Consumação

Um outro recomeço - parte I




Nós nunca sabemos o que estará escrito nas próximas páginas do livro da nossa vida. Não há como prever o que acontecerá no próximo capítulo... E se por um lado essa realidade pode parecer um pouco assustadora, já que nem sempre as surpresas que nos aguardam são aquelas com as quais estivéramos sonhando, por outro, tente imaginar como esta vida seria chata se não fosse assim, se tudo estivesse sob o nosso controle todo o tempo, se não existisse o fator imponderável... Como é bom poder se surpreender, de vez em quando! Principalmente quando temos em mente que “todas as coisas conspiram para o bem daqueles que amam a Deus”...

Este post é para falar de uma extraordinária experiência pessoal minha. A maior de todas. Depois dela, minha vida mudou; eu mudei radicalmente, definitivamente e para sempre. Talvez nem tanto aparentemente, mas uma profunda mudança ocorreu no meu interior, e essa mudança vêm se refletindo aos poucos, em todos os meus atos, nas minhas falas, nos meus gestos... Tenho perfeita consciência de que eu nunca mais voltarei a ser o mesmo de antes.

Eu recebi a dádiva mais preciosa de toda a minha vida. Algo que, direta ou indiretamente, eu esperava desde que me conheço por gente. Algo pelo qual ansiava, que pedia nas minhas orações e balbuciava após as minhas meditações, o que sempre mentalizei ao elevar meus pensamentos a Deus, à Luz, ao Amor divino...

Qual a sensação de se ganhar um prêmio milionário na loteria? Melhor, imagine uma pessoa muito pobre, que viveu toda a sua vida entre abstinências forçadas, frustrações, humilhações, desejos sufocados... De repente essa alma sofredora descobre que de uma hora para outra está rica, milionária, que nunca mais terá que sofrer humilhações nesta vida, que nunca mais precisará passar por privações materiais, não será nunca mais uma devedora e nem se sentirá mais diminuída diante dos arrogantes. - O que eu ganhei me fez e faz sentir algo parecido com isso, porém muito maior. - O que eu recebi foi a confirmação e a consumação de toda a história da minha vida, de tudo que eu contei na primeira fase do ”a Arte das artes”; a conclusão perfeita daquela história, depois de todos esses anos. Aquele menininho de 5 anos que queria encontrar Deus obteve, enfim, o seu prêmio.

Falei que a vida é surpreendente, porque é assim que a minha vida sempre acontece: os grandes momentos da minha existência são sempre muito diferentes daquilo que eu cuidadosamente imaginava. - A Vida costuma me pegar de surpresa, me arrancar impiedosamente do meu mundinho de convicções pré-moldadas e me arremessar, de modo abrupto, absoluto e estonteante, num outro mundo, numa nova realidade... Onde volto a dar de cara com o mesmo Eternamente Novo! - E assim eu renasço, revigorado. E... puxa, se isso não pode ser descrito como nascer de novo, o que poderia?.. Não entendeu nada, até agora? Continue a leitura...


Mais uma convicção que se vai...


Na verdade já há algum tempo (quatro meses e seis dias, para ser exato) que eu venho ensaiando para compartilhar com você, leitor, a maior e mais arrebatadora experiência mística/transcendente que eu já vivi em toda a minha história até aqui. Tenho me sentido ansioso para dividir isso, e esse desejo aumentou e foi se tornando mais forte a cada dia, mas algo me impedia de fazê-lo. Cheguei a deixar algumas dicas, em conversas no espaço para comentários deste blog, e até prometi que falaria sobre isso, mas aguardava o momento de poder fazê-lo, às claras. Os que me conhecem há mais tempo podem ter achado que eu estava fazendo um certo suspense antes de postar. - Tudo bem, eu tenho mania de fazer isso, às vezes; mas não desta vez. - A verdade é que este post demorou bem mais do que eu imaginava, em princípio; e até hoje eu não compreendia o porquê disso, mas essa é mais uma das maravilhas que envolvem a história toda: eu sabia que ainda não era chegada a hora de falar, mas não sabia qual a razão. Até hoje. Porque hoje eu entendi. Entendi tudo. Inclusive a razão da longa espera.

Honestamente, não estou certo se serei capaz de compor esta narrativa da maneira ideal. Porém, sem querer parecer pretensioso ou místico em excesso, sei que os que estiverem prontos, quando estiverem prontos, entenderão. Sinto, espiritualmente (olha que nunca fui de falar assim), que algumas mentes se abrirão ao ler o que vou escrever, que algumas almas poderão chegar mais perto de certas compreensões, por intermédio deste texto, e esta é uma emoção sublime. Entendo agora que alcancei um patamar mais alto na minha busca; encontro-me hoje trilhando sendas mais elevadas do que quando comecei a escrever neste blog. - E não falo isso com orgulho. - Não sou melhor nem pior do que nenhum dos que vêm ler o que escrevo aqui; nem sou diferente. – Sou só um atrevido que ousou bater, e a porta se abriu! Mas sei que ela pode voltar a se fechar, e eu voltar à minha antiga condição, muito facilmente. Basta que eu não cuide de mim, basta deixar de vigiar e orar... E isso me preocupa, porque eu sou relapso por natureza... Desculpem-me por este longo preâmbulo, mas ele era necessário. Agora vamos direto ao assunto...





A experiência começou no dia 20 de abril deste ano, mas só veio a se consumar, por assim dizer, e a fazer completo sentido para mim, hoje, há pouco mais de duas horas, - aproximadamente às 12 horas e 10 minutos (comecei a escrever esta postagem na última quinta-feira, dia 21 de Agosto, às 14h24min: levei quatro dias para concluir esta primeira parte - vide a data no cabeçalho e o horário ao final da postagem).

Mas para contar o que foi a experiência, preciso reafirmar o que eu já disse tantas vezes, no espaço para comentários deste blog e também em e-mails que troco com amigos: que apesar de atualmente exercer a minha busca e a minha espiritualidade como um cristão católico, eu nunca deixei de ter problemas e dificuldades com essa coisa de religião formal. Já declarei que às vezes “brigo” com Jesus, - exatamente quem eu sempre acreditei ter me chamado a posseguir com a minha busca dentro de uma religião específica, às vezes justamente por ter me chamado a este duro caminho. Porque apesar de ter me trazido muita Graça, muitas alegrias e aprendizados preciosíssimos, por vezes sem conta também achei que este caminho não combinava comigo, com a minha personalidade e o meu jeito natural de ser. E as principais razões para isso são as teológicas.

O dia 20 de abril, dia em que tudo começou, foi um domingo ensolarado aqui em São Paulo. Um domingo que parecia comum para mim... Mas, bem, será que eu deveria achar tão comum ou normal viver uma fé com dúvidas, só por achar que é a coisa certa a ser feita? Mais certo não seria agir com 100% de honestidade para comigo mesmo e com todos e assumir as minhas dúvidas e dificuldades? Este era o dilema que eu vivia, e o fato é que já há algumas semanas antes eu vinha atravessando uma fase de profundos questionamentos na minha fé. Não é fácil ser católico... Muitas coisas incomodam um racionalista de boa linhagem como eu. Não sou do tipo que se preocupa com certas posturas papais, dogmas controversos, legislação canônica e esse tipo de coisa, porque a própria Igreja ensina que o mais importante é seguirmos a nossa consciência:

"A unidade do homem tem um órgão: a consciência. Foi uma ousadia de São Paulo afirmar que todos os homens têm a capacidade de escutar a sua consciência, separando assim a questão da salvação da questão do conhecimento e da observância da Lei-Torah, e situando-a no terreno da comum exigência da consciência, em que o Deus único fala e diz a cada um o que é verdadeiramente essencial na Lei: 'Quando as gentes, que não têm lei, cumprem naturalmente as prescrições da Lei, são lei para si mesmos, demonstrando que têm a realidade dessa Lei escrita no seu coração, segundo o testemunho da sua consciência... (Conf. Carta aos Romanos, capítulo 2)."

Papa Bento XVI - "Joseph Ratzinger - uma biografia", Pablo Blanco (Ed. Quadrante)


Captou a mensagem? Como se vê, esse papa está a anos-luz de distância do monstro retrógrado que a mídia e a imprensa anticristã gostam de pintar. Mas, mesmo que a Igreja não dissesse isso, eu continuaria pensando assim, porque eu sei que é assim que as coisas são. Neste exato momento me recordo que esta foi uma das primeiras coisas que o Padre Aldo me disse no dia memorável do meu reencontro com o Cristianismo, que eu contei aqui. - Ele me disse: "A sua consciência e o que diz a Igreja são duas coisas que devem andar sempre juntas. Mas a Igreja, na pessoa do padre, dos teólogos, também erra, às vezes; então, nos casos específicos e pessoais seus, nunca deixe de procurar o que Deus diz à sua consciência, diretamente...".

