Assim diz o Senhor...

... ao profeta Isaías:


"Como são belos nos montes
Os pés daqueles que anunciam as boas novas,
Que proclamam a paz,
Que trazem boas notícias,
Que proclamam a salvação...

Venham todos vocês, que estão com sede,
Venham às águas;

E vocês que não possuem dinheiro algum,
Venham, comprem e comam!

Venham, comprem vinho e leite
Sem dinheiro e sem custo.

Pra que gastar dinheiro naquilo que não é pão,
E o seu trabalho árduo
Naquilo que não satisfaz?

Escutem, escutem-me,
E comam o que é bom,
E a alma de vocês se deliciará
Com a mais fina refeição.

Dêem-me ouvidos e venham a mim;
Ouçam-me, para que a sua alma viva.

Farei uma aliança eterna com vocês...

Pois os meus pensamentos não são os seus pensamentos,
Nem os seus caminhos são os meus caminhos...

Vocês sairão em júbilo e serão conduzidos em paz;
Os montes e colinas incorrerão
Em canto diante de vocês,
E todas as árvores do campo
Baterão palmas.

Mantenham a justiça
E pratiquem o que é direito,
Pois a minha salvação está perto,
E logo será revelada a minha retidão.

(Há) cães devoradores e insaciáveis.
Pastores sem entendimento;
Todos seguem cada qual seu próprio caminho,
Cada um procura vantagem para si mesmo.

(Mas) o justo perece,
E ninguém pondera isso em seu coração:
Homens piedosos são tirados,
E ninguém entende

Que os justos são tirados
Para serem poupados do mal.
Aqueles que andam retamente entrarão na paz;
Acharão descanso na morte.”



Princípio essencial da Kabbalah #4

"Fênix renasce das cinzas"


Apresentando agora o quarto princípio essencial da Cabala:


“O Objetivo da Vida é a Transformação da Condição Espiritual do Ser Humano: de Reativo para Pró-ativo.”

Mais um estudo cabalístico que traz em si um potencial altamente transformador. Este conceito traz possibilidades de mudança tão reais e palpáveis na vida de um indivíduo que, depois que foi descoberto, vem sendo (amplamente) utilizado por “coachings” empresariais, para ilustrar palestras em cursos de treinamento para líderes de diversas áreas, para motivar equipes de vendas e etc, etc... Uma rápida busca na rede e vai ser muito fácil você dar de cara com termos do tipo: “Transformação de um vendedor reativo em proativo...”, “...reativo para proativo – uma grande mudança na sua vida profissional”, “...de reativo para pró-ativo: obtenha mais sucesso nos seus negócios”...

Algumas pessoas “se tocaram” que esse princípio poderia ser aplicado (com sucesso ou não, vai depender sempre de cada indivíduo), nas atividades e relações comerciais, e aproveitaram para desviar o foco: de espiritualidade para comércio. Sim, estou falando do lema clássico dos “grandes homens” deste nosso mundo: “Busquem primeiro o dinheiro, e o Reino de Deus vos será dado por acréscimo”... Tem alguma coisa invertida aí... Bem, mas isso seria o tema de um outro assunto.

Dentre as diversas novas religiões e seitas, aquela conhecida como “cientologia” também se apropriou deste princípio essencial, e traz como um de seus próprios princípios básicos a importância da transformação do indivíduo humano, de reativo para pró-ativo. - A sua obra-magna “Dianética” (de L. Ron Hubbard) é na verdade uma grande explanação sobre como poderíamos efetuar esta transformação em nossas vidas. - Por um caminho equivocado, a meu ver. No caso das ciências da mente, a terapia conhecida como “Análise Transacional” também se utiliza soberbamente dos conceitos de ativo e pró ativo para tratamento de pacientes.

Antes de qualquer outra coisa, em nossos estudos, precisamos entender muito bem o que significa uma condição humana reativa e uma condição humana pró-ativa; obviamente um ponto fundamental para a compreensão deste quarto princípio.

O que representariam, para o estudante da Cabala, os termos “reativo” e “pró-ativo”?

O ser humano reativo é aquele que apenas reage. Reage às situações da vida, às pessoas que o cercam, ao comportamento dos outros. O seu modo de conduta depende daquilo que lhe fazem ou do que lhe acontece. Se no trânsito alguém corta à sua frente, ele fica nervoso; xinga. Se um colega de trabalho age de forma desleal para com ele, procura responder e dar o troco na mesma moeda. Se o filho pequeno abusa da sua paciência, ele se irrita, perde a calma, manda um berro e talvez uma palmada... Estes são exemplos muito simples e o importante aqui é nos atermos não às reações destes personagens hipotéticos em si, mas sim no fato de terem sido movidos de suas disposições iniciais por fatores externos. Se o motorista xingou ou não no trânsito, isso é só um detalhe, o que realmente faz com que ele seja um reativo é o fato de ter se irritado por ter sido fechado. O mesmo vale para qualquer outro exemplo. Se você "se move" da sua posição inicial, se você se permite abandonar suas posturas, deixar de lado os princípios que abraçou, por conta de algo que lhe aconteceu, algum revés, decepção ou alguma ofensa sofrida, então você está reagindo a uma situação. Esse caminho, além de levar à dor e ao sofrimento, pode trazer destruição e muitas derrotas. A meta do estudante da Cabala é não mais reagir, mas sim se tornar senhor dos seus sentimentos e adquirir poder sobre suas próprias ações. Se eu escolho ser calmo, por exemplo, não posso me desviar desta via de conduta por conta de fatores externos. Isso não quer dizer que tenhamos que permanecer impassíveis a tudo, sempre, mas sim que devemos tomar o comando de nossas próprias vidas.

Adotar um comportamento pró-ativo significa não reagir a eventos e situações externas, não permitir que eles influenciem nossos sentimentos e nos façam perder o controle. Ser pró-ativo, segundo a tradição cabalista, é agir como a Luz da criação. Eu sou proativo quando escolho, quando sou mais forte que meu corpo físico, mais forte que as minhas tendências mais baixas, - aquelas que se econtontram presentes em todo ser humano e nos fazem agir de um modo que depois provoca arrependimento. Agindo assim, estaremos criando uma nova realidade para nós mesmos. Mas.. Como colocar isso em prática?

A primeira coisa que precisamos entender é que a negatividade está sempre dentro de nós mesmos e não na pessoa ou na situação que provoca nossas reações. Para colocar o conhecimento dessa realidade na prática, a Cabala propõe alguns exemplos e exercícios bastante práticos.

Exemplo: pegue um pedaço de papel e divida-o em 3 colunas. Na primeira, escreva uma situação do seu dia a dia que o faz reagir negativamente, que o deixa frustrado ou bravo. Por exemplo: “Quando eu chego em casa do trabalho, meus quatro filhos vêm ao mesmo tempo pedir ajuda com as lições de casa e ficam brigando entre si para ver quem será atendido”. Na segunda coluna, escreva qual é a sua reação emocional imediatamente após essa situação ter acontecido. Por exemplo: “Eu fico muito irritado e às vezes perco o controle”. Na terceira coluna, escreva qual foi a sua resposta concreta, que atitude você tomou para lidar com essa situação. Por exemplo: “Comecei a gritar com as crianças, mandei cada um para o seu quarto e não ajudei nenhuma delas”. Agora, tente analisar o que você escreveu. Escreva na coluna do meio o que acha que seria uma reação adequada e de acordo com aquilo que você considera certo.

Agora uma análise do exemplo dado: a pessoa do nosso exemplo obviamente não estava no controle da situação. Quem ou o que fez com que ela reagisse negativamente? "As crianças", seria a resposta óbvia. Mas não é a resposta certa, segundo a Cabala. O que a fez reagir foi a sua própria negatividade interna, seu oponente foi o seu desejo interno egoísta, de receber para si mesmo. As crianças na verdade poderiam ter sido a sua oportunidade de transformação, criando essa situação para que a pessoa tivesse a chance de superar sua reatividade.

