Explicando a Física Quântica (ou tentando...)



"Acho que posso afirmar com segurança que ninguém entende a mecânica quântica."

Richard Feynman - Prêmio Nobel pelo desenvolvimento da eletrodinâmica quântica


"Quem não se sentiu abalado quando teve contato pela primeira vez com a teoria quântica não pode tê-la de fato entendido."

Niels Bohr - Prêmio Nobel por seu trabalho sobre a estrutura do átomo


Se físicos ilustres, ganhadores do Prêmio Nobel, não entendem exatamente a teoria quântica, que chances teríamos nós, pobres mortais curiosos? Bem, talvez não possamos entender a física quântica em si, mas podemos entender ao menos o que ela é, o que propõe e o que nos ensina na prática. - O que podemos fazer quando a realidade bate à nossa porta e nos diz coisas desconcertantes, desafiadoras e enigmáticas? Vamos trocar algumas idéias a respeito de elétrons, fótons e quarks, e de como alguma coisa (se é que se trata de uma 'coisa'!) tão pequena pode ser tão insondável a ponto de ser capaz de dilacerar nosso mundo organizado e inteligível.


O conhecido encontra o desconhecido

Newton via o mundo como uma máquina em funcionamento no espaço tridimensional, cujos eventos (como o movimento das estrelas ou a queda das maçãs) ocorriam no tempo. A matéria era sólida, contendo em seu interior partículas diminutas. Essas partículas e também objetos tão grandes quanto os planetas se moviam de acordo com leis da natureza, como a força da gravidade. Essas leis podiam ser descritas com tanta precisão matemática que, conhecidas as condições iniciais de um objeto - por exemplo, a localização de um planeta, sua velocidade e o padrão de sua órbita, - era possível prever com absoluta certeza o seu futuro.

Mas a ciência trouxe à luz um mistério. Nos primeiros anos do século XX, a dureza inflexível do materialismo começou a ser desafiada por cientistas como Albert Einstein, Niels Bohr e outros fundadores da teoria quântica, que declararam ao mundo que se investigarmos bem a fundo a matéria, ela desaparecerá e se transformará em energia incomensurável. Se seguirmos o exemplo de Galileu e procurarmos descrevê-la matematicamente, descobriremos que o universo não é nada material! O universo físico é essencialmente não-físico e pode se originar de um campo ainda mais sutil que a própria energia, mais semelhante à informação, à inteligência ou à consciência, do que à matéria. - E não estamos falando de misticismo, nem de religião, estamos falando de descobertas e constatações 100% científicas.

A teoria da relatividade, a mecânica quântica, a influência dos pensamentos e das emoções sobre nossos corpos, as ditas “anomalias” como a percepção extra-sensorial, a cura pela mente, a vidência, a atuação de sensitivos, as experiências de quase-morte... todos esses fenômenos nos mostram a necessidade de um modelo científico diferente, um novo paradigma que inclua todos esses fenômenos dentro de uma teoria mais abrangente sobre o funcionamento do mundo.

O que é a realidade? A maioria acha que realidade é o que nossos sentidos projetam para nós. Além disso, é claro, a ciência adotou essa visão durante quatrocentos anos: o que não for perceptível por meio dos cinco sentidos (ou de suas extensões) não é real. “Não existe nada a não ser átomos e espaços vazios; tudo o mais é opinião”, já diziam os gregos há mais de dois milênios.

Cada átomo consiste quase totalmente em “espaço vazio”, de modo que é uma espécie de milagre não cairmos no chão cada vez que nos sentamos numa cadeira. E como o chão também é majoritariamente vazio, onde encontraríamos alguma coisa bastante sólida para nos sustentar? O lance aqui é que “nós”- nossos corpos- também somos feitos de átomos!

A física quântica sugere que no núcleo do mundo físico existe um domínio completamente não-físico, que poderia ser chamado de Informação, de ondas de probabilidade ou de Consciência. E, se a visão quântica estiver correta, seremos obrigados a admitir que esse campo subjacente de Inteligência é, na essência, tudo o que o Universo "realmente" é.

A física clássica newtoniana teve por base as observações dos objetos sólidos e conhecidos que fazem parte da experiência trivial, como maçãs que caem e planetas que descrevem órbitas. Suas leis foram repetidamente testadas, aprovadas e ampliadas ao longo de vários séculos. Elas foram muito bem compreendidas e realizaram um excelente trabalho na previsão do comportamento físico, como foi visto no triunfo da Revolução Industrial. Porém, no final do século XIX, quando os físicos começaram a desenvolver as ferramentas para investigar mais profundamente os domínios da matéria, em escala muito pequena, descobriram um fato espantoso: a física newtoniana não conseguia explicar nem prever os resultados encontrados!!

