O primeiro Natal de Paul Claudel


Paul Louis Charles Claudel

Paul Louis Charles Claudel nasceu a 6 de agosto de 1868 em Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois, uma pequena aldeia do Aisne, na França. Apesar de terem saído vários padres da família de Claudel, depois de chegar a Paris ele era indiferente à religião, conforme ele mesmo escreveu em sua obra "Ma Conversion" (de 1913): “Tornei-me nitidamente um estranho às coisas da Fé”. - E isso não deveria nos surpreender, considerando-se o que se passou com as mentes de numerosas famílias burguesas na segunda metade do século XIX. Claudel acrescentou ainda: “Tinha feito uma boa primeira Comunhão, que, como ocorre com a maioria dos jovens, foi ao mesmo tempo o coroamento e o fim de minhas práticas religiosas”.

Como descrever a atmosfera dos idos de 1880 em termos diferentes dos que emprega o próprio Claudel? Parecia que o cristianismo tinha sofrido um eclipse quase que total no plano intelectual:

“Com dezoito anos, minhas crenças eram as da maioria das pessoas consideradas cultas na época. A noção clara do individual e do concreto estava meio adormecida em mim. Aceitava a hipótese monista e mecanicista com todo o seu rigor; acreditava que tudo estava submetido às leis físicas e que o mundo era um rígido encadeamento de efeitos e causas que a ciência logo explicaria perfeitamente. Tudo isto me parecia, entretanto, muito triste e aborrecido.”

Claudel conservou, destes anos passados na descrença e "na imoralidade”, como ele próprio diz, uma lembrança opressiva. Evocou-os em pelo menos vinte passagens das suas obras, como por exemplo na primeira estrofe de "L´Ode Jubilaire pour le Sixcentième Anniversaire de Dante Alighieri" ('Ode jubilar pelo sexto centenário de Dante Alighieri'), de 1921:

“O mundo, por si só, dificilmente nos poderia persuadir de que é completo e suficiente. Difícil nos é acreditar seriamente que não temos direito a mais nada. Esta parede de figuras imutáveis, com as mesmas enervantes questões, onde colocamos nossas histórias inconsistentes... Difícil é impedir que desmorone e que se torne bizarra e transparente. Difícil é vendar os olhos todo o tempo e pensar em outra coisa. Difícil é, como se não o soubéssemos, ouvir os elogios ao vinho e à rosa que amamos: as armadilhas que são armadas, peça a peça sob os pés, a doença e o pecado, é humilhante nelas cair sempre, e sentir-se sempre um imbecil e um fraco, é humilhante sofrer a imposição da grosseira máquina corporal quando sabemos que fomos feitos para comandá-la; e é idiota a vanglória da carcaça de que somos inquilinos desconfortáveis, este Palácio sobre o mar em que nada compensa o tédio espantoso...”

A idéia da morte incomodava Claudel. Tinha sentido muito o falecimento do seu avô e de uma tia-avó, - que gritara tanto durante a agonia que todos a escutavam de uma extremidade a outra da sua aldeia. Nessa época, Claudel conheceu a obra de Arthur Rimbaud, gênio poético extremamente precoce – que lançou a sua primeira coletânea ('Le Bateau Ivre') aos dezessete anos e defendia a idéia de que a poesia nasce de uma “alquimia” da musicalidade e dos sentidos. Escreveu Claudel a 12 de março de 1908 ao também escritor Jacques Rivière:

“Rimbaud foi a influência maior que sofri. Outros, principalmente Shakespeare, Ésquilo, Dante e Dostoievski foram meus mestres e mostraram-me os segredos da minha arte. Mas Rimbaud teve uma influência que chamarei de paternal, e que me fez crer realmente que há uma geração espiritual assim como há uma geração corporal."

“Lembrar-me-ei sempre da manhã de junho de 1886, quando comprei o pequeno folheto de 'La Vogue' que continha o começo de ''Les Illuminations" ('As Iluminações'). Foi uma revelação para mim. Saía enfim do mundo odioso de Taine, de Renan e de outros Moloques ('Moloque' é o nome de uma divindade semítica pagã a quem os pais sacrificavam seus filhos) do século XIX, desta prisão, desta insípida mecânica inteiramente governada por leis perfeitamente inflexíveis e, para cúmulo do horror, conhecidas e ensinadas. Eu tinha a revelação do sobrenatural. O gênio mostra-se, em Rimbaud, sob sua forma mais sublime e mais pura, como uma inspiração realmente vinda não se sabe de onde”.

Arthur Rimbaud

Alguns meses mais tarde, Claudel leu "Une Saison en Enfer" ('Uma Temporada no Inferno'). - Pode nos surpreender a influência exercida por Rimbaud, que ele não sabia nem mesmo se era cristão, pelo menos quando escreveu as "Illuminations" e "Une Saison en Enfer". E aqui nos deparamos com um mistério desconcertante: a obra de arte tem seguramente outra significação além da que lhe quis dar o autor. Quais poderiam ser as intenções de Rimbaud no momento em que escrevia seus poemas - que fossem blasfematórias, como alguns sustentaram, ou que, ao contrário, Rimbaud fosse o “místico em estado selvagem”, de quem Claudel falou em um de seus escritos, não importa. O fato inegável é que Claudel ficou profundamente abalado pela leitura de Rimbaud, e talvez preparado para receber a sua Iluminação, alguns meses depois, em pleno dia de Natal.


