Criacionismo X Evolucionismo: o outro lado


"De acordo com a tradição cabalista, do Vazio da não-existência Deus gera o primeiro estado de Existência Imanifesta. - Além do qual Deus é Tudo e Nada."

Rabino Z´ev ben Shimon Halevi


"Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra. Reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada."

Bíblia Sagrada: II Macabeus 7, 28


"Dar ao Inefável um nome e visuálizá-Lo sob uma forma é inevitável, pois o homem não saberia adorá-Lo de outro modo. Deus, porém, é tudo e nada. Está em tudo, mas também está além de tudo, não se limitando a sua criação e nem mesmo às formas nas quais se manifestou."

Paramahansa Yogananda - 'A Essência do Bhagavada Gita'


"Se fazemos algo, é em Deus que fazemos. Deus é tudo e nada. Nada é Deus, tudo é Deus. Deus é o Tao e o Uno, o Insondável. - O Nada, o Infinito e o Tudo."

Lao Tsé


"AFINAL DE CONTAS, ALGUM DIA, ALGUMA COISA TEM QUE TER SURGIDO DO NADA."

Jostein Gaarder, filósofo e autor de 'O Mundo de Sofia'.


Uma das principais objeções feitas à teoria de Darwin, atualmente, diz respeito ao registro fóssil. Mesmo entre evolucionistas, existem sérias discussões sobre como interpretar os registros fósseis, que são as mais importantes fontes de evidências científicas relativas à história natural. Muitos desses registros refutam a teoria da evolução e mostram que a vida sobre a Terra surgiu repentinamente, independente do processo evolutivo que - aí sim, - indubitavelmente começou a partir daí. Em outras palavras, as formas de vida teriam que ter sido criadas. Ou então, as formas de vida teriam que ter surgido 'do nada'. Sim. Isso explicaraia tudo. E essas não são afirmações religiosas ou espiritualistas, mas 100% científicas! Bem, nós sabemos que todas as religiões que reverenciam o Mistério afirmam há milênios que "Deus é tudo e nada".




A pedra no sapato dos evolucionistas é um fato óbvio, tão inexorável quanto inexplicável: se todas espécies vivas atualmente descendessem de um único ancestral comum, como pressupõe os teóricos da evolução, então já deveriam ter sido descobertas, há muito tempo, claras evidências disso no registro fóssil. – O que, estranhamente, não acontece! - O respeitado zoólogo francês Pierre Grassé diz que "os naturalistas devem se recordar de que o processo evolutivo é revelado somente através de formas fósseis. (...) Somente a paleontologia pode prover-nos evidências da evolução e revelar-nos os seus mecanismos ou a sua forma de agir".[1]

Para entender porquê, precisamos dar uma rápida olhada na alegação fundamental da teoria da evolução: que todos os seres vivos descendem uns dos outros. Isso significa que um organismo vivo que tivesse surgido inicialmente de uma maneira aleatória, gradualmente teria se transformado numa outra espécie, que por sua vez teria dado origem a uma outra nova espécie, e assim, sucessivamente, todas as espécies seguintes teriam surgido, ou evoluído, dessa mesma maneira. De acordo com essa alegação, - que ao contrário do que se imagina está fundamentada num princípio que contraria outros princípios científicos aceitos, - todas as plantas, animais, fungos e bactérias surgiram da mesma maneira. Os cerca de cem diferentes filos animais (compreendendo categorias básicas, tais como moluscos, artrópodes, vermes e esponjas) todos teriam descendido de um único ancestral comum. Ainda de acordo com essa teoria, os invertebrados, gradualmente, no decorrer do tempo e devido à pressão da seleção natural, se transformaram em peixes, que por sua vez se transformaram em anfíbios, que vieram a se transformar em répteis. Alguns répteis tornaram-se aves e outros mamíferos.

Essa transição teria que acontecer muito gradualmente, no decorrer de centenas de milhões de anos. O grande problema é que, sendo esse o caso, então uma imensa quantidade de formas de transição deveria ter surgido e deixado muitíssimos traços da sua existência, ao lado de fósseis de dinossauros e outras espécies extintas, no decorrer de um período incomensuravelmente longo. Essa é uma conclusão óbvia, lógica, fácil de entender e não há cientista neste planeta que a refute.

Explicando um pouco melhor: para que todo o conjunto de informações contidos na teoria de Darwin pudesse ser dado como incontestavelmente certo, criaturas meio-peixe-meio-anfíbias, que ainda teriam características de peixe, embora apresentassem formação de quatro patas e pulmões, por exemplo, teriam que ter vivido no passado. Da mesma maneira, répteis-aves que mantivessem algumas características de répteis mas que tivessem adquirido características de aves também teriam que ter existido. Como essas espécies fariam parte de um processo de transição, elas também deveriam ter sido incompletas, num certo sentido. - As patas dianteiras de um réptil desse período de transição deveriam cada vez mais assemelhar-se às asas das aves, à medida que passassem as gerações, até que, no decorrer de centenas de gerações, essa criatura não teria nem patas dianteiras completamente funcionais, nem asas completamente funcionais – em outras palavras, ela teria existido de maneira deficiente. Obviamente, não seria possível que, de repente, uma espécie réptil simplesmente tivesse um filhote pássaro completamente formado. Essas criaturas intermediárias que precisariam necessariamente ter existido, para que a teorida da evolução pudesse ser definitivamente comprovada, são chamadas ‘formas de transição’.

