Tempos modernos

- um comentário da leitora "Fiat Lux"

Bom, já que estamos falando da alimentação naturopata...

Para mim, esta alimentação indiana seria uma entre as várias atitudes que auxiliam o ser humano a se manter receptivo à Deus. Ela seria um auxílio e não uma condição (outras atitudes seriam, por exemplo, a meditação, os jejuns, etc).

O intuito seria o de resgatar no homem o seu equilíbrio originariamente natural, perdido ao longo do tempo.

Refletindo sobre a conduta do homem moderno e embora a gente viva dentro desse sistema, muitas vezes nem percebemos aquilo que estamos comendo, assistindo, falando... É muita correria.

Pois então, a mesma inteligência racional de que Deus dotou o homem, fez com que ele evoluísse tanto, mas tanto, que agora esse mesmo homem não tem mais tempo para ouvir Deus, para prestar mais atenção na sua natureza inerente.

Esse afastamento criou um vazio dentro de cada um, mas não tem definição (afinal, Deus não tem uma definição concreta!), é apenas uma sensação de insatisfação que acaba sendo preenchida provisoriamente com tudo aquilo que o homem conquistou materialmente através do seu intelecto evoluído.

Tantas coisas maravilhosas para se comprar, mas precisamos de dinheiro, então vamos trabalhar, não podemos perder tempo. Não podemos perder tempo nem para fazer nossa comida, então vou ao fast food comer junkie food, mesmo que fique obeso e hipertenso.

Não temos tempo de criar filhos, então só vou ter um e olhe lá, pois em caso contrário o corpo vai se deformar, criar celulite e estrias, e esse não é o padrão de beleza recomendado pelo Sistema. Posso morrer anoréxica, mas não vou fugir do padrão “top”. Se o regime não funcionar, vou fazer Ióga (ao invés de Yôga), pq é natural e tá na moda!

Trabalhamos tanto, que não dá pra passear com meu filho, então melhor colocá-lo numa escola integral, e ocupá-lo com muitas atividades extracurriculares, mas pensando bem, acho que sai mais barato eu comprar o computador que ele está pedindo e deixar ele em casa mesmo, com a empregada...

Mas aquele vazio ainda me persegue... Acho que vou numa balada, distrair a cabeça de tanto trabalho, tomar umas a mais, quem sabe fumar unzinho ou dar uma cheiradinha!..

Putz, não deveria ter cheirado tanto, agora não consigo largar. Estou gastando muito dinheiro, além da conta, não dá pra manter o padrão, mas tudo bem, ainda tenho mais um cartão de crédito.

Quebrei, tô no fundo do poço, minha mulher me abandonou e meu filho nem olha na minha cara... Ai meu Deus, me ajuda!

Acho que vou naquela Igreja que resolve todos os problemas financeiros e amorosos!

Como falar em Deus, numa época em que cada um enxerga Deus onde e quando lhe satisfaz materialmente?!

Ajudar ao próximo nos aproxima de Deus, mas como fazer isso se a violência (causada pelas drogas e pelo capitalismo consumista) amedrontam e trazem desconfiança até para os poucos que ainda guardam boas intenções no coração? Transcender a todas essas "realidades" requer muito Amor no coração. É quase uma loucura! Como reverter essa situação???


Conhecendo a nós mesmos, enfrentando nossos medos e imperfeições, corrigindo-nos e perdoando-nos, - assim aprenderemos a nos amar.

Amando-nos, nos alimentaremos bem, nos sentiremos de bem com a vida, pois assim como o mal, o Bem e o Amor também são contagiosos;

Perdoando a nós mesmos não carregaremos culpas, nem rancores, nem desculpas, nem muletas e seremos capazes de compreender e perdoar aqueles que também erram como nós já erramos e assim, também poderemos amá-los através dos sentimentos que Deus coloca em nossos corações, junto com esse perdão - quem já perdoou uma pessoa, sabe o alívio que se sente pois retiramos um peso das costas e um nó na garganta! E uma onda de Amor e gratidão preenche o vazio deixado pela mágoa.

E quando amamos a nós e a Deus, sentimos uma vontade irresistível de fazer o bem ao próximo, pois necessitamos dividir essa dádiva, essa benção, esse arrebatamento!

Inicialmente dividiremos esse sentimento amoroso com os mais chegados, nossos filhos, nossa família e amigos.

Se você dá atenção, Amor e orientação a uma criança, isso não a imunizará das influências externas negativas desse sistema. Mas, certamente, fortalecerá sua consciência, despertará sua parcela divina e ela pensará duas vezes antes de se prejudicar ou prejudicar o outro; não precisará consumir drogas, e nem roubar para comprar essas drogas; não precisará mentir nem enganar, nem cultivar todas essas mazelas em sua vida...

A corrente do Amor cresce, se transforma e se perpetua através das gerações. Acho que esse é o sentido da vida.

Você nasce. Se recebe amor, vai amar sua família e a si mesmo, e descobrirá Deus nesse Amor recebido. Cultivando esse amor dentro de si, acabará por dividi-lo com os outros, que o receberão, se sentirão amados e poderão amar também aos seus próximos....

Hoje, a maioria das pessoas têm vergonha ou não tem tempo de dizer:


"Eu te amo!"


Vamos mudar isso, começando por nós mesmos, pelos nossos filhos, pais, amigos, vizinhos...

Beijos! Amo todos vocês!

Fiat, eu não consegui achar aquele emoticon oriental que é a sua marca registrada
no final das mensagens, mas achei este sorrisão lindo...



Medicina Ayurvédica - conclusão

Um breve resumo

Ayurveda ou "Ciência da Vida" é uma medicina naturopata indiana que acredita que vida saudável é aquela feliz, moralmente boa e que segue de acordo com as leis e ciclos da natureza. Conhecendo a natureza própria de cada dosha, e harmonizando-a, obtemos saúde e longevidade.

Conrforme visto na postagem anterior, mediante um questionário Ayurveda, em que atribuímos notas de 0 a 6 de acordo com nossas características, quantificamos o tanto de energia “Vata”, “Pitta” e “Kapha” de que somos constituídos.

Este é um dos métodos, além de exame físico, palpação de pulso, etc., que o médico ayurvédico utiliza na caracterização do indivíduo.

Habitualmente somos “bi-doshas” partilhando predominantemente dois tipos de “modos-de-ser” na nossa manifestação.

Raríssimos são os “uni-doshas” ou "tri-doshas”. - Uma vez que conhecemos nossa constituição, aquilo que nos adoece e o que nos acalma ou estabiliza, podemos promover saúde e longevidade com medidas simples e cotidianas, a saber:

l Atitude de gratidão e profundo respeito à nossa existência e a todo o Cosmos;

l Respeito de nosso "relógio biológico", ajustando-o ás nossas rotinas diárias;

l Respeito para com as influências sazonais que ocorrem sobre nosso dosha;

l A prática de uma atividade física compatível com a nossa constituição;

l Promover um ambiente energeticamente compatível com nossa constituição, em termos de estímulos auditivo, visual e rítmico;

l Promover o equilíbrio de nosso emocional mediante o auto conhecimento e o conhecimento do outro, entendendo que nosso “corpo emocional” requer como o físico, higiene, proteção e nutrição;

l Utilizar jóias e cores em nosso vestuário que, antes que escolhas estéticas, sejam sincronicidades que nos harmonizem;

l Sobretudo, ter no ato de se alimentar uma profunda reverência e gratidão à Natureza, entendendo que “Somos o que comemos, como comemos e com quem comemos”;



Princípios da dieta ayurvédica


Na postagem anterior, você aprendeu a reconhecer e definir qual o seu dosha. Agora aprenderá algumas dicas para harmonizá-lo e se manter saudável. Para equilibrar o nosso dosha através da alimentação, o sistema Ayurveda utiliza os seis tipos de paladar que denomina “rasas”. - Os seis rasas são: doce, salgado, ácido, amargo, adstringente, picante.

Vata => é equilibrado por: ácido, doce e salgado pesado, oleoso e quente.

Pitta => é equilibrado por: doce, adstringente e amargo frio, seco e pesado.

Kapha => é equilibrado por: adstringente, picante e amargo quente, leve e seco.


Dieta para acalmar VATA:

# Alimentos quentes com texturas pesadas, associadas com o inverno, cozido de carne, sopa, pão fresco, torta de frutas.

# Ingeri-los em ambiente calmo.

# Alimentos suaves, doces, mornos e pesados, principalmente no desjejum.

# Um chá quente com biscoitos no fim da tarde quando cai sua energia.

# Temperos: pungente como gengibre e doce como erva-doce ou canela.

# Das frutas: manga e uvas verdes principalmente.

# Contrabalançar com vegetais frios com óleo.

# Se VATA estiver muito agitado, um cereal quente também no jantar.


Alimentos que acalmam VATA

Vegetais:

Prefira batata-doce, beterraba, cenoura, vagem, rabanete, quiabo, pepino.

Evite ou reduza: batata, berinjela, brócolis, cogumelo, couve, couve-flor, ervilha, pimentão, tomate, folhas, tomate.

Frutas:

Prefira: abacate, abacaxi, ameixa, amora, banana, cereja, coco, damasco, figos, laranja, manga, melão, mamão, nectarina, pêssego, tâmara, uva, frutas doces e maduras, ou cozidas.

Evite ou reduza: maçã, pêra, romã, frutas secas e em geral frutas verdes, não maduras.

Cereais:

Prefira: arroz, trigo e aveia.

Evite ou reduza: centeio, cevada e milho.

Laticínios:

Aceitáveis.

Carnes:

Prefira: galinha, peru, alimentos do mar.

Evite ou reduza: carne vermelha

Legumes:

Prefira: feijão, grão de bico, lentilha, tofu.

Evite ou reduza: os demais

Óleos:

Todos, em especial o de gergelim.

Sementes:

Todas, em especial amêndoas.

Temperos:

Prefira: anis, canela, coentro, cominho louro, manjericão, mostarda, orégano, pimenta, cravo, erva-doce, gengibre, tomilho.

Evite ou reduza: açafrão, salsa, semente de coentro.


Dieta para acalmar PITTA:

As pessoas deste dosha são as que têm a melhor digestão, por isso acabam abusando.

# Cuidado com o excesso de sal, comidas muito ácidas ou muito temperadas.

# Alimentos preferencialmente frios, não esquecer sempre do amargo e do adstringente, saladas com pouco sal, óleo e tempero, exceto limão fresco.

# Sorvete vai bem.

# No desjejum, cereal frio ou suco de laranja, iogurte, chá gelado... Em lugar de café.

# Se dão bem com o vegetarianismo.

# Fritura deve ser evitada, pois é pesada, oleosa, salgada e quente; assim como as conservas.

# Se Pitta estiver muito agitado, uma boa pedida é beber leite morno com ghee (manteiga clarificada).


Alimentos que acalmam PITTA:

Vegetais:

Prefira: abobrinha, alface, aspargo, batata, brócolis, cogumelo, couve, couve-flor, ervilha, pepino, pimentão, quiabo, repolho, vagem, folhas.

Evite ou reduza: alho, berinjela, beterraba, cebola, espinafre, pimenta, rabanete, tomate.

Frutas:

Prefira: abacate, abacaxi, ameixa, cereja, figo, laranja, maçã, manga, melão, passa, pêra, uva.

Evite ou reduza: amora, banana, caqui, damasco, papaia, pêssego.

Cereais:

Prefira: arroz, aveia, cevada, trigo.

Evite ou reduza: arroz integral, centeio, milho.

Sementes:

Prefira: coco, abóbora, girassol.

Evite ou reduza: as outras.

Ervas e temperos:

Prefira: em geral devem ser evitados, um pouco de amargo, adstringente: açafrão canela, coentro, erva doce, hortelã.

Evite ou reduza: todos, sobretudo pungente e ácido, apimentado, vinagre.

Laticínios:

Prefira: clara de ovo, ghee, manteiga sorvete.

Evite ou reduza: coalhada, gema, iogurte, queijo.

Carnes:

Prefira: camarão, galinha, peru.

Evite ou reduza: vermelha e produtos do mar

Legumes:

Prefira: grão de bico e soja

Evite ou reduza: lentilhas

Óleos:

Prefira: coco, girassol, oliva, soja.

Evite ou reduza: amêndoa, gergelim, milho.


Dieta para acalmar KAPHA:

É o menos afetado pela alimentação, contudo a longo prazo o desequilíbrio pode ocorrer pelo excesso de doces e gorduras, devendo também o sal ser contido, por levar à retenção de líquidos.

# Tudo que dê sensação de leveza vai bem: alimentos levemente cozidos, verduras e vegetais crus, o que torne a alimentação mais estimulante como tempero e pimenta (pratos mexicanos).

# Deixá-los seco: assar ou grelhar, em lugar de cozinhar.

# Comer o mínimo no desjejum.

# Evitar leite e derivados e frituras.

# É bom uma colher de sopa de mel por dia.

# Se tiver que comer fora prefira comida oriental.


Dieta para acalmar KAPHA:

Vegetais:

Prefira: alface, alho, aspargo, batata, berinjela, beterraba, brócolis, cebola, cenoura, cogumelo, couve-flor, ervilha, espinafre, quiabo, rabanete, repolho, pimentão, verduras em geral.

Evite ou reduza: abobrinha, batata-doce, pepino, espinafre.

Frutas:

Prefira: damasco, maçã, pêra, romã, frutas seca em geral (damasco, figo, ameixa, uva).

Evite ou reduza: doces ácidas e com muito sumo, laranja, figo, banana, ameixa, abacaxi, abacate, manga, melão, mamão, pêssego, uva.

Cereais:

Prefira: centeio, cevada, trigo sarraceno.

Evite ou reduza: arroz, aveia, trigo.

Laticínios:

Prefira: ovos em pequena quantidade.

Evite ou reduza: todos os outros.

Carnes:

Prefira: camarão, galinha, peru.

Evite ou reduza: vermelha e produtos do mar.

Legumes:

Todos, exceto feijão e tofu.

Óleos:

Prefira: amêndoa, girassol, milho.

Reduza ou evite: os outros

Nozes e sementes:

Prefira: de abóbora e girassol

Evite ou reduza: todas as outras

Ervas e temperos:

Prefira: todos gengibres são o melhor para ajudar a refeição.

Evite ou reduza: sal.


Fontes:
Renovafarma
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Chopra, Deepak - "Saúde Perfeita" - Editora Best Seller – 1990 - Sessão "Restaurando o equilíbrio".



Medicina Ayurvédica - saúde perfeita

Parte 3: "Descobrindo seu tipo de corpo" - por Dr. Deepak Chopra

O maior problema da medicina convencional, segundo o Ayurveda (e também diversas outras linhas de tratamento medicinais alternativas), é que ela está muito mais voltada às características e peculiaridades das doenças do que as das pessoas! E isso é, no mínimo, um grande contracenso...

Se um paciente reclama de dores nas juntas devido à artrite, o médico sabe que essa queixa comum pode estar relacionada a mais de uma centena de doenças que provocam o enrijecimento das juntas, acompanhado de dor e inflamação. Sabe-se que algumas pessoas herdam a tendência para a artrite, mas é espantoso o número de situações que também podem contribuir, como mudanças hormonais, estresse físico e mental, alimentação inadequada, falta de exercícios, etc.

O que o Ayurveda faz é chamar a atenção para o fato de que as doenças diferem, principalmente, porque as pessoas são diversas. Apesar de a biologia reconhecer que todos nós nascemos com uma individualidade bioquímica, isso tem pouca influência nos consultórios médicos. A expressão "individualidade bioquímica" significa que ninguém é igual a ninguém, e que não existe uma "média humana", no que se refere à composição biológica/química.

Num dado momento, nossas células e tecidos contém uma quantidade específica de oxigênio, dióxido de carbono, ferro, insulina e vitamina C, que se refere ao momento, à condição física e ao estado de seus pensamentos e emoções. Seu corpo é um composto tridimensional de milhões de minúsculas diferenças, e você poderá melhorar a sua saúde de maneira notável aprendendo a conhecê-las. Nesse nível, a saúde perfeita é um fenômeno biológico bem específico.


Qual o seu tipo de corpo?

Todo o seu corpo, independente da sua atenção, está fazendo alguma coisa específica com cada molécula de ar, água ou alimento que você ingere; obedecendo a tendências inatas que são só suas. Sua escolha pode ser segui-las ou modificá-las, mas opor-se inteiramente a elas é antinatural e nocivo. O Ayurveda considera que viver em harmonia com a sua própria natureza, e num nível mais avançado, com toda a Natureza, sem tensões, é respeitar a sua singularidade.

A primeira pergunta que um médico ayurvédico faz não é: "De que doença o meu paciente sofre?", mas sim "Quem é o meu paciente?" - Esse "quem" não se refere ao nome da pessoa, mas a sua constituição física, orgânica, biológica. Ele procura traços que podem indicar seu tipo único de corpo, também chamado de prakriti. Esse termo sânscrito significa "natureza". Ele quer conhecer sua natureza básica antes mesmo de ouvir suas queixas e sintomas.

O modo ayurvédico de se encarar o corpo humano é como um molde em que se delineiam as tendências inatas que formam seu organismo. Um copo cheio de leite contém 120 calorias, não importa quem o beba. Contudo, enquanto uma pessoa usa essas calorias para armazenar gordura, outra converte a maior parte em energia; o corpo de uma criança extrai grande quantidade de cálcio para formar o tecido ósseo, enquanto uma pessoa mais velha o elimina através dos rins (e até pode transforma-lo em doloroso cálculo renal, se o seu corpo não controlá-lo eficientemente).

Conhecendo seu tipo de corpo, um médico ayurvédico poderá prescrever dieta, atividades físicas e as terapias que poderão ajudá-lo, indicando também as que não poderão lhe fazer bem e em alguns casos até prejudicá-lo: Um pedaço de pizza com excesso de queijo pode ser letal para quem sofre gravemente das artérias, mas é inofensiva para muitas pessoas e poderia ser até recomendável para quem não consegue ganhar peso com a alimentação normal. Tomar um copo de suco de laranja pela manhã pode ser benéfico para a maioria das pessoas, mas certos indivíduos desenvolveram alta acidez gástrica e passaram a sofrer de dores estomacais devido a esse hábito. - Isto não é anormal, apenas demonstra que elas pertencem a um grupo definido para o qual o suco de laranja não é um alimento ideal. - Sendo assim, saber quem é você, qual o seu prakriti, é um dado de valor inestimável na escolha do que se deve comer, e qual estilo de vida adotar. Conhecer o próprio tipo de corpo é o primeiro passo para se atingir a saúde perfeita, segundo o sistem ayurvédico.

Mas de onde vêm os tipos de corpo? Bem, todos nós possuímos os mesmos tipos de células e órgãos, ainda que a genética tenha lhe dado olhos castanhos ao invés de azuis. Apesar das enormes variações entre uma personalidade e outra, compartilhamos todos de uma mesma gama de emoções. - Com maior ou menor freqüência, e em maior ou menor intensidade, todos nos sentimos irados, afetivos, amorosos e serenos, entre outras coisas... - Tudo isso está ligado ao nosso tipo físico? O Ayurveda diz que sim, embora não somente isso.

Para descobrir a origem mais profunda dos tipos de corpo, o Ayurveda procura o ponto de ligação entre a mente e o organismo. Esse ponto existe claramente, pois quando ocorre um evento na mente, acontece um correspondente no corpo. Se uma criança tem medo do escuro, esse temor assume forma física na adrenalina que entra em sua corrente sanguínea. - Como descobriu Einstein, a matéria é uma manifestação da energia. - O Ayurveda afirma que essa intercomunicação acontece no ponto intermediário entre mente e corpo, onde os pensamentos se transformam em matéria; nele ficam os três princípios operacionais do corpo humano, chamados "doshas".

Os três doshas são chamados Vata, Pitta e Kapha:

Dosha Vata controla o movimento;

Dosha Pitta controla o metabolismo;

Dosha Kapha controla a estrutura.


Cada célula do nosso corpo deve conter esses 3 princípios.

Para continuarmos vivos, nosso corpo precisa de Vata: o movimento que permite a respiração, a circulação do sangue, a passagem dos alimentos pelo trato digestivo e o envio de impulsos nervosos ao cérebro.

Precisa de Pitta: o metabolismo que processa os alimentos, o ar e a água através de todo o sistema.

Precisa de Kapha: a estrutura que mantém as células unidas e forma músculos, gordura, ossos e tendões.

A natureza precisa das três funções para formar o ser humano. Para a medicina ayurvédica é fundamental saber se você é do tipo Vata, Pitta ou Kapha. É assim que se determina qual deveria ser sua dieta alimentar, exercícios e rotina diária, além de outras medidas que previnem as doenças.


Teste Maharishi Ayurveda para o tipo de corpo:

Por meio do questionário apresentado a seguir, você pode descobrir qual o seu tipo de corpo. Trata-se de uma série de questões divididas em três partes, uma para cada dosha/tipo físico. - Leia cada questão e atribua valores de 0 a 6, conforme o seu caso, observando a seguinte coerência (seja sincero!):

0 = Não se aplica ao meu caso;
3 = Às vezes se aplica ao meu caso;
6 = Aplica-se sempre ou quase sempre ao meu caso.

No fim de cada seção você fará a soma do total de pontos. Proceda dessa maneira até encontrar seu total final Vata, Pitta e Kapha. Quando terminar, terá três totais separados. Comparando-os, o que atingir a pontuação maior determinará qual o seu tipo de corpo.


Primeira seção - Vata

1. Exerço atividades rapidamente.
2. Não tenho facilidade para memorizar coisas e lembrá-las mais tarde.
3. Tenho entusiasmo e vivacidade por natureza.
4. Sou magro e não ganho peso com facilidade.
5. Sempre aprendo coisas novas com muita rapidez.
6. Meu modo de andar é leve e rápido.
7. Costumo ter dificuldades em tomar decisões.
8. Tenho tendência a formar gases e prisão de ventre.
9. Costumo ficar com as mãos e pés frios.
10. Sinto frequentemente ansiedade e preocupações.
11. Não tolero tão bem o clima frio quanto a maioria das pessoas.
12. Falo rapidamente e meus amigos me acham eloquente.
13. Meu estado de espírito muda facilmente, sou emotivo por natureza.
14. Tenho frequentemente dificuldades em adormecer e o sono não é profundo durante a noite.
15. Costumo ficar com a pele ressecada, principalmente no inverno.
16. Minha mente é muito ativa e agitada, e também tenho muita imaginação.
17. Meus movimentos são rápidos e ágeis; sinto energia surgir repentinamente.
18. Sou facilmente excitável.
19. Sozinho, durmo e me alimento irregularmente.
20. Aprendo com rapidez, mas também esqueço facilmente.

Total Vata: ___________


Segunda seção - Pitta

1. Considero-me muito eficiente.
2. Tenho tendência a ser preciso e ordenado nas atividades.
3. Tenho força de vontade e modos um pouco enérgicos.
4. Sinto mais desconforto e mais cansaço no calor que as outras pessoas.
5. Tenho tendência a transpirar facilmente.
6. Mesmo não demonstrando sempre, irrito-me ou me envaideço com facilidade.
7. Não me sinto bem se perco ou atraso uma refeição.
8. Meu cabelo pode ser descrito por uma ou mais destas: grisalho ou calvo precocemente, - fino e liso, - louro, ruivo ou quase branco.
9. Tenho bom apetite; se quiser, posso comer muito.
10. Muita gente me considera teimoso.
11. Meu intestino funciona regularmente; tenho mais tendência à diarréia do que à prisão de ventre.
12. Fico impaciente com facilidade.
13. Costumo ser perfeccionista nos detalhes.
14. Enfureço-me facilmente, mas esqueço logo.
15. Gosto de sorvetes, bebidas e alimentos gelados.
16. Costumo achar um ambiente quente demais; e não frio.
17. Não tolero comida muito quente ou apimentadas.
18. Não sou tão tolerante nos desentendimentos quanto gostaria.
19. Gosto de desafios e sou muito determinado a conseguir o que quero.
20. Costumo ser muito crítico com os outros e comigo mesmo.

Total Pitta: ___________


Terceira seção - Kapha

1. Minha tendência natural é fazer tudo tranquila e vagarosamente.
2. Tenho mais facilidade de ganhar peso do que a maioria das pessoas, e perco peso vagarosamente.
3. Sou de disposição calma e não me irrito facilmente.
4. Posso perder uma refeição sem sentir grande desconforto.
5. Tenho tendência a excesso de muco, catarro, congestão nasal crônica, asma ou sinusite.
6. Preciso de pelo menos oito horas de sono e frequentemente mais.
7. Tenho sono profundo.
8. Sou tranquilo por natureza e não costumo me enfurecer.
9. Não aprendo tão facilmente quanto os outros, mas guardo tudo que sei e tenho memória longa.
10. Tenho tendência a engordar e armazeno gordura com facilidade.
11. O clima frio e úmido me incomoda.
12. Meu cabelo é espesso, escuro e ondulado ou crespo.
13. Tenho pele macia, fina e um pouco pálida.
14. A estrutura do meu corpo é forte e sólida.
15. As seguintes palavras me descrevem bem: sereno, amável, afetuoso e generoso.
16. Tenho digestão lenta e sinto peso após a refeição.
17. Tenho grande resistência física e um nível bem equilibrado de energia.
18. Costumo andar com passos lentos e medidos.
19. Costumo dormir demais, acordo atordoado e começo as atividades do dia quase sempre vagarosamente.
20. Como devagar e sou lento e metódico em meus atos.

Total Kapha: ___________


Total Final: Vata___________ / Pitta___________ / Kapha___________


Representação artística dos três doshas

Apesar de existirem apenas três doshas, o Ayurveda estabelece várias combinações possíveis entre eles e classifica dez tipos diferentes. Basicamente, o importante é saber qual o seu tipo dominante. - Em alguns casos, existem pessoas que possuem dois ou mesmo três doshas dominantes (quando os totais do teste acima forem iguais ou quase iguais). Se nenhum dosha é dominante, você é do tipo de dois doshas (ou bi-dosha). Em seus caso, dois doshas atuam lado a lado ou alternadamente. O que alcança mais pontos lidera, mas ambos são atuantes.

As pessoas são, na maioria, do tipo de dois doshas dominantes. Em alguns casos, um dosha é muito forte (exemplo: Vata 70, Pitta 90 e Kapha 40), o que qualificaria um puro Pitta, não fosse a importância de Vata. Em outros casos, quando as diferenças são menores, o primeiro dosha predomina, mas os segundo é quase igual. Seu total poderia ser: Vata 85, Pitta 80 e Kapha 40, o que demonstraria que você é do tipo Vata-Pitta.

Por fim, algumas pessoas atingem dois totais iguais e um diferente, (exemplo: Vata 69, Pitta 86 e Kapha 69). - Também são consideradas bi-doshas, e, se o teste não definiu qual o primeiro, pode ser do tipo Pitta-Vata ou Pita-Kapha. Se for o seu caso, preste atenção ao primeiro dosha como dominante, e o segundo será esclarecido com o tempo. Se os totais forem quase iguais, por exemplo Vata 88, Pitta 75 e Kapha 82 - você é do tipo de três doshas (ou tri-dosha). Esse caso é considerado muito raro, e se este tiver sido o seu resultado, releia atentamente o teste ou peça a um amigo para ajudá-lo a verificar as respostas.

Um tipo de três doshas dominantes, o "tri-dosha", tem maior chance de manter o equilíbrio, devido à esse proporção igual ou quase igual entre Vata, Pitta e Kapha. Não existe líder mais forte comandando um time. Também chamado sama dohsa prakriti, o tri-dosha costuma ter boa saúde durante toda a vida, gozar de imunidade e ideal e grande longevidade. Por outro lado, assim que começa a ocorrer algum desequilíbrio, esse tipo fica em desvantagem, pois os três ao mesmo tempo exigem atenção para se reequilibrarem, já que não existe um líder para conter o time quando ele debanda...

Os doshas gostam de mudar e existem mais de mil formas de se relacionarem uns com os outros. Portanto, é muito improvável que se conservem na mesma proporção desde o nascimento. Seria como jogar três moedas no chão e ver se caem em uma perfeita linha reta. Por isso, um tri-dosha poderia se tornar um tipo de dois doshas, afinal. O mais importante não é pertencer a uma determinada categoria e sim conhecer bem a si mesmo. E isso é possível, mesmo que a princípio seu tipo de corpo pareça um pouco vago, como costuma ser o tipo de três doshas.

Mas em resumo, os sinais característicos dos três tipos puros são:

Vata: Corpo esguio, rapidez, mente mutável, vivacidade de maneiras. São pessoas consideradas imprevisíveis. Vata é o tipo seco. = É composto de ar e espaço; é imaginativo, sensível, espontâneo, jovial, bem disposto. O dosha Vata é notavelmente: frio, o que resulta em mãos e pés frios, e aversão ao clima frio. Móvel, resultando em boa ou má circulação, dependendo do equilíbrio desse dosha. A hipertensão é relacionada ao excesso de Vata, assim como irregularidades do ritmo cardíaco, espasmos musculares e dores nas costas. Rápido, resultando em muitas características relacionadas: capacidade de assimilar novas informações rapidamente, sendo logo esquecidas; má memória a longo prazo; boa imaginação; sonhos assustadores; atividade incessante; ações impulsivas; mudanças de humor; pensamentos rápidos, dispersivos; rapidez ao falar. Seco, dando pele ressecadas, cabelo seco ou sem brilho, olhos embaçados e transpiração moderada. A pele é sensível, sendo sujeita a psoríase e eczema. Áspero, tornando a pele áspera e o cabelo grosso.

Os tipos Vata demonstram tendência à insônia, prisão de ventre, estômago sensível, ansiedade e depressão, espasmos musculares ou cólicas, síndrome de TPM, hipertensão e artrite.

Pitta: Corpo mediano, mente ordeira e decidida, maneiras enérgicas. São consideradas pessoas de grande intensidade. Sob pressão, ficam irritadas e bruscas. Pitta é o tipo quente. = É composto de fogo e água; é intelectual, confiante, empreendedor, alegre. O dosha Pitta é notavelmente: quente, resultando em pele quente e corada, tendência a qualquer tipo de inflamação ou metabolismo ativado em excesso, sensações de calor no estômago, fígado, intestinos, etc. Os Pitta geralmente gostam de alimentos e bebidas frios porque compensam seu calor. Aguçado, tendo inteligência penetrante e clareza de expressão; a mesma qualidade pode se externar como acidez no estômago e secreção esagerada dos ácidos estomacais. Úmido, dando transpiração abundante e mãos quentes e suadas, típicas de Pitta. Sendo quente e úmido, esse tipo tem aversão por clima úmido. Odor ácido, que pode originar mau hálito, odores de corpo e urina e fezes com cheiro forte, quando há excesso de Pitta.

Os tipos Pitta emonstram tendência a erupções cutâneas, acne, azia, úlceras pépticas, calvície e cabelos grisalhos prematuros, visão fraca, hostilidade, autocrítica e ataques cardíacos relacionados ao estresse.

Kapha: Corpo pesado, mente calma e estável, maneiras suaves. São consideradas pessoas tranquilas. Sob pressão, ficam obstinadas e silenciosas. Kapha é o tipo pesado. = É composto de terra e água; é calmo, simpático, corajoso, generoso, afetuoso. O dosha Kapha é notavelmente: pesado. Qualquer desordem referente a peso sugere desequilíbiro de Kapha, como obesidade, digestão pesada ou um tipo profundo de depressão. Doce, levando a ganhar peso ou diabetes, se o consumo de açúcar for grande. Estável, o que faz de Kapha um tipo contido. Os processos corporais não chegam a extremos; a natureza estável de Kapha também não precisa de tanto estímulo externo quanto Vata ou Pitta. Não é afetado por mudanças que trariam desequilíbrio a outros tipos de corpo. Macio, o que dá grande veriedade de características, como pele e cabelos macios, maneiras suaves, olhar meigo e um modo tranquilo de encarar situações. Vagaroso, dando origem aos movimentos típicos das pessoas de Kapha, modo lento de falar e deliberação ao pensar.

Os tipos Kapha demonstram tendência à obesidade, vias nasais congestionadas, catarro no peito, juntas doloridas, depressão, diabetes, colesterol elevado e preguiça crônica pela manhã.


Agora que você já conhece o seu tipo físico ayurvédico, pode se beneficiar das dicas específicas para esses diferentes tipos, como as que serão aqui apresentadas, na próxima e definitiva postagem sobre medicina ayurvédica. Até lá...



Fonte: Chopra, Deepak - "Saúde Perfeita" - Editora Best Seller – 1990 - Sessões "Descobrindo seu tipo de corpo", "Os três doshas" e "O equilíbrio é dinâmico".



Medicina Ayurvédica - saúde perfeita

Parte 2: "O Corpo é um Rio" - por Dr. Deepak Chopra


Nós todos temos a tendência de encarar nossos corpos como se fossem "esculturas congeladas", objetos materiais fixos e sólidos. Mas nós somos, na verdade, como rios em constante mudança. Heráclito, o filósofo grego, declarou:

“Não podemos entrar num mesmo rio duas vezes, porque novas águas estão sempre fluindo.”

Isso também é verdadeiro para nossos corpos. Se você beliscar a cintura, vai perceber que o acúmulo de gordura de hoje não é o mesmo de anos passados. - Não quer dizer que necessariamente tenha que estar maior, mas sim que diversos fatores fazem seu corpo mudar, constantemente. - Seus tecidos adiposos (células de gordura) enchem e esvaziam constantemente, sendo inteiramente trocados a cada três semanas(!).

Você adquire uma nova parede estomacal a cada cinco dias, e a camada mais interna das células do estômago é trocada em minutos, durante a digestão dos alimentos. Sua pele é renovada a cada cinco semanas. Seu esqueleto, aparentemente tão sólido e rígido, é inteiramente renovado em três meses!..

Todo o fluxo de oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio é tão rápido que você poderia ser renovado em poucas semanas; são apenas os átomos de ferro, magnésio, cobre e outros que retardam esse processo. Sua aparência é a mesma, mas você é como um edifício cujos tijolos são trocados constantemente por outros, novos. Em um ano são trocados 98 por cento dos átomos do seu corpo, como confirmam estudos de radioisótopos dos laboratórios de Oak Ridge, na Califórnia.

Esse fluxo constante de mudanças é controlado no nível quântico do sistema mente-corpo, mas a medicina ainda não aproveitou esse fato, ainda aguarda o "salto quântico".

Para modificar o print-out do corpo, isto é, sua "saída impressa", você precisa aprender a reescrever o software da mente. O Ayurveda se propõe a oferecer um controle da saúde nesse nível quântico, que seria a próxima fronteira da medicina.

Podemos apenas conjecturar sobre aonde a evolução nos levará, mas existem exemplos dramáticos em que a mente se recusou a acreditar em uma enfermidade e o corpo obedeceu, curando-se subitamente.

No ano passado, examinei um paciente suíço, chamado Andreas Schmidt, que tinha um diagnóstico de câncer fatal. Um ano e meio antes ele notara um ponto dolorido nas costas quando encostava na cadeira. Tateando o local, percebeu que havia um ponto inchado do tamanho de uma moeda. A esposa disse que parecia uma grande verruga escura e segurou o espelho de mão, mostrando-lhe a mancha marrom-avermelhada localizada entre as espátulas.

Depois disso, os acontecimentos se precipitaram. Um oncologista de Genebra fez uma biópsia que revelou a presença de melanoma, o tipo de câncer de pele mais virulento e de desenvolvimento mais rápido. Andreas foi operado no dia seguinte. O cirurgião removeu a mancha e examinou os nódulos linfáticos da axila direita. Quatorze nódulos suspeitos foram removidos e quatro continham células de melanoma. Após a retirada do melanoma, o passo seguinte seria proceder o tratamento com radiação nas costas e no ombro, para destruir qualquer célula cancerosa que restasse. - Mas Andreas, um homem fino de pouco mais de 50 anos, recusou-se a receber a radiação.

- Achei, logicamente, que devia esperar e ver o que aconteceria – ele me disse depois. – Tinham retirado o tumor e eu acabara de sofrer um grande trauma com a cirurgia. No íntimo, não estava tão certo se devia me submeter a mais tratamentos. Não seria melhor eu me recuperar em casa e reconquistar a confiança?

Sua decisão contrariou o oncologista. Ele declarou que, se Andreas interrompesse o tratamento, era quase certa a volta do melanoma num período não superior a 6 meses.

- E não voltará com a radiação? – perguntou Andreas.
- As chances são muito menores – disse o médico.
- E quanto tempo de vida eu posso esperar depois disso?

O médico viu-se forçado a fazer uma estimativa desagradável. Sem tratamento, os pacientes com metástase de melanoma vivem poucos meses; submetendo-se ao máximo de tratamento, prolonga-se a expectativa de vida, chegando às vezes a alguns anos. Cinco anos depois, a média de sobreviventes é de dez por cento... Em dez anos não existe, virtualmente, nenhum vivo.

- Se eu não vou viver muito tempo, mesmo – Andreas concluiu – por que vou me submeter à agonia do tratamento? Só para agradar um médico?

Nos seis meses seguintes, ele continuou vivendo normalmente, até que apareceu um nódulo linfático intumescido na axila esquerda. Os exames revelaram que era a volta da melanoma, conforme previsto. Nesse estágio já não existia nenhuma esperança médica realista. Quando Andreas chegou aos Estados Unidos procurando ajuda, expliquei-lhe primeiramente o conceito do corpo mecânico e corpo mecânico quântico.

O câncer precisa ser desencadeado a nível mais profundo para depois existir, fisicamente. Em vez de se referir à falha do mecanicismo de auto-regeneração do DNA ou da ação dos carcirógenos, o Ayurveda declara que a doença resulta de distorções dos padrões de vibrações quânticas que mantém o corpo sadio. Expliquei a Andreas que deveria aprender a dirigir sua percepção ao nível sutil interior. De fato, os pensamentos e emoções são apenas designações para essas situações quânticas. A percepção tem a capacidade de curar e parece ser o instrumento causador de uma recuperação súbita nos casos mais avançados de moléstias incuráveis.

Existem exemplos de curas inexplicáveis de tais casos. Uma das peculiaridades do melanoma é sua maior predisposição para uma auto-recuperação do que outras formas menos mortais de câncer. Essas remissões espontâneas são comparativamente raras, acontecendo em menos de um por cento dos casos. - Mas resultam, aparentemente, em recuperações completas e duradouras. - Se uma pessoa curou a si mesma de melanoma, sabemos que esse feito é possível. Então, porque não nos empenhamos mais em tentar descobrir o que desencadeia a cura? - "São novas descobertas que você precisa fazer em seu íntimo" – salientei ao Sr. Andreas. Naquele momento, suas chances de fazer essas descobertas eram iguais às de qualquer outra pessoa.

Apesar de sua situação desvantajosa, Andreas levou o conselho a sério: aprendeu as técnicas mentais específicas do Ayurveda e submeteu-se a tratamentos de purificação do organismo. Ele voltou à Suíça e quatro meses depois informou, muito feliz, que o nódulo linfático tinha desaparecido. Os exames radiográficos e de sangue não revelaram nenhum traço de melanoma no seu organismo. Apesar de os oncologistas suíços terem previsto que ele viveria apenas cerca de três meses após a volta do câncer, Andreas vem levando uma vida normal e estava em perfeitas condições até o meu último contato com ele, dois anos após os episódios relatados acima.

O aspecto mais espantoso desse caso é que a mente induziu o corpo a aceitar uma nova realidade, ignorando o que era considerado “impossível”. Como podemos explicar eventos tão extraordinários? Um estudo de 400 casos de remissão espontânea de câncer revelaram que essas curas têm pouco em comum. Algumas pessoas tomaram suco de uvas ou grandes doses de vitamina C. Outras meditaram, outras tomaram chás de ervas medicinais ou simplesmente se animaram e adquiriram coragem.

No entanto, casos tão diversos têm uma coisa em comum: em determinado ponto da doença, os pacientes tiveram a certeza absoluta e repentina de que melhorariam, como se a moléstia não passasse de uma miragem. E cada um deles subitamente ultrapassou-a, foi além, penetrando um espaço vazio onde o medo, o desespero e todos os males não existiam.

Eles encontraram o lugar chamado Saúde Perfeita.


Fonte: Chopra, Deepak - "Saúde Perfeita" - Editora Best Seller – 1990 - Sessão "O Corpo é um Rio".

Medicina Ayurvédica - saúde perfeita

Parte 1: "Um lugar chamado Saúde Perfeita" - por Dr. Deepak Chopra


Existe em cada pessoa um lugar livre de doenças, onde nunca há dor, velhice ou morte. Quando você chega a esse lugar, as limitações que todos costumamos aceitar como normais deixam de existir. Ali não chegam a ser consideradas nem mesmo como possibilidade.

Esse é o "lugar" chamado "Saúde Perfeita".

Pode-se visitá-lo rapidamente ou demorar ali muitos anos. Mas até as visitas mais breves costumam provocar profundas mudanças. Enquanto você está ali, as suposições verdadeiras da "vida normal" são alteradas, e começa a fluir a possibilidade de uma existência superior, mais próxima da ideal.

A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer. De fato, ao contrário, entramos diariamente em contato com milhões de vírus, bactérias, alergênios e fungos, mas apenas uma fração mínima desses nossos inimigos naturais chega a nos causar doenças. Não é raro os médicos encontrarem pacientes com virulentas bactérias agrupadas no trato respiratório, mas que estranhamente não lhes causam nenhum mal. Elas atacam somente em raras ocasiões, quando causam a meningite, uma infecção séria do sistema nervoso central, às vezes fatal. - Ninguém sabe precisamente o que provoca esse ataque, mas aparentemente é envolvido um fator misterioso que chamamos "controle do hospedeiro".

Isso significa que nós, hospedeiros dos germes, abrimos ou fechamos o portão para eles, de algum modo que normalmente não sabemos como controlar.

Em mais de 99,99% dos casos o portão é fechado, o que demonstra que estamos bem mais perto da saúde perfeita do que imaginamos.

Um exemplo interessante: a principal causa de óbito nos EUA é devida a doenças cardíacas, causadas, na maioria dos casos, pelo depósito de placas que bloqueiam as artérias coronárias que conduzem oxigênio ao coração. Quando o colesterol e outros detritos começam a obstruir as artérias, a falta de oxigênio ameaça o funcionamento normal desse órgão. No entanto, o processo de uma doença cardíaca é muito pessoal. Uma pessoa com uma placa pequena pode ficar incapacitada pela angina; outra, com vários depósitos de grandes placas capazes de bloquear quase todo o fluxo de oxigênio, não sente nada.

Sabemos de pessoas que correram maratonas com 85 por cento das artérias coronárias bloqueadas, enquanto outras morreram de ataques cardíacos com os vasos sanguíneos completamente limpos. Nossa habilidade física para repelir a doença é extremamente flexível.

Além da imunidade física do corpo, temos todos uma forte resistência emocional à doença. Eis o comentário de uma antiga paciente minha:

"Já li o suficiente sobre psicologia para 'saber' que um adulto bem ajustado deve aceitar a doença, a velhice e a morte. 'Compreendi' isso, mas continuo não aceitando essa idéia emocionalmente, e nem instintivamente. Acho um erro terrível adoecer e deteriorar fisicamente. Sempre esperei que um dia apareceria alguém para corrigir isso."


Essa senhora está perto dos setenta anos de idade e mantém excelente condição física e mental. Quando lhe perguntei o que ela ainda esperava, respondeu:

"Pode achar uma loucura, mas adoto a atitude de que que não vou envelhecer nem morrer."


Será que isso é tão insensato quanto possa parecer? As pessoas que se consideram "ocupadas demais para adoecer" são conhecidas por ter saúde acima da média, enquanto pessoas que se preocupam demais com doenças sucumbem a elas mais freqüentemente.

No campo da medicina, a prevenção é muito menos dispendiosa do que o tratamento, tanto em termos econômicos quanto humanos. Precisamos de uma nova visão médica que acredite em "qualidade na fonte" e procure promovê-la nos indivíduos.


Maharishi Ayurveda - Uma nova medicina

O primeiro segredo que você deve conhecer sobre a saúde perfeita é este: você precisa escolhê-la!

Não pense apenas em ser saudável o quanto acha possível. A saúde perfeita não é uma melhora de cinco ou dez por cento na sua saúde, mas exige uma mudança completa de perspectiva, tornando a doença e a debilidade da velhice inaceitáveis.

Podemos realmente acreditar em "defeitos zero" numa coisa tão complexa quanto o corpo humano?

De acordo com o National Institute of Aging, nenhuma mudança de dietas, exercícios, vitaminas remédios ou mesmo estilo de vida é confiável, quando se trata de prolongar a vida. Hoje é mais possível do que nunca evitar as desordens degenerativas que afligem idosos, como doenças cardíacas, derrames, câncer, arteriosclerose, artrite, diabetes, osteoporose e outras, - mas ainda não é fácil.

Mesmo que os médicos pesquisadores demonstrem otimismo em suas declarações sobre os avanços da cura de certos males incuráveis, como o câncer e outros, o pessimismo é maior quando conversam entre si. O melhor que podem esperar é o progresso lento e gradual, alcançando soluções passo a passo. Por exemplo: estatisticamente, a diminuição do nível de colesterol reduz o enfarte em um grande grupo, mas não garante que uma pessoa com baixíssimo colesterol não o tenha.

Para melhorar a saúde duas ou dez vezes mais, você precisa de um novo tipo de conhecimento, baseado em um conceito mais profundo da vida. Uma fonte singular desse conhecimento é um sistema de medicina preventiva denominado Maharishi Ayurveda.

Ele é praticado há mais de 5 mil anos na Índia, e o nome Ayurveda significa "Conhecimento do Ciclo da Vida".

O propósito do Ayurveda é nos ensinar como podemos influenciar e moldar a nossa saúde, assumindo o controle sobre o rumo natural de nossas vidas, livres da influência das doenças e do envelhecimento. Seu princípio básico é que a mente exerce a mais profunda influência no corpo, e a libertação do estado doentio depende de entrarmos em contato com nossas percepções dormentes para atingir harmonia e expandi-la ao corpo todo.

Esse estado de percepção equilibrada, mais do que qualquer tipo de remédio, tratamento ou mesmo a imunidade física, é capaz de criar um estado mais saudável.



Fonte: CHOPRA, Deepak. Saúde Perfeita, São Paulo: Editora Best Seller, 1990, sessão 'Convite a uma Realidade Superior'.

Deepak Chopra é médico formado na Índia, com especialização em endocrinologia nos Estados Unidos, onde vive. Defende a prevenção de doenças e a conquista da saúde como decorrência da integração corpo-mente-espírito. É autor de 49 livros, traduzidos para 25 idiomas. Em 1985, fundou a "Associação Americana de Medicina Védica". É o fundador do "The Chopra Center", em San Diego, na Califórnia, onde oferece cursos, terapias e palestras. - Apesar do sucesso comercial, médicos e profissionais de mídia de diversos países o consideram um charlatão. Mas, sem nenhuma dúvida, ele é a personalidade mais indicada a se recorrer para saber a respeito de Medicina Ayurvédica.



Aforismos de Daniel, o leitor

Esta é uma pequena pausa na seqüência da nossa enciclopédia das religiões, para a estréia de uma nova modalidade de postagens, que eu acho que vou chamar de "sessão nostalgia"...

Transferindo os comentários do antigo Livro de Mensagens para o blogger (estou fazendo isso porque assim fica mais fácil guardar as mensagens que vocês, leitores, deixam por aqui, que eu valorizo e não quero perder), às vezes me sinto meio nostálgico, revendo antigos diálogos entre amigos, que acabam me trazendo à lembrança períodos felizes da minha vida recente, desde que comecei a escrever este blog...

Hoje, no meio desses comentários, me deparei com uma verdadeira pérola que resolvi publicar em forma de post. - Uma breve, profunda e bela coleção de pequenos aforismos, deixada num comentário. Ao meu ver, nasceu para ser mais do que isso...





A verdade é uma grande colcha de retalhos! Formada de tecidos, bordados e estampas diferentes, onde cada retalho é a nossa percepção do mundo. Alguém saberia me dizer qual é a linha que une esses retalhos tão diferentes e complementares?

O caminho do meio está na Arte das artes desde o seus primórdios: “Ponham à prova todas as coisas, e fiquem com o que é bom". - Aí está o equilíbrio. A sabedoria está em seguir o caminho do meio sem precisar visitar os extremos (quando eu for sábio eu digo pra vocês como isso é possível)...

O Caminho do Meio é um caminho de harmonia e equilíbrio que nem sempre é confortável e requer muita atitude e disciplina. Antes de falar mais sobre isso eu gostaria de comentar uma pergunta (feita por 'Cris'):

“Como pode ser destrutivo você cair de cabeça em algo que, a princípio, é classificado de bom?”

O que é tão bom que não possa ser destrutivo, quando feito em excesso? Coisas boas viciam? Existem vicios bons? Quando você mergulha de cabeça, você consegue ver além do que está debaixo d’água?..


