O sal

Breve história do sal e a sua importância no inconsciente coletivo da humanidade

"O sal nasceu com a vida": a constituição das camadas geológicas subterrâneas do nosso planeta mostra que o sal apareceu nos depósitos mais recentes da crosta da Terra, tornando-se mais abundante à medida que a vida se organizava. Seu uso vem de tempos remotíssimos, sendo mencionado nos documentos mais antigos da humanidade. Sua importância perante os primeiros povos lhe deu lugar nos sacrifícios religiosos e também fez dele um símbolo de união e hospitalidade. Para transportá-lo das fontes de extração para os lugares afastados abriam-se estradas especiais: pela Via Salária, faziam os albinos vir o sal que consumiam. Nos primeiros tempos da civilização, quando não havia a moeda como instrumento de valor e troca, usava-se a pitada de sal como expressão de valor. Na África e Ásia, usavam sal de rocha ou sal-gema. Seu valor era tão grande que era com ele que se pagavam os soldados romanos, remunerados com o "soldo", isto é, o sal, na época uma comodidade rara e difícil de conseguir, de onde vem a palavra "salário" e também a própria palavra "soldado", usadas até hoje.

Definição comum do cloreto de sódio, o sal é um corpo produzido pela substituição total ou parcial do hidrogênio ácido por um metal ou por um radical básico. Nossos corpos precisam dele. A Organização Mundial de Saúde (WHO-OMS) recomenda uma dose diária de até 5,5 gramas de sal, o equivalente a uma colher de chá, nunca mais do que isso. O homem pré-histórico obtinha a sua dose graças à carne crua de suas caças. Foi a passagem para a agricultura e para uma alimentação à base de grãos que introduziu a necessidade de um complemento. O sal teve grande impacto também na história das civilizações: graças ao seu poder de conservar os alimentos, ele facilitou a sobrevivência e a mobilidade das populações. Desde a antiguidade, pescadores já sabiam salgar o peixe para armazená-lo, tornando-o acessível longe do mar e durante o ano inteiro.

Nos rituais - O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Mas talvez nenhuma tradição lhe tenha dado tanto destaque quanto a judaico-cristã. O Antigo Testamento menciona o sal com frequência, ora no contexto da vida prática, ora simbolicamente. Sal significa, por exemplo, pureza e fidelidade. Mas é no Novo Testamento que a menção ao sal torna-se metafórica, quando Jesus diz: “Vós sois o sal da terra”.

No Batismo - Até o início da industrialização e em diferentes civilizações, o sal na mesa significou prestígio, orgulho, segurança e amizade. A expressão romana para exprimir a infidelidade a uma amizade era: “Trair a promessa e o sal”. Desde aqueles tempos, a ausência de um saleiro sobre a mesa representava um certo presságio, tanto quanto o sal derramado. Ao pintar sua famosa “Santa Ceia”, Leonardo da Vinci tratou de colocar diante de Judas um saleiro derramado...

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Lutero aboliu o sal do ritual de Batismo na religião protestante, no século 16, mas o seu uso perdurou no batizado católico até 1973, simbolizando a expulsão do mal e como um sinal de sabedoria sobre o recém-nascido. Ainda hoje, as batatas e ovos cozidos servidos no Pessach, a Páscoa judaica, são regados com água salgada que simboliza as lágrimas derramadas pelos judeus na travessia do deserto, durante a fuga do Egito.

Nas crendices populares e superstições - Daí ao folclore e às lendas populares, foi um pulo: o sal acabou por se tornar um ingrediente obrigatório para afastar demônios e feitiçarias... No Brasil, o tal "banho de sal grosso" pode ser uma expressão para designar proteção contra a inveja e o "mau-olhado". Recipientes com sal e uma cabeça de alho podem ser vistos com frequência não apenas nas casas, mas também no comércio, escritórios, etc...

Segue uma explicação do século 16 para os poderes anti-diabólicos do sal:

“...ele é a marca da eternidade e da pureza, porque jamais apodrece ou se corrompe. E tudo o que o diabo procura é a corrupção e a dissolução das criaturas, tanto quanto Deus doa a criação. Daí a obrigação, pela lei de Deus, de colocar sal na mesa do santuário…”

De um demonólogo francês anônimo


Diversos povos da antiguidade atribuíram ao sal poderes afrodisíacos e alguns acreditavam que a sua carência reduziria a potência sexual e/ou a fertilidade masculina. Uma gravura satírica francesa do século 16 mostra mulheres de diversas classes sociais numa atividade insólita: debruçadas sobre maridos sem calças, que esperneiam, aprisionados em barris, enquanto elas esfregam com sal, vigorosamente, suas partes íntimas. Auh!..


Até hoje é grande o número de lendas e crenças em torno do sal. Algumas delas:

§ O saleiro passado de mão em mão a outra pessoa da mesa traz má sorte. Algumas pessoas nunca entregam o saleiro, mesmo que você pedir. Elas o colocam de volta na mesa, e quem quiser que pegue. No Brasil, os mais supersticiosos recomendam que o sal nem seja levantado da superfície da mesa. Então, usa-se um recipiente grande e você se serve com um colherinha. Nos Estados Unidos, existe o ditado “passe-me sal, passe-me sofrimento”;

§ Jogar sal afugenta os vampiros;

§ Usar um saquinho de sal pendurado no pescoço afasta os maus espíritos;

§ Derrubar sal traz má sorte, a menos que se jogue uma pitada por cima do ombro direito;

§ Para afastar maus espíritos, joga-se sal por cima do ombro esquerdo;

§ Cada grão de sal derrubado equivale a uma lágrima. Para evitá-las, leva-se imediatamente o sal derrubado para uma panela no fogo. Isso bastará para secar as lágrimas;

§ Emprestar ou pedir emprestado o sal (ou pimenta) destrói a amizade. É melhor oferecê-los e aceitá-los como um presente;

§ No oriente médio acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas, formam um vínculo. Por isso, usa-se sal para selar um contrato;

§ No Havaí, a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesma, para garantir que os maus espíritos que por acaso rondassem o defunto não a acompanhem em casa;

§ No Japão, espalha-se sal no palco antes de uma apresentação de teatro, para evitar que maus espíritos joguem pragas sobre os atores;

§ Em muitos países espalha-se sal na ombreira da porta de uma casa nova, para impedir a entrada de maus espíritos.

Bem, essas histórias até que são divertidas, pelo menos até que se comece a acreditar que são algo mais do que bobagens...



O sal e os seus efeitos na saúde

O sal é uma combinação de dois elementos químicos: o sódio e o cloro. O sódio é um metal tão instável que se inflama em contato com a água, e o cloro é um gás letal.

O resultado da combinação entre os dois elementos resulta no cloreto de sódio. O problema para a saúde está no sódio e não no cloreto. O sódio retém líquidos no organismo, elevando a pressão arterial, e facilitando assim, a deposição de gorduras nas artérias, que se dilatam. Isso pode levar ao infarto e há, assim, o risco de um acidente vascular cerebral. O consumo excessivo de sal pode também afetar os rins e piorar os sintomas da tensão pré-menstrual.

O processo no corpo é o seguinte: ao comermos muito sal, os níveis de sódio ficam altos no sangue. Aí, há a liberação de alguns hormônios, resultando na retenção de líquidos. Esta retenção pode aumentar o volume de sangue circulante e sobrecarregar o coração, elevando a pressão arterial. Os idosos devem ter mais cuidado. Com o passar dos anos, o organismo diminui a capacidade de eliminação de sódio, aumentando as chances de infarto e derrame.

Para controlar a pressão arterial, além de regular o sal, coma alimentos com fibras e ricos em cálcio e diminua a gordura animal saturada. O sal hipossódico, que agora é moda, não é uma boa opção. Por ter sabor amargo, o usamos em maior quantidade, o que acaba tendo o mesmo resultado do sal tradicional.

A estimativa é que cada brasileiro consome 10 gramas de sal por dia, enquanto que o ideal seriam 5 gramas e o limite máximo do saudável 6 gramas. - Cada grama de sal de cozinha equivale à quatrocentos miligramas de sódio, o que nos dá um limite de dois mil e quatrocentos miligramas de sódio por dia. Mas o sal que adicionamos à comida no dia a dia não é o único culpado por essa dose de exagero. É importante ressaltar que o sal está presente em quase todos os alimentos que consumimos, sejam salgados ou não. Produtos industrializados, que comemos diariamente, como pães, queijos, cereais, bolachas e enlatados, têm sal nas fórmulas. Chocolates, achocolatados matinais, compotas de frutas, sorvete de baunilha, balas e bolos também têm sal. Leia o rótulo destes produtos e verifique a quantidade.

Na indústria da alimentação o sal é utilizado porque enriquece o sabor dos alimentos. Nos doces ele quebra levemente o gosto do açúcar. E é também um mineral com alto poder de conservação nas carnes e embutidos. - Agora que você já sabe que o sal está até nos doces, fique alerta na quantidade consumida. E, para prevenir doenças como hipertensão, o cuidado vai além de pegar leve na hora do tempero.

O sal de mesa tem 40% de sódio. O consumo excessivo de sal pode causar o aumento da pressão sangüínea e levar à hipertensão, responsável pelo infarto. Se a hipertensão não for controlada, podemos apresentar problemas como insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca congestiva. O sal que está nos embutidos pode colaborar com o tumor de estômago. O ideal seria que os hipertensos nunca ingerissem mais que dois gramas de sal por dia. Mas deixar de salgar a comida é uma medida extrema, pois o sal, consumido com moderação, é essencial para um mecanismo conhecido como bomba sódio-potássio, que regula a pressão sangüínea.

Uma boa dica é controlar o sal dos temperos, substituindo-o por salsinha, cebolinha, alho, cebola, louro e todas as ervas aromáticas, além do limão, temperos que além de perfumar o alimento, dão sabor e ainda fornecem ao nosso organismo antioxidantes, que previnem doenças e desaceleram o envelhecimento. Tente também não colocar sal na comida antes de experimentá-la. E prefira alimentos naturais, como verduras e frutas, que têm menos de 10 miligramas de sódio por porção.

Há dois tipos básicos de sal: o de rocha e o marinho. O sal de rocha é extraído de minas subterrâneas que foram formadas por lagos e mares que secaram há muitos anos. O sal marinho vem da evaporação da água do mar. Mas na prateleira do supermercado você vai encontrar muitas variações de sal. A maior oferta é a do sal refinado, chamado também sal de mesa ou de cozinha. É o mais usado no preparo de alimentos. De acordo com as leis brasileiras, para se evitar o bócio o sal de cozinha deve ter iodo. Procure esta recomendação na embalagem. Já na cozinha macrobiótica, o gersal e o sal marinho são muito utilizados. O gersal é um sal misturado com sementes de gergelim. O sal marinho muitas vezes é moído na hora.

Se você segue uma dieta de pouco sal, a melhor alternativa é o sal marinho, que por ser menos refinado tem o poder se salgar mais. Assim, com uma menor quantidade de sal, se consegue o sabor adequado. Já o "sal light" deve ter indicação médica para ser consumido, principalmente se você tiver problemas cardiovasculares. O sal grosso é o usado nos churrascos. Ele é consumido na forma que vem da extração, sem ser refinado, mas não contém iodo. Com granulação mais grossa, o "sal kosher" é extraído de mina ou do mar, mas precisa da supervisão de rabinos.

Mais difíceis de encontrar são o sal defumado, o de Guérande e o sal de aipo. O defumado tem sabor e aroma diferenciados. O Guérande, extraído na cidade francesa que dá o nome, é considerado o melhor do mundo. O de aipo é aquele sal tradicional de mesa misturado a grãos de aipo secos e moídos.



Fontes: Dra. Shirley de Campos - Medicina Avançada.Com;
Norsal.Com;
Saúde.Sapo
;
Dieta Adequada.Com.

Texto "O sal e os seus efeitos na saúde" produzido por Michelle Tomé, Jornalista. - Fonte: Dra. Waldinez S. Nogueira - Nutricionista




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