender bem as maçãs quem sua pra isso. Quem escolhe o caminho estreito.
Se a gente opta pelo caminho mais fácil, pode ter um prazer momentãneo, mas no fim, além de perder tudo, não recebemos nada.
beijos:)
Análise conjunta
Segundo os nossos conhecimentos e estudos desenvolvidos, percebemos que o sonho é um canal de comunicação ora com outros esferas espirituais ora com a própria consciência criativa ou com realidades dimensionais paralelas. Este sonho é uma clara comunicação consciencial extra-cerebral, achamos que não é um sonho comum. Percebemos claramente os elementeos seguintes:
que O inimigo referido é satanás, que também é um símbolo bíblico, porque essa entidade não existe objetivamente mas tem um papel importante na história espiritual deste planeta. A tentação é o conceito principal, o núcleo do sonho. A tentação é achar que pode fazer tudo o que quiser sem responsabilidade moral, realizar os desejos carnais (moça sensual, comer as maçãs gostosas) e ainda ter toda a reconpensa (receber o dinheiro) e cumprir a sua missão (vender e receber). O vendedor não tinha má intenção, ele queria fazer a vontade do pai (o Pai representa Deus) só que errou ao confiar no inimigo. Um menino (um anjo) tinha avisado antes que o inimigo não é sincero. O vendedor foi enganado descaradamente (o inimigo não tem moral) e decepcionou o pai, não cumprindo a sua missão. As maçãs eram doces mas deram o pior resultado. Assim é na vida. Achamos que esse sonho tem uma moral muito profunda.
Agradecemos pela oportunidade.
Kassia Ribeiro, Felipe Silva e J. Laércio
G.E.C.C.H.
Acompanhamos este site há algum tempo e gostamos muito. Espere alguém convidá-lo para ser um membro do GECCH (Grupo de Estudos).
Uai... e o que tinha no livro que a Hana leu?? Ficou faltando isso. E é isso que vai te dar a chave para entender o sonho (eu acho).
*Apesar de que, pelo entendimento geral, é um sonho muito lúcido e fácil de se interpretar. Na minha opinião, a mulher bonita era a tentação. A tentação sempre nos promete coisas que não cumpre, pois ela é a desculpa perfeita que esperávamos para fazer algo que sabemos que não devemos fazer. Mas as promessas das tentações são de mentira, são falsas. Se partírmos do pressuposto que a tentação está na nossa própria cabeça, é como se estivéssemos a nos enganarmos a nós mesmos. Se partímos do pressuposto de que há uma dualidade em combante, a tentação é uma força externa que está tentanto nos derrubar, evitar que cumpramos a nossa missão. Assim, ela nos propõe coisas boas, promessas incríveis e muitas vezes bem convenientes... Mas são igualmente mentiras, pois a força contrária não irá cumprir com a sua parte. Ela só tem um objetivo, nos enganar e nos tirar do nosso caminho. E o pior é que realmente preferimos acreditar nas mentiras. Ao invés de nas verdades.
Lembra o que o "zé-da-goiaba" prometeu a Jesus?? Todos os reinos da terra?? (AH tá... como se ele pudesse dar o que não é dele...).
Lembra o que o "zé da goiaba" prometeu a Eva? Que ela seria como Deus?? (Como se ele pudesse conceder tal graça)...
Enfim, as promessas do "encardido" não são cumpridas... são mentiras...
Bom, já o menino estranho era sua consciência. Ele era a voz da verdade na sua cabeça. Só que a verdade quase nunca é compreendida. Por isso, a escutamos, mas logo nos esquecemos dela, pois não entendemos o que ela queria dizer. A consciência sabia muito bem o que vc devia fazer: que era vender as maçãs... e sabia que vc não conseguiria vender as maçãs (isso eu não entendi... é como se sua consciência soubesse o seu futuro?? Ela sabia que vc não iria conseguir cumprir sua missão?? Talvez a sua missão fosse errada, pois o menino disse que ninguém queria comprar aquelas maçãs, pq eram frutas ruins... frutas ruins?? Pq vc, apesar de achar que as maçãs eram boas, vendia frutas que a verdade considerava ruins?? Talvez a sua consciência estivesse te revelando que nem tudo o que é bom e agradável para vc seja bom e agradável para os outros... é um interpretação a ser feita. Ou talvez que vc realmente está se empenhando em realizar uma missão que não irá agradar a ninguém. A pergunta a ser feita é: essa missão era correta? vc devia vender mesmo as maçãs? O fato de as pessoas acharem ruins as maçãs não significa que elas fossem ruins... Só significa que vc tem uma opinião diferente do das pessoas no geral. E o menino, sua consciência, sabia disso...
