Teoria da evolução em cheque?

As agências de notícias internacionais que veicularam esta notícia são consideradas sérias. Lá vai:


não bastassem as contestações do meu amigo Enézio E. de Almeida, do "Desafiando a Nomenklatura Científica", agora um grupo de pesquisadores da Bolívia anuncia a descoberta do que pode ser a pegada mais antiga do mundo, encontrada próximo ao lago Titicaca, entre Peru e Bolívia. Se eles estiverem certos, o registro negaria a teoria da evolução humana segundo proposta por Charles Darwin. O registro teria entre cinco e quinze milhões de anos(!!), o que, no mínimo, provaria a existência de uma humanidade anterior à atual. - Segundo a "ciência oficial", o ser humano como o entendemos (homo sapiens) teria surgido na Terra há "apenas" 60.000 anos.

De acordo com a Agência EFE, o grupo, liderado por Jorge Miranda e Freddy Arce, apresentou a teoria no Ministério de Relações Exteriores e quer a opinião de outros especialistas internacionais.

A pegada de um pé esquerdo de 29,5 cm (o que equivaleria ao nosso nº 42, aproximadamente) está em uma rocha de arenito. Segundo os pesquisadores, teria sido feita por um ser humano de 1,70 m, com peso de 70 kg, que caminhava ereto.

"A teoria da evolução teria muitas dificuldades com esta evidência que estamos mostrando agora", disse Arce. A rocha foi encontrada na localidade de Sullkatiti, onde é objeto de culto. Os moradores da região acreditam que o objeto é uma pegada de seus antepassados, conhecida popularmente por "pisada do inca".

A pegada foi encontrada no ano passado e vem sendo estudada desde então. O objeto petrificado mostra perfeitamente os cinco dedos de um pé humano, com todos os pontos de convergência de uma pegada feita por um homem de tamanho e peso médios, segundo o podólogo Guillermo Lazcano disse à Agência ANSA.






Fonte: Redação Terra.



Contemplação



"A contemplação é a resposta a um chamado.


Um chamado daquele que não tem voz e que no entanto se faz ouvir em tudo que existe.


E que, sobretudo, fala nas profundezas de nosso próprio ser, pois nós somos palavras dele.


Somos palavras, que existem para responder a ele, atendê-lo, fazer-lhe eco e para estarem repletas dele, contê-lo e significá-lo.


A contemplação é esse eco.


É uma profunda ressonância no mais íntimo centro de nosso espírito, onde nossa própria vida perde sua voz específica e ecoa a Majestade e a Misericórdia daquele que é oculto mas Vivo.


É um despertar, uma iluminação, e a apreensão intuitiva, espantosa, com que o Amor se certifica da intervenção criadora e dinâmica de Deus em nossa vida cotidiana.


A contemplação não 'encontra' simplesmente uma idéia clara sobre Deus, tentando confiná-lo dentro dos limites dessa idéia, retendo-o como um prisioneiro a quem podemos sempre voltar.


Pelo contrário, a contemplação é que é por Ele arrebatada e transportada ao seu Domínio, seu Mistério, sua Liberdade."



Thomas Merton




Do blog "Reflexões de Thomas Merton". - Fonte: "New Seeds of Contemplation", Thomas Merton (New Directions; New York), 1972. - No Brasil: "Novas Sementes de Contemplação", (Editora Fissus, Rio de Janeiro), 2001.



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O último princípio essencial da Kabbalah


Marie Digby: "E se Deus fosse um de nós?" - Se possível, leia ouvindo.

Parece que finalmente atingimos o nosso ponto de chegada, nesta longa jornada em que corajosamente ingressamos, de investigar os princípios essenciais da Cabala. Meu sincero muito obrigado a todos os que vêm me acompanhando, desde o começo, e continuam junto comigo até aqui.

O décimo quarto princípio essencial da Cabala... Posso garantir que este é aquele que vai realmente trazer todas as explicações e toda a Luz que você estava esperando, desde o princípio.

Muitas pessoas procuram a Cabala esperando alcançar poderes mágicos ou desvendar de uma vez por todas os grandes Mistérios da vida. Pois eu digo que a partir da compreensão deste último princípio essencial, qualquer pessoa será capaz de atingir tudo isso. Todos os poderes especiais que são concedidos a nós, seres humanos; toda a compreensão de tudo que nos pode conduzir à Sabedoria Infinita, que por sua vez garantirá o nosso acesso ao poder ilimitado, e até mesmo à vida eterna... Sim, a chave para todas essas coisas está contida no décimo quarto e último princípio essencial da Cabala.

Você que chegou até aqui, nesta longa leitura, prepare-se; porque nesta postagem será revelado o segredo definitivo; a conclusão, o resumo de tudo, o conhecimento que encerra em si mesmo o potencial de levar o ser humano à capacidade de compreender a razão da sua existência, do princípio ao fim.

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Mas, exatamente por tudo que foi dito acima, antes de desvendarmos juntos esse último e maior segredo da Cabala, gostaria de registrar aqui um "resumo do resumo" das bases cabalísticas, o supra-sumo do que nos ensina a tradição dos antigos rabinos, ao final das contas:

Muitos encontram na Cabala uma profunda semelhança/similaridade com a doutrina cristã. Outros acham vários e importantes paralelos entre o que ela diz e os ensinos do Buda. E outros ainda encontram muitos pontos equivalentes entre os princípios de diversas outras grandes escolas filosófico/religiosas e a Cabala.

