O gato que vê a morte

Quando eu digo que gatos são animais especiais, ainda tem quem discorde... Eu sei, eu sei que todos os animais tem uma certa sensibilidade, mas os gatos são simplesmente... especiais! - Não consigo achar outro adjetivo melhor. - Acho que os felinos estão entre os animais mais misteriosos da natureza, como se tivessem sido dotados por Deus de uma sensibilidade além do comum. O olhar de um gato é mistério puro. Quem discorda, geralmente, ou é porque nunca teve um gato, ou pior, teve e não percebeu isso porque esperava que ele se comportasse como um cachorro, babando em cima do dono e dependendo dele pra tudo. Um erro comum, e quem age assim não sabe o que está perdendo. Mais grave: em nosso país, muita gente confunde 'independente' com 'traiçoeiro'. "Gato é traiçoeiro e cachorro é fiel"? Então tá, mas eu nunca ouvi falar de um gato que tivesse machucado seriamente o seu dono, a não ser que estivesse se sentindo extremamente ameaçado; quanto aos cães, praticamente todas as semanas temos notícias de certas raças mordendo, e, em casos extremos, até matando seus donos, ou destroçando criancinhas pelas ruas... Estou exagerando? Que fique bem claro que não estou falando isso contra os cães (eu já tive e gosto deles), mas sim a favor dos gatos, que considero animais muito injustiçados.

Eu digo que ter um gato pode ser uma experiência espiritual; - se você tiver uma certa dose de sutileza para entendê-lo. - E for capaz de perceber que os gatos não são como os cães. Um gato é um gato, assim como um papagaio é um papagaio e um peixinho no aquário é um peixinho. Digo isso porque, sempre que se fala em gato, alguém retruca: "Prefiro cachorro!"... Se eu disser que tenho uma tartaruguinha, tudo bem, mas basta mencionar gato e lá vem a famigerada comparação. Não é óbvio que cada bicho tem a sua própria energia e suas particularidades únicas? Bom, é um fato que muitos dos maiores escritores (de Ernest Hemingway e Machado de Assis a Ferreira Goulart) e artistas plásticos do mundo (de Van Gogh a Picasso) preferiram e preferem os gatos, e eu, em meio à minha infinita insignificância, estou entre eles... Pra um cara que não tem paciência pra levar um bicho a dar voltinha no quarteirão todo dia (se é pra ter, tem que cuidar direito) e nem pra limpar fezes no quintal o dia inteiro, os gatos (que nunca fazem as suas necessidades fora do lugar próprio) são os bichos de estimação ideais. Sem contar o ABENÇOADO SILÊNCIO... Gato só faz barulho quando no cio, mas se for castrado, problema resolvido, pra sempre.

Mas este post não é sobre gatos. É sobre o dom incomum de um certo gato incomum...




Você me conhece? O meu nome é Oscar.
Sabe porque sou mundialmente famoso?


O gato Oscar (lê-se 'Óscar', porque ele é gringo) não é médico. Na verdade, não consta que tenha sequer frequentado o ensino básico oficial. Mas apesar da evidente (ou aparente?) falta de qualificações, e mesmo levando uma grande desvantagem que é não ter os nossos polegares opositores, Oscar é referência para os profissionais de saúde do Steere House Nursing and Rehabilitation Centre, em Providence, EUA, uma clínica especializada em doentes com mal de Alzheimer e Parkinson. Oscar, o gato, vem manifestando uma capacidade tão curiosa quanto impressionante: ele demonstra possuir o dom de 'ver' ou intuir qual dos pacientes está prestes a deixar esta vida.

Não, este post não trata de uma fraude e nem é um trote, e também não estamos falando de alguma notícia sensacionalista de tablóide. - Foi num artigo publicado no prestigiado New England Journal of Medicine, que o geriatra e professor universitário Dr. David Sosa veiculou a espantosa notícia ao mundo: Oscar é capaz de anunciar a morte iminente dos doentes. Todos os dias, o fofucho se levanta de sua cadeira favorita e dá início a um passeio pelo 3º piso do centro de saúde. Quarto após quarto, ele rodeia as camas, cheira os doentes e, vez em quando, demonstra sua inexplicável capacidade de perceber a proximidade da morte. Quando ele sobe numa cama, a equipe médica se prepara: chegou a hora da morte daquele paciente. Oscar enrosca-se no corpo do doente e pacientemente fica ao seu lado, como se quisesse confortá-lo, até o último suspiro. O detalhe é que ele só faz isso nos casos terminais, e em todas as vezes, o paciente realmente faleceu, após cerca de duas horas. Esse gato tem o poder de enxergar ou sentir a chegada da morte??

