Princípio essencial da Kabbalah #3

Aviso: este é um dos mais importantes posts (em duas partes) que eu já publiquei neste espaço. Vai aí um grande segredo da vida, um que traz em si a possibilidade de nos libertarmos dos sofrimentos inúteis. Muitíssimas pessoas buscaram por essa verdade suas vidas inteiras, sem conseguir encontrá-la, porque o fizeram da maneira errada. Um verdadeiro segredo será revelado, agora mesmo, para todos os que chegaram aqui e estiverem dispostos a aprender. Se você acha que tem “olhos para ver” e “ouvidos para ouvir”, este é o momento...




Não gosto de parecer místico, eu sempre procuro evitar ao máximo passar uma imagem errada sobre mim, pois sei que há muita gente sedenta de Deus neste mundo, pessoas que precisam desesperadamente de consolo, que procuram com muita angústia por respostas que as reconfortem. E infelizmente, essas pessoas são alvos extremamente fáceis para todo tipo de picaretagem. - São as primeiras vítimas das tantas e tantas seitas e líderes espiritualistas charlatões que existem, cumprindo um papel (nefasto) específico nesta nossa realidade. - Algumas dessas pessoas chegam até este espaço, e me mandam mensagens por email, me fazendo perguntas, como se eu fosse uma espécie de “mestre”. E eu não sou mestre. Sou tão mestre quanto qualquer um que tenha vindo “cair” aqui e que esteja lendo estas palavras agora. Estou dizendo essas coisas porque antes de entrar no estudo de hoje gostaria de compartilhar uma experiência arrebatadora que vivi na noite passada.

Na noite de ontem eu tive uma das mais belas experiências místicas de toda a minha vida. Entrei num estado de meditação profundíssima, e certas portas do invisível se descortinaram diante de mim. Ainda que eu não tenha “visto” nada, nem tenha conseguido alcançar a compreensão sobre detalhes das realidades sutis, eu pude sentir muito claramente. Senti e compreendi que a Luz e a Felicidade plenas estão de alguma forma muito próximas de nós, que são realidades que podemos atingir, estão sempre quase ao alcance de nossas mãos! Ontem à noite, quando tudo estava quieto e calmo, quando o silêncio e o escuro eram tudo que podia ser experimentado pelos meus cinco sentidos comuns, algo como uma “lufada” de bem-aventurança passou por mim, deixando minha alma impregnada da mais perfeita expressão de felicidade que eu jamais poderia conceber. Eu contei, aqui, aqui, aqui e aqui, que já passei por experiências como essa antes, vivências que podem transformar uma vida para sempre. Acho que seria interessante compartilhar com vocês também que, a cada vez que isso me acontece, eu percebo que saí com algumas “seqüelas” bem perceptíveis. A cada vez que me elevo dessa maneira, percebo, por exemplo, que o meu apetite diminuiu. E essa diminuição não é temporária, é perene! Sim, eu sei que parece estranho, mas ultimamente eu tenho me alimentado, em termos de quantidades, como uma criança de 5 anos... Como porções muito pequenas, todos se espantam. Quando vou jantar em casa de algum parente ou amigo, sempre me perguntam: “Você não gostou da comida? Não comeu quase nada...” Mas a verdade é que eu não sinto fome... Estou escrevendo agora, às 17 horas e vinte e cinco minutos (o post foi escrito em 31/01/08) e hoje ainda não comi praticamente nada. - Estou com um iogurte com fruta e um pedaço de pão desde que saí da cama. - E não sinto fome. Não me sinto fraco nem sem energia; estou bem, desperto e animado. Não poderia afirmar com certeza que esse fenômeno está diretamente ligado às experiências que relatei, mas desconfio que sim. Não sentir fome e comer cada vez menos é uma realidade que vem ocorrendo na minha vida há algum tempo, desde a primeira experiência inefável que vivi, e percebo que a sensação se intensifica mais e mais a cada vez que isso acontece. Para finalizar, gostaria ainda de observar que ontem, enquanto eu transcendia meu mundinho das preocupações ordinárias, comecei a me sentir mais e mais envergonhado... Sim, envergonhado por ser ainda tão egoísta, tão fraco, por vacilar tanto diante das oportunidades que tenho para fazer o bem ao meu próximo, que é Deus se manifestando diante de mim, entre outras coisas. E percebi também, mais uma vez, que todas as dificuldades e dores que enfrentamos em nossas vidas têm a sua perfeita razão de ser. Porque o Luz do Eterno deve se nos manifestar aos poucos, muito lentamente, ou então ficaríamos todos cegos.

Por que estou falando dessas coisas? Porque eu desejo que você, que lê isto agora, saiba que DEUS existe, de fato. Que compensa continuarmos resistindo aos nossos impulsos mais baixos e que devemos nos manter firmes em nossos propósitos, pois em breve poderemos erguer as nossas cabeças e nos alegrarmos, porque estamos bem guardados; e tudo que nos perturba e incomoda, tudo que nos entristece, vai passar, mais repentinamente do que possamos imaginar. O conteúdo do post que segue está diretamente relacionado a todas essas constatações, e também aos muitos sinais comprobatórios que eu tive da sua veracidade. Por hora é só.


***

Conforme estudado anteriormente, segundo a Cabala, nós somos os nossos desejos. Pois bem, agora é a hora de compreender a principal razão de existir a infelicidade neste mundo. Já andei especulando anteriormente sobre a questão da dor e do sofrimento, tentando chegar a um termo sobre as razões de tanta desarmonia em nosso mundo e em nossas vidas. Mas acredito que nunca cheguei tão fundo, nunca me aproximei tanto de uma resposta definitiva quanto farei desta vez. O terceiro princípio essencial da Cabala me parece que realmente vem solucionar uma “charada” sobre a qual se debruçaram inúmeros santos, sábios e filósofos no decorrer da história humana - sem conseguir encontrar uma solução que parecesse realmente funcional ou definitiva.

Imagino que as declarações acima possam estar soando, no mínimo, como um exagero de minha parte. Como sempre, a minha proposta é que cada um examine o que está sendo exposto por si mesmo e chegue às suas próprias conclusões. Ou, como preconiza o primeiro princípio, não acredite numa única palavra do que aprender nos seus estudos. teste as lições aprendidas . Estaria eu afirmando que a Cabala nos traz as respostas definitivas para todos os problemas da vida, que ela é a fonte da Verdade suprema ou que ela resume o Caminho do buscador? Não, não é o que estou dizendo. Eu continuo acreditando que as verdades essenciais estão espalhadas pelo mundo, em diversas escolas, ocultas sob as mais variadas formas, e podem surgir das mais inesperadas fontes. Porque a compreensão do nosso Bem Amado Cósmico está disponível para todos, e Ele próprio não se limita às nossas ordens, escolas e especulações. Também dentro da tradição da Cabala, eu digo que é possível encontrar equívocos, falhas e descaminhos. Assim como nela podemos encontrar verdades poderosas e transformadoras como o seu terceiro princípio essencial, que diz:

“Tudo que um ser humano realmente deseja da vida é a LUZ espiritual”


Sim! É exatamente isto que nos falta compreender! Somente por acreditarmos que não é assim, por acharmos que precisamos de muitas outras coisas, é que sofremos.

Você sabe o que é “equilíbrio homeostático”? E você sabe o que quer dizer o termo psiquátrico “prazer negativo”? Essas realidades científicas estão diretamente relacionadas à compreensão do assunto deste post. Por isso transcrevo abaixo as explicações abalizadas do brilhante psicólogo, psiquiatra e psicanalista Dr. Flávio Gikovate, antes de passar à segunda parte desta postagem fundamental:

“Para falar sobre a possibilidade de um ser humano ser feliz, convém começar pelas coisas mais simples, ou seja, aquelas que nos fazem infelizes. Nosso organismo como um todo, assim como cada célula ou órgão nosso, busca permanecer em um estado de equilíbrio interno. No caso das células, isso corresponderia ao entre as concentrações de substâncias como o sódio e o potássio no interior delas e nos líquidos que as cercam. Se a concentração for maior de um dos lados da membrana que as limita surgem movimentos migratórios de substâncias líquidas para que as concentrações voltem a ser iguais dos dois lados. Esse é o fenômeno básico da homeostase, a busca permanente por equilíbrio.

Assim como cada célula, nosso organismo – inclusive o psiquismo – também busca o equilíbrio homeostático. Isso se faz por meio da ingestão de alimentos e líquidos, pela eliminação de detritos, além, é claro, da respiração. Trata-se de uma busca contínua, uma vez que o equilíbrio se perde pela simples razão de suarmos num dia quente. O momento do equilíbrio homeostático é como uma fotografia, um fotograma em um filme. É um instante fugidio que se perde e se recupera a todo momento. É um ponto que se busca o tempo todo, se alcança, se perde e se torna a se buscar. Essa é a vida de todos os seres vivos sobre a terra, e também a dos seres humanos.

Os desequilíbrios homeostáticos são, via de regra, sentidos como desagradáveis. Isso quer dizer que nossa mente registra esses estados físicos como dolorosos. A mente toma consciência, por exemplo, da falta de água no organismo. Chamamos a essa percepção de sede. O mesmo acontece com a comida: sentimos o desconforto que chamamos de fome. Sentimos dor e incômodo se não pudermos satisfazer a nossa necessidade de eliminação dos detritos do corpo na hora por este solicitada. – coisa que nos acontece muitas vezes em virtude das normas civilizatórias que regulamentam os locais específicos para esse fim e que nem sempre estão onde precisamos.

Fome, sede, frio, sono e desejo de defecar e urinar são alguns dos desequilíbrios homeostáticos mais habituais e de caráter desagradável. - Existem também os desequilíbrios que podem ser registrados como agradáveis, e que por isso mesmo podem se tornar muito perigosos; esse é um outro assunto, a ser abordado em outra ocasião. - Se estivermos com sede e sem acesso a água ou outro líquido, sentiremos a dor do desconforto. Infeliz com isso, nossa mente passa a se ocupar de forma prioritária do problema, buscando sua resolução com determinação e firmeza. Finalmente encontramos o remédio que tanto buscávamos: água potável! Se estivéramos por muito tempo sentindo a sede, quando bebemos sentimos um enorme prazer que advém do fim do desconforto. O prazer acontece por sairmos de um ponto zero, o ponto de equilíbrio homeostático. Daí Schopenhauer ter chamado esse tipo de prazer de ‘prazer negativo’. – O prazer negativo é uma felicidade passageira, efêmera, que deriva do fim da dor relativa à sede. Fenômeno idêntico acontece com todos os outros desconfortos físicos causados por desequilíbrios homeostáticos.

Temos paladar, olfato e visão apurados. Ao sentirmos sede ou fome, podemos tomar água ou nos alimentar de várias coisas básicas e preparadas de forma singela. Podemos também tentar acrescentar algum tipo de sofisticação extra ao processo de resolução de nossas necessidades. Podemos ingerir sucos de frutas adoçados, podemos comer de forma criativa, nos servindo de pratos bonitos, aromáticos e de paladar particularmente requintado. Saciaremos a sede ou a fome e ainda por cima experimentaremos um certo prazer especial derivado de sensações que são requintes agregados aos prazeres negativos. Nós, humanos, por meio da inteligência, sofisticamos nossas atividades fisiológicas mais simples, transformando-os em prazeres que vão muito além da simples resolução das necessidades. Agregamos prazeres positivos ao processo de recuperação do estado homeostático. A isso poderíamos chamar de prazeres negativos sofisticados pela razão criativa.

A vaidade, componente de nosso instinto sexual, também participa dessa sofisticação das nossas atividades essenciais. Atua de forma óbvia e explícita na questão do vestuário, elemento necessário para nos protegermos contra o frio, que ultrapassou esse objetivo inicial. No caso das comidas e bebidas mais requintadas, também estamos diante do prazer exibicionista, já que nos sentimos importantes e prestigiados quando fazemos aquilo que chama a atenção dos outros. Isso acontece quando nos destacamos porque temos acesso a alimentos fora de série, preparados por chefs famosos que trabalham em restaurantes caríssimos.

