Medicina Ayurvédica - saúde perfeita

Parte 2: "O Corpo é um Rio" - por Dr. Deepak Chopra


Nós todos temos a tendência de encarar nossos corpos como se fossem "esculturas congeladas", objetos materiais fixos e sólidos. Mas nós somos, na verdade, como rios em constante mudança. Heráclito, o filósofo grego, declarou:

“Não podemos entrar num mesmo rio duas vezes, porque novas águas estão sempre fluindo.”

Isso também é verdadeiro para nossos corpos. Se você beliscar a cintura, vai perceber que o acúmulo de gordura de hoje não é o mesmo de anos passados. - Não quer dizer que necessariamente tenha que estar maior, mas sim que diversos fatores fazem seu corpo mudar, constantemente. - Seus tecidos adiposos (células de gordura) enchem e esvaziam constantemente, sendo inteiramente trocados a cada três semanas(!).

Você adquire uma nova parede estomacal a cada cinco dias, e a camada mais interna das células do estômago é trocada em minutos, durante a digestão dos alimentos. Sua pele é renovada a cada cinco semanas. Seu esqueleto, aparentemente tão sólido e rígido, é inteiramente renovado em três meses!..

Todo o fluxo de oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio é tão rápido que você poderia ser renovado em poucas semanas; são apenas os átomos de ferro, magnésio, cobre e outros que retardam esse processo. Sua aparência é a mesma, mas você é como um edifício cujos tijolos são trocados constantemente por outros, novos. Em um ano são trocados 98 por cento dos átomos do seu corpo, como confirmam estudos de radioisótopos dos laboratórios de Oak Ridge, na Califórnia.

Esse fluxo constante de mudanças é controlado no nível quântico do sistema mente-corpo, mas a medicina ainda não aproveitou esse fato, ainda aguarda o "salto quântico".

Para modificar o print-out do corpo, isto é, sua "saída impressa", você precisa aprender a reescrever o software da mente. O Ayurveda se propõe a oferecer um controle da saúde nesse nível quântico, que seria a próxima fronteira da medicina.

Podemos apenas conjecturar sobre aonde a evolução nos levará, mas existem exemplos dramáticos em que a mente se recusou a acreditar em uma enfermidade e o corpo obedeceu, curando-se subitamente.

No ano passado, examinei um paciente suíço, chamado Andreas Schmidt, que tinha um diagnóstico de câncer fatal. Um ano e meio antes ele notara um ponto dolorido nas costas quando encostava na cadeira. Tateando o local, percebeu que havia um ponto inchado do tamanho de uma moeda. A esposa disse que parecia uma grande verruga escura e segurou o espelho de mão, mostrando-lhe a mancha marrom-avermelhada localizada entre as espátulas.

Depois disso, os acontecimentos se precipitaram. Um oncologista de Genebra fez uma biópsia que revelou a presença de melanoma, o tipo de câncer de pele mais virulento e de desenvolvimento mais rápido. Andreas foi operado no dia seguinte. O cirurgião removeu a mancha e examinou os nódulos linfáticos da axila direita. Quatorze nódulos suspeitos foram removidos e quatro continham células de melanoma. Após a retirada do melanoma, o passo seguinte seria proceder o tratamento com radiação nas costas e no ombro, para destruir qualquer célula cancerosa que restasse. - Mas Andreas, um homem fino de pouco mais de 50 anos, recusou-se a receber a radiação.

- Achei, logicamente, que devia esperar e ver o que aconteceria – ele me disse depois. – Tinham retirado o tumor e eu acabara de sofrer um grande trauma com a cirurgia. No íntimo, não estava tão certo se devia me submeter a mais tratamentos. Não seria melhor eu me recuperar em casa e reconquistar a confiança?

Sua decisão contrariou o oncologista. Ele declarou que, se Andreas interrompesse o tratamento, era quase certa a volta do melanoma num período não superior a 6 meses.

- E não voltará com a radiação? – perguntou Andreas.
- As chances são muito menores – disse o médico.
- E quanto tempo de vida eu posso esperar depois disso?