Bom... o seu pai só corrobora que a sua consciência segue a experiência daqueles que te educaram. Por isso a participação dele no sonho era essencial, senão vc já tinha cedido à tentação logo no começo do sonho, qd viu que tinha maçãs consigo. O seu pai te deu forças para vc pelo menos tentar continuar sua missão. Por que vc cedeu à tentação?? Porque ela era muito bonita ou porque vc queria comer as maçãs?? Essa pergunta é relevante para indicar o fator que o fez desistir de sua missão. Se foi um fator interno ou um fator externo... Ou se foram ambos...
Hum... isso faz sentido para vc??
O.o
Agora, eu tb tenho um sonho para contar... um sonho que tive hoje. Talvez vcs possam me ajudar a dizer o que era:
"sonhei que saía de algum lugar (trabalho talvez, mas podia ser a escola, ou a faculdade, ou shopping... não me lembro direito). Eu levava comigo alguns fardos, do tipo mochila, pastas, e outras coisas pesadas. Bom, eu saía desse lugar com essas coisas e voltava à pé para casa num percurso que eu conhecia muito bem: o centro de Taguatinga, a cidade em que eu moro. Acontece que eu passei a noite inteira atravessando ruas, cruzando faixas de pedestres, tornando a cruzar faixas de pedestres, cruzando semáforos, esperando os carros passarem, cruzando mais semáforos, etc... Eu não chegava em casa de jeito nenhum... Por mais que eu andasse, eu não chegava. Mas, no sonho, eu fazia o percurso calmamente, meticulosamente, calculando todos os movimentos e prevendo os próximos movimentos que eu deveria fazer, quais as próximas ruas eu deveria pegar, quais semáforos deveria cruzar, etc... Tudo calmamente. No sonho, eu sabia onde eu estava indo... Só que eu não cheguei. Simplesmente passei a noite toda andando e não cheguei. Então, acordei! E minha última recordação é a de que, no sonho, eu ainda estava no centro de Taguatinga...
Porque eu andei a noite toda e não cheguei em casa?? Pior: eu não saí do lugar... Eu sabia o caminho todinho. Eu perfiz esse caminho todinho... Mas não saí do mesmo local geográfico. Será que andei em círculos? Mas como, se eu sabia o caminho que estava fazendo? Na vida real, eu teria feito o caminho em apenas 15 minutos... mas no sonho, levou a madrugada toda e eu não cheguei....
Sonho estranho... =P~~~
Que interpretações ótimas.
Adorei tanto com a interpretação do Grupo de Estudos quanto do Mizi.
Merton, e a maçã? Foi na Bíblia a primeira vez em que ela apareceu como símbolo da tentação? E a Branca de Neve usou esse símbolo bíblico ou tirou a idéia de alguam outra história?
bjos
Cris, tudo bom? =D Abraços!
Bom, Cris, na bíblia não fala em maçã. Fala apenas "fruto". O pessoal é que associa o "fruto" à maçã. Talvez pelo fato de ela ser uma fruta vermelha e de aspecto chamativo... sei lá... Já a da branca de neve, tenho certeza que remete ao conceito bíblico, apesar de a bíblia não falar em maçãs... Rss...
Mas e aí, Cris... me ajuda a entender meu sonho tb??
Abraços, querida!
M.A.C
Merton, esses dias tive uns sonhos bem enigmáticos tbém. Mas não lembro direito, pq não tenho o costume de anotar, daí esqueço.
Fica só a sensação do estranhamento.
Se eu tiver outro sonho desse naipe esses dias, vou anotar assim que levantar e escrevo aqui.
Achei muito legal conversar sobre sonhos.
Desde os tempos mais antigos eles são um bom caminho para ajudar na religação com Deus e nós mesmos.
Oi Mizi.