Bem, eu sei e muita gente sabe que nem sempre foi assim, dentro da Igreja... Mas as coisas estão mudando, e para muito melhor. Sacerdotes maravilhosos estão chegando, novos pastores de almas com novas maneiras de entender e exercer a doutrina do Cristo, que é eterna e nunca muda, "mas o nosso jeito de entender e interagir com a Verdade eterna, isto sim muda, evolui sempre! Nós aprendemos e nos aperfeiçoamos através da História, e é assim que tem que ser". - Esta é a fala de um outro padre muito querido por mim, chamado Marcelo A. M. Monge... Esta foi a Igreja pela qual me apaixonei.

Então, alguns questionamentos que sempre vêm à tona quando se fala em catolicismo, principalmente da parte daqueles que não o conhecem por dentro, para mim sempre foram detalhes que nunca me incomodaram em nada. - Os meus problemas com o catolicismo sempre foram outros, muitíssimo mais profundos, relacionados diretamente com aquilo que realmente interessa: o cerne da fé, a central razão de ser da doutrina. Não, eu não acredito em certas coisas e duvido de outras por ter me tornado católico, ao contrário: eu me tornei católico por acreditar em certas coisas e duvidar de outras. A Igreja não me disse como eu deveria pensar, mas foi a minha liberdade de pensamento que me levou até ela. - Continuo tão contestador como sempre fui.

Mas esse mesmo jeito contestador é capaz de criar problemas em todos os lugares. Claro que eu jamais iria aceitar tudo assim, sem mais aquela, mesmo acreditando que o próprio Deus me levou a determinado caminho. E para mim, o maior de todos os exemplos sempre foi a questão da "Presença Real na Eucaristia".

Para quem não sabe, no centro da fé cristã católica está a aceitação de que Jesus Cristo se faz presente, pessoalmente, literalmente, durante a Santa Missa, na hora da Consagração da Hóstia. Naquele momento, segundo a fé católica, aquela casquinha de pão deixa de ser pão para se tornar corpo vivo, humano e divino do próprio Jesus Cristo, não de uma maneira simbólica ou metafórica, mas literal. Isto é o que se chama “Presença Real”... E isto é dogma, ou seja, um princípio de fé absoluto, inquestionável. Se você não acredita nisso, é um direito seu e a Igreja manda não julgar, mas... nesse caso você não pode se considerar um católico.

Difícil, ha? Jesus, o Filho de Deus, "sem o qual nada se fez" (Ev. João 1, 1), desce do Céu para se tornar pão e se doar à humanidade, como forma de nos fortalecer, nos curar espiritualmente, entrando em íntima Comunhão (comum-união) com esses humanos mesquinhos e hipócritas?? Sim, está aí uma questão difícil, muito difícil, ao menos para mim... Eu nunca pude aceitar isso totalmente. Talvez tenha dito que acreditava, algumas vezes, mas lá no fundo... Soava absurdo demais para mim. Porque Jesus, sendo Um com Deus, se limitaria dessa forma?

E, veja, como eu disse, esse é o centro da fé católica, a base de toda a prática, sobre a qual toda a doutrina se apóia. - Depois de muito refletir sobre o assunto, cheguei à conclusão de que toda essa questão deveria ter mesmo muito mais a ver com simbolismos e analogias do que qualquer outra coisa, - mesmo sabendo que esse pensamento representa heresia para os católicos. Mas é que... não está em mim aceitar certas coisas assim (você já sabe disso...).

E uma possível verdade incômoda começou a surgir, bem dentro de mim, e a se fazer presente, cada vez maior e mais inconveniente: talvez eu não fosse assim tão católico quanto imaginara no princípio, afinal de contas. - Mesmo que eu não o quisesse reconhecer; por apego às boas amizades que fiz na Igreja; por causa das maravilhosas e grandiosas obras assistenciais das quais participei e que me tocaram tanto; por amor à beleza da liturgia e às práticas sublimes que tanto me ajudaram, em diversos momentos importantes da minha vida...


Não, não sou eu...


Será? Mas, se era assim, então por que tantos sinais me levaram à este caminho? Seria possível que toda a minha história de vida tivesse culminado num engano? Não. Disso eu tinha certeza. Algo estava muito errado...

Talvez toda essa passagem fizesse parte da minha jornada, mas agora a Vida estivesse começando a me dar sinais de que finalmente me levaria por outros caminhos, a tomar outros rumos, e se assim fosse, eu não deixaria de fazer o que fosse preciso, como sempre fiz, desde o começo de tudo. Como deixei bem claro na conclusão da primeira fase deste blog, naquela época eu tinha entendido "que Deus quer que eu prossiga com a minha busca dentro do catolicismo...” e também: "Mesmo não sabendo se será para sempre, sinto que encontrei o meu caminho. A partir de hoje, prosseguirei, na minha jornada pessoal, como um católico apostólico romano". Seguem alguns trechos da última postagem daquela fase:

Prosseguirei com a minha busca... - ...não sei se será para sempre... - ...prosseguirei minha jornada pessoal como um católico... - "A minha religião continua sendo a Verdade, sob qualquer forma em que se manifeste. Não pensem que eu algum dia vou me limitar sob qualquer rótulo...

Relendo tudo o que escrevi na época, percebo que era como se eu estivesse entrevendo o que viria a ocorrer, cedo ou tarde; como se eu pudesse prever, de algum modo, que nem tudo estava ainda perfeitamente encaixado.

Católicos "de carteirinha", os que nasceram e cresceram em família católica, e também os não questionadores, aceitam todo tipo de dogma tranquilamente, sem nenhum problema. Até porque o fazem superficialmente: sei até que muitos nem acreditam verdadeiramente em dogmas como o da Presença Real, mas... simplesmente aceitam, seguem a tradição: "Meus avós acreditavam, meus pais acreditam..." Muitos estão acostumados a exercer a sua espiritualidade como católicos, então, este é simplesmente o modo mais fácil para eles, o que dá menos trabalho. Mas eu? Ora, eu simplesmente nunca fui assim! Não eu. Para um questionador racional, algo assim tão místico como o Pão se tornando Deus, para nos sustentar, pode se tornar um grande problema. Para mim, fé e razão têm que caminhar juntas, senão eu não consigo...

Bem, eu estudei e sempre ouvi falar de diversos Milagres que ocorreram, e outros que continuam ocorrendo, envolvendo a Sagrada Eucaristia. - Verdadeiros atestados de autenticidade da Divina Presença na Hóstia Consagrada. Cheguei a publicar um dos casos mais antigos e conhecidos aqui mesmo, por ter sido muito bem e cientificamente estudado, mas depois parei com o assunto (que particularmente acho fascinante) para que este espaço não ficasse parecendo uma casa de pregação. A idéia por aqui sempre foi a de um espaço ecumênico, e já existem diversos sites e blogs católicos muito bem construídos na web, para quem procura esse tipo de leitura e orientação. O meu é para quem está buscando, para quem quer encontrar a Verdade, tenha ele(a) se definido por alguma religião formal ou não, qualquer que seja ela. Como disse o próprio Cristo, “são os doentes que precisam de médico, e não os sãos”. – Isto é, se você já encontrou todas as suas respostas, se você não precisa “curar” mais nenhum aspecto da sua vida; se você já encontrou a perfeita saúde espiritual, isto é, a perfeição, talvez no “a Arte das artes” você não se sinta muito em casa, porque por aqui sempre vai haver contestação. - A única coisa sagrada e intocável aqui é a Verdade, e só ela. Crenças pessoais e concepções humanas estão em segundo plano.

E então, bem, eu sei que entre esses casos de fenômenos supranormais, os populares milagres, envolvendo a Sagrada Eucaristia, há diversos que foram muito bem estudados, analisados exaustivamente à luz da ciência, documentados e comprovados por especialistas céticos de diversas áreas, ao redor do mundo. O Vaticano é extremamente rigoroso e exige todas as provas possíveis e imagináveis, que precisam ser incontestáveis, antes de declarar um Milagre dessa natureza como autêntico. Mas eu, mesmo tendo um conhecimento relativamente substancial a respeito de todas essas questões, sempre me senti um pouco (ou bastante) desconfortável com relação à fé na Presença Real durante a Eucaristia. Portanto, apesar de toda a minha história de vida e de todas as circunstâncias marcantes que me levaram a prosseguir o meu caminho dentro do catolicismo, havia sérios problemas de consciência a serem enfrentados...




