Princípio essencial da Kabbalah #12

Os princípios essenciais da Cabala são, no total, em número de 14. - O décimo segundo princípio trata de uma questão que este blog não está abalizado para analisar a fundo. - Ele retrata a face mais mística do judaísmo rabínico que afirma que:


"A mudança interna verdadeira é criada através do poder (de 'DNA') das letras hebraicas."


As palavras do alfabeto hebraico são lidas da direita para a esquerda, e as letras também são números. Assim, "Alef", a primeira letra, corresponde também ao número 1. Isso implica numa linguagem universal de significado matemático. Os cabalistas da Idade Média e do começo da Renascença acreditavam na energia das letras, e que deveriam divulgá-las para toda a humanidade, pois não a entendiam como propriedade de um povo apenas.


Alfabeto hebreu primitivo com as 22 letras da Cabala


De fato, não devemos encarar essas letras como os outros alfabetos, pois existem diferenças enormes. Acreditam os cabalistas e também muitos rabinos que elas falam diretamente à nossa alma... As formas das letras evocam forças poderosas que existem no interior de todos nós. - O que os cabalistas modernos denominaram como o "DNA da Criação".

Os olhos são as janelas da alma... A ciência genética descobriu que, em cada ser humano, quatro letras comuns (A, C, G, T) representam as bases químicas que compõem nosso código genético e formam os “degraus” das moléculas espiraladas em forma de escada que conhecemos como DNA. As seqüências dessas letras combinam-se para criar o conjunto de instruções que constroem o ser humano em todos os seus aspectos.

A genética é uma ciência relativamente recente. Já os ensinamentos cabalísticos remontam há séculos, mas ensinam que cada uma das 22 letras hebraicas representa uma força de energia particular e que, assim como cada ser humano é constituído de um alfabeto genético de quatro letras encontrado em nosso DNA, o Universo também seria construído por um alfabeto de 22 letras, encontrados nas letras hebraicas. Não apenas os seres humanos, mas toda a matéria física seria formada por esse DNA espiritual. As letras do Alef-Beis (alfabeto hebraico) seriam como os tijolos e a argamassa do nosso Universo e dos indivíduos vivos, com todas as suas habilidades pessoais.

Da mesma forma que um prisma divide a luz solar em sete cores básicas, cada uma bem diferente da luz branca que a originou, e ao mesmo tempo fazendo parte dela, as letras aramaicas são como 22 cores diferentes, através das quais podemos perceber a Divindade em nosso mundo material. Formam os "tijolos" de construção da Criação, através dos quais tudo que conhecemos foi formado.

Assim, o Pentateuco (a Torá ou os 5 primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) escrito por Moisés não seria nem uma grande novela fictícia e nem um documento fiel da História humana, mas sim um projeto "genético" que esquematiza as forças espirituais da vida. - Usando a Cabala como uma espécie de chave, podemos penetrar no seu nível mais profundo.

Segundo a Cabala, as vinte e duas letras que compõem o alfabeto hebraico são forças espirituais essenciais sagradas, a matéria prima da Criação. Quando o Eterno as combinou em palavras, frases e ordens, elas produziram a Criação, traduzindo a Vontade do Criador em realidade objetiva. Cada rearranjo na ordem dessas letras resultaria numa mistura diferente das forças cósmicas espirituais representadas por elas, assim como cada rearranjo dos átomos conhecidos, tais como hidrogênio e oxigênio, pode produzir água potável ou água oxigenada, por exemplo. Existe um número infinito de combinações possíveis, tanto nos átomos quanto nas letras. A combinação das letras possibilitaria também elevar as forças espirituais.


72 Nomes do Eterno e Único Deus


Então, a idéia que a Cabala defende é a de “escanearmos” com nossas mentes/cérebros, de modo específico, as letras sagradas hebraicas. - Isto representa uma das suas ferramentas mais importantes. - A palavra escanear, aqui, é usada com seu significado habitual da informática: deixarmos que nossos olhos “varram” as letras, da direita para a esquerda, linha após linha, como faz um scanner ou um leitor óptico, desses usado em supermercados, faz. E assim como um scanner, não precisamos necessariamente entender o que lemos para obter os benefícios. Estamos falando de uma energia suprarracional.

Através de nossos olhos, a energia das letras passaria a um nível nosso mais interior, chegando por fim diretamente à nossa alma, sem que seja necessário o entendimento das palavras. A velocidade da "leitura" não importa, nesse caso: pode ser lenta ou bem rápida, com ou sem usar-se o dedo indicador para guiar a visão. Quando passamos os olhos pelo texto da Torá ou de alguma bênção em hebraico, ou principalmente pela grafia dos 72 Nomes Divinos, obtemos o efeito espiritual sem necessidade de raciocínio ou entendimento (não é necessário saber hebraico).

Segundo a Cabala, quando rezamos para Deus, devemos lembrar que Ele em algum nível e/ou de algum modo está no mesmo lugar que nós. Nós não "somos" Deus, mas nossas almas são parte de Deus. Temos uma centelha divina em cada um de nós.

A Cabala afirma que o quadro com os 72 nomes divinos de três letras foi usado para realizar milagres, superando as leis da natureza. Escaneando com a mente essas configurações de letras, (da direita para a esquerda e de cima para baixo), conquistamos o poder de superar as leis de nossa natureza reativa e nos transformarmos em pessoas cada vez mais proativas. Esse quadro está codificado em três frases do livro do Êxodo, (capítulos 14, versos 19,20 e 21) cada uma delas com 72 letras. Quando as frases são escritas uma sobre a outra e lidas na vertical, formam 72 nomes de três letras cada um, distribuídos num quadro de 8 x 9, conforme a representação acima.


Alfabeto Sagrado Hebraico

Como exposto, o hebraico se constitui de 22 letras, consideradas alfabeto sagrado. Como no hebraico as letras também são números, o estudo da Cabala também requer estudos de alta matemática.

No idioma hebraico há três letras-mães, que são Aleph, Mem e Schin. Há sete letras duplas, que são Beth, Ghimel, Daleth, Chaph, Phe, Resch e Thau. E há doze letras simples ou elementares , que são He, Vo, Zain, Cheath, Teth, Iod, Lamed, Nun, Samech, Ayin, Tsade e Cuph.

Ponto de partida de toda a Cabala, o alfabeto dos hebreus é composto de vinte e duas letras que não são colocadas ao acaso, uma após a outra. Cada uma delas corresponde a um número, de acordo com a sua classificação, a um hieróglifo segundo a sua forma, a um símbolo segundo a sua relação com as outras letras. Todas as letras derivam de uma delas, o Iