Comer bem

faz um tempo que eu estou querendo começar uma nova série de postagens aqui no Arte das artes: uma série que fale sobre saúde, alimentação & hábitos saudáveis e outros tópicos relacionados, incluindo as mais novas descobertas da medicina nessa área. "Bem-estar e saúde", acho que seria um bom título para o marcador do blog.

Acho que esse tópico tem tudo a ver com espiritualidade, afinal já ensinava o poeta romano Juvenal: "Mens sana in corpore sano". - Se o nosso negócio por aqui é a busca pela Verdade, esse objetivo maior, essencialmente espiritual, só pode ser favorecido se a nossa saúde física estiver em dia e o nosso corpo biológico bem cuidado e cheio de energia.

Obviamente vou evitar os temas mais controversos, dietas da moda e coisas do gênero: acho que já estamos todos bem cansados de tantas publicações "especializadas" que num dia afirmam que tomar café faz mal e duas semanas depois publicam um novo artigo enumerando as maravilhas que o café pode fazer pela sua saúde...

E nada melhor do que começar com uma das poucas certezas que a medicina tem a respeito do que significa uma alimentação realmente saudável: comer pouco, isto é, pequenas quantidades de comida por refeição, é comprovadamente uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua saúde.




Folha Online - Diversos estudos demonstram que comer pouco, e especificamente menores quantidades durante as refeições, é uma das maneiras mais eficazes para se alcançar uma vida mais longa. Um estudo de cientistas japoneses da Universidade de Kyoto, publicado na revista científica "Nature", é um dos que confirmam essa tese já bem solidificada. - Os cientistas estudaram o efeito da enzima RHEB-1 no prolongamento da vida, e como este componente se altera em função da ingestão calórica de cada indivíduo.

A pesquisa foi feita com vermes da espécie Caenorhabditis Elegans, mas é aplicável também aos mamíferos: segundo o estudo, "a restrição alimentícia é a intervenção mais eficaz e mais reproduzível para estender a expectativa de vida em espécies completamente diferentes". - Os cientistas da Universidade de Kyoto conseguiram comprovar ainda que os espécimes que deixaram de comer durante dois dias prolongaram a vida em torno de 50%(!).

Além disso, as cobaias que jejuavam a cada dois dias se mostraram mais resistentes aos processos do estresse oxidativo e apresentaram menos sintomas de declive físico relacionado ao envelhecimento do que os animais que puderam comer o quanto quisessem.

A conclusão é indicativa de que comer pouco, jejuando ocasionalmente ou reduzindo as calorias consumidas, prolonga a vida, pela influência direta em vários mecanismos, como a resistência do organismo ao estresse, o controle da qualidade das proteínas e a integridade da carga genômica.


Comer menos para viver mais

Scientific American Brasil - Outro estudo recente revela porque a restrição de calorias pode levar a uma vida mais longa e saudável: desde 2007 os cientistas acreditam ter chegado a uma explicação para o fato comprovado de a restrição calórica levar ao aumento da longevidade. - Pesquisadores especialistas já haviam descoberto há mais de 70 anos que um modo infalível de aumentar o tempo de vida dos animais é cortar a sua ingestão de calorias diárias em uma média de 30% a 40%. Mas a questão que ainda faltava ser respondida era: por quê?

Agora, um estudo novo começa a revelar o misterioso mecanismo que, a partir da redução na ingestão de alimentos, protege as células contra o envelhecimento e as doenças relacionadas com o avanço da idade.

De acordo com o estudo publicado na revista científica “Cell”, a explicação desse fenômeno está relacionada a duas enzimas da mitocôndria: a SIRT3 e a SIRT4. - Lembrando que mitocôndria é a “central elétrica” da célula que, entre outras funções, é responsável por transformar nutrientes em energia. - Os pesquisadores descobriram que uma seqüência de reações provocadas pela diminuição de ingestão calórica eleva os níveis das duas enzimas, levando a um aumento da resistência dessas baterias celulares. Ao fortalecerem a mitocôndria, as enzimas SIRT3 e SIRT4 prolongam a vida das células, evitando a formação de pequenos buracos (ou poros) em suas membranas, que poderiam servir de entrada para proteínas que alavancam o processo de apoptose, ou seja, a morte celular.