Todos estão certos. E isso não deveria nos surpreender, porque todo aquele que busca a Verdade acaba por encontrá-la, não importando as suas origens, a tradição a que pertence, a religião em que foi criado, etc... Se você procura a Verdade com determinação, com inquietude, com o coração aberto e a mente limpa e desimpedida, cedo ou tarde vai encontrá-la. Ou melhor, ela, a Verdade, é que vai achá-lo, mesmo que você esteja completamente perdido. E nessa hora o filho pródigo volta para casa...

Na realidade, a Cabala se tornou, através da História, uma tradição de grande importância no que tange à mecânica que serve como fundamento para muitas formas de busca espiritual. Como sabemos, sua origem é judaica. Ela se baseia nas escrituras judaicas e, sobretudo, nas suas letras hebraicas. O que basicamente se crê da Cabala de base judaica, é que Deus criou todas as coisas através do Verbo (que para os cristãos é o próprio Cristo), e como as Escrituras são em hebraico, Deus teria criado tudo através da linguagem hebraica; poderíamos dizer que Ele criou o hebraico e encerrou nas suas letras e seus significados toda a História da Criação. - Isto a tal ponto que cada letra, em si, corresponderia a uma criação ou criatura; e a soma delas, na forma das Escrituras, encerraria toda a História. - Assim, cada personagem bíblico corresponderia a uma ação divina (Abraão, por exemplo, seria a personificação da “compaixão”). Também cada lei levítica e cada ritual do Velho Testamento corresponderiam a uma descrição de algum Aspecto divino.

O auge dos estudos cabalísticos em Israel aconteceu pouco tempo após a morte de Jesus. Já na passagem do primeiro para o segundo século de nossa era, a Cabala assentou suas bases na Galiléia; - o que faz com que até hoje os cabalistas mais tradicionalistas creiam que o Messias virá da Galileia. - Embora para os cristãos e também para alguns grupos dos judeus (como por exemplo os ebionitas) ele já tenha vindo na pessoa de Jesus, que foi chamado "Galileu". Por volta de 1600 os cristãos europeus começaram a se interessar pela Cabala.

É importante sabermos também que a Cabala se desenvolveu em tempos de suposta "inatividade" de Deus, do ponto de vista dos judeus ortodoxos. É por isso que a Cabala pretende nos oferecer um caminho diferente: “Já que Deus não nos fala mais e nem vem mais a nós, descubramos meios e modos de irmos a Deus, nós mesmos. Descubramos também modos de fortalecer o Nome de Deus em nossas práticas do bem neste mundo.”

Foi dessa maneira que se desenvolveu o estudo dos Nomes Divinos (os 72 Nomes, sobre os quais já falamos aqui e aqui), bem como de nomes de anjos. Daí ser algo da natureza mecânica do elemento místico. Em todas as grandes épocas de crise e impotência humana a Cabala cresceu, pois em tempos de "silencio dos céus" poucos são os que continuam a andar firmes apenas pela força da fé.


Ao final de tudo, podemos dizer que a tradição da Cabala postula, basicamente, o seguinte:

# A razão da Criação é o Amor; isto é, o Universo e tudo que ele contém, nossas vidas inclusas, é o resultado da Vontade do Criador de compartilhar e ser compartilhado;

# O aumento de Amor e Justiça traz Deus ao mundo;

# De outro lado, a prevalência da maldade enfraquece o poder de Deus neste mundo e dá lugar ao crescimento do mal. Daí Deus requisitar os esforços humanos para vencer o mal no mundo, que a tradição cabalista denomina "Satan";

# É preciso quebrar a "Lei do Tikun": Quebrar o ciclo. Como visto em postagens anteriores, o tikun é a expressão judaica para o que comumente chamamos lei de ação e reação, e que algumas tradições chamam de “karma”, que significa que atos, pensamentos e atitudes ruins geram uma espécie de "dívida" espiritual, que necessariamente precisará ser resgatada, nesta vida ou depois dela. Tudo que acontece tem uma causa. Não há efeito sem causa, e para cada ação há uma reação em igual intensidade. "Karma", "tikun", ação e reação, movimento contínuo, pressão e resistência... tudo reflete esta Lei universal incontestável. Toda a Criação está submetida a Lei de Ação e Reação, e segundo a Cabala, quebrar o lei do Tikun em nossas vidas significa cessar este ciclo de reações em cadeia; o que só pode ser feito mudando-se o nosso modo de vida e cessando nossas reações passionais e automáticas, isto é, impensadas.

# Devemos aprender a resistir, ao invés de reagir. Sobre isto falamos no post sobre o princípio essencial nº 4. O segredo do nosso sucesso, em todos os níveis, passa por aprendermos a deixar de apenas reagir aos acontecimentos e nos tornarmos proativos, isto é, donos de nossas próprias decisões e dos nossos atos, e não marionetes que reagem inconscientemente a cada nova provocação do mundo, deixando que os estímulos externos sejam mais fortes que a nossa própria vontade.

# Assuma as responsabilidades. Profundamente relacionado com o item anterior, a Cabala nos exorta a deixarmos nossas posições de "vítimas" e tomarmos a iniciativa sempre que possível, em todas as situações, no sentido daquilo que queremos ser.

# Seja a causa. Seja pró-ativo. Mais uma vez, a mesma verdade: se quiser ser feliz, se quiser obter sucesso em sua vida, em qualquer área, busque deixar de ser uma conseqüência - daquilo que fizeram para você, daquilo que a vida fez com você, das injustiças que sofreu, dos revezes de que foi vítima... - E passe a causar você mesmo as conseqüências em sua vida. Torne-se a causa.

# A maior tentação em tempos difíceis é acreditar que podemos encontrar meios de "controlar" Deus e fazê-lo agir conforme as nossas necessidades, como ensinam diversas falsas tradições ditas esotéricas.

# Deus é Deus, mesmo que todos nós sejamos o que Ele não é! Em algum nível, é certo dizer que "somos Deus", mas entender isto ao pé da letra constitui o maior engano que seria possível a nós, seres humanos. Esta é exatamente a missão de Satan neste mundo, desde o começo: fazer-nos acreditar que somos iguais a Deus. Pois aceitar Deus como Deus é justamente o primeiro passo para transcendermos a nossa condição humana limitada e fraca.

# O chamado da Escritura para a prática da bondade não é para fortalecer a Deus, mas sim para curar o homem.

# Lembrarmos e meditarmos na forma como os santos e profetas viveram, dedicando seu tempo todo em função do próximo e da Vontade de Deus, faz com que nos conscientizemos do extremo egoísmo com que agimos a maior parte do tempo, só gastando as sobras de nosso tempo para servir a nossos propósitos egoístas.
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Mas por que estou reafirmando todas essas coisas antes de revelar, afinal, o décimo quarto e último princípio essencial da Cabala, aquele que encerra em si o Caminho da nossa Liberdade, o poder de alcançarmos a felicidade e a Vida plena? Bem, primeiro porque eu queria que ficasse muito claro que todo o esforço valeu a pena. Que os meus objetivos com essa série de postagens foi atingido. Que a essência por trás dos ensinos dos antigos rabinos foi compreendido, ao menos basicamente. E também porque o último princípio não necessita de nenhuma espécie de comentário ou complemento. - Ele precisa apenas ser aceito e praticado.

Aí vai o último princípio essencial da Cabala, aquele que resume todos os outros. A chave que abre todas as portas, neste e em outros mundos. Você com certeza já ouviu falar dele em algum momento; ele está bem diante dos nossos olhos, sempre, mas por algum motivo a maioria de nós parece não poder enxergá-lo, isto é, compreendê-lo. Persiga-o; descubra-o; encontre-o em si mesmo. E depois que encontrá-lo, medite nele noite e dia. Cultive-o dentro de si com todo cuidado, com toda a sua alma, e nunca mais o esqueça. E seja feliz para sempre. Leia-o abaixo:

Apresentando o décimo quarto e último princípio essencial da Cabala:

"AMA O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO, E ASSIM APRENDERÁS A AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS; TODO O RESTO É APENAS COMENTÁRIO. AGORA VAI E APRENDE A FAZER ISSO. QUANDO APRENDER, TUA MISSÃO ESTARÁ CONCLUÍDA!"





Thiago e a Luz



Desde os tempos de Cristo e até os nossos se discute o que "vale mais" ou o que é mais importante: a prática ou a ? E até hoje representantes das mais diversas correntes religiosas continuam discutindo esse assunto. Mas a verdade é que, num belo dia, há quase dois milênios, o discípulo Tiago resolveu colocar um fim definitivo nessa questão; e o fez magistralmente. Está tudo registrado numa carta que ele escreveu e enviou para, segundo seu próprio dizer, "as doze tribos espalhadas pelo mundo". O registro permanece até hoje:

"Meus irmãos, de que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não tem o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: 'Ide em paz, aquecei-vos', e: 'Comei à vontade', sem lhes dar o necessário para o corpo, de que adiantará isso?

Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. Em compensação, alguém poderá dizer:

'Tu tens a fé e eu tenho a prática! Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras! Crês que há um só Deus? Fazes bem! Mas também os demônios crêem isso, e estremecem. Queres então saber, homem insensato, como a fé sem a prática é vã? O nosso pai Abraão foi declarado justo: não será por causa da sua prática, até o ponto de oferecer seu filho Isaac sobre o altar? Como estás vendo, a fé concorreu para as obras, e, graças às obras, a fé tomou-se completa. Foi assim que se cumpriu a Escritura que diz: 'Abraão teve fé em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça, e ele foi chamado Amigo de Deus''.

Estais vendo, pois, que o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé. Assim como um corpo sem espírito é um cadáver, assim também a fé, sem as obras, é morta, é como um cadáver."


- Tiago, 2:14-26


A fé ou a prática? Como se vê, a resposta é bem simples: ambas, pois uma é reflexo e decorrência da outra. O que não tem fé, quando se dispõe diligente e desinteressadamente a fazer o bem e praticar as boas obras, acaba por adquiri-la. E quem já viu acontecer sabe que este é um momento mágico! Quanto ao que diz que têm fé mas não pratica as boas obras, é claro que mente ou se engana, pois o seu estilo de vida é a perfeita comprovação de que não possui uma fé verdadeira. Simples e claro.



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O Senhor me fez maravilhoso


Você conhece Anselm Grün?

Anselm Grün é um monge beneditino, doutor em Teologia, que dirige a administração da Abadia de Münsterschwarzach (doce pra quem conseguir pronunciar de primeira!), na Alemanha. Ele ministra palestras e cursos, e seus livros estão entre os textos cristãos mais lidos da atualidade. E eu sou um dos seus fãs! Esta é uma oração do seu livro "Em Sintonia Com Jesus", à venda na livraria "Paulinas" pelo exorbitante preço de R$ 5,50...


"Deus, tu me criaste. Agradeço por ter-me feito tão maravilhoso! Estou feliz com meu corpo e com me espírito, que sempre tem novas idéias, e com as capacidades que me deste. Criaste a natureza, cuja beleza posso admirar. Às vezes, não consigo parar de me maravilhar com ela.

Tu és o Criador. Tua Mão me modelou e me dá forma dia após dia. És meu Pai, que me segura, me fortalece, me encoraja a arriscar viver minha própria vida. Sei que sempre estás comigo. Mesmo quando estou longe, posso voltar-me para Ti, que me aceitas em teus Braços misericordiosos... Mesmo se escolho, às vezes, desvios e caminhos errados, estás sempre de Braços abertos para me abrigar.

Agradeço-te, ó Criador da minha vida e meu Pai, porque me moldaste. Posso rezar, como diz a Bíblia: 'Eu te louvo porque me fizeste maravilhoso; são admiráveis as tuas obras. Tu me conheces por inteiro...'! (Salmo 138:14)
"...



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Princípio essencial da Kabbalah #13

Com muita alegria eu constato que finalmente este nosso "minicurso" a respeito dos 14 princípios essenciais da Cabala está chegando à sua conclusão! Assim se passaram praticamente 4 meses, com postagens sobre outros assuntos intercaladas. Foi uma pesquisa que me deu bastante trabalho e consumiu um longo tempo dos meus dias, das minhas segundas feiras... E desde já eu manifesto os meus mais sinceros desejos de que esta série possa ter sido (e que continue sendo) de auxílio e aprendizado para todos quantos chegarem a este meu humilde espaço virtual, que só existe para ser compartilhado com todos.

Há uma diversidade de formas para se abordar a cada um dos princípios essenciais da Cabala, e se você fizer uma busca na web vai perceber que sobre eles pairam interpretações diversas. Das mais fidedignas às mais delirantes. Das isentas de interpretação até as mais pessoais e distorcidas por doutrinas muito mais recentes. Diferentes autores, adeptos de correntes religiosas diferentes, procuram modelar os princípios cabalistas aquilo que aprenderam em suas próprias escolas. Gostaria de deixar registrado que tudo que eu tenho publicado sobre Cabala, aqui no Arte das artes, é a expressão da sua doutrina tradicional, o mais próximo possível da interpretação "oficial" dos antigos rabinos.

Apresentando agora a abordagem do (sábio) décimo terceiro princípio essencial da Cabala:

"Todas as características negativas que você vê nas outras pessoas são simplesmente um reflexo das suas próprias. Somente consertando a si mesmo você pode mudar os outros."




E eu queria começar a abordar esse princípio contando uma linda história mítica:


"Caim e Abel pararam na beira de um imenso lago. Jamais tinham visto algo semelhante.

'Tem alguém aí dentro', disse Abel, olhando para a água, sem saber que via seu reflexo.

Caim reparou a mesma coisa, e rapidamente levantou seu bastão! A imagem fez a mesma coisa. Caim ficou aguardando o golpe, assustado; sua imagem também.

Abel contemplava calmamente a superfície da água. Sorriu, e a imagem sorriu. Deu uma boa gargalhada, e viu que o outro o imitava.

Quando saíram dali, Caim pensava:

'Como são agressivos os seres que vivem naquele lugar!'.

E Abel dizia para si mesmo:

'Quero voltar lá, porque lá encontrei alguém bonito e com bom humor.'"



- Da coluna de Paulo Coelho.


Esse pequeno e singelo conto resume tão bem o espírito do décimo terceiro princípio essencial da Cabala que eu poderia encerrar a postagem por aqui. Mas eu gostaria de deixar algumas observações que considero também importantes. Como por exemplo ressaltar que hoje, em psicologia, sabe-se que:

# As pessoas costumam duvidar da capacidade dos outros como reflexo das suas próprias fraquezas;

# Os mais irredutíveis homófobos (que têm aversão aos homossexuais) são justamente aqueles que possuem as mais fortes tendências homossexuais dentro de si próprios;

# Os fanáticos religiosos que defendem com agressividade e ataques às convicções alheias as suas próprias "certezas" costumam ser aqueles que mais duvidam, intimamente, daquilo que ensinam;

# Tanto nas relações amorosas quanto nas profissionais, costumamos buscar nos outros o reflexo de nós mesmos;

# A ira aumenta, nos mais facilmente irascíveis, quando vêem nos outros o reflexo de seus defeitos e daquilo que mais repudiam em si próprios...


Mas sem nenhuma dúvida, a parte mais importante, a base primordial dessa máxima cabalística está na sua segunda parte:


"Somente consertando a si mesmo você pode mudar os outros."


Isso diz tudo. - Porque nós não temos nenhuma moral, nenhum direito de querer apontar ou corrigir nos outros os seus defeitos, se também carregamos e demonstramos esses mesmos defeitos. O melhor exemplo que podemos dar a quem quer que seja é através do nosso comportamento, muito mais do que aquilo que tentamos transmitir por meio de nossas palavras. E por essa mesma razão, para tentar mudar qualquer coisa, em qualquer pessoa, é preciso que antes mudemos tudo que está errado em nós mesmos.

E é nesse ponto que nos questionamos: "Mudar tudo que está errado em nós? Como isso seria possível? Nós não podemos ser perfeitos!" Mas é precisamente nessa contestação que se encerram duas chaves preciosas, não só para a compreensão do 13º princípio, como também para nossas vidas como um todo:

A primeira chave é saber que não é porque entendemos que não podemos ser perfeitos que não devamos tentar! Sim, nós devemos buscar a perfeição, sempre e a todo momento, mesmo que voltemos a tropeçar e a cair, uma vez atrás da outra!




Vejo muitas pessoas "religiosas" justificando comportamentos viciosos altamente prejudiciais, a si mesmos e aos seus próximos, sob a justificativa "não sou perfeito"... Eu me lembro de uma entrevista que assisti na TV, com um jogador de futebol famoso no Brasil, que se declarava evangélico e dedicava sempre os seus gols a Jesus, mas vivia sendo expulso de campo, estava sempre envolvido em brigas com os colegas e intrigas extra-campo... Nessa entrevista para um programa esportivo, quando lhe perguntaram qual a justificativa para esse tipo de comportamento partindo de um evangélico, ele simplesmente respondeu: "Eu sou um ser humano passível de erro. Não sou perfeito. Não é porque sou evangélico que tenho que ser perfeito"...

Bonn-nng! Bonnnnn-nnnn-nng!.. Gongado! Errada a resposta...

Ao contrário do que talvez possa parecer à primeira vista, segundo a tradição cabalista, essa linha de pensamento está completamente equivocada. Será que um evangélico só deve seguir as passagens da Bíblia que lhe convém?? Será que o citado atleta nunca leu a parte dos Evangelhos em que Jesus conclama: "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito!" (Mateus 5:48 )?

Mas nós não conseguimos ser perfeitos! Dirão alguns. E sim, isso talvez seja verdade, partindo do princípio que ser perfeito é nunca se enganar, nunca errar, nunca cometer nenhum deslize nesta vida. E é exatamente aí que entra a segunda chave preciosa:

A perfeição humana passa pelo respeito aos nossos limites humanos. Aceitá-los é sábio. - Se somos humanos limitados, então devemos ser perfeitos dentro dos nossos limites humanos. - Devemos ser perfeitos conforme pudermos. Lute até o fim por atingir a perfeição absoluta (a perfeição do Pai, como disse Jesus), e o que você vai obter será o máximo da perfeição humana. O que você vai conseguir é obter mais produtividade, mais paz, mais Amor, mais alegria, mais harmonia, - no seu lar, nas suas relações humanas, no seu trabalho...

Quando eu tinha meus quatorze anos de idade, escrevi na última página do meu boletim escolar: "Sei que não posso ser perfeito, mas sei que posso tentar".

Eu tinha aprendido um segredo que também a Cabala ensina, muitos anos antes de conhecê-la.

Mas nós não devemos focar a nossa atenção em nossas limitações e sim naquela perfeição almejada, pois nós não devemos nos resignar com as nossas fraquezas e limitações. Estamos aqui para crescer, para aprender, para ir além de nós mesmos e dos nossos limites.

Segundo uma parábola contada pelo Cristo, todos nós recebemos talentos ('talento', na antiguidade, era unidade monetária - uma moeda) antes de vir para cá, e um dia teremos que prestar contas de tudo que recebemos: "O que você fez com os talentos que recebeu?"

Faça o melhor que puder com os seus talentos. Invista-os, faça-os crescer. Multiplique-os! Esta é a nossa meta primeira. Enquanto estiver ocupado fazendo isso, você nem vai ter tempo para julgar os defeitos do seu próximo. Antes disso, você estará influenciando também na mudança dele e de todos para melhor, da melhor maneira que existe: Através do seu exemplo.



Deus é seguro?

SanTiago de Compostela - Portal Peregrino


Deus é seguro? - Perguntou o ansioso, apelidado de Medo.

Se Ele é seguro? - Ecoou o Viajante.

Sim... Isto é, eu posso confiar Nele?

Estas são duas questões diferentes.

O que você quer dizer?

Sempre se pode confiar em Deus, mas Ele nunca é seguro. Quando você está com Deus, a pessoa que você é está sempre ameaçada pela pessoa que Ele quer que você se torne.

Isso significa que Deus vai me machucar? -
Perguntou o Medo.

Provavelmente.

Oh!.. Ele vai me matar?

Somente as partes de você que nada tem a ver com quem você realmente é.

Isso me assusta...
, repondeu o Medo.

E por quê?

Porque eu não quero me machucar e nem morrer.

Ninguém quer. Bem, você se lembra do espinho que eu retirei do seu pé ontem?

Sim.

Ele não tornava sua viajem dolorosa?

Sim, eu nem podia apreciar a paisagem por causa da dor.

E doeu quando eu o retirei?

Muito. Pensei que ia morrer.

E como você se sente agora?

Muito melhor! Eu não percebia quanto problema aquele espinho me causava!

Você quer que eu ponha o espinho de volta?

Não! Claro que não, ora!..

Bom
, disse o viajante. Agora, me responda uma coisa: e se você tivesse um outro espinho, o quê você faria?

Eu o removeria.

Mesmo se fosse doloroso?

Sim, eu sei que a dor é temporaria e isso serviria para me curar.

Bem dito
, sorriu o viajante. Agora você está começando a entender!

Então é assim que Deus é? Perguntou o Medo. Quer dizer, como remover espinhos e tudo o mais?

O Viajante respondeu: Nós precisamos tomar muito cuidado para não limitar Deus ou levar as parábolas ao pé da letra; mas, sim, Deus é desse jeito, também. - Bem, disse o Viajante, após uma pausa. É hora de eu ir.

Você não vai comigo?, perguntou o Medo.

Por enquanto é preciso que eu me apresse.

Então, eu tenho que ir sozinho?

Você nunca está sozinho
, disse o Viajante, se você levar o Espírito de Deus com você.

Eu o verei de novo?

Eu espero que sim
, disse o Viajante, mas não cabe a mim decidir.

Ahh... Viajante?

Sim?

Eu ainda tenho medo.

E eu também. O truque é continuar caminhando. O Medo é como o nevoeiro. Ele nada faz além de obscurecer o caminho a sua frente.

E que caminho você vai seguir?

Este aqui, em direção à Luz.

Eu também! Então iremos nos encontrar, sim, Viajante!

Eu também acho! Por agora vamos ter que nos separar, porque eu consigo andar mais rápido do que você, e preciso me apressar; eu tenho coisas importantes a fazer pelo caminho. Mas estou achando que logo logo você me alcança!


E lá se pôs o viajante a caminho. Mas assim que o ansioso se reclinou sobre o tronco de uma árvore para descansar um pouco, fechando seus olhos, sentiu uma mão sobre o seu ombro:

Tem só mais uma coisa!.. O ansioso olhou e viu que era um outro viajante no caminho, um homem alto, de cabelos longos e barba suave, que olhava para ele com olhos ternos e muito profundos.

O quê é?

Eu estive ouvindo a conversa de vocês. Desculpe, mas eu não pude evitar. E preciso lhe dizer agora que o seu nome não é mais Medo.

Não?

Nunca foi.

Mas então, qual é o meu nome?


PODER. Seu nome é PODER.

Poder então sorriu, e se sentiu muito feliz. Levantou-se, confiante, e andou em direção à luz.


- Baseado em texto de autor desconhecido.



Princípio essencial da Kabbalah #12

Os princípios essenciais da Cabala são, no total, em número de 14. - O décimo segundo princípio trata de uma questão que este blog não está abalizado para analisar a fundo. - Ele retrata a face mais mística do judaísmo rabínico que afirma que:


"A mudança interna verdadeira é criada através do poder (de 'DNA') das letras hebraicas."


As palavras do alfabeto hebraico são lidas da direita para a esquerda, e as letras também são números. Assim, "Alef", a primeira letra, corresponde também ao número 1. Isso implica numa linguagem universal de significado matemático. Os cabalistas da Idade Média e do começo da Renascença acreditavam na energia das letras, e que deveriam divulgá-las para toda a humanidade, pois não a entendiam como propriedade de um povo apenas.


Alfabeto hebreu primitivo com as 22 letras da Cabala


De fato, não devemos encarar essas letras como os outros alfabetos, pois existem diferenças enormes. Acreditam os cabalistas e também muitos rabinos que elas falam diretamente à nossa alma... As formas das letras evocam forças poderosas que existem no interior de todos nós. - O que os cabalistas modernos denominaram como o "DNA da Criação".

Os olhos são as janelas da alma... A ciência genética descobriu que, em cada ser humano, quatro letras comuns (A, C, G, T) representam as bases químicas que compõem nosso código genético e formam os “degraus” das moléculas espiraladas em forma de escada que conhecemos como DNA. As seqüências dessas letras combinam-se para criar o conjunto de instruções que constroem o ser humano em todos os seus aspectos.

A genética é uma ciência relativamente recente. Já os ensinamentos cabalísticos remontam há séculos, mas ensinam que cada uma das 22 letras hebraicas representa uma força de energia particular e que, assim como cada ser humano é constituído de um alfabeto genético de quatro letras encontrado em nosso DNA, o Universo também seria construído por um alfabeto de 22 letras, encontrados nas letras hebraicas. Não apenas os seres humanos, mas toda a matéria física seria formada por esse DNA espiritual. As letras do Alef-Beis (alfabeto hebraico) seriam como os tijolos e a argamassa do nosso Universo e dos indivíduos vivos, com todas as suas habilidades pessoais.

Da mesma forma que um prisma divide a luz solar em sete cores básicas, cada uma bem diferente da luz branca que a originou, e ao mesmo tempo fazendo parte dela, as letras aramaicas são como 22 cores diferentes, através das quais podemos perceber a Divindade em nosso mundo material. Formam os "tijolos" de construção da Criação, através dos quais tudo que conhecemos foi formado.

Assim, o Pentateuco (a Torá ou os 5 primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) escrito por Moisés não seria nem uma grande novela fictícia e nem um documento fiel da História humana, mas sim um projeto "genético" que esquematiza as forças espirituais da vida. - Usando a Cabala como uma espécie de chave, podemos penetrar no seu nível mais profundo.

Segundo a Cabala, as vinte e duas letras que compõem o alfabeto hebraico são forças espirituais essenciais sagradas, a matéria prima da Criação. Quando o Eterno as combinou em palavras, frases e ordens, elas produziram a Criação, traduzindo a Vontade do Criador em realidade objetiva. Cada rearranjo na ordem dessas letras resultaria numa mistura diferente das forças cósmicas espirituais representadas por elas, assim como cada rearranjo dos átomos conhecidos, tais como hidrogênio e oxigênio, pode produzir água potável ou água oxigenada, por exemplo. Existe um número infinito de combinações possíveis, tanto nos átomos quanto nas letras. A combinação das letras possibilitaria também elevar as forças espirituais.


72 Nomes do Eterno e Único Deus


Então, a idéia que a Cabala defende é a de “escanearmos” com nossas mentes/cérebros, de modo específico, as letras sagradas hebraicas. - Isto representa uma das suas ferramentas mais importantes. - A palavra escanear, aqui, é usada com seu significado habitual da informática: deixarmos que nossos olhos “varram” as letras, da direita para a esquerda, linha após linha, como faz um scanner ou um leitor óptico, desses usado em supermercados, faz. E assim como um scanner, não precisamos necessariamente entender o que lemos para obter os benefícios. Estamos falando de uma energia suprarracional.