Sobre o livro “O Segredo” (de Rhonda Byrne, Ediouro):

Um Pai que não nega nenhum desejo ao filho é um bom Pai? Onde está o Caminho Estreito num mundo onde eu posso tudo? Aqueles que seguirem fielmente o segredo não terão que se preocupar com isso, pois para estes...

“Não há outro Deus além de Você”; “A verdade é que o seu 'eu' é perfeito e completo” (pág.173); “Ninguém julga a sua vida” (pág.177); “Você é o criador de si mesmo”; “Tudo aquilo que você precisa é de você mesmo”; ”Somos fonte do universo... Podemos exercitar nossa autoridade e conseguir... Criar tudo!”; “Somos os criadores do destino universal, somos os criadores do universo”; ”Você é Deus num corpo físico"; "Você é todo poder e toda sabedoria” (pág.164) ...

Acho que todas essas afirmações proporcionam orgasmos múltiplos para egos envaidecidos!

Talvez a minha mente puritana não esteja preparada para tanto. Penso que temos que ter cuidado, o mal acontece mesmo quando estamos conectados ao caminho do bem (e esse blog já falou sobre isso), e acho que está ai outra função do mal no mundo, nos lembrar que somos humanos...

Acredito também que tudo no mundo é energia: a gratidão é uma força divina e a minha percepção pessoal interfere no mundo... Mas não o determina. Visualizar e pensar certo faz toda a diferença. Para fazer com que meus desejos aconteçam, devo estar alinhado com a Consciência Divina, e deixar que Ele, que não sou eu, manifeste a Sua Bontade, porque eu desejo que o meu único desejo seja me tornar um bom instrumento da Vontade de Deus.

A verdade é uma grande colcha de retalhos! Formada de tecidos, bordados e estampas diferentes. Cada retalho é uma percepção do mundo e a linha que os une é o Amor indizível.

Sendo eu esse retalho, do meu retalho digo que ele é roto, irregular e imperfeito. E se encanta mais em ser colcha para um carpinteiro do que para um sultão.


Daniel



Devagar e 100% no Agora


Como uma resolução de ano novo, meu compromisso de parar com a correria no dia-a-dia por um ano inteiro parecia bem ambiciosa. Mas logo descobri que eu conseguia me mover bem rapidamente sem deixar a minha mente se comprometer com a pressa. Na verdade, ficou óbvio que me apressar tinha menos a ver com a velocidade na qual eu fazia as coisas do que com a agitação e preocupação em ser alguém que eu não era. Quando parei de focar em qual seria a próxima coisa a fazer, tornei-me incrivelmente mais consciente do valor dos momentos comuns que eu estava perdendo – o calor do sol em meu rosto, o toque dos meus pés no chão, o cantar dos pássaros em uma árvore perto de casa. Muito do que escapava da minha atenção ganhou vida. A jornada para chegar aos lugares ficou mais importante do que a chegada; em vez de esperar pelo início ou fim de algo, descobri o prazer de prestar atenção no que acontecia bem na minha frente. E, assim, devo admitir que nunca mais fiquei tentada a fazer da pressa e da correria parte da minha vida.

A vida pode ser preenchida de incontáveis momentos perdidos. Na pressa de atender às demandas de família, trabalho, amigos e às necessidades de seu próprio corpo e mente, sua conexão com o presente é geralmente substituída por uma preocupação com o futuro. Perdida em pensamentos e tarefas, sua atenção é privada de simplesmente deslizar sobre a superfície da vida. É sempre muito fácil perder aqueles momentos simples que fazem o seu coração cantar: a risada de uma criança, uma chuva de folhas caindo de uma árvore enquanto você passa de carro, a batida do seu próprio coração. Você vive e emite o milagre da vida. Mas para isso tocar o seu coração, você precisa estar presente. Os momentos preciosos de calma e tranqüilidade pelos quais o seu coração busca nascem da sua boa vontade de viver o momento em que você está. Sim, este exato momento.


Viciados em intensidade

Se você examinar a sua vida, provavelmente descobrirá que presta muito mais atenção nos momentos de experiências dramáticas e intensas do que naqueles momentos quando parece que nada acontece. Excitação, sucesso, paixão e alegria são sentimentos sem dúvida bem-vindos e heroicamente perseguidos. E dor e tristeza geralmente inspiram um heroísmo enquanto você luta para evitar qualquer coisa que possa causar tamanho desconforto. Você pode descobrir que só quando todos os seus esforços em escapismo e distração forem esgotados que observará relutantemente o difícil, e geralmente receberá isso não com curiosidade sobre o que aquele momento pode ter, mas com uma agenda de consertar ou se livrar de tudo o que perturba o seu coração.

Momentos de drama têm valor se você os vivencia com inteireza – eles podem intensificar sua consciência e te despertar para a sua experiência. Esse ponto ficou claro como cristal no dia em que me encontrei sentada em um trem ao lado de um rapaz com rosto e corpo cheios de piercings. Perguntei se não era terrível ter tantos furos no corpo, e ele respondeu: “É profundamente doloroso, mas faz com que eu me sinta tão vivo!” Mesmo que você não use esses lembretes de dor no seu corpo e no seu rosto, há chances de que seu foco na vida também esteja em dores e prazeres. Um passeio na montanha-russa, a excitação de um novo amor ou férias em um lugar exótico oferecem uma sensação de estar vivo. Uma decepção amorosa, uma doença, uma briga ou uma oportunidade perdida podem trazer dor, mas também podem capturar e avivar a sua atenção. Mesmo o trabalho de rotina, que pode ser exaustivo, oferece aparente significado, direção e identidade.

Os dramas da vida dão ao ego um sentido de identidade, então é natural que a sua mente absorva rapidamente as dores, prazeres e tarefas que ela percebe. E, ainda assim, há eventos na vida que são simplesmente comuns, nem excitantes nem perturbadores. Árvores crescem, pássaros cantam, o sol brilha, a chuva cai. Você passa seus dias respirando, andando, sentando, conhecendo inúmeros lugares, momentos e pessoas em que mal repara. Nesses momentos comuns, a tendência é desconectar-se; em geral, esses momentos não parecem dignos da sua atenção. Você confunde o comum com o tedioso: falta de riqueza, de intensidade e de plenitude. Acostumado a externar alegria e vitalidade, você começa a detectar inquietação ou descontentamento internos em qualquer momento que não seja dramático nem intenso.

Mas ninguém tem uma mente preenchida apenas com pensamentos maravilhosos e nem um corpo explodindo de saúde e vitalidade. Ninguém de nós tem uma prática de meditação que seja continuamente excitante e arrebatadora. Seus dias têm inúmeros momentos comuns – pegar o ônibus, fazer compras no mercado, atender ao telefone, ficar preso no trânsito, fazer as tarefas diárias. Esses momentos não são menos valiosos porque não têm uma carga dramática. Eles são cheios de observações deliciosas.


O encanto vive em você

Às vezes parece que o ordinário te priva do objetivo e, conseqüentemente, da identidade. Experimentar o não-fazer – para simplesmente observar a vida em vez de se ater aos seus mais intensos altos e baixos – parece de início profundamente desconfortável em sua estranheza. Muitas vezes você se encontra usando momentos quietos como um trampolim para a busca de algo novo, mais excitante. Mas se você pode verter a sua intensidade suficientemente para vivenciar os momentos comuns na sua vida, descobrirá que há sempre portas para a riqueza e a vitalidade que vivem dentro do seu coração. Em vez de contar com uma torrente de eventos externos que te deliciem, você rapidamente encontra a delícia de se conectar com a vida como ela é, bem no momento. Quando você celebra os momentos ordinários na vida, começa a conectar-se com tudo o que passou despercebido na sua vida interna e externa.


O encanto não vive apenas em uma praia exótica ou em um jantar maravilhoso com amigos. Ele vive no seu coração!


A consciência começa a permear não só os momentos atraentes, mas os simples também. E você começa a questionar a inclinação humana a externar tanto felicidade quanto infelicidade. Você começa a examinar a crença antiga de que seu despertar total depende da intensidade. Ao sustentar a consciência da sua almofadinha de meditação e trazê-la ao cotidiano, você começa a despertar a sua capacidade de se encantar. O encanto não vive apenas em uma praia exótica ou em um jantar maravilhoso com amigos. Ele vive no seu coração. Quando você honra cada momento prestando atenção nele incondicionalmente, é inevitável que encontre o encanto nos pequenos momentos da vida. Isso é viver de um jeito sagrado, abraçando com igual interesse o fascinante, o difícil e os incontáveis momentos na sua vida que não são nem agradáveis nem desagradáveis. Ao se libertar do vício em intensidade, você recupera momentos perdidos dos seus dias – e ganha vida e a capacidade de se encantar que vive dentro de você.


Tocando o ordinário

Seja curioso sobre sons, pensamentos e sentimentos cotidianos e desperte a habilidade de se encantar. Fique em uma posição relaxada para praticar meditação. Feche os olhos e repouse a atenção na sua respiração. Observe e sinta o corpo todo, notando o espectro de sensações e sentimentos presentes no momento. Observe como a sua atenção é levada àquelas sensações que são gostosas ou desagradáveis. Tome consciência de como reage a essas sensações – se resiste ao desagradável e delicia-se com o gostoso. Sinta os lugares do corpo em que não há sensação – palmas das mãos, orelhas, etc. Sinta como o seu interesse, sensibilidade e calma os traz à vida. Como você pode ver essas áreas de maneira diferente. Sinta o que é relaxar dentro do comum, explorando o alívio e a paz que você encontrará. Expanda a sua atenção para os barulhos externos. Repare nos sons agradáveis e nos irritantes. Sinta como você é atraído pelos sons agradáveis e como resiste aos mais irritantes.

Observe os sons do ordinário – o ruído da geladeira, o vento pela fresta da janela, o carro lá longe. Explore o que significa ouvir esses sons profundamente e descansar no puro ouvir. Traga a sua atenção para o espectro de pensamentos na sua mente – planejando, relembrando, preocupando-se – ,observe todos de maneira igual, com uma atenção calma que vê esses pensamentos chegando e indo embora. Que tal descansar no “ver”, deixando a mente fazer o que uma mente faz, sem segurar nenhum dos pensamentos que aparecerem? Expanda a sua consciência para receber tudo o que é presente nesse momento – seu corpo, sentimentos, pensamentos, sons. Explore o que é receber o momento, repousar em consciência. Sinta o amor que nasce do interesse, da conexão, do alívio e do modo com que seu mundo é despertado pela atenção que você dá a ele. Como seria trazer essas qualidades para a sua vida, escutar com todo o seu coração a tudo o que você negligencia ou recusa?


Por Christina Feldman - ensina meditação em retiros nos EUA desde 1976.
Fonte: "Yoga Journal" (Editora Esfera BR Mídia)



Saber ou não saber?



"Qual roupa eu devo usar hoje?" - "O que faço com a minha vida?" - O nosso dia-a-dia é feito de pequenas ou grandes perguntas como essas. E pode ser bem interessante notar que as perguntas que fazemos a nós mesmos trazem em si o poder de mudar profundamente nossas vidas...


"Fazer a si mesmo perguntas mais profundas revela novas maneiras de estar no mundo. Traz um sopro de ar fresco. Torna a vida mais alegre. A grande jogada na vida não é saber, mas mergulhar no mistério. "

- Dr. Fred Alan Wolf, Ph.D - físico, escritor e conferencista


Imagine que aterrissasse em sua mesa de centro uma pequena nave espacial contendo o "Livro Universal Sobre Tudo", e você tivesse o direito de fazer uma pergunta. Qual seria ela?

Isso talvez possa parecer bobagem para alguns, mas vale o esforço de imaginação. Pare um instante e pense: qual seria essa pergunta? Pode ser qualquer coisa. Vá em frente e anote-a num diário.

Agora digamos que ultimamente o Livro esteja se sentindo um tanto menosprezado, e por isso lhe dê uma pergunta a mais de brinde. Então pense em alguma coisa sobre a qual você tenha apenas curiosidade. Pode ser o que vai acontecer no final de "Lost"; ou onde você colocou, afinal, aquele objeto que desapareceu como que por encanto, e por mais que você o tenha procurado por toda a casa não consegue encontrar. Algo que simplesmente o deixe curioso. Anote essa pergunta também.

Você sabe como o "Livro Universal Sobre Tudo" se tornou a fonte de todo o conhecimento humano? Fazendo perguntas pra todo mundo e obtendo respostas reais. Por isso, a pergunta que eu tenho a fazer a você (e cuja resposta será acrescentada no Livro) é: Qual é a coisa sobre a qual você tem certeza?

