Pobre de espírito?

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus..." - Matheus: 5:3


"Pobres de espírito"... Esta é a tradução mais antiga, tradicional e conhecida da primeira bem-aventurança. - Infelizmente. - Porque se trata de uma expressão que, com o passar do tempo, foi perdendo completamente o seu sentido original. Hoje, quando dizemos que "fulano é um pobre de espírito", freqüentemente estamos querendo dizer que se trata de uma pessoa fraca, bruta, insensível... ou alguém de entendimento limitado, sem criatividade. Pobre de espírito, no entendimento popular, acabou por ganhar um significado totalmente oposto ao sentido do Evangelho. E no dicionário Aurélio, a expressão "pobre de espírito" traz a seguinte definição: "Pobre de espírito: Pessoa simplória, ingênua, parva, tola".

Será que o Cristo está nos dizendo que o Reino dos Céus pertence aos insensíveis, limitados? Ou aos simplórios, parvos e tolos??


Algumas traduções posteriores da Bíblia, popularmente menos conhecidas, tentaram resolver o problema mudando a forma do texto para "pobres em espírito". - E já melhorou bastante, assim. - Como eu costumo dizer, na linguagem escrita, até um acento ou uma vírgula são capazes de mudar completamente o sentido de uma frase, quanto mais a troca de uma preposição. Mas... a verdade é que essa forma ainda não tornava possível alcançar completamente o sentido do texto original.

Se fizermos uma breve pesquisa, em qualquer biblioteca teológica, vamos encontrar diversas traduções dos evangelhos. Basicamente, as mais populares no Brasil, por muitos anos, foram três: a que foi feita no século XVIII pelo Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, a do Pe. Matos Soares, de 1930, ambas a partir da Vulgata Latina, e, entre os protestantes, a versão tradicional de João Ferreira de Almeida. - A Vulgata Latina é a antiga tradução feita por S. Jerônimo em fins do Século IV e iníco do século V, como você viu aqui. - Essas são as traduções mais tradicionais e mais conhecidas; e são exatamente as que trazem “Bem aventurados os pobres de espírito...”.

A expressão “pobres de espírito” foi traduzida para o português, assim como para vários outros idiomas, principalmente baseada na tradução do grego existente na Vulgata latina, feita por S. Jerônimo numa época em que os manuscritos mais antigos e confiáveis, hoje disponíveis, ainda não haviam sido encontrados. E esta foi a única tradução conhecida, por séculos, em toda a comunidade cristã ocidental. Isto acabou imprimindo na memória de milhões de pessoas a idéia do Reino dos Céus vindo a ser herdado pelos “pobres de espírito”. Uma concepção que foi passada de geração para geração.

Já a tradução bem mais recente da Editora Vozes, feita sob a coordenação geral do Prof° Dr° Ludovico Garmus, assim como a tradução da Editora Ave Maria, feita para o francês pelos Monges de Maredsous (beneditinos da Bélgica), - a partir dos originais em hebraico e grego, tendo já contado com manuscritos descobertos mais recentemente e publicada somente em 1957, - podem ser consideradas mais confiáveis que as traduções a partir da Vulgata. Veremos que estas traduções dão um significado diferenciado às palavras de Jesus:

“Bem-aventurados os que têm um espírito de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!”

Versão Editora Vozes


“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!”

Versão da Editora Ave Maria


A chamada tradução “João Ferreira de Almeida Revisada Imprensa Bíblica”, merece destaque. Publicada em 1967, seguiu os mais antigos manuscritos até hoje conhecidos, e por isso goza de boa reputação entre os pesquisadores e estudiosos atuais. A sua transcrição do trecho é a seguinte:

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”

Versão João Ferreira de Almeida Revisada Imprensa Bíblica


Interessante... Mas neste caso em particular, não há dúvida de que a melhor maneira para tirarmos as nossas dúvidas é recorrendo ao conteúdo do texto original, em grego. Não poderíamos esperar menos do que isso do Arte das artes ou de qualquer publicação que leve o estudo a sério, certo? Então aí vamos nós. É assim que fica o trecho do capítulo 5 de Matheus, na versão original* em que foi escrito:

"Makárioi oi ptõchoi tõ pneúmati õti aútõn he basileia tõn ouranõn"

Capítulo 5 de Matheus - no grego


O problema aí é que, como ocorre com outras línguas, algumas palavras e expressões do grego têm um significado difícil de traduzir. A questão toda se encerra nas palavras "ptõchoi tõ pneúmati". - "Ptõchoi" vem de "ptóchos", que significa, literalmente, ”mendigo ou mendicante". Ocorre que, como a versão mais conhecida dos textos dos Evangelhos, conforme vimos, foi primeiramente traduzida para o latim, "ptõchoi" virou “pauper”, e daí chegou ao português como “pobre”. Mas o sentido de pobre, no grego, não está na raiz “ptochos”, mas sim em “penia”, que significa pobreza. - Foi daí que surgiu a palavra “penúria”. - “Ptóchos” quer dizer, literalmente, “mendigo ou mendicante", aquele que mendiga ou pede ajuda.

E esta compreensão pode trazer muitas mudanças à nossa percepção, em termos de simbolismo, de metáfora, de parábola... Na tradução mais precisa, o que Jesus diz é “Bem aventurados os que mendigam em espírito”, ou “bem aventurados os que pedem em espírito”. E essa idéia é logo adiante confirmada com “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados”, ou seja, a dimensão ética e espiritual sobrepondo-se à mera dimensão física, intestinal. E, mais uma vez, ali, a tradução de “fome” para o termo “peina” não é a mais perfeita, porque essa palavra tanto pode significar “ter fome”, como “ter necessidade de algo”.

O “mendigar”, então, simboliza estar necessitado de algo, o ansiar e pedir humildemente por esse algo; representa a consciência de qual é a nossa verdadeira e primeira necessidade. - Nossa única necessidade real. - Daí que o aceitar e se entregar completamente à satisfação dessa necessidade, segundo Jesus, constitui o "Odos", isto é, o Caminho da Libertação. O Divino desce à necessidade humana, ele próprio mostra a trilha, a jornada da Liberdade através do reconhecimento de nossa incompletitude e de nossa ancestral necessidade. - É na humildade do reconhecimento dessa necessidade que o homem se encontra, e não fugindo dela. E, na medida em que se encontra, encontra Deus. Jesus mostra o Caminho, reabre a via; ele foi mal traduzido, mas permaneceu sempre bem compreendido por todo aquele que o busca não somente na dureza da letra, mas dentro do seu próprio coração, usando de sinceridade e total transparência de alma.


A tradução que traz “humildes de espírito”, embora não literal, é das mais precisas. - O adjetivo "humilde", se usado isoladamente, poderia levar à idéia de algúem acanhado e tímido, uma pessoa que não ousa levar as suas idéias e convicções à luz da discussão e nem fazer refletir os seus princípios nas suas atitudes e na sua postura perante a sociedade. Por outro lado, quando ouvimos falar em “humilde de espírito”, fica claro que se está referindo a uma qualidade moral, e não de comportamento social, embora uma coisa transpareça na outra. Os que têm um "espírito de pobre" certamente são humildes, se reconhecem necessitados de ajuda para crescer. Mais que isso, eles sabem que a ajuda de que necessitam é espiritual, pois é nesse aspecto que está a sua pobreza. Pedem a Deus por tal ajuda, ao mesmo tempo em que se esforçam para enriquecer seus espíritos com as virtudes das quais se vêem carentes.

Quem tem um verdadeiro “espírito de pobre” é o humilde em espírito. Um pobre pode aparentar humildade no seu comportamento social, mas internamente ser um revoltado contra a sua condição e contra o seu próximo e, desse modo, não possuir humildade moral. Já os pobres em espírito são os que têm e cultivam um coração humilde. E, quando entendemos que humildade é a palavra chave para entender a primeira das bem-aventuranças, chega o momento de nos fazermos uma outra pergunta, a mais importante:

Que demonstração de humildade poderia ser maior do que colocar uma outra Vontade antes da nossa própria vontade? - Algo que o próprio Cristo demonstraria à perfeição através dos seus atos, muito mais do que com palavras; andando com "pecadores", lavando os pés dos discípulos e chegando ao ponto máximo de entregar a sua vida, numa morte horrível, depois de proferir as palavras: "Pai, se possível, afasta de mim este cálice; não seja feita, porém, a minha vontade, mas sim a Tua."... - Uma excelente proposta para meditação: Pode haver humildade maior do que esta, a de abrir mão da nossa própria vontade?

Se desfazer das nossas vontades e desejos, abrir mão completamente de nossas intenções, nossos sonhos, nossos projetos... em busca da Vontade de Deus. Aí está uma coisa sobre a qual é bem mais fácil falar do que fazer. Todos os "religiosos" que eu conheço, não importando a religião, afirmam com a maior tranquilidade que o mais importante é buscar a Vontade de Deus para as nossas vidas, porque nós mesmos não temos sabedoria para discernir o que é melhor para nós. Mas na vida real, no dia-a-dia, tudo é muito mais complicado. Abrir mão da nossa vontade ou dos nossos desejos é abrir mão de nós mesmos. E aí está a maior e mais perfeita manifestação de humildade que pode haver. - Porque já não somos nós mesmos sem os nossos desejos. Como diz a sabedoria da Cabala: "Nós somos os nossos desejos". Sem eles, não existimos! Então, qual a solução?

A solução e a resposta para esse enigma é também o propósito final de toda a existência humana na Terra: alinhar os nossos desejos e vontades com a Vontade. Esta é a busca. Este é o fim e este é o desafio dos buscadores, desde o princípio. E esta é a consumação e a razão de ser da verdadeira humildade. E também é exatamente aí que "quem cuida guardar a sua vida, a perde; e quem abre mão da sua própria vida, por Amor, a ganha". Assim é a Sabedoria. Assim é o Caminho da Verdade. Bem vindo à verdadeira via proposta por esse tão falado Jesus, chamado o Cristo.


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* Muitos adeptos do nome Yehochua acreditam que Matheus foi escrito em hebraico. Todavia existem certas marcas em Matheus que o caracterizam como um original grego e não hebraico ou aramaico. Por exemplo, Matheus faz uma citação profética de Isaías sobre a Virgem e aplica-a em Jesus: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." (Matheus 1:23) . Isto é o que Isaías havia dito centenas de anos antes de Cristo nascer. Matheus, ao aplicar esta profecia a Cristo, traduz a palavra hebraica "Emanuel". Se Matheus estivesse escrevendo em hebraico para pessoas que compreendiam o hebraico, ele não precisaria traduzir uma palavra de sua própria língua para pessoas familiarizadas com ela. Isso fica mais evidente quando sabemos que Isaías, ao escrever essa profecia em seu livro, a escreveu para leitores de fala hebraica (Isaías 7:14). Ele não dá nenhuma tradução para o nome Emanuel, pois seus leitores judeus sabiam o que significava tal palavra em sua língua natal. Desnecessário seria fazer qualquer explicação. Porque Matheus precisou traduzir essa palavra? Porque quase com certeza seus leitores não eram judeus e nem ele escreveu em hebraico, mas em grego. - Fonte: Ministério CACP.Org.


Tradução "Almeida Revisada Imprensa Bíblica"


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18 comentários:

Mizi disse...

Ahhh, Merton... eu não tinha sacado que você ia fazer um post para cada... hehui.. Foi mal, desculpa mesmo... Eu pensei que o próximo post seria a continuação do sermão da montanha, da mesma forma como no original. Aí eu comecei a comentar um por um, antes que o post mudasse... Desculpa, se eu soubesse, teria esperado. Vou esperar você publicar seus posts para comentar só depois, ok?! Abraços!

Cris disse...

Mizi, quando eu falei de mansos tbém me referi a isso que vc fala, sobre ser contrário à guerra, sobre ser pacifista. na verdade eu me referi mais a isso do que a receptividade. Como vê, estou muito ruim pra me expressar esses dias, ahaha, mas vamos tentaando. bjos

Merton, que show esse post, hein? Quando vc fala : " Não poderíamos esperar menos do que isso do Arte das artes ou de qualquer publicação que leve o estudo a sério, certo?" Vc está super certo, eu sempre espero o melhor. Vc devia publicar um livro sobre seus estudos, mesmo.

Nunca li, em lugar nehum uma expliocação tão boa sobre essa frase dos pobres de espírito. Acho que essa é uma das frases mais mal-interpretadas da Bíblia, quase todo mundo usa essa expressão como sinal de fraqueza, como vc diz. E, dada a importância dessa frase, é muito ruim que ela seja usada assim, mesmo fora do aspecto religioso. Ficou muito boa a explicação, a tradução,muito mesmo.

beijos

H K Merton disse...

