Em busca da Libertação Final

Se o título deste post lhe pareceu utópico, querido leitor, é sinal de que você ainda não me conhece bem o bastante. Não tenho falado tanto sobre a minha busca pessoal, ultimamente, porque estou vivendo mais uma fase de grandes transformações da minha vida interior. - É engraçado como eu nunca paro de me transformar, e sempre que penso que essas transformações não serão mais tão radicais, acabo me surpreendendo. Acho que já deu para perceber que a minha vida acontece sempre numa sequência mais ou menos assim: A) Fase de calmaria (que costumam ser curtas), quando encontro minhas respostas e me permito curtir a vida e o momento; B) Fases de luta interior, que são períodos de contestação e profundos questionamentos, quando sou assaltado por perguntas e questões que me roubam a paz e me sequestram da pacata inércia (da qual gosto tanto...), me levando a entrar em terríveis batalhas... contra mim mesmo. Nessas fases eu sofro, durmo mal, não consigo produzir direito, passo horas e horas meditando, orando, procurando respostass nos livros, nos conselheiros e, principalmente, dentro de mim mesmo... C) Fases de descoberta, quando encontro as respostas para essas novas questões, das quais sempre preciso, e então e me sinto recarregado, iluminado e reenergizado: segue-se então uma nova fase de calmaria. - Para depois começar tudo de novo. Não sei por quanto tempo será assim, mas é assim que tem sido desde que me conheço por gente.

É isso. Bem vindo à nova fase de H. K. Merton, esse maluco que caminha ao seu lado na estrada da Grande Busca. Entrei numa daquelas fases de luta, quando questiono tudo e nada me parece certo; estou em guerra comigo mesmo e o meu espírito está agitado...


Lá vamos nós. A estrada nos espera...


O que venho contestando ultimamente são algumas daquelas verdades pessoais dadas como certas, sobre as quais já tinha me estabelecido, tranquilamente. Meus tradicionais questionamentos se aprofundam... Eles nunca param de se aprofundar. Minha velha alma de buscador nunca me deixa em paz, e, dia desses, me fez lembrar mais uma vez do filme "The Matrix", que magistralmente condensou e exibiu a eterna saga espiritual dos seres humanos nas salas de cinema, com todas as etapas básicas da vida de qualquer buscador: a vida tanquila, porém monótona e insatisfatória no mundo das ilusões da Matrix; os Sinais que os mensageiros da Verdade enviam aos que a buscam; a coragem necessária para entrar na "toca do coelho"; o primeiro e assustador encontro com a Verdade; o pavor inicial causado pelo confronto radical entre o mundo das ilusões e a Verdade desnuda - tão diferente do que se esperava, tão chocante que, como diz Morpheus, "A descoberta pode ser traumatizante demais para alguns, depois de uma certa idade". - Cada sequência desse filme cult é uma metáfora, um koan, um vislumbre...

Afinal, quem sou eu? Por que estou aqui? Qual a verdadeira razão da minha existência? Minha vida e a existência têm um propósito? O que representa este Universo? Como surgiu e por quê? Será que estamos sozinhos no Espaço infinito? - Se você se faz alguma(s) dessas perguntas, vez em quando, em maior ou menos escala você também tem a mesma inquietude, essa chama interior que anseia pela Verdade, - e, assim, consequentemente, clama pela Liberdade! - Essas são as eternas questões humanas, cujas respostas não são encontradas em livros ou em cursos acadêmicos, e em última análise nem mesmo nos mestres, por melhores que sejam, mas sim somente dentro de nós mesmos. Porque se não estivermos abertos e prédispostos, ainda que alguém lhe entregue as chaves do Reino dos Céus, você não o perceberá.