A propósito: o "Livro Universal Sobre Tudo" existe e é provavelmente aquilo que Jung chamou de "Inconsciente Coletivo"; você pode acessá-lo a qualquer momento, fazendo uso dessa ferramenta maravilhosa que está sempre à sua disposíção, chamada consciência...


Grandes perguntas trazem em si o poder de abertura da consciência

Em que situação a nossa sociedade nos estimula a fazer perguntas? Pouquíssimas. No entanto, a maioria das grandes descobertas e revelações preciosas à nossa sociedade foi produto de perguntas.. As perguntas são as precursoras, a causa primária, em todos os ramos do conhecimento humano. O pai da filosofia grega, Sócrates, declarou aos discípulos que o caminho que conduz à Sabedoria poderia ser resumido na questão: "Quem sou eu?" O físico Niels Bohr perguntou: "Como é possível um elétron ir de A para B sem jamais passar entre esses dois pontos?"

Perguntas como essas nos despertam para o que não sabíamos. E de fato são a única forma de se chegar lá - ao outro lado do desconhecido.

Perguntar é um convite à aventura, uma viagem de descobrimento. Partir para uma nova aventura é emocionante; há o profundo encantamento da liberdade, a liberdade de explorar um território novo.

Então, por que não fazemos essas perguntas? Porque perguntar pode abrir a porta para o caos, para o desconhecido e o imprevisível. No momento em que fazemos uma pergunta cuja resposta desconhecemos, despertamos para todas as possibilidades. Será que estamos prontos para receber uma resposta que não gostamos ou com a qual não concordamos? E se a resposta nos deixar desconfortáveis ou nos tirar da área de conforto e segurança que construímos para nós mesmos? E se a resposta não for o que desejamos ouvir?

Para fazer uma pergunta não é preciso ter força. Não é preciso nem mesmo ter uma grande inteligência. Mas é preciso coragem.




O que é uma pergunta grande?

Vejamos o que torna grande uma pergunta. Uma grande pergunta não precisa vir de um livro de filosofia ou tratar das grandes questões da vida. Para você, uma grande pergunta pode ser: "E se eu decidir mudar o ramo da minha vida?" ou "E se eu resolver mudar a minha faculdade e me formar numa outra área?" ou ainda "Devo ouvir aquela 'voz' que me diz que devo me mudar para a China?" Quaisquer uma dessas perguntas, entre milhares de outras, pode mudar a direção da sua vida. Uma grande pergunta é isso: algo que pode mudar a direção da sua vida.

Portanto, mais uma vez, por que não as fazemos? A maioria das pessoas prefere permanecer na segurança do que sabe a procurar desafios. Mesmo se esbarrassem em uma pergunta, provavelmente iriam evitá-la, enfiariam a cabeça na areia, se ocupariam rapidamente com alguma outra coisa.

Vivemos um padrão de comportamento repetitivo, quase um vício do qual não conseguimos (ou não queremos) nos livrar. Para muitos de nós, só uma crise séria poderia suscitar uma das grandes perguntas: uma doença grave, a morte de alguém querido, o fracasso de um negócio ou de um casamento ou alguma coisa parecida com isso. Em momentos assim, grandes perguntas borbulham das profundezas de nosso ser como lava incandescente. Essas perguntas não são exercícios intelectuais, são gritos da alma. "Por que eu?" - "Por que ela?" - "O que eu fiz de errado?" - "Depois disso, vale a pena continuar vivendo?" - "Como Deus permitiu que isso acontecesse?"

Se agora, quando não existe uma crise imediata, conseguíssemos fazer brotar uma paixão assim, que nos levasse a fazer uma grande pergunta sobre nossas vidas, quem sabe o que de bom poderia acontecer?

Como disse o Dr. Wolf, fazer uma grande pergunta pode revelar novas maneiras de estar no mundo. Pode ser um catalisador da transformação. Do crescimento. Da superação. Do progresso.


A alegria das perguntas

Você se lembra de quando tinha 5 anos de idade e vivia perguntando "Por quê"? Depois de um tempo, seus pais devem ter pensado que aquilo era simplesmente para deixá-los loucos, mas você realmente queria saber sobre tudo! O que aconteceu àquela criança de 5 anos?

Você consegue se lembrar da criança de 5 anos que foi? Pode lembrar como era? Isso é importante, porque aos 5 anos você adorava o mistério. Adorava querer saber. Adorava a viagem. Cada dia era repleto de novas descobertas e novas perguntas.

Então, qual a diferença entre aquele tempo e agora? Será que você anda achando que já sabe tudo?

A diversão e a alegria da vida estão na viagem. Em nossa cultura, fomos condicionados a achar inaceitável e mau o "não-saber", a vê-lo como uma espécie de fracasso. Para passar nos testes da vida, temos que saber as respostas. Porém, mesmo quando se trata do conhecimento dos fatos sobre coisas concretas, o que a ciência não sabe ultrapassa infinitamente o que ela sabe. Muitos dos grandes cientistas estudaram o mistério do Universo e da vida em nosso planeta e declaram francamente: "Sabemos pouco. O que mais temos são perguntas". Isso certamente se aplica aos mais extraordinários pensadores que conhecemos. Nas palavras do escritor Terence McKenna:

"Quanto mais brilham as fogueiras do conhecimento, mais a escuridão se revela aos nossos olhos assombrados."

É ainda mais difícil dar uma resposta clara à pergunta: "Qual o significado e o propósito da minha vida?" A resposta a grandes perguntas como essa só pode emergir da viagem que é viver. E só podemos chegar a ela pela estrada do não-saber - ou talvez devamos dizer, do ainda-não-saber. Se sempre julgamos conhecer todas as respostas, como iremos crescer? Como poderemos estar abertos para aprender?


Conta-se que um professor universitário visitou Nan In, o mestre zen, para perguntar sobre o zen. Contudo, em vez de ouvir o mestre, o professor começou a falar sem parar sobre suas próprias certezas e idéias.

Depois de ouvir por um tempo, Nan In serviu o chá. Encheu a xícara do visitante e continuou a despejar o chá. A xícara transbordou, encheu o pires e começou a se derramar sobre a mesa, caindo nas calças do homem e no chão.

"Não está vendo que a xícara já encheu?" - explode o professor. - "Não cabe mais nada aí!"

- "Isso mesmo" - respondeu calmamente Nan In. - "Tal como essa xícara, você está cheio das suas próprias idéias e opiniões a respeito de tudo. Como poderei lhe ensinar qualquer coisa se você não esvaziar a sua xícara primeiro?"



O segredo da verdadeira sabedoria está em abrir espaço dentro de nós mesmos para as grandes perguntas. Quer dizer estar acessível, se recondicionar para poder aceitar, ao menos momentaneamente, o não saber. É daí que surge o verdadeiro conhecimento. E conhecimento não tem a ver com escolha, mas com a busca pela Verdade, onde quer que ela se encontre.

Em se tratando de espiritualidade, devemos entender que a Verdade não está no supermercado. Não devemos nos deixar levar por embalagens bonitas e chamativas. Mantenha o foco na Verdade, independente de qualquer coisa. Independente até de si mesmo. Esse é o único meio de descobri-la.


"A diferença entre o meu eu aos 5 anos e o meu eu hoje é que aos 5 anos eu não tinha feito um grande investimento emocional na idéia de o Universo ser de determinada forma. Estar 'errado' nunca era um problema. Tudo era aprendizagem. Agora fico lembrando a mim mesmo: 'em ciência não existe experiência fracassada. Ter descoberto que o que eu estava testando simplesmente não funciona é na verdade um sucesso!'"

William A. Tiller, Ph.D - físico


"Em verdade lhes digo que se não mudarem e não se fizerem como crianças, de modo algum entrarão no Reino dos Céus. "

Jesus Cristo (Matheus, 18:3)






Adaptado de um trecho do livro 'What the Bleep Do We Know!?: Discovering the Endless Possibilities for Altering Your Everyday Reality', de William Arntz, Betzy Chasse e Mark Vicente (HCI Publisher - 2005).



Mistérios da Epopéia de Gilgamesh

Detalhe de representação de Gilgamesh, o "Rei Herói"

Em fins do século dezenove foram descobertas, na colina de Kuyundjik, Kazaquistão, doze placas de argila escritas em sumério acádico, descrevendo uma grande epopéia heróica: trata-se da primeira narrativa registrada em forma escrita da História: A Epopéia de Gilgamesh.

Segundo arqueólogos, a epopéia de Gilgamesh é a obra mais antiga de todo o planeta (anterior à 'A odisséia' de Homero), escrita, aproximadamente, em 2.600 aC.

Os sumérios foram os mais antigos habitantes da Mesopotâmia e inventaram a escrita cuneiforme (em forma de cunha). - Em sua versão Assíria, o texto foi encontrado entre 669-626 dC., na biblioteca de Assurbanipal. - Consta de 12 tábuas, sendo que a última foi retirada de várias traduções, por razões lingüísticas e arqueológicas.

O texto conta aventuras vividas por Gilgamesh, um rei de Uruk na Babilônia, hoje Iraque: Gilgamesh é "Sha nagb imuru" ou "aquele que tudo viu", assim descrito:

"Dois terços dele são deus, um terço dele é humano. Seu corpo é perfeito, os deuses o completaram. E sua mãe, Ninsun, ainda o dotou de beleza. (...) No recinto de Uruk ele vivia (...) com força tão grande quanto a de um boi selvagem" - Primeira Tábua (Os parênteses com reticências são trechos em que as tabuletas não puderam ser traduzidas).

Estudos mostram que a história descrita na obra provavelmente era conhecida desde o sul da Babilônia até a Ásia menor. - A Epopéia de Gilgamesh descreve episódios tão extraordinários que dificilmente poderiam ter sido simplesmente inventados por algum escritor da época. - Um aspecto seu que chama muito a atenção é o fato de conter um relato extremamente semelhante ao do Dilúvio descrito no Antigo Testamento da Bíblia.

Conta Utnapishtim que os deuses o advertiram da grande maré vindoura e lhe deram ordem para construir um barco onde deveria recolher mulheres e crianças, seus parentes e artesãos de qualquer ramo de arte. A descrição da tempestade, das trevas, das águas subindo e do desespero dos homens que ele não podia levar, é de uma força narrativa ainda hoje cativante.

O texto contém também o relato de uma viagem cósmica, comunicado por Enkidu, uma espécie de humanóide gigante e melhor amigo de Gilgamesh, que teria voado por quatro horas nas "garras de bronze de uma águia"... O relato textual diz:

"Ela me falou: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha para o mar! Como te parece?

E a Terra era como uma montanha, e o mar como uma poça d'água.

E novamente voou ela mais alto e me falou: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha sobre o mar! Como te parece?

E a Terra era como um jardim, e o mar como um córrego.

E voou além: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha sobre o mar! Como te parece?

E a Terra parecia um mingau de farinha, e o mar era como uma barrica d'água"


- Sétima tábua


Muito interessante observar que esta mesma descrição foi dada pelos astronautas da Apollo 11, a primeira missão tripulada a pousar na Lua. - Um relato correto demais, feito numa época em que, teoricamente, ninguém poderia descrever a visão do nosso planeta visto de cima...


Fragmentos de um das tábuas que contém a grande epopéia


A Epopéia de Gilgamesh pode ser lida, aqui no Brasil, pela versão da Editora Martins Fontes. Vale a pena, pela aventura e pela fascinante viagem ao modo de pensar do mundo antigo.

Aqui você pode ler o texto completo da Epopéia de Gilgamesh (em inglês).

Para conhecer mais sobre a obra clique aqui e aqui.



Fontes:
Site "Fenômeno Matrix";
"Site de Literatura".
Profª Valéria de Oliveira



Yoga Sutras de Patânjali

Concepção artística clássica de Patânjali



Tradução do Apendix 'F' do livro Yoga Philosophy of Patanjali , de Swami Hariharananda Aranya, publicado por Calcutta University Press.


Yoga Sutras, a Coleção dos Aforismos Yogues


- Livro I -

Samadhi-Pada: Sobre o Êxtase ou Concentração


1. Iniciamos agora a exposição do Yoga.

2. Yoga é a restrição das modificações da mente.

3. Quando o observador permanece nele mesmo.

4. Em outros momentos, o observador parece assumir a forma da modificação mental.

5. Elas (as modificações) têm cinco variedades, das quais algumas são 'Klista' e o resto 'Aklista'.

6. (São elas) Pramana, Viparyaya, Vikalpa, sono sem sonhos e recordação.