“Não esperávamos que a parte mais importante desse processo se passasse dentro da mitocôndria”, - comenta David Sinclair, professor-assistente de patologia na Harvard Medical School e co-autor do estudo. - “É possível que tenhamos encontrado reguladores do envelhecimento”(!).




Comer pouco é a fonte da juventude?

Editora Escala - Tudo Indica que uma restrição calórica muito, mas muito rígida mesmo, torne a expectativa de vida dos seres humanos bem maior. Ou seja, quem ingere quase nada, poderia chegar com facilidade aos 120 anos(!), e isso é por enquanto... Veja o que já se sabe sobre o assunto, na interessante entrevista concedida pelo Dr. Luís Fernando de Barros Correia, Clínico Geral e Chefe do Setor de Emergência do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, um expert no assunto emagrecimento, à revista "Dieta Já!":


A limitação de calorias, ou em bom português, comer bem pouco, é um dos caminhos para que as pessoas se mantenham jovens mais tempo?

Uma das mais promissoras - e também controversas - pesquisas sobre a longevidade baseia-se na teoria da restrição calórica. Estudos com animais e insetos demonstraram que as cobaias submetidas a uma dieta reduzida chegaram a viver 40% mais que seus semelhantes alimentados normalmente. (Isso já é uma certeza científica) De acordo com uma das teses mais aceitas pelos especialistas, isso acontece porque o corpo, quando mal alimentado, fica em um estado permanente de estresse moderado. Com isso, torna-se resistente ao estresse severo, que promove o envelhecimento das células. É um princípio parecido com o das vacinas, que expõem o organismo ao perigo que se pretende prevenir. Porém, segundo alguns cientistas, essa teoria tem dois problemas fundamentais: o primeiro é que a restrição calórica nunca foi testada em seres humanos. O segundo é que ninguém suportaria viver com a quantidade necessária para obter estes resultados mais do que alguns meses.

Que tipo de restrição calórica?

A limitação testada nas pesquisas com roedores foi 25% do total de calorias ingeridas por dia.

Quais os alimentos que poderiam ser considerados "assassinos"?

Os inimigos da saúde são aqueles que provocam o envelhecimento das artérias e que elevam o nível de colesterol, como frituras, molhos com muita gordura e algumas carnes muito gordurosas. Outro ingrediente proibido na mesa de quem não quer ver o tempo passar depressa é o bacon. Alguns especialistas em nutrição costumam somar de 3,8 a 5,7 anos à idade real de quem ingere calorias vazias (açúcar branco, gordura animal, etc.). Ou seja, quem se alimenta mal, envelhece esse número de anos. O ideal é ter um cardápio balanceado.

Quais os alimentos indicados para aumentar a expectativa de vida?

A dieta da juventude segue basicamente a reeducação alimentar tradicional, que permite ingerir um pouco de quase tudo. O segredo na escolha dos alimentos que freiam esse processo é basicamente preferir produtos ricos em nutrientes e com baixas calorias. São recomendadas, por exemplo, quatro porções de frutas diariamente.

Quanto tempo a mais?

As pesquisas revelam que as fibras, vitaminas e antioxidantes aumentam a sobrevida em até quatro anos. Cinco cotas diárias, no mínimo, de hortaliças também entram no cardápio, pois contêm vitaminas e minerais que garantem até seis anos a menos. Outra dica: todas as manhãs, cereais e, cinco vezes por semana, 30 gramas de nozes no jantar, em vez de proteína animal. No entanto, as carnes vermelhas de cortes magros também merecem destaque. Estudos mostram que milhões de mulheres têm deficiência de ferro. E a carne é uma das melhores fontes desse mineral e do zinco, que atuam no aproveitamento de energia pelos músculos e na recuperação de tecidos danificados, respectivamente.