Essa história não é nova, e provavelmente muitos já a conheçam; desde o ano de 2007 a notícia vem sendo divulgada internacionalmente, figurando nos principais jornais, revistas e noticiários do mundo. O comportamento do animal, que tirando essa incrível particularidade nada tem de diferente, parecendo-se apenas com mais um pacato e simpático gatinho, já foi verificado e registrado mais de 25 vezes, segundo o professor da Universidade Brown, num testemunho corroborado pela Dra. Joan Teno. Em declarações à Associated Press, essa especialista em tratamento de doentes terminais da Brown University diz que Oscar não falha na tarefa de predizer a morte de um paciente.

A Dra. Joan Teno conta que ficou convencida quando presenciou o 13º caso do mensageiro da morte de quatro patas. Numa das suas incursões aos quartos do hospital, Oscar não subiu para a cama de uma doente que os médicos sabiam que estava nas suas últimas horas. Quando Joan esperava que Oscar fizesse aquilo que todos já sabiam, o gatinho simplestmente retirou-se do quarto, deixando a especialista convicta de que tudo, afinal, não passava de uma série de coincidências. Mas somente dez horas mais tarde é que aquela paciente exalou o seu último suspiro, já sem a presença da Dra. Teno. O que a médica só veio a saber mais tarde é que Oscar tinha regressado ao quarto da doente, cerca de duas horas antes da sua morte. Subiu para a cama, enroscou-se e ficou ao seu lado até o último instante. A médica é que tinha errado o seu prognóstico, em algumas horas, mas o gato não: ele estivera lá no último momento!


Você quer viver para sempre?



Sem explicação

Como não poderia deixar de ser, e como sempre acontece nesses casos, tentativas de explicação 'lógicas' não faltaram. A própria médica Joan Teno chegou a sugerir que talvez o gato sentisse algum cheiro diferente, ou então que interpretasse algo a partir do comportamento das enfermeiras, que o criaram desde filhote. - Hipóteses que não convenceram seus pares. - Já o especialista em comportamento animal Nicholas Dodman, do hospital veterinário da Universidade de Tufts, Massachusetts, 'chutou' que a chave poderia estar no cobertor aquecido com que as enfermeiras costumam cobrir as pessoas que estão prestes a morrer. Outro palpite insuficiente, pois, como visto, nos casos em que os pacientes não morreram, mesmo com o cobertor pronto, Oscar não se aproximou deles...

Importante: antes que alguém diga que o gato é 'agourento', por pressagiar a morte dos pobres velhinhos, saiba que ele não provoca as mortes, apenas tem a capacidade de percebê-las antes que aconteçam. - E os médicos e enfermeiras do Steere House consideram a sua 'colaboração' inestimável, já que muitos dos moribundos se sentem reconfortados com a presença do carinhoso animal, e alguns sorriem para ele em seus últimos minutos de vida. Além disso, o comportamento do peludo ainda permite aos profissionais de saúde que telefonem aos familiares dos doentes, para que estes não passem sozinhos os seus últimos momentos(!). Nesse centro médico, ninguém tira dos moribundos o prazer final de ter uma macia bola de pêlo cinzento e branco a aquecê-los. Uma bola (literalmente, já que o bicho é bem gordo) que faz 'miau'. - Ou 'meow', em seu idioma natal.


Quando Oscar visita um residente do Centro de Reabilitação de Providence,
a equipe entra em ação, já sabendo que alguém morrerá nas próximas horas!


Após a publicação científica sobre a história do 'gato com sexto sentido', o médico que revelou o caso ao mundo reiterou acreditar que o animal leve conforto aos moribundos. "Na maioria das vezes, ele aparece em uma área de estágio final da unidade de problemas mentais. Boa parte dos pacientes perderam a capacidade de entender o que acontece. Ainda assim, eu acredito que eles sintam um grande conforto pelo fato de haver um animal por lá", declarou David Dosa em entrevista ao HealthDay News.

Como visto, Oscar foi adotado pelo hospital ainda filhote, e ganhou esse nome em homenagem a um personagem da famosa série de TV 'Sesame Street', conhecida por aqui como Vila Sésamo. O gato tem, hoje, 4 anos de idade. Quanto à Dra. Joan Teno, ela afastou de vez o ceticismo. "O gato sempre aparece nas últimas duas horas de vida dos pacientes", garantiu.


Segundo os médicos, Oscar é meigo, carinhoso e gordo (aprox. 7 quilos).
E pelo visto também é muito folgado, como todo gato que se preza...



Fontes:
G1 São Paulo (Daniel Santini);
Jornal 'Público';
Agência Efe.



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