Antes, nada a ver com o sonho. Quando tu fala em Taguatinga lembro do Legião Urbana, que adoro.
Sobre a maçã, é bem isso. Não lembro que a Bíblia mencione de forma expressa que o fruto era uma maçã. Acho que nas pinturas aparece a maçã por causa disso que tu falou, é vermelha e chamativa.
(não gosto de maçã, acho sem graça)
Sobre seu sonho, não escrevi antes porque tava pensando no que poderia significar.
Como você sabia o caminho e sabia que queria chegar em casa, meu raciocínio é o seguinte:
Será que mesmo querendo ir pra casa, Deus queria que vc fosse?
Será que DEus- ou a Força, ou sua missão- fizeram vc ficar andando pelos mesmos lugraes para que vc pudesse prestar atenção em coisas que vc normalmente não nota?
Essa análise não é muito original. Mas já li tantas vezes que na pressa de alacnçar nossa CASA (que pode ser a iluminação, o encontro com DEus, com si mesmo), não aproveitamos a caminhada?
Será que algumas vezes a caminhada não é tão importante quanto a chegada?
Falo não apenas da importância para nós mesmos, pelo aprendizado que a busca pela volta ao lar proporciona. Acredito que também, algumas vezes, a caminhada é mais longa porque nela temos que encontrar e ajudar outras pessoas.
Entõa a gente vai muito apressado, muito certo do caminho, e não percebe que nosso caminho não é só nosso. Nele iremos encontrar pessoas situações nas quais nossa presença é fundamental. Não dependemos dessas pessoas /situações para chegar em casa. Sabemos o caminho. Mas faz parte da nossa missão ir mais mais devagar para observar e intergair com coisas que a principio achamos que são alheias a nossa caminhada.
Mas não são. Tem coisas que a gente não entende. Então DEus nos faz anadra em círculso para que a gente finalmente possa enxergar os pequenos detalhes.
Não sei se deu pra entender.
Beijo
C.A.M
Hum... eu entendi perfeitamente, Cris. É uma interpretação incrível, e eu não tinha pensado nela. Eu também acho que as pessoas devem prestar bastante atenção ao caminho, para não passar batido aquelas pessoas que estão ali precisando de ajuda e tal. Mas acho que não foi esse o sentido do meu sonho, porque eu sabia meu destino, mas eu não tava com o pensamento nele. Eu não estava ansioso para chegar em casa. Pelo contrário, eu parecia sentir um certo prazer em ficar andando pelo caminho e calculando demoradamente cada passo da caminhada. A sensação era a mesma de quando a gente joga um joguinho de corrida no vídeo game: a gente já sabe o caminho todinho do circuito, mas nem pisca o olho de tanta atenção que está na pista. Só que no caso do sonho seria uma corrida em câmera lenta. Eu perfazia o caminho todinho meticulosamente, só que não parecia ter fim... Mas eu tb não estava preocupado com isso. Eu tava curtindo era a circuito.
Eu demorava um tempão para atrevassar cada rua...
Mas, independe de o sonho ter algum sentido ou não, o fenômeno em si é curioso. Devido há algumas experiências, eu percebi que o tempo que se passa no sonho é totalmente diferente do tempo real em que ficamos dormindo. Eu já tive sonhos que aconteceram milhares de coisas com progressões temporais vastas em apenas alguns minutos reais de cochilo. E sonhos como este, em que dormi uma noite inteira e não aconteceu praticamente nada, como se o tempo não tivesse passado... O estranho que eu achei do sonho foi o tempo todo que durou. Foi bizarro...
Mas bem... estamos aqui para falar do sonho do Merton, e não do meu, neh... HAHAHAA...
Desculpa aí, caro grão-mestre.
Abraços a todos!
Obs.: Cris, qd eu falo Taguatinga, vc lembra de Legião...
Mais precisamente da música "faroeste caboclo"... Rsss... Acertei???
Faroeste Caboclo sim! :)
Mizi, acho que os sonhos não tem uma interpretação fixa ou certa.
O legal é ver várias interpretaçãoes, e daí analisar com nossa intuição para chegar a uma resposta.
Isso se houver uma resposta mesmo, não é?
bjo
ANDREA,
Sem comentários, só posso lamentar e continuar tentando fazer a minha parte. Beijo carinhoso pra você...