O médico viu-se forçado a fazer uma estimativa desagradável. Sem tratamento, os pacientes com metástase de melanoma vivem poucos meses; submetendo-se ao máximo de tratamento, prolonga-se a expectativa de vida, chegando às vezes a alguns anos. Cinco anos depois, a média de sobreviventes é de dez por cento... Em dez anos não existe, virtualmente, nenhum vivo.

- Se eu não vou viver muito tempo, mesmo – Andreas concluiu – por que vou me submeter à agonia do tratamento? Só para agradar um médico?

Nos seis meses seguintes, ele continuou vivendo normalmente, até que apareceu um nódulo linfático intumescido na axila esquerda. Os exames revelaram que era a volta da melanoma, conforme previsto. Nesse estágio já não existia nenhuma esperança médica realista. Quando Andreas chegou aos Estados Unidos procurando ajuda, expliquei-lhe primeiramente o conceito do corpo mecânico e corpo mecânico quântico.

O câncer precisa ser desencadeado a nível mais profundo para depois existir, fisicamente. Em vez de se referir à falha do mecanicismo de auto-regeneração do DNA ou da ação dos carcirógenos, o Ayurveda declara que a doença resulta de distorções dos padrões de vibrações quânticas que mantém o corpo sadio. Expliquei a Andreas que deveria aprender a dirigir sua percepção ao nível sutil interior. De fato, os pensamentos e emoções são apenas designações para essas situações quânticas. A percepção tem a capacidade de curar e parece ser o instrumento causador de uma recuperação súbita nos casos mais avançados de moléstias incuráveis.

Existem exemplos de curas inexplicáveis de tais casos. Uma das peculiaridades do melanoma é sua maior predisposição para uma auto-recuperação do que outras formas menos mortais de câncer. Essas remissões espontâneas são comparativamente raras, acontecendo em menos de um por cento dos casos. - Mas resultam, aparentemente, em recuperações completas e duradouras. - Se uma pessoa curou a si mesma de melanoma, sabemos que esse feito é possível. Então, porque não nos empenhamos mais em tentar descobrir o que desencadeia a cura? - "São novas descobertas que você precisa fazer em seu íntimo" – salientei ao Sr. Andreas. Naquele momento, suas chances de fazer essas descobertas eram iguais às de qualquer outra pessoa.

Apesar de sua situação desvantajosa, Andreas levou o conselho a sério: aprendeu as técnicas mentais específicas do Ayurveda e submeteu-se a tratamentos de purificação do organismo. Ele voltou à Suíça e quatro meses depois informou, muito feliz, que o nódulo linfático tinha desaparecido. Os exames radiográficos e de sangue não revelaram nenhum traço de melanoma no seu organismo. Apesar de os oncologistas suíços terem previsto que ele viveria apenas cerca de três meses após a volta do câncer, Andreas vem levando uma vida normal e estava em perfeitas condições até o meu último contato com ele, dois anos após os episódios relatados acima.

O aspecto mais espantoso desse caso é que a mente induziu o corpo a aceitar uma nova realidade, ignorando o que era considerado “impossível”. Como podemos explicar eventos tão extraordinários? Um estudo de 400 casos de remissão espontânea de câncer revelaram que essas curas têm pouco em comum. Algumas pessoas tomaram suco de uvas ou grandes doses de vitamina C. Outras meditaram, outras tomaram chás de ervas medicinais ou simplesmente se animaram e adquiriram coragem.

No entanto, casos tão diversos têm uma coisa em comum: em determinado ponto da doença, os pacientes tiveram a certeza absoluta e repentina de que melhorariam, como se a moléstia não passasse de uma miragem. E cada um deles subitamente ultrapassou-a, foi além, penetrando um espaço vazio onde o medo, o desespero e todos os males não existiam.

Eles encontraram o lugar chamado Saúde Perfeita.


Fonte: Chopra, Deepak - "Saúde Perfeita" - Editora Best Seller – 1990 - Sessão "O Corpo é um Rio".