Quem é o meu próximo?


Os nossos semelhantes são mesmo nossos próximos, e esses próximos estão muito, mas muito mais próximos do que normalmente imaginamos... Sim, existem apenas seis graus de separação entre todos os seres humanos; - isto é, não há mais do que meia dúzia de pessoas ou de grupos de pessoas entre você, eu e qualquer outro indivíduo do mundo! - Provavelmente você já ouviu falar dessa célebre teoria do cientista Stanley Milgram, mas talvez não saiba que ela já foi empiricamente confirmada através de uma experiência feita por uma equipe de pesquisadores da Columbia University em 2003, dirigida pelo sociólogo matemático Duncan Watts e divulgada pela revista Science.

A experiência sobre os famosos seis graus de separação foi feita através da internet e envolveu mais de 61 mil usuários de 166 países diferentes. Internautas foram convidados a encontrar um entre 18 indivíduos completamente desconhecidos, usando suas conexões online, e ficou demonstrado que, em média, apenas entre cinco e sete etapas foram necessárias para realizar a tarefa, apenas com a ajuda de amigos e conhecidos.

Os resultados ilustram de que maneira as redes sociais operam e como efetivamente se globalizaram: "As conclusões podem ajudar a nos esclarecer quanto a epidemias, modas culturais, comportamento dos mercados de ações e organizações que sobrevivem a mudanças. Esse conceito de um mundo pequeno ('Small World') pode explicar toda espécie de conexão", afirmou o Dr. Duncan. "Dois homens, um na Croácia e um na Indonésia, foram os mais difíceis de localizar, enquanto um professor da Cornell University atraiu o maior número de conexões. Você poderia pensar que se trata de um cara especial, mas eu o conheço muito bem: é um sujeito comum; não viaja tanto. Havia outras pessoas participando que nós achávamos que seriam mais conectadas que ele", afirmou ainda.

Os participantes foram convidados a contatar uma de 18 pessoas, entre as quais um inspetor de arquivos na Estônia, um consultor de tecnologia na Índia, um policial na Austrália e um veterinário do exército norueguês. Os participantes foram informados de que sua tarefa era ajudar a transmitir uma mensagem para seus alvos escolhidos com a ajuda de pessoas que considerem "mais próximas" do que eles do alvo, afirmaram os pesquisadores. E, em média, foram necessários apenas entre cinco e sete passos intermediários para que a conexão fosse estabelecida.

A idéia dos seis graus de separação surgiu pela primeira vez em 1967, quando aconteceu nos EUA uma das experiências mais conhecidas de mapeamento das nossas redes sociais. Foi quando o cientista Stanley Milgram descobriu que cada um de nós está a apenas seis graus separação de qualquer outro grupo de pessoas do mundo. Milgram chegou a este número através de uma experiência realizada com 160 pessoas que viviam em Boston e Omaha (Nebraska), e publicou a teoria Small-World na revista Psychology Today. Milgram descobriu que os voluntários conseguiam chegar a pessoas desconhecidas usando uma rede de amigos, contatos comerciais e outras relações.

Para cada um dos participantes da experiência, Milgram enviou uma correspondência com instruções para que ela chegasse a um indivíduo-alvo, originário de Sharon, Massachussets, mas que trabalhava em Boston. As pessoas não poderiam enviar a correspondência diretamente à pessoa-alvo, mas deveriam buscar amigos, contatos e pessoas que a conheciam pessoalmente e que pudessem ajudar na entrega da correspondência. Estas eram as regras. - Cada pessoa deveria escrever o seu nome na correspondência de modo que depois fosse possível monitorar o caminho percorrido até o seu destino final. - Foi este método criado por Milgram que ficou conhecido como Small-World (mundo pequeno). - Ao final da experiência, Milgram descobriu que o número médio de intermediários entre os participantes da experiência era de apenas seis pessoas. Ou seja, a correspondência, em média, passou por apenas outros seis atravessadores antes de chegar ao seu destinatário final.