Através de nossos olhos, a energia das letras passaria a um nível nosso mais interior, chegando por fim diretamente à nossa alma, sem que seja necessário o entendimento das palavras. A velocidade da "leitura" não importa, nesse caso: pode ser lenta ou bem rápida, com ou sem usar-se o dedo indicador para guiar a visão. Quando passamos os olhos pelo texto da Torá ou de alguma bênção em hebraico, ou principalmente pela grafia dos 72 Nomes Divinos, obtemos o efeito espiritual sem necessidade de raciocínio ou entendimento (não é necessário saber hebraico).

Segundo a Cabala, quando rezamos para Deus, devemos lembrar que Ele em algum nível e/ou de algum modo está no mesmo lugar que nós. Nós não "somos" Deus, mas nossas almas são parte de Deus. Temos uma centelha divina em cada um de nós.

A Cabala afirma que o quadro com os 72 nomes divinos de três letras foi usado para realizar milagres, superando as leis da natureza. Escaneando com a mente essas configurações de letras, (da direita para a esquerda e de cima para baixo), conquistamos o poder de superar as leis de nossa natureza reativa e nos transformarmos em pessoas cada vez mais proativas. Esse quadro está codificado em três frases do livro do Êxodo, (capítulos 14, versos 19,20 e 21) cada uma delas com 72 letras. Quando as frases são escritas uma sobre a outra e lidas na vertical, formam 72 nomes de três letras cada um, distribuídos num quadro de 8 x 9, conforme a representação acima.


Alfabeto Sagrado Hebraico

Como exposto, o hebraico se constitui de 22 letras, consideradas alfabeto sagrado. Como no hebraico as letras também são números, o estudo da Cabala também requer estudos de alta matemática.

No idioma hebraico há três letras-mães, que são Aleph, Mem e Schin. Há sete letras duplas, que são Beth, Ghimel, Daleth, Chaph, Phe, Resch e Thau. E há doze letras simples ou elementares , que são He, Vo, Zain, Cheath, Teth, Iod, Lamed, Nun, Samech, Ayin, Tsade e Cuph.

Ponto de partida de toda a Cabala, o alfabeto dos hebreus é composto de vinte e duas letras que não são colocadas ao acaso, uma após a outra. Cada uma delas corresponde a um número, de acordo com a sua classificação, a um hieróglifo segundo a sua forma, a um símbolo segundo a sua relação com as outras letras. Todas as letras derivam de uma delas, o Iod, da seguinte maneira:

Três letras mães:

A - (Aleph)

M - (Mem)

S - (Schin)

Sete letras duplas (duplas porque exprimem dois sons, um forte e positivo, e outro fraco e negativo) :

B - (Beth)

G - (Ghimel)

D - (Daleth)

Ch - (Chaph)

Ph - ( Phe)

R - ( Resch)

T - (Thau)

Doze letras simples, formadas pelas demais letras.

Cada letra hebraica representa três coisas: 1) Uma letra, isto é, um hieróglifo; 2) um número, o da ordenação da letra; 3) uma idéia. Combinar as letras hebraicas é combinar números e idéias.


Fontes:
Profº Luiz Martins
Rabino Yehuda Berg



Princípios essenciais da Kabbalah #10 e #11

Demorou, mas a atualização chegou em dose dupla! Apresentando finalmente o décimo princípio essencial da Cabala:


"Quanto maior o obstáculo, maior a Luz potencial."


E sobre este não há realmente muito a ser dito, já que praticamente se trata de uma espécie de complemento ao princípio número 9.

Portanto, chegar à conclusão que esse princípio representa seria quase que uma conseqüência lógica de tudo que foi dito na nossa postagem anterior sobre a Cabala. Então vou aqui apenas reiterar o que já foi dito: os que mais enfrentam dificuldades e obstáculos na vida são exatamente os que acabam por se tornar grandes seres humanos, exemplos para a comunidade e muitas vezes até para a humanidade como um todo. Exemplos não faltam e também já foram citados. Os que precisam superar grandes obstáculos são os que alcançam as maiores realizações, pois o nosso progresso e o nosso aprendizado se dão justamente por meio das provações que precisamos enfrentar.

E assim podemos passar agora à análise do próximo princípio essencial da Cabala, o de número onze, que diz:


"Quando os desafios parecerem insuperáveis, injete certeza. A Luz está sempre presente."



Esse cara tem muita confiança ou não?


Eu diria que este princípio é bastante funcional. Como vimos, a Cabala se utiliza o termo "Luz" para se referir à Graça Divina. Estamos falando aqui de nada mais nada menos do que daquilo a que comumente chamamos “fé”. O décimo primeiro princípio essencial da Cabala é uma poderosa e milenar afirmação do poder da fé.

O que é ter fé a não ser “ter certeza”? Quando temos a plena certeza de alguma coisa, na grande maioria das vezes, essa coisa acontece, se torna real. Quem de nós nunca teve a oportunidade de comprovar essa realidade em sua própria vida?

Então, o que os antigos rabinos estão nos dizendo nestas palavras ancestrais é: Quando as dificuldades parecerem maiores, tenha fé! Este é o momento ideal para injetarmos uma dose extra de certeza em nossas vidas. Certeza de que há um Pai no Céu que cuida de nós, há uma Força maior, a Força da Vida, a tudo regendo em harmonia, que fatalmente vai nos encaminhar a um destino glorioso. Tudo que é preciso é a nossa entrega e confiança!