E essas respostas tampouco são encontradas com alguma habilidade específica de nossas mentes, somente. A mente humana é a coisa mais complexa que conhecemos em todo o Universo, e não pode ser definida como uma só coisa: o que existe não é uma mente, mas várias mentes dentro de uma. E essa mente multifuncional frequentemente nos engana. - Quantas razões possui, quantos 'achismos', opiniões flutuantes diversas surgem a todo momento, dentro de nós, nas diversas situações da vida... A mente é tagarela! E nós não possuímos apenas um ponto de apoio, sobre o qual sustentamos as nossas 'certezas', mas sim milhares! E assim se manifestam patologias psicológicas, através dos pensamentos, sentimentos e emoções mal resolvidos... São como movimentos equivocados da mente.

Todos os questionamentos só encontrarão suas respostas quando silenciarmos a mente e entrarmos no Grande Silêncio, longe do emaranhado dos nossos pensamentos. O fato é que cada pensamento vem como que de uma 'criatura' diferente, que habita em nosso interior, e são essas criaturas que constituem o ego, que é como uma segunda natureza nossa, que é grotesca, incompleta, errática. Vencer e anular o próprio ego é encontrar a Luz. A má notícia, porém, é que somos majoritariamente ego.

Quando falo em ego, possivelmente surjam confusões ou equívocos. A quê, exatamente, estou me referindo quando digo 'ego'? O ego é a nossa falsa personalidade, é tudo que nos torna orgulhosos, nos faz acreditar em mentiras e falsas aparências e concepções do mundo, dos nossos próximos e de nós mesmos. O ego é o grande responsável pela desgraça da Humanidade e pela situação lamentável em que se encontra o nosso planeta, pois destrói tudo o que há de mais belo em nós, aprisiona nossas virtudes, nos tornando seres (ego)ístas, mesquinhos, medrosos, orgulhosos, invejosos. Somos verdadeiros escravos das múltiplas vontades de nossos egos.

Já a verdadeira essência humana é como um "Deus em miniatura", pois é Deus em nós: Imortal, Imutável, Senhor de todos os desejos, reinando eternamente sobre a Paz e a Harmonia perfeitas. Acredito que nascemos para ser assim, para manifestar tal essência em tempo integral em nossas vidas. Mas essa nossa essência divina, atualmente, se apresenta apenas numa ínfima parte de nossas vidas e de nosso ser. Mas eu acredito que isso já pode ser suficiente para nos transformar completamente: basta focarmos totalmente a nossa atenção nesssa essência primordial. É nisso que eu acredito. E tenho me exercitado duramente nesse sentido. Pode não parecer, para quem 'me observa' através das minhas postagens e comentários aqui neste espaço, assim como para os que convivem comigo pessoalmente. Eu aprendi a manter uma certa serenidade enquanto grandes batalhas acontecem no meu íntimo.

Quando falo que vivo agora uma fase de luta, não estou me referindo necessariamente a batalhas massacrantes e nem a momentos difíceis ou sofridos, ao contrário. Meu momento atual é de uma serenidade que poucas vezes experimentei. Mas a batalha está acontecendo, e eu pretendo dividir os resultados e os saldos desses dias de luta interior com você. Sim, estamos no meio de uma discussão sob o Dhammapada, e também no meio das postagens sobre os Evangelhos e no meio da continuação da nossa enciclopédia das religiões, que entrou no riquìssimo terreno da história do Cristianismo. - Três séries de postagens intercaladas estão em andamento por aqui. Mas acho que, como é bem a cara deste blog, e para honrar a tradição de manter os meus leitores atualizados com os rumos que toma a minha busca, é mais urgente falar sobre isso agora. Se deixar para depois, a claridade da visão das coisas que percebo nesse momento pode se perder. Então lá vamos nós para um novo mergulho no insconsciente deste pobre autor que vos fala...

Tudo que falei até aqui é para servir como 'pano de fundo' para os temas que pretendo apresentar daqui para a frente. Tomem seus lugares ao meu lado, firmem bem as suas mochilas, ajustem os cadarços dos tênis, e se certifiquem de estar carregando água fresca: a nossa Jornada vai nos levar para lugares muito distantes.



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