Acho que o raciocínio até aqui está bem claro. Se criaturas desse tipo realmente tivessem existido no passado, ainda que distante, então elas deveriam constituir bilhões de criaturas, e os seus restos fósseis deveriam poder ser encontrados facilmente, abundantemente, em escavações ao redor de todo o nosso planeta. Mas isso nunca, nunca aconteceu! Fósseis de trilobitas (primeiros antrópodes), que viveram há mais de 250 milhões de anos (!), no período Cambriano, são abundantes. Existem fósseis preservados de bactérias que viveram presumivelmente há bilhões de anos! Entretanto, é no mínimo impressionante que não tenha sido encontrado nem um simples fóssil de qualquer forma de transição imaginável! Existem fósseis de muitas espécies, de bactérias a formigas, e de aves a plantas com flor. Mesmo fósseis de espécies extintas têm sido preservados tão bem que somos capazes de apreciar o tipo de estruturas que essas espécies uma vez tão abundantes apresentavam, e que jamais vimos em espécies vivas. Como explicar, então, que nunca tenham encontrado sequer uma amostra de fóssil de alguma espécie de transição?? Darwin aceitou a lógica desse pensamento, e ele mesmo tentou explicar porque não se encontraria um número muito grande de formas de transição: "Pela teoria da seleção natural, todas as espécies vivas são interligadas com as espécies progenitoras de cada gênero, por diferenças não maiores do que as que vemos hoje entre as variedades natural e doméstica das mesmas espécies; e essas espécies progenitoras geralmente extintas, por sua vez, teriam sido interligadas de maneira semelhante com outras formas mais antigas; e assim sucessivamente, sempre convergindo para o ancestral comum de cada grande classe".[2]

O que Darwin estava querendo dizer é que, independentemente de quão pequena possa ser a diferença entre as espécies vivas hoje – entre um cão pastor alemão com pedigree e um lobo, por exemplo – a diferença entre os ancestrais e os descendentes, que alegadamente devem ter-se sucedido um ao outro, precisaria ser igualmente pequena. Por essa razão, se realmente a evolução tivesse acontecido como creem os darwinistas, então ela teria se sucedido através de mudanças graduais bastante diminutas. A alteração efetiva em um ser vivo exposto a mutações teria de ser muito, muito pequena. - Milhões de pequenas alterações precisariam combinar-se no decorrer de bilhões de anos para que patas se transformassem em asas funcionais, guelras em pulmões capazes de respirar ar ou nadadeiras se tornassem patas capazes de andar sobre o solo. Ok. E mais uma vez, a questão óbvia e inescapável, que se torna uma pedra no sapato dos cientistas, é que um processo como esse teria que, necessariamente, dar origem a bilhões de formas de transição.

E o próprio Darwin expressou essa realidade em outras partes de seu livro: "Se minha teoria for verdadeira, numerosas variedades intermediárias ligando mais entre si todas as espécies do mesmo grupo certamente deveriam ter existido... Conseqüentemente, deverão ser encontradas evidências da sua existência anterior entre os restos fósseis que se encontrem preservados, como tentaremos mostrar em capítulo seguinte, em um registro extremamente imperfeito e intermitente".[3]

Portanto, Darwin estava bem ciente de que jamais haviam sido descobertos fósseis desses elos de transição. Ele próprio considerava este grande empecilho à sua teoria.

"Porém, exatamente na mesma proporção em que esse processo de extermínio atuou em tão grande escala, deveria ter existido um número de variedades intermediárias verdadeiramente enorme, variedades estas que teriam existido sobre a Terra. Por que então todas as formações geológicas, em todos os estratos, não estão repletas de formas de transição como essas? A geologia certamente não revela nenhuma cadeia orgânica com gradação tão fina como esta; e isto talvez seja a objeção mais óbvia e mais grave que possa ser feita contra a minha teoria."[4]

Charles Darwin. “Dificuldades da Teoria”, capítulo de A Origem das Espécies.


Em face desse grande dilema, a única explicação que Darwin apresentou foi a insuficiência do registro fóssil em seu tempo, o que foi coerente da sua parte, baseado nos conhecimentos disponíveis em sua época. Mas ele afirmou que as formas de transição não existentes inevitavelmente apareceriam quando o registro fóssil fosse completado e examinado detalhadamente. Entretanto...