KASSIA, FELIPE, LAERCIO,
Puxa vida! Essa foi a primeira vez que eu vi um comentário feito em grupo, neste ou em outro lugar! Mas antes de falar da interpretação de vocês, gostaria de fazer algumas rápidas observações:
Bom, eu não teria tanta certeza de que esse sonho foi uma "clara comunicação consciencial extra-cerebral"... Pode ter sido apena um sonho comum, mesmo. Olha, eu sonho muito, cada sonho mais estranho que o outro. Às vezes eu cochilo ali no sofá, na frente da TV, aquele soninho de 5 minutos, e já estou sonhando!.. Então, acho que não dá pra ter tanta certeza se foi um sonho, uma viagem ou alguma outra coisa.
Mas enfim, eu gostei MUITO das interpretações de vocês!
Confesso que às vezes vejo Satanás como símbolo, e às vezes sou quase forçado a admitir que se trate de uma entidade real e pessoal. Fora isso, achei excelentes as conclusões que vocês trouxeram, especialmente a conclusão de que "a tentação é achar que pode fazer tudo o que quiser sem responsabilidade moral, realizar os desejos carnais (moça sensual, comer as maçãs gostosas) e ainda ter toda a reconpensa (receber o dinheiro) e cumprir a sua missão (vender e receber)". O final da reflexão também é bem interessante: concordo, muitas vezes os frutos mais doces trazem os piores resultados.
Quanto ao grupo, se for presencial, no momento vai ser um pouco complicado para mim, mas eu sempre gosto muito de participar de grupos de estudo. A alma de um grupo, porém, são os seus componentes; já participei de grupos ótimos que foram prejudicados por permitir a entrada de algum membro que não correspondia a proposta inicial. Nesses casos, os objetivos são desviados, e aí vira uma outra coisa... Pelo comentário de vocês, acho que o seu grupo é bem coeso. Abraço, aguardo o contato.
MIZI,
O que tinha no livro não é relevante: era uma história meio parecida, que nós lemos assim, rapidinho, na livraria, e pode ter ficado no meu subconsciente.
A sua interpretação foi parecida com a do pessoal do grupo, e tão boa quanto. Mas achei interessante essa identificação que vc fez, do menino e a minha consciência, que sempre sabe o que é verdade. Talvez as maçãs não fossem tão bonitas, para ele, porque ele via o que eu não podia ver, isto é, se eu prestasse atenção à minha consciência, veria que os frutos não eram assim tão bacanas... Interessante.
Quanto ao seu sonho (Hausahahshah... Isso tá começando a parecer consultório Jungiano), ao menos para mim, o significado pareceu bem claro, até explícito:
Tentar chegar em casa significa que você está procurando o seu lugar, as suas respostas, o seu aconchego, uma segurança emocional que por algum motivo ainda não possui.
O fato de andar, andar e não conseguir chegar demonstra que vc está um pouco angustiando nessa busca, isto é, ansioso, querendo chegar logo, se encontrar, alcançar uma certa tranquilidade emocional, talvez.
Estar carregando coisas pesadas é sinal de que você vem assumindo responsabilidades e obrigações difíceis de honrar.
Quer saber? Eu tinha sonhos parecidos há alguns anos, e eram recorrentes. Essa interpretação que estou passando serviu para mim, mas se achar que não tem nada a ver com o seu caso, não me culpe. Não sou especialista em sonhos =P~
Abraço, cavaleiro.
CRIS,
Vamos por partes, buscadora. Muita calma nessa hora... O que o relato bíblico do Gênesis menciona é o 'fruto proibido', que teria o poder de dar a quem o comesse a capacidade de distinguir o bem do mal. Obviamente é uma narrativa simbólica, carregada de mitos arquetípicos, metáforas e uma símbologia provavelmente anterior à própria narrativa bíblica.
Inclusive é um assunto bem interessante esse: olhando 'de perto', não há nenhuma relação entre a serpente mencionada e a figura de satanás, que só vai aparecer no insconsciente dos judeus muito depois. Na história, inclusive, a serpente fala a verdade(!): ela diz que se eles comerem do fruto vão adquirir o conhecimento do bem e do mal, e é isso que de fato acontece.