Obrigado, Cris. Elogio de amiga não vale... Hshshs!..

Fábio Kuryluk disse...

Mendigo do espírito. Muito profundo como tudo que Jesus fala, essa parte ., nao é pra todo mundo entender de primeira. Depois que vc fez a explicaçao, achei parecido com o evangelho de Tome, que é mais místico, profundo. Vc conhece o ev. de Tomé?tambm, dá muito que pensar, seria bom postar aqui.

Daniel Borges disse...

Faço minhas as palavras de Cris, também nunca havia visto uma explicação tão clara sobre essa passagem da bíblia. Obrigado por nos iluminar com seu conhecimento meu amigo Merton.

Dá gosto de ver esse livro de visitas tão recheado de belos e sábios comentários, obrigado a todos e principalmente a Mizi por sua inspiração e generosidade.

Dentre os comentários o de Hana também me chamou especial atenção: “exemplo de humildade também é falar com uma pessoa extremamente simples como um igual, seja uma faxineira, um mendigo, um menino de rua.”

A verdade é que não existe essa coisa de mendigos, artistas plásticos, professores, publicitários e advogados... a verdade é que somos todos filhos de Deus, ou não é?rsrsr

Permitam-me compartilhar duas experiências que vivi:

Um senhor, que aparentava uns 60 anos, mendigava no farol e me pediu moedas. Peguei algumas moedas que estavam espalhadas no chão do carro e as entreguei em suas mãos. Ao entregar as moedas, segurarei a mão suja e cheia de calos daquele senhor, olhei-o nos olhos e disse: ”Deus te abençoe meu irmão!”- disse isso com uma expressão amiga, fraternal. Ele reagiu com surpresa, mas em seguida abriu um sorriso, segurou o meu braço (o que me assustou) e me disse, com sotaque espanhol, algo mais ou menos assim: ”reconhecemos o valor das pessoas quando elas nos olham nos olhos, você não sabe quem eu sou e nem conhece minha história, mas me tratou com dignidade. Vá com Deus meu filho!

Essa foi a primeira história, a segunda foi assim:

Um catador de latas se aproximou de mim no ponto de ônibus e me mostrou um anel que havia encontrado. Ele me perguntou se aquele anel não teria algum valor e se eu não teria interesse de comprá-lo por dois vales-transporte. Era um anel dourado, sujo e desbotado, parecia bijuteria bem barata e já desgastada pelo tempo. Eu disse: ”Eu vou quere, não pelo valor do anel(sorri), mas porque o senhor é um trabalhador e eu gostaria de ajudá-lo.” Ele cheirava muito mal, mas mesmo assim me aproximei coloquei os vales em sua mão, olhei-o nos olhos e desejei que Deus o abençoasse. Ele então me entregou o anel e perguntou: “O Senhor é cristão, não é?” Eu respondi: “Não do tipo que freqüenta igrejas (sorri), mas tenho Jesus no meu coração.” Ele sorriu, agradeceu e foi embora.

O que essas histórias têm em comum? Acho que eles receberam mais do que estavam esperando. O Deus que há em mim reconheceu o Deus que havia naqueles homens e ao tratá-los com humanidade o Deus que há neles também reconheceu o Deus que há em mim.

Muitas pessoas vivem com seu Deus interior adormecido (as vezes escondido atrás de uma casca grossa e opaca),mas é papel de todo filho de Deus inspirar e acordar o Deus que habita em nossos irmãos.

Dizem que os olhos são a janela da alma e quando eu olho nos olhos das pessoas eu sempre sei que Deus está lá. Cruzar com esses mendigos me ensinou coisas que eu nunca vou esquecer e sou muito grato a Deus por tê-los colado em meu caminho para que eu pudesse aprender com eles.

Obrigado e Obrigado!

H K Merton disse...

Puxa vida, Daniel!

É uma sensação maravilhosa, essa, não é? Uma sensação que eu descobri quando conheci a Toca de Assis. De lá pra cá, percebi o que Jesus disse: "Estou nestes pequeninos. Toda vez que fizeres o bem a um destes, a mim o fazes. Porque estava com fome e me destes de comer, estava nú e me vestistes..."

Foi a partir daí que eu parei de pensar sé em mim e ficar meditando e estudando o dia inteiro, e descobri Deus no meu próximo. Por isso é que todo verdadeiro cristão sempre diz que Jesus é diferente...

Cris,

Desculpe a demora... Não é de propósito.

Paola Lima disse...

""A morte é a passagem do haver ao ser, ou do egoísmo ao amor. Aqui, os termos são permutáveis entre si: o haver, é o egoísmo; o ser, o amor.

'Bem-aventurados os pobres' quer dizer: bem-aventurados aqueles que são e que amam. Tal como Deus. Para ser verdadeiramente, tenho de estar despojado do meu haver. Este despojamento é o sofrimento. E a morte final não é mais do que o fim deste movimento de expropriação que me lança fora de mim para que, não tendo já nada meu, eu seja todo de Deus e de Cristo, pura relação com o Outro e com os outros, o que vem a ser a definição mesma do amor. Mediante o qual eu poderei finalmente entrar no amor."" - (François Varillon, "Alegria de Crer e Viver")

O mesmo da frase da semana.

Paulo Costa disse...

Parabéns Merton pela explicação que partilhou connosco!
Ela reflexo do seu estudo sério, profundo e rigoroso.
Gostei imenso de saber que o Pe. François Varillon anda a ser citado por aqui. O texto citado pela Paola exprime bem o espírito dessa primeira Bem-Aventurança.
Também vem a propósito o texto que publiquei hoje: http://seguirjesus.blogspot.com/2008/09/despojar-se.html

Abraço fraterno!

H K Merton disse...

Opa! Paola, ando meio desligado, ultimamente: não respondi ao seu comentário...

Seja muito bem vinda, e saiba que foi uma grande entrada, a sua, com essa linda citação do grande François Varillon!

H K Merton disse...

Paulo Costa,

Para mim é uma honra tê-lo participando deste blog, e saiba que eu tomei conhecimento deste verdadeiro desbravador do espírito que é François Varillon, num dos teus (belíssimos) blogues!

Outro abraço fraterno de volta.

Carlos Xavier disse...

Verdadeiramente o Espirito de Deus revelou o que precisava saber, agora estou apto a ensinar mais profundamente sobre este assunto tão importante para as ovelhas de Jesus.

Um abraço amigo.

Pr Carlos Xavier

H K Merton disse...

Fico muito feliz e dou graças ao nosso Deus por isso, pastor Carlos! A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo seja conosco.

Mario Cesar disse...

Caríssimo,
Muito boa a qualidade dos textos. Esclarecedores, bem estudados.
Parabéns.

Ass.: Mario Newman

H K Merton disse...

Agradeço a gentileza, MARIO CESAR.

Seja bem vinto a este humilde espaço de estudo e meditação.

Joilma (joilmavip@hotmail.com) disse...

Merton,olá.

Eu sou necessitada de Deus, sou mendicante, me sinto necessitada,tenho fome, tenho sede mas ainda não consegui me acertar com Deus, seu texto me tocou tanto, porque eu quero encontrar Deus, mas tenho preconceitos com igrejas e religiões por causa dos erros dos homens que ali estão...me ajude, me dê alguma palavra, suas palavras parecem saciar minha fome. Obrigada, Joilma

H K Merton disse...

Você quer uma palavra, JOILMA?

Palavras não serão capazes de lhe dar o que você quer, porque as palavras são apenas signos, isto é, símbolos, meios totalmente imperfeitos para expressar ideias e conceitos, que só farão sentido para você se a referência desses signos já estiver presente dentro de você.

Um dos maiores erros do buscador inexperiente é falar demais a Deus, e esperar demais das palavras. Queremos falar e ouvir muito, mas Deus se manifesta no silêncio, no seu interior...

Santo Agostinho percebeu que ninguém aprende unicamente pelos signos ou palavras. A Verdade não está na linguagem: ela é um meio. Palavras não mostram as coisas, nem as revelam; apenas as indicam.

Se eu creio que Deus é a Verdade, preciso crer também que Deus, enquanto Verdade, habita o interior de todos os homens/mulheres. Os exemplos mais simples para compreender essa realidade são também os mais claros: até um ateu reconhece que 2+2=4. Essa capacidade inata (inatismo) do ser humano para reconhecer o que é a verdade é demonstra que Deus, - num sentido muito misterioso, - habita o nosso interior. Em outras palavras, a Verdade não está no que o professor fala, e sim no que o aluno entende.