> > Continuação


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Autocontrole e disciplina: Qual a diferença?

Um intervalo entre as postagens sequenciais sobre Jesus e os Evangelhos, para uma breve e conveniente reflexão trazida por "Dora", que escreve no interessantíssimo blog filosófico "Crônicas Atípicas", que acaba de entrar na minha lista de favoritos...


Yelena Isinbayeva: discilplina, autocontrole e... Wow!

Até hoje eu não havia pensado nisso direito. Mas há alguns segundos atrás é que cheguei em algumas conclusões acerca dessas duas palavras. A vida inteira me disseram que eu precisava de “autocontrole” como se isso fosse um produto que eu pudesse adquirir na farmácia mais próxima. Auto-controle no caso serviria pra me impedir de fazer coisas que eu quero fazer, mas não devo fazer. E eu, de fato, já tive autocontrole pra muitas coisas. Já me segurei pra não beber num dia em que estava particularmente deprimida. Já me controlei pra não arrastar a cara de uma amiga-da-onça vagabunda no asfalto quente. Já fiz o diabo pra não dizer certas coisas que ele não precisava ouvir. Não de mim. Enfim...

Ainda assim, autocontrole da forma que me falam parece que é uma ‘coisa’ meramente momentânea, algo que você decide ter na hora e não um comportamento de uma vida toda, de fato. “Autocontrole” pra mim, até hoje tem uma conotação negativa, algo que parece difícil, complicado, impossível. Pensei até que pudesse ser trauma. Lembro da minha mãe, gritando aos quatro cantos da casa, que eu precisava de “autocontrole” e esse maldito autocontrole nunca aparecia pra mim e eu ficava pensando: “Por que será?”. Aí acho que hoje meio que descobri por acidente que auto-controle é apenas uma qualidade decorrente de uma vida inteira de disciplina. Resumindo: não adianta querer aguentar o tranco, se você não tem estrutura nenhuma pra isso. Desista. Você nunca vai conseguir.

É bom poder enxergar as coisas de forma o mais holística possível. Não bebo quando estou deprimida, por que sei que beber pra afogar as mágoas, além de não resolver nada, pode me levar a falar/fazer muita merda. Ou seja, se eu bebo quando estou deprimida é por que eu quero de fato fazer merda, passar muito mal mesmo e chutar o balde. Eu não arrasto a cara dos outros no asfalto quente por que sou uma lady e não gosto de perder a razão. Nunca. Nunquinha. Prefiro “deixar por isso mesmo”, e os outros morram com suas consciências apodrecidas e atormentadas do que ter as minhas mãos sujas e ainda por cima ficar mal na fita. E eu não digo o que as pessoas deveriam fazer, por que não sou mãe, nem psicóloga, nem professora e isso de sujo falando do mal lavado é ridículo. Deixo a própria vida, a mestra dos mestres, ensinar.

Anyways.. Ontem eu optei por ter disciplina em alguns aspectos da minha vida. E ter disciplina implica em ter horários e se submeter a várias coisas que, a priori, não parecem agradáveis, mas com o tempo se tornam bons hábitos, e que com mais tempo ainda, se tornam qualidade de vida. Não busco um resultado imediato, mas uma garantia de uma vida melhor, mesmo que seja só daqui uns anos. Quero sumir com esse eu de hoje e reaparecer com uma outra pessoa, que as pessoas não reconheçam mais. E é exatamente isso que vou fazer.



Texto escrito por Dora, originalmente em 02/04/2007.



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Uma história nova - #2


Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto.

E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome.

Chegou, então, o tentador, e disse-lhe: ”Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”.

Mas Jesus respondeu: ”Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus”. 1

Então o Diabo o levou à Cidade Santa. Colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe:

“Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: ‘Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em pedra alguma”. 2

E Jesus respondeu: ”Também está escrito: Não ponha à prova o Senhor teu Deus”. 3

Novamente o tentador o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo, com toda a sua glória; e disse-lhe: ”Te darei tudo isto, todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”.

Então, afinal, Jesus lhe deu uma ordem: ”Vai-te, Satanás; porque está escrito: ‘Adores ao Senhor, o teu Deus, e só a Ele prestes culto’”. 4

Então o tentador o deixou. Surgiram anjos, e o serviram.




Jesus ouviu dizer que João fora preso, e retirou-se para a Galiléia;

Deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zabulom e Naftali;

Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:

“Na terra de Zabulom e na terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia das gentes;

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz. Sim, sobre os que viviam na região da sombra da morte, raiou a Luz.”
5




Desde então, começou Jesus a proclamar, e a dizer: “Arrependei- vos, porque chegou o Reino dos Céus”.

Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos, Simão e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: ”Sigam-me, e eu vos farei pescadores de homens”.

E eles deixaram imediatamente suas redes, e o seguiram;


Porque eles eram discípulos de João Batista, e este lhes testemunhara a respeito de Jesus, por ele batizado, dizendo:

"Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo".

Os dois discípulos, por terem ouvido isto de João, seguiram a Jesus.

Jesus, voltando-se a eles, que o seguiam, disse-lhes: "Que buscais?" E eles disseram: "Mestre, onde moras?"...

E ele lhes disse: "Vinde, e vede". E foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima.

No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Felipe, e disse-lhe: Segue-me.

Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Simão. Felipe achou Natanael, e disse-lhe: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e também os profetas: é Jesus de Nazaré, filho de José!"

Disse-lhe Natanael: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" - Respondeu Felipe: "Vem, e vê."

Jesus viu Natanael vindo na sua direção, e disse: "Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade".

Respondeu Natanael: "Mas de onde me conheces?" Jesus respondeu, e disse-lhe: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi; estavas debaixo da figueira".

Natanael, espantado, lhe disse então: "Mestre, tu és mesmo o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel!"

Jesus respondeu: "Só porque disse: 'Te vi debaixo da figueira', crês? Verás coisas maiores do que esta!". E disse-lhes: "Em verdade em verdade vos digo, de agora em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem".


Ao terceiro dia, fizeram-se bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e seus discípulos para a festa.

E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho"...

Respondeu-lhe Jesus: "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora".

Sua mãe então disse aos serviçais: "Fazei tudo quanto ele vos disser".

E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam entre oitenta e cento e vinte litros.

Disse Jesus aos serviçais: "Enchei de água essas talhas". E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: "Tirai agora, e levai ao mestre-sala". E levaram.

Logo o mestre-sala provou o que fora água, - não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que a tinham tirado, - e a água era agora vinho!

Chamou o mestre-sala ao esposo; e disse-lhe: "Todos servem primeiro o vinho bom, e quando todos já têm bebido bem, então serve o inferior, para que se não perceba; mas tu guardaste até agora o melhor vinho!"...

Jesus principiou assim os seus Sinais, em Caná da Galiléia, e manifestou pela primeira vez a sua glória diante dos homens.


Outra ocasião, de volta ao mar da Galiléia, Jesus viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.

Também estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram- no.

E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino dos Céus, e curava todas as enfermidades entre o povo.

Assim a sua fama correu também por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, os paralíticos... e ele os curou.

De sorte que o seguiam grandes multidões da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, e dalém do Jordão.


§§§


Se você prosseguiu na leitura até este ponto, você conheceu a introdução daquela que é considerada por muitos "a maior história de todos os tempos". Esse foi o início do Cristianismo, a maior e mais influente religião do planeta. - O desenrolar da história de Jesus, chamado o Cristo, você muito provavelmente já conheça. Mesmo assim, eu aconselharia uma releitura, pois todo livro lido novamente, com olhos novos, se revela um novo livro. E o que dizer dos livros que contam a maior de todas as histórias?

Daqui para a frente, o
Arte das artes prosseguirá com a sua enciclopédia das religiões num resumo da histórias do cristianismo. Breve...



Legenda: João - Marcos - Lucas - Matheus



Uma história nova

Esta é o início de uma nova história; leia-a como tal. Mesmo se você encontrar, talvez, algo nela que soe um pouco... familiar... bem, mesmo assim procure lê-la como se fosse a primeira vez. Porque é assim que ela deve ser lida. Como uma história eternamente nova.




No princípio era o Verbo,

E o Verbo estava com Deus,

E o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens; a Luz resplandece nas trevas. E as trevas não prevaleceram contra ela.


Voz daquele que clama no deserto: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus.”

Este é o anunciado pelo profeta Isaías. Ele diz: ”Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” 1

Seu nome era João, chamado o batista, que usava vestes de pele de camelo e um cinto de couro; se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. João era um asceta.