Isso é ou não uma bela foto?


A verdade histórica é que a pesquisa cada vez maior e mais capacitada de fósseis, durante os últimos 150 anos, frustrou todas as expectativas de Darwin! – E de todos os evolucionistas que o acompanharam também... – Não foi encontrado sequer um simples fóssil de qualquer forma de transição!!

Hoje, existem cerca de 100 milhões de fósseis preservados em milhares de museus e exposições. E todos eles são restos de espécies plenamente desenvolvidas com suas características específicas, separadas de todas as outras espécies por características fixas. Quanto aos fósseis de meio-peixe-meio-anfíbio, meio-dinossauro-meio-ave, e, principalmente, enigma dos enigmas, meio-símio-meio-humano, preditos tão confiantemente e definitivamente pelos evolucionistas, JAMAIS foram encontrados.

Apesar de ser evolucionista, Steven M. Stanley, da John Hopkins University, admite que "o registro fóssil conhecido não está e nunca esteve de acordo com o gradualismo proposto por Darwin...”.[5]


“A maioria dos paleontólogos sentiu que as evidências contradizem a afirmação de Darwin a respeito de alterações lentas, pequenas e cumulativas levando as espécies a se transformarem.”

Dr. William Coleman, historiador da Biologia


Não há como negar que a ausência total de evidências de sequer uma única forma de transição entre fósseis, provenientes de fontes tão ricas, não pode mais ser atribuída a insuficiência dos registros fósseis. Temos que considerar a invalidade de alguns pontos da teoria da evolução, ao menos em essência. Ou, como diria meu filho de dez anos, numa situação como essas: "E agora??" São muitos os cientistas que admitem as implicações dessa ausência das formas de transição, bem como a implicação desta ausência no quadro geral da teoria da evolução. Rudolf A Raff, diretor do Indiana Molecular Biology Institute, e Thomas C. Kaufmann, pesquisador da Universidade de Indiana, escreveram em sua obra Embryos, Genes and Evolution: "A ausência de formas ancestrais ou intermediárias entre espécies fósseis não é uma peculiaridade bizarra da história inicial dos metazoários. Hiatos são gerais e prevalecentes ao longo do registro fóssil".[6]

Ian Tattersall e Niles Eldredge, curadores do Departamento de Antropologia do American Museum of Natural History, da cidade de Nova York, descrevem como o registro fóssil contradiz a teoria da evolução: "O registro é descontínuo, e todas as evidências mostram que ele é real: os hiatos que vemos refletem acontecimentos reais na história da vida – não o resultado de um registro fóssil deficiente".[7]


Em outras palavras, é um fato científico plenamente observável que as espécies que conhecemos (e as que não chegamos a conhecer) 'surgiram' repentinamente na história do nosso planeta! Mas, se há tantas evidências científicas nesse sentido, porque tanta dificuldade em reconhecer isto? Porque soa 'anticientífico' demais aceitar que a vida simpesmente SURGIU DO NADA (que vontade de repetir todas aquelas citações que eu coloquei no começo deste post!)... Como afirmam todos esses cientistas evolucionistas, entre muitos outros, a verdadeira história da vida pode, sim, ser vista no registro fóssil, mas este não aponta formas de transição. Ou seja, a teoria da evolução, se indubitavelmente correta em alguns dos seus aspectos, em outros se revela incompleta ou mesmo equivocada. Uma verdade difícil de engolir, mas... ainda é a verdade.



As citações do cabeçalho deste post podem ser encontradas em:

Rabino Z´ev ben Shimon Halevi: http://hebreu.blogspot.com/2005/11/ado-e-rvore-kabbalstica.html;
Paramahansa Yogananda: YOGANANDA, Paramahansa. a Essência Do Bhagavad Gita, São Paulo: Editora Pensamento, p. 311;
Lao Tsé: BULL, Wagner J. Aikido, Caminho da Sabedoria, São Paulo: Editora Pensamento, p.47;
Jostein Gaarder: GAARDER, Jostein. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 30.



Referências bibliográficas:

1. GRASSÉ, Pierre P. Evolution of Living Organisms, New York: Academic Press, 1977, p.4.
2. DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, p. 281-283.
3. Idem, p. 211.
4. Ibidem, p. 291, 292.
5. STANLEY, S. M. The New Evolutionary Timetable: Fossils, Genes and the Origin of Species, New York: Basic Books, Inc., 1981, p. 71.
6. RAFF, R. A. / KAUFMAN, T. C., Embryos, Genes and Evolution: The Developmental Genetic Basis of Evolutionary Change, in: Indiana University Press, 1991, p. 34.
7. ELDREDGE, Niles/TATTERSALL, Ian, The Myths of Human Evolution, New York: Columbia University Press, 1982, p. 59.




Post baseado em artigo do portal 'Criacionismo', de Michelson Borges: www.michelsonborges.blogspot.com