Então, durante os cem anos seguintes, uma descrição científica inteiramente nova precisou ser desenvolvida para explicar o mundo do muito pequeno. Conhecido como mecânica quântica ou física quântica (ou simplesmente teoria quântica), esse conhecimento novo não substitui a física newtoniana, que ainda explica bem os objetos macroscópicos. Mas a nova física foi desenvolvida para ir aonde a física newtoniana não chegava: o mundo subatômico.

E o que a teoria quântica revelou é tão espantoso que mais parece ficção científica: as partículas podem estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. (Uma experiência muito recente mostrou que uma mesma partícula pode estar em até 3 mil lugares!!!) O mesmo “objeto” pode aparentar ser uma partícula, localizada em um lugar determinado, e ser ao mesmo tempo uma onda espalhada pelo espaço e pelo tempo.

Segundo Einstein, nada pode se deslocar mais rápido do que a velocidade da luz, mas a física quântica demonstrou que partículas subatômicas parecem se comunicar instantaneamente, não importando a distância entre elas. - Fenômeno observável que valida, importa dizer, a possibilidade de "objetos" de outros planetas ou dimensões visitando a nossa Terra. Aliás, a palavra "objeto" da sigla OVNI, se torna mais e mais imprecisa para denominar as aparições luminosas inexplicáveis em nossos céus e oceanos...

A física clássica era determinística: se conhecermos qualquer conjunto de condições de um objeto (tal como sua posição e velocidade), poderemos determinar com certeza para onde ele está indo. A física quântica é probabilística: nunca sabemos com certeza absoluta como uma coisa específica vai terminar.

A física clássica era reducionista: partia da premissa de que somente conhecendo as partes era possível eventualmente compreender o todo. A nova física é mais orgânica e holística; pinta o Universo como um Todo unificado, cujas partes são interconectadas e se influenciam mutuamente.

O mais importante talvez seja que a física quântica apagou a distinção cartesiana rígida entre sujeito e objeto, observador e observado, que dominou a ciência por quatrocentos anos. E isso também é o mais perturbador... Na física quântica, o observador influencia o objeto observado. Não há os observadores isolados de um universo mecânico; tudo participa do Universo.


"What is real, Neo?"


Se a ciência e o espírito buscam a natureza da realidade ilimitada, então em algum momento seus caminhos precisam se cruzar. As escrituras sagradas mais antigas que conhecemos, os Vedas, descrevem o mundo como 'maya'/ilusão - e a arte do topo deste blog representa o ser humano por trás do véu de maya, tateando em busca do desconhecido, além... - A física quântica afirma que a realidade não é o que vemos; na melhoir das hipóteses, ela é praticamente vazia, ondas de nada insubstancial.

Os budistas falam da 'origem interdependente' de tudo. Na física existe a teoria do Emaranhamento, segundo a qual todas as partículas estão conectadas, e assim estiveram desde o Big Bang, onde elas se emaranhavam pela primeira vez. - E daí surge a inevitável pergunta: se o Big Bang é a origem do Universo, o Quê ou Quem provocou o Big Bang? Se há o 'Todo Emaranhado', tem que haver também um agente Causador/Mantenedor do Emaranhamento, que precisaria ser muito parecido com o que as religiões denominam Deus... E agora? Ciência e espiritualidade finalmente darão as mãos?.

Temos no Zen um koan (espécie de provérbio em forma de pergunta, feito aos estudantes para despertar a iluminação) muito conhecido: "Qual é o som de uma das mãos batendo palmas?" - Há um eco para isso numa pergunta da física que enlouquece os cientistas: "Como é possível uma partícula estar em dois lugares ao mesmo tempo?"...

Profissionais mergulham em suas respectivas disciplinas, mas a história do progresso humano mostra que a evolução ocorre quando áreas progressivamente mais vastas de estudo são integradas. Como a espiritualidade e a ciência, por exemplo... William Arntz, pesquisador e autor do livro "Quem Somos Nós?", inventou um novo koan: "Qual é o som de dois adversários se beijando?"...



Fonte e bibliografia:
Livro "Quem somos nós?", 2005 - William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente (Prestígio Editorial)




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