E saíam a ter com ele todos os da terra da Judéia e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, e diante dele se confessavam.

Ele dizia: "Depois de mim vem aquele que é mais poderoso do que eu; - de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das suas alparcas. - Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Santo Espírito.”

De todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações.



“Eu sou Gabriel, aquele que está sempre na Presença de Deus”


Antes de tudo isso, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi. O nome da virgem era Maria.

Entrou o anjo onde ela estava, e disse: ”Alegra-te, agraciada! o Senhor é contigo!”

Ela, porém, ao ouvir estas palavras, perturbou-se muito, e tentava imaginar o que essa saudação poderia significar.

Mas o anjo lhe disse:

"Não temas, Maria; és cheia de Graça diante de Deus!.

Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de JESUS.

Ele será Grande, e será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó,

E o seu Reino jamais terá fim."



Então Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, uma vez que sou virgem?"

Respondeu-lhe o anjo: "Virá sobre ti o Santo Espírito, e o Poder do Altíssimo te cobrirá com a sua Sombra; por isso, aquele que há de nascer será chamado Santo; Filho de Deus.

Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que chamavam estéril. - Porque para Deus nada é impossível."

Disse então Maria:

"Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra."

E o anjo se foi.


Maria preparou-se, e foi depressa para uma cidade da região montanhosa da Judéia, encontrar Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, seu bebê agitou-se em seu ventre. - Esse bebê era o próprio João, que se tornaria o batista. - Isabel, então, cheia do Espírito Santo, exclamou em alta voz:



"Bendita és tu entre as mulheres;

E bendito é o Fruto do teu ventre!

Mas como é que sou tão agraciada, ao ponto de me visitar a mãe do meu Senhor?

Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está em meu ventre agitou-se de alegria!

Feliz é aquela que acreditou que se cumprirá aquilo que te disse o Senhor!"


Então Maria disse:



"Minha alma engrandece ao Senhor;

O meu espírito se alegra em Deus,

Meu Salvador!

Pois atentou para a humildade da sua serva.


De agora em diante,

Todas as gerações me chamarão bem-aventurada.


Pois o Poderoso Deus fez grandes coisas em meu favor;

Santo é o seu Nome.

A sua Misericórdia se estende aos que o amam,

de geração em geração.

Ele realizou poderosos feitos com o seu Braço,

Dispersou os soberbos no mais íntimo do coração.

Derrubou reis de seus tronos, mas exaltou os humildes.

Encheu de boas coisas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos.

Ajudou a seu servo Israel, lembrando-se da sua Misericórdia

Para com Abraão e seus descendentes,

Para sempre, como dissera aos nossos antepassados."


Maria estava desposada por José, como visto, e o Anúncio de Gabriel aconteceu antes de se juntarem.

E como José, seu esposo, era justo, não queria infamá-la, por isso pensava em deixá-la, mas secretamente.

Mas, planejando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: ”José, filho de Davi, não temas receber a Maria por tua mulher, pois aquele que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS (‘Deus salva’); porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo lhe havia mandado, e recebeu sua mulher.

E, sem que tivessem mantido relações íntimas, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.


Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram alguns magos do Oriente a Jerusalém, que perguntavam pelo “nascido Rei dos judeus”, pois diziam ter visto a sua estrela no Oriente, e que tinham vindo a adorá-lo. - Adorar significa, antes de tudo, Amor incondicional e reconhecimento.

Mas o rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele os governantes de Jerusalém;

E, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde haveria de nascer o Cristo.

Responderam-lhe eles: ”Em Belém da Judéia; pois assim está escrito pelo profeta: ‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que, como um pastor, há de conduzir o meu povo.’” 2

Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera; e enviando-os a Belém, disse-lhes: "Ide, e perguntai diligentemente pelo menino; e, quando o achardes, me avisem, para que também eu vá e o adore".

Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto, quando no Oriente, ia adiante deles, até que se deteve sobre um certo ponto. Era o lugar onde estava o menino.

Ao verem eles a estrela, rejubilaram-se com grande alegria.

E entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.

Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

E, havendo eles se retirado, eis que novamente um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: ”Levanta-te, toma o menino e a sua mãe, foge para o Egito; e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.”

Levantou-se ele, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.

E lá ficou até a morte de Herodes, e assim se cumpriu o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho.” 3

Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente.

E mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos. Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias: “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem.” 4

Mas tendo morrido Herodes, eis que voltou um anjo do Senhor a procurar José no Egito, em sonho, dizendo: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino.”

Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia.

E foi habitar com sua família numa cidade chamada Nazaré. Cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: ”Ele será chamado nazareno.” 5


Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa;

E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.

Regressando eles, porém, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que o soubessem nem José, nem sua mãe.

Pensando, eles que vinha em companhia pelo caminho, andaram por um dia inteiro. E procuravam-no entre os parentes e conhecidos;

Mas não encontravam, e voltaram a Jerusalém em busca dele.

E aconteceu que, passados três dias, o acharam no Templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

E todos os que o ouviam admiravam a sua sabedoria e as respostas que dava; maravilharam-se.

Aproximando-se, disse-lhe sua mãe: "Filho, por que fizeste assim conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos".

E ele lhes disse: "Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar das coisas do meu Pai?"

Mas eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.

E o menino desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes obediente. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas...


Dezoito anos se passaram, chegaram os tempos de João, o batista, aquele que clama no deserto.

E os povos procuravam, confessavam seus pecados diante dele, e ele os batizava no rio Jordão.

E veio Jesus da Galiléia, ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.

Mas João o impedia, dizendo: ”Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”

Jesus, porém, lhe respondeu: ”Consente agora; porque assim nos convém cumprir a justiça”. E então ele consentiu.

Batizado que foi Jesus, saia das águas; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba, vindo sobre ele;

E eis que uma voz dos céus dizia:


ESTE É O MEU FILHO AMADO, SOBRE ELE ESTÁ A MINHA ALEGRIA





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Legenda: João - Marcos - Lucas - Matheus / Tradução "Almeida Revisada Imprensa Bíblica"



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O Caminho Místico


Retomando agora a série de postagens sobre Jesus e o Cristianismo...

Nos dias de hoje, quando se fala em espiritualidade, muitos pensam logo na espiritualidade mística. Esta é uma tendência mundial atual, acho que tem a ver com uma certa mudança sutil que anda em curso no Inconsciente Coletivo e acho também que seria adequado iniciarmos essa postagem com algumas definições anônimas diversas a respeito da Mística: o que é a Mística?


# "É a insistência de que tudo o que é... não é tudo!";

# "É o engajamento na busca do Deus-Mistério";

# "É a experiência de Deus";

# "Místico é tudo aquilo ou aquele(a) que, mediante a contemplação espiritual, procura atingir o estado de êxtase de união direta com a divindade";

# "O místico é alguém que vive do encontro pessoal com Deus";

# "O místico é aquele que aspira a uma União pessoal ou à Unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc.'...


Faço questão de não citar as fontes dessas definições curtas, porque quando se trata de entender o que é a Mística, não há o que se explicar, não interessa o nome de quem falou, onde está escrito... tudo que nos interessa, nesse caso, é a idéia em si e por si mesma. De qualquer modo, percebemos que as principais interpretações do termo não se excluem, não se anulam entre si, mas se complementam ou se aperfeiçoam.

A via mística está muito em voga nos dias de hoje, e a grande maioria logo pensa em procurá-la no Budismo, no Hinduísmo ou no Sufismo, entre outras tradições orientais. - Eu fui um desses. - Os que anseiam por uma espiritualidade mística, via de regra, nem sequer cogitam buscá-la no Cristianismo, e a “culpa” desse fenômeno, ao meu ver, é em grande parte das próprias igrejas, o que já é uma outra longa história.

Mas a verdade é que a tradição cristã sempre foi caracterizada por fortes correntes místicas. - A Mística estava presente na mensagem do Cristo desde o princípio. - O alemão Karl Rahner, um dos mais importantes teólogos do século XX, proferiu a famosa frase:


"O cristão do futuro será um místico, ou não existirá mais."


Rahner entende "um místico" como alguém que não apenas "ouviu falar" de Deus ou leu a seu respeito em algum lugar, mas o experienciou, e o percebe, vivenciando-o. Essa é uma bela definição do ser místico.

Quando acentuamos o Caminho Místico no Cristianismo, criamos, ao mesmo tempo, uma ligação com os místicos das outras religiões; pois os representantes da Mística, desde que estejam nesse caminho com uma real disposição e empenhados verdadeiramente na Busca, passam por experiências semelhantes entre si... Esses buscadores, independente da religião que professem, não apenas se respeitam como também se estimam uns aos outros, e não pensam em “converter-se” mutuamente. - E assim interpretam suas experiências cada um a sua maneira. - Há interpretações de fato bem diferentes de uma mesma realidade na Mística cristã, na hinduísta, na budista...

