Oração Centrante - Meditação Cristã

A Física já provou e demonstrou, incontestavelmente, que essa coisa a que chamamos "tempo", na realidade absoluta não existe. É apenas uma ilusão, uma percepção que nos chega distorcida pelos nossos sentidos humanos limitados. - É sob o prisma desses sentidos que interpretamos a realidade em termos de tempo.

Desde que me declarei como um praticante da Meditação Cristã, muitas vezes me perguntaram se existem diferenças entre os diversos tipos de meditação, e que diferenças seriam essas. Bem, nesta nossa realidade, o tempo para a resposta a essas questões chegou...

"Meditação" é um termo controverso. Os dicionários trazem as seguintes definições para a palavra: "Contemplação; oração mental; ato de pensar ou refletir profundamente sobre; ponderação. Meditar: absorver-se; concentrar-se; analisar; ponderar."

Eu já falei sobre Meditação Transcendental (origem hinduísta) e meditação zen-budista neste blog. - Para ler, clique aqui. - Aos poucos, estou abordando as principais linhas de meditação que existem, e possivelmente um dia eu venha a reuni-las numa única postagem. Não vou falar sobre as definições das diferentes escolas neste post, porque este não é sobre a meditação em si (genericamente falando), mas sobre o tipo de meditação que eu pratico. Antes de entrar no assunto, porém, precisamos entender o que significa o termo "meditação".

O que se entende por meditação? Bem, antes de qualquer coisa, é preciso definir que meditar como sinônimo de pensar, ponderar ou refletir (uma das possíveis interpretações literais do vocábulo), não interessa para o nosso intuito, aqui. Estamos em busca de entender o sentido da meditação enquanto prática mental/espiritual. - Sendo que "prática", aí, é apenas uma maneira de se falar, já que a meditação poderia ser (bem) definida como "não-prática". - Isto é, meditar não é fazer alguma coisa, ao contrário: é o não-fazer absoluto: não fazer, não pensar, não esperar, não querer... a perfeita libertação do ego.


Desde as suas origens, o ser humano tem buscado a diluição do ego, - isto é, transcender ou ir além de tudo aquilo que representa o seu "eu" limitado, na ânsia de alcançar a Realidade Divina. Não só os antigos rishis da região do Vale do Indo, como também os antigos mestres hebreus e os ancestrais dos ameríndios e dos povos orientais perseguiram essa habilidade. Este é um assunto muito complexo, para um aprofundamento posterior. De momento, o importa saber que a meditação não é uma invenção ou uma exclusividade dos povos do extremo oriente, mas existiu desde sempre, inerente à própria humanidade. Ocorre, porém, que a sua prática foi mais desenvolvida e valorizada em certas tradições do que em outras.

Serpente que morde a própria cauda: É muito comum os iniciantes perguntarem qual o objetivo da meditação. >>> Na verdade, a meditação só acontece quando nos libertamos de todos os nossos objetivos, das nossas intenções, desejos, anseios, metas... >>> Embora antes de tudo tenhamos procurado a meditação com um objetivo, como sempre ocorre em tudo que fazemos nesta vida, quando chegamos diante dela, esse objetivo precisa desaparecer. >>> Paradoxalmente, esse objetivo ou meta maior, que primeiro nos moveu, continua presente, embora imperceptível, durante toda a meditação: essa meta maior e transcendente é "ser um com o Todo". >>> Ocorre que, justamente para isso acontecer, precisamos abandonar nossos objetivos e metas. >>> Círculo sem fim, serpente que morde a própria cauda... Deu pra entender? Não? Normal... Falar racionalmente sobre meditação é assim, simplesmente impossível. Mas entender, em nível bem íntimo, é possível, com alguma boa vontade.

Como já visto, na tradição hindu-yogue, para se alcançar a meditação é preciso observar alguns pontos essenciais: na vida cotidiana, a restrição dos hábitos perniciosos (yama) e a observância das virtudes (niyama). No momento da prática, a correta postura (ásana), a regulação da respiração (pranayama), a restrição dos sentidos (pratiahara) e a fixação em um objeto (dharana). - Esta é a base essencial (derivada dos Yoga Sutras) daquilo que todas as escolas de tradição oriental ensinam como meditação.