Enquanto o indivíduo não mudar sua postura, cenas como essa acontecerão de novo, de novo e de novo, infinitamente. Isso não provém da Luz, porque a Luz é renovadora. Somente quando alguém passa a agir proativamente, como a Luz, encontrando uma nova forma de lidar com situações e pessoas, criando assim uma nova situação dentro desse mesmo quadro, estará agindo proativamente.

Como fazer isso? Muito simples, mas pode soar muito difícil: Não reaja! Inicialmente, apenas pare. Faça uma “pausa interna”. Perceba o desafio e pare a reação emocional imediatamente. Crie a partir daí uma nova situação! Se você conseguir simplesmente parar naquele minuto, sua luz interior poderá criar uma nova situação a partir desse mesmo quadro. Muitas pessoas podem estar pensando agora: “É tudo muito bonito, mas como eu vou me lembrar de tudo isso e parar minha reação na hora ‘H’, naquele momento em que a emoção toma conta e tudo está em ebulição?”. Pense no seguinte:

Se alguém lhe oferecesse $ 1.000 a cada vez que você conseguisse parar a sua reação emocional e agir proativamente, o que você faria? Tenho certeza que não só você iria se lembrar disso a todo momento como também iria implorar por mais situações difíceis e desafios que te dessem a oportunidade de se transformar! É exatamente essa a idéia! Só que em vez de receber o dinheiro, a cada vez você recebe mais Luz!

Trata-se de um exercício constante. Da mesma maneira que para adquirir boa forma física você precisa se exercitar constantemente, para adquirir consciência espiritual você também precisa se exercitar. No caso dos exercícios físicos, no começo é sempre mais difícil, os músculos ficam doloridos e nos sentimos cansados, tendemos a desanimar. Mas, se persistirmos, com o decorrer do tempo isso passa a fazer parte da nossa rotina de vida, como escovar os dentes, e começamos a nos sentir melhores e mais dispostos, alcançando bem estar e muitos benefícios a longo prazo. Da mesma maneira se dá com o exercício de cultivar a consciência das nossas ações e reações intespetivas.

No exemplo citado acima, se aquela pessoa deixasse de se comportar reativamente (reagir), com certeza poderia criar uma nova situação e também as crianças iriam mudar sua forma de abordagem. O indivíduo estaria criando para si uma nova realidade. Este foi um exemplo muito simplificado, mas quantas situações surgem em nossas vidas, diariamente, como oportunidades para realizarmos essa transformação?

Outra proposta de exercício prático: procure encontrar diariamente ao menos uma situação, em sua rotina, na qual você possa modificar seu comportamento de reativo para proativo, assumindo o controle da situação. Observe os resultados e tire suas próprias conclusões.

O problema com o comportamento reativo é que ele dá a ilusão de um resultado imediato, dá a sensação de que resolvemos o problema imediatamente. Mas isso é apenas ilusão. Um exemplo de como isso funciona no dia-a-dia: imagine uma pessoa que está de dieta. Ela vem se esforçando em cuidar da alimentação e manter o programa que vem seguindo para atingir seu objetivo de perder peso. Agora ela se defronta com uma situação onde alguém gentilmente lhe oferece uma fatia de bolo de chocolate. Seu instinto reativo faz com que ela não resista e a convence de que pode comer um pedaço de bolo e reiniciar a dieta na próxima segunda-feira. Ela sucumbe e come o pedaço de bolo. Uma vez perdido o controle, não há problema em comer mais um pedaço... A pessoa se deleita com a sensação de prazer e satisfação que essas várias fatias de bolo lhe oferecem, dando-lhe uma gratificação imediata fútil. Depois de pouco tempo, o prazer passou, e a pessoa é tomada por sentimentos de culpa, remorso, frustração e raiva de si mesma. Se tivesse resistido, agido proativamente, satisfazendo seu desejo com uma fruta, por exemplo, no momento essa satisfação poderia não ser tão intensa, mas apenas alguns minutos depois, sentimentos de realização e de satisfação por ter mantido o autocontrole e a dieta iriam tomar conta dessa pessoa, permanecendo com ela até o dia seguinte.