Ocorre que hoje há tão pouca clareza no uso da palavra “Mística” quanto no entendimento do conceito de “espiritualidade”. É muito fácil perceber que não são poucos os que se definem como "místicos" sem saber exatamente o que isso quer dizer. Mas os representantes da verdadeira Mística, em qualquer religião, sempre foram cautelosos quanto a se chamarem a si mesmos de místicos. Relataram suas experiências e o caminho da meditação ou da oração contemplativa, mas nunca sucumbiram ao perigo de se identificar com a imagem arquetípica do "místico".

Agostinho, assim como C. G. Jung, sempre vê na identificação com uma imagem arquetípica o perigo da vaidade. Ele entendeu que, quando não levamos em conta as nossas reais necessidades, nós as vivemos inconscientemente com maior intensidade. Segundo esses mestres, quando alguém se identifica com a imagem do "místico", vive a sua necessidade de ser alguém especial, importante, e muitas vezes o que está por trás desse desejo é a ânsia de ser notado e de se colocar acima dos outros: “Como uma ‘pessoa mística’, me torno mais interessante”... - Este não é um sentimento espiritual saudável.


“Infelizmente, vejo essa tendência hoje, em muitos que se afirmam místicos. Por isso, sempre tomo cuidado quando alguém me pergunta se sou 'um místico'. Estimo o caminho místico e realmente procuro segui-lo; todavia, nunca me chamarei ‘místico’.” - Anselm Grün


Na Mística Cristã há, sobretudo, duas tendências: a Mística da União e a Mística do Amor. Sem dúvida, não se podem separar nitidamente uma da outra; pois a Mística da União está compenetrada de Amor, e na Mística do Amor trata-se da União com o Bem-amado Cósmico. Mas nas duas tendências podemos distinguir alguns acentos diferentes.

Na Mística da União visa-se a experiência do ser puro. Em silêncio, uno-me com Deus. Em silêncio, torno-me Um com Deus e, ao mesmo tempo, um com o momento atual, um comigo mesmo e com tudo que existe. Nessa experiência de União, que na tradição se chama Comunhão, Deus não é mais experimentado como estando diante de nós, mas como fundamento de todo o ser. No Cristianismo, Deus é sempre ao mesmo tempo pessoal e suprapessoal. Não é eliminada a lembrança de Deus como “Vós”, mas ela fica em segundo plano.




A mística grega antiga era, sobretudo, uma Mística de União. O que aí se busca são experiências da Grande Presença. Enquanto estou totalmente neste momento, - o Agora, - totalmente unido com tudo o que existe, experimento, afinal, também a base de todo o ser: Deus, que me compenetra como sendo o Ser verdadeiro e Único. Para muitos que têm dificuldades com o Cristianismo, a Mística da União seria um bom caminho para entrarem novamente em contato com a sua própria base divina e, desse modo, se tornarem abertos para aquele Deus totalmente diferente e ao mesmo tempo tão igual, que não podemos compreender, mas sentir.

Na Mística do Amor trata-se, de um modo bastante feminino, do Amor a Deus que se aproxima da humanidade. A mística do Amor, praticada pelas “beguinas”, - mulheres que, sem pronunciar votos, viviam livremente em grupos espalhados pelos países baixos e Bélgica, na Idade Média (séculos XIII e XIV), - era sobretudo uma mística nupcial. Para elas, Jesus era o "noivo" que abraça a alma mística. Essas místicas falavam sobre suas experiências numa linguagem quase erótica, e nesse processo era muito apreciada a interpretação do "Cântico dos cânticos", livro do Antigo Testamento. - Esses cânticos são utilizados para se expressar o Amor de Deus, e as místicas falam sobre o "namoro divino", em que podiam alegrar-se da proximidade de seu sublime "noivo". Mechthild von Magdeburg refere-se até ao "Leito do Amor", em que ela podia descansar com seu Bem-amado. Nem preciso mencionar o alto grau de intimidade com o Divino que precisamos sentir para exercer uma tal espiritualidade em nossas vidas. - Mas a Mística do Amor também sempre se refere a um “Vós”; a União com o Amado nunca é entendida como "ser a mesma coisa que" ou "ser igual" a Ele. Ser um com Deus é estar nEle, ter o "eu" dissolvido nEle, é estar liberto do ego, dos apegos, das mesquinharias, do medo... em perfeita Harmonia e Liberdade.

O Concílio de Calcedônia, no ano de 451 de nossa era, definiu a União do ser humano com Deus, na experiência mística, como “sem mistura e sem separação”. – Na experiência da União, estamos totalmente unidos com Deus. - Somos uma só realidade com Deus, mas ao mesmo, esse Deus continua impossível de ser conquistado. Não podemos dominá-lo ou tê-lo completamente.

Tanto a Mística da União como a Mística do Amor ensinam que a perfeita União com Deus, neste nosso mundo, ainda não pode ser perene ou permanente. Ela dura um momento e se dissolve. Depois disso, vive-se novamente o estar separado de Deus. Místicos vivem sempre a tensão entre o estar unido e o estar separado, entre integração e dilaceramento. Essa é a razão primeira de existirem as formas religiosas, as práticas, a oração, a liturgia, a meditação... todos esses são elementos do chamado Caminho de Volta, a eterna saga do Filho Pródigo .

Os primeiros monges ascetas sempre se esforçaram por realizar a exortação da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: “Orai continuamente”, - I Ts 5:17.

A oração foi e continua sendo para os monges cristãos um caminho concreto para buscar a desejada sintonia divina permanente. A oração era associada com a pulsação do coração, que é sempre contínua, enquanto estivermos vivos. Para eles, mesmo quando a pessoa não está orando conscientemente, é preciso conduzir a vida como se fosse uma grande oração, em todos os seus atos, pensamentos, intenções... Para Agostinho, a "Saudade" era o caminho perfeito para essa oração sem interrupção. Não podemos falar sempre com Deus, nem levantar sempre as mão e nem ficar sempre ajoelhados. Mas a "Saudade" de Deus deveria estar sempre em nós. Orar, para Agostinho, é a arte do despertar em nós a Saudade divina.


“Se não quiseres interromper a oração, então não interrompas a Saudade de Deus. A tua ininterrupta Saudade é a tua voz de oração ininterrupta.” - Sto. Agostinho


Quando estamos em contato com essa sublime Saudade, então nosso coração está com Deus. Na Saudade, Deus gravou o seu vestígio dentro dos nossos corações. Para Agostinho, a mística consiste em manter “acordada” e sempre viva a Saudade de Deus, na qual Ele se mantém presente no coração humano. Quando percebemos em nós essa Saudade, já alcançamos, para além deste mundo, o Mundo de Deus. Assim, temos dentro da nossa alma uma âncora, que nos mantém firmes e nos faz “penetrar além do véu” (Hebreus 6:19).

Curioso é que, séculos depois de Agostinho, Friedrich Nietzsche, um dos maiores inimigos declarados do Cristianismo e da religião, no seu tempo, surpreendentemente colocou de maneira muito similar a relação entre saudade e Mística. Ele declarou que “onde a saudade e o desespero se acasalam, há mística”.

A Mística não é uma espécie de posse, da qual possamos nos orgulhar, ou algo que nos envaideça por essa nossa suposta qualidade de “pessoa mística”. - A verdadeira Mística nasce exatamente no lugar do nosso desespero. Sim. Lá, onde nos desesperamos de nós mesmos, porque nada nos sustenta mais e percebemos que nossa a existência não tem fundamento por si mesma.

Então, se não nos deixamos afundar no desespero, mas o combinamos com a Saudade, aí acontece o “salto” para dentro de Deus: aquele Deus totalmente diferente, no qual não conseguimos ainda nos organizar ou nos acomodar confortavelmente, mas que nos recolhe enquanto, no meio do desespero dessa insaciável Saudade santa, tivermos confiança nEle, entregando-nos ao inalcansável.

Nietzsche inadvertidamente entendeu algo da Mística Cristã, ao combinar saudade com desespero. A Mística não é algo que podemos exigir de nós mesmos. A Mística é, antes, sempre esse salto, do desespero do próprio eu para dentro do Mistério inalcansável e Infinito, que nos acolhe, conforta e ilumina.



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O 'Fator Fé'

Uma breve pausa para um respiro, na nossa série de postagens sobre Jesus e o Cristianismo.