A grande Iluminação

E enfim chegou o dia do renascimento para Paul Claudel. E nesse ponto da história, não tenho alternativa a não ser passar a palavra ao próprio, porque realmente não existe outra maneira melhor para descrever o grande acontecimento inefável da sua vida. Prepare-se para este verdadeiro mergulho na Graça divina:


“Assim era a infeliz criança que, a 25 de dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris para assistir aos ofícios de Natal. Tinha começado a escrever, e parecia-me que nas cerimônias católicas, consideradas com um diletantismo superior, encontraria um excitante apropriado e a matéria de alguns exercícios decadentes.

“Foi com estas disposições que, conduzido e apertado pela multidão, assisti, com um prazer medíocre, à grande missa. Depois, não tendo nada melhor a fazer, voltei para assistir às vésperas. As crianças do coro, vestidos de branco, e os alunos do seminário-menor de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, que os ajudavam, estavam se aprontando para iniciar o canto que mais tarde soube ser o Magnificat.

“Estava misturado ao povo, junto do segundo pilar à entrada do coro, à direita da sacristia. E foi então que se produziu o acontecimento que domina toda a minha vida. Em um instante, meu coração foi tocado e acreditei. Acreditei com tal força, com tal adesão de todo o meu ser, com tão poderosa convicção, com tal certeza sem deixar lugar a qualquer espécie de dúvida que, depois, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar-me a fé, nem mesmo, para ser mais preciso, tocá-la de leve que fosse.

“Tive de súbito o forte sentimento da inocência, da eterna juventude de Deus, uma revelação inefável. Tentando, como o fiz várias vezes, reconstituir os minutos que se seguiram a este instante extraordinário, encontro os elementos seguintes que, entretanto, não formam senão um clarão, uma única arma de que a Providência Divina se servia para atingir e abrir enfim o coração de uma pobre criança desesperada: “Como aqueles que crêem são felizes! E se fosse verdade? É verdade! Deus existe, Ele está em toda parte, É alguém, é um Ser tão pessoal como eu. Ele me ama, Ele me chama.

“As lágrimas e os soluços vieram... e o canto tão doce do Adeste , aumenta ainda mais a minha emoção. Emoção bem doce, mas a que se misturava um sentimento de espanto o quase de horror. Porque minhas convicções filosóficas não estavam destruídas. Deus as havia deixado desdenhosamente onde estavam, e eu nada via a mudar nelas; a religião católica me parecia continuar o mesmo tesouro de anedotas absurdas, seus padres e fiéis me inspiravam a mesma aversão que ia até o ódio e o desgosto. O edifício de minhas opiniões e de meus conhecimentos permanecia de pé e nada via de falho nele. Tinha apenas me retirado. Um novo e terrível ser, com exigências terríveis para o jovem e o artista que eu era, tinha se revelado e não sabia como conciliá-lo com coisa alguma que me cercava.

“O estado de um homem que fosse arrancado de um golpe de seu corpo, para ser colocado em um corpo estranho, no meio de um mundo desconhecido, é a única comparação que posso encontrar para exprimir este estado de confusão completa. O que mais repugnava a minhas opiniões e a meus gostos, é que era a verdade e com o que seria necessário que de bom ou de mau grado eu me adaptasse. Ah! Isso não aconteceria sem que tentasse tudo que me fosse possível para resistir”.


Um outro texto de sua autoria, este poético, se encontra na terceira das suas "Cinq Grandes Odes", de 1907, e traduz o mesmo acontecimento de uma outra maneira:


“Oh, os longos e amargos caminhos de outrora, do tempo em que estava só!

Caminhar em Paris, nesta, longa rua que desce para Notre-Dame!

Então, como o atleta que se dirige ao estádio em meio a seus amigos e treinadores,

E alguém lhe fala à orelha, e o braço que abandona, e as luvas que lhe são ajustadas,

Eu marchava por entre os pés caídos de meus deuses.

Há menos murmúrios na floresta de Sant-Jean, no verão,

Menos gorjeio em Damasco, quando, ao ruído das águas que descem dos montes em tumulto
Se une o suspiro do deserto e a agitação dos altos plátanos à brisa da tarde,

Que palavras neste jovem coração cheio de desejos.

Oh, meu Deus, o filho da mulher vos é mais agradável que um touro novo!

E me encontro diante de Vós como um combatente que se curva;

Não por se acreditar fraco, mas porque o Outro é mais Forte.

Vós me chamastes pelo meu nome,

Como alguém que o conhecesse, Vós me escolhestes entre todos de minha geração.

Oh, meu Deus, sabeis quanto o coração dos jovens é cheio de afeição, e quando ele não se apega às suas máculas e vaidades...

Eis que sois alguém, subitamente!

Aterrasteis Moisés com vossa Força, mas estais em meu coração, assim como se eu não tivesse pecado.

Oh, como sou bem o filho da mulher! porque a razão, a lição dos mestres e o absurdo, tudo isso nada vale

Contra a violência de meu coração e contra as mãos estendidas desta Criança.

Oh lágrimas! Oh coração fraco! Oh mina de lágrimas que correm!

Vinde, fiéis, e adoremos a Criança que nasceu!”



Sim, ninguém poderia falar do renascimento de Claudel tão bem quanto ele próprio. Não apenas por ser um grande escritor, mas porque sua conversão está nas origens de toda a sua obra. Parece, com efeito, que ele se tornou ao mesmo tempo um iluminado cristão e um poeta.

Desde a conversão de Saulo de Tarso no caminho para Damasco, não creio que tenha havido exemplo mais perfeito de uma iluminação ao mesmo tempo tão repentina e tão total. “Em um instante” é a expressão que resume tudo. E, ao mesmo tempo, como costuma acontecer em casos assim, o bom combate começa, um combate que não devia durar menos do que quatro longos anos.