Também conhecida como "Seis Graus de Separação" ('Six Degrees of Separation') , que já virou até série de TV, a experiência de Milgram comprova que vivemos num mundo social realmente pequeno, e que nossas relações com os nossos semelhantes são muito mais estreitas do que jamais poderíamos imaginar.

Pra entender melhor: se eu tenho dez amigos e estes dez amigos têm, cada um, dez amigos, a minha rede no primeiro grau é de apenas dez amigos, mas no segundo grau é de 10 x 10 amigos, ou seja, em apenas dois graus de separação já estou ligado a cem pessoas. Portanto, em apenas seis graus de separação estou ligado a 10 elevado a 6º potência, o que dá um milhão de amigos. Ou seja, a minha rede social é imensamente maior do que eu os que eu conheço pessoalente. - Se cada pessoa da minha rede social pessoal me fizesse a doação de apenas um dólar, as minhas preocupações com dinheiro estariam resolvidas...

Mas acontece que em 1967 era muito mais complicado monitorar nossas redes sociais. Já com a Internet, tudo mudou, e muito. - Aos poucos, as redes sociais vão sendo mapeadas através da Internet, sejam elas redes de relacionamentos ou redes de negócios. Muitas aplicações hoje são construídas para mapear nossas redes sociais, desde os comunicadores instantâneos, passando pelos contatos que você tem cadastrado na sua lista de endereços do MSN ou email.

A nova onda das redes sociais na Internet (Social Networks) nos têm trazido aplicações como o Friendester, Dogster, Orkut e LinkedIn, que mapeiam a nossa rede de relacionamentos on-line, deixando às claras nossos amigos e mostrando, para nosso espanto, o quanto é grande nossa rede de contatos. Mas como começou e até onde vai a nova onde de mapear as redes sociais? Alguém arrisca um palpite?

Há aplicações específicas que deixam essas redes às claras. - O Orkut e o Sonico são apenas algumas delas. - Não aceitam inscrições de novos usuários através da Internet: é necessário que o novo usuário seja convidado a participar, como num clube fechado. Convite aceito e inclusão feita, o usuário passa a conhecer a sua rede de amigos e a rede dos amigos dos seus amigos, e dos amigos dos amigos dos amigos...

O LinkedIn é uma aplicação que oferece aos seus usuários a possibilidade de mapear sua rede de contatos. O site possui uma aplicação que permite copiar os contatos da lista de contatos do Outlook e enviar um convite para cada um dos usuários. Estes usuários, ao se cadastrarem no site e criarem seu próprio perfil poderão visualizar sua rede de contatos e buscar oportunidades de trabalho ou de emprego através desta rede, e o grande barato é que o LinkedIn mapeia quantos graus de separação existem entre cada um dos contatos. O consultor de marketing Alessandro Barbosa Lima conta que a partir do seu contato com apenas dois profissionais seus conhecidos foi possível criar uma rede de 33.800 pessoas(!), sendo que apenas cerca de 2.100 eram provenientes do Brasil!

O LinkedIn, o Orkut e o Sonico, entre muitos outros, se inspiram claramente nas idéias de Milgram, da Teoria Mundo Pequeno ou Seis Graus de Separação: cada contato é classificado a partir dos graus de separação do usuário cadastrado. - E há também a "Teoria dos Laços Fracos" ('The Strenght of Weak Ties') de Granovetter, que provou em 1973 que para conseguir um emprego é mais fácil usar nossos laços com pessoas que raramente temos contato (laços fracos) do que com amigos e familiares (laços fortes). - Através do LinkedIn é possível conhecer todos os laços fracos das nossas redes sociais e tentar encontrar emprego ou trabalho através destes laços. Como citado no relise do LinkedIn para a imprensa, é 10 vezes mais fácil encontrar negócios ou emprego através de uma rede de contatos do que através de sites de empregos.



"Senhor, quem é o meu próximo?"

(Lucas 10,29)



Este post é baseado em matéria da jornalista Maggie Fox, da Agência Reuters de Whashington, e num artigo de Alessandro Barbosa Lima, consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro "E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web".



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