Segundo a ciência, para sobreviver, precisamos obter informações realistas e confiáveis sobre o mundo e não aceitar nada sem provas. Então, por que cremos no invisível?




Nosso cérebro e nossos órgãos dos sentidos estão maravilhosamente adaptados para extrair informações do mundo, mas há ocasiões em que esses dados objetivos são simplesmente ignorados. Por alguma razão, estamos dispostos a acreditar num Ser Supremo Criador que a tudo rege e controla; em seres sobrenaturais que não podemos ver ou tocar; na continuidade de nossas consciências após a morte do nosso corpo físico, que é tudo que podemos entender objetivamente por "nós"... Além disso, sentimos intuitivamente que a morte não é o fim e que, de certo modo, as pessoas amadas que passaram por ela ainda pensam em nós. Por quê, se é tão irracional? Eis o mistério que deu origem à fé em geral e a todas as religiões do mundo.

Sozinha, a ciência não tem como provar ou desmentir essa intuição profunda, mas, apesar de tipos retrógrados como Richard Dawkins, ela já começa a dar sinais de reconhecimento de que tem que haver algo a mais por trás desse fenômeno tão estranho, o que já é uma grande coisa... Ou pelo menos um começo.

Hoje, cientistas tentam entender como a fé humana surgiu, e atualmente existem duas grandes propostas para tentar explicar. Entenda os pontos fortes e fracos de cada uma delas, e... tente não rir.


Efeito colateral

Esta é a mais delirante. A teoria diz que acreditar no invisível seria um subproduto da própria organização da nossa mente. O principal defensor dessa idéia é Justin Barret, o psicólogo que propôs o conceito de HADD (sigla inglesa de “aparelho hiperativo de detecção de agente”). A idéia básica por trás do termo é que a nossa cabeça está adaptada para detectar "agentes" – outros seres do mundo lá fora, como nós, que têm seus próprios interesses e desejos.

Essa capacidade seria essencial para encontrar entidades que todos desejamos, como presas e parceiros, ou para fugir dos seres que nos põem em risco, como predadores e competidores. Seria também importantíssima para a vida social: sem ela, não conseguiríamos imaginar o que uma pessoa está pensando e, se for o caso, antecipar as ações dela. O problema é que, para não deixar passar sinais potencialmente importantes de “agentes” externos, esse detector precisaria ser regulado ao máximo – daí a qualificação de “hiperativo” dada a ele.

Dessa forma, estaríamos fadados a enxergar pensamentos, desejos e vontades em coisas como um computador, um carro... ou a chuva e o Sol. - Daí à crença em entidades sobrenaturais ou na sobrevivência do espírito após a morte, seria um pulo. Outro elemento, nesse caso, seria a incapacidade de conceber a nossa própria não-existência. – "Algo" de nós teria que sobrar para depois da morte. Desse ponto de vista, nosso cérebro dificilmente funcionaria direito sem a presença desse “efeito colateral”.

Caraca! Vai ter imaginação assim... O grande furo dessa teoria é que ela deixa de fora do seu campo de análise toda uma série de claros e inegáveis efeitos benéficos trazidos pelo "fator fé", que hoje não podem mais ser ignorados, por terem sido comprovados empiricamente, em laboratório, como é o caso do efeito placebo e a observável recuperação muito mais rápida de doentes que têm fé em comparação com os de mente puramente racional.


Vantagem adaptativa

Uma teoria que soa mais simpática, apesar de cheia de falhas: o biólogo americano David Sloan Wilson aposta que a fé religiosa pode trazer benefícios diretos a quem a tem. - Até aí, falou o óbvio... - Segundo ele, o principal benefício seria aumentar as chances de sobrevivência e reprodução dos indivíduos com fé em detrimento dos indivíduos sem fé. - Maior chance de reprodução para quem tem fé? Essa parte eu não entendi...

Segundo ele, quem é capaz de acreditar sairia ganhando na seleção natural, de forma que, ao longo de milhares de anos, a capacidade para a crença no sobrenatural se espalharia pela maior parte da população.

As vantagens potenciais são muitas. Do ponto de vista do indivíduo, a fé poderia ser um recurso interessante diante de uma doença ou um ferimento grave, digamos. Afinal, acreditar que a cura é possível ajuda um bocado na recuperação em quase todos os problemas de saúde, - como disse acima, um fato comprovado pela medicina, que o Sr. Wilson reconhece mas não explica. - Práticas como a adivinhação feita por oráculos, por exemplo, após a consulta aos deuses ou espíritos, ajudaria o grupo a não ficar paralisado e indeciso diante de uma crise muito complicada. Prova disso seria o fato de que , ao longo da História, quase todos os exércitos só partiam para a guerra depois de pedir proteção aos céus. Acreditar que forças sobrenaturais estavam ao seu lado deu coragem e coesão a guerreiros de todas as culturas e em todos os tempos. Quem não tivesse esse poderoso reforço moral combatendo junto corria um risco maior de ser derrotado ou de desistir da batalha.

Um dos problemas com essa visão é que ela é controversa para os próprios biólogos. Ela pressupõe que, de alguma forma, a seleção natural age sobre grupos inteiros de pessoas, embora a teoria mais aceita atualmente seja que tal mecanismo promove apenas indivíduos, que sempre estão competindo com outros indivíduos, mesmo que eles sejam seus aliados. - Teoria esta, que, por sua vez, apesar de muito em voga também causa polêmica e encontra rejeição entre acadêmicos, já que não consegue explicar, pra começo de conversa, o altruísmo humano ou o sentimento de compaixão que leva certos indivíduos, em casos extremos, a sacrificarem suas próprias vidas pelo bem de outros, ao invés de vê-los os como "competidores".

Como se vê, apesar de ter sido capaz de nos levar até Marte, a ciência ainda está longe de explicar as questões humanas mais fundamentais. Talvez um dia ela ainda resolva dar as mãos à religião, velhas rusgas do passado sejam esquecidas, e aí, quem sabe não daremos um salto gigantesco em direção ao autoconhecimento.



Um ponto importante

Antes de abraçar a dura tarefa de começar a contar a história de Jesus por aqui, com algumas 'novidades' históricas e certas particularidades que acho que serão interessantes para todos, acho importantíssimo abordar um tema muito em moda ultimamente, diretamente relacionado com o tópico. Se eu não falar antes sobre esse assunto, na verdade qualquer coisa que eu vier a falar sobre Jesus vai ficar um pouco sem razão de ser.

Estou falando da nova 'modinha' vigente nos meios céticos: afirmar que toda a história que conhecemos a respeito de Jesus não passa de mito. Bem, a verdade é que por muito tempo os ateus ativistas tentaram nos convencer (e se convencer a si próprios, creio eu) que Jesus nunca existiu. - Mas como isso era uma missão realmente inglória (pra não dizer impossível), já que praticamente a totalidade dos historiadores e pesquisadores mais conceituados do nosso planeta reconhece Jesus como um personagem histórico e real (leia a respeito aqui), de uns tempos para cá acharam de dizer que ele existiu sim, mas que a história da sua vida, conforme contada nos Evangelhos, não passa de uma coleção de lendas e fantasias copiadas dos mitos antigos. Existe um filminho colocado no Youtube a esse respeito, intitulado Zeitgeist, que virou uma espécie de cult cético. Filme esse que ilustra à perfeição os principais argumentos que tentam provar que a história de Jesus não passa de mito. Nele, são feitas várias alegações que, à primeira vista, e principalmente para aqueles que não possuem grande conhecimento de causa (a grande maioria), impressionam. Para quem quiser conhecer o tal filme, aí vai a primeira parte:




Particularmente, adoro essas inciativas dos céticos, porque eles são, ao menos em sua maioria, gente inteligente, acima da média, que se importa em tentar provar os seus pontos de vista com embasamento. - O que é importante e louvável, desde que feito com seriedade e honestidade, virtudes ausentes nesse caso em particular. - Assim, constantemente me trazem desafios novos e interessantes, que acabam me dando novos motivos para me estabilizar cada vez mais e melhor na minha fé. A cada nova refutação, que eu procuro conhecer a fundo e de fato, para saber se são verdadeiras ou não, e acabo descobrindo que não passa de mais um pouco de fumaça, mais eu confirmo o que sabia antes. Acho uma delícia prosseguir cada vez mais fundo nessa busca e descobrir sempre a mesma coisa: que quanto mais se tenta derrubar a Verdade, mais sólida ela se mostra.