O Evangelho fala muitas vezes do grão de mostarda, a menor de todas as sementes, que termina produzindo uma árvore enorme. Esta imagem parece convir perfeitamente a toda a carreira de Claudel a partir daquele 25 de Dezembro de 1886. Nesse dia foi-lhe dado, subitamente, o germe que devia frutificar em seguida, durante mais de sessenta anos. De maneira que a conversão de Claudel, se é repentina e virtualmente completa desde o primeiro dia, não vai cessar, até o fim, de desenvolver suas conseqüências.



Fonte:
LELLOTE, F. SJ.
Convertidos do Século XX, Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1960; tradução de Hoche Luiz Pulchério.



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Mensagem de Natal de Thomas Merton



“O mistério do Natal nos impõe uma dívida e uma obrigação para com o resto da humanidade e para com todo o Universo criado. Nós que vimos a Luz de Cristo somos obrigados, pela grandeza da Graça que nos foi dada, a tornar conhecida a presença do Salvador até os confins da Terra. Isso faremos não só pregando a boa-nova da sua vinda, mas, sobretudo, revelando-o em nossas vidas. Cristo nasceu para nós hoje para que pudesse aparecer ao mundo todo por nosso intermédio.”

"Seasons of Celebration", de Thomas Merton
(Farrar, Straus and Giroux, New York), 1965. p. 112
No Brasil: Tempo e Liturgia, (Editora Vozes, Petrópolis), 1968. p. 115


"Este dia é o do seu nascimento, mas todos os dias de nossa vida mortal devem ser a sua manifestação, a sua divina Epifania no mundo que Ele criou e redimiu.”

"Tempo e Liturgia", Thomas Merton



Do blog "Reflexões de Thomas Merton"



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Porta aberta - parte 2



Quando disse que tenho me sentido "iluminado" ultimamente, não quis dizer que tenho caminhado sobre as águas e nem acalmado tempestades... Também não quer dizer que tenho vivido "nas nuvens", levitando acima do bem e do mal, imune e invulnerável a quaisquer dificuldades deste nosso mundo, 24 horas por dia. - Eu estava me referindo a viver mergulhado num maravilhoso e profundo sentido de paz interior, até em momentos de grandes dificuldades, e sentir a presença de Deus muito, muito próxima a mim, mesmo contra todas as probabilidades: estava me referindo a ver o furacão varrendo tudo ao meu redor e permanecer ali, sereno, olhando tudo sem olhar, vendo além das materialidades, às vezes tendo até que me esforçar para não sorrir, - pois se o fizesse, isso certamente seria interpretado como indiferença ou mesmo escárnio pelas pessoas à minha volta. - Mas não se trata de indiferença nem de escárnio, nem de conformismo ou apatia... Trata-se de certeza, de confiança plena, e o sorriso seria de maravilhamento.

Me encanta perceber como a Graça divina pode conceder paz e serenidade plenas a um ser humano, sem no entanto privá-lo da capacidade de continuar a se maravilhar sempre e cada vez mais com essa mesma Graça! Continuo absolutamente deslumbrado com todos os Sinais que recebo, e esse deslumbramento jamais diminui, ao contrário; quanto mais o tempo passa, mais me sinto vivo e radiante pelo privilégio de interagir com essas realidades. Mas agora há uma diferença: há uma imensa serenidade presente, que permeia tudo... Serenidade essa que eu nunca tinha experimentado e que demorou a chegar, e que pode fazer toda a diferença na vida de um buscador.

Mas os perigos ainda existem, e eu sei que posso tropeçar, que é fácil me desviar desse Caminho; porque é um Caminho realmente estreito. - Antes eu cheguei a achar que fosse "estreito" no sentido de difícil, sacrificado, doloroso... um estreito que implicaria somente dor, sacrifícios constantes, dificuldades sem fim... E imaginava também um estreito do tipo chato, enfadonho, que não permite diversão de espécie alguma, nem aventuras ou experiências novas. Por isso fugi, e muito. Hoje eu vejo que o Caminho Estreito não é assim. Percebo que os sacrifícios a que nos propomos acabam por nos transformar em algo muito melhor, com o passar do tempo. Quando você escolhe se privar de certos prazeres em prol de um objetivo maior, com determinação e uma real disposição para o auto-aperfeiçoamento, depois de um tempo essas privações passam a se converter em prazer, alegria, gratificação dos sentidos... de um modo completamente inesperado e misterioso! É como se certas energias baixas, reprimidas dentro de nós, passassem a se metamorfosear em algo melhor, para enfim florescer de onde estiveram escondidas sob formas luminosas, benéficas, produtivas, agradáveis, prazerosas... Só é preciso persistir, vigiando e orando... (Onde foi que eu já ouvi isso?) Sim, depois de muito titubear, eu escolhi jogar fora o medo e seguir um caminho que exigiu renúncias, só para encontrar uma trilha de prazer e alegria. Aquelas renúncias se tornaram liberdade, uma liberdade tão perfeita e tão plena que eu jamais poderia sonhar existir... Mas, ah! Como é difícil explicar essas coisas! Diria que se trata de tarefa impossível; porque, como já sabem, empreender ou não essa descoberta cabe a cada um.

O resumo do que eu queria mesmo dizer, no começo deste post, é que estar "iluminado" não significa necessariamente ter atingido a perfeição aqui na terra. Significa estar em sintonia com a Luz divina de um modo especial, e perceber que essa Luz interage conosco de modos completamente inesperados, e até, porque não dizer, inusitados. - A Luz divina se comporta sempre de maneira inesperada; ela nunca faz o que "seria de se esperar" dela. E se digo que tenho me sentido iluminado ultimamente, é principalmente porque tenho conseguido superar os meus últimos preconceitos.

