Pais e filhos

O fim da disciplina - por "Mr. X", do "blog do Mr. X"




Um dos aspectos mais curiosos da nossa época talvez seja a intenção de querer abolir todas as regras "antigas", "ultrapassadas", que funcionaram mais ou menos bem ao longo de alguns séculos, e substituí-las por coisas novas não comprovadas e inventadas pelo intelectual do momento, não por alguma razão lógica, mas porque seus idealizadores acreditam que o mundo seria "mais bacana" se fosse assim.

Penso por exemplo na questão da educação.

Aqui na Argentina houve vários casos recentes de alunos agredindo ou ridicularizando professores e depois ainda colocando os vídeos na Internet. Em grande parte dos casos nada aconteceu com esses alunos. Evidentemente, é impensável que o professor ou professora, em contrapartida, encoste um dedo na criança ou adolescente, ou mesmo que fale alto com ele, pois sem dúvida seria acusado(a) de violência ou assédio sexual, perderia o emprego ou, até mesmo, poderia ser agredido(a) com violência pelo pai ou mãe do aluno, que acredita firmemente que seu amado e perfeito filho jamais mereceria punição ou sequer uma nota baixa. É o que acontece, hoje.

Cito por conveniência os casos que ocorrem aqui (na Argentina), mas trata-se de um fenômeno, na verdade, global. Hoje o aluno não é punido ou disciplinado, pois o professor perdeu a sua autoridade. Em parte porque os pais não querem, em parte por questões culturais, em parte pelo pensamento esquerdista-radical de que "não adianta punir" ou até de que a disciplina seria algo nocivo. Mesmo ser colocado em recuperação, repetir o ano ou levar notas baixas é visto como algo negativo, "que poderia acabar com a auto-estima do aluno". - E nós não queremos acabar com a auto-estima de um aluno indisciplinado que nunca abriu um livro, certo? E muito menos acabar com a auto-estima de seus pais, que acham que seu filho merece tudo, até porque está pagando altas mensalidades e altíssimos impostos.

Não contentes em acabar com a disciplina nos colégios, agora querem acabar com ela nas famílias também. Na Suécia e em outros países do norte da Europa (o autor não sabe, mas aqui mesmo no hermano Brasil, também!) já é proibido por lei um pai dar algumas palmadas no seu filho. Não duvido que no futuro próximo um garoto possa levar seus pais ao tribunal por ter levado uma chinelada por mau comportamento.

O problema desse pensamento é o seguinte: está baseado numa utopia, numa visão idílica da vida que não corresponde à realidade. Vivemos em um mundo onde há crianças escravas, crianças prostitutas, crianças sexualmente abusadas e espancadas pelos pais, crianças dando e levando tiros no tráfico, crianças drogadas, etc, etc... Mas ninguém parece se importar tanto com essas coisas. A nossa sociedade atual parece mais preocupada é com o adolescente punido pelo pai ou professor, algo inadmissível em nossos tempos ultra-liberais. A que futuro essa mentalidade nos levará? Tremo em pensar...


Entre gargalhadas, alunos de 15 anos de idade ateiam fogo no cabelo de uma professora,
na Argentina. Um outro filmava tudo: no mesmo dia, o vídeo estava no Youtube...


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Os 20 pedidos dos filhos - por Dom Orlando Brandes

Uma excelente reflexão para o fim de semana. Conheça os vinte pedidos que os filhos - crianças, jovens ou adolescentes - estão sempre fazendo, inconscientemente, aos seus pais, e também aos seus educadores...


1. Não tenham medo de ser firmes comigo. Sua firmeza me dá segurança.

2. Não me tratem com excesso de mimo. Nem tudo o que eu peço me convém.

3. Não me corrijam na frente de outras pessoas. Isso me revolta.

4. Não permitam que eu forme maus hábitos. Ainda dependo de vocês para saber o que é certo e o que é errado.

5. Não façam promessas apressadas. Sinto-me mal quando as promessas não são cumpridas.

6. Não me sufoquem demais com as suas preocupações. Eu também preciso aprender com o sofrimento e com os meus erros.

7. Não sejam falsos comigo. A falsidade faz eu perder a fé em vocês.

8. Não me incomodem com ninharias. Irei me fazer de surdo.

9. Não tentem dar a impressão de serem perfeitos, infalíveis. O choque será muito grande quando eu descobrir seus defeitos.

10. Não deixem sem respostas as minhas perguntas. Do contrário, deixarei de fazê-las a vocês e buscarei informações em outros lugares.