Graças à inteligência e à vaidade, transformamos nossas atividades essenciais relacionadas com a sobrevivência em algo complexo e rico em detalhes. Assim procedendo, nem parece que estamos saciando necessidades fisiológicas simples. É como se quiséssemos, a todo momento, nos esquecer de nossa condição animal e principalmente de nosso caráter mortal. Os atos relacionados com a eliminação dos detritos não puderam ser camuflados de maneira competente, de modo que, nessa hora, ricos e pobres são forçados a reconhecer sua precária condição de ‘simples’ mamíferos.

Entre os prazeres negativos, penso que é importante registrar de modo especial aquele que está relacionado com a saúde e a doença. Sentimo-nos doentes quando vivenciamos um quadro genérico de fraqueza, desconforto, calafrios, tonturas e etc. muitas doenças provocam sintomas mais específicos, como é o caso de dores localizadas, erupções cutâneas, alterações digestivas, estados depressivos e assim por diante. São desprazeres bem maiores do que a sede, a fome ou o frio temporários. Não há proporção entre o grau de sofrimento que experimentamos e a gravidade da doença. Nos casos em que existe risco de morte o sofrimento psíquico cresce muito, mas também padecemos bastante nas dores de dente, enxaquecas, cálculos renais e outros males.

O prazer negativo relacionado com a recuperação da saúde – recuperação do bem-estar geral ou fim de um sintoma específico – é enorme. Estávamos muito afastados do ponto de equilíbrio, e por um tempo maior do que costumamos passar fome ou sede. ‘Saudamos’ a recuperação física do mesmo modo que nos alegramos com uma grande conquista: o prazer é extraordinário e fundamental. O que acontece depois de 24 ou 48 horas? Tratamos nosso bem-estar com absoluta naturalidade. Não sentimos mais o grande prazer de acordar bem dispostos e energizados. Assim como todos os prazeres negativos, esse também tem duração efêmera, posto que logo que nos acomodamos à boa situação, ele cessa. É como se tivesse sido sempre assim. Precisamos nos empenhar para evocar a lembrança das agruras que passamos com a doença que já se foi. Porém, ao primeiro sinal de um novo mal-estar, voltamos a nos preocupar e valorizar a saúde como a maior de nossas dádivas.

Não acordamos felizes todos os dias por sermos saudáveis, nem pensamos nisso de modo espontâneo. Agora, se acordarmos com uma pequena dor no dedo do pé, serão sobre ela nossos primeiros pensamentos – cheios de apreensões. É assim que funciona o psiquismo, sempre mais preocupado em nos preservar do que facilitar as lembranças dos prazeres e alegrias. Acordamos pensando nas nossas dívidas, mas nunca pensamos em nossa situação financeira quando estamos com um bom saldo no banco. A propósito, temos de analisar melhor a importância do dinheiro para a construção da felicidade. Não pretendo esgotar um tema assim tão vasto e acho que cabe aqui apenas afirmar que o dinheiro é essencial para a resolução de dores e de outras fontes de infelicidade que derivam dos desequilíbrios homeostáticos. O dinheiro é o instrumento por meio do qual podemos adquirir agasalho para nos proteger contra o frio e ter acesso a um teto que nos proteja das intempéries climáticas. É o mediador das trocas que podem nos permitir acesso aos alimentos e até nos gratificar com uma deliciosa barra de chocolate (sofisticação extrema de um prazer negativo).

O dinheiro é essencial para que possamos cuidar bem da saúde e resolver outras necessidades básicas e experimentar prazeres negativos essenciais à preservação de uma vida considerada digna. As dúvidas acerca da importância do dinheiro para o tema da felicidade aparecem sobretudo nas reflexões acerca do seu uso para o consumo de quantidades cada vez maiores e crescentes de produtos supérfluos. Refiro-me tanto à ânsia de sofisticar exageradamente os prazeres negativos como aos duvidosos benefícios derivados da gratificação da vaidade exibicionista, com o objetivo de chamar a atenção dos que têm menos dinheiro.

Minha experiência pessoal e profissional me faz desacreditar da capacidade efetiva de obtermos algum tipo de felicidade derivada da acumulação de bens materiais não essenciais. Não creio que provoquem algum tipo de satisfação mais importante e/ou duradoura. Certa vez li uma frase interessante: ‘Ricos são aqueles que tem muito das mesmas coisas’! Ter muitos sapatos pode fazer uma pessoa mais feliz do aquela que tenha o suficiente – e talvez um pouco mais – do que o essencial?

Vejam como o tema pode se complicar: mesmo que o dinheiro não seja importante para atingir a felicidade, o fato é que as questões relacionadas com ele podem ser fonte de grande infelicidade quando se transformam em uma questão social ligada às comparações. Um estudo recente levado a cabo nos EUA mostra que família que ganham US$50 mil por ano e vivem num bairro em que a média de salários é de US$40 mil estão mais satisfeitas com a sua condição dos que as que ganham US$100 mil e vivem numa comunidade em que a média é de US$120 mil. Os números falam por si: somos mais incomodados pela suposta 'humilhação' de não podermos ter aquilo que os nossos vizinhos possuem do que pela falta efetiva de bens materiais(!!!). Certa vez, um psicólogo cubano me contou que não tinha carro, mas que isso não o incomodava em nada, porque em Havana ninguém, das pessoas com quem ele convivia, tinha!

Assim, a falta de dinheiro para fins supérfluos pode se transformar em uma nova dor, similar à fome ou às doenças, em uma sociedade que valoriza demais o sucesso nessa área e o acesso a bens materiais duvidosos – tanto em relação à necessidade que temos deles quanto às gratificações e aos prazeres que eles nos proporcionarão. Um indivíduo bem sucedido, que consegue ganhar dinheiro para comprar o que os outros também têm, experimenta a felicidade derivada de um prazer negativo: conseguiu sair da condição de humilhação (dor psíquica) em que se encontrava por não estar na mesma condição de seus pares. A dúvida é em que medida – e por quanto tempo – ele realmente aproveitará sua nova condição.

A certeza é que a sociedade de consumo conseguiu seu objetivo: produzir uma nova fonte de sofrimento relacionada com a falta de bens supérfluos(!!!). Lutamos de forma competitiva até a exaustão para ter acesso a bens de que só necessitamos para que não nos sintamos tristes por não possui-los! - Vamos mal!"



Dr. Flávio Gikovate


Continua...


Fontes e bibliografia:
Artigos do "Kabbalah Centre Institute";
"O Poder da Cabala", - Rabino Yehuda Berg (Imago);
"Dá pra Ser Feliz... Apesar do Medo", 2ª edição (2007) - Dr. Flávio Gikovate (MG Editores)



Princípio essencial da Kabbalah #2

"Existem duas realidades básicas: o nosso mundo, que representa 1% de escuridão, e o âmbito de 99% de Luz."

Para que possamos entender este segundo princípio essencial, é preciso conhecer primeiro a concepção das origens da vida e do Universo segundo a Cabala: Segundo essa concepção, no começo só havia o UNO, só havia o Eterno, que é pura LUZ em plenitude e perfeição absolutas. LUZ que é a Fonte da Energia infinita. LUZ que hoje chamamos DEUS...

“Deus é luz, e não há nEle treva alguma." - I João, 1:5

Conforme visto no post de introdução aos nossos estudos, a Cabala nos diz que o desejo é a principal essência dos seres humanos, a matéria-prima de que somos feitos. O desejo é o que motiva toda a expressão humana, sejam artes, literatura, música, ciências... Isso posto, para que possamos entrar no estudo deste segundo princípio essencial, é importante ainda que conheçamos outro dos mais importantes conceitos cabalistas: a Lei das 3 Colunas, que é a explicação da Cabala para as polaridades de energia que existem em todo os elementos do Universo. A Lei das 3 Colunas se define da seguinte maneira:

# A Coluna Direita é a Energia de Compartilhar do Criador;
# A Coluna Esquerda é a Energia de Receber do Receptor;
# A Coluna Central é a Força da Restrição, como o filamento em uma lâmpada, que é importante porque intermedia o fluxo entre as 2 polaridades.

Esse conceito cabalístico se aplica, como exposto, em todas as manifestações conhecidas. Por exemplo, no mundo sub-atômico:

Coluna Direita = próton;
Coluna Esquerda = elétron;
Coluna Central = nêutron.

No bulbo de uma lâmpada:

Coluna Direita = pólo positivo;
Coluna Esquerda = pólo negativo;
Coluna Central = filamento.

Em termos humanos (o que interessa ao tópico dessa postagem):

Coluna Direita = nosso Desejo de Compartilhar;
Coluna Esquerda = nosso Desejo de Receber Para Si Mesmo;
Coluna Central = nosso Livre Arbítrio, que nos permite resistir ao desejo egoísta e transformá-lo em Desejo de Receber Para Compartilhar.

Então, nos seres humanos, a Coluna Central se manifesta justamente através da transformação do Desejo de Receber para Si Mesmo em Desejo de Receber para Compartilhar. Esta é uma transformação pró-ativa, que acontece quando há o equilíbrio das 3 energias, que nos apresenta o desafio de agir como Luz e como Receptor ao mesmo tempo.

Se você está realmente interessado em aprender sobre a Cabala e os seus fundamentos, procure guardar as informações que foram transmitidas até aqui. Porque, conforme prometido, no momento oportuno, esta série de postagens vai se debruçar sobre uma questão básica: se somos os nossos desejos, como podemos transformar os nossos desejos negativos, mesquinhos e egoístas em desejos realmente bons e produtivos, que nos levem ao crescimento espiritual e ao auto-aprimoramento? Por hora, agora que adquirimos uma noção do que significa a Lei das 3 Colunas, estamos capacitados a penetrar no tema desta postagem em si, que é o segundo princípio essencial da Cabala: “Existem duas realidades básicas: o nosso mundo, que representa 1% de escuridão e o âmbito de 99% de Luz.”

Fato: A Cabala já se utilizava, há muitos séculos, de uma explicação para a origem do nosso Universo físico baseada numa grande explosão, com detalhes muito similares aos da teoria do Big Bang preconizada pelos físicos atuais!

Acontece que, de acordo com a Cabala, antes do Big Bang físico ocorreu um “Big Bang espiritual”. – Como exposto no início deste, a Cabala afirma que antes do começo dos tempos havia apenas uma Força Infinita de Energia, a LUZ, e tudo era perfeita hermonia. Mas, para completar a sua Energia de Doação, essa Força de Energia Infinita, a LUZ (DEUS), criou um Receptor. Este Receptor não era um entidade física, mas sim uma força, uma essência inteligente. Surgiu assim o binômio fundamental da Existência:

Criador e Receptor. Causa e Efeito. Dar e receber.

E assim surgiu, no Receptor, o desejo (aí está ele) de "merecer" a Energia que recebia, de ser a causa da sua própria satisfação, e não mais somente recebê-la da Luz. - Como já deve ter ficado claro, se "Luz" é a metáfora cabalista para Deus, o Criador, "Receptor" é o termo usado para nos identificar. - O ato do Receptor, de receber algo pelo que não "trabalhou" ou que não fez por merecer, os cabalistas chamaram de "Pão da Vergonha”. Desarmonia semelhante, segundo comparação do rabino Yehuda Berg, ao sentimento de um homem de 30 anos de idade que nunca trabalhou na vida e que continua morando com seus pais, sendo sustentado por eles. Este homem, se tiver hombridade, provavelmente se sentirá desconfortável pelo fato de estar sendo mantido confortavelmente, como se fosse um inválido, sem fazer nenhum esforço para ajudar no sustento da casa. Estamos falando de um certo constrangimento natural por se sentir como um “peso morto”, alguém que não contribui em nada com a manutenção do lar em que vive. Esta é uma analogia imperfeita para tentar definir o que significa o “Pão da Vergonha”.

Então, para eliminar o Pão da Vergonha, o Receptor parou de receber a Luz, e resistiu. Neste momento a Luz se retirou e criou um certo espaço vazio, um ponto único de escuridão dentro do Mundo Infinito de Luz, que era tudo que havia inicialmente. O Infinito tinha dado vida ao finito. A Luz deu ao Receptor o tempo e o espaço, que constituem o nosso mundo, o nosso Universo físico, para que ele pudesse trabalhar e "fazer por merecer" a Energia de que necessita. Este ponto finito é o que a Cabala chama de "Mundo do 1%". A infinita e eterna realidade da LUZ divina é o que a Cabala chama de "Mundo dos 99%". Aí está a exposição do significado do segundo princípio essencial da Cabala.

Ilustração esquemática da teoria do "Big Bang" (clique para ampliar)

Mais: A seqüência que engloba os 72 Nomes Sagrados de Deus no judaísmo é derivada de 3 versos no livro de Êxodo que descreve a abertura do Mar Vermelho (capítulo 14, versos 19, 20 e 21). Cada um destes 3 versos contém 72 letras. Mais uma vez o aspecto do número 3, demonstrando o sistema das 3 Colunas. O 3 denota o potencial de transformação e unificação das 2 polaridades onde o espiritual governa o físico e a mente governa a matéria.

Nosso caminho é salpicado de testes e tribulações. A Cabala diz que esses desafios surgem para nos fazer despertar, mostrar as nossas fragilidades e nos habilitar para receber a Luz do Criador.



Fontes e referência:
Artigos do "Kabbalah Centre Institute";
Imagick.Org.



Princípio essencial da Kabbalah #1

Durante a preparação dessa postagem, eu tive alguns sinais e experimentei a nítida sensação de que ela seria importante para alguém. A mensagem que ela traz não é fácil. Espero que você a leia com o máximo de seriedade e livre de qualquer pré-julgamento.


O primeiro princípio essencial da Cabala, ensinado pelo rabino Yehuda Berg (do Internacional Kabbalah Centre), me agrada muitíssimo. Na minha opinião, trata-se de um princípio perfeito, irretocável, uma base para o nosso modo de conduta mais do que apenas importante, mas sim necessária a qualquer buscador que pretenda iniciar a sua jornada espiritual pessoal de maneira autêntica, saudável e produtiva. Se você analisar as postagens da primeira fase deste blog, vai perceber que, desde o começo da minha própria busca, eu sempre procurei me pautar por este princípio essencial, mesmo quando não conhecia absolutamente nada a respeito da Cabala ou do misticismo judaico. O primeiro princípio essencial é:

"Não Acredite Numa Única Palavra do Que Aprender nos Seus estudos. Teste as Lições Aprendidas."


À primeira vista nos parece muito fácil concordar e até entender que o primeiro princípio essencial da Cabala seja verdadeiro, sensato, correto... Porém, bem mais complicado é aplicar este mesmo princípio no nosso dia-a-dia e em nossas vidas práticas. Isso porque vivemos, todo o tempo, cada um de nós, sofrendo e reagindo às pressões do nosso ego, das nossas famílias e da sociedade em que vivemos; além de estarmos sujeitos às nossas próprias limitações e fraquezas e às muitas tentações do mundo e dos nossos desejos auto-destrutivos. Nesse processo, muitas vezes, a busca pela Verdade acaba sendo deixada de lado...


Tentações e dificuldades nunca param de se multiplicar...


Quantas vezes, em sua busca espiritual, você quis acreditar naquilo que lhe pareceu mais fácil, mais confortável ou mesmo mais "lógico"? Quantas vezes você se apegou a um determinado sistema de crenças apenas por ele lhe trazer consolo, deixando para segundo plano a questão (primordial) de ser este sistema verdadeiro ou não? E quantos são aqueles que, depois de optar por um determinado sistema de crenças, apenas porque este lhes trouxe "respostas" (verdadeiras ou não, parece não importar muito), acabam por se apegar totalmente a ele, esquecendo-se por completo da busca desapegada que primeiro os movia? E aí, depois desse ponto, passam a defender ferrenhamente a sua permanência nessa zona de conforto, usando para isso todo tipo de argumento disponível? Assim, são capazes de se utilizar de toda sorte de argumentos e elucubrações lógicas para justificar suas escolhas, mesmo sabendo que nem sempre a lógica é capaz de traduzir as realidades mais profundas do espírito. - Mas quando a lógica falha, nesse intento, com que rapidez se livram dela, apelando então para a "metafísica" ou para qualquer outra coisa que lhes justifique não abrir mão das crenças das quais se tornaram dependentes; porque estas crenças agora lhes sustentam, passaram a significar o "chão" em que pisam e proporcionam uma falsa sensação de segurança. Tudo por medo do despertar. Tudo por medo de enxergar a verdadeira Luz.

Você conhece ou já conheceu um ser humano para o qual se tornou mais importante a defesa da sua posição em sua zona de conforto do que a Verdade, que nesse processo vicioso foi deixada para segundo, terceiro ou quarto plano? Pois bem. Sem dúvida é muito mais fácil acreditar em algo, acreditar nas "lições" que os muitos "mestres" deste mundo nos trazem, simplesmente e sem questionamentos, do que testar essas lições. Principalmente é mais fácil acreditar nas lições mais confortáveis, as mais atrativas. Que são as mais fáceis de seguir. - Caminho largo, espaçoso, por onde entram multidões. - Já o Caminho Estreito, o proposto pelo Cristo, esse é um pouco mais difícil, até porque deve ser testado e retificado todo o tempo. E pra quê ter trabalho construindo meu próprio caminho, fazendo testes e ajustes incessantemente, se eu posso "comprar" e seguir um modelo pronto qualquer?..

"Não acredite numa única palavra do que aprender nos seus estudos; teste as lições aprendidas", diz o princípio número um da Cabala. Mas quantas vezes você já ouviu alguém repetir a famigerada frase, referindo-se à opção religiosa/espiritual de cada um: "A pessoa tem que ir aonde se sente bem..."?

Será que essas visões do Caminho a ser seguido são compatíveis? Para ilustrar a idéia, vou deixar aqui uma confissão pública: ao longo da minha vida, eu já experimentei alguns tipos de drogas, e drogas "pesadas" até. - E posso afirmar que essas experiências, na maior parte das vezes, me pareceram "boas". Ou seja, eu "me sentia bem" quando me drogava, quando entorpecia minha consciência e envenenava meu corpo e minha alma. - Mas, depois de algum tempo, depois que eu comecei a perder amigos (literalmente) por causa do uso indiscriminado de tais substâncias, me foi dado perceber que o prazer que eu estava sentindo não compensaria a degradação da minha consciência, a perda da minha acuidade mental, da minha saúde e até, em última instância, da minha própria vida. Por isso, eu achei melhor abandonar aquele caminho, mesmo que me "sentisse bem" nele. Eu, felizmente (Graças a Deus!), percebi a tempo que aquele caminho era um equívoco! Percebi que o fato de me "sentir bem" por estar numa determinada direção não poderia servir como confirmação daquele caminho como bom.

O mesmo deve ocorrer na busca espiritual. - O meu exemplo pode ter parecido drástico, mas a escolha equivocada de um caminho de vida sem nenhuma dúvida é algo ainda mais drástico! Porque, embora na maior parte das vezes não nos apercebamos, essa é a escolha mais importante que temos que fazer em toda a nossa vida! Não pode haver nada mais importante nem mais sério, porque tudo o mais vai depender disso, direta ou indiretamente. Principalmente, se temos fé de fato, entendemos que também a qualidade do "continuum" de nossas consciências, numa eternidade bem próxima, está diretamente relacionada a essa escolha!

Obviamente não estou falando de formas ou de religião, mas de Consciência, do modo de vida e do "caminho interior" a ser seguido pelo indivíduo. Eu sei que essas questões podem não parecer tão urgentes agora, mas procure experimentar este exercício mental muito simples: imagine-se sabendo que iria morrer amanhã ou daqui a uma hora! Imagino que, nesse caso, essa escolha iria parecer muito mais importante...




Mas... E se a Verdade se apresentasse a você, diretamente, mas num primeiro momento não se parecesse com o que você imaginava? E se a Verdade não fosse tão fácil ou tão agradável e reconfortante quanto você gostaria? Você teria coragem de aceitá-la? Teria coragem de segui-la, de tentar aprender com ela? Ou preferiria continuar seguindo a sua vida tranqüila de sempre, acalentando o seu sistema de crenças já "montado", fácil e tranqüilo, como sempre? Em outras palavras, você gostaria mesmo de sair da "Matrix"?

Naquele filme antológico, quando "Neo" (o “novo homem”), se vê diante da possibilidade de escolher entre a pílula vermelha e a azul, escolher entre a Verdade (e a liberdade) ou a ilusão (e o descanso), o tempo parece parar. Morpheus, personagem que simboliza o Mestre, o Guia que nos faz ver o Caminho, adverte a Neo que a Verdade poderia não ser aquilo que ele esperava, poderia não ser agradável, num primeiro momento. Neo escolhe a vermelha e acaba por descobrir que essa escolha lhe traria mais dificuldades e sacrifícios do que alegrias, ao menos numa primeira etapa. Isso porque ele já estava, há muito tempo, acostumado com os pequenos prazeres anestésicos e com as facilidades da estagnação da vida fácil e sem maiores responsabilidades do mundo ilusório da Matrix.

Então Neo reúne coragem para enfrentar a grande revelação da Verdade. E só depois do difícil choque inicial, só depois de finalmente aceitar a realidade como ela é, com todas as suas dificuldades, e se dedicar a todo o treinamento necessário, ele finalmente se torna apto a enfrentar de peito aberto os agentes da Matrix. E só assim, finalmente, alcança a Vitória. - E se torna o "Novo Homem" (como ele finalmente se assume e se define no combate contra o agente Smith - 'Meu nome é Neo'); como disse o Cristo, o homem livre, capaz de realizar o impossível; capaz de realizar as mesmas coisas que ele mesmo realizou, e até maiores! Mover montanhas, ou...


Mas será que este "não acreditar em nada do que aprender" significa que devemos nos livrar da fé? Absolutamente não! A fé é uma das ferramentas mais importantes de que dispomos para que possamos encontrar (isto é, enxergar) o Caminho a ser seguido. Este princípio essencial significa, isto sim, que devemos ter fé naquilo que é real, e não em qualquer coisa que, de cara, nos agrade ou pareça real.

***

Faça você também a sua escolha. A Verdade ou a ilusão. A Liberdade ou o descanso... Como encontrar a Verdade? Não se preocupe, porque isso você vai saber... Porque dentro de você, lá no mais profundo do seu ser, você já está dotado(a) de uma espécie muito sutil de "alarme", que é infalível; um alarme que com o passar da História se tornou conhecido como “Consciência”. É essa ferramenta maravilhosa que poderá lhe conduzir, infalivelmente, nesse caminho acidentado e nessa aventura incomparável que nos espera a todos. Basta ser sério(a) e estar muito atento(a). Ou "vigiar e orar". - Estamos falando de nossas tentativas individuais de enxergar um Caminho que já está diante de nós.

Seja muito bem vindo, e boa aventura pra você!