Sim, eu ainda carrego preconceitos, como qualquer um de nós. - Mas um dos meus últimos vícios preconceituosos, ultimamente, vinha me incomodando de maneira particular. Antes eu conseguia conviver com esse vício, mas agora ele começava a se tornar insuportável... - Imagino que quando alcançamos uma certa altura no caminho, certos fardos que vínhamos carregando como se fosse "coisa normal" passam a se tornar mais do que incômodos: insuportáveis.

Você cresce espiritualmente e os antigos fardos vão se tornando desnecessários, podendo e devendo ser, aos poucos, descartados e deixados para trás. Aquilo que antes eu carregava e achava perfeitamente normal carregar, agora se tornara um peso morto a atrapalhar o meu avanço: assim foi com as vaidades inúteis, com a falsa necessidade de ter coisas inúteis, com a falsa necessidade de certas afirmações sociais... Mas um dos últimos vícios perniciosos que eu ainda carregava comigo, passava desapercebido por todos e também por mim mesmo: o de achar pessoas feias.

Não estou falando de maltratar alguém e nem de considerar alguém inferior ou menos digno(a) por causa da aparência física. Isso eu não faço mais desde os tempos da oitava série. Estou falando é de simplesmente olhar para alguém e julgá-lo(a), classificá-lo(a) em alguma "categoria humana" pré-estabelecida, num nível muito inconsciente, em razão da sua aparência: estou falando de algo que sempre considerei terrível, mas que eu acabava fazendo, inconscientemente, sutilmente, e não sabia como evitar: encontrar feiúra nas pessoas. - E agora, depois de tudo que vivi, achava que isso não era mais admissível para mim. Considerar alguém "feio" era inadmissível, e isso só me fazia sentir pior porque eu me lembrava de certas fases da minha vida e de certos momentos especiais meus em que esse tipo de julgamento não estava lá.

Mas eu uso freqüentemente os principais meios de transporte público da minha cidade, ônibus e metrô, e eu vivo na quarta maior megalópole do planeta Terra: São Paulo, SP, Brasil. - O que não é uma tarefa fácil. São Paulo é uma das maiores cidades do mundo em termos de tamanho, mas com toda a certeza não está entre as melhores em infra-estrutura. Não senhor. Longe disso. - Se você precisar tomar um ônibus no sentido bairro-centro nas primeiras horas da manhã, ou no sentido inverso ao final da tarde, ou se precisar entrar num vagão do metrô da linha leste-oeste em... bom, em qualquer hora do dia, vai entender do que estou falando. E eu faço isso rotineiramente. E se locomover na minha cidade enorme dentro de ônibus e vagões que circulam completamente lotados, abarrotados, entupidos de uma massa compacta de gente pobre e trabalhadora, é uma oportunidade mais que perfeita para encontrar pessoas que estão bem longe dos padrões de beleza estabelecidos. Você encontra gente de todo tipo, de todo jeito, gente que demonstra não estar nem um pouquinho preocupada com a estética. Ou com a higiene. Nem um pouquinho mesmo... E conviver com a feiúra é uma esperiência um pouco diferente para um artista, alguém que valoriza o belo como expressão máxima, algém que vive do belo, pelo belo...

O fato é que ultimamente eu vinha me flagrando até irritado com esse povo, e cada vez que uma pessoa "não tão agradável" subia no ônibus, inconscientemente eu começava a analisar, classificar... me flagrava pensando frases do tipo: "Caramba, custava pelo menos pentear o cabelo?", ou: "Será que esse cara ainda não descobriu que já inventaram um produtinho incrível chamado desodorante?"...

E, bem, mesmo não o fazendo intencionalmente, eu tinha certeza de que essa atitude não estava em harmonia com o estilo de vida que eu tinha escolhido, não condizia com a mensagem que eu tentava vivenciar, em nada... Não era possível me considerar um cara realmente espiritualizado e ficar julgando assim aos meus próximos. Lembrava-me das minhas experiências iniciais na Toca de Assis, lembrava-me de como fiquei maravilhado, de como naqueles momentos a aparência física das pessoas não tinha a menor importância. E, claro, eu sempre falei e continuava afirmando para todos e para mim mesmo que não me importava com o exterior, com a aparência de ninguém. E isso era verdade, sim. - Mas, se eu pensava coisas desagradáveis a respeito das pessoas nas ruas, ainda que apenas intimamente, como poderia me considerar um buscador autêntico? Não sei se ficou claro, talvez isso possa parecer algo insignificante demais para ser mencionado, e esse nem é o tema central deste post, mas... o que estou tentando dizer é que eu simplesmente não queria me conformar com a minha própria hipocrisia em falar uma coisa e pensar outra.

De algum tempo para cá, logo ao despertar, todas as manhãs, ainda na cama eu faço uma pausa para focar toda a minha atenção dentro de mim mesmo e me perguntar: "No que eu posso melhorar hoje?" - E, já fazia um tempo, a resposta vinha sendo: "Preciso voltar a olhar para as pessoas com o mesmo olhar de quando eu tinha 5 anos. Ou o mesmo olhar de quando eu comecei a praticar meditação" - Quando comecei a praticar meditação seriamente, ao encerrar as sessões eu olhava para as pessoas e todos me pareciam lindos! Isso também aconteceu, em intensidade maior, quando eu tive a minha primeira experiência beatífica, que certos amigos dessa época (1994) classificaram como um "Samadhi" (nome que os hindus dão ao estado beatífico da consciência ampliada). E era isso que eu queria retomar: eu precisava voltar a viver naquele estado de pureza, o estado de quem não julga absolutamente ninguém, nem pela aparência e nem por qualquer outra coisa.