Segundo os argumentos ateus presentes no filme, dentre os mitos que mais teriam influenciado os evangelistas do Novo Testamento estaria o de Hórus, de 3.000 aC, o deus egípcio do Sol e da Lua, soberano do céu. O filme, pretendendo provar a influência mítica na história que conhecemos de Jesus, registra um resumo (resumido demais, e na verdade esse é todo o problema) da história de Hórus, nos seguintes termos:

"Nasceu a 25 de Dezembro, da virgem Ísis. Seu nascimento foi acompanhado por uma estrela a Leste, seguida por 3 reis em busca do salvador recém-nascido. Era um prodígio quando criança. Aos 30, foi batizado por uma figura chamada Anup e assim começou o seu reinado. Tinha doze discípulos, curou enfermos e andou sobre a água. Era conhecido por vários nomes, como 'Verdade', 'Luz', 'Filho Adorado de Deus', 'Bom Pastor' e 'Cordeiro de Deus'. Traído por Tifão, foi crucificado, enterrado e ressuscitou 3 dias depois."


Sim... E há também menções ao deus Átis, da Frígia, Krishna, Dionísio e Mithra, o deus persa que foi adotado pelos romanos e convertido em deus-Sol. O autor do filme traça similaridades entre todos estes e Jesus, comparando suas histórias e salientando que "todos eram filhos de virgens que nasceram a 25 de Dezembro, morreram e ressuscitaram e tiveram 12 seguidores".

E agora? Depois de ler isso, muita gente logo pensa: "Ooohhhh!.. Eu estava tão enganado(a) esse tempo todo!.."... - Reação que eu até acho perfeitamente normal, já que o texto impressiona, sim. À primeira vista. Mas, me responda: você acredita em tudo que lê ou assiste, na TV, na internet, ou mesmo nos livros, sem questionar?

Como meus leitores já sabem, eu gosto de questionamento. Muito. Se todos os buscadores questionassem sempre, não teriam acontecido tantas barbaridades ao longo da nossa História, em nome da religião e de Deus, e não haveria tanto charlatanismo e falsos profetas prosperando em nosso mundo, neste exato momento. Curiosamente, os que mais furiosamente questionam o Cristianismo são os mesmos que docilmente aceitam o tipo de bobagem exposto nesse filme como verdade irrefutável... Como se fosse uma 'grande revelação' ou uma 'prova' de que todas as convicções religiosas do Ocidente nos últimos vinte séculos não passa de mito.

Bem, é exatamente para os questionadores que esse blog foi feito. Mas os questionadores de verdade, os que vão fundo, porque esse tipo de mensagem, a do filme, até se parece com um questionamento válido. - Como eu disse, à primeira vista. - Mas não é. Por quê? Simplesmente porque traz informações propositalmente desvirtuadas, e exatamente por isso não pode ser considerado questionamento válido. Questionar não tem nada a ver com má intenção. E mentir ou distorcer a verdade tentando provar um ponto de vista só pode partir de mentes mal intencionadas.

Então vejamos essas alegações todas um pouco mais a fundo, à luz da verdade dos fatos, como convém aos bons buscadores e como é a cara do a Arte das artes...


Agora, os fatos

Começarei a minha análise pelo que foi dito a respeito do mito do deus Hórus, que segundo essas argumentações é o que mais traz semelhanças com a história de Jesus e o que teria mais fortemente influenciado o Cristianismo.

Bom, para começar, segundo a mitologia egípcia legítima, Hórus não nasceu de uma virgem. Nada disso. No antigo Egito o sexo era considerado algo muito positivo e até sagrado. Ísis era a esposa de Osíris (cuja história eu já contei aqui), e os dois mantinham uma vida sexual bem ativa até ele ser assassinado e cortado em pedaços por Seth. Ela começou então uma peregrinação em busca dos pedaços escondidos do corpo de Osíris, episódio conhecido como 'A Lamentação de Ísis'. Por fim conseguiu achá-lo, mas não trazê-lo de volta à vida. Mesmo assim eles tiveram uma união mística e Hórus foi concebido. Ele surge, portanto, como um deus, filho de um casal de deuses, como no conceito pagão clássico, completamente divergente da narrativa evangélica a respeito de Jesus Cristo.

Depois, Osíris volta á vida com a ajuda de outro deus, Anúbis, que fez do seu corpo a primeira múmia. - É exatamente daí que, segundo a lenda, provém o antigo costume egípcio da mumificação. - Mas então Osíris vai para o mundo dos mortos, onde passa a reinar; o que não tem absolutamente nada a ver com a concepção do 'Reino de Deus' trazida por Jesus.

Outra coisa: Nas datas de 24 e 25 de Dezembro era comemorado, em várias civilizações antigas, o 'Solstício de Inverno' no Hemisfério Norte. O solstício anunciava o nascimento do Sol como o 'deus-criança', o sol que estava fraco e nessa época do ano começava a crescer, assim como um bebê, trazendo de volta a primavera e o verão. A civilização celta, por exemplo, festejava esse dia, que chamavam "Yule", com a 'árvore mágica de Yule', - um pinheiro enfeitado com os símbolos da primavera, que pode muito bem ser a origem da atual árvore de Natal. Mas não há nada de espantoso nisso, já que o Cristianismo, deliberadamente (e isso não é nenhum segredo escondido), se apropriou dessa data mitológica para a comemoração do nascimento de Jesus, como um recurso para converter os pagãos e fazê-los aceitar com mais facilidade a nova religião. Cai por terra, portanto, o principal trunfo do filme, que coloca as coincidências envolvendo a data de 25 de Dezembro como grande prova dos seus argumentos. - Até e principalmente porque a Bíblia, em momento algum, menciona o 25 de Dezembro como a data de nascimento do Cristo.

Outro detalhe importante é que os Evangelhos também não mencionam a presença de "três reis" vindo visitar Jesus, como sugere o filme, tentando forçar uma similaridade, que não existe, com o mito de Hórus. - Os célebres 'três reis magos' fazem parte do imaginário popular e foram acréscimos posteriores à tradição cristã. - O texto bíblico diz apenas que "alguns magos" vieram visitar Jesus quando recém-nascido:

"Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: 'Onde está o recém-nascido rei dos judeus?'" - Matheus, 2:1-2


Por isso mesmo não há como se estabelecer nenhuma relação com os 'três reis' da história de Hórus. Ou será que "alguns magos" é a mesma coisa que "três reis"?

Quanto a ser "um prodígio na infância" e "curar enfermos"... Pense um pouco e responda: seria razoável esperar que qualquer deus fosse descrito como um estúpido na sua infância? E a qual deus mítico "do bem" da Antiguidade não se creditava o poder de curar doenças e proporcionar coisas boas aos seus adoradores? - O poder da cura era algo comum, atribuído a praticamente todas as divindades do panteão pagão. - Se assim não fosse, por quê alguém iria querer adorá-los? Então, por favor, alguém me responda: Porque essa obsessão em querer comparar tudo com a história de Jesus Cristo?

Mas as 'forçações de barra' do filme não acabam aí: Hórus foi um grande e poderoso rei. - Jesus viveu todo o seu ministério como um peregrino, em absoluta humildade: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (Matheus, 8:20). Ele afirmou também que o seu reino não era deste mundo (João 18:36).

Sobre a concepção dos discípulos como seguidores, esta é exclusivamente cristã. No caso de Hórus, o deus-sol, é mais do que sabido que a menção aos "doze discípulos" é uma analogia direta às doze constelações do zodíaco, conhecidas dos egípcios e de diversos outros povos da Antiguidade. - Aliás, é por isso mesmo que o número 12 aparece constantemente nos mitos de diversas culturas antigas, o que não pode ser aplicado à história de Jesus, em que a relação declarada é com o número das tribos de Israel, que também eram doze: 1-Dã, 2-Aser, 3-Naftali, 4-Manassés, 5-Efraim, 6-Rubem, 7-Judá, 8-Benjamim, 9-Simeão, 10-Issacar, 11-Zebulão, 12-Gade. Obs.: A 13ª tribo era a de Levi, sacerdotal e que não tinha direito a terra; eram os responsáveis pelos serviços do Tabernáculo e depois do Templo, mas não eram contados como Tribo, por isso se diz que eram 12 tribos.

Mais: Hórus não se parecia nem um pouco com o Messias da concepção judaica, sobre a qual falei aqui; ele era um deus, no sentido pagão clássico... Por fim, como já visto, a concepção de 'ressurreição' dos egípcios, que no estudo histórico é mais comumente chamado de 'reviver', é completamente diferente da cristã, em praticamente todos os seus aspectos.




Como se vê, ao analisarmos um pouquinho mais de perto as 'sensacionais provas' de que a vida de Jesus contada nos Evangelhos não passa de mito, percebemos que essas supostas provas estão bem mais para... digamos... equívocos? Enganos? Distorções mal-intencionadas? Viagem na maionese? Ânsia de provar ao mundo que "religião é veneno"? Escolha a sua opção. A verdade pode ser qualquer uma delas ou todas juntas.