7. Destas, a percepção, inferência e testemunho (comunicação verbal) constituem as Pramanas.

8. Viparyaya ou ilusão é o conhecimento falso formado a partir de um objeto como se ele fosse outro.

9. A modificação chamada 'Vikalpa' é baseada na cognição verbal, com relação a uma coisa que não existe. (É um tipo de conhecimento útil que advém do significado da palavra mas que não tem uma realidade correspondente).

10. Sono sem sonho é a modificação mental produzida pela condição de inércia como o estado de vacuidade ou negação (do despertar e do adormecer).

11. Recordação é a modificação mental causada pela reprodução da impressão prévia de um objeto, sem adicionar nada de outras fontes.

12. Pela prática e o desapego isso pode ser restringido.

13. O esforço para adquirir Sthiti ou um estado tranquilo da mente, desprovido de flutuações, é chamado prática.

14. Esta prática, quando continuada por um longo tempo, sem interrupção e com devoção, torna-se firme em seus fundamentos.

15. Quando a mente perde todos os desejos por objetos vistos ou descritos nas escrituras, ela adquire um estado de absoluto não desejo que é chamado desapego.

16. Indiferença para com as Gunas, ou princípios constituintes, alcançada através do conhecimento da natureza de Purusha, é chamado Paravaiaragya (desapego supremo).

17. Quando a concentração é conseguida com a ajuda de Vitarka, Vichara, Ananda e Asmita, é chamada Samprajnata-samadhi.

18. Asamprajnata-samadhi é o outro tipo de Samadhi que surge com a prática constante de Para-vairagya, que leva ao desaparecimento de todas as flutuações da mente, permanecendo apenas as impressões latentes.

19. Enquanto no caso de Videhas ou dos desincarnados e de Prakrtilayas ou dos que subsistem em seus constituintes elementares, é causada por ignorância que resulta em existência objetiva.

20. Outros (que seguem o caminho do esforço prescrito) adotam os meios da fé reverencial, energia, recordação repetida, concentração e conhecimento real (e assim alcançam Asamprajnata-samadhi).

21. Yogues com intenso ardor alcançam concentração e seus resultados, rapidamente.

22. De acordo com a aplicação do método, vagarosa, média ou rápida, mesmo entre os yogues que têm intenso ardor, existem diferenças.

23. Através de devoção especial a Isvara também (concentração torna-se eminente).

24. Isvara é um Purusha em particular, não afetado por aflição, ação, resultado das ações ou as impressões latentes que advém delas.

25. Nele, a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento maior, não havendo nada mais a transcender.

26. Ele é o professor dos primeiros professores porque com ele não existe limite de tempo.

27. A palavra sagrada que o designa é Pranava ou a sílaba OM.

28. Yogues a repetem e contemplam seu significado.

29. Disso vem a realização do ser individual e os obstáculos são resolvidos.

30. Doença, incompetência, dúvida, desilusão, pregriça, não- abstinência, concepção errônea, não-alcance de qualquer estado yogue ou instabilidade para permanecer num estado yogue, estas distrações da mente são os impedimentos.

31. Tristeza, falta de entusiasmo, inquietação, inspiração e expiração advém de distrações prévias.

32. Para restringir as distrações, a prática da concentração em um princípio único; deve ser feita.
33. A mente torna-se purificada pelo cultivo dos sentimentos de amizade, compaixão, boa-vontade e indiferença respectivamente a criaturas felizes, miseráveis, virtuosas ou pecaminosas.

34. Pela expiração e restrição da respiração, também a mente é acalmada.

35. O desenvolvimento de percepção objetiva chamada Visayavati também traz tranquilidade mental.

36. Ou pela percepção que é livre de tristeza e é radiante (estabilidade mental também é produzida).

37. Ou (contemplando) uma mente que é livre de desejos (a mente do devoto torna-se estável).

38. Ou tomando como objeto de meditação as imagens dos sonhos ou dos devaneios (a mente do yogue torna-se estável).

39. Ou contemplando qualquer coisa que o indivíduo queira (a mente torna-se estável).

40. Quando a mente desenvolve o poder de estabilizar-se nos objetos de menor tamanho, assim como nos maiores, então a mente está sobre controle.

41. Quando as flutuações da mente são enfraquecidas, a mente aparenta tomar as formas do objeto da meditação - seja ele o que conhece (Grahita), o instrumento de cognição (Grahana) ou o objeto conhecido (Grahya) - como uma jóia transparente, e esta identificação é chamada Samapatti ou absorção.

42. A absorção na qual existe confusão entre a palavra, seu significado (isto é, o objeto) e seu conhecimento, é conhecida como Savitarka Samapatti.

43. Quando a memória é purificada, a mente parece estar desprovida de sua própria natureza (isto é, da consciência refletiva) e somente o objeto (o qual está contemplando) permanece iluminado. Este tipo de abs orção é chamada Nirvitarka Samapatti.

44. Através disso, as absorções Savichara e Nirvichara, cujos objetos são sutis, são também explicadas.

45. Sutileza pertencente aos objetos, culmina em A-linga ou o imanifesto.

46. Estes são os únicos tipos de concentração objetiva.

47. Ganhando proficiência em Nirvichara, pureza nos intrumentos internos de cognição é desenvolvida.

48. O conhecimento ganho neste estado é chamado Rtambhara (Preenchido de Verdade).

49 Este conhecimento é diferente daquele derivado do testimunho ou da inferência, porque relaciona-se às particularidades dos objetos.

50. A impressão latente nascida de tal conhecimento é oposta à formação de outras impressões latentes.

51. Pela restrição disso também (por conta da eliminação das impressões latentes de Samprajnana), acontece a concentração sem-objeto, através da supressão de todas as modificações.


- Livro II -

Sadahana-Pada: Sobre a Via ou Prática

1. Tapas (austeridade ou vigorosa auto-disciplina - mental, moral e física), Svadhyaya (repetição de Mantras sagrados ou o estudo da literatura sagrada) e Isvara-pranidhana (completa rendição a Deus) são Kriya Yoga (Yoga em forma de ação).

2. Este Kriya-Yoga (deve ser praticado) para gerar o Samadhi e minimizar as Klesas.

3. Avidya (concepção errônea sobre a natureza real das coisas), Asmita (egoismo), Raga (apego), Dvesa (aversão) e Abhinivesa (medo da morte) são as cinco Klesas (aflições).

4. Avidya é o campo de crescimento das outras, sejam elas dormentes, atenuadas, interrompidas ou ativas.

5. Avidya consiste em considerar os objetos impermanentes como permanentes, impuros como puros; miséria como felicidade e o não-ser como ser.

6. Asmita é equivalente à identificação de Purusha ou Consciência Pura com Buddhi.

7. Apego é esta (modificação) que segue a lembrança do prazer.

8. Aversão é esta (modificação) que resulta da miséria.

9. Tanto no ignorante quanto no culto, o medo, firmemente estabelecido, da aniquilação, é a aflição chamada Abhinivesa.

10, As sutis klesas são abandonadas (isto é, destruidas) cessando-se a produtividade (isto é, desaparecendo) da mente.

11. Seus meios de subsistência ou seus estados densos são evitáveis pela meditação.

12. Karmasaya, ou a impressão latente da ação baseada nas aflições, torna-se ativa nessa vida ou na vida por vir.

13. Na medida em que as Klesas permanecem na raiz, karmasaya produz três consequências nas formas de nascimento, tempo de vida e experiência.

14. Por razão da virtude e do vício, essas (nascimento, período e experiência) produzem experiências prazerosas ou dolorosas.

15. A pessoa que discrimina, apreende (por análise e antecipação) todos os objetos mundanos como marcados pela tristeza, porque eles causam sofrimento como consequência, tanto nas suas experiências aflitivas, quanto em suas latências e também por causa da natureza contrária das Gunas (que produzem mudanças a todo momento).

16. (É por isso que) a dor que está por vir deve ser evitada.

17. Unindo o observador ou sujeito com o observado ou objeto: é a causa disso que deve ser evitado.

18. O objeto ou o que é passível de conhecimento é por natureza sensível, mutável e inerte. Existe na forma dos elementos e dos órgãos, e servem ao propósito da experiência e emancipação.

19. Diversificada (Visesa), não-diversificada (Avisesa), indicador-somente (Linga-matra), e aquilo que não tem indicador (Alinga), são os estados das Gunas.

20. O Observador é o conhecedor absoluto. Apesar de puro, modificações (de Buddhi) são testemunhadas por ele como um espectador.

21. Servir como um campo objetivo para Purusha, é a essencia ou natureza dos objetos conhecíveis.

22. Apesar de deixar de existir em relação àquele que preencheu seu propósito, os objetos conhecíveis não deixam de existir por serem úteis para outros.

23. Associação é o meio de realização da verdadeira natureza do objeto do Conhecedor e do Possuidor, o Conhecedor (isto é, o tipo de associação que contribui para a realização do observador e do observado é esta conexão).

24. (A associação tem) Avidya ou ignorância como sua causa.

25. A ausência da associação que advém da falta dela (avidya) é liberdade, e este é o estado de liberação do observador.

26. Conhecimento discriminativo, claro, distinto (desimpedido) é o meio para a liberação.

27. Sete tipos de insight vêm ao que desenvolveu a iluminação discriminativa.

28. Através da prática dos diferentes acessórios do Yoga, quando as impurezas são destruidas, advém a iluminação, culminando na iluminação discriminativa.

29. Yama (restrição), Niyama (observância), Asana (postura), Pranayama (regulação da respiração), Pratiahara (restrição dos sentidos), Dharana (fixação), Dhyana (meditação) e Samadhi (perfeita concentração), são os oito meios de se alcançar o yoga.

30. Ahimsa (não-violência), Satya (verdade), Asteya (abster-se do roubo), Brahmacharya (continência) e Aparigraha (abster-se da avareza), são as cinco Yamas (formas de restrição).

31. Estas (as restrições), no entanto, são um grande voto quando tornam-se universais, não sendo restringidas por qualquer consideração de classe, lugar, tempo ou conceito de dever.

32. Pureza, contentamento, austeridade (disciplina mental e física), svadhyaya (estudo das escrituras e recitação de mantras) e devoção a Isvara, são as Niyamas (observâncias).

33. Quando estas restrições e observâncias são inibidas por pensamentos perversos, o oposto deve ser pensado.

34. Ações que advém de pensamentos perversos, como injúria etc, são realizadas pela própria pessoa, por outras ou aprovadas; são realizadas tanto pela raiva, quanto pela cobiça ou pela desilusão; e podem ser fracas moderadas ou intensas. Saber que são causadas por uma miséria e ignorância infinitas, é um pensamento-contrário.

35. Na medida em que o yogue se torna estabelecido na não-injúria, todos os seres que se aproximam (do yogue) deixam de ser hostis.

36. Quando a maneira de ser é verdadeira, as palavras (do yogue) adquirem o poder de fazerem-se frutíferas.

37. Quando o não-roubo é estabelecido, todas as jóias se apresentam.

38. Quando continência é estabelecida, Virya é adquirida.

39. Atingindo perfeição nas Yamas, advém conhecimento da existência passada e futura.

40. Da prática da purificação, desapego com relação ao próprio corpo é desenvolvido, e portanto o desapego se estende a outros corpos.

41. Purificação da mente, setimentos agradáveis, concentração, subjugação dos sentidos e abilidade para a auto-realização são adquiridas.

42. A partir do contentamento, felicidade transcendente é ganha.

43. Pensamentos de destruição das impurezas, prática de austeridades gera perfeição do corpo e dos órgãos.

44. Do estudo e repetição de Mantras, comunhão com a divindade desejada é estabelecida.

45. Da devoção a Deus, Samadhi é alcançado.

46. Uma forma agradável e pausada (de estar) é Asana (postura yogue).

47. Pelo relaxamento do esforço e meditação no infinito (asanas são aperfeiçoadas).

48. Disso vem a imunidade com relação a Dvandvas ou condições opostas.

49. Esta (asana) tendo sido aperfeiçoada, regulação do fluxo da inspiração e expiração é pranayama (controle da respiração).

50. Este (pranayama) tem uma operação externa (Vahya-vrtti), operação interna (Abhyantara-vrtti) e supressão (Stambha- vrtti). Isto ainda, quando observado de acordo com espaço, tempo e número torna-se lo ngo e sutil.