E aí, lá estava eu, aquele dia, no Centro Pastoral São José, no bairro do Belém, prestando serviço voluntário, como falei na primeira parte deste post. Entre todas aquelas caixas e sacos plásticos com doações para os desabrigados de Santa Catarina, perdi as contas de quantas vezes fui assim chamado pela Irmã Lúcia, a irmãzinha de caridade superpoderosa que eu mencionei: "Daniel, você poderia me ajudar aqui?", ou: "Daniel, não se esforce tanto, cuidado com a sua coluna", ou ainda: "Daniel, todas as caixas contendo gêneros alimentícios devem ser levadas à sala dois"...

É isso, o meu nome não é Daniel. E eu devo ter corrigido aquela freira pelo menos umas duas dúzias de vezes naquela manhã. E ela deve ter se desculpado umas tantas outras, entre sorrisos: "Eu não sei porque estou te chamando de Daniel. Esse nome não sai da minha cabeça! Qual o seu nome, mesmo?"

Henrique. O meu nome é Henrique. E eu quase fiquei irritado quando tive que repetir o meu nome pra ela pela enésima vez. E por incrível que possa parecer, dali a cinco minutos ela se esquecia e voltava a me chamar de Daniel. Quando o nosso tempo juntos já estava acabando, e ela me chamou uma vez mais de Daniel, finalmente se lembrou que o meu nome não era esse e com um grande sorriso resolveu: "Por que será que eu cismei com 'Daniel'? Mas já que eu não consigo parar de te chamar de Daniel, vamos fazer o seguinte: a partir de agora vou te chamar de 'Daniel Henrique', que tal? Assim eu não esqueço mais!"...

E mandou um largo sorriso de mamãe acolhedora. Eu sorri também e disse que não importava. Daniel é um nome bonito, afinal de contas, acho que mais do que o meu. Nome de anjo? Não, nome de Profeta. E alguns profetas chamados Daniel profetizam de formas estranhas...

Quando o trabalho voluntário no Centro Pastoral terminou, faltavam alguns minutos para as 13 horas. As irmãs de caridade ofereceram a todos os colaboradores voluntários um delicioso lanche preparado com gêneros integrais, do qual eu participei com muito prazer, e depois disso eu fiquei com a minha tarde livre. Achei que o trabalho seria mais demorado, então não programei nada para a tarde. Adoro essas brechas na agenda que me deixam com um tempinho livre para fazer absolutamente nada. É nessas ocasiões que costumo fazer algumas das coisas mais importantes da minha vida. E essa tarde não foi uma exceção.

Resolvi dar um pulo no Shopping Anália Franco, que fica ali perto, para talvez pegar um cineminha, quem sabe? Mas não estava passando nenhum filme que me interessasse. Então, que fazer da minha tarde livre? Essa é fácil! - Direto para o meu ponto favorito em qualquer shopping center: a livraria. Nesse shopping há uma loja Saraiva Mega Store bem bacana, com cadeiras e mesas para se folhear revistas e ler trechos de livros. Logo que entrei parei no balcão de revistas logo à entrada, folheei a "Superinteressante" do mês, com a matéria de capa falando sobre a Bíblia... Sensacionalista como sempre, meias verdades como de costume. "Galileu", "American Scientific", "Vida Simples", "Boa Forma"... Tédio... Vamos aos livros.

E foi nessa hora que eu me lembrei: há algumas semanas, um amigo buscador havia me indicado com certa veemência a leitura de um livro que, segundo ele, foi muito importante e até reprensentou uma confirmação para muitos dos seus conceitos essenciais sobre a vida. Bem, eu confio nesse cara, e se ele dizia, o livro deveria ser bom mesmo; além disso, lá estava eu, no lugar certo, na hora certa... O nome desse meu amigo? Daniel.




Este é um daqueles posts que me dão muito trabalho para concluir. Eu simplesmente não consigo terminar! Será que, por coincidência ou Providência, essa conclusão vai ficar para o dia do Natal? Dou a minha palavra que eu não programei isso...


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Deus, de novo (Once more, with feeling)

Por "Lamed", Do (belíssimo) blog "Anoitan"


Quando você afirma que Deus existe, o que você quer dizer com “Deus” e o que entende por “existir”?

Quando você afirma que Deus não existe, o que você entende por “Deus” e o que quer dizer com “não existir”?

Não é uma filigrana semântica sem importância. Como se pode afirmar ou negar alguma coisa quando não se sabe o que está sendo afirmado ou negado?




Por exemplo, o conceito de Deus existe. Neste sentido, enquanto conceito, seria uma bobagem dizer que Deus não existe - tanto existe que falamos dele o tempo todo, travamos de discussões a guerras em nome dele, matamos ou nos deixamos matar por ele.

Deus enquanto uma realidade psicológica, para aqueles que acreditam nele, também é inegável. Do ponto-de-vista da realidade psíquica, é real tudo o que produz efeitos concretos na psique (positivos ou negativos) e, se você já viu ou sentiu o arrebatamento que a emoção religiosa é capaz de provocar numa pessoa verdadeiramente devota, não tem como negar que a imagem de Deus produz efeitos bastante concretos (positivos ou negativos) na psique.

Suponho, porém, que tanto crentes quanto ateus estejam de acordo: não é do conceito ou da imagem psíquica de Deus que eles falam, mas do suposto referente ao qual se supõe que essa imagem e esse conceito se referem.

(Assim, Sam Harris está errado: há mais coisas em comum entre o crente e o ateu, além da pressuposição tacanha de que, se um deles está certo, o outro está necessariamente errado.)