“Você deseja conhecer a Verdade? A verdade é que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro; um cativeiro que não consegue sentir ou tocar; uma prisão para sua mente. Infelizmente, não posso lhe dizer o que é a Matrix; é preciso que você a experimente por si mesmo... Se tomar a pílula azul, a história acaba, e você acordará acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha, eu lhe mostrarei até onde vai a 'toca do coelho'... Mas lembre-se: tudo que ofereço é a Verdade, nada mais." - Morpheus, em "The Matrix"


"Nunca libertamos uma mente após ela atingir certa idade, pois a mente tem problemas em se adaptar.” - Idem


“A ignorância é uma benção...” – Cypher (de ‘Lúcypher’) em "The Matrix"


“Não acrediteis em coisa alguma apenas por ouvir dizer. Não acrediteis na fé das tradições só porque foram transmitidas por longas gerações. Não acrediteis em coisa alguma só porque é dita e repetida por muitos. Não acrediteis em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo. Não acrediteis em coisa alguma só porque as probabilidades a favorecem ou porque um longo hábito vos leva a tê-la como verdadeira. Não acrediteis no que imaginastes, pensando que um ser superior a revelou. Não acrediteis em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes. Aquilo, porém que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa própria experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas, a isso aceitai como Verdade. E daí pautai a vossa conduta! ” - Sidarta Gautama, o Buda – no Kalama Sutra 17:49


“Ponham à prova todas as coisas, e fiquem com o que é bom.” - Paulo apóstolo, na sua primeira carta aos Tessalonicenses, Capítulo 5, verso 21


"Não acredite numa Única palavra do que aprender nos seus estudos. Teste as lições aprendidas." - Primeiro princípio essencial da Cabala



Referência e bibliografia:
Artigos do Kabbalah Centre Institute;
"O Poder da Cabala", - Rabino Yehuda Berg (Imago).



Kabbalah - parte 2

Introdução ao estudo

Antes de iniciar o nosso estudo da Cabala, que será feito através da apresentação dos seus 14 princípios essenciais, gostaria de deixar aqui um lembrete importante: todo estudante de Ciência da Religião deve conhecer todos os aspectos da espiritualidade humana. O objetivo das postagens neste blog é o estudo, e não a pregação do que está sendo estudado. E antes, ainda, de adentrarmos os seus princípios essenciais, é necessário conhecermos um pouco mais dos fundamentos, significados, propósitos e história da Cabala, para que possamos estabelecer nossos próprios parâmetros a respeito dessa tradição milenar.

Página do "Zohar"

"Somos nossos desejos"

A primeira coisa que devemos saber a respeito da Cabala é que, de acordo com ela, todo ser humano é, em essência, aquilo que ele deseja.

Segundo a Cabala, o desejo é a energia que move e define o ser humano. Somos feitos dos nossos desejos. E antes de pensar “não, eu não concordo”, pare e pense um pouco sobre essas duas questões: 1) Qual o seu maior desejo? 2) De que maneiras você poderia definir a sua existência neste planeta?

As duas respostas estão intimamente relacionadas? Se a resposta for positiva, isso não surpreenderia um estudante da Cabala. Tomemos alguns exemplos:

Alguém que deseja, mais do que tudo, o bem do seu próximo. Temos aí um ativista social, alguém que participa de obras assistenciais ou um administrador de alguma entidade filantrópica, seja de apoio às crianças de rua ou aos velhinhos desamparados. Essas pessoas, se realmente quiserem dedicar suas vidas à prática do bem, acabam sempre conseguindo. Conheço a história fantástica de uma senhora que se pôs a adotar crianças órfãs e acabou se tornando “mãe” de mais de sessenta crianças abandonadas, e mesmo sem uma fonte de renda que lhe permitisse abraçar uma obra de tal magnitude, conseguiu o empréstimo de uma casa grande para acolher os menores e consegue se manter muitíssimo bem, proporcionando alimentação, vestuário, cuidados médicos e estudo a todos os seus filhos adotados, sem nem saber explicar como. Vive de doações e da ajuda humanitária de empresários anônimos, que surgiram na sua vida sem ser procurados, e, quando se pergunta a ela como consegue arcar sozinha com um trabalho tão grande, responde apenas: “Não é trabalho, é prazer. Não sei explicar como tudo isso acontece; a casa, as provisões... só sei que é tudo por obra de Deus”... Ela desejava ser uma mãe para as crianças abandonadas, e foi isso que se tornou. Este é um exemplo entre muitos, extremamente parecidos.

Outros exemplos bem diferentes também podem ser citados: alguém que deseja antes de tudo as posses materiais: essa pessoa é (ou vai se tornar) um empresário, um comerciante ou um "workaholic". Na maioria das vezes, essas pessoas acabam alcançando o sucesso financeiro, porque alguém que ama o dinheiro e empenha toda sua vida e suas melhores energias em obtê-lo (infelizmente algumas vezes a qualquer custo) quase sempre acaba conseguindo, embora isso não seja uma regra geral.

Outro exemplo: o próprio autor deste blog, eu mesmo, que sempre busquei o caminho da espiritualidade, e desejei encontrar a Verdade fundamental da vida. O que me tornei? Um teólogo, um membro atuante na minha comunidade religiosa, o dono de um site que fala de religião, autor de diversas obras (não publicadas) sobre espiritualidade... A conclusão óbvia é: aquilo que sempre desejei moldou a minha vida, fez de mim o que sou hoje, que na verdade é o que eu sempre fui. Alguém que se importa com as questões espirituais. Isto foi definido desde sempre pelos meus desejos. O que estamos querendo analisar aqui é se essa afirmação básica da Cabala faz algum sentido: “Somos o que desejamos”. Somos mesmo o que desejamos? Isto faz sentido para você? Mais adiante estudaremos, dentro deste mesmo tópico, se é possível ou não a alguém que traz desejos muito ruins ou nocivos modificá-los. Tudo a seu tempo...

Claro que um budista ou um membro de alguma religião oriental de caráter transcendente poderia afirmar: “O meu ideal é não ter desejos”. Mas mesmo aí, podemos observar que "não ter desejos" também é um desejo! E, se prestarmos mais atenção, veremos que ninguém consegue, de fato, não ter nenhum desejo. Sim, existem tipos completamente diferentes de desejo, mas todos desejam alguma coisa. Todos anseiam por algo. Tomando este mesmo rumo, observamos que o líder máximo do budismo, o Dalai Lama, já declarou diversas vezes que deseja a libertação do Tibete da dominação chinesa. Sem violência, claro. O próprio fundador do budismo só se tornou o Buda porque desejou encontrar o Caminho da Libertação da alma, mais do que qualquer outra coisa, e nesse propósito fundamentou toda sua vida. Os monges budistas desejam e buscam atingir o Nirvana. Os monges cristãos desejam a União mística com o Cristo, e nele, a União com o Eterno.

Todos desejamos alguma coisa, e, em última análise, poderíamos ser classificados segundo os nossos desejos. Esta é a primeira afirmação central da Cabala.

“É o desejo que abastece toda a experiência humana: a arte, a literatura, a música, a descoberta científica e a revolução política - tudo começa com o acender de um desejo que anseia por ser preenchido. E não há nenhum condutor mais profundo, poderoso ou potencialmente espiritual para a expressão humana que o nosso desejo mais sincero.” - Rabino Yehuda Berg

Outras tradições milenares chegaram às mesmas conclusões:

“Somos nossos desejos mais profundos. Como forem os nossos desejos, assim será a nossa vontade e assim serão os nossos atos. E assim como forem os nossos atos, assim será determinado o nosso destino.” - Upanishad 4:4–5

”Onde estiver o vosso coração, ali estará também o vosso tesouro.” - Matheus, 6:21

Isso dá o que pensar, não é? Bem vindo ao estudo da Cabala. Posso garantir que será assim do começo até o final. E ainda nem começamos a abordar os seus princípios essenciais...


A Cabala e a alma

Em suas abordagens sobre os mais variados temas, a Cabala sempre se refere à alma. Por definição, ela diz que a alma é uma energia cósmica que é parte da Luz infinita de Deus. Mas de onde vem a alma, qual é o seu início? No mundo físico, o início sempre se dá a partir de uma semente biológica, uma célula que pode ser extremamente pequena, mas já contém dentro de si uma força de vida que não é biológica ou física, mas sim espiritual. – Uma idéia bem próxima daquilo que os orientais chamam de “Ki” (Japão) ou “Chi” (China) e que os antigos chamavam de “Mana”. - Portanto, temos que aceitar a existência dos mundos espirituais se quisermos entender a semente extra-física de nossa existência e receber dela a força vital para renovar nossas forças biológicas e reforçar nossa consciência; para vivermos com mais iluminação espiritual e felicidade.

Nossa semente espiritual começa no mundo espiritual. Existem dez "Sefirot", ou seja, dez dimensões para a realidade. Essas 10 dimensões estão entrelaçadas entre 5 mundos distintos. Não é o meu objetivo o aprofundamento nesta parte mais mística e simbólica da Cabala, por se tratar de assunto muito extenso e muito complexo para o espaço. Por hora, é suficiente saber que o primeiro mundo é chamado “Adam Kadmon", isto é, “Homem Primordial”, e está relacionado com a Sefirá "Keter". O Homem Primordial não é o homem como o conhecemos, em manifestação de corpo, e sim a nossa essência espiritual, a força de nossas vidas. Essa essência foi se desenvolvendo de acordo com os mundos, até que no "Mundo de Briá " (‘Mundo da Criação’, relacionado com a Sefirá ‘Biná’) foi criado Adão. Este Adão não é Adam Kadmon, não é a mesma consciência de Adam Kadmon, mas tem a lembrança da semente de seu nascimento espiritual. Este Adão é o da história Bíblica de Adão e Eva no Paraíso, que todos já conhecemos. O que a Cabala nos ensina é que a Bíblia não é um livro de histórias, ao menos integralmente, e sim um código cósmico, uma descrição de realidades espirituais. Adão e Eva eram, na verdade, uma alma só, dividida; não eram pessoas físicas, mas uma inteligência . Quando cometeram o pecado no Paraíso, foram então expulsos. A palavra "expulsão" é percebida como "explosão". Depois dessa explosão, cada parte de Adão criou um ser humano, na maneira de nossa alma, criando o processo da vida da humanidade e o aparecimento de todas as gerações. Por isso cada um de nós, nesse nível de consciência, tem uma parte espiritual de Adão, que representa a consciência coletiva de todos os seres humanos.


Fundamentos e algumas variantes

Conta a Torá que, após ter libertado os judeus da escravidão, Deus entregou a Moisés as Leis que disciplinariam a vida do seu povo. Seguindo a orientação do Senhor, Moisés compilou-as no que se tornaria a própria Torá, a Bíblia dos judeus. No entanto, o que muitos não desconfiavam é que, mais do que um calhamaço de leis, a Torá guardava informações valiosíssimas. Nas entrelinhas das 613 normas descritas no livro, estavam codificados muitos mistérios da Criação do mundo.

Mas além desta versão, de que Moisés recebeu de Deus os ensinamentos da Cabala, existem outras, sobre a sua origem. Uma variante, conforme visto no post anterior, é a que dá conta de que foi Adão o primeiro a ter acesso a essa sabedoria, tendo depois a transmitido aos patriarcas hebreus (Noé, Abraão, Moisés). Outros ainda acreditam que um anjo a teria revelado ao misterioso sacerdote Melquisedeque, que a repassou a Abraão. Muitas lendas e mitos ajudaram a obscurecer os fatos sobre a verdadeira origem desse conhecimento místico. Alguns estudiosos - entre eles o historiador Gershom Scholem, uma das maiores autoridades no assunto no mundo - concordam que o gnosticismo, movimento esotérico-religioso surgido nos primeiros séculos da nossa era, foi um de seus pontos de partida centrais. Os gnósticos eram pessoas que se dedicavam a refletir sobre questões que sempre intrigaram a humanidade: "Quem somos?", "de onde viemos?", "para onde vamos?". Os judeus simpatizantes do pensamento gnóstico se basearam nas escrituras judaicas para criar um sistema de informações e interpretações secretas sobre a origem do Universo, visando justamente responder a essas perguntas.

