O Santo Sudário - conclusão

'La Santa Sindone', pintura do século XVIII atribuída a
Giovanni Batista Tiepolo (clique sobre a imagem para ampliar)

A comunidade científica reagiu rapidamente à divulgação da descoberta do fotógrafo Secondo Pia em 1898, acusando-o de ter criado uma fraude. - Naquela época já se sabia, com certeza, que o tecido era oriundo da Idade Média ou de uma época anterior, pois existiam registros históricos mencionando a sua existência desde pelo menos 1536, quando um cruzado chamado Geoffroy de Charny o entregou aos cônegos de Lirey, cidade próxima a Troyes, França[1]. Segundo os registros, Geoffroy declarou, à época, que a relíquia estivera aos seus cuidados por três anos. - Uma peça tão antiga não poderia, portanto, conter um negativo fotográfico como Pia alegava. E os cientistas, é claro, estavam certos. A não ser...

A não ser que a imagem tivesse sido formada miraculosamente. E foi exatamente essa possibilidade fantástica que acabou por atear fogo em toda a discussão acerca do Sudário. – Nos anos seguintes, a partir de 1931, foi permitido a Giuseppe Enrie fotografar novamente o Sudário, com equipamento mais avançado e sem ter que bater as chapas através de um vidro protetor. Estas fotografias enfatizaram com mais detalhes e mais dramaticamente o homem crucificado do que as imagens obtidas por Pia. E, sim, confirmaram que a imagem possuía todas as características de um negativo fotográfico!

Anos depois, autoridades médicas que efetuaram avaliações com o auxílio de análises de cadáveres constataram que as imagens eram totalmente consistentes com a crucificação. Mas foi somente em 1973 que o Vaticano permitiu que se extraísse uma minúscula amostra do tecido para avaliação. As análises microscópicas confirmaram que o Sudário era feito de puro linho, tecido em padrão espinha-de-peixe 3x1, perfeitamente compatível com a época de Cristo, mas que só poderia ter sido adquirido por um homem rico, - assim como José de Arimatéia nos relatos dos Evangelhos. - Somando-se a tudo isso às pesquisas do Dr. Max Frei-Sulzer (vistas na postagem anterior), que ao analisar partículas de pó e pólen extraídas da superfície do Sudário encontrou material exclusivo das regiões em torno do Mar Morto, os cientistas, finalmente, se convenceram de que valia a pena aprofundar os estudos a respeito do chamado Santo Sudário.

Assim foi formada a equipe do ‘Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim’, o PPST, num esforço para avaliar o Sudário sistematicamente e segundo a metodologia científica avançada. Os resultados finais do estudo da equipe PPST foram publicados em 1981. As conclusões oficiais daquele relatório foram as seguintes[2]:

"Não foram encontradas pinturas, tinturas ou manchas nas fibras. Radiografia, fluorescência e microquímica aplicadas às fibras excluíram a possibilidade de pintura como método de criação da imagem. Avaliação por raios ultravioleta e infravermelhos confirmaram estes estudos".

"A definição da imagem por computador e as análises pelo analisador de imagem VP-8 revelaram que a imagem tem codificada, em si, informação tridimensional, uma característica sem paralelo em nenhum outro artefato submetido a análise científica até o dia de hoje".

"A avaliação microquímica não indicou qualquer evidência de especiarias, óleos ou elementos bioquímicos conhecidos. Está claro que houve um contato direto do Sudário com um corpo humano, o que explica certas características, como marcas de açoite e de sangue ".

"Entretanto, enquanto este tipo de contato poderia explicar algumas das características do torso, é totalmente incapaz de explicar a imagem da face com a alta resolução amplamente demonstrada através de fotografia".