Jogo a pergunta, mas deixo-a em aberto por enquanto: por que é preciso supor um referente, por que o conceito e a imagem psíquica, bem como os efeitos que eles produzem, não podem se bastar em si mesmos? Por que essa obsessão concretista de achar que uma coisa só é real se for tão real quanto uma cadeira e, já que tocamos no assunto, de onde saiu essa certeza de que a cadeira é real, a convicção indemonstrada e indemonstrável de que ela é algo mais do que um conceito atado a uma imagem psíquica e compartilhado por todas as pessoas, não porque haja um referente real, mas simplesmente porque é assim que o nosso cérebro funciona? E, já que estamos em plena farta distribuição de perguntas, o que leva você a supor que o cérebro também é algo mais do que uma imagem e um conceito soldados um ao outro?

Por exemplo, Papai-do-Céu, sentado em seu trono sobre as nuvens e cercado de anjinhos rechonchudos, cofiando a barba joviana enquanto pondera se manda ou não um dilúvio para afogar esta humanidade perversa - não existe. Mas até aí, a Justiça, como uma mulher de vestido esvoaçante, olhos vendados, espada na mão esquerda e balança na direita, ou vice-versa - também não existe.

A Justiça, assim como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade (ou, no outro prato da balança, a Nação, o Povo e o Estado) constituem o que alguns filósofos denominam de idéias normativas e que outros pensadores chamam pelo devido nome, ficção reguladora. Isto é, são coisas que não existem da mesma forma que uma cadeira (mas de onde saiu essa certeza de que a cadeira etc?), mas que, ainda assim - ou talvez por causa disso - cumprem uma função importante, a de fornecer um parâmetro contra o qual medimos nosso comportamento ou que usamos para botar alguma ordem nesse galinheiro que é a nossa experiência do mundo.

Suponho, porém, que tanto ateus quanto crentes estejam de acordo: não estão interessados em Deus como idéia normativa ou ficção reguladora, a eles só interessa o Deus-cadeira, no qual os crentes consigam se sentar confortavelmente e que os ateus possam chutar com desenvoltura.

(Assim, ao contrário do que Sam Harris supunha, esse é outro ponto compartilhado por crentes e ateus: enquanto estes chutam o ar, aqueles caem de bunda no chão.)

Não é uma filigrana semântica sem importância. Como se pode afirmar ou negar alguma coisa quando não se sabe o que está sendo afirmado ou negado?

Quando você afirma que Deus não existe, o que você entende por “Deus” e o que quer dizer com “não existir”?

Quando você afirma que Deus existe, o que você quer dizer com “Deus” e o que entende por existir?





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Explicando a Física Quântica (ou tentando...)



"Acho que posso afirmar com segurança que ninguém entende a mecânica quântica."

Richard Feynman - Prêmio Nobel pelo desenvolvimento da eletrodinâmica quântica


"Quem não se sentiu abalado quando teve contato pela primeira vez com a teoria quântica não pode tê-la de fato entendido."

Niels Bohr - Prêmio Nobel por seu trabalho sobre a estrutura do átomo


Se físicos ilustres, ganhadores do Prêmio Nobel, não entendem exatamente a teoria quântica, que chances teríamos nós, pobres mortais curiosos? Bem, talvez não possamos entender a física quântica em si, mas podemos entender ao menos o que ela é, o que propõe e o que nos ensina na prática. - O que podemos fazer quando a realidade bate à nossa porta e nos diz coisas desconcertantes, desafiadoras e enigmáticas? Vamos trocar algumas idéias a respeito de elétrons, fótons e quarks, e de como alguma coisa (se é que se trata de uma 'coisa'!) tão pequena pode ser tão insondável a ponto de ser capaz de dilacerar nosso mundo organizado e inteligível.


O conhecido encontra o desconhecido

Newton via o mundo como uma máquina em funcionamento no espaço tridimensional, cujos eventos (como o movimento das estrelas ou a queda das maçãs) ocorriam no tempo. A matéria era sólida, contendo em seu interior partículas diminutas. Essas partículas e também objetos tão grandes quanto os planetas se moviam de acordo com leis da natureza, como a força da gravidade. Essas leis podiam ser descritas com tanta precisão matemática que, conhecidas as condições iniciais de um objeto - por exemplo, a localização de um planeta, sua velocidade e o padrão de sua órbita, - era possível prever com absoluta certeza o seu futuro.

Mas a ciência trouxe à luz um mistério. Nos primeiros anos do século XX, a dureza inflexível do materialismo começou a ser desafiada por cientistas como Albert Einstein, Niels Bohr e outros fundadores da teoria quântica, que declararam ao mundo que se investigarmos bem a fundo a matéria, ela desaparecerá e se transformará em energia incomensurável. Se seguirmos o exemplo de Galileu e procurarmos descrevê-la matematicamente, descobriremos que o universo não é nada material! O universo físico é essencialmente não-físico e pode se originar de um campo ainda mais sutil que a própria energia, mais semelhante à informação, à inteligência ou à consciência, do que à matéria. - E não estamos falando de misticismo, nem de religião, estamos falando de descobertas e constatações 100% científicas.

A teoria da relatividade, a mecânica quântica, a influência dos pensamentos e das emoções sobre nossos corpos, as ditas “anomalias” como a percepção extra-sensorial, a cura pela mente, a vidência, a atuação de sensitivos, as experiências de quase-morte... todos esses fenômenos nos mostram a necessidade de um modelo científico diferente, um novo paradigma que inclua todos esses fenômenos dentro de uma teoria mais abrangente sobre o funcionamento do mundo.

O que é a realidade? A maioria acha que realidade é o que nossos sentidos projetam para nós. Além disso, é claro, a ciência adotou essa visão durante quatrocentos anos: o que não for perceptível por meio dos cinco sentidos (ou de suas extensões) não é real. “Não existe nada a não ser átomos e espaços vazios; tudo o mais é opinião”, já diziam os gregos há mais de dois milênios.