Nos primeiros séculos, a Cabala era transmitida apenas oralmente, e esse sistema teria sofrido influências de elementos místicos de diversas religiões e filosofias. Dos povos da Caldéia, por exemplo, assimilou conhecimentos em astrologia. Do hinduísmo, algumas linhas cabalísticas adotaram a crença de que as almas reencarnam. Mas, de todas as vertentes do saber ocidental e oriental, foi o neoplatonismo (tópico a ser abordado aqui no Arte das artes), doutrina filosófica criada pelo egípcio Plotino no século 3, que exerceu a maior influência sobre o sistema que se tornaria conhecido como Cabala.

Plotino acreditava que Deus está além da compreensão humana e não possui qualquer representação. Essa idéia casou perfeitamente com a tradição legalista do judaísmo, que enxerga Deus sob uma perspectiva altamente sobre-humana e nem se atreve a nomeá-Lo. O rabino Laibl Wolf, em seu livro "Cabala Prática", de 2003, compara a Luz de Deus a uma lâmpada de brilho tão intenso que, se acendê-la, você corre o risco de ficar cego. Para ele, mesmo cobrindo-a com um pano translúcido, ela ainda será forte a ponto de ferir suas vistas. Somente depois de colocar diversos panos é que se torna possível enxergá-la e compreendê-la, ao menos uma parte dela. Essa metáfora explica bem a constituição do símbolo máximo do conhecimento cabalístico, a "Árvore da Vida".


Popularização e documentação

A Cabala permaneceu restrita ao círculo judaico, tratada como um saber secreto e de elite, durante centenas de anos. Seus ensinamentos só poderiam ser recebidos por aqueles que atingissem o quarto nível de interpretação da Torá. O primeiro estágio (Peshat) era simples. Todos os judeus tinham de passar por ele e aprender as leis que disciplinam seu comportamento social, ético e religioso. O segundo (Remez) mostrava o que havia por trás do significado literal. No terceiro nível (Derush), o iniciado descobria que as informações sobre a criação do mundo estavam escondidas sob metáforas e analogias. E só então estava habilitado a entender o quarto e último nível (Sod), obviamente o mais aprofundado. Todo esse preparo levava muito tempo e, por isso, o seleto grupo de iniciados costumava ser formado por homens com mais de 40 anos.

No século 13, um grupo de cabalistas espanhóis começou a se preocupar com o risco de a tradição se perder e decidiu registrá-la. A publicação do Zohar – “O Livro do Esplendor” (ainda hoje considerado a obra mais importante da Cabala) sinalizava, pela primeira vez, uma tentativa concreta de popularizar esse saber ancestral. Nessa época, o clima na Espanha era favorável ao florescimento da mística judaica. Apesar de boa parte da Europa ser cristã, a Península Ibérica estava sob o domínio dos árabes desde o século 8. "Muçulmanos instalados na atual Espanha conviviam bem com outras culturas e religiões", conta o professor José Alves de Freitas Neto, do Departamento de História da Unicamp. Graças a essa tolerância, a Cabala encontrou um campo fértil para se difundir.

Mas, a partir daí, ainda se passariam 300 anos para que ela começasse a se popularizar. Em 1492, a paz na Península Ibérica foi quebrada e os reis da Espanha expulsaram do país todos que não estivessem dispostos a colaborar com a consolidação de um Estado cristão. Essa nova diáspora reacendeu o risco de não somente a mística, mas toda a tradição judaica se perder com a dispersão do seu povo pelo mundo. Na tentativa de garantir a continuidade da sabedoria, os cabalistas se estabeleceram em um novo centro, na cidade de Safed, em Israel. Lá surgiu uma das figuras mais importantes da Cabala moderna: Isaac Luria.

Inspirado no Zohar, Luria fez uma releitura da sabedoria místico-judaica, criando a Cabala Luriânica, cujos ensinamentos continuam impressionantemente atuais. Seus seguidores acreditam que algumas das descobertas da ciência no século 20 já tinham sido reveladas por Luria 400 anos antes. "Ele já afirmava, no século 16, que o Universo nasceu a partir de um único ponto de luz, que se fragmentou. Apesar da diferença de denominação - os físicos chamam esse ponto de luz de matéria ou energia - é uma explicação bastante semelhante à teoria de criação do Universo conhecida como o ‘Big-Bang’", escreveu o rabino Yehuda Berg, do Kabbalah Centre de Los Angeles.

Para ele, a Cabala também encontrou, antes da psicanálise, a resposta para uma das maiores indagações da humanidade: a razão do sofrimento. De acordo com a sabedoria mística judaica, a dor e a tristeza servem para impedir que o nosso ego cresça a um ponto que impeça o nosso crescimento espiritual.

"Neste momento (quando o ego se inflama), você deixa de praticar atitudes que poderiam ajudar a melhorar o mundo e passa a ter apenas preocupações mesquinhas, como comprar um carro mais legal do que o de seu vizinho" - Rabino Yehuda Berg

Para os cabalistas, esses conhecimentos já existiam na Torá, só que codificados. Tudo o que eles fizeram foi interpretá-los da maneira certa.

"Como o olho físico, que manda uma imagem invertida ao cérebro, a Torá mostra suas histórias de cabeça para baixo. Somente a Cabala pode reverter a imagem e nos apresentar a verdadeira compreensão e o verdadeiro significado espiritual" - Rabino Rav Berg (‘A Torá Segundo a Cabala’)

Uma passagem da escritura judaica, contando que Deus ordenou a morte dos habitantes da nação inimiga Amalek, seria um exemplo de como os ensinamentos precisam de decodificação. "É uma instrução controversa à luz do mandamento 'não matarás'. A Cabala explica essa aparente contradição. O Zohar mostra que a palavra ‘Amalek’ tem o mesmo valor numérico que a palavra em hebraico para ‘Incerteza’", escreveu Rav Berg. Ou seja, para ele, a mensagem de Deus é para que "matemos" as nossas próprias incertezas. Para ler a explanação completa do rabino, clique aqui.


Cabala hoje

Mesmo depois dos ensinamentos cabalísticos terem sido passados para o papel, seu estudo ainda era restrito. "Formou-se um sistema filosófico e místico tão complexo que já não se tornava necessário cuidar para que poucos o penetrassem, pois só poucos estariam mesmo capacitados para isso", diz o verbete "Cabala" do “Dicionário Histórico das Religiões”.

Hoje já não é mais assim. Alguns cabalistas têm se esforçado em traduzir para uma linguagem bem simples os ensinamentos místicos judaicos. O irmãos Berg (Yehuda e Rav) são expoentes desse grupo, que busca mostrar aplicações práticas dessa sabedoria para pessoas comuns enfrentarem os desafios da vida. No livro “Os 72 Nomes de Deus”, Yehuda Berg ensina a usar determinadas combinações de letras hebraicas, que formam os chamados 72 Nomes de Deus, para nos ajudar a solucionar desde os efeitos negativos da inveja alheia sobre nossas vidas até casos complexos como infertilidade.

Essa tradução dos ensinamentos foi um fator decisivo na popularização da Cabala nas últimas décadas. Mas, para os cabalistas, ela já estava prevista. "O Zohar já dizia que 'as portas do conhecimento se abririam', ou seja, que a sabedoria da Cabala se expandiria", diz o Rabino Nathan Silberstein, de São Paulo.

Mas a Cabala não foi a única sabedoria mística a se popularizar no século 21. Para Leandro Karnal, chefe do Departamento de História da Unicamp e mestre em Ciências da Religião, diversos movimentos místicos emergiram nos últimos anos como fruto da insatisfação do homem com a religião, que institucionalizou a fé. "O Padre, o Rabino ou qualquer outro chefe de instituição religiosa passaram a ser 'intermediários' entre o homem e Deus. Aquela comunicação direta descrita nas escrituras sagradas desapareceu", diz ele. Em meio à debandada de fiéis, a mística tem desempenhado papel fundamental: ela aproxima o homem de Deus, de forma menos dogmática e severa. Mas nem todo mundo vê com bons olhos a maneira como alguns pregam essa popularização.

"É preciso tomar cuidado. Uma coisa é você querer que as pessoas tenham acesso à informação e ensinar a elas como fazer isso. Outra é você simplificar esse conhecimento a ponto de gerar interpretações deturpadas ou errôneas. - Rabino Nathan Silberstein.

"Ainda pior, os sábios nos dizem que se alguém simplesmente aceita a Torá
literalmente - lendo-a com uma postura mental religiosa ao invés de se conectar com ela num nível espiritual - a Torá se tornará um veneno"
- Rabino Rav Berg

Num mundo de poucas certezas e muitas falsas promessas de fórmulas mágicas, para algumas pessoas a Cabala tem servido como uma espécie de "bússola". Confiar ou não na direção apontada por ela é, como sempre, uma escolha individual.



Fontes e bibliografia:
Kabbalah Centre;
Profº Shmuel Lemle;
Profª Cristiane Boog;
Superinteressante ed. 214, revisado.



Kabbalah


Não é possível explicar a Cabala num site da internet. Assim como não seria possível explicá-la num curso de dois dias, num livro ou em qualquer outro lugar. Porque a Cabala (a pronúncia correta é ‘cabalá’) não é uma tradição meramente intelectual ou filosófica. - Toda a literatura disponível sobre os mistérios da Cabala não têm qualquer valor se este conhecimento não for aplicado na vida prática e diária, e assim, se traduzir em real conhecimento/sabedoria.

Segundo a Cabala, o correto entendimento dos códigos presentes na Torá pode nos oferecer todas as ferramentas de que necessitamos para nos aperfeiçoarmos espiritualmente, através do despertar de nossa consciência mais profunda. Mas aonde poderíamos pretender chegar com isso? Bem, é um fato inegável que quase todos os seres humanos comuns trazem dentro de si o desejo, em maior ou menor intensidade, de mudar a realidade ao seu redor, não sendo uma coincidência que muitos busquem a espiritualidade exatamente quando a vida lhes parece menos generosa. Contudo, a grande questão é que o indivíduo espera que, ao adotar o caminho espiritual que lhe parece correto, esse seu sistema de crenças e valores vá permanecer sempre intocável, enquanto a Luz Espiritual vá promover uma limpeza total em sua vida, corrigindo tudo o que está errado. - Isso não faz o menor sentido. As mudanças e a manutenção da nova vida espiritual dependem de nós mesmos e dos nossos atos e atitudes.

É exatamente aí que entram os sistemas espirituais que nos trazem guias de vida práticos, como é o caso da Cabala. A Cabala nos traz explicações metafóricas e analógicas sobre o funcionamento do Universo e das realidades da vida e, como dito, pretensamente nos oferece os meios para transcender as nossas dificuldades e fraquezas humanas e alcançar a plenitude espiritual.

Particularmente, não sou muito dado à “explicações”, no que concerne às realidades transcendentes; em primeiríssimo lugar porque uma das compreensões mais profundas que eu realmente consegui atingir em toda minha jornada foi a de que a única via real para a compreensão das Realidades espirituais superiores é a aceitação do Mistério. Em outras palavras, se você quer realmente entender, pare de tentar entender e apenas aceite o que É! Entender sem entender, esta é a chave. - Paradoxal, sim, como tudo que concerne à Verdade. Desconfio sempre de qualquer ordem ou “mestre” que me traga explicações detalhadas a respeito daquilo que não pode ser explicado. Há uma excelente razão para que não possamos ver e interagir, ao nosso bel prazer, com certas realidades mais elevadas. Tentar "quebrar as regras" da Vida é o pior tipo de trapaça que poderíamos tentar.

Mas entendo que isso não queira dizer que tenhamos que rejeitar radicalmente toda e qualquer visão espiritualista apenas por ser elaborada, em especial no caso de uma escola tão antiga e que deriva diretamente de uma tradição que é raiz de tantas outras grandes tradições. Na Cabala eu encontrei verdadeiras pérolas de sabedoria e ótimas dicas para o auto-aprimoramento e para uma vida espiritual mais centrada. O seu estudo, porém, deve ser feito diligentemente e usando-se sempre de discernimento e muita atenção às nossas consciências, para que se possa separar o trigo do joio que com o tempo foi ali sendo agregado.