"O problema básico, do ponto-de-vista científico, é que algumas explicações sustentáveis do ponto-de-vista químico são impedidas pela Física. Ao reverso, certas explicações físicas que seriam consideradas adequandas são impedidas pela Química. Uma explicação satisfatória para a imagem do Sudário tem que ser cientificamente razoável dos pontos de vista físico, químico, biológico e médico. No presente, esse tipo de solução não está ao alcance da equipe que estuda o Sudário. As experiências realizadas em física e química com linho velho não foram capazes de reproduzir adequadamente o fenômeno do Sudário de Turim. O consenso científico é que a imagem foi produzida por algo que resultou em oxidação, desidratação e conjugação da estrutura polissacarídica das microfibras do próprio linho. Tais mudanças podem ser reproduzidas no laboratório por certos processos químicos e físicos. Um tipo semelhante de mudança em linho pode ser obtido com ácido sulfúrico ou calor intenso. Porém, nenhum método químico ou físico conhecido pode responder pela totalidade da imagem, nem o pode qualquer combinação de circunstâncias físicas, químicas, biológicas ou médicas adequadamente".

"Assim, a resposta para a pergunta de como a imagem foi produzida ou o que produziu a imagem permanece um mistério. Podemos concluir, por ora, que a imagem do Sudário é a real forma humana de um homem açoitado e crucificado. Não é o produto de um artista. As manchas de sangue são compostas de hemoglobina e também foram positivadas em teste para albumina de soro. A imagem é um mistério contínuo e até que sejam feitos estudos químicos adicionais, talvez por este mesmo grupo ou por cientistas do futuro, o problema permanece não solucionado ".

Depois dessas conclusões no mínimo espetaculares (se você pulou a parte acima e não leu os resultados das análises do PPST, volte e leia, porque vale a pena ;D) , não havia como a comunidade científica não mudar sua postura. Muitos céticos passaram a se interessar pelo Sudário: estavam diante de um dos maiores enigmas de todos os tempos. O fato de haver questões religiosas envolvidas, o que em princípio afastou muitos cientistas arreligiosos, já não era mais suficiente para impedir a curiosidade e o interesse numa pesquisa tão importante. Muitos especialistas ateus de diversas áreas se interessaram na pesquisa do Sudário, até com o objetivo de desmistificá-lo ou tentar derrubar a hipótese de autenticidade. Um desses cientistas céticos e profundamente agnóstico era o Dr. Raymond Rogers, que acabaria assumindo importância fundamental na história toda, como veremos a seguir.

O fato de haver soro (invisível a olho nu) ao redor das manchas de sangue no Sudário, por exemplo, era algo que não poderia ter sido produzido por nenhum falsificador. - Ocorre que, sob tortura, as paredes dos glóbulos vermelhos do sangue se rompem, liberando bilirrubina, presente nessas áreas do tecido. Como explicar isso? Assim como concluiu o Dr. Barriem Schwortz, membro da equipe PPST, um absurdo muito maior do que considerar o Sudário autêntico seria imaginar que um falsificador da Idade Média esconderia manchas invisíveis no tecido para que os cientistas, 700 anos depois, a encontrassem utilizando equipamentos que ele nunca poderia sonhar existir...

As evidências em favor da autenticidade do Sudário eram muitas, e tudo parecia caminhar para a inacreditável comprovação, não só da veracidade das narrativas evangélicas, como também (o mais impressionante) do caráter supernatural de algum fato inexplicável ocorrido após a morte daquele crucificado (como veremos adiante)... Isso até o malfadado teste de datação por Carbono 14 realizado em 1988: a maior pedra no sapato dos que defendiam a autenticidade da relíquia, tanto religiosos quanto cientistas...

Como visto, os testes de datação concluíram que o linho do Sudário só poderia ter sido produzido numa data entre 1260 e 1390 dC. Ateus ativistas festejaram, mas muitos cientistas respeitados ficaram perplexos. Como conciliar tantas evidências pró com uma única, mas contundente, prova contra a autenticidade da mortalha? O mundo científico estava diante de um enigma gigantesco. E cientista que é cientista ama o desafio.