11. Não se sintam humilhados ao ter que pedir desculpas. O perdão me aproxima de vocês.

12. Não digam que minhas preocupações e problemas são bobagens. Tentem me compreender, e eu ficarei mais sereno.

13. Não esqueçam que estou crescendo e mudando rapidamente. Tentem acertar o passo comigo.

14. Não me comprem presentes, apenas. O melhor presente é a presença de vocês. Com vocês sinto-me seguro, forte, amado.

15. Acolham-me desde a fecundação, me alimentem com aleitamento materno, me dêem colo, me toquem... porque preciso de tudo isso para crescer saudável e equilibrado.

16. Preciso de um pai forte e amigo, de uma mãe equilibrada e feliz. Seu jeito de ser é que fica marcado em mim. Poderei esquecer as suas palavras, mas nunca me esquecerei dos seus gestos e dos seus atos.

17. Não imponham nem direcionem minha profissão e vocação. Podem aconselhar-me, mostrar-me suas razões... mas deixem-me a liberdade de escolher.

18. Se vocês se amam eu me sinto amado por vocês. Se vocês brigam, não dialogam, não se perdoam, eu me sinto como um órfão de pais vivos.

19. "Se vocês forem fracos no bem, eu me tornarei forte no mal". Se vocês são pais despreparados, eu cresço desequilibrado.

20. Se vocês não me elogiarem, se me castigarem injustamente, se não me ensinarem a orar, se satisfizerem todos os meus desejos, vocês estragarão a minha vida.



Os filhos aprendem imitando. Um filho disse aos seus pais: "Peço que vocês me amem quando eu não mereço, porque é aí que eu mais preciso ser amado"...

Mas nada disso é fácil. O nascimento dos filhos traz grandes mudanças na família. Os cônjuges esquecem de ser esposos, trocam os papéis e começam a ser somente pais. Apegar-se aos filhos e esquecer o cônjuge é perigoso. O primeiro amor na família deve ser o amor conjugal, e depois vem o amor filial. Assim é mais saudável.

Além disso, temos pais agressivos e pais permissivos, mas precisamos é de pais e mães participativos. Os pais apegados aos filhos sofrem demais quando chega a hora em que eles devem deixar o lar. Os desequilíbrios dos filhos levam ao desajuste do casal e vice-versa. Os pais conscientes tratam os filhos conforme a idade que eles têm. É preciso saber mudar de marcha. Pais ajustados, filhos equilibrados.

Um filho que conheci escreveu para seus pais: "Eu sou forte no mal porque vocês foram fracos no bem. Por isso estou preso".

Os pais nunca podem abdicar do diálogo, devem estar abertos em buscar soluções e aceitar ajuda. Todos falhamos. Os pais também aprendem com os filhos, mas devem sempre colocar limites e apresentar valores. Lares sem disciplina criam filhos "folgados" e que se acham onipotentes... e que muitas vezes acabam se tornando delinqüentes. É a tirania dos filhos sobre os pais.

Temos hoje a "família filiarcal" que sucedeu à família matriarcal e à patriarcal. "Filiarcalismo" é fazer dos seus filhos pequenos deuses. Eles não ajudam em nada nos trabalhos da casa, deixam suas roupas sujas em cada canto, só comem o que querem... Exigem dinheiro, presentes e viagens, e os recebem sem ter que fazer nada em troca, sem precisar demonstrar obediência ou ao menos respeito pelos pais. Dominam completamente seus pais e educadores, que se tornaram seus escravos e reféns. - A experiência nos mostra que pais permissivos são ainda mais prejudiciais ao indivíduo que os autoritários.

Para os psicólogos, os filhos emitem sintomas que sinalizam a presença de problemas familiares. Quando os pais vão mal os filhos entram em ansiedade. E hoje uma grande tentação é resolver as crises com o divórcio fácil. - É preciso reverter esse estado de coisas, é preciso crer nas soluções, na reorganização da família... O filho problema pode tornar-se o melhor dos filhos. A ovelha negra pode se tornar uma benção, quando recorremos ao perdão, ao diálogo, à disciplina... quando recorremos a Deus. Quem busca soluções não cai nas acomodações. Os heróis se forjam nas carências e crises.




A arte de ser bons pais começa no útero materno. A preparação para a missão de ser pai e mãe é assunto já para o namoro. Pais despreparados, filhos desequilibrados; pais ausentes, filhos delinqüentes; pais permissivos, filhos onipotentes; pais omissos, filhos rebeldes. Carregamos dentro de nós a criança que fomos no passado. Vale a pena investir no casal para que os filhos cresçam sadios, seguros e amorosos. A família ainda é a esperança da sociedade e o futuro do mundo.



Fontes: "Blog do Mr. X" e Blog "Eclesia Sancta"