Nesta série de postagens, pretendo examinar os princípios essenciais da Cabala sob o ponto de vista de alguns dos mais respeitados cabalistas em todas as épocas. E como acho sempre sensato começar pelo começo, dou início ao nosso estudo com uma análise sobre o que vem a ser a Cabala e seus significados básicos.

A palavra “Cabala” deriva da raiz hebraica ”KBL” = “LeKabbel”, que significa “Recebido”, “Recebimento” ou “Aquilo que se Recebe”. Em outras palavras, refere-se àquilo que não pode ser alcançado apenas por nossos esforços, mas que só pode ser recebido pela Graça Divina. Cabala é uma espécie de "Ciência da Alma", que não pode ser conhecida através da busca puramente mental/intelectual. É um conhecimento interior que tem sido passado de sábio para aluno há muitos séculos. Uma disciplina que se destina a despertar a consciência sobre a essência da Realidade e das coisas deste mundo e da vida.

Quanto à origem histórica da Cabala, este é um tema extremamente controverso, sobre o qual é muito difícil se chegar a um consenso. Diferentes escolas atribuem o seu surgimento a diferentes épocas, mas muitos pesquisadores apontam o século primeiro dC como a época do seu aparecimento enquanto escola espiritualista/filosófica estruturada.

Infelizmente, como costuma acontecer com todo tipo de tradição hermética espiritual que se torna conhecida do grande público, com o passar do tempo houve uma popularização negativa do termo “Cabala”. Hoje, uma multidão de falsos mestres e falsos buscadores se auto-denominam “cabalistas” ou “mestres de Cabala”. Nos últimos anos, com o crescimento da onda esotérica, começaram a pipocar as mais diversas “derivações” da escola original. Basta uma olhada na sessão de “esoterismo” ou “misticismo” de qualquer livraria ou fazer uma breve busca na rede pra dar de cara com termos do tipo “Esoterismo Cabalístico”, “Tarô da Cabala”, “Numerologia Cabalística”, “Astrologia da Cabala”, “Oráculo Cabalístico”, ”Numerologia Cabalística Motivacional" (essa achei ótima), ”Terapia Cabalística”, etc, etc, etc... Dia desses mesmo li um anúncio num folheto: “Dona Fulana, vidente, professora de Cabala, usa seu dom de mediunidade para trazer de volta a pessoa amada em dez dias...” - Lamentável.


A popularização da Cabala trouxe todo tipo de distorção da idéia original...


A verdadeira Cabala diz que quando entramos neste mundo nossos sentidos podem apenas encontrar sua crosta externa. Tocamos a terra com nossos pés, a água e o vento atingem nossa pele, recuamos perante o calor do fogo. Escutamos os sons e ritmos e dançamos. Percebemos formas e cores. Logo começamos a medir, a pesar e a descrever coisas com precisão. Como cientistas, registramos o comportamento dos compostos químicos, das plantas, animais e seres humanos. Nós os gravamos em vídeo, observamos sob o microscópio, criamos modelos matemáticos, enchemos supercomputadores com dados a seu respeito. De nossas observações, aprendemos a domar nosso ambiente com invenções e engenhocas, e então nos damos tapinhas nas costas e dizemos: "Isso mesmo, conseguimos".

Mas o fato é que nós mesmos (consciência) residimos em uma camada muito mais profunda. Eis por que não podemos deixar de perguntar: "E sobre a coisa em si mesma? E quanto Aquilo que estava lá antes que medíssemos? O que é matéria, energia, tempo, espaço - como vieram a ser?”...

Explicar nosso mundo sem examinar sua profundeza interior é tão superficial quanto explicar o trabalho de um computador descrevendo apenas as imagens vistas no monitor. Se virmos uma bola movendo-se para cima e para baixo na tela, poderíamos dizer que está ricocheteando contra o fundo da tela? Os dispositivos na sua barra de rolagem exercem alguma força física sobre a página dentro da tela? A barra do menu tem realmente os "menus" ocultos atrás dela?

O autor de um software de uso facilitado seguiu regras consistentes para que você possa trabalhar com ele. Se for um jogo de alguma complexidade, ele precisou determinar um grande conjunto de regras. Mas uma descrição destas regras não é uma explicação válida de como isso funciona. Para isso, precisamos saber ler o seu código, e, mais importante - examinar a descrição de seu conceito original. Precisamos saber como ele avança, passo a passo, de um conceito em sua mente através de um código, até os pontinhos fosforescentes minúsculos na tela, que parecem formar imagens reais.

A Cabala diz que há um Código por trás da realidade que podemos ver, o conceito que instila vida às "equações" e as torna reais. Homens e mulheres abdicaram de sua alimentação, seu conforto, viajaram grandes distâncias e sacrificaram suas próprias vidas para chegar a conhecer estas coisas. Não há uma só cultura neste mundo que não tenha seus ensinamentos para descrevê-las. Nos ensinamentos judaicos, elas são descritas na Cabala.

Segundo a tradição, as verdades da Cabala foram conhecidas por Adam, o primeiro homem. Aquilo que Adam (Adão) apreendeu, nenhuma outra mente pode conceber, mas mesmo assim ele foi capaz de transmitir um vislumbre de seu conhecimento a algumas das grandes almas que dele descenderam, como Hanoch e Metushelach. Foram eles os grandes mestres que ensinaram Noah (Noé), que por sua vez ensinou seus próprios alunos, incluindo Avraham (Abraão). Avraham estudou na academia do filho de Noach, Shem (Melquisedeque?), e enviou seu filho Yitschac para lá estudar, depois dele. Yitschac por sua vez mandou seu filho Yaacov estudar com Shem e com o bisneto de Shem, Ever.

Adam, Noah, Avraham - estes foram pais de toda a humanidade. Segundo a Cabala, esta é a razão por que encontramos alusões às verdades que eles ensinaram, seja onde for que tenha chegado a cultura humana. Mesmo assim, a fonte essencial para a Cabala não é Adam ou Noah ou mesmo Avraham.

A Fonte Essencial da Cabala seria o Evento no Monte Sinai, onde a Essência Primordial do Cosmos foi desnudada para que uma nação inteira a contemplasse. Foi uma experiência que deixou uma marca indelével sobre a psique judaica, moldando por completo nossas idéias e nosso comportamento desde então.

No Sinai, a sabedoria interior tornou-se não mais uma questão de intuição ou revelação particular. Era então um fato que havia penetrado em nosso mundo e se tornado parte da história e da experiência dos mortais comuns.

Eis por que a Cabala não pode ser chamada de apenas filosofia. Uma filosofia é o produto de mentes humanas, algo com que qualquer outra mente humana pode jogar, “espremer” ou “esticar”, aceitar ou negar, segundo os ditames do seu próprio intelecto e intuição, que são subjetivos. Mas Cabala significa: "que é recebida". E recebida não de um professor, apenas, mas do Sinai. Assim que o aluno tenha dominado o caminho deste conhecimento recebido, ele ou ela pode encontrar maneiras de expandi-lo ainda mais, como uma árvore se ramifica a partir de seu tronco. Mas será sempre um crescimento orgânico, jamais tocando a vida e a forma essenciais daquele conhecimento. Os ramos, galhos e folhas irão apenas onde deveriam para aquela árvore em particular - um bordo jamais se tornará um carvalho, e jamais um aluno revelará um segredo que não estivesse oculto nas palavras do seu professor.

Quem somos nós? Por que nascer e morrer? Qual o propósito de nossa existência? É possível vivermos de maneira mais plena e com menos insatisfações? Segundo seus seguidores, esta é a sabedoria da Cabala. E, uma vez que esta sabedoria existe, a próxima pergunta primordial seria: como é que todo este aprendizado poderia influenciar de maneira prática o nosso dia a dia e trazer alegria para nossas vidas? Isto é o que passaremos a estudar a partir do próximo post!..



Fontes e bibliografia:
KELLMAN, Raphael. O Poder de Cura da Cabala, São Paulo: ed. Campus, 2004;
Rabino Yehuda Berg
Kabbalah Center
Chabad.Org
Portal da Cabala
Beit Chabad



Deus e eu


Você acredita que o Universo tenha tido um criador? E, se acredita, como se relaciona com ele? Será que você tem idéia de que a imagem interna que você tem de Deus pode influenciar sua vida, quer acredite nele ou não? - Por Liane Alves, da revista Vida Simples

A camiseta branca bordada com strass cintilava na vitrine. Era impossível desviar o olhar da frase que ela trazia: “Who is your God?” Ou: "Quem é o seu Deus?" Diante dessa pergunta tão inesperada numa loja de shopping, nenhuma resposta seria melhor do que o silêncio. E mais perguntas: “Quem é o Deus em que eu acredito? Quem está no lugar dele, se resolvi eleger outras prioridades na vida? Que relação tenho com ele? Íntima, distante, fria, ocasional? Ou realmente já fechei questão de que ele não existe?”

Uma hora na vida a gente vai se fazer essas perguntas seriamente, com camiseta branca chamando nossa atenção ou não. E, quando a gente fizer, vale a pena escutar o que dizem as pessoas que já fizeram - e saber algumas das respostas que elas encontraram ou, então, o que as deixou perplexas e fascinadas. Pela quantidade de livros que falam do assunto atualmente, muita gente já colocou para si mesma essas questões. A mais recente onda, por exemplo, é a dos livros escritos por cientistas especializados em neurociência, genética, matemática, física e biofísica. Eles, como outros autores que se arriscam nesse tema, revelam dados surpreendentes. E você nem imagina quanto.

Se alguém quisesse deixar Einstein irritado, era só insinuar que ele era ateu. Não só ele não se considerava ateu, como nutria uma certa antipatia por quem não acreditava em Deus (calma, se você não crê, também existem grandes nomes da ciência que vão lhe dar razão). Segundo sua biografia recém-lançada, Einstein, de Walter Isaacson, o físico alemão costumava dizer que os ateus haviam conseguido se libertar dos grilhões por não acreditarem mais num Deus infantil, mas que ainda assim sentiam o peso das correntes por não conseguir conceber a idéia de um Deus revelado na harmonia do Universo.

Era justamente a dança do cosmo, das galáxias aos átomos, que fascinava Einstein. Aquilo tudo não podia ser por acaso. A sincronia que ele conseguia vislumbrar como cientista sempre o deixou reverente. Mas vale perguntar: quem era esse Deus em que Einstein acreditava?

Não era ninguém com quem se pudesse manter uma relação pessoal, seja rezar, seja adorar. Era mais como uma Inteligência impessoal, uma Grande Mente que ressoava na música das esferas celestes, que estava presente em tudo e em todos, e de quem ninguém era objetivamente separado. Einstein, apesar de ser judeu e ter estudado numa escola católica, tinha simpatia pelas idéias budistas e essa forma não pessoal da divindade o interessava muito. Na verdade, ele enxergava o Absoluto em todas as manifestações. E aqui, junto com Einstein, chegamos a um ponto fundamental. Cada um acredita, ou deixa de acreditar, no seu Deus. Quando alguém diz que não crê em Deus, é preciso perguntar: em qual?


Onde tudo começa

A idéia que temos de Deus é formada na psique durante a tenra infância, dos 3 aos 7 anos, de acordo com o criador da Psicologia Analítica, o suíço Carl Gustav Jung. Ele foi um dos primeiros investigadores da psique a se interessar por esse assunto. Jung chamava essa idéia primordial, ou arquétipo, de Imago Dei ­ imagem de Deus. Ele afirmava que essa imagem formada na infância continua a influenciar nossa vida, ainda que, quando adultos, digamos que deixamos de acreditar em Deus. Dizia Jung que mesmo um ateu ou agnóstico usará essa imagem como ponto de referência, mesmo que seja para não crer nela. Em outras palavras, você pode até não acreditar em Deus, mas não vai se livrar desse conceito imaginário tão facilmente. A Imago Dei continuará firme e forte como uma marca indelével em sua psique. “Essa influência está sempre ali como pano de fundo para tudo o que desejamos na vida, estejamos conscientes disso ou não”, afirma o psiquiatra e psicanalista junguiano Luiz Geraldo Benetton.