A partir daí, as mais estapafúrdias hipóteses passaram a ser levantadas: surgiu inclusive a teoria de que algum coitado teria sido capturado e torturado, submetido aos mesmos sofrimentos de Jesus, espancado, flagelado, ‘coroado’ com espinhos, crucificado e morto, depois perfurado com uma lança, tudo para depois ser envolvido num tecido e assim produzir uma relíquia falsa, há 700 anos...

O fato é que se o Sudário fosse uma falsificação medieval, teria que ter sido produzida por um grande gênio, daí alguns palpiteiros sensacionalistas terem levantado a fantástica hipótese de a mortalha ter sido produzida por ninguém menos que Leonardo da Vinci... Mas, bem, isso equivale a acusar o mestre renascentista de ser um assassino cruel e sádico. Além disso, o único motivo para se produzir tal falsificação seria o lucro, e sabemos que Da Vinci foi um homem rico e prestigiado, um gênio internacionalmente reconhecido, - e também um homem profundamente religioso, inclusive com fortes tendências místicas. - Seria um absurdo completo imaginar que tal homem seria capaz de capturar e torturar um inocente, das maneiras mais horríveis, até a morte, somente para produzir uma falsa relíquia.

Mas a hipótese de alguém ter sido submetido às mesmas torturas e à mesma morte que Jesus para se produzir o Sudário, apesar de fantástica, não poderia ser considerada impossível; - se não fossem as incríveis particularidades da relíquia em questão. - Como por exemplo a perfeita conformidade entre o tamanho da lança que perfurou o flanco do crucificado e as que eram usadas pelos soldados romanos na época de Jesus. Ou as feridas perfeitamente condizentes com as que seriam provocadas pelo flagelum romano no mesmo período histórico. Ou inúmeros outros detalhes que o Sudário revela (que veremos mais adiante), e que ninguém, nem mesmo o maior de todos os gênios poderia conceber, na Idade Média.


O maior dos enigmas: o Sudário é uma prova física da Ressurreição?

De todas as questões trazidas à baila pelo estudo do Sudário, sem dúvida o que mais impressiona é o fato de a sua ‘impressão’, - que não apresenta nenhum sinal de produção por mão humana, - ser superficial, isto é, a coloração que forma a imagem não penetra os fios. A imagem toca apenas as fibras superiores da trama do lençol, sobre uma profundidade de aproximadamente 40 microns[2]. Isso exclui qualquer aplicação de líquidos e qualquer outra técnica de impregnação de imagem. A impressão é composta apenas por ‘fibrilas amarelas’, e a coloração que compõe a imagem é produto de uma desidratação da celulose de origem desconhecida; uma espécie de queimadura, que só poderia ter sido provocada por calor intenso ou pela exposição à uma fonte de luz extremamente intensa(!).

Explicando melhor: a imagem visível do Sudário é uma espécie de chamuscado sem impregnação, como somente uma queimadura poderia provocar. É esse queimado aparente do tecido que constitui a imagem, principal característica visual do Sudário, que não chegou a afetar as fibras dos fios, mas apenas, e de maneira seletiva, as fibrilas. Mais: essa marca da Imagem não existe sob as partes manchadas de sangue, como se o sangue tivesse protegido o tecido. A imagem não atravessa a 'tela' de lado lado. Sobre uma única face do Sudário é que está a imagem frontal e dorsal de um homem em rigor mortis. De fato, ali se encontram, - e isso não é matéria de fé, - registros até hoje inexplicados de uma forma de ‘radiação’ ou energia similar desconhecida, gerada misteriosamente no momento exato da formação, por inteiro, da imagem no Sudário.

Por mais céticos que sejamos, por mais contestador e ‘pé-no-chão’ que alguém seja, não há como deixar de reconhecer que a explicação mais perfeita para a formação da imagem seria o fenômeno descrito pelos evangelistas como 'Ressurreição'. A Bíblia diz que Jesus, quando se manifestava em sua Glória divina, "brilhava mais que o sol". Um brilho assim intenso seria não só a mais perfeita como a única explicação possível para a imagem que existe no Sudário de Turim(!).