Agora que desmistificamos a desmistificação (socorro!) de Jesus proposta pelos ateus, no que se refere a Hórus, fica bem mais fácil concluir esta análise quanto às comparações com os outros deuses míticos citados no filme. Muitos dos argumentos usados para tentar demonstrar essas supostas semelhanças são exatamente os mesmos, e tão falsos quanto. Como o próprio filme diz, os pontos chave de semelhança são:

O nascimento de uma virgem em 25 de Dezembro - Aí, logo de cara, como visto, a história de Jesus 'está fora', porque não afirma que ele nasceu em 25 de Dezembro. Quanto à questão do nascimento de uma virgem, trata-se de algo muito simples: no mundo antigo, para muitas culturas, virgindade era sinônimo de pureza. Nada mais natural que os mitos dos deuses bons e/ou luminosos muitas vezes envolvessem nascimentos livres de envolvimento carnal. Nada de extraordinário.

Morte e ressurreição - Como visto, os conceitos de ressurreição entre as diferentes culturas são muito diferentes entre si, e a comparação não cabe. Toda a mitologia está repleta de deuses que morrem e voltam a viver, deixam este mundo e voltam a ele, etc... Mas qualquer estudante que realmente leve o assunto a sério, mesmo os mais leigos, percebem logo de cara que os conceitos são completamente diversos do que aquilo que se diz a respeito do Cristo nos livros do Novo Testamento.

Doze discípulos - Sobre essa eu já falei acima, e o próprio documentário o esclarece, sem perceber. Ocorre que praticamente todos os povos antigos estavam muito atentos à observação das estrelas e o seu movimento, porque estes formavam padrões que lhes permitiam reconhecer e antecipar eventos que ocorriam de tempos em tempos, como eclipses, as mudanças da Lua e outros. Praticamente todas as civilizações antigas conheciam o que chamamos de 'doze casas zodiacais'. - Os povos antigos catalogaram os grupos celestiais, naquilo que hoje conhecemos como constelações. - A 'Cruz do Zodíaco', que, como o próprio filme reconhece, figura entre as mais antigas representações gravadas da humanidade, representa o trajeto do Sol através das doze constelações conhecidas até então, e também representava os doze meses do ano. Está aí o porquê da repetição constante do número doze nas histórias míticas. O que, como eu também disse acima, não se aplica ao caso de Jesus, pois esse número na Bíblia e em todos os documentos judaicos antigos se refere às doze tribos de Israel; - e o Novo Testamento deixa claro que foi por essa razão que Jesus escolheu doze discípulos mais próximos, cada um representando uma dessas tribos, além dos seus muitos seguidores. Essas doze tribos ou casas de Israel poderiam ou não estar relacionadas, em algum nível, às constelações, intencionalmente ou não... Mas isso é uma outra história, a respeito da qual nada sabemos.

O restante do filme é uma série de especulações, todas extremamente forçadas, que tentam relacionar mito, astrologia e História, insistindo sempre na questão dos "Três Reis Magos" e na data de 25 de Dezembro, que como vimos não têm relação alguma com a narrativa dos Evangelhos.

Finalizando, a constatação mais do que óbvia é que o autor do filme usa de um subterfúgio bastante comum para tentar provar suas teorias: resumir um tema complexo para adequá-lo ao seu ponto de vista. Explico: quando você fala assim, resumidamente, genericamente, que, por exemplo, tanto Hórus quanto Jesus "curaram enfermos", isto a ouvidos desavisados pode soar como um paralelo entre ambos. Mas observe que aqui, como em toda a sua argumentação, o autor do filme faz questão de não entrar em pormenores a respeito das questões de semelhança; - isso porque as curas de Hórus, se vistas de perto, não têm absolutamente nenhuma semelhança com as que são atribuídas ao Cristo. Mas, falando assim, 'por cima', dá a impressão de que se tratam de coisas parecidas. - Como eu disse, resumir para adequar.

Vou dar um exemplo melhor: se eu quisesse convencer alguém que não conhece nada de História que Hitler era parecido com Gandhi, e que a história de vida dos dois é praticamente idêntica, eu poderia dizer que tanto um quanto outro eram grandes patriotas, que ambos eram amantes das artes, que eram homens místicos, que gostavam de animais e de crianças, que foram grandes líderes, que tiveram uma forte influência na história do mundo e que deram as suas vidas por suas pátrias. Falando assim, resumidadamente, sem mentir eu poderia afirmar tudo isso! Nos aspectos citados, fora do devido contexto, realmente eles eram bem parecidos! E essa pessoa sem nenhum conhecimento em História provavelmente acreditaria que foram duas histórias muito semelhantes. Mas quem conhece objetivamente a história de vida de um e de outro sabe muito bem que, apesar dessas semelhanças superficiais, um não tinha nada a ver com o outro.

Se eu quiser confundir, tudo que tenho a fazer é resumir a história ao máximo, não entrando em detalhes e me atendo aos pontos do meu interesse, os que confirmem a mensagem que eu quero passar. Agindo assim eu posso comparar qualquer pessoa com qualquer outra, e sempre vou encontrar supostas grandes similaridades; basta não me ater aos detalhes e ficar só na superfície...

Quero encerrar deixando claro que eu não afirmo que não existam mitos envolvendo a história de Jesus. É possível que sim. Não creio que tudo que os Evangelhos narram deva ser tomado literalmente. Os textos bíblicos podem contar acréscimos, pequenos erros de interpretação e mesmo alguns aspectos mitológicos, sim. Mas não em essência. A base da narrativa evangélica está confirmada através de documentos extra-bíblicos, como demonstrei aqui. A história de Jesus Cristo não é, como tenta fazer parecer esse pseudodocumentário, uma simples coletânea de mitos ancestrais, isso é uma certeza: não minha, mas acadêmica.


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No mundo de hoje muitos vêem toda a sublime história do Cristo como não mais que um mito. "Criamos um deus à nossa imagem", insistem alguns sociólogos da religião, e Jesus seria a nossa maior chave para o entendimento desse deus com quem podemos nos identificar. Uma chave falsa e ilusória, mas útil. A história da Encarnação, isto é, da manifestação de Deus em forma de homem, argumentam eles, já foi narrada muitas vezes antes, ora de um jeito, ora de outro, nas tradições religiosas antigas, exatamente o argumento (nada novo), que acaba de trazer à tona aquele filme.

C. S. Lewis já falava dessa questão de Deus e do mito, um século atrás. De fato, seu constante amor pela mitologia antiga lhe proporcionou percepções da fé cristã bem diferenciadas, que o ajudaram a remover esse empecilho, para crentes e também não-crentes. Em seu ensaio “O Mito Tornou-se Fato”, ele tomou exatamente as objeções atiradas contra o Cristianismo e as transformou em mais provas que o sustentam.

O coração do Cristianismo é um mito que é também um fato! O velho mito do 'Deus Que Morre', sem deixar de ser mito, desceu do céu da lenda e da imaginação para a Terra da História real! Ele acontece numa data determinada, num lugar determinado, seguido de conseqüências históricas definíveis. Passamos de um Hórus ou de um Mitra, que morrem ninguém sabe onde nem quando, para uma pessoa histórica que é crucificada sob Pôncio Pilatos, procurador da Judéia, personagem histórico bem documentado. Hórus foi batizado por Anup, um deus de fantasia esquecido nas brumas do tempo. Jesus por João Batista, personagem histórico cujas evidências multiplicam-se todos os dias (senão, vejamos aqui e aqui, por exemplo).

Tornando-se fato, o mito não deixa de ser mito: eis o Milagre! Deus é mais do que um deus, não menos. Cristo é mais do que Hórus, não menos, nem igual. Nós, pessoas de fé, não devemos nos envergonhar da aura mítica presente em nossa teologia, seja você cristão ou não.


"Não devemos ficar nervosos com 'paralelos' e 'Cristos pagãos': eles precisam estar ali. - Seria um empecilho se não estivessem."

C. S. Lewis, autor de "As Crônicas de Nárnia", nascido em 1928



Fontes e bibliografia:
BUDGE, E. A Wallis. A Religião Egípcia, São Pauo: Cultrix;
TUCKER, Ruth. Fé e Descrença, São Paulo: Mundo Cristão, 2008;
BAVINCK, J. H. Faith and Its Difficulties, p. 9;
LEWIS, C. S. - Myth Became Fact, em God in the Dock: Essays on Theology and Ethics.