E sabe como se dá o processo da formação da Imago Dei em nossa psique? Ela é construída a partir do acolhimento e do amor que tivemos de nossos pais. Portanto, afirmava Jung, Deus será, para nós, mais amoroso e próximo, ou mais rígido e distante, de acordo com o relacionamento que tivemos com nossos genitores. Há algum tempo fizeram uma pesquisa muito interessante: pediram para crianças de 5 a 6 anos de pequenos vilarejos do Leste Europeu para desenharem Deus. Elas viviam em lugares isolados e não foram expostas à mídia ou à influência de igrejas. “O mais interessante é que todas fizeram os traços de Deus com aspectos ou qualidades de seus pais”, diz Benetton. Pode-se dizer que pais amorosos e acolhedores nos ajudam a ter uma imagem mais positiva de Deus e que pais mais autoritários ou frios podem influenciar numa imagem mais punitiva ou distante.

Dependendo do caso, essas associações de infância podem ser bastante positivas. Por exemplo, o escritor Michael Cunningham, autor do romance As Horas, imagina Deus como uma mulher bondosa e negra, assim como foi sua babá. “Considero que essas imagens se formam bem cedo em nossas vidas. Quando penso em Deus, penso nela”, confessou ao cineasta Antonio Monda, que entrevistou atores, escritores e diretores de cinema para escrever o livro Deus e Eu. Para a maioria das pessoas, Deus está ligado à imagem de um ser que satisfaz nossas necessidades. Se eu quero isso, peço para Deus, se quero aquilo, ele também me dará. “Numa escala de 1 a 9 que pudesse medir a compreensão que temos de Deus, a maioria das pessoas não ultrapassaria o nível 3. O entendimento que temos do Criador é ainda de um provedor, como o pai e a mãe, que está no céu para atender às nossas vontades.”

Lembra aquelas cartas que as crianças escreviam para Deus em um livro infantil? Numa delas, uma menina de 8 anos resume bem nossa relação com o Criador. A garota escreveu: “Querido Deus, muito obrigado pelo meu irmãozinho. Mas quando rezei para o Senhor, na verdade tinha pedido um cachorro...” Muitas pessoas acham que o processo é este: a gente pede uma coisa, e o Todo-Poderoso parece que dá outra. E nos conformamos repetindo o ditado que diz que Deus escreve certo por linhas tortas.

Porém, uma pequena porcentagem das pessoas consegue ultrapassar suas necessidades infantis e amar a Deus acima de todas as coisas, isto é, acima do que possa acontecer a elas, pessoalmente. Elas encontram o sagrado não só no Universo, mas dentro de si e na sua relação com os outros.

Essa é uma boa deixa para perguntar: “Quem é Deus para mim? Um provedor? Uma inteligência cósmica? Um ser próximo e amoroso? Um estado de amor perene e impessoal?” É bom deixar isso claro antes de partir, se for o caso, para sua negação.


A linguagem de Deus

O cientista Francis Collins é o diretor responsável pelo Projeto Genoma. Ao tentar desvendar o mapeamanto genético do ser humano, foi tomado por intenso sentimento de veneração a Deus, com base no que reconheceu como sendo uma das suas mais intrincadas criações: o DNA. Escreveu ele em seu livro: “Hoje estamos aprendendo a linguagem pela qual Deus fez a vida. Estamos ficando cada vez mais admirados pela complexidade, pela beleza e pela maravilha da dádiva mais divina e mais sagrada de Deus”. Como Einstein, Francis Collins não é bobo. Seu Deus não é um homem velho de barbas brancas. Detalhista, ele resume no livro as diferentes visões históricas de Deus e como elas espelham a sociedade política, social e econômica de uma época. Com bom humor, também analisa as mais recentes concepções de Deus - por exemplo a que coloca Deus como o mais perfeito e inteligente designer do Universo. A idéia surgiu em 1991 com o livro Darwin em Julgamento, de Phillip Johnson, um profesor da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Segundo ele, a teoria da evolução não seria suficiente para explicar a perfeição da natureza, do DNA ao universo atômico, das constelações aos microorganismos. Pois haveria uma inteligência por trás disso, a ID (Inteligent Design). Essa teoria foi abraçada por outro professor, William Dembsky, um matemático especialista em ciências da computação que analisou as probabilidades estatísticas de tanta perfeição (sim, a conclusão é que é matematicamente impossível que o Universo seja obra do acaso ou apenas da evolução).

Esse Deus criador impessoal, mas distante, me faz lembrar de um vizinho, que resumia sua relação com o Criador da seguinte forma: “É a mesma que tenho com o síndico do prédio. Sei que ele está tomando conta de tudo e, às vezes, o encontro no elevador”. Isto é, ele deixava tudo a cargo da administração geral. Nos momentos de aperto chamava o chefão para um papo. Ou então deixava por conta dos encontros fortuitos. Existe muita gente assim.


A nova onda

Ainda existem dezenas de outros conceitos sobre Deus na área científica. A tendência atual, no entanto, é o conceito do BioLogos, o Deus que “usa” a evolução para aperfeiçoar seu projeto. De acordo com essa visão, defendida pelo próprio diretor do Projeto Genoma, a criação não seria tão perfeita assim ('O que dizer do apêndice?', pergunta). Segundo Collins, a criação é um projeto em direção à perfeição, constantemente reformulado e aperfeiçoado com base na lei da evolução. Assim, matamos dois coelhos de uma tacada só. Não se é nem só criacionista nem só darwinista, mas um pouco de cada coisa.

No Brasil, o professor-titular de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Raul Marino Jr., também dá uma importante contribuição à discussão sobre Deus, com seu livro A Religião do Cérebro, que analisa a possibilidade de uma área cerebral responsável pelo conceito de Deus. O doutor Marino traz a pesquisa do neurocientista americano Michael Persinger, que foi capaz de isolar no cérebro a zona (o lobo temporal direito) responsável por uma sensação mística de transcedência, sensação que pode ser reproduzida em laboratórios com a estimulação de campos magnéticos transcranianos.

Outra pesquisa relatada por ele mostra que os processos místicos ou espirituais se valem das mesmas estruturas neurais do cérebro que o processo sexual, embora tenham origens diferentes (o processo sexual é acionado pelas sensações e o místico se inicia diretamente no hipotálamo). Por isso é que tantos santos descreveriam o êxtase e a sensação de união com Deus de forma tão erótica. Não é para menos, tudo acontece no mesmo meio-de-campo dentro do cérebro. Porém, longe de querer provar a não-existência do Criador com essas pesquisas, o médico traça um caminho em que elas só comprovam uma existência maior - e que se vale dos nossos processos neurológicos para se manifestar.


Deus e o solo de sax

Um incomensurável oceano de amor que habita tanto o cosmo quanto nosso coração é a matéria-prima de muitas religiões. É dele que falam os evangelhos cristãos, o Alcorão ou a Torá. É um Ser que quer a relação com suas criaturas, no nível delas, e da maneira que elas são capazes. “Esse Deus que aceita meus trancos e barrancos me interessa”, afirma a psicóloga paulista Maria Helena Monti. “Ele me parece mais real”, diz ela. É para garantir essa relação mais próxima com o sagrado que as religiões oferecem uma legião de intermediários em nossa relação com Deus: santos, anjos e arcanjos, a Virgem, os gurus, ou a própria divindade encarnada como ser humano, como Jesus ou Krishna. Se Deus é o Absoluto Supremo, os intermediários mais próximos a nós parecem compreender melhor nossas fraquezas e limites. Às vezes é mais fácil começar por eles.

Mas como realmente amar aquele que só é Amor e nos aproximarmos mais dele, com todas nossas limitações? No livro Como os Pinguins me Ajudaram a Entender Deus, o pastor americano Donald Miller dá um bom exemplo. Ele diz que não gostava de jazz por ser uma música impossível de ser definida, difícil de entender e muito distante dele mesmo - mais ou menos como o conceito que ele tinha de Deus. Até que viu um homem tocando um solo de jazz no saxofone numa esquina de sua cidade. Durante 15 minutos, o músico parecia estar completamente embevecido e extasiado com a experiência. Naquele momento, Donald Miller achou que poderia começar a gostar de jazz. “Algumas vezes você precisa ver alguém amar muito alguma coisa antes mesmo de você conseguir amá-la. É como se a pessoa estivesse lhe mostrando o caminho”, diz ele.

Hoje muitas pessoas parecem estar mostrando o caminho de como amar a Deus - sejam cientistas, teólogos, filósofos ou o músico da esquina. É só começar a prestar atenção.



Para saber mais - livros:
"A Linguagem de Deus", Francis S Collins, Gente
"A Natureza Ama Esconder-se", Shimon Malin, Horus
"A Religião do Cérebro", Raul Marino Jr., Gente
"Como os Pinguins me Ajudaram a Entender Deus", Donald Miller, Thomas Nelson Brasil
"Deus e Eu", Antonio Monda, Casa da Palavra
"Deus, um Delírio", Richard Dawkins, Companhia das Letras
"O Delírio de Dawkins", Alister McGrath & Joanna McGrath, Mundo Cristão (O Arte das artes recomenda!)
"Eclipse de Deus", Martin Buber, Verus
"Einstein", Walter Isaacson, Companhia das Letras




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Melquisedeque



"Porque este Melquisedeque, rei de Salem, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da vitória contra os reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo; sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, 'Rei de Justiça', e depois também 'Rei de Salem', que é 'Rei de Paz'; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre." - Hebreus, 7:1-3


Quem é este, que abençoa até mesmo ao grande Abraão? A quem o próprio Abraão chega a lhe oferecer o dízimo? Que é chamado "Rei de Salem" e "Rei de Paz"? Quem é este, do qual se diz que não teve pai nem mãe e nem começo nem fim? Quem é este, de quem se diz até que é semelhante ao próprio Filho de Deus??

Melquisedeque, ou (em outras transliterações possíveis) Melquisedec, Melchisedec, Melchisedek, Melchisedeque, Melkisedec, etc, etc... É um dos mais misteriosos personagens que aparecem no Antigo Testamento da Bíblia. Menções a ele são encontradas em três passagens do texto bíblico: 1) Em Gênesis 14:18, quando recebe o dízimo de Abraão e o abençoa. 2) No Salmo 110, quando a Voz de Deus profetiza o Messias como "Sacerdote para sempre, segundo a Ordem de Melquisedec". 3) Por diversas vezes na Carta aos Hebreus, quando Paulo escreve um tratado onde afirma que Jesus, em sendo Rei e Sacerdote Filho da tribo de Judá (que tem a primazia do reinado), não segue o sacerdócio de Levi, exclusivo da tribo de Levi, concluindo que Jesus é Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedec, anterior ao sacerdócio levítico.

Devido à natureza profundamente misteriosa deste personagem da Bíblia, algumas correntes místicas e até alguns religiosos ortodoxos de tendência mística atribuem a Melquisedeque variadas funções espirituais relacionadas ao destino do nosso planeta.

As alusões a Melquisedeque, "Rei de Paz", "Rei de Salém" e "Sacerdote do Deus Altíssimo", segundo a tradição cristã, seriam figurações ou representações do próprio Cristo, pois é com ele que surge pela primeira vez a celebração com o pão e o vinho, numa espécie de prenúncio do Sacerdócio de Jesus. Alguns arriscam interpretar Melquisedeque como manifestação de "Corpo Espiritual" do Divino, o qual é chamado "o Verbo", o "Espírito Santo" ou "Anjo do Senhor". Se trataria, portanto, de uma manifestação do próprio Deus em Seu corpo imaterial, pois Ele teria muitos aspectos: Ânima, Espírito Eterno, Verbo, Corpo (Jesus)...