Elaborações de como seria a face do 'Homem do Sudário'
(clique sobre as imagens para ampliar)


Mas ainda restava o problema da datação por carbono 14

Depois da divulgação dos resultados dos testes por C-14, não demoraram a pipocar por toda parte as mais diversas tentativas de 'explicação' por parte de devotos inconformados. Crentes do mundo inteiro se recusavam a admitir a hipótese de uma simples falsificação. Não poucas pessoas precisavam crer nisso, e não seria um grupo de antipáticos metidos em jalecos brancos que iria desencorajá-los. Esse é o problema da fé. E é por isso que eu gosto do termo “buscador da Verdade”: um buscador da Verdade precisa ser como um cientista. Ele não pode fazer escolhas, acreditar naquilo que lhe 'faz bem' ou no que está em conformidade com o que diz a sua religião. Ele não deve aceitar nem mesmo o que diz o bom senso. - Ele precisa aceitar o que é. - Não é a Verdade que se adapta ao que pensa o buscador, mas sim o buscador deve se aperfeiçoar na Arte de se moldar à Verdade, 'ser um com' a Verdade. Mas os reais buscadores são uma pequena minoria, e não faltaram tentativas ridículas de desacreditar os testes do C-14:

# Disseram que as amostras retiradas estavam impregnadas por uma grande quantidade de poeira, acumulada no decorrer dos séculos, o que havia comprometido os resultados. - Tolice. Os testes por C-14 não são prejudicados nem alterados por poeira, e materiais muito mais antigos já foram perfeitamente datados por esse método. Além disso, antes de submeter as amostras ao teste, elas foram devidamente tratadas por um meticuloso processo de remoção de impurezas.

# Disseram que o calor a que o Sudário fora submetido por ocasião do incêndio de 1532 na Capela de Chambery, onde estivera guardado, teria provocado alterações no resultado dos testes. - Mais uma tentativa frustrada: esse tipo de calor não seria suficiente para confundir o teste por carbono.

# E quanto às amostras de pólem encontradas pelo Dr. Frei-Sulzer? Bem, a única coisa que essas amostras poderiam comprovar é que o linho do Sudário era proveniente da região da Palestina onde Jesus foi sepultado. Constatação incrível, sem dúvida, mas o falsificador poderia ser alguém extremamente meticuloso...


Vitória definitiva dos céticos? Tudo indicava que sim, até...


“Graças te dou, ó Pai, porque revelastes estas coisas aos pequeninos e as escondestes dos doutores e entendidos...” - Jesus Cristo (Evangelho segundo Mateus 11,25)


Em 2000, um casal de leigos sem nenhuma formação científica fez a descoberta de algo que até então nenhum dos muitos doutores e homens da ciência envolvidos nos projetos de estudo do Sudário havia percebido. Joseph Marino e Susan Benford, através de simples exame visual em imagens do Sudário disponibilizadas pelo PPST na internet, notaram que havia uma espécie de ‘remendo invisível’ exatamente na parte do Sudário recortada pelos cientistas para análise. Aprofundaram-se então na pesquisa e descobriram que esse tipo de remendo era muito utilizado na Idade Média para reforçar tecidos de valor, e era conhecido como ‘retecelagem francesa’. Maravilhados, perceberam que estavam diante de uma grandiosa descoberta: a análise por C-14 poderia ter sido feita numa parte remendada do tecido, o que teria sem dúvida introduzido uma grande margem de erro na datação! Procuraram então o Beta Analytic, - o maior laboratório de datação por Carbono-14 do mundo – que sustentou que, sim, uma mistura próxima a 60% de remendos do ano de 1500 ou posterior, com cerca de 40% de tecido do século I, causaria uma falsa datação do século XIII. – Exatamente os resultados obtidos pelo PPST! - Mais ainda: o casal de pesquisadores sabia que o período entre 1500 e 1600 foi a época em que mais comumente se usou a técnica da retecelagem...