Até hoje existe discussão entre teólogos sobre o porquê de Deus não querer que os seres humanos adquirissem o conhececimento. Mas existe sem dúvida uma profunda sabedoria por trás dessa fábula tão simpes, pois adquirir conhecimento quase sempre acarreta sofrimento, como na experiência humana: quando somos crianças puras, vivemos uma vida tranquila e amorosa, cercados de mimos e carinhos. Conforme vamos crescendo e adquirindo conhecimento, passamos a conhecer os sofrimentos deste mundo: se erramos somos castigados, depois vamos adquirindo o peso das obrigações e responsabilidades, precisamos estudar, depois trabalhar, etc, etc... E assim até o fim da vida: o Paraíso da infância é perdido para sempre. Isso sem contar que o conhecimento pode ser visto, também, como um sinônimo da descoberta das dores deste mundo, da crueldade dos homens, da doença, da velhice, decrepitude e morte... Como na história de Buda.
Bom, essas são algumas das interpretações para o Gênesis, mas existem milhares; isso é uma conversa compriiiiiida...
Outra questão é que a serpente, ali, é retratada como apenas um tipo de animal (muito esperto) que podia se comunicar com os seres humanos (será que os outros também podiam? Ou os seres humanos é que conseguiam entender os animais?), que por ter pecado é condenado a passar a eternidade rastejando...
Mas a maçã, na realidade, não tem absolutamente NADA A VER com a Bíblia, até porque não existe maçã nas regiões das histórias bíblicas... Isso foi uma invenção que só surgiu milhares de anos depois de a história ter sido escrita, na Idade Média. Mas outros frutos também já foram relacionados com Adão e Eva, como o figo e a uva... Então, de uma vez por todas, ESQUECE essa associação entre a maçã, Adão e Eva e a Bíblia, porque ela simplesmente não existe, e se os sonhos são projeções do inconsciente, eu nunca faria essa associação.
Quanto à Branca de Neve do Walt Disney... Sei lá porque ele escolheu uma maçã, mas acho que também não tem nada a ver com a história do Gênesis, não. Acho que para um desenho animado, fica muito vistosa aquela imagem da bruxa carregando um cesto cheio de lindas maçãs... Na minha opinião, nesse caso, a escolha deve ter sido simplesmente por razões estéticas.
Beijos...
Hum... Merton, interessante a idéia de eu estar sobrecarregado com serviços... acho que isso faz sentido. Rsss...
Ah... quanto à serpente, eu acho que ela não fala a verdade. Ainda que seja a verdade o fato de conhecer o bem e o mal, todo o resto que ela disse, sobre ser como deuses, sobre Deus não querer que o homem fosse Deus ou temer que o homem fosse igual a Deus, é tudo mentira. O homem já estava com Deus, no Gênesis fala que o homem andava com o Senhor no jardim do éden, isso demonstra que Deus considerava o homem como um semelhante, um igual. O homem já tinha um prestígio especial. Então, amigo, na minha concepção meias verdades também são mentiras.
Quanto ao fato de associar a serpente com satanás, pode até não ter começado assim, mas lá na frente, no livro do apocalipse, João nos revela que o dragão é a antiga serpente. O personagem mais enigmático da bíblia, a serpente do gênesis, era de fato o inimigo de Deus.
"Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus." (Ap 12,9-10)
Partindo do pressuposto que o apocalipse é o livro da revelação, que mostra o sentido místico de toda a Bíblia, não podemos então deixar de associar a serpente com satanás (o inimigo).
Agora, se o inimigo é um fator externo ou interno do homem... isso eu já não sei afirmar. Algumas vezes penso que o inimigo de Deus é o próprio ego humano. A mente seria a serpente a tentar o homem. Outras vezes, penso que existe mesmo uma entidade espiritual externa que tende a se opor a Deus e ao homem. O apocalipse, apesar de ser revelador, se constitui em metáforas... Uma metáfora que explica outra metáfora é difícil de se entender...
Hum...
Mas muito legal o sonho.
Oi Buscador.
Obrigada pelas explicações.
Já ia perguntar mesmo se existiam maçãs naquela região.
E obrigada por esclarecer a questão da serpente. Já ia perguntar tbém, auhauahau...vc se adiantou.