O livro de Hebreus declara que Jesus também é Sumo Sacerdote (Hebreus 2:17; 3:1; 4:14). O profeta Zacarias predisse que Jesus seria um sacerdote em seu Trono, isto é, assim como Melquisedeque, Jesus seria tanto Sacerdote quanto Rei ao mesmo tempo (Zacarias 6:12-13). Jesus nasceu judeu, descendente de Davi e, assim, da linhagem da tribo de Judá. Contudo, Deus escolheu os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Assim Jesus, vivendo sob a Lei de Moisés, poderia ser rei porque era da tribo real (Judá) e ainda mais da de Davi (2 Samuel 7:12-16; Atos 2:29-31). Mas Jesus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de Moisés porque não era da tribo certa. O escritor de Hebreus afirma que Jesus era sumo sacerdote segundo uma ordem diferente, não segundo a ordem de Arão (ou da tribo de Levi), mas segundo a ordem de Melquisedeque (5:6,10; 6:20). Ele explica:

"Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? ...Porque aquele de quem são ditas estas coisas pertence a outra tribo, da qual ninguém prestou serviço ao altar; pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes" (Hebreus 7:11,13-14).

Mas porque Melquisedeque? Quem foi Melquisedeque? O escritor de Hebreus nota que ele foi tanto sacerdote como rei de Salém (outro nome de Jerusalém - Gênesis 14:18-20; Hebreus 7:1). Ele também observa que as escrituras do Velho Testamento dão a Melquisedeque a aparência de ser eterno. Assim, existem algumas semelhanças entre Melquisedeque e Jesus. Melquisedeque parece continuar para sempre como sacerdote, porque as Escrituras nunca registram sua morte. Jesus, sendo divino, vive e serve para sempre como Sacerdote (Hebreus 7:23-25). Melquisedeque era tanto rei quanto sacerdote ao mesmo tempo (o que seria impossível sob a Lei de Moisés). Jesus é tanto rei como sacerdote ao mesmo tempo, em cumprimento à profecia de Zacarias.

Historicamente, o que se sabe é que Melquisedeque foi rei de Salem antigo - nome dado à cidade de Jerusalém ou região onde os descendentes de Sem (um dos filhos de Noé) habitavam logo depois do dilúvio. O fato de nas Escrituras Melquesedeque aparecer abençoando Abraão demonstra que na época era ele o principal representante de Deus na Terra, o portador da devida autoridade para abençoar, inclusive a um grande líder como Abraão ... Como um dos nomes dado ao povo de Israel era "semitas", é provavel que este Melquisedeque fosse o próprio Sem ...

A importância da figura de Melquisedeque ainda é tão grande, que no dia da ordenação dos padres católicos, no ritual sacerdotal consta uma parte na qual o bispo ordenante diz: "Tu és 'Sacerdoce in Aeternum Secundum Ordinem Melchisedec.'” - “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Convém lembrar também que Melquisedeque, sendo rei e sacerdote, reúne em si mesmo as duas formas do poder: o temporal e o espiritual. Segundo o esoterista René Guénon e sua escola, Melquisedeque representaria a Tradição Primordial da qual derivam todas as tradições espirituais manifestadas na História, e apresenta algumas formas equivalentes em diferentes tradições. Segundo essa linha de raciocínio, Melquisedeque, na Índia, corresponderia ao "Chakravartin" (Rei Universal) das tradições indiana e budista; seria também o soberano do reino oculto de "Shamballah" ou Agartha. Na tradição budista Terra Pura, a mais mística, ele corresponderia ao Buda Lokesvara-Raja (Senhor Rei Universal), Mestre Iluminado do Buda Amitabha ou Amida. - O culto à Lokesvara existiu entre os Khmers do Camboja, que construiram gigantescas estátuas de pedra em sua honra na sua antiga capital Angkor. Outra figura relacionada com Melquisedeque é o "Prestes John" das lendas medievais, um misterioso rei-sacerdote cristão que reinaria no Oriente, geralmente identificado com o Imperador da Abissínia ou Etiópia... Melquisedeque é um ser ainda mais enigmático que Apolônio de Tiana (filósofo grego neo-pitagórico sobre quem pretendo falar em momento oportuno).

Na obra gnóstica alexandrina “Pistis Sophia” (tema de uma próxima postagem neste blog), Melquisedeque é citado como “Grande Recebedor da Luz Eterna”. Ele recebe a Luz inteligível, por um Raio emanado diretamente do Princípio para refletir no mundo, seu domínio. Por isso também é chamado "Filho do Sol".

A Ordem de Melquisedeque é também conhecida pelo nome de "Ordem do Sacerdócio Real", ou "Ordem da Justiça Divina", pois Melquisedeque representa a Superior Justiça Divina na Terra, o Reino da Eterna Paz. Ordens esotéricas vêem em Melquisedeque um Ser que sempre esteve presente neste planeta em todos os ciclos de civilização, sendo, portanto a manifestação perene do próprio Poder Superior na Terra.

Alguns místicos orientais, ainda, afirmam que Melquisedeque é quem exerce a função de "Governo Oculto" da Terra no “Santo Shambhala”. Como afirma Michel Coquet:

“Melquisedeque é Sanat-Kumara – o que ocupa o mais elevado lugar sagrado de nosso planeta, onde se encontra a Tradição Primordial, o lugar onde o desígnio de Deus é conhecido...”

Diz René Guénon, baseado em suas pesquisas e no que disse Saint Yves d'Alveydre num livro intitulado "Missão da Índia", publicado pela primeira vez em 1910 na França:

“O nome Melquisedeque, ou mais exatamente ‘Melki-Tsedeq’, não é outra coisa que não o nome sob o qual a própria função de ‘Rei’ se encontra expressamente designada na tradição Judaico Cristã.”

A tradição indiana, citada por René Guénon, em sua obra "O Rei do Mundo", diz:

“Ele é Manu - esse homem vivo, Melki-Tsedeq, é Manu; que continua, com efeito, perpetuamente, isto é, por toda a duração do seu ciclo (Manvantara), ou do mundo que ele rege especialmente. É por isso que ele não tem genealogia, porque a sua origem é não humana, visto que ele próprio é o protótipo do homem. E realmente ele foi feito à semelhança do Filho de Deus, visto que, pela Lei que formula, é para esse mundo a expressão e a própria imagem do Verbo Divino”.

Ainda segundo as tradições da Mongólia, da Índia, do Tibet e de outros povos orientais, Melquisedeque ou Melk-Tjedec (Dharma-Râja) vive em uma cidade conhecida como "Agartha", segundo muitos situada no Himalaia. O reino sagrado de Agartha seria dirigido por Melquisedeque, mas há fontes que o colocam num nível ainda mais elevado. - Assim, uma pessoa só poderia chegar até onde reina Melquisedeque sendo conduzida, já que é impossível ao homem encontrar por si mesmo o seu acesso; não se trataria de um local físico na Terra e sim um plano sutil no nível terrestre.

Em muitas ocasiões o nome de Melquisedeque esteve ligado a um outro grande enigma, o do também legendário "Prestes John" ou "Prestes João", tido como "dirigente da humanidade" (outro tema para um planejado próximo post). Durante a Idade Média muito se falava de um grande reino dirigido por um ser de grande sabedoria chamado Prestes John. O período em que mais se falou desse reino foi à época de São Luís, nas viagens de Carpin e de Rubruquis. Segundo contam inúmeras histórias, teriam havido quatro personagens que usaram esse título: no Tibet, na Mongólia, na Índia e na Etiópia; que seriam quatro representações de um mesmo poder. Diz um mito que, quando de suas conquistas territoriais, Gengis-Khan tentou atacar o Reino de Prestes John, ele foi repelido por um raio que quase aniquilou por completo seu exército.


A visão judaica - por Chai Mendel - judeu praticante e estudioso da Torá

"Melquisedeque" é a tradução aportuguesada de "Malki Tsedek", que significa "Rei Justo". Esse titulo nosso personagem tinha por causa da sua sabedoria que era grande, ao mesmo tempo esse personagem é tratado como se fosse um sacerdote!

Até o dia que o patriarca Avraham (Abraão) foi visitar esse homem e conhecer sua sabedoria, mas por quê? Porque Avraham ouviu dizer que nosso personagem Rei Justo tinha conhecimento de uma tradição que falava de um único D-us. E Avraham queria saber se a Força (EL) que manifestou-se a ele era o mesmo que Malki Tsedek acreditava.

Foi Malki Tsedek quem falou do Mabul (Dilúvio), falou de um homem chamado Noah (Noé) e de toda a tradição que esse homem sabia. E Malki Tsedek falava de um rapaz cujo pai chamava de Shem (na Torá isso significa Boa Reputação). O Personagem de Boa Reputação ficou famoso depois que teve filhos e netos e bisnetos... Mas as soas foram esquecendo da a mensagem do pai de Shem (Noah), e o mundo voltou àidolatria. Então Shem decidiu montar uma escola para preservar todo aquele conhecimento. Essa escola se tornou um pequeno reino de justiça num mundo repleto de violência. Seu lider era chamado de Rei pois quando ele dava sua palavra ele não voltava atrás.... E o monte onde ficava a escola de Shem se chamava Montanha da Paz (Har Shalem) inicialmente. O Nome Shem foi esquecido e o apelido Rei Justo ficou.....

E ai você tem a verdade, Malki Tsedek era Shem, filho de Noah. Por isso Abraham passou a morar perto dele, por isso Isaque vez o mesmo com sua esposa e filhos e por isso Jacó estudou com ele... E por isso todos os descendentes de Jacó, mesmo na escravidão no Egito, mantiveram o conhecimento de Shem. Pois no passado Noah foi relapso em mostrar para a humanidade os erros que levaram ao Mabul, e Shem estava decidido a não cometer mais o mesmo erro. Ele finalmente encontrou pessoas que queriam saber da sua mensagem e preservá-la, por isso ele não iria abrir mão de ensinar aquela gente que descendia de um antigo amigo dele chamado Avraham, e que teve uma experiencia com as Forças que se manifestaram ao seu pai no passado.

Muitas passagens das Escrituras Hebraicas indicam que Shem era Malki Tsedek. Mas seria necessário vc conhecer o mínimo de hebraico para percebê-las; e antes disso seria interessante você conhecer a real mensagem das escrituras hebraicas para não criar dúvidas.


***

A título de curiosidade, procurei expor, nessa postagem, as principais, dentre as mais diversas teorias a respeito da dificílima figura de Melquisedeque. É importante compreender que, apesar e além de todas as teorias e especulações mirabolantes, tudo que temos de concreto a respeito do misterioso personagem são as esparsas e curtas menções bíblicas sobre ele. - Escritos feitos, portanto, há no mínimo 4.000 anos. - Obviamente, qualquer tentativa de estabelecer significações exatas ao seu respeito seriam, no mínimo, muito difíceis e arriscadas. O que estimula ainda mais a imaginação e a curiosidade dos pesquisadores (e 'aventureiros' de plantão) é justamente o fato de o texto bíblico não especificar praticamente nada, não trazer nenhum detalhe da vida e da obra de um personagem assim tão poderoso e importante, a ponto de ser dito que sua vida não teve nem começo e nem teria fim e que seria semelhante ao Filho de Deus. Um Ser tão importante que o próprio Jesus Cristo, Filho do Altíssimo e figura central dos Evangelhos e em todo o contexto bíblico, seria chamado Sumo Sacerdote da sua Ordem...


> Dedicado, com carinho, ao meu amigo "Gugu".


Fontes e bibliografia:
Profº Allen Dvorak
EstudosdaBíblia.Net
Profº José Laércio do Egito;
Profº João Paulo Nunes do Egito;
“Luzes da Grande Fraternidade Branca” Michel Coquet (Madras).