Tudo se encaixava. Joseph Marino e Sue Benford mal podiam acreditar em sua incrível descoberta. Resolveram então procurar ajuda direta dos membros do PPST, mas foram prontamente rechaçados e até ridicularizados por cientistas céticos como o respeitadíssimo paleontólogo Dr. Ray Rogers, citado acima. Como dois leigos sem formação acadêmica poderiam contestar os resultados obtidos por uma equipe científica tão abalizada? Depois de muita insistência, porém, e depois de apresentarem diversas e fortes evidências em favor de sua teoria, conseguiram a preciosa colaboração de um outro membro do PPST: o Dr. Barriem Schwortz em pessoa.

O próximo passo foi submeter reproduções ampliadas das fotografias das amostras do Sudário que haviam sido datadas pelo C-14 à apreciação de diversos especialistas em tecidos antigos, - sem revelar que se tratava da trama do tecido do Sudário. - O resultado foi a opinião unânime de que aquela amostra parecia mesmo ter sido retecida!

Tais evidências levaram o Dr. Barriem Schwortz a reexaminar as imagens das amostras microscopicamente, e foi assim que ele comprovou que ali, diferente de todo o tecido do Sudário, havia sinais de algodão com pigmentação e resina. Além disso, as fotografias com ultrafluorescência que ele havia tirado décadas antes mostravam que naquela área específica havia um contraste completamente diferente de todo o restante do material, o que demonstrava uma clara adulteração. Dr. Barriem começava mais uma vez a se empolgar com a incrível e real possibilidade de o Sudário ser mesmo a mortalha que envolveu o corpo de Jesus Cristo. Tal fato, independente de questões religiosas, seria a mais inacreditável descoberta arqueológica de todos os tempos! – Resolveu então, pessoalmente, pedir ajuda ao seu irascível colega, que ainda tinha em seu poder alguns preciosos fios do material coletado do Sudário: ninguém menos que o cético convicto Dr. Raymond Rogers.

O Dr. Rogers, conhecido pela truculência e ironia com que costumava receber as contestações aos resultados obtidos pelo C-14, mal pode acreditar no que lhe pedia o colega cientista. Segundo o Dr. Barriem, Dr. Rogers assim reagiu ao seu telefonema: “Ora, isso é mais uma tolice dos crédulos que não aceitam a simples verdade dos fatos. Eu não acredito que você esteja me perturbando com essa história. Me dê quinze minutos e eu lhe provo que essa história não passa de mais baboseira”[3]... Ainda segundo o seu relado, o Dr. Barriem apenas respondeu: “Fique à vontade, Ray...”. [4]

Muito à contragosto, o Dr. Ray Rogers localizou os pequenos fragmentos de fios que tinha guardado da amostra do Sudário de Turim, para examiná-los sob o potente microscópico do seu laboratório particular. E o que descobriu o deixou pasmo. Esse breve exame fez com que ele mudasse completamente a sua atitude cética e se tornasse um dos maiores defensores da necessidade de um novo teste de datação. O que o Dr. Rogers viu, sob a poderosa lente de aumento, naquele fio do chamado Santo Sudário, foi a presença inequívoca de microfragmentos de algodão juntamente com vestígios de... pigmentação e resinas! - Elementos que não existem em nenhuma outra parte do Sudário, como visto feito de puro linho! - Uma prova incontestável de que, sim, a parte do tecido retirada para datação devia estar contaminada por material não original. Em outras palavras, ele acabava de comprovar por si mesmo que a tese da retecelagem era não só perfeitamente plausível como evidente!