A partir dessa base, alguns mestres posteriores, de diversas origens, resumiram "meditação" a esvaziar a mente e cessar as agitações dos pensamentos, simplesmente, colocando-se quieto e em silêncio, no momento presente (Agora). Esta é a base da Meditação Transcendental, por exemplo, e de tudo que comumente entendemos por meditação nos nossos dias.

De maneira resumida, podemos concluir que meditar é "ir embora do mundo", é esvaziar-se completamente. Como disse Osho, "a meditação acontece quando o meditador (ego) não está". Como disse Patânjali, é "restringir as modificações da mente; é quando o observador permanece apenas nele mesmo".

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Meditação Cristã e Oração Centrante - retorne ao seu centro, onde Deus espera por você....

Menos populares do que as práticas meditativas orientais, hinduístas, yogues e budistas, são as práticas contemplativas cristãs. Ao contrário do que alguns imaginam, estas são tão antigas quanto suas "irmãs" do extremo oriente, e remontam às origens do cristianismo. Ocorre que, por não serem tão facilmente apreendidas pelo grande público, foram ficando meio que esquecidas com o passar da história da Igreja. Retornam agora, com novo fôlego, nestes tempos em que se busca uma espiritualidade mais pessoal e relacional do que propriamente religiosa.

As conclusões a que chegaram os mestres orientais, yogues, hindus e budistas, são muito parecidas às que chegaram também os monges cristãos dos primeiros séculos, conhecidos como "Padres do Deserto", - anacoretas e cenobitas que viveram em completo ascetismo no deserto do Egito e também na Síria, Ásia Menor e Gaza, na Palestina, a partir do século III. - Vivenciando uma espiritualidade muito simples e profunda, Os Padres do deserto foram, antes de tudo, cristãos verdadeiramente adeptos da Mensagem essencial do Cristo, tentando viver o mais fielmente possível as lições do Evangelho.

Os Padres do Deserto foram pioneiros do Cristianismo, e não tinham nada a dar seguimento (não existia então nenhuma tradição eclesial a ser observada) a não ser o exemplo dos grandes profetas, como Elias e João Batista, além do próprio Cristo. Foram estes pioneiros que nos legaram a chamada "Oração Contemplativa", na forma da "Meditação Cristã" e da "Oração Centrante", além da prática da "Lectio Divina".

* Aquela que se convencionou chamar simplesmente "Meditação Cristã", assim como a "Oração Centrante", são igualmente formas cristãs de se meditar; isto é, duas formas da meditação cristã propriamente dita, que pertencem a uma mesma tradição e que têm a mesma finalidade. Ambas são também chamadas de "Oração Contemplativa" e estimulam a quietude do corpo e da mente e podem ser praticadas em grupo. - Ambas podem ser corretamente chamadas de "Meditação Cristã", pois é o que são: práticas cristãs de meditação. - As diferenças são sutis e estão apenas em suas metodologias: basicamente, na Oração Centrante o "mantra" chama-se "Palavra Sagrada" (como veremos a seguir) e não é repetido incessantemente até se entrar no estado meditativo, como na Meditação Cristã... Cada personalidade se sente naturalmente atraída por uma ou outra forma. Após conhecê-las, os meditantes acreditam que o Espírito Santo dirige cada um para esta ou aquela, como resultado de nossas individualidades humanas. Como diz Dom Laurence Freeman, "uns procuram a linha Inaciana, outros a Oração Centrante, uns a Meditação Cristã, outros o terço ou rosário. Sim, pois pode-se chegar à Contemplação simplesmente rezando-se o rosário, as várias modalidades ensinadas por Frei Ignacio Larranãga em suas 'Oficinas de Oração' e outras. O importante é que nunca deixemos de buscar a Deus."

Como os leitores mais antigos já sabem, eu iniciei a minha experiência pela Meditação Cristã, o que me proporcionou descobertas maravilhosas. Recentemente descobri a Oração Centrante e a tenho praticado. Não existe diferença substancial entre as duas, mas com o método da Oração Centrante tenho me identificado mais e entrado em quietude com maior facilidade. Segue um resumo sobre esta forma de meditar, que eu recomendo fortemente...

Na próxima postagem, você conhecerá a Oração Centrante em 3 passos bem explicados...



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