A Verdade, está na alma, porém, não lhe pertence, não é gerada nem limitada por ela. Ao contrário, a Verdade (DEUS) é o Fundamento da alma, pois a transcende.

Isso porque não é o físico que fundamenta DEUS, mas é DEUS que fundamenta o físico.

Resumo: segundo Agostinho (e pode acreditar, vale a pena conhecer a fundo o que esse cara descobriu em sua busca), para encontrar DEUS, é preciso primeiro invocá-Lo. E para saber invocar DEUS é necessário entender, antes de mais, o que é invocar. Invocar vem do latim invocare, e quer significa, textualmente, in = dentro, interno / vocare = falar, chamar. Invocar tem o sentido original de "chamar dentro" ou "chamar para dentro".

A seguir, é contemplar DEUS, falar a DEUS, saciar-se de DEUS, ser Um com DEUS...

Acabei de revelar um grande segredo para você, JOILMA. Se você tem fome e sede de DEUS, antes de mais chame por Ele, faça silêncio, olhe para dentro de si mesma e preste atenção.

Antes de encerrar, sobre a questão das "igrejas" e dos erros dos homens, preciso, por exigência da minha consciência de DEUS, dizer o seguinte: não existem muitas "igrejas" por aí. Existe uma Igreja fundada por Cristo neste mundo. E existem comunidades que se propõem a redescobrir este mesmo Cristo, pelo fato de a Igreja primeira e Una encontrar-se (muito) mal e porcamente administrada pelos homens aos quais ela foi confiada. - E existem também, abundantemente, os desonestos, os exploradores da fé e os falsos profetas.

Sobre isso, gostaria de lhe contar uma história que ouvi de um grande filósofo brasileiro: um católico praticante e muito piedoso tentou converter, por anos a fio, um grande amigo seu que era judeu. Nunca teve sucesso. Um dia, esse amigo judeu, por força do trabalho, teve a oportunidade de viajar a Roma e conhecer o Vaticano.

O católico sentiu-se desanimado. Pensou: "agora que ele vai conhecer o Vaticano, ver de perto a arrogância, os desmandos de tantos bispos, a falta de fé daquelas pessoas que representam a Igreja... Ele nunca vai se tornar católico. Nunca vai entender a diferença entre a Igreja que é o Corpo Místico de Cristo na Terra e a Igreja instituição humana, gerida por clérigos falhos e imperfeitos"...

Após alguns meses, o amigo judeu voltou de Roma e declarou, feliz da vida: "Meu amigo, você vai gostar de saber: agora eu sou um católico apostólico romano! Me converti!"

E o católico perguntou: "Como? O que houve por lá?" - O ex-judeu respondeu: "Olha, meu amigo, se mesmo com toda a patifaria dos clérigos que comandam a Igreja, ainda assim ela subsiste há dois mil anos, a única coisa que pode explicar isso é que ela seja mesmo assistida e sustentada por Deus!"...

Vivemos tempos em que os católicos são católicos por amor à Igreja, apesar da Igreja.

Joilma disse...

Merton, Estou em busca...na prática, me sinto perdida, mas sinto dentro de mim um incômodo que eu não sentia antes, estou em busca.
obrigada por sua resposta.

Alex Dantas disse...

Merton, realmente esta é uma das explicações mais esclarecedoras que já vi, de tão completa e detalhada. Deu-me até vontade de estudar grego e hebraico rsrs. Parabéns. Aproveitando o gancho e, talvez até abusando de sua bondade, estou com uma questão que não me sai da cabeça. Embora eu não siga nenhuma religião, mesmo acreditando fortemente em Deus, resolvi ler toda a Bíblia. Passei por Juízes 14:5-9 e, por Deus, o que o leão tem a ver com o casamento de Sansão? Este fato, ao meu ver, está tão fora de contexto que só pode ser um enigma, mas o que isso quer dizer? Sansão deu a comer do corpo do leão a seus pais como se fosse mel. Por que?

Desde já, agradeço por todos os textos que já li neste blog e pela possibilidade de uma resposta. Abraço. Alex Supertramp.