Podia escrever sobre isso.
"e se os sonhos são projeções do inconsciente, eu nunca faria essa associação."
Mas isso eu não falei. Desde o primeiro comentário eu já disse que não fiz essa associação, só lembrei da história da maçã.:P
Olha:
"Merton, eu não achei que no seu sonho a maçã teve o papel de vilã..."
"Então minha pergunta do porque ela ser o símbolo do pecado, da tentação, não tem exatamente a ver com o seu sonho, é que eu não sei mesmo."
Tbém acho que alguns sonhos são só sonhos.
Lembrei de um que tive. Eu morava numa casa grande cuidava de quatro cachorrinhos. Eles não tinham raça, um era fêmea (eu sei disso, mas não sei como) e parecia um pastor alemão. Outro era amerlinho, com o pelo espetado, outro pretinho. E tinha um que não era um cachorro, mas um filhote de lobo (tbém não sei explicar como sabia disso).
Mas o melhor do sonho era que eu estava com o o cantor Daniel (aquele cantor sertanejo). Ele era meu namorado, a gentes e beijava.
Ele nem é um dos meus cantores preferidos, nem acho ele bonito.
Mas tava tão bom o sonho que achei ruim quando acordei,ehehehehehe.
bjos
A interpretação despretensiosa que eu fiz do seu sonho, mas imaginando como se eu o tivesse sonhado:
Me baseei na época em que fazia terapia e analisava meus sonhos com ajuda do Jung e da minha psicóloga.
Antes de mais nada, esse tipo de análise que eu fazia parte do princípio de que todas as pessoas em nossos sonhos, são partes de nós mesmos e não entidades individuais externas. Os objetos inanimados como o carrinho de madeira clara e polida, as maçãs, as encruzilhadas pavimentadas com pedras redondas, etc. são simbologias que misturam arquétipos, com as associações pessoais de cada indivíduo. Um exemplo é qdo sonhamos que estamos dirigindo algum veículo, ele geralmente se associa com a vida. Se vc está dentro de um carro e outra pessoa está dirigindo, homem, mulher ou criança, pode significar que a representação dessa pessoa com suas peculiaridades, é que comanda a sua vida.
É muito complicado analisar a fundo sem conhecermos o histórico de vida pessoal do sonhador, mas dá pra viajar bastante!
Neste sonho, poderíamos analisar sua vida sendo simples e contemplativa, como um carrinho de madeira clara, bonito, limpo e polido, com honestidade, dignidade, etc e tal. , parado numa esquina/encruzilhada, observando o ritmo de pessoas que vivem o cotidiano da vida material, mas carregado de pequenos apegos que precisa se livrar para assumir uma responsabilidade maior que seu pai e sua consciência Superior lhe pedem.
Não se esqueça que é uma análise sem pretensão nenhuma e que como bem sabemos, um sonho pode ser tb apenas um sonho!
Então vai lá:
As maçãs simbolizam as coisas materiais da vida, belas, apetitosas, perfumadas, prazerosas, mas que em excesso, sufocam e causam sofrimento. Ex. no meu caso, a minha maçã é a cerveja que eu gosto de tomar, que qdo eu passo dos limites me dá uma ressaca e interfere no meu dia a dia, nas minhas orações e meditação.
Não são pecados, mas a meu ver, representam os apegos que ainda possuímos, que devem ser eliminados se quisermos realmente seguir um caminho de exemplo da Verdadeira vida. É um processo de cobrança interior, eu falo por mim mesma, pois me traz remorso e angústia no dia seguinte...rs.
A Criança é aquilo que temos de mais puro e verdadeiro dentro de nós, por isso mesmo ela tem o conhecimento da Verdade, é de uma certa maneira imaculada; ela é a Consciência Superior, nossa ligação com o Todo;
é quem lhe chama a atenção para uma verdade que incomoda, mas que no fundo vc sabe que é para o seu bem, que é verdadeiro. Ela lhe alerta, dizendo que as maças são feias, ou seja, que a beleza que vc vê é ilusória, e quem o faz enxergar assim, é justamente seu inimigo falso e imoral, o seu Ego. Ela enxerga a realidade das coisas que vc não vê e quer ser ouvida, não questionada.