Só um problema: este é o tipo de princípio com o qual é fácil de se concordar ou reconhecer como "certo", e apenas ponderar e falar ao seu respeito, do que praticá-lo!

Em momentos de grandes perdas pessoais (mais até do que em momentos de perdas coletivas), de doenças, desencontros emocionais, grandes decepções... Nas ocasiões em que a vida nos prepara alguma daquelas surpresas terríveis... É exatamente nesses momentos que é mais importante acreditar, ter fé inabalável, manifestar a nossa certeza em Algo Maior!

Mas como seria isso possível?

Acho que toda e qualquer pessoa pode compreender e concorda que ter muita fé nos momentos mais difíceis da vida só faz bem, é um fator extremamente positivo, que no mínimo vai ajudar a solucionar os problemas. Tá, mas como fazer isso? Como colocar em prática um princípio espiritualista como este décimo primeiro cabalista, mesmo sabendo racionalmente que funciona, se na hora do "vamos ver" o desespero toma conta de tudo e a mente racional desaparece, sai de cena sem sequer deixar sinal da sua existência?..

Isso vai nos conduzir a uma grande verdade da vida que será fundamental na compreensão do que estamos buscando aqui: as melhores coisas da vida e as mais importantes costumam ser simples.

A cura de muitas das doenças psicológicas que parecem muito complicadas muitas vezes se dão de modo tão simples que a coisa toda chega a parecer estúpida: às vezes um profissional especializado nos processos mentais humanos simplesmente induz o paciente a mudar os seus pensamentos perniciosos e auto destrutivos fazendo-o acreditar que isso é possível! Para tanto, algumas vezes usa-se de hipnose, outras de psicanálise ou então diferentes tipos de terapia - mas o objetivo é sempre o mesmo: levar o paciente a sentir autoconfiança, acreditar em si e na solução dos seus problemas.


Já em PNL (Programação Neurolingüística) os terapeutas resolvem problemas que pareciam terrivelmente complexos apenas usando comandos claros e precisos, feitos diretamente ao sub-consciente do paciente, do tipo: “Mude agora!”, “traga aquele seu outro eu agora!”, “comece a fazer diferente a partir de agora”, etc, etc...

Inclusive muitos charlatões falsos videntes e médiuns já confessaram usar desses tipos de comando cerebral para convencer suas vítimas de seus poderes paranormais ou da existência/influência das "energias" por eles comandadas.

Em outras palavras, aquilo que acreditamos se torna real para nós, em nível subconsciente, e até certo ponto pode também se tornar real em nível físico. Vejamos o exemplo do hipnotizador que diz a uma pessoa em transe hipnótico que vai encostar a brasa de um cigarro aceso em seu braço. A seguir, toca na pele do antebraço do hipnotizado com a ponta de uma caneta. Essa pessoa dá um pulo, retira o braço com a rapidez de um gato, geme de dor. Depois de alguns minutos, forma-se no local uma pequena bolha de queimadura!! Veja bem, a pele não foi queimada, mas a certeza da pessoa fez com que a dor e mesmo os efeitos físicos se manifestassem como se tivesse sido.

Existem casos como este catalogados, que são objeto de estudo até hoje. Este é o poder da "certeza" claramente demonstrado. - No caso do exemplo citado, uma certeza induzida, mas ainda uma certeza. - Este é o poder que temos quando acreditamos plenamente em alguma coisa. Infelizmente, estamos sempre precisando de estímulos externos para acreditar que algo é possível: que somos capazes de conseguir superar dificuldades ou atingir objetivos, como emagrecer, abandonar um vício, esquecer daquele(a) namorado(a) perdido(a), etc, etc...

A Verdade é uma só e não muda, independente do que acreditamos, mas nós somos capazes de criar a nossa própria verdade, e podemos nos auto-hipnotizar de modo a crermos no que nos parecer mais conveniente num certo momento.

Isso não quer dizer que "somos Deus" ou que somos os autores de tudo, nem que somos Criador, criação e criatura em nós mesmos; também não quer dizer que sejamos a Causa de todas as coisas, como se apressam em concluir alguns místicos mais afoitos. Mas significa sim que somos, num certo nível, co-criadores do nosso destino, do nosso ser e da nossa realidade neste mundo. Temos este poder, que nos foi dado pela Fonte absoluta de toda Vida, que a Cabala chama de "O Eterno".

E depois de tudo que foi exposto até aqui, eu ainda não falei como fazer para se ter essa certeza, num momento crítico... Eu só disse que é algo simples. Mas como podemos alcançar a fé absoluta, livre de dúvidas e incertezas conflitantes, nos momentos de maior dificuldade? Como eu posso me tornar um ser sempre pronto a me "injetar certeza" quando "os desafios parecerem insuperáveis"?

Bem, eu não expliquei isso ainda, e nem vou explicar, porque não tenho essa resposta. Mas posso adiantar que, nesse caso, teorias e explicações são totalmente dispensáveis. A resposta está não no entender, assim como não está no querer, mas sim em simplesmente ser. Não no tentar, mas em fazer. Por isso, agora chegou o momento de este autor silenciar. E deixar o silêncio falar dentro de cada um. Acenda sua própria chama, dentro de si mesmo, olhe pra ela. Desarme-se, mostre-se como é. Declare o quanto está disposto a crer, o quanto confia na Sabedoria Divina, o quanto está disposto a se entregar a este Deus de Amor, se ele for mesmo real. Depois ponha-se em silêncio. E apenas aprenda sozinho. Boa sorte, e que Deus o acompanhe.


Fontes:
Kabbalah Centre;
Rabino Yehuda Berg;