Levando-se em conta a hipótese da retecelagem, todas as lacunas encontradas no estudo do Sudário passariam a ser perfeitamente preenchidas, como por exemplo, a margem de erro de praticamente 200 anos entre um resultado e outro. – A saber, os resultados da datação foram os seguintes:

Universidade do Arizona teste 1: datou a amostra como sendo do ano de 1238; Universidade de Oxford: datou a amostra como sendo do ano de 1246; Instituto Tecnológico de Zurich: datou a amostra como sendo do ano de 1376; Universidade do Arizona teste 2: datou a amostra como sendo do ano de 1430.

Os resultados obtidos por C-14 costumam ser específicos (a margem de erro aceitável é de 30 anos para mais ou para menos), mas nesse caso em particular, estranhamente, há uma variação de 192 anos(!) entre um resultado e outro. Anomalia esta perfeitamente explicada pela tese da retecelagem, pois em diferentes partes da amostra retirada haveria maior ou menor quantidade do tecido de remendo misturado ao tecido original do Sudário, pela própria maneira como a técnica é empregada.

Tudo que envolve a história do Santo Sudário é envolto por fatos marcantes e emblemáticos, como os estranhos incêndios que ocorrem nos lugares onde ele é guardado. – Além do incêndio na Catedral de Chapelle (Chambery, França) em 4 de Dezembro de 1532, no dia 11 de Abril de 1997 também a Catedral de Turim, onde a relíquia estava guardada, pegou fogo: o Sudário foi salvo espetacularmente por um bombeiro devoto e muito corajoso; fato este que, por si só, está cercado de particulares mistérios: na ocasião do incêndio, o Sudário estava protegido por um fortíssimo vidro à prova de balas e ataques, mas o valente oficial conseguiu quebrá-lo sem dificuldades, salvando o manto do perigo, levando-o nas costas até o exterior do templo.

Outro fato marcante é que o Dr. Rogers, que agora havia voltado a acreditar, nessa época lutava contra a morte, acometido por um câncer fatal, e cada novo dia de vida era para ele uma batalha. A essa altura, ele desejava muito vir a conhecer a possibilidade da autenticidade do Sudário, antes de morrer. Logo após a sua incrível descoberta de materiais estranhos na amostra coletada para datação, enviou seus fragmentos de fios ao seu colega microscopista Dr. Robert Vilarreal, que tinha acesso a equipamentos muito mais avançados para análise do material. Mas quando o resultado das análises saiu, o Dr. Rogers já havia falecido, vencido pelo câncer. - Assim como Moisés, que conduziu o povo hebreu à Terra Prometida mas não pode entrar nela. - Ele nunca soube que as amostras do fiapo demonstraram que ele era constituído, na verdade, por duas fibras de materiais diferentes entrelaçadas, coladas e tingidas para tornar o remendo invisível. Estavam definitivamente derrubados, afinal, os polêmicos resultados da datação de 1988.


Então, o Sudário é mesmo santo (autêntico)?

Ainda não podemos ter absoluta certeza sobre a autenticidade do Sudário, até que novos testes com C-14 sejam realizados, dessa vez com material válido. Particularmente não afirmo que o Sudário seja autêntico, embora acredite nisso. Assim como Susan Benford, a simpática pesquisadora independente que fez a maior descoberta a respeito do Sudário até hoje, eu também 'sinto' que ele é autêntico. Mas isso é só a minha opinião e eu posso me enganar, como já me enganei outras vezes. Digo, porém, que é assim que Deus costuma agir sempre: deixa pistas, mas não se mostra claramente. Acho que faz parte da nossa missão encontrá-Lo, oculto por trás das aparências. Se o Sudário não for o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo após a morte, isso não muda em nada a minha fé. Mas, se for... Ele é sem dúvida o objeto mais sagrado do mundo em todos os tempos. Principalmente porque ele pode ser a prova viva de que um fenômeno inexplicável aconteceu aquele corpo, guardado num túmulo escuro há dois mil anos. A imagem do Sudário é feita por marcas de queimadura que só poderiam ter sido provocadas por um intenso calor ou por um brilho extremo. Isso não é pouca coisa.