Há um obstáculo desconhecido que o impede de compreender totalmente a sua consciência Superior, de se abrir ao conhecimento que ela quer lhe transmitir.
O pai representa o seu lado experiente, que adquiriu sabedoria com as experiencias da vida, mas que apesar da idade, ainda se mantém jovial, atualizado. É o seu lado maduro de buscador. Como arquétipo, obviamente ele representa o Pai eterno, que vc ama , respeita e confia como o seu pai na terra. E esse pai não lhe ordena que venda as maçãs, ele pede como última esperança de salvação(?).
Vc quer fazer a vontade do pai, mas tb sente desejos para comer as maçãs; ambas são vontades fortes e quase irresistíveis. Vender as maças é ter mais responsabilidade, um sacrifício que deve ser realizado, mas vc não se esforça tanto, fica tímido. Comer as maças, por outro lado, é um desejo, mas vc sabe que se comer as maças não poderá vendê-las, então como sair dessa sinuca?
A mulher loura, maliciosa, linda e sensual, simboliza o lado vaidoso do ego, que admira coisas belas, gosta de uma diversão, de um equipamento novo e moderno, que o faz optar pelo caminho mais fácil, cômodo, que une o útil e o agradável, que o faz acreditar que realizará as duas vontades tão antagônicas, e ainda ficará com a consciencia tranquila do dever cumprido.
Vc quer seguir o caminho da responsabilidade que o pai lhe pede, mas tb quer desfrutar dos pequenos prazeres e ilusões da matéria que não julga nocivos. Mas a verdade é que esses pequenos prazeres, conduzidos pela vaidade, podem ser nocivos sim e lhe fazer sofrer, sentir angústia e remorso.
E a criança, sua consciencia sabe disso e lhe alerta para não se deixar levar pelo ego e nem pela vaidade, assim como o seu lado mais maduro, tb sabe que deve se livrar desses apegos para realizar algo Maior. The End.
Puxa vida, eu poderia realmente ter sonhado esse sonho!!! Tem tudo a ver comigo...rs
Fiat, muito interessante sua análise.
beijão
C.A.F
Obrigada Cris.
R.A.J.C.G.
=)
Hj tive um sonho bem esquisito.
Alguém se habilita a arriscar um palpite?
Sonhei com uma casa grande, que estava sendo redecorada.
E em cada cômodo que eu passava, eu chorava porque falavam que eu não poderia ficar ali. Ou melhor, não era alguém específico dizendo que eu não poderia ficar, mas eu sabia que não poderia e por isso estava muito triste.
Eu chorava porque não queria ir embora, e chorava mais, de deseepero, quando via a nova decoração de cada e sentia que eu tinha que ir embora.
No meio dessa confusão, apareceu uma carta no sonho, que era um namorado, dizendo que era melhor a gente se separar.Então eu chorava mais e mais.
Fou um sonho muito confuso e angustiante, acordei mal.
Agora são seis da tarde e apesar dos detalhes do sonho já estarm apagados, a sensção ruim permanece.
Esqueci uma palvrinha:
Eu chorava porque não queria ir embora, e chorava mais, de deseepero, quando via a nova decoração de cada CÔMODO e sentia que eu tinha que ir embora.
Oi Cris
Vou dar uma palpite, hein?
Na minha opinião, essa casa que está sendo redecorada, representa o seu interior em processo de mudanças.
Vc, no sonho, é o seu ego que não quer aceitar as mudanças, por isso chora, fica triste.
Mas achei melhor ele estar chorando, do que berrando ou esperneando de raiva!
Embora relutante e triste, o ego sabe que não pode evitar essa "redecoração".
Esse namorado que está se separando de vc, pode estar representando o seu lado profissional, pois é uma figura masculina.
Não sei a possibilidade de vc mudar de profissão ou pelo menos de especialização, mas parece que vc deve pensar nessa possibilidade, para adquirir um equilíbrio interior e viver uma vida mais saudável.
E é o seu Ego que não quer aceitar essas mudanças, pois mudanças geram medo e insegurança, mas aparentemente, ele já está se conformando!
Bjs querida amiga,
Oi querida!!!
Obrigada pela sua visão.
Gostei muito, vou pensar sobre isso.
bjão:)
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