Um outro exemplo, usado pelo rabino Yehuda Berg:

“Imaginem um vendedor. Teoricamente, quanto mais vende, mais ele ganha. Imagine então que alguém entra em uma loja para comprar um determinado produto que o vendedor não tem. Mas ele tem um estoque enorme e precisa vender. Ele tem duas opções: se agir reativamente, vai fazer de tudo para “forçar” a venda, insistindo muito e dizendo ao cliente, por exemplo, que o produto que ele tem para oferecer é melhor. Mas se agir proativamente, ele até poderá falar ao cliente a respeito do produto de que dispõe, mas vai também indicar outra loja onde o cliente poderá encontrar o que deseja. Essa venda ele não fez, mas com certeza a Luz poderá providenciar que surjam muitos outros clientes para comprar exatamente aquilo que ele precisa vender. Neste caso, ele transcendeu a ilusão de que é um vendedor e precisa vender a qualquer custo. Pensou no outro, pensou em satisfazer a real necessidade do outro e a Luz irá satisfazer a real necessidade do vendedor, que pode até ser em outra área que não vendas.”


Como podemos ver, são as situações diárias e corriqueiras que nos oferecem as grandes oportunidades de agirmos proativamente e crescermos espiritualmente. É para isso que esse conhecimento cabalístico é ensinado: para que você possa aplicá-lo hoje e começar a mudar a sua vida agora!


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"Manias Estranhas" - exemplos objetivos da importância da conversão 'Reativo' > 'Proativo'" - Artigo do Profº Dr. Roque Theophilo, Psicoterapeuta, Sociólogo e Pesquisador, do site "Amigo Psicólogo".

A Tricotilomania é uma anomalia na qual a sua vitima se compraz em arrancar continuamente os fios de cabelo. sendo mais freqüente os da cabeça. Podem. também ser os dos cílios, sobrancelhas e pelos pubianos. As causas principais que levam a pessoa a tal prática são:

1. Impossibilidade de resistir ao impulso.

2. Sensação de tensão, ansiedade antes de começar a arrancá-los.

3. Sensação de alívio da ansiedade , após arrancar os fios de cabelo.
O ritual de arrancar os cabelos pode durar segundos, minutos e até mesmo o dia inteiro.

A Tricofagia é a compulsão que levam as pessoas a engolirem os cabelos arrancados.Tal hábito pouco salutar causa o acúmulo de cabelos no estômago e freqüentemente exige cirurgia para a remoção do novelo de cabelos que se forma no estômago e até nos intestinos. O diagnóstico da tricomania e da tricofagia só pode ser feito com exatidão desde que a pessoa não esteja sofrendo de doença no couro cabeludo ou de doença que produza vivências delirantes.

As causas das referidas anomalias são desconhecidas: o que se acredita é que exista uma relação entre Tricotilomania, e o Distúrbio Obsessivo Compulsivo (DOC), Síndrome do Pânico e principalmente a Depressão, pois que existe maior incidência desses quadros nas pessoas que têm uma ou mais das síndromes citadas.

Alguns casos podem melhorar com Psicoterapia Comportamental, porque vai ajudar o paciente a resolver ou administrar os conflitos psicológicos que estiver sofrendo e o ensinará a resistir aos impulsos. É fundamental que se reconheça que a ansiedade para a prática do ato é muito forte. Quanto mais o paciente resistir aos impulsos, por mais ansioso que fique, estará dando passos gigantes para a libertação ao mal. Sem essa resistência nenhum tratamento dá certo.


Assim como a tricofagia e a tricotilomania, existem centenas de distúrbios psicológicos que só podem ser tratados mediante a conscientização, por parte do paciente, da importância de se cessar o comportamento reativo e o iniciar de uma reeducação mental que visa o processamento cerebral proativo. A inserção deste anexo ao post foi para que pudéssemos observar que a psicologia e a psiquiatria modernas também chegam às mesmas conclusões que os cabalistas há muitos séculos. Aplicar o quarto princípio em sua vida e começar a observar mudanças só depende de você.



Princípio essencial da Kabbalah #3

Conclusão

Apesar da demora para a conclusão deste post (por motivos técnicos), imagino que o seu desfecho não poderia ser mais óbvio. Como vimos na postagem anterior, já é um fato considerado científico que somos infelizes exatamente porque inconscientemente tentamos buscar a nossa felicidade na satisfação das nossas necessidades básicas de maneiras cada vez mais sofisticadas. De maneira semelhante, analisamos a chocante questão de que o principal fator da nossa infelicidade não é a falta dos elementos que nos permitam satisfazer nossas necessidades básicas, mas sim o fato de estarmos o tempo todo nos comparando com os nossos próximos e querendo superá-los em luxos supérfluos ou, no mínimo, estar no mesmo nível deles. Vivemos numa constante disputa infantilóide de quem consegue ter mais brinquedos, e mais bonitos.

O Sr. X, por exemplo, não se sente feliz por ter um carro que lhe permita percorrer grandes distâncias com todo conforto ou por não precisar depender do nosso precário sistema de transporte público. Ele não se sente satisfeito e grato por ter a possibilidade de levar a sua família para passear comodamente, nem por ele ser um felizardo que conseguiu comprar um bom automóvel num país e num mundo onde existem tantos miseráveis que não têm acesso à necessidades básicas como moradia, saúde, educação e etc. Ele na verdade vai se sentir infeliz e frustrado se o seu vizinho possuir um carro de modelo mais novo ou mais caro, mesmo que o dele seja muito bom! Nessa sociedade monstruosa que estamos ajudando a construir (sim, a responsabilidade é de cada um de nós), maior é a inveja do que a gratidão, e isso têm sido assim já há muito tempo. O ser humano, cada vez mais, vêm sentindo prazer na afirmação do seu ego. - Está (cada vez mais) se preocupando mais com a manutenção de seu status social num patamar mais elevado que o daqueles que o cercam, do que com a satisfação das suas reais necessidades ou no desfrute dos bens e comodidades que conquistou. Em outras palavras, é mais importante não ficar "por baixo" perante o que pensam os outros do que estar bem consigo mesmo.

E a conclusão óbvia a que chegamos é: Quanto mais buscamos a felicidade, a partir dos nossos paradigmas exclusivamente materialistas, mais nos afastamos dela! E isso não é teoria, é um fato, uma realidade incontestável. Estamos ou não falando do cúmulo do absurdo, do maior de todos os contra-sensos humanos?

O detalhe que faz toda a diferença é entendermos que ser feliz não tem nada a ver com disputa ou competição! Porém, estamos correndo desenfreadamente na direção oposta! Nós nunca competimos tanto! Seja nas relações profissionais ou na vida pessoal, e até mesmo nos nossos momentos de lazer (quando praticamos algum esporte, por exemplo), o fato é que o ser humano nunca quis tanto se sentir melhor do que o seu próximo. Mais do que simplesmente estar bem consigo mesmo, ele quer se destacar, quer estar no centro das atenções, ele deseja ser exaltado, admirado, adorado... Não basta conquistar nossos objetivos ou possuir todos os nossos objetos de desejo, estamos sempre tentando nos certificar de que as pessoas do nosso convívio não estejam em situação melhor que a nossa e nem possuam mais “brinquedos” do que nós mesmos. Lembrei-me de um conto popular, de autoria desconhecida, que eu publiquei no meu outro blog e que retrata bem essa realidade:

“Num belo dia um homem resolveu fazer uma faxina no porão de sua casa. Ao revirar alguns antigos objetos há muito esquecidos nos cantos do empoeirado aposento, encontrou um velho baú, entre outros caixotes, e, curioso, resolveu explorar o seu conteúdo. Foi assim que, remexendo bem no fundo, percebeu que emergia, do mofado escuro, um objeto de formato um tanto quanto inusitado: Uma lâmpada oriental! Como estivesse bastante empoeirada, o homem pensou em limpá-la, e foi exatamente nesse momento que algo ainda mais inusitado aconteceu, quando começou a esfregá-la com uma flanela. O que poderia ter sido? Sim, esse começo não é nem um pouco original, eu reconheço: O que houve foi isso mesmo que você imaginou. Um gênio maravilhoso apareceu; e foi logo explicando:

‘Estava preso nessa lâmpada havia muitos séculos, venho acompanhando a sua família há várias gerações. Foi seu tataravô quem resolveu guardar minha lâmpada no fundo deste baú, por achar que eu poderia provocar problemas para vocês, humanos. Desde então, estou aqui guardado e esquecido. Agora, você é o meu novo amo. O que acha disso?’

O homem, estarrecido, lembrava-se de sua ascendência árabe, enquanto o gênio continuava falando...

‘Como um gesto de agradecimento, posso realizar um desejo seu. Pode pedir o que quiser, e eu realizarei!’

O homem estremeceu ao ouvir aquilo. – ‘Quer dizer que posso pedir qualquer coisa que eu queira?’ – perguntou, sentindo uma euforia crescente, que já mal podia controlar. - ‘Qualquer coisa material, sim.’ - Foi a resposta. O felizardo começou a pensar consigo mesmo:

‘Isso é demais!! Deixe-me pensar muito bem... preciso ver... tem tantas coisas que eu quero... Talvez um carro novo... Não, um carro, não! Uma Ferrari esporte!.. Uma casa na praia mais linda, com uma piscina enorme!.. Eu poderia pedir um jatinho, só pra mim... Mas aí teria que pedir também um aeroporto particular... Pensando bem, é melhor pedir um milhão... de dólares, claro. Não, de euros! Quer dizer, um milhão não, um bilhão! Cem bilhões! Talvez uma mina de ouro no meu quintal! Uma mina que não se esgotasse nunca! Assim, poderia ter o que eu quisesse, para sempre... Saúde não pode, ele falou que tem que ser algo material...’

Ele ainda pensava, quando o gênio retrucou:

‘Mas há ainda uma coisa a ser dita, amo. Tenho mais uma notícia maravilhosa! Entenda bem: você receberá um prêmio extra: Além do seu desejo atendido, você ainda tem direito a um bônus: Tudo que você ganhar, o seu irmão também receberá, e em dobro! Isso não é magnífico?’

‘Acho que não entendi bem’ –
respondeu o ainda aturdido descobridor da lâmpada mágica.

‘Isso quer dizer’ – respondeu o gênio –
‘que ao realizar os seus desejos, você estará também presenteando o seu irmão, em dobro. Tudo que você pedir, terá. Mas o seu irmão receberá o mesmo, duas vezes mais.’ E com um grande sorriso, concluiu: ‘Não entendo porque o seu tataravô achava que algo assim tão maravilhoso poderia causar problemas para a humanidade...

‘Então, se eu desejar um carro conversível...’

‘Você o ganhará. E, além disso, seu irmão receberá dois carros iguais.’

‘Um milhão de dólares?’

‘Um milhão depositado na sua conta, imediatamente. E dois milhões na conta do seu irmão.’

‘Entendo...’
– ponderou o homem –
‘Por que isso?’

‘É uma lei que eu preciso seguir, porque sou um gênio do bem. Os gênios do bem só podem agir desta maneira, esta é uma benção em dobro para você. Gênios do mal realizam desejos presenteando seus amos com coisas que tiram de outras pessoas, em algum lugar do mundo. Por isso há tantos reveses inexplicáveis por aí. Comigo é o contrário. Para sua sorte, como já disse, eu sou um gênio do bem.’

O homem pensou por longos minutos. Parecia indeciso, andava de um lado para outro, dentro daquele porão mal iluminado. Finalmente se voltou para o gênio, que sorria bondosamente. Encarou-o muito sério por um instante, e então, finalmente, falou:

‘Já sei.’

‘E o que vai ser, amo?’
– perguntou o gênio, pronto para concretizar sonhos maravilhosos. O homem respondeu:

‘Eu quero que você me fure um olho.’...




Por quê? - Ao mesmo tempo em que a humanidade mergulha cada vez mais profundamente numa competição descabida em busca de cada vez mais posses, mais títulos, mais e mais brinquedos inúteis que lhe permitam se auto afirmar perante os seus semelhantes... Mais infelizes se encontram. Se este é um fato inconteste, facilmente verificável e que já está sendo encarado como fato científico, conforme pudemos apreciar no post anterior... Por que isso continua acontecendo?? Por que continuamos achando que precisamos ter não só o suficiente para suprir as nossas necessidades, mas também, e principalmente, para que possamos nos impor perante os outros? Por que achamos mais importante a ostentação das aparências do que aquilo que realmente somos e sentimos??

A resposta talvez não seja simples. Segundo a tradição da Cabala, porém, existe um fator principal que faz com que as coisas sejam assim. - E que representa a maior razão da nossa infelicidade, e da tão breve duração dos nossos momentos felizes. – Como avisei anteriormente, este é um dos mais importantes posts que eu já publiquei. Disse que este revelaria um grande segredo da vida, que traria em si a possibilidade de nos libertarmos dos sofrimentos inúteis. Se você acha que tem “olhos para ver” e “ouvidos para ouvir”, o momento é agora...

A Cabala entendeu que um dos motivos principais de estas coisas serem assim, de haver tanto egoísmo e desarmonia em nosso mundo, razão mesma de haver a infelicidade, é a ignorância deste princípio essencial:

“Tudo que um ser humano realmente deseja da vida é a LUZ espiritual”


É simples, não é? É por pensarmos que precisamos de coisas diferentes, como acumular bens materiais e apenas atender às nossas necessidades imediatas, por entendermos que apenas isso basta, é que sofremos.

Mas a pergunta permanece: Então por quê, mesmo assim, continuamos agindo dessa maneira? A resposta é que nós não sabemos o que é bom para nós mesmos! Somos como crianças que querem sempre fazer o que não devem, brincar sempre nos lugares mais perigosos e com maiores chances de acidente. - Crianças que não sabem se higienizar, se manter limpas nem se relacionar direito com o meio em que vivem. Somos como crianças que só querem comer porcaria, que não sabem cuidar de si mesmas, nem fazer suas próprias escolhas.

Quando você era criança, seus pais precisavam se manter sempre atentos e por perto, para que você não enfiasse o dedo na tomada nem se metesse a brincar com fogo. Tinham que vigiá-lo(a) para que você não mergulhasse na parte mais funda da piscina dos adultuos, antes de aprender a nadar. Agora você cresceu, mas ainda não aprendeu o que realmente é bom pra você. Você ainda não entendeu o que realmente importa, o que vai lhe conduzir à melhora e à plenitude, o que chamamos felicidade.

A Cabala ensina que a verdadeira “evolução espiritual" é estar cada vez mais perto de Deus. Quando eu me volto para Deus, posso "evoluir" um bilhão de anos num segundo! Essa é a única evolução real e possível: a aceitação da minha condição humana e da minha total dependência daquilo que me transcende. Não estou falando de dependência num sentido de submissão, de medo, de coisa imposta. Estou falando de aceitação, de reverência, de humildade, de grandeza de caráter... Estas coisas nos conduzem à compreensão de nós mesmos e da Realidade em que nos movemos. A verdade que a Cabala nos traz, em seu terceiro princípio essencial, é que eu não sou nada sem Deus, e a minha maior e única possibilidade de felicidade é que Ele seja tudo em mim. Que eu não devo buscar o meu próprio louvor, porque eu não mereço ser louvado, enquanto indivíduo, e que a felicidade está no Todo, e nunca no indivíduo. - Isso explica porque a tradição judaica ensina a "adorar" e louvar a Deus. A verdade é que, nos tempos atuais, não queremos nem aceitamos adorar ou louvar nada a não ser nós mesmos! Até imaginamos se não seria uma manifestação egóica do próprio Deus, esperar o nosso louvor e a nossa adoração!.. Mas o que significa "adorar"? Qual o sentido da "adoração" a Deus? Será que o Criador precisa disso?