“O problema é que, como há correlação com a figura histórica de Jesus, sentimentos religiosos e emocionais sempre afetam a pesquisa. Os crédulos querem acreditar e se recusam a aceitar qualquer explicação que não seja miraculosa. Enquanto isso, os céticos insistem em fechar os olhos para todas as muitas e sólidas evidências em favor da autenticidade.”

Joseph Marino



Imagens tridimensionais do Sudário obtidas com o analisador V-P8.
Nenhuma outra imagem bidmensional analisada por esse equipamento
obteve resultados semelhantes (clique sobre as imagens para ampliar).


Algumas curiosidades sobre o Santo Sudário

# Em duas décadas de estudos, 23 cientistas do PPST e de outros grupos de pesquisa morreram precocemente. O último deles foi Raymond Rogers, do Laboratório Nacional de Los Alamos, em 2003.

# A Igreja decidiu antecipar a próxima exibição pública do Santo Sudário, que estava prevista para 2025, para 2010 (pretendo estar lá, se Deus quiser!).

# O trabalho do Dr. Rogers foi publicado em 2005 no periódico científico Thermochimica Acta, que emprega o sistema peer review (revisão por pares, uma espécie de controle de qualidade feita por especialistas independentes dos autores do estudo em causa).

# O Homem do Sudário foi coroado com uma espécie de chapéu completo feito de espinhos. - Todas as imagens da Idade Média retratavam a coroa de espinhos em forma de aro. Além disso, as marcas de pregos estão localizadas nos pulsos e não nas palmas das mãos, como nas imagens clássicas. Tais características são mais evidências em favor da autenticidade, pois um falsificador jamais iria contrariar algum detalhe popularmente aceito como certo.

# Os Evangelhos falam dos panos que envolveram o corpo de Jesus, - às pressas, para não quebrar o descanso sabático judaico (a crucificação e o falecimento foram numa sexta-feira). Os judeus envolviam os cadáveres com bandagens, mas com Cristo não tiveram tempo, porque morreu às três horas da tarde e era necessário terminar a sepultura antes da noite, quando era proibido qualquer tipo de trabalho. José de Arimatéia deveria pedir autorização a Pilatos para levar o cadáver, obter instrumentos e descer Jesus da cruz. A tarde terminava e deveriam enterrá-lo rapidamente, cobrindo-o com um sudário. É por isso que, segundo os Evangelhos, após o sábado foram as mulheres terminar a sepultura e prestar suas últimas homenagens. - Quando encontraram no sepulcro apenas os panos e faixas.

# O Sudário apresenta sangue que corresponde ao grupo AB, o mais frequente entre os hebreus.

# Segundo legistas, todas as feridas visíveis no Sudário foram produzidas em vida, com exceção da lançada no flanco direito, que chegou a aurícula direita do coração.

# O evangelista Mateus diz que José de Arimatéia tomou o corpo de Jesus e o envolveu num lençol limpo, colocando-o num túmulo novo (Mt 27,29-60). Marcos e Lucas referem-se ao fato, usando a expressão "envolveu-o no lençol" (Mc 15,46; Lc 23,53).



Aprofundando o assunto:

Shroud of Turim Research Project (STURP);

Ver imagens de alta resolução do Santo Sudário (com detalhes);

Artista recria, em 3D, imagem do Sudário de Turim;

A cronologia do Sudário;

Fórum Santo Sudário;

National Geographic;

Turin Shroud.


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Fontes e bibliografia:

1. ZACCONE, Gian Maria. Nas pegadas do Sudário, São Paulo: Edicoes Loyola, 2001, p. 9.

2. MENEZES, Eurípedes Cardoso de. São Paulo: Ed, Loyola, 1987 - p. 41.
3. Inf. disponível no documentário O Mistério do Santo Sudário - Discovery Channel.
4. Idem.



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