51. O quarto pranyama trnscende operações internas e externas.

52. Através disso, o véu sobre a manifestação (do conhecimento) é rarefeito.

53, (Então) a mente adquire condições para Dharana.

54. Quando separados de seus objetos correspondentes, os órgãos seguem a natureza da mente (no momento), isto é chamado Pratyahara (restringir os órgãos).

55. Isto gera supremo controle dos órgãos.


- Livro III -

Vibhuti-Pada: Poderes Sobrenaturais


1. Dharana é a fixação da mente (Chitta) em um ponto particular no espaço.

2. Nela (Dharana) o fluxo contínuo de modificação mental similar é chamado Dhyana ou meditação.

3. Quando o objeto da meditação sozinho brilha na mente, como que desprovido até mesmo do pensamento do'Eu' (que está meditando), este estado é chamado Samadhi ou concentração.

4. Os três juntos no mesmo objeto é chamado Samyama.

5. Dominando isto (Samyama) a luz do conhecimento (Prajna) emerge.

6. Ela (Samyama) deve ser aplicada aos estágios (da prática).

7. Estas três práticas são mais associadas do que as mencionadas anteriormente.

8. Isso também (deve ser visto) como externo com relação a Nirvija ou concentração sem semente.

9. Supressão das latências das flutuações e aparecimento das latências do estado de pausa, acontecendo a cada momento de ausência do estado de pausa na mesma mente, é a mudança do estado de pausa da mente.

10. Continuidade da mente tranquila (no estado de pausa) é assegurado por suas impressões latentes.

11. Diminuição da atenção voltada para tudo e desenvolvimento da concentração (onepointedness) é chamado Samadhi-parinama, ou mutação da mente concentrada.

12. Lá (em Samadhi) ainda (no estado de concentração) as modificações passadas e presentes sendo similares é Ekagrata- parinama, ou mutação do estado estável da mente.

13. Assim explica-se as três mudanças, ou seja, dos atributos essenciais ou características, das características temporais, e dos estados das Bhutas e das Indriyas (isto é, todos os fenômenos conhecíveis).

14. Aquilo que continua a sua existência, através das várias características, nomeadamente: o inativo, isto é, passado; o emergente, isto é, presente; o imanifesto, (mas que permanece como força potente), isto é, futuro, é o substrato (ou objeto caracterizado).

15. Mudança de sequência (das características) é a causa das diferênças mutativas.

16. Conhecimento do passado e do futuro pode advir de Samyama sobre as três Parinamas (mudanças).

17. Palavra, objeto implicado, e idéia correspondente, produz uma impressão unificada. Se Samyama for praticada em cada um separadamente, conhecimento do significado dos sons produzidos por todos os seres, pode ser adquirido.

18 Pela realização das impressões latentes, conhecimento dos nascimentos prévios é adquirido.

19. (Pela prática de Samyama) em noções, conhecimento de outras mentes é desenvolvido.

20. O suporte (ou base) da noção não se torna conhecido, porque este não é objeto de observação (do yogue).

21. Quando a capacidade de percepção do corpo é suprimida pela prática de Samyama em seu caracter visual, desaparecimento do corpo é efetivado, por ficar ele além da esferea de percepção do olho.

22. Karma pode ser rápido ou lento em sua frutificação. Pela prática de Samyama no Karma, conhecimento da morte pode ser adquirido.

23. Através de Samyama sobre a amizade, e outras virtudes similares, obtem-se força.

24. (Pela prática de Samyama) na força (física), a força de elefantes pode ser adquirida, e mais.

25. Aplicando a luz efulgente da percepção superior (Jyotismati), conhecimento dos objetos sutis, ou coisas invisíveis ou colocadas a grande distância, pode ser adquirido.

26. (Praticando Samyama) sobre o sol (o ponto no corpo conhecido como a entrada solar), o conhecimento das regiões cósmicas é adquirido.

27. (Pela prática de Samyama) sobre a lua (a entrada lunar no corpo), conhecimento do arranjo entre as estrelas é adquirido.

28. (Pela prática de Samyama) na estrela Polar, o movimento das estrelas é conhecido.

29. (Pela prática de Samyama) no plexo do umbigo, advém conhecimento da composição do corpo.

30. (Praticando Samyama) na traquéia, fome e sede são restringidas.

31. Calma é alcançada por Samyama no tubo bronquial.

32. (Pela prática de Samyama) na luz coronal, Siddhas podem ser vistos.

33. Do conhecimento denominado Pratibha (intuição), tudo torna-se conhecido.

34. (Pela prática de Samyama) no coração, conhecimento da mente é adquirido.

35. Experiência (de prazer ou dor), vem da concepção que não distingue entre duas entidades extremamente diferentes: Buddhisattva e Purusha. Tal experiência existe para um outro (isto é, Purusha). Esta é a razão de através de Samyama em Purusha (que observa todas as experências e também sua completa cessassão) conhecimento com relação a Purusha ser adquirido.

36. Portanto (do conhecimento de Purusha), advém Pratibha (intuição), Sravana (poder sobrenatural de ouvir), Vedana (poder sobrenatural de tocar), Adarsa (poder sobrenatural de ver), Asvada (poder sobrenatural gustativo) e Varta (p oder sobrenatural de cheirar).

37. Eles (estes poderes) são impedimentos ao Samadhi, mas são (vistos como) aquisições no estado normal-mutante da mente.

38. Quando as causas do aprisionamento são enfraquecidas, e os movimentos da mente conhecidos, a mente pode entrar em outro corpo.

39. Conquistando a força vital (da vida) chamada Udana, a possibilidade de imersão em água ou lama e envolvimentos dolorosos, são evitados, e a saida do corpo pela vontade é assegurada.

40. Conquistando a força vital chamada Samana, efulgência é adquirida.

41. Através de Samyama na relação entre Akasa e o poder de ouvir, capacidade divina de ouvir é adquirida.

42. Através de Samyama na relação entre o corpo e Akasa, e pela concentração na leveza do algodão ou da lã, passagem através do céu é assegurada.

43. Quando a concepção inimaginável pode ser mantida fora, isto é, não conectada com o corpo, é chamada Mahavideha ou a grande desencarnação. Através de Samyama nisso, o véu que cobre a iluminação (de Buddhisattva) é removido.

44. Através de Samyama no denso, no caracter essencial, no sutil, a inerência e a objetividade, que são as cinco formas de Bhutas ou elementos, maestria sobre Bhutas é conseguida.

45. Então desenvolve-se o poder de minimização assim como outras aquisições corpóreas. Deixa de existir também, resistência a suas características.

46. Perfeição do corpo consiste em beleza, graça, força e firmeza adamantinas.

47. Através de Samyama na receptividade, caracter essencial, sentido de Eu, qualidade inerente e objetividade dos cinco sentidos, maestria sobre eles é obtida.

48. Então advém poderes de movimentos rápidos da mente, ação dos órgãos independente do corpo e maestria sobre Pradhana, a causa primordial.

49. Para aquele estabelecido no discernimento entre Buddhi e Purusha, vem a supremacia sobre todos os seres assim como onisciência.

50. Através da renunciação mesmo disto (conquista de Visoka), vem a liberação em consequência da destruição das sementes do mal.

51. Quando convidado pelos seres celestiais, este convite não deve ser aceito, nem deve ser causa de vaidade, pois envolve a possibilidade de consequências indesejáveis.

52. Conhecimento diferenciado do Ser e do não-Ser advém da prática de Samyama no momento e sua sequência.

53. Quando espécie, caracter temporal e posição de duas coisas diferentes são indiscerníveis, elas aparentam iguais, no entanto podem ser diferenciadas (por este conhecimento).

54. O conhecimento do discernimento é Taraka ou intuitivo, compreende todas as coisas e todo o tempo, e não tem sequência.

55. (Se o discernimento discriminativo secundário é adquirido ou não) quando igualdade é estabelecida entre Buddhisattva e Purusha na sua pureza, liberação acontece.


- Livro IV -

Kaivalya-Pada: Sobre o Ser-nEle-Mesmo ou Liberação


1. Poderes sobrenaturais advém com o nascimento, ou são consequidos através de ervas, encantamentos, austeridades ou concentração.

2. (A mutação do corpo e dos órgãos para aquele nascido em espécie diferente) acontece através do preenchimento de sua natureza inata.

3. Causas não colocam a natureza em movimento, somente a remoção de obstáculos acontece através delas. Isso é como um fazendeiro quebrando a barreira para permitir o fluxo de água. (Os obstáculos sendo removidos pelas causas, a natureza penetra por ela mesma).

4. Todas as mentes criadas são construidas a partir do sentido-de-Eu.

5. Uma mente (principal) direciona as várias mentes criadas na variedade de suas atividades.

6. Delas (mentes com poderes sobrenaturais) as obtidas através da meditação não têm impressões subliminares.

7. As ações do Yogui não são nem brancas, nem pretas, enquanto as ações dos outros são de três tipos.

8. Então (das três variedades de karma) manifestam-se as impressões subconscientes apropriadas às suas consequências.

9. Em função da semelhança entre a memória e suas impressões latentes correspondentes, as impressões subconscientes dos sentimentos aparecem simultaneamente, mesmo quando são separadas por nascimento, es paço e tempo.

10. Desejo de bem-estar sendo eterno, segue-se que a impressão subconsciente da qual ele advém deve ser sem começo.

11. Em função de serem mantidas juntas pela causa, resultado e objetos suportes, quando isso se ausenta, as Vasanas desaparecem.

12. O passado e o futuro são em realidade, presente, em suas formas fundamentais, tendo diferenças apenas nas características das formas tomadas em tempos diferentes.

13. Características, que são presentes em todos os tempos, são manifestas e sutis, e são compostas das três Gunas.

14. Em função da mutação coordenada das três Gunas, um objeto aparece como uma unidade.

15. Apesar da semelhança entre os objetos, em função de haverem mentes separadas, eles (os objetos e seu conhecimento) seguem caminhos diferentes, essa é a razão deles serem inteiramente diferentes.

16. Objeto não é dependente de uma mente, porque se assim fosse, o que aconteceria quando ele não fosse mais cognizado por esta mente?

17, Objetos externos são conhecidos ou desconhecidos para a mente na medida em que colorem a mente.

18. Em função da imutabilidade de Purusha, que é mestre da mente, as modificações da mente são sempre conhecidas ou manifestas.

19. Ela (a mente) não é auto-iluminada, sendo um objeto (conhecível).

20. Além disso, ambos (a mente e seus objetos) não podem ser cognizados
simultaneamente.

21. Se a mente fosse iluminada por uma outra mente, então haveria repetição ad infinitum de mentes iluminadas e inter-mistura de memória.

22. (Portanto) intransmissível, a Consciência metempirica, refletindo sobre Buddhi torna-se a causa da consciência de Buddhi.

23. A matéria mental sendo afetada pelo observador e o observado, torna-se toda-compreensiva.

24. Ela (a mente) apesar de marcada pelas inimeráveis impressões subconscientes, existe para um outro, desde que age conjuntamente.

25. Para aquele que conheceu a entidade distinta, isto é Purusha, a inquirição sobre a natureza do próprio Ser cessa.

26. (Então) a mente se inclina ao conhecimento discriminativo e naturalmente gravita em direção ao estado de liberação.

27. Através de suas ramificações (isto é, quebras no conhecimento discriminativo) surgem outras flutuações da mente devido às impressões latentes (residuais).

28. Têm-se dito que sua remoção (isto é, das flutuações) segue o mesmo processo da remoção das aflições.

29. Quando o indivíduo torna-se desinteressado mesmo pela onisciência, ele adquiri iluminação discriminativa perpétua de onde vem a concentração conhecida como Dharmamegha (nuvem que despeja virtude).

30. A partir disso, aflições e ações cessam.

31. Então, em função da infinitude do conhecimento, livre da cobertura das impurezas, os objetos conhecíveis aparentam poucos.

32. Depois de sua emergência (nuvem que despeja virtude) as Gunas tendo cumprido seu propósito, a sequência de suas mutações cessam.

33. O que pertence aos momentos e é indicado pelo término de uma mutação particular, é sequência.

34. O estado do ser-nele-mesmo, ou liberação, realiza-se quando as Gunas (tendo promovido experiência e liberação para Purusha) não têm mais propósito a cumprir e desaparecem em sua substância causal. Em outras palavras, é Consciência absoluta estabelecida em seu próprio Ser.