"Adorar" para o semita significa reconhecer que existe algo maior do que ele próprio. É renunciar ao próprio ego diante da manifestação de um Poder maior e transcendente. "Adorar" é como dizer "eu me rendo". É aceitar que não somos suficientes por nós mesmos, que há algo além e maior do que nós, o qual reverenciamos, no qual queremos nos "dissolver"; e quando falo "nós", neste contexto, evidentemente estou me refirindo ao nossos egos. Egos narcisistas que nos fazem superlotar os shoppings enquanto as casas de caridade estão vazias...

O terceiro princípio essencial da Cabala afirma que eu sou como a criança precisando ser conduzida; eu não sei o que é bom para mim mesmo, por mim mesmo. Só quando eu for capaz de me entregar, incondicionalmente, é que conhecerei a Verdade, e a Verdade me libertará. Por Graça, não pelas minhas capacidades, pois na verdade nem as minhas capacidades me pertencem. Tudo que tenho e sou é "por empréstimo".

Paradoxalmente, só quando entendemos isso é que realmente podemos ser e ter tudo!

A LUZ divina é tudo o que realmente desejamos e precisamos para alcançar a Plenitude e a Felicidade, ainda que, conscientemente, não o saibamos. Aquela conhecida sensação de incompletitude, de que algo está faltando, reside justamente no fato de que nos encontramos afastados da LUZ da Unidade com Deus. Se buscarmos a ela em primeiro lugar, de coração, alma e entendimento, tenham absoluta certeza: as outras coisas (é preciso entender que as outras coisas são apenas 'outras') nos serão dadas por acréscimo. - Para finalizar eu devo dizer que sou uma testemunha viva disto; a minha vida é um perfeito exemplo dessa realidade. Eu, Henrique, quanto menos valor atribuo às posses materiais, quanto menos participo da corrida insana por cargos e posições ditas importantes neste mundo, quanto menos me preocupo com status e com a conquista de mais e maiores lucros, mais eu tenho, bem além do que preciso! Vivo uma vida tranquila e confortável, me considero feliz e realizado, sem prestar atenção ao que os meus vizinhos e parentes têm, se é mais ou menos do que eu mesmo possuo. Dou graças diariamente em tudo, e cada vez estou melhor, mais bem instalado, realizo mais os meus pequenos desejos...

Busquei a Deus por toda a minha vida, e essa Busca sempre foi a minha "prioridade zero", em detrimento de muitas boas oportunidades profissionais, que me permitiriam viver no luxo se as tivesse abraçado. Mas mesmo assim estou levando uma vida material bastante confortável. Por diversas vezes joguei fora, sem pestanejar, ótimas oportunidades de trabalho que tive, por achar que não valeria a pena o sacrifício das minhas melhores energias e o melhor do meu tempo apenas por... Dinheiro. E o Autor da Vida me sorriu.

Tudo é nada se estivermos distantes da real finalidade pela qual estamos aqui, em primeiro lugar. A Cabala diz que tudo o que de fato desejamos, mesmo sem saber, é a Luz de Deus. Um desejo que pode nos aparecer mascarado, nós pensamos que queremos a mulher, o cargo, o carro, mas por trás de tudo estamos desejando a LUZ de Deus; que é de onde viemos, afinal. O resto é só o resto. Por pensarmos diferente é que sofremos. Medite um pouco sobre isso.