Cada átomo consiste quase totalmente em “espaço vazio”, de modo que é uma espécie de milagre não cairmos no chão cada vez que nos sentamos numa cadeira. E como o chão também é majoritariamente vazio, onde encontraríamos alguma coisa bastante sólida para nos sustentar? O lance aqui é que “nós”- nossos corpos- também somos feitos de átomos!

A física quântica sugere que no núcleo do mundo físico existe um domínio completamente não-físico, que poderia ser chamado de Informação, de ondas de probabilidade ou de Consciência. E, se a visão quântica estiver correta, seremos obrigados a admitir que esse campo subjacente de Inteligência é, na essência, tudo o que o Universo "realmente" é.

A física clássica newtoniana teve por base as observações dos objetos sólidos e conhecidos que fazem parte da experiência trivial, como maçãs que caem e planetas que descrevem órbitas. Suas leis foram repetidamente testadas, aprovadas e ampliadas ao longo de vários séculos. Elas foram muito bem compreendidas e realizaram um excelente trabalho na previsão do comportamento físico, como foi visto no triunfo da Revolução Industrial. Porém, no final do século XIX, quando os físicos começaram a desenvolver as ferramentas para investigar mais profundamente os domínios da matéria, em escala muito pequena, descobriram um fato espantoso: a física newtoniana não conseguia explicar nem prever os resultados encontrados!!

Então, durante os cem anos seguintes, uma descrição científica inteiramente nova precisou ser desenvolvida para explicar o mundo do muito pequeno. Conhecido como mecânica quântica ou física quântica (ou simplesmente teoria quântica), esse conhecimento novo não substitui a física newtoniana, que ainda explica bem os objetos macroscópicos. Mas a nova física foi desenvolvida para ir aonde a física newtoniana não chegava: o mundo subatômico.

E o que a teoria quântica revelou é tão espantoso que mais parece ficção científica: as partículas podem estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. (Uma experiência muito recente mostrou que uma mesma partícula pode estar em até 3 mil lugares!!!) O mesmo “objeto” pode aparentar ser uma partícula, localizada em um lugar determinado, e ser ao mesmo tempo uma onda espalhada pelo espaço e pelo tempo.

Segundo Einstein, nada pode se deslocar mais rápido do que a velocidade da luz, mas a física quântica demonstrou que partículas subatômicas parecem se comunicar instantaneamente, não importando a distância entre elas. - Fenômeno observável que valida, importa dizer, a possibilidade de "objetos" de outros planetas ou dimensões visitando a nossa Terra. Aliás, a palavra "objeto" da sigla OVNI, se torna mais e mais imprecisa para denominar as aparições luminosas inexplicáveis em nossos céus e oceanos...

A física clássica era determinística: se conhecermos qualquer conjunto de condições de um objeto (tal como sua posição e velocidade), poderemos determinar com certeza para onde ele está indo. A física quântica é probabilística: nunca sabemos com certeza absoluta como uma coisa específica vai terminar.

A física clássica era reducionista: partia da premissa de que somente conhecendo as partes era possível eventualmente compreender o todo. A nova física é mais orgânica e holística; pinta o Universo como um Todo unificado, cujas partes são interconectadas e se influenciam mutuamente.

O mais importante talvez seja que a física quântica apagou a distinção cartesiana rígida entre sujeito e objeto, observador e observado, que dominou a ciência por quatrocentos anos. E isso também é o mais perturbador... Na física quântica, o observador influencia o objeto observado. Não há os observadores isolados de um universo mecânico; tudo participa do Universo.


"What is real, Neo?"


Se a ciência e o espírito buscam a natureza da realidade ilimitada, então em algum momento seus caminhos precisam se cruzar. As escrituras sagradas mais antigas que conhecemos, os Vedas, descrevem o mundo como 'maya'/ilusão - e a arte do topo deste blog representa o ser humano por trás do véu de maya, tateando em busca do desconhecido, além... - A física quântica afirma que a realidade não é o que vemos; na melhoir das hipóteses, ela é praticamente vazia, ondas de nada insubstancial.

Os budistas falam da 'origem interdependente' de tudo. Na física existe a teoria do Emaranhamento, segundo a qual todas as partículas estão conectadas, e assim estiveram desde o Big Bang, onde elas se emaranhavam pela primeira vez. - E daí surge a inevitável pergunta: se o Big Bang é a origem do Universo, o Quê ou Quem provocou o Big Bang? Se há o 'Todo Emaranhado', tem que haver também um agente Causador/Mantenedor do Emaranhamento, que precisaria ser muito parecido com o que as religiões denominam Deus... E agora? Ciência e espiritualidade finalmente darão as mãos?.

Temos no Zen um koan (espécie de provérbio em forma de pergunta, feito aos estudantes para despertar a iluminação) muito conhecido: "Qual é o som de uma das mãos batendo palmas?" - Há um eco para isso numa pergunta da física que enlouquece os cientistas: "Como é possível uma partícula estar em dois lugares ao mesmo tempo?"...

Profissionais mergulham em suas respectivas disciplinas, mas a história do progresso humano mostra que a evolução ocorre quando áreas progressivamente mais vastas de estudo são integradas. Como a espiritualidade e a ciência, por exemplo... William Arntz, pesquisador e autor do livro "Quem Somos Nós?", inventou um novo koan: "Qual é o som de dois adversários se beijando?"...



Fonte e bibliografia:
Livro "Quem somos nós?", 2005 - William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente (Prestígio Editorial)




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O caso Stephen Michalak


O geólogo Stephen Michalak

Um dos casos mais importantes de contato imediato com OVNI aconteceu em Falcon Lake, Manitoba, em 1967.