Professora de etiqueta nipônica diz que o japonês come com os cinco sentidos e sabe apreciar sabor

Do G1 - com informações do "Jornal Hoje"


Se é pra comer pouco, por que fazem uma comida tão gostosa?? =P


O equilíbrio na hora das refeições é um fator que contribui para que os japoneses apareçam em primeiro lugar no ranking da longevidade mundial: eles vivem em média 82 anos. Os brasileiros ocupam a posição de número 80 na lista, vivem em média 72 anos. Uma das explicações para tanto fôlego entre os japoneses é o equilíbrio na hora das refeições. “O que se serve é a quantidade determinada; comeu, acabou. Não é errado, mas é feio pedir pra repetir”, explica o médico geriatra Toshio Chiba. 'Se você comer apenas 80% da capacidade do seu estômago, não vai precisar de médico'. Isso é uma frase japonesa muito sábia”, ele diz.

Sem pressa e sem se empanturrar, dá até para entender o uso dos hashis ao invés dos talheres. “É uma refeição feita lentamente, justamente por isso é que usamos o hashi. Na realidade, nós não temos condições de pegar com o hashi uma porção maior do que uma bocada”, explica a professora de etiqueta Lumi Toyoda.

Lumi explica que, antes de comer, o japonês já começa a apreciar a comida. "Apreciamos com os olhos, sentimos o aroma, o paladar, o tato, e também a audição – todo o barulho que se faz na hora da refeição. Nós comemos com todos os sentidos”, ela diz.

Comer devagar, apreciando o sabor, é uma regra básica da boa nutrição. Mas para que os alimentos realmente façam bem pra saúde, é preciso ainda acertar na escolha e na forma de preparar a comida – e também aí os japoneses têm muito a nos ensinar.

A nutricionista Eliane Kina explica que no Japão ninguém come sushi – o rolinho de peixe cru com arroz – todos os dias. Ela ensina a preparar o teishoku, uma espécie de prato-feito japonês, bem balanceado com arroz, que fornece energia pelos carboidratos; legumes, que são os reguladores, as fibras; e o peixe, que é fonte de proteína.

Eliane ainda acrescenta: “O japonês come muito mais peixe do que carne. O interessante disso é que a carne tem gordura saturada e o peixe tem a Ômega 3, boa para reduzir o colesterol e triglicérides, reduzir as doenças do coração”.

Também comuns na culinária japonesa, as algas são desintoxicantes e têm muito iodo, que ajuda a prevenir as doenças da tireóide. “A alga ajuda a acelerar o metabolismo, contribuindo para o emagrecimento”, diz a nutricionista.

Mas a soja é a grande estrela de uma das culinárias mais saudáveis do mundo. “A soja ajuda a diminuir os desconfortos do climatério, as ondas de calor da menopausa, tem uma substância que previne a osteoporose e ainda ajuda a diminuir o câncer de próstata e útero”, ensina Eliane.


§§§ § §§§


Só queria arrematar o assunto acrescentando uma coisa. “Se você comer apenas 80% da capacidade do seu estômago, não vai precisar de médico": se você é do tipo que tem dificuldade para fazer dieta, esse princípio simples que os nipônicos ensinam há séculos, e que nos últimos anos a ciência médica autenticou, é uma dieta bem fácil de seguir. - Comer o suficiente para deixar cerca de 20% da capacidade total do seu estômago livre. - Como fazer isso? Fácil: se, ao terminar a refeição, você sentir que já saciou a sua fome, mas que ainda sobrou um "espacinho" livre no estômago, como a sensação de que ainda poderia comer um pouquinho mais, você está no caminho certo... E a prática do jejum, quem diria, também é extremamente benéfica à saúde, conforme visto acima.

Pois é... Da próxima vez que a sua tia disser que precisa cozinhar muito porque o seu tio "come muito bem", você já pode explicar pra ela que comer bem não é sinônimo de comer muito, não, muito pelo contrário...



Fontes e bibliografia:
Folha Online;
Scientific American Brasil;
Editora Escala;



( Comentar este post