Mistérios da Epopéia de Gilgamesh

Detalhe de representação de Gilgamesh, o "Rei Herói"

Em fins do século dezenove foram descobertas, na colina de Kuyundjik, Kazaquistão, doze placas de argila escritas em sumério acádico, descrevendo uma grande epopéia heróica: trata-se da primeira narrativa registrada em forma escrita da História: A Epopéia de Gilgamesh.

Segundo arqueólogos, a epopéia de Gilgamesh é a obra mais antiga de todo o planeta (anterior à 'A odisséia' de Homero), escrita, aproximadamente, em 2.600 aC.

Os sumérios foram os mais antigos habitantes da Mesopotâmia e inventaram a escrita cuneiforme (em forma de cunha). - Em sua versão Assíria, o texto foi encontrado entre 669-626 dC., na biblioteca de Assurbanipal. - Consta de 12 tábuas, sendo que a última foi retirada de várias traduções, por razões lingüísticas e arqueológicas.

O texto conta aventuras vividas por Gilgamesh, um rei de Uruk na Babilônia, hoje Iraque: Gilgamesh é "Sha nagb imuru" ou "aquele que tudo viu", assim descrito:

"Dois terços dele são deus, um terço dele é humano. Seu corpo é perfeito, os deuses o completaram. E sua mãe, Ninsun, ainda o dotou de beleza. (...) No recinto de Uruk ele vivia (...) com força tão grande quanto a de um boi selvagem" - Primeira Tábua (Os parênteses com reticências são trechos em que as tabuletas não puderam ser traduzidas).

Estudos mostram que a história descrita na obra provavelmente era conhecida desde o sul da Babilônia até a Ásia menor. - A Epopéia de Gilgamesh descreve episódios tão extraordinários que dificilmente poderiam ter sido simplesmente inventados por algum escritor da época. - Um aspecto seu que chama muito a atenção é o fato de conter um relato extremamente semelhante ao do Dilúvio descrito no Antigo Testamento da Bíblia.

Conta Utnapishtim que os deuses o advertiram da grande maré vindoura e lhe deram ordem para construir um barco onde deveria recolher mulheres e crianças, seus parentes e artesãos de qualquer ramo de arte. A descrição da tempestade, das trevas, das águas subindo e do desespero dos homens que ele não podia levar, é de uma força narrativa ainda hoje cativante.

O texto contém também o relato de uma viagem cósmica, comunicado por Enkidu, uma espécie de humanóide gigante e melhor amigo de Gilgamesh, que teria voado por quatro horas nas "garras de bronze de uma águia"... O relato textual diz:

"Ela me falou: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha para o mar! Como te parece?

E a Terra era como uma montanha, e o mar como uma poça d'água.

E novamente voou ela mais alto e me falou: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha sobre o mar! Como te parece?

E a Terra era como um jardim, e o mar como um córrego.

E voou além: - Olha para baixo sobre a Terra! Que aspecto tem? Olha sobre o mar! Como te parece?

E a Terra parecia um mingau de farinha, e o mar era como uma barrica d'água"


- Sétima tábua


Muito interessante observar que esta mesma descrição foi dada pelos astronautas da Apollo 11, a primeira missão tripulada a pousar na Lua. - Um relato correto demais, feito numa época em que, teoricamente, ninguém poderia descrever a visão do nosso planeta visto de cima...


Fragmentos de um das tábuas que contém a grande epopéia


A Epopéia de Gilgamesh pode ser lida, aqui no Brasil, pela versão da Editora Martins Fontes. Vale a pena, pela aventura e pela fascinante viagem ao modo de pensar do mundo antigo.

Aqui você pode ler o texto completo da Epopéia de Gilgamesh (em inglês).

Para conhecer mais sobre a obra clique aqui e aqui.



Fontes:
Site "Fenômeno Matrix";
"Site de Literatura".
Profª Valéria de Oliveira