Enquanto explorava a área procurando por metais, o geólogo amador Stephen Michalak observou dois objetos vermelhos brilhantes que pairavam sobre a sua cabeça. Um deles aterrissou a cerca de 45 metros de distância de onde ele estava e começou a mudar de cor, de vermelho para laranja, e finalmente cinza. Michalak pôde sentir cheiro de enxofre e escutar um som estranho parecido com um assobio; então ele decidiu se aproximar da nave. Um compartimento se abriu e duas vozes foram ouvidas vindo de dentro do OVNI. Michalak tentou estabelecer uma comunicação com essas vozes, em inglês e depois em outros idiomas, mas não obteve nenhuma resposta. Ele passou a observar o exterior do objeto, quando, de repente, um ar quente se espalhou pela atmosfera local oriundo de uma abertura. Esse calor fez com que a sua camisa e o seu colete se incendiassem, deixando-o com queimaduras e muita dor(!). Enquanto isso, o objeto desconhecido decolou e voou com uma velocidade espantosa.

Detalhe das estranhas marcas de
queimadura no peito e barriga de Michalak


Depois disso, Michalak ficou muito muito mal de saúde durante vários dias, sofrendo com dores de cabeça, náusea e dores devido às queimaduras em forma de grelha no seu peito. Ele foi examinado por diversos médicos e entrevistado por vários oficiais do governo do Canadá. O geólogo Michalak nunca ganhou dinheiro com essa história e preferiu se afastar definitivamente da publicidade. Até hoje, nenhuma evidência conclusiva foi encontrada para desvendar o mistério do que houve com ele naquele dia, e o seu caso é aceito como verdadeiro por muitos pesquisadores do fenômeno OVNI.


O encontro de Michalak - I



O encontro de Michalak - II




Fontes:

Discovery Brasil
Centro de Ufologia Brasileiro



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Boas Novas: "sede perfeitos"

Raios cruzam os céus, desenhando rabiscos incandescentes, bonitos porém assustadores. O retumbar dos trovões se torna cada vez mais intenso, até ficar quase insuportável. Jesus é insuportável: inconveniente, faz com que as consciências adormecidas despertem do seu soninho tão gostoso... Esse mestre não pode ver ninguém tranquilo, ele não permite ninguém descansando na doce paz da ignorância...

Paramos a nossa leitura do Evangelho em Matheus, capítulo 5, verso 26. E a partir daqui, percebemos que o clamor do Cristo vai ficando cada vez mais difícil de entender, de aceitar, de se tentar colocar em prática...




"Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.

Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.

Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.

Eu, porém, vos digo: todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem se casar com a repudiada, comete adultério."



Mestre, por que não nos deixaste como estávamos, ensinados pelos fariseus? Eles nos ensinavam a lavar e polir o exterior do copo e do prato muito bem. - Isso podia até dar um pouco de trabalho, mas era bem mais fácil de fazer... Mas tu... O que queres, Senhor? O que esperas de nós? Somos só pobres seres humanos, às voltas com nossas vidinhas despretenciosas... Porque esperas que sejamos super-humanos??

O homem saudável que por acaso estiver lendo isto, que nunca em sua vida olhou para uma mulher para a cobiçar, que jogue a primeira pedra. - Ou então a mulher jovem e bonita, que por acaso estiver lendo isto, que nunca se vestiu para ser cobiçada... Se o meu olho me escandaliza, devo arrancá-lo o atirá-lo longe de mim?

E quanto ao divórcio? É sempre inadmissível? Mas e se o meu casamento, por qualquer motivo, não der certo? Eu nunca mais terei o direito de reconstruir a minha vida, de tentar ser feliz ao lado de uma outra pessoa?

Como é que qualquer cristão, ou mesmo qualquer pessoa que tenha Jesus como autêntico mestre espiritual, poderia manter paz na alma diante de afirmações como as que acabaram de ser colocadas aí acima? Estamos todos condenados?

Considerando-se essas sentenças, o inferno deveria ser um lugar muito grande, pois teria que conter praticamente a humanidade inteira! Ou, bem... talvez alguns poucos até poderiam alimentar alguma esperança de se salvar, como aquele pobre adepto da Congregação Cristã no Brasil do interior de São Paulo, que cortou fora o próprio pênis por ter se divorciado, após ser alertado desta (e outras parecidas) passagem bíblica por alguns dos seus irmãos de fé... Não, não se trata de humor negro, o caso é real e foi divulgado até no site Darwin Awards.




“Adoro Jesus e acho ele o maior dos mestres, mas não gosto do jeito como a Bíblia ameaça as pessoas, como quando Jesus fala sobre o inferno. (...) Nunca resolvi certas coisas na minha cabeça. Fica um conflito entre Jesus, o Deus Pai do Amor, e o Deus que manda gente pro inferno por causa de erros humanos!”

- Trecho de email enviado por uma leitora, no ano de 2007, falando sobre suas dificuldades pessoais em entender Jesus Cristo.


A verdade é que muita gente imagina que falar de Jesus é somente falar de paz, Luz, Amor, União... E é claro que se trata disso, também, mas não só isso. Como o próprio Cristo disse:

"Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa."

Matheus, 10: 34 - 36


É isso, joguei um pouco de lenha na fogueira. Estamos estudando os Evangelhos, e eu não vou pular os trechos difíceis e nem me ater somente aqueles que todo mundo gosta... A solução para os aparentes enigmas aqui colocados, eu deixo para cada um de vocês. Ou não. - Mas vou deixar uma dica daquilo que eu penso: o Cristo espera de nós que sejamos mesmo super-humanos. E nós podemos. Mais uma vez eu encerro dizendo: Boa meditação!



Tradução da Bíblia utilizada: "Almeida Revisada Imprensa Bíblica"



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