Noite Escura da Alma - budista

O texto a seguir, escrito por uma das mais respeitadas monjas budistas da atualidade (bebendo chá na foto mais abaixo, à esquerda) fala da "Noite Escura da Alma", uma expressão cunhada por São João da Cruz para se referir ao difícil período de escuridão vivenciado, em algum momento, por todos aqueles que se aventuram na Busca espiritual. O discurso da monja, porém, vai muito além disso: eu o classificaria como uma aula sobre certos preceitos universais essenciais aos que pretendem iniciar ou aperfeiçoar suas práticas espirituais. Uma aula sobre dúvida e fé, determinação, consciência, Verdade e percepções da Verdade... E você está convidado(a) a participar desta aula repleta de sabedoria!




Por Monja Isshin Havens - Soto Zen Budismo


uma expressão "Chan" (Zen chinês) que diz:


“Grande dúvida, grande iluminação.
Pequena dúvida, pequena iluminação.
Nenhuma dúvida, nenhuma iluminação.”


A tradição budista nos ensina que existem três pré-requisitos para a prática verdadeira: Grande Dúvida, Grande Fé e Grande Determinação.


1) A Grande Dúvida: - A maioria das pessoas chega à prática espiritual motivada por um sofrimento que deu origem a um questionamento (assim como Sidarta Gautama, o Buda histórico). Quase sempre, a pessoa está se fazendo uma pergunta do tipo “Por que isso está acontecento?” ou então “Por que eu?”...

Mas muitas dessas pessoas não dão continuidade à sua busca em algum centro de práticas, e vão embora depois de uma ou duas visitas. Outros, depois de algumas sessões de meditação, sentindo algum alívio do problema imediato que os trouxe até o Zazen, já relaxam os seus questionamentos. Talvez até venham a se considerar “praticantes”, mas a verdade é: não chegaram a fazer as Perguntas Essenciais, não se abriram para a “Grande Dúvida” e, assim, ainda não entraram realmente no Caminho espiritual.

São poucas as pessoas que, ao passar por uma situação de dificuldade, passam a aprofundar as suas perguntas iniciais ('Por que isso está acontecento?'- 'Por que eu?') e começam a questionar: “Quem sou eu?”, “Qual é o significado da minha vida?”, “Qual o sentido da vida e da morte?”...

Estas são perguntas da Grande Dúvida, o início da caminhada espiritual. A tradição Rinzai Zen usa os "koans" para tentar provocar a Grande Dúvida. - Koans são perguntas apresentadas pelos mestres zen aos discípulos, para verificar em que grau estes já assimilaram, na prática, o modo de ser zen. Às vezes isso é feito na forma de microestórias búdicas, parábolas ou “lições iluminantes", através das quais o Zen se faz.

Quanto mais intensamente se vivencie a Grande Dúvida, tanto maior será a iluminação obtida. Acredito que, na nossa atual realidade humana, as nossas iluminações são pequenas iluminações, pois a diferença entre ter uma ou algumas experiências de iluminação e se tornar uma pessoa iluminada de fato, ou melhor dizendo, se tornar uma pessoa que manifeste plenamente a sua iluminação, é igual a diferença entre água e vinho.

Os mestres também nos ensinam que aquela pessoa que se acha “iluminada”, não é. Ainda nos ensinam que a prática deve ser constante e pelo resto da vida, pois o aprendizado nunca cessa. Portanto, sempre que acreditamos que encontramos uma resposta à Grande Dúvida, é importante que recoloquemos a pergunta e sigamos além: além da resposta atual, além da nossa compreensão deste momento... sempre além, sempre nos aprofundando mais e mais.

O grande perigo está em achar que encontramos A Resposta e que a Grande Dúvida já acabou. Vamos cair numa complacência/arrogância, - talvez até nos posicionando como prontos para liderar outras pessoas, mas, na realidade, estamos nos iludindo e iludindo os outros. De certa forma, a nossa caminhada espiritual foi abandonada. O nosso Zazen se tornou um ‘zazen de conforto’, um ‘zazen de consumo’. A verdade é que sempre podemos encontrar mais uma parte da Resposta à Grande Dúvida.

Mas vamos supor que você conseguiu manter os seus questionamentos internos muito fortes, como deve ser. Então você entrou no Caminho espiritual e iniciou as suas práticas. É a partir daí que surge a fé.


2) A Grande Fé: - O segundo elemento essencial a uma boa prática é uma “Grande Fé”. Fé na prática espiritual que escolher, fé nos ensinamentos, fé no professor - que é um ser humano, com falhas humanas, que tem mais experiência no Caminho e algum tanto de “iluminação” manifestada. - E, mais ainda, fé na sua possibilidade de poder manifestar a sua própria iluminação, de encontrar a resposta para a sua Grande Dúvida.

Inicialmente, pode ser que parte desta fé você encontre depositando fé nos outros. Não há nada de errado nisso. Você gostou e confia no seu Professor de Dharma, por exemplo. Ou admira um colega praticante e confia nele. Mas os seres humanos são literalmente isto - seres humanos, sujeitos a falhas. - E podem nos decepcionar, desiludir. Porque confiar em homens é isso, ilusão e nada mais.

Mais ainda, uma das funções dos professores de Dharma é a de “puxar o tapete” de debaixo dos nossos pés. Podem até nos provocar, fazendo com que manifestemos alguma “sombra” nossa, na esperança de que assim possamos “iluminar” aquele aspecto trazido à tona. Nessas horas, podemos até nos sentir “traídos” pelo professor, enquanto não compreendermos o que ele está tentando nos ensinar. Portanto, temos que ir além desta fé inicial, depositada em seres humanos e fatores externos a nos mesmos. - E aí surge um paradoxo, porque por um lado, temos que amadurecer e aprofundar a nossa fé no professor e nos outros seres humanos, temperando-a com a fé nos ensinamentos e no próprio Dharma que aprendemos dentro de nós mesmos - passo-a-passo.

E os ensinamentos do Grande Buda, que nos foram transmitidos já há 2.600 anos - podemos depositar fé neles? Podemos, mas isto também tem suas limitações, pois a transmissão dos ensinamentos depende da comunicação e das palavras, sempre sujeitas às mais variadas interpretações. Transcrições de diálogos entre grandes mestres e os seus alunos não nos transmitem o contexto, o cenário, todos os detalhes que fizeram com que aquelas palavras fossem as mais apropriadas para aquele aluno naquele momento.

No Zen, encontramos inúmeros exemplos de professores que num momento dizem uma coisa e, em outro momento, dizem exatamente o contrário. Será que estão mentindo? Será que são loucos? Ou será que estão simplesmente falando exatamente aquilo que é mais apropriado para aquele momento, aquele contexto, para aquele aluno específico? - para convidá-lo a tomar o próximo passo na aprendizagem? Como alunos do Zen, existem momentos em que podemos nos desesperar com um professor que parece estar se contradizendo. Como é forte, nestes momentos, a vontade de dizer “mas você não falou ‘x’ antes? Por que está falando ‘y’ agora? Qual é a Verdade, ‘x’ ou ‘y’?”

Conheço uma mestra moderna que faz isso o tempo todo. Será que ela é louca? Não acho. Acho que ela está simplesmente me desafiando a mergulhar para dentro e encontrar a única Verdade que há, mas que só pode ser integralmente obtida e compreendida por mim mesmo; - e desafiando outras pessoas com quem ela faz a mesma coisa a fazer este mergulho para dentro. Não é um processo fácil. Mas certamente me oferece a oportunidade de me aprofundar na fé verdadeira que preciso cultivar: a Grande Fé. - Fé na minha própria natureza búdica, fé no Universo, fé no Dharma, fé na minha prática, fé em mim mesma.

E aqui cabe a colocação de um ponto muito importante: nem sempre as minhas próprias percepções podem ser consideradas corretas, também. Como diz o ditado popular "de boas intenções o inferno está cheio", isto é, muitas vezes escolhemos um caminho equivocado achando que estamos fazendo o melhor: mesmo aquelas "verdades" a respeito das quais eu acho que tenho muita certeza podem não ser assim tão certas. Se não posso confiar cegamente no outro, isso não quer dizer que eu possa, sempre e em todos os casos, confiar cegamente em mim mesmo. Até as minhas próprias percepções devem ser analisadas, refletidas, meditadas intensamente. - Só quando a minha consciência, observada cuidadosamente, estiver em paz e me disser que estou no rumo certo, é que poderei confiar nas minhas próprias convicções. - Quando houver harmonia perfeita entre a minha consciência e as minhas certezas íntimas, este é o sinal para seguir em frente.

É nesse momento que se adquire a Fé para atravesar a "Noite Escura da Alma" - ou as muitas noites escuras da alma... É aí que entra o terceiro pré-requisito da verdadeira prática...


A "Noite Escura da Alma" é uma concepção comum tanto a cristãos quanto a budistas
(Bento XVI saúda mestres budistas, que lhe entregam Sutras sagrados - Vaticano)


3) Grande Determinação: sem a Grande Determinação, não vamos conseguir atravessar a Noite Escura. Se falhar a nossa determinação, vamos acabar voltando para trás, em lugar de completar essa etapa da Jornada. Não vamos chegar até o raiar do novo dia, aquele pedaço de Iluminação que seria resultado do nosso questionamento, da nossa fé e determinação.

Se a nossa determinação for fraca, vamos falhar. Se a nossa determinação depender de outras pessoas para nos apoiar, vamos falhar. Pois a Noite Escura da Alma é Exatamente isso: um momento em que nos sentimos totalmente sós; - a nossa dúvida nos consumindo, a auto-confiança cambaleando, a nossa fé no limite. - Só vemos escuridão e é somente a nossa determinação que nos segura no Caminho. Afinal, como já sabemos, o momento mais escuro da noite é o momento logo antes do nascer do sol. E é a mesma coisa na Jornada espiritual.

É isso que significa o ditado zen citado no começo: se iniciamos a Jornada com uma pequena dúvida, a noite escura vai ser “pequena”, mas o raiar do dia também. - Mas se o nosso primeiro passo foi baseado numa GRANDE Dúvida, a noite escura vai ser igualmente GRANDE. A crise - que é a combinação de perigo com oportunidade - vai ser GRANDE. E para atravessar essa noite escura, vamos ter que descobrir, dentro de nós, fé da mesma grandeza e, por fim, GRANDE Determinação - talvez aquela determinação que diz: “mesmo que perca tudo, não arredo o pé; mesmo que eu tenha que morrer tentando, não desistirei, mesmo que estejam todos me chamando de louco, não saio deste Caminho; mesmo que todos os meus amigos me abandonem, não abro mão da Verdade”.

Talvez a vida vá nos exigir uma entrega total, a “morte para esta vida", à qual se referiu Jesus, que é uma morte simbólica, morte do ego, morte para tudo que pensávamos que importava. Na realidade, a Vida está nos convidando a passar pela morte dos condicionamentos - nos convidando à Libertação.

No meio da Noite Escura da Alma, passamos por uma fase de ficar só enxergando as perdas, as “mortes”. Talvez, aí, percamos contato com a nossa fé. Talvez nos entreguemos ao medo. Talvez não resistamos às pressões e voltemos correndo, tentando retornar à nossa zona de conforto anterior, voltar à "harmonia conhecida", às amizades, relacionamentos e posses antigas que não queremos arriscar perder, buscando apoio externo na falta do nosso próprio apoio interno. Quantos e quantos fraquejam neste ponto, justo quando estão quase lá, quase vencendo essa fase da Jornada... É triste! É como se "vendessem a alma", caíssem em “tentação” e desistissem, por não suportar mais as "provações" que o Caminho verdadeiro nos impõe.

É por isso que todas as tradições espirituais falam da dificuldade da Jornada. Todas as tradições espirituais têm a sua forma de descrever o processo de passar pela “Noite Escura da Alma”. Algumas tradições xamânicas e indígenas usam vivências de “jornadas interiores” indo ao encontro da morte e renascimento simbólicos, desmembramento e “re-membramento” simbólicos, para facilitar esta passagem. A tradição budista nos fala da determinação do Buda quando se sentou embaixo da figueira, decidido a não se levantar dali até que encontrasse a resposta, a Iluminação. Fala, em linguagem simbólica, dos ninhos que pássaros construiram em seu cabelo, das teias que as aranhas teceram ao redor do seu corpo, das plantas que cresceram entre os dedos dos seus pés... - Tudo para nos ajudar a imaginar uma determinação tão firme e inquebrantável que permitisse que ele ficasse lá, sentado em meditação, o tempo suficiente e com a “imobilidade” (firmeza de propósito) suficiente para atingir a Iluminação.

Lembro-me de momentos de dúvida - dúvidas que pareciam bastante grandes para mim, na época, - onde a minha fé inteira foi posta à prova e parecia que a minha determinação não ia agüentar - e lembro-me dos raiares do Sol que vieram no final daquelas noites escuras da alma. Não posso dizer que eu tenha atingindo qualquer GRANDE Iluminação, mas com certeza, sinto que posso dizer que cheguei em algumas pequenas iluminações, de acordo com a minha capacidade de ter uma dúvida, de cultivar a fé e de achar dentro de mim mesma a determinação de prosseguir até a hora do Sol nascer.

Como será que isto vai acontecer, com você? Como será o momento da "virada", de uma pequena iluminação? Vai ser o seu momento, único, totalmente diferente dos meus momentos - e nem para mim um momento será igual ao outro, porque nunca entramos duas vezes no mesmo rio. Só posso compartilhar que, para mim, a virada vinha muitas vezes quando eu finalmente parava de lutar contra os acontecimentos e me entregava totalmente. O Dharma simplesmente continua procurando nos ensinar. Então, não precisa se sentir culpado demais por passar por uma fase de “briga com o Universo” antes de chegar à Entrega!

Outras vezes, a virada veio quando finalmente percebi a “comédia dos absurdos” numa situação e caí nas gargalhadas, de corpo e alma. De qualquer forma, a virada vinha quando algo dentro de mim mudava. A mudança nunca vinha de fora, só de dentro. Este é o detalhe importante: a mudança tem que vir de dentro.

A noite passa. O novo dia nasce. A Luz retorna. Portanto, se você estiver atravessando uma Noite Escura da Alma, não abra mão da sua fé, não vacile na sua determinação. Não tente voltar ao “conforto”, “harmonia” ou “segurança” falsos que você achava que tinha anteriormente. Se, no seu coração, você sabe que está ouvindo a voz de sua natureza búdica (iluminada), prossiga firme. Mergulhe, deixe que a Grande Dúvida lhe consuma até os ossos, até a medula, até restar somente o grande Vazio. Estique a sua fé, mantenha a sua determinação - e atinja mais um pedaço da Iluminação. O importante é sempre manter-se firme na Busca da Sabedoria e da Compaixão.

Se você está com mais Sabedoria e Compaixão, se sente mais Paz e Tranqüilidade no “dia seguinte”, saberá que atravessou a Noite. Mas, se está com alguma raiva, algum mal-estar, alguma inquietação, saberá que ainda não terminou a travessia, ou pior, saberá que desistiu no meio do Caminho e voltou para trás. Mesmo assim, não perca esperanças, não se critique, não se julgue. Você fez o seu melhor. Aprenda com o processo. Veja onde falhou, onde errou, reconheça esse erro e recomece de novo. A vida sempre nos oferece novas oportunidades.

Não tenha medo. A Noite passa.


Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres. Que possamos todos nos tornar, nós mesmos, o Caminho Iluminado.


Gassho!!



Texto do site Monja Isshin - contém excertos de cartilhas do Revdo. Imai Imai Nichiren Shu Havai (Templo Higashi Honganji).



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Eu sou o quê?!



O pequeno debate que surgiu do post "Boas Novas - Reino dos Céus", e que acabou se desdobrando numa outra postagem, me fez perceber que estou devendo aos meus leitores, já há um bom tempo, alguns esclarecimentos acerca de certos pontos que vieram à tona nessa conversa toda.

Independente deste caso em particular, eu considero de fundamental importância que esses debates sejam seguidos de esclarecimentos, sempre que necessário, porque nesse tipo de discussão muita coisa importante que foi dita acaba sendo ignorada, passando em branco, e muita coisa que não foi dita acaba sendo subentendida, gerando confusão... Isso acontece porque todos nós, em maior ou menor grau, lemos e ouvimos as coisas já fundamentados em nossos próprios pontos de vista. Isso é humano, é da nossa natureza.

Há alguns anos eu participei de uma vivência de Análise Transacional que abordou exatamente essa realidade: o palestrante pedia a todos os presentes que fechassem os olhos, e então falava uma palavra simples em voz alta, como "casa". Logo depois inquiria algumas pessoas da assistência, aleatoriamente, e o resultado do teste era sempre muito engraçado: conforme o palestrante fazia perguntas, ficava cada vez mais claro que cada um tinha o seu conceito muito particular e bem diferente a respeito das palavras, mesmo as que aludem a conceitos muito simples, como "casa": alguns imaginaram um sobrado enorme, outros uma casa bem simples, outros visualizaram um romântico casebre às margens de um rio, ao pôr do sol... - teve até um indivíduo que visualizou um prédio de apartamentos, mesmo tendo ouvido claramente a palavra "casa"! - Questionado, esse participante revelou que morava num apartamento, e por isso a palavra "casa" sempre o fazia se lembrar de um prédio, o seu... Quando o palestrante aprofundava um pouco mais as perguntas, íamos descobrindo que alguns visualizaram casas coloridas, nas mais diversas tonalidades e matizes: amarelo, vermelho, azul, verde... E alguns só conseguiam visualizar imagens em preto e branco.

Essa experiência simples é muito reveladora, e se a gente pensar um pouco ela pode ter um sentido muito mais profundo. A verdade é que todos nós, seres humanos, somos preconceituosos em maior ou menor grau. Todos nós temos pré-conceitos formados a respeito das coisas, isto é, carregamos idéias pré-concebidas sobre tudo. É por isso que, às vezes, numa discussão, a gente tenta e tenta explicar alguma coisa e nosso interlocutor não entende, e nós mesmos também não conseguimos entender o sentido do que está sendo dito pelo outro! Você explica de novo e de novo, mas parece que está falando grego!.. Esse é um fenômeno tão comum justamente porque você pode falar em "casa" se referindo a um palácio, mas a outra pessoa pode estar pensando num barraco, e vice-versa... As relações humanas são muito complicadas, e saber se expressar é uma arte muito difícil. - No campo da espiritualidade, por se tratar do subjetivo, essa dificuldade é ainda maior.

A mensagem principal deste post, que eu queria deixar bem clara, é a seguinte: se quisermos avançar em nossas buscas, se quisermos mesmo ampliar as nossas consciências, precisamos nos esforçar para ampliar os nossos conceitos, nos aperfeiçoar cada vez mais na arte de abrir mão dos nossos pré-conceitos, isto é, dos conceitos pré-estabelecidos que carregamos. Eu não estou fora disso e acho que ninguém está...

Voltando ao desenrolar do post, um ponto importante, que eu mais uma vez constatei por aqui, foi que na psique de muita gente existe um grande obstáculo com relação a tudo que eu possa dizer ou manifestar, pelo simples fato de me considerarem "um cristão". A palavra "cristão", na mente de muitos, não sem razão, remete a uma figura muito distante da minha realidade particular.

Na concepção de muita gente, o "cristão" é aquele cara que freqüenta um templo, obedece cegamente ao que diz o sacerdote, segue uma cartilha de regras e não tem como conhecer a Verdade maior, porque está limitado pelas suas crenças. Então, a partir daí, tudo o que eu digo passa a ser instantaneamente interpretado da seguinte maneira: "Lá vem o Henrique com o seu ponto de vista cristão/limitado" - Há um bloqueio que se arma automaticamente, e aí, tudo que eu digo é analisado sob essa lente pré-conceituosa.

Enquanto qualquer pessoa estiver fazendo isso, eu nunca serei totalmente compreendido. As minhas falas podem ser compreendidas em parte, mas será impossível captar os meus pontos de vista no seu sentido mais profundo.

A leitura do "a Arte das artes" ficaria muito mais produtiva se o leitor tentasse esquecer que eu resolvi praticar a minha espiritualidade dentro de uma determinada forma religiosa, e que por isso posso ser considerado um "cristão".

Se prestarem atenção, verão que 99% de tudo que eu falo aqui não se refere a qualquer religião específica. Eu falo sempre de princípios universais, independente dos rótulos. E a palavra "religião", como muitos já sabem, significa "religação com o Divino"; isto é, o Conhecimento do Divino, a Comunhão com o Divino. - Então, num sentido mais profundo, religião singnifica Trilha Espiritual. E o Caminho do verdadeiro buscador é um só, independente da forma. - O que não quer dizer que todos os caminhos são iguais, mas que a Verdade é uma só, e se manifesta de diferentes maneiras, nas diferentes formas. Eu já falei isso muitas vezes por aqui.

Mas então, sendo assim, porque eu resolvi que passaria a exercer minhas práticas espirituais dentro de uma forma específica? Já expliquei de que maneira aconteceu, mas não como. Por que decidi seguir Jesus Cristo? Porque adotei uma via formal? Qual a minha concepção de Jesus?




Da mesma maneira que quando ouvem a palavra "casa" alguns podem imaginar um casebre e outros até mesmo um prédio, o nome Jesus Cristo remete cada indivíduo a um "lugar" diferente. Para alguns, Jesus é uma imagem de gesso. Para outros, um homem misterioso retratado numa bela pintura renascentista. Para certas pessoas Jesus é uma espécie de hippie ou "easy rider"/motoqueiro selvagem (vi uma pintura retratando Jesus como 'easy rider', de jeans surrado, camiseta branca e jaqueta de couro, uma medalhinha com o símbolo do superman no pescoço... eu achei muito legal!..), ou um revolucionário político, ou um yogue.... Para outros, ainda, Jesus é o Universo, ou Deus, o que complica mais ainda a conversa... O dia em que eu souber definir Deus eu falo para vocês.

Mas eu ainda não respondi a "pergunta de um milhão de dólares": quem é o Jesus Cristo que me cativou, que tomou conta de tudo em mim, que me sacudiu e me fez ver certas realidades antes invisíveis? Quem é esse, em quem passei a basear a minha vida e a minha busca, a partir do momento em que o encontrei? A questão é que essa pergunta não faz nenhum sentido, bem lá no fundo, porque já sei que por mais que eu explique, ninguém vai conseguir "captar" a minha resposta, que é só minha. - O que eu acho que posso, e devo fazer (já passou da hora), é tentar derrubar de uma vez por todas essa imagem distorcida que tanta gente têm de mim. Lá vai...

Para mim, a tentativa de definir, esgotar ou resumir a Verdade, seja sob a forma de "cristianismo" ou qualquer outro "ismo" que se possa imaginar, é um completo absurdo em si mesma. O "cristianismo", como definição total e final da Verdade, só poderia fazer algum sentido num desses casos:

1) Se o Cristo a que estivermos nos referindo não for somente aquela figura cabeluda e barbuda retratada nas imagens e nas pinturas. Eu digo que algumas dessas imagens podem até ser muito belas, digo que elas têm o seu valor e o seu significado, mas são simplesmente uma piada (e de mau gosto) se comparadas com a Consciência Crística a que eu me refiro quando falo no Cristo;

2)
Se pensarmos no Jesus retratado na Bíblia, que também é uma imagem imperfeita; porque a Bíblia é um livro escrito por homens, e como todo livro, ainda que seja um livro sagrado, é limitada. - E a própria Bíblia afirma isso(!), - O que não quer dizer que aquilo que os Evangelhos nos contam a respeito do Cristo não seja verdadeiro, mas sim que apenas conhecer os Evangelhos não representa a totalidade da experiência que buscamos e de que precisamos.

O cristianismo é um meio, não o fim. Quando nos referimos à Verdade além das formas, as definições são inúteis. Mas o Cristo que eu encontrei, e que por ele passei a ser chamado de "cristão" (mesmo desprezando os rótulos), é a Consciência Crística Cósmica! Trata-se de algo muito maior! Estou falando da manifestação divina que permeia o Cosmos e que nos permite entrar em Comunhão com o "Pai" Criador. Estou falando da Energia por meio da qual todas as coisas se fizeram e se fazem; o Verbo Primordial!

O sangue que flui nas minhas veias é esse Cristo. O ar que eu respiro é esse Cristo... É nele que eu me movo e sou! Mas ele não se resume a isso; ele vai além disso; - está dentro e fora de mim. Está em mim, é verdade, mas vai além de mim, e por isso se diz que o Cristo "intercede por nós junto ao Pai". - Por meio dele entramos em Comunhão com a Força Criadora: nos tornamos "Um com o Pai" através da Consciência Crística.

O Cristo a que eu me refiro e a Verdade que eu busco são uma só coisa! Mesmo que a IMAGEM ou a IDÉIA que fazemos do Cristo pudesse ser apagada do nosso mundo, a Divindade Crística permaneceria, porque Ela está presente no Tudo e no Nada, e os buscadores da Verdade continuariam chegando a ela, inexoravelmente. Por isso, o próprio Cristo clama:

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim. Todo aquele que é pela Verdade, ouve a minha voz"

Evangelho segundo João, 14,6 / 18,37


Jesus, o Galileu, nascido filho de um carpinteiro, foi a manifestação física da Divindade/Verdade neste nosso plano. O Cristo é tudo em todos. Mas o fato de Cristo "estar em nós" não significa que nós não precisemos buscar essa Comunhão; - e essa percepção não é exclusivamente cristã. Como diz o Mahabharata, o livro sagrado hindu:

"Disse Arjuna (homem): 'Tu és o Brahman Supremo, o último, a suprema morada e o supremo purificador; a Verdade Absoluta e a pessoa divina eterna. Tu és o Deus primordial, transcendental e original, e Tu és a beleza não nascida e todo-penetrante. Todos os grandes sábios proclamam isto ti. (...) Na verdade, só Tu te conheces através da tua potência interna, ó Pessoa Suprema, origem de tudo, Senhor de todos os seres, Deus dos deuses, Senhor do Universo! Por favor, fala-me detalhadamente dos teus poderes divinos, pelos quais penetras todos estes mundos e moras neles. Como devo meditar em Ti? Em que forma deves ser contemplado, ó Bem-Aventurado Senhor?'

Respondeu Krishna(Deus): 'Sim, Eu lhe falarei de Minhas manifestações esplendorosas, mas somente das que são proeminentes, ó Arjuna, pois Minha opulência é ilimitada. Eu sou o Eu, ó Gudãkesa, situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio e o fim de todos os seres. (...) Mas saiba que eu estou em você, mas você não está em mim. Eu sou tudo, mas sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material. Eles, ao contrário, estão em mim
...

Trechos do capítulo X e outros

Arjuna precisaria se purificar, se aperfeiçoar e colocar o Amor por Deus acima de todas as outras coisas para poder encontrá-lo, para poder perceber essa presença divina dentro dele mesmo. Por isso Arjuna é chamado pelos devotos de "buscador". Essa expressão, "buscador", que eu tanto aprecio, aprendi num templo hindu, o Sahaja Yoga; ela deriva dos textos sagrados hindus, embora também seja comum ao budismo e ao cristianismo... - Olha os "ismos" aí de novo. Difícil não falar neles, quando tentamos nos expressar em termos de espiritualidade. - Repito que importa saber que os "ismos" são formas pelas quais nos conectamos à Verdade, mas não a Verdade em si.


Na esperança de ter conseguido lançar alguma luz sobre essas questões que me perseguem desde a conclusão da primeira fase deste blog, desejo um final de semana cheio de Luz para todos...


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Desdobramento de "Reino dos Céus"

"Boas reflexões, boa meditação; aos que estiverem dispostos a se dedicar ao tema, uma boa contemplação. Que a Luz os atinja a todos, e inclusive a mim"...

Olá, amigos! Foi com as palavras acima que eu encerrei a postagem "Boas Novas - Reino dos Céus", e devo dizer que agora estou bem satisfeito, porque essa publicação rendeu exatamente os frutos que eu desejava: gerou um bom debate, que leva à reflexão, à meditação e à contemplação das questões colocadas, e assim somos todos auxiliados a encontrar o discernimento através dos nossos próprios esforços.

Nos comentários dessa postagem, o meu amigo e já grande colaborador do Arte das artes, Gugu, nos deixou o seguinte convite:

"Já que este está sendo o assunto do momento, peço licença para divulgar que coloquei um texto que escolhi, falando sobre o Reino de Deus (será uma Revelação, ou uma doutrina?) e da natureza verdadeira do ser humano (quem sou eu?).

O meu intuito, com isto, é só o de proporcionar um outro ponto de vista acerca do assunto. Então podemos seguir pensando, ponderando, dicernindo, buscando..."


Não precisava nem pedir licença, pois a proposta do post foi exatamente essa, e é claro que eu aceitei o convite e fui lá conhecer o texto escolhido pelo meu amigo como a sua abordagem acerca do assunto. Como a postagem de lá derivou da postagem publicada aqui, resolvi trazê-la para a apreciação também por aqui, pois o meu objetivo, com todas as minhas postagens é sempre provocar desdobramentos. - Todos aprendemos desse jeito. - Segue o texto em questão, publicado no blog do Gugu:


"Revelação ou doutrinas?" - por Dárcio Dezolt

A Revelação de Jesus Cristo é transcendental, ou seja, fala do Reino de Deus e da real natureza de todos nós como filhos de Deus, idênticos a Ele. Eis por que sua oração (João 17; 11) é no sentido de que “sejamos todos um”. Ciente de nossa real identidade, disse: “Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” (Mateus 5; 48).

Que fizeram muitas religiões e doutrinas? Criaram um Jesus Cristo separado, em vez de uno conosco! Se, de um lado, pregam a “comunhão”, de outro, enfatizam a separatividade, considerando-o diferente e superior a todos nós, julgando-nos “pela carne”, materialmente! Uma contradição absurda! E que atua hipnoticamente como crença coletiva há séculos!

Uma gota de água pode entrar “em comunhão com outra”, pois ambas são idênticas em qualidade ou natureza! Óleo e água já são coisas distintas! Você somente “entra em comunhão” com o Pai e com Jesus Cristo ao se contemplar como já sendo de IDÊNTICA NATUREZA, EM UNIDADE!

Observe o que diz a Revelação encontrada em I João 1; 1:

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida. (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.). O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco, e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.”

A Verdade ensinada por Cristo é a de que temos um Pai comum: DEUS!. Se você se dispuser a deixar de lado as religiões e doutrinas apagadas, trocando-as pela Revelação, fechará os olhos para o “mundo da matéria” e se verá espiritualmente em Deus, igualzinho a Jesus! Perceberá internamente sua “comunhão real com o Pai”, numa proporção sem limites! Comunhão é comunhão! UNIDADE! Não há meios-termos! Ou VOCÊ é, JÁ, da mesma natureza que Jesus Cristo, e, de Deus, e, portanto, JÁ ESTÁ em “comunhão”, ou está se avaliando “pelas aparências”, negando toda a Revelação iluminada, e se vendo como mortal, mero “filho pródigo” nesta ilusão de mundo!

A Revelação o coloca em “comunhão eterna”, dando-lhe o discernimento da Onipresença! Pai e Filho são a “unidade harmoniosa”. Doutrinas mil complicaram tudo! Que, em nome da Verdade, sejam abandonadas! Cristo não o saturou de “doutrinas”, mas da Revelação de sua Unidade, da Essência Una, da prática do perdão incondicional e do Amor a Deus e ao próximo! E, principalmente, incentivou-o a “buscar o Reino de Deus” em você mesmo, e em “primeiro lugar”. Detenha-se nestes pontos!

“Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.” (Mateus 15; 9)




Bom, muito bom... Assim como a postagem "Reino dos Céus" começou a se desdobrar por aqui, continuou se desdobrando por lá. - Eu vi algumas coisas que entendi como desvirtuação, contidas nesse texto, então registrei esses pontos na forma de um grande comentário, que trascrevo abaixo:


Olha só, eu acho que há um erro de interpretação clássico nesse texto: discordo da afirmação de que "somos iguais a Deus"... Acredito que muitos místicos bem intencionados confundiram algumas coisas e acabaram caindo naquela mesma "cilada" que foi armada para a humanidade desde o princípio (é só um jeito metafórico para tentar explicar...).

Segunto Zaratustra, o Talmud, o Zohar e a Cabala, a Bíblia, o Alcorão... e uma infinidade de outros livros sagrados e doutrinas ancestrais da humanidade, foi exatamente assim que o mal entrou no nosso plano e as coisas começaram a "despirocar" por aqui: quando o homem começou a acreditar que era igual a Deus. No Gênesis, esta é a proposta exata de Satanás: "Comei dessa árvore, e sereis iguais a Deus"... Já no Apocalipse surge Miguel, o príncipe dos anjos, que clama "Quem pode ser como Deus?"

O fato é que há uma diferença sutil no significado de certas expressões nos Evangelhos, que precisam ser cuidadosamente observados... É o caso da expressão "comunhão", citada no post: estar em comunhão com alguém não quer dizer que você “é” esse alguém, ou que você “é igual” a esse alguém.

Eu vivo numa comunhão maravilhosa com a minha esposa, por exemplo. Nós nos completamos, nos amamos profundamente e fazemos questão de declarar o nosso amor a todo instante... Nós dois nos respeitamos, nos ajudamos, vivemos em cumplicidade, temos gostos, idéias e objetivos parecidos, etc, etc... Mas isso não quer dizer que eu "sou ela" nem que eu "sou igual a ela". - Vivemos numa perfeita comunhão, mas cada um é cada um, cumprindo seu próprio papel: cada um produz a sua própria nota musical na Orquestra Sinfônica Cósmica. É isso que comunhão significa, no sentido bíblico.

O mesmo se dá com as nossas relações com o divino. Estar “em Comunhão" com Deus não significa “ser igual" a Deus, essa interpretação é um erro crasso! Toda busca espiritual começa exatamente do ponto em que nos conscientizamos que não somos auto-suficientes, quando detectamos um vazio dentro de nós mesmos, que grita por ser preenchido... Muitos místicos se referiram a esse "vazio" como o “Ponto Deus”, que já foi identificado inclusive pela ciência no cérebro humano (breve: postagem sobre o tema!).

Eu vejo muita literatura pseudo-mística girando em torno de certos trechos específicos da Bíblia, sempre usados fora do seu real contexto, numa tentativa de justificar idéias panteístas. Pegam-se sempre as mesmas passagens, como aquela em que Jesus diz que "Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas..." - Mas esses autores nunca citam a continuação desta mesma frase: "...porque eu vou para o Pai, e farei o que pedirdes em meu nome". Ou seja, ele não está dizendo que podemos fazer as mesmas coisas porque somos iguais a Deus, mas sim que, se pedirmos, ELE fará! São coisas muito diferentes!

Nesse mesmo Evangelho, o mais místico (João), ele continua:


"Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo, de si mesmo, não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como um ramo, e secará; tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito."
(João, 15)

Mais claro, impossível! Existem muitas e muitas outras passagens nesse sentido, nos Evangelhos. Jesus deixa muito claro, o tempo todo, que os seres humanos são como
o sal: por ele mesmo não tem valor; mas se misturado e usado na medida certa, se torna a própria essência da vida...

Então, o erro que eu vejo no raciocínio dessa postagem é querer associar essa idéia panteísta de que "tudo é Deus" com a mensagem de Jesus. Nada mais distante da verdade! Jesus nunca disse nada que nem de longe lembrasse essa idéia.

Cada um de nós tem a perfeita liberdade de acreditar no que quiser, de escolher o que seguir e o que rejeitar. Mas desvirtuar as palavras de um mestre, qualquer que seja ele, para adequá-las ao seu ponto de vista, como fazem tantos autores, isso não é honesto, não é coerente; não é a postura de um estudante autêntico. Essa postura é maliciosa, interesseira, contaminada...

O buscador tem que ser puro, investigar com um coração aberto, livre de idéias pré-concebidas, pronto para aceitar a Verdade seja ela qual for. Muitos se esforçam não para encontrar e entender a Verdade, mas sim para confirmar os seus pontos de vista individuais, para se manterem numa certa zona de conforto pessoal. - A partir daí, passam a adaptar tudo o que encontram para justificar as suas crenças. Nesse caminho, distorcer o que disse Jesus é uma prática muito comum... Diria que é a favorita de 10 entre 10 pseudo-místicos e panteístas. E, bem, pra quem estudou realmente a fundo o que Jesus diz nos Evangelhos, certas afirmações são simplesmente ridículas.

Veja, o problema do panteísmo não é afirmar que "somos Deus e Deus somos nós", porque isso, num certo sentido, é verdade. O problema é dizer que Deus é SÓ isso. Essa é apenas uma forma elegante e poética de ateísmo, se você pensar bem. Eles não dizem que “Deus não existe”, mas dizem que não existe Deus a não ser a natureza: eu, você, as nuvens, os cães, os pássaros. – A mesma coisa dita de um modo diferente! - Ora, se eu sou Deus e se não há outro Deus além de mim mesmo, para que serve a oração? Por que Jesus ensinou a orar? Para quem vou orar? Para que serve a meditação, e por que me preocuparia em buscar aperfeiçoamento? Pra que vigiar e orar? Para que servem as práticas espirituais, para que buscar o Amor?? Se eu sou Deus, ora, eu me basto!..

Deus é imanente (está em tudo), mas é também, e principalmente, eu diria, transcendente (está além de tudo que conhecemos). - Aliás, o termo "transcendental", no começo do texto foi usado equivocadamente. - E quando leio afirmações essas, sinto a responsabilidade de deixar o meu testemunho pessoal: em todas as minhas experiências místicas, - e eu tive experiências MUITO intensas MESMO, - eu experimentei a Energia Infinita que fluía de fora para dentro de mim, e que daí se expandia e passava a extravasar o meu próprio ser, de dentro para fora. A experiência e o sentido de uma Força Infinita, incompreensível e EXTERNA, que entra em COMUNHHÃO com o meu interior finito, é inquestionável. E foi somente nesse momento que eu senti o meu próprio eu chegando, aí sim, mais próximo do Infinito, do Cósmico, do Universal.

Há uma centelha divina em cada um de nós. Até poderíamos dizer que somos como "deuses", cada um de nós, num sentido metafísico. Mas afirmar que nós é que somos o único Deus, e que não há outro Deus senão nós mesmos, continua sendo a mesma coisa que sempre foi: blasfêmia e viagem na maionese...



Mas isso não resume tudo.

A questão complicada, aí, é que a percepção trazida pela postagem NÃO está completamente errada. Há alguma verdade nela, e é por isso que existe tanta confusão nesses assuntos. - Sim, somos infinitos, somos divinos, o Reino dos Céus está dentro de nós e a nossa fé pode mover montanhas... Todas essas afirmações são verdadeiras e preciosas!

Mas a confusão começa quando o buscador, deslumbrado com essas percepções, descarta Deus! Ele começa a acreditar que, por ser divino, possuidor de um espírito infinito e glorioso, não precisa mais de Deus, e que Deus só pode ser ele mesmo... Não pode ser mais do que isso! Este sim é um pensamento limitado, da mente dominada pelo ego, que não consegue reconhecer que exista algo maior do que ela mesma.

Esse é o erro primordial, que até “grandes mestres” deste mundo cometeram.

Tudo que estou sugerindo é que se considere o que eu falei aí atrás, e que o buscador se esvazie e peça pela luz do Infinito antes de buscar por orientação. Tem muita gente por aí ensinando a “esvaziar a xícara”, o que é um conselho maravilhoso, mas com a sua própria xícara cheia de idéias pré-concebidas, até a borda. Muitas vezes, no caminho do buscador da Verdade, exatamente o que parece ser, não é, e o que não parece, é.



***


Depois disso, o Gugu mandou um email para o autor do texto com as minhas colocações, e este gentilmente respondeu aos questionamentos. Houveram réplicas e tréplicas, mas eu honestamente achei que a postagem e o primeiro comentário foram o suficiente para expor e representar esses dois pontos de vista diferentes com a clareza necessária. O que veio depois foram tentativas de confirmação dos dois lados, questionamentos quanto a quem está usando a razão, quem "sabe" e quem apenas "acredita", etc. Quem quiser ver tudo, basta visitar o belo blog do Gugu, o "Bem Vindo ao Templo!"

Já agradeci por lá e volto a agradecer aqui ao Gugu e ao Sr. Dárcio pela oportunidade de diálogo produtivo. Todos sabem que eu gosto muito de debater e dialogar sobre temas sagrados, para mim isso é extremamente gratificante. O Gugu é um cara que sabe separar bem o lado pessoal do campo das idéias, isso é uma qualidade rara. A maioria das pessoas que eu conheço se irrita e perde a linha quando confrontada nas questões de fé e crenças. Por isso, a minha amizade com o Gugu nunca ficou comprometida pelas possíveis divergências das nossas visões. Sempre acabamos aprendendo alguma coisa quando somos testados nas nossas convicções, no nosso saber, e isso é bom.

Espero que o diálgo seja de proveito para todos os buscadores. Apreciem, olhem para dentro de si mesmos, tentem compreender com o entendimento da alma. Ou não.



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Avião da Alitalia quase se chocou com OVNI

Fato ocorrido em 1991 divulgado somente hoje - BBC Brasil


O caso, divulgado pelo Ministério da Defesa britânico hoje, segunda-feira, 20 de Outubro de 2008, ocorreu em 1991 e foi investigado durante anos pela Autoridade da Aviação Civil e pelos militares. Acabou arquivado sem que se tivesse chegado a alguma conclusão definitiva, sem nenhuma explicação oficial.

Um avião de passageiros da companhia aérea italiana Alitalia quase se chocou com um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) quando sobrevoava a cidade inglesa de Kent, em 1991, de acordo com arquivos do Ministério da Defesa britânico divulgados nesta segunda-feira.

Assista às imagens

Segundo o registro, divulgado pelo Arquivo Nacional, o piloto do avião gritou "Olha isso, olha isso!" para o seu co-piloto ao ver um objeto castanho parecido com um míssil passar rapidamente por cima da aeronave.

De acordo com o capitão, o objeto teria passado a cerca de apenas 300 metros acima do avião. Logo depois da aparição, a torre de controle afirmou ao piloto que o único objeto identificado pelo radar estaria a cerca de 10 milhas náuticas atrás do avião da Alitalia.

Investigações das aviações civil e militar não conseguiram explicar o caso. Depois de determinar que o objeto não se tratava de um míssil, balão ou foguete, o Ministério da Defesa fechou a investigação.


Arquivos

O incidente em Kent é um dos 19 arquivos sobre aparições de OVNIS que cobrem os anos de 1986 e 1992 e podem ser baixados do site dos Arquivos Nacionais da Grã-Bretanha. O governo britânico deve liberar cerca de 200 arquivos sobre as aparições ao longo dos próximos quatro anos. Em maio, os primeiros oito arquivos foram revelados, cobrindo os anos de 1978 a 1987 (Não sou teórico da conspiração, mas sei que tem muita coisa escondida aí...).

Entre os arquivos revelados nesta semana está ainda o relato de um piloto da Força Aérea americana que teria recebido uma ordem de atirar em um OVNI que apareceu em seu radar enquanto sobrevoava a região de East Anglia, no leste da Inglaterra.

Há também uma carta de uma mulher, afirmando ser do "Sistema Planetário Sirius", que diz que sua nave caiu na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Para o especialista em OVNIs da Universidade Sheffiel Hallam, David Clarke, os documentos oferecem novas informações sobre aparições pouco conhecidas. "O assunto é deturpado por charlatões e lunáticos e por isso é um crime contra a carreira profissional ter seu nome associado aos OVNIs, o que é uma pena", disse ele (Pena mesmo. - Já andei falando disso por aqui...). "O Arquivo Nacional está fazendo um trabalho fantástico. Cada um pode ter a sua própria interpretação; agora é possível olhar para o material primário, - as coisas que o Ministério recebe todos os dias, - e formar a sua opinião", concluiu.


# Mais vídeos com imagens de OVNIS.



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Boas Novas: Reino dos Céus

Continuando agora a nossa série de postagens sobre Jesus Cristo e o Cristianismo, do ponto em que havíamos parado, o capítulo 5 de Matheus.

Começamos do começo, como sempre, revendo o princípio da história do Messias Salvador, aquele que viria para unir, mas que declarou que a sua mensagem separaria os homens. - E acertou em cheio! - Aquele que muitos consideram Deus encarnado, outros o maior dos Profetas, ou um santo, ou um rebelde, ou um louco. Aquele personagem tão próximo e tão distante, tão conhecido e tão estranho que os Evangelhos anunciam como o "Verbo de Deus" manifestado no mundo dos homens.

A minha proposta foi que relêssemos esses antigos relatos como se estivéssemos conhecendo uma história nova, tomando conhecimento de uma nova notícia, porque esse é o caráter eterno dos Evangelhos, cuja expressão no grego sinifica exatamente isso: "Boas Novas"... Já entendemos que a expressão "pobres de espírito" poderia ser (e foi) melhor traduzida como "os que têm um espírito de pobre", e aprendemos o que significa isso, afinal. Já aprofundamos os nossos conhecimentos a respeito da importância do sal na história do mundo e da humanidade e refletimos sobre as enormes implicâncias de sermos considerados como o "Sal da Terra".

Agora chega a hora de partirmos para novos aprendizados, novas percepções, buscar transpor novas fronteiras. Jesus continua falando, naquele que popularmente ficaria conhecido como o "Sermão da Montanha"...




"Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruir, mas cumprir.

Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Lei um só 'j' ou um só 'traço', até que tudo seja cumprido.

Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus.

Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus."



Essa passagem é mais uma daquelas que faz muita gente coçar a cabeça... Primeiro, Jesus diz que não veio destruir (ou revogar) a Lei judaica, mas cumpri-la!? Isso causa alguma confusão, porque tudo que ele ensina parece contrariar o que ensinavam os mestres da religião dos judeus. Você sabe alguma coisa a esse respeito?

Depois ele segue afirmando que os que descumprirem a Lei e ensinarem outros a fazerem o mesmo, serão menores no Reino dos Céus. Ele não diz que essas pessoas não entrarão no Reino, mas sim que serão menores no Reino...

Mas, logo depois, conclui dizendo que se a nossa justiça não for maior que a dos escribas e a dos fariseus, de modo algum entraremos no Reino. - Em outras palavras, ele parece contrariar o que acabou de dizer no verso anterior: os que forem menos justos que os fariseus não entrarão no Reino... Para uma análise mais aprofundada desta afirmação, é muito importante manter em mente que naquela época os fariseus eram considerados o "supra sumo" dos mestres judeus. Eles eram os mais respeitados dos homens, considerados os mais santos, os mais sábios, os mais perfeitos seguidores da Lei de Moisés. Por isso, provavelmente muitos ouvintes do Cristo se assustaram ao ouvir a afirmação de que teriam que ser mais perfeitos do que os fariseus para poderem entrar no Reino...

Só mais uma coisa, por enquanto: o que vem a ser, afinal, o Reino dos Céus a que Jesus tanto se refere nos Evangelhos?

Boas reflexões, boa meditação; aos que estiverem dispostos a se dedicar ao tema uma boa contemplação. Que a Luz atinja a todos, inclusive a mim. Um final de semana perfeito para cada um de você que vêm aqui ler sobre a maior de todas as artes...



Tradução "Almeida Revisada Imprensa Bíblica"



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21 gramas: o peso da alma?

Cena do filme '21 Gramas'"

Em 1907, o cientista norteamericano Dr. Duncan MacDougall, de Haverhill, Massachusetts, conduziu experimentos para tentar provar que a alma tem uma massa mensurável e, como conseqüência disso, que ela é material em algum nível muito sutil.

Ele então desenvolveu e construiu, em seu laboratório, uma espécie de leito especial em cima de uma balança de alta precisão, para que pudesse mensurar cada perda de peso de seus pacientes. O instrumento de trabalho de MacDougall era como uma enorme balança de dois pratos. De um lado, ficava o paciente em estado terminal, deitado em uma cama. Do outro, eram colocados pesos equivalentes.

Seus testes foram realizados com 6 pacientes em estado terminal. - Quatro tuberculosos, um com diabetes e um doente não especificado. - Ele os observou antes, durante e depois do processo da morte, e mensurou cada mínima perda de peso dos pacientes.

Ele teve o cuidado de eliminar cada causa fisiológica para a perda de peso. Os pacientes perdiam peso a uma taxa de 28 gramas por hora. A medida utilizada era a onça, e cada paciente perdia uma onça por hora (uma onça tem 28 gramas), devido à respiração e também à evaporação do suor. Após um período de 3 horas e 40 minutos, um dos seus pacientes morreu e, no exato instante da morte clínica, a balança registrou uma perda de 21 gramas.

A causa da perda não poderia ser devido a respiração e evaporação do suor, pois a taxa de perda de peso por esses fatores já havia sido determinada. O paciente também não urinou ou defecou, até porque seus excrementos permaneceriam em cima da cama-balança.

Havia ainda uma outra possibilidade para a perda de peso, que seria o esvaziamento completo dos pulmões. MacDougall subiu na balança e inspirou e expirou o mais forte que pôde, e nenhuma modificação considerável na balança foi registrada. Analisando os fatos, como explicar a perda de peso súbita do paciente?

Um fator curioso da experiência de MacDougall foi que ele repetiu os mesmos experimentos, cuidadosamente, com 15 cachorros, e observou que os resultados davam negativo, ou seja, não havia nenhuma redução do peso no caso dos cachorros morrendo! Como cristão, MacDougall acreditava que a alma é a forma metafísica do homem, e que os animais não possuem uma alma racional igual a dos humanos.

Em Março de 1907, os resultados do experimento de MacDougall foram publicados no jornal "The New York Times" e também no jornal de medicina "American Medicine".

A primeira cobaia do doutor foi o homem com tuberculose, o que ficou sob a sua observação durante as 3 horas e 40 minutos e que perdeu em média 28 gramas por hora antes da hora da morte. Quando, repentinamente, o sujeito morreu, segundo o médico o prato da balança subiu, registrando a perda dos famosos 21 gramas. "No instante em que a vida parou, o lado oposto caiu tão rápido que foi assustador", disse o médico ao "The New York Times".

O peso registrado nos outros pacientes foi diferente. O segundo teria perdido 46 gramas. O terceiro, 14 gramas e, alguns minutos depois, mais 28. Com outro, o ponteiro da balança desceu e depois subiu de novo. Segundo o médico, a diferença tinha a ver com o temperamento de cada um. "Um dos homens era apático, lento no pensamento e na ação. Nesse caso, acredito que a alma ficou suspensa no corpo, depois da morte, até se dar conta de que estava livre."

Na época, Mary Roach escreveu o seguinte, em sua coluna do New York Times:

"De acordo com Dr. Augustus P. Clarke, MacDougall falhou por não ter levado em consideração o súbito aumento da temperatura corporal durante a morte, quando o sangue pára de ventilar os canais pulmonares. Clarke disse que o suor e a evaporação pela respiração, causadas pelo aumento da temperatura, deveria contar em ambos os casos, na perda de peso do homem e na ausência da perda nos cachorros (os cachorros se autoventilam ao ofegarem, e não ao transpirarem)."


Mas MacDougall rebateu, lembrando que sem a circulação o sangue não pode ir até a superfície da pele, e então não há ventilação. - O debate continou acirrado de Maio até Dezembro daquele ano.


Seguem as anotações pessoais de MacDougall, da época em que foram realizados os experimentos:

Paciente 1 - "De repente, coincidindo com a morte (...) o peso decresceu 21 gramas."

Paciente 2 - "A perda de peso foi de aproximadamente 14 gramas. Meu companheiro verificou e descobriu que o coração tinha parado. Eu tentei novamente e a perda de peso foi, dessa vez, de 32 gramas."

Paciente 3 - "Meu terceiro caso mostrou 14 gramas de perda coincidindo com a morte, e uma perda de 28 gramas após mais alguns minutos."

Paciente 4 - "Nossas escalas infelizmente não estavam ajustadas, e houve alguma interferência de pessoas que não estavam satisfeita com meus estudos. Eu declaro que esse teste não teve valor."

Paciente 5 - "Esse caso mostrou uma perda de 10,5 gramas no momento da morte."

Paciente 6 - "Este último teste não foi confiável. Esse paciente morreu aproximadamente 15 minutos depois de ser posto na balança, enquanto eu ainda estava ajustando as medidas."


MacDougall admitiu, algum tempo depois, que os seus estudos não comprovavam nada definitivamente, e que seria necessário repetir muitas vezes os experimentos para se ter certeza de alguma coisa.

No dia 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava a morte do Dr. Duncan MacDougall com o título "Ele pesou a alma humana". - E quase um século depois dos experimentos, em 2003, o assunto virou título de filme cult do mexicano Alejandro González Iñárritu...

Duas coisas me chamam a atenção: que ninguém mais tenha tentado repetir essas célebres experiências até hoje, agora com as novas tecnologias de que dispomos. E que até hoje não se tenha encontrado uma explicação convincente para esse fenômeno.



Fontes:
Site
Sinopes.Com;
Revista Superinteressante edição 198;
Wikipédia revisado.



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O Sal da Terra

Por que dediquei toda uma postagem a falar do sal? Fiz isso para que a sua importância ficasse clara, e assim fosse mais fácil entender a nossa grande responsabilidade! Há um trabalho a ser feito nesta Terra, nesta vida, e ele só pode ser feito por nós mesmos. Nos cabe fazer tudo que estiver ao nosso alcance para tornar esta vida melhor, e este mundo um lugar melhor. Por que somos como o sal da Terra.

Qual é o valor do sal? Apesar da sua grande importância, o sal por si só não tem qualquer valor; ele não é, sozinho, alimento. O sal é uma substância que, isolada, não tem nenhuma qualidade. Se consumido puro, destrói o paladar. Se colocado na terra, a esteriliza. Em contato prolongado com a pele, a corrói. O sal não tem cor. Não tem cheiro. Não tem forma. Desaparece nos líquidos. - Sua grande utilidade e serventia está em ressaltar o sabor dos alimentos. No entanto, em excesso essa substância se torna danosa.

Mas o sal, quando misturado, vem a ser a alma do mundo! A vida não existiria sem o sal. A vida não teria forma, os alimentos não teriam sabor. A própria terra necessita do sal para produzir. O sal é indispensável à vida: a água de dentro dos tecidos vivos movimenta-se pelas diferenças de concentração do sal; o corpo humano retém a água devido ao sal que contém; as células vivas preservam uma concentração de sal. - E o Cristo nos diz que somos nós o Sal da Terra!


Somos o sal da Terra. Como o sal, o ser humano precisa se misturar, - com os outros, com o mundo e com a vida, - para fazer sentido. Toda a sua imensa potencialidade só tem valor se ele interagir com a vida. Concentrado em si mesmo, pode se tornar destrutivo. O homem que vive enclausurado dentro de si, apenas para os seus pensamentos, isolado em seus desejos e manias, torna-se como um escravo, um destruidor da Terra. Mas, misturado, interagindo com os outros seres, mesmo que em pequenas quantidades, torna-se capaz de executar grandes coisas, grandes "obras", que sem ele não existiriam! Como o sal, somos nós que damos sabor à Terra! E, assim como o sal, se não nos relacionarmos com tudo e com todos, perdemos o sentido do ser!

Devemos viver de verdade a vida na Terra, intensamente, plenamente; - abundantemente, como diz o mesmo Mestre. - Devemos nos relacionar uns com os outros. Nos relacionamentos é que se manifesta o valor do Sal da Terra. De nada adianta sermos o sal se não dermos sabor à vida... De que serviria a vida se não fosse vivida, - de que serviria o sal insosso?

"Vós sois o sal da Terra, se o sal for insípido, com que se há de salgar?" - Como sempre costuma fazer, e por isso é tão inquietante, Jesus deixa essa pergunta propositalmente sem resposta. Se não fosse o homem no mundo, o que existiria? Com que se haveria de salgar este planeta Terra?.. O mundo existe em relação à nossa consciência; sem o ser humano não há existência! O Cristo diz que esse relacionamento não pode ser insípido, não pode ser morno: deve ser frio ou quente! Este é o tempero da Terra.


Porém, as grandes quantidades de sal tornam tudo estéril, como estamos vendo em nossos dias, quando tanta gente tenta afogar suas mágoas em seus próprios desejos, vivendo só para si, sem se relacionar com os outros ou com o mundo. Vivemos a era do egoísmo, do culto ao deus "eu", uma época em que todos novamente se dizem uns aos outros: "Carpe diem!" - Aproveite! Compre! Consuma! Pense em si mesmo! Você merece! - Era exatamente o que se diziam os cidadãos romanos no período da decadência do Império Romano. Eles se divertiam, praticavam esportes, iam aos teatros, festejavam a individualidade em grandes orgias, se empanturravam de comida e de vinho... mas todo o Império estava desmoronando!.. Seu modo de vida foi se tornando cada vez mais individualista, cada vez mais fútil e superficial. E breve tudo ruiu, porque não havia mais nada por dentro dos cidadãos, tudo estava fundamentado na casca, e quando a casca é priorizada, o interior definha.

Quando o homem perde a conexão consigo mesmo e com o seu próximo, quando passa a acreditar que a sua felicidade está na satisfação dos seus desejos físicos e egóicos, é sinal que a ruína está próxima. A alma-ânima se vai; o Sal da Terra perde o sabor. - O homem existe para dar finalidade e beleza a tudo que existe, para ser o tempero e o sabor do mundo e da vida. Se ele não se misturar com o seu próximo e com o mundo, torna-se insosso, deixa de ter valor, deixa de ter sentido, torna-se destrutivo. Da mesma forma que uma montanha de sal.

Por pouco que nos consideremos, se este pouco for misturado, com Verdade e com Amor, aos outros e até às coisas deste mundo, faremos com que tudo seja grande e belo, que tudo tenha sentido. Da mesma forma que uma pitada de sal torna o alimento saboroso, mesmo o pouco que o homem seja capaz de fazer já é suficiente para fazer toda a diferença, transformar todas as coisas deste mundo.

O ser humano, enquanto ego, não vale nada por si mesmo; na medida em que se julgue "importante" vai se tornando como um monte de sal insosso. Precisamos urgente encontrar o nosso sentido na Vida, deixar de querer existir apenas para nós mesmos; esta é a raiz de toda a nossa infelicidade.

Jesus, o Cristo, nos diz:

"Ouvistes o que disseram os sábios: 'O inferno são os outros'. Eu, porém, vos digo: O poder de criar o inferno está em vós mesmos. Se desejais viver o Paraíso, procurai-o nos vossos próximos."


Não adianta procurar na Bíblia. Estas palavras não estão escritas lá, ao menos não textualmente. Mas está nas entrelinhas. Interpretar a Bíblia, sem olhar a realidade da vida, é o mesmo que manter o sal fora da comida, a semente fora da terra, a luz debaixo da mesa. É como um galho sem o tronco, um rio sem leito, os olhos sem o cérebro. Pois a Bíblia não é o primeiro livro que Deus nos escreveu, nem o mais importante. O primeiro livro é a Natureza, criada pela Palavra de Deus: são os fatos, os acontecimentos, é a História, tudo que existe e tudo que aconteceu, desde o princípio do Universo até hoje; é a realidade que nos envolve. Deus quer comunicar-se conosco através da vida que vivemos. E por meio dela nos transmite a sua Mensagem de Amor e Justiça. Há um outro livro sagrado que o Mestre nos dá a ler, todos os dias, e quem quiser pode ler esta e muitas outras preciosidades: o livro sagrado da alma, o livro sagrado das nossas consciências, o Livro da Vida Divina. E nesse livro sagrado, Jesus nos diz palavras preciosas, a cada um de nós.

Agostinho resumiu tudo isso da seguinte maneira:

"A Bíblia, o segundo livro de Deus, foi escrita para nos ajudar a decifrar o mundo, para nos devolver o olhar da fé e da contemplação, e para transformar toda a Realidade numa grande revelação de Deus."


Por isso, quem lê e estuda a Bíblia, mas não olha a realidade do próximo que pede ajuda e nem vive pela justiça e pela fraternidade, é infiel a Deus e não segue a Jesus Cristo. É semelhante aos fariseus, que sabiam a Bíblia de cor mas não a praticavam. Quantos assim você conhece? Mas não nos cabe julgá-los, e sim mudar o mundo pelo nosso exemplo.

Tudo o que existe no mundo não valeria de nada, não teria finalidade, não teria sentido se não fosse o "Sal da Terra". Que a nossa vida seja uma eterna Ação de Graças ao Deus do Amor e da Vida, pela oportunidade de viver, de nos relacionarmos, de fazermos parte do Todo, de estarmos envolvidos em qualquer coisa que nos relacione como todos e com tudo. O pior de todos os males é a inércia. É o não fazer nada. É dispor dos dons de Deus sem usá-los, não usar os talentos de que dispomos. Vamos à luta de cada dia, enfrentemos as nossas dificuldades relacionado-nos com as pessoas e com o mundo, em paz, gerando harmonia à nossa volta.


"Vós sois o sal da terra! Para que se misturem, para que interajam, para que dêem sabor à Terra e à Vida! Vós sois o Sal da Terra e a Luz do Mundo! E a lâmpada não se coloca embaixo da mesa, mas no lugar mais alto, para que brilhe e ilumine a todos os que dela se aproximarem. Essa honra e essa responsabilidade são vossas! Ao trabalho!


HOSANNA! HALLELUJAH! AMEM.



§§§ §§§ §§§



O Sal da Terra - Letra de Beto Guedes




Anda, quero te dizer nehum segredo...

Falo nesse chão da nossa casa,

Vem que tá na hora de arrumar!

Tempo, quero viver mais duzentos anos...

Quero não ferir meu semelhante;

Nem por isso quero me ferir.

Vamos precisar de todo mundo

Pra banir do mundo a opressão;

Para construir a vida nova

Vamos precisar de muito amor!

A felicidade mora ao lado,

E quem não é tolo pode ver!

A paz na Terra, amor;

O pé na terra...

A paz na Terra, amor!

O Sal da Terra...

És o mais bonito dos planetas,

Tão te maltratando por dinheiro,

Tu que és a nave nossa irmã!

Canta, leva tua vida em harmonia,

E nos alimenta com teus frutos,

Tu que és do homem a maçã.

Vamos precisar de todo mundo,

Um mais um é sempre mais que dois;

Pra melhor juntar as nossas forças

É só repartir melhor o pão...

Recriar o paraíso agora

Para merecer quem vem depois;

Deixa nascer o Amor!

Deixa fluir o Amor!

Deixa crescer o Amor!

Deixa viver o Amor!



Este post é dedicado, com carinho, ao meu grande amigo e irmão de busca, "Gugu".



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O sal

Breve história do sal e a sua importância no inconsciente coletivo da humanidade

"O sal nasceu com a vida": a constituição das camadas geológicas subterrâneas do nosso planeta mostra que o sal apareceu nos depósitos mais recentes da crosta da Terra, tornando-se mais abundante à medida que a vida se organizava. Seu uso vem de tempos remotíssimos, sendo mencionado nos documentos mais antigos da humanidade. Sua importância perante os primeiros povos lhe deu lugar nos sacrifícios religiosos e também fez dele um símbolo de união e hospitalidade. Para transportá-lo das fontes de extração para os lugares afastados abriam-se estradas especiais: pela Via Salária, faziam os albinos vir o sal que consumiam. Nos primeiros tempos da civilização, quando não havia a moeda como instrumento de valor e troca, usava-se a pitada de sal como expressão de valor. Na África e Ásia, usavam sal de rocha ou sal-gema. Seu valor era tão grande que era com ele que se pagavam os soldados romanos, remunerados com o "soldo", isto é, o sal, na época uma comodidade rara e difícil de conseguir, de onde vem a palavra "salário" e também a própria palavra "soldado", usadas até hoje.

Definição comum do cloreto de sódio, o sal é um corpo produzido pela substituição total ou parcial do hidrogênio ácido por um metal ou por um radical básico. Nossos corpos precisam dele. A Organização Mundial de Saúde (WHO-OMS) recomenda uma dose diária de até 5,5 gramas de sal, o equivalente a uma colher de chá, nunca mais do que isso. O homem pré-histórico obtinha a sua dose graças à carne crua de suas caças. Foi a passagem para a agricultura e para uma alimentação à base de grãos que introduziu a necessidade de um complemento. O sal teve grande impacto também na história das civilizações: graças ao seu poder de conservar os alimentos, ele facilitou a sobrevivência e a mobilidade das populações. Desde a antiguidade, pescadores já sabiam salgar o peixe para armazená-lo, tornando-o acessível longe do mar e durante o ano inteiro.

Nos rituais - O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Mas talvez nenhuma tradição lhe tenha dado tanto destaque quanto a judaico-cristã. O Antigo Testamento menciona o sal com frequência, ora no contexto da vida prática, ora simbolicamente. Sal significa, por exemplo, pureza e fidelidade. Mas é no Novo Testamento que a menção ao sal torna-se metafórica, quando Jesus diz: “Vós sois o sal da terra”.

No Batismo - Até o início da industrialização e em diferentes civilizações, o sal na mesa significou prestígio, orgulho, segurança e amizade. A expressão romana para exprimir a infidelidade a uma amizade era: “Trair a promessa e o sal”. Desde aqueles tempos, a ausência de um saleiro sobre a mesa representava um certo presságio, tanto quanto o sal derramado. Ao pintar sua famosa “Santa Ceia”, Leonardo da Vinci tratou de colocar diante de Judas um saleiro derramado...

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Lutero aboliu o sal do ritual de Batismo na religião protestante, no século 16, mas o seu uso perdurou no batizado católico até 1973, simbolizando a expulsão do mal e como um sinal de sabedoria sobre o recém-nascido. Ainda hoje, as batatas e ovos cozidos servidos no Pessach, a Páscoa judaica, são regados com água salgada que simboliza as lágrimas derramadas pelos judeus na travessia do deserto, durante a fuga do Egito.

Nas crendices populares e superstições - Daí ao folclore e às lendas populares, foi um pulo: o sal acabou por se tornar um ingrediente obrigatório para afastar demônios e feitiçarias... No Brasil, o tal "banho de sal grosso" pode ser uma expressão para designar proteção contra a inveja e o "mau-olhado". Recipientes com sal e uma cabeça de alho podem ser vistos com frequência não apenas nas casas, mas também no comércio, escritórios, etc...

Segue uma explicação do século 16 para os poderes anti-diabólicos do sal:

“...ele é a marca da eternidade e da pureza, porque jamais apodrece ou se corrompe. E tudo o que o diabo procura é a corrupção e a dissolução das criaturas, tanto quanto Deus doa a criação. Daí a obrigação, pela lei de Deus, de colocar sal na mesa do santuário…”

De um demonólogo francês anônimo


Diversos povos da antiguidade atribuíram ao sal poderes afrodisíacos e alguns acreditavam que a sua carência reduziria a potência sexual e/ou a fertilidade masculina. Uma gravura satírica francesa do século 16 mostra mulheres de diversas classes sociais numa atividade insólita: debruçadas sobre maridos sem calças, que esperneiam, aprisionados em barris, enquanto elas esfregam com sal, vigorosamente, suas partes íntimas. Auh!..


Até hoje é grande o número de lendas e crenças em torno do sal. Algumas delas:

§ O saleiro passado de mão em mão a outra pessoa da mesa traz má sorte. Algumas pessoas nunca entregam o saleiro, mesmo que você pedir. Elas o colocam de volta na mesa, e quem quiser que pegue. No Brasil, os mais supersticiosos recomendam que o sal nem seja levantado da superfície da mesa. Então, usa-se um recipiente grande e você se serve com um colherinha. Nos Estados Unidos, existe o ditado “passe-me sal, passe-me sofrimento”;

§ Jogar sal afugenta os vampiros;

§ Usar um saquinho de sal pendurado no pescoço afasta os maus espíritos;

§ Derrubar sal traz má sorte, a menos que se jogue uma pitada por cima do ombro direito;

§ Para afastar maus espíritos, joga-se sal por cima do ombro esquerdo;

§ Cada grão de sal derrubado equivale a uma lágrima. Para evitá-las, leva-se imediatamente o sal derrubado para uma panela no fogo. Isso bastará para secar as lágrimas;

§ Emprestar ou pedir emprestado o sal (ou pimenta) destrói a amizade. É melhor oferecê-los e aceitá-los como um presente;

§ No oriente médio acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas, formam um vínculo. Por isso, usa-se sal para selar um contrato;

§ No Havaí, a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesma, para garantir que os maus espíritos que por acaso rondassem o defunto não a acompanhem em casa;

§ No Japão, espalha-se sal no palco antes de uma apresentação de teatro, para evitar que maus espíritos joguem pragas sobre os atores;

§ Em muitos países espalha-se sal na ombreira da porta de uma casa nova, para impedir a entrada de maus espíritos.

Bem, essas histórias até que são divertidas, pelo menos até que se comece a acreditar que são algo mais do que bobagens...



O sal e os seus efeitos na saúde

O sal é uma combinação de dois elementos químicos: o sódio e o cloro. O sódio é um metal tão instável que se inflama em contato com a água, e o cloro é um gás letal.

O resultado da combinação entre os dois elementos resulta no cloreto de sódio. O problema para a saúde está no sódio e não no cloreto. O sódio retém líquidos no organismo, elevando a pressão arterial, e facilitando assim, a deposição de gorduras nas artérias, que se dilatam. Isso pode levar ao infarto e há, assim, o risco de um acidente vascular cerebral. O consumo excessivo de sal pode também afetar os rins e piorar os sintomas da tensão pré-menstrual.

O processo no corpo é o seguinte: ao comermos muito sal, os níveis de sódio ficam altos no sangue. Aí, há a liberação de alguns hormônios, resultando na retenção de líquidos. Esta retenção pode aumentar o volume de sangue circulante e sobrecarregar o coração, elevando a pressão arterial. Os idosos devem ter mais cuidado. Com o passar dos anos, o organismo diminui a capacidade de eliminação de sódio, aumentando as chances de infarto e derrame.

Para controlar a pressão arterial, além de regular o sal, coma alimentos com fibras e ricos em cálcio e diminua a gordura animal saturada. O sal hipossódico, que agora é moda, não é uma boa opção. Por ter sabor amargo, o usamos em maior quantidade, o que acaba tendo o mesmo resultado do sal tradicional.

A estimativa é que cada brasileiro consome 10 gramas de sal por dia, enquanto que o ideal seriam 5 gramas e o limite máximo do saudável 6 gramas. - Cada grama de sal de cozinha equivale à quatrocentos miligramas de sódio, o que nos dá um limite de dois mil e quatrocentos miligramas de sódio por dia. Mas o sal que adicionamos à comida no dia a dia não é o único culpado por essa dose de exagero. É importante ressaltar que o sal está presente em quase todos os alimentos que consumimos, sejam salgados ou não. Produtos industrializados, que comemos diariamente, como pães, queijos, cereais, bolachas e enlatados, têm sal nas fórmulas. Chocolates, achocolatados matinais, compotas de frutas, sorvete de baunilha, balas e bolos também têm sal. Leia o rótulo destes produtos e verifique a quantidade.

Na indústria da alimentação o sal é utilizado porque enriquece o sabor dos alimentos. Nos doces ele quebra levemente o gosto do açúcar. E é também um mineral com alto poder de conservação nas carnes e embutidos. - Agora que você já sabe que o sal está até nos doces, fique alerta na quantidade consumida. E, para prevenir doenças como hipertensão, o cuidado vai além de pegar leve na hora do tempero.

O sal de mesa tem 40% de sódio. O consumo excessivo de sal pode causar o aumento da pressão sangüínea e levar à hipertensão, responsável pelo infarto. Se a hipertensão não for controlada, podemos apresentar problemas como insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca congestiva. O sal que está nos embutidos pode colaborar com o tumor de estômago. O ideal seria que os hipertensos nunca ingerissem mais que dois gramas de sal por dia. Mas deixar de salgar a comida é uma medida extrema, pois o sal, consumido com moderação, é essencial para um mecanismo conhecido como bomba sódio-potássio, que regula a pressão sangüínea.

Uma boa dica é controlar o sal dos temperos, substituindo-o por salsinha, cebolinha, alho, cebola, louro e todas as ervas aromáticas, além do limão, temperos que além de perfumar o alimento, dão sabor e ainda fornecem ao nosso organismo antioxidantes, que previnem doenças e desaceleram o envelhecimento. Tente também não colocar sal na comida antes de experimentá-la. E prefira alimentos naturais, como verduras e frutas, que têm menos de 10 miligramas de sódio por porção.

Há dois tipos básicos de sal: o de rocha e o marinho. O sal de rocha é extraído de minas subterrâneas que foram formadas por lagos e mares que secaram há muitos anos. O sal marinho vem da evaporação da água do mar. Mas na prateleira do supermercado você vai encontrar muitas variações de sal. A maior oferta é a do sal refinado, chamado também sal de mesa ou de cozinha. É o mais usado no preparo de alimentos. De acordo com as leis brasileiras, para se evitar o bócio o sal de cozinha deve ter iodo. Procure esta recomendação na embalagem. Já na cozinha macrobiótica, o gersal e o sal marinho são muito utilizados. O gersal é um sal misturado com sementes de gergelim. O sal marinho muitas vezes é moído na hora.

Se você segue uma dieta de pouco sal, a melhor alternativa é o sal marinho, que por ser menos refinado tem o poder se salgar mais. Assim, com uma menor quantidade de sal, se consegue o sabor adequado. Já o "sal light" deve ter indicação médica para ser consumido, principalmente se você tiver problemas cardiovasculares. O sal grosso é o usado nos churrascos. Ele é consumido na forma que vem da extração, sem ser refinado, mas não contém iodo. Com granulação mais grossa, o "sal kosher" é extraído de mina ou do mar, mas precisa da supervisão de rabinos.

Mais difíceis de encontrar são o sal defumado, o de Guérande e o sal de aipo. O defumado tem sabor e aroma diferenciados. O Guérande, extraído na cidade francesa que dá o nome, é considerado o melhor do mundo. O de aipo é aquele sal tradicional de mesa misturado a grãos de aipo secos e moídos.



Fontes: Dra. Shirley de Campos - Medicina Avançada.Com;
Norsal.Com;
Saúde.Sapo
;
Dieta Adequada.Com.

Texto "O sal e os seus efeitos na saúde" produzido por Michelle Tomé, Jornalista. - Fonte: Dra. Waldinez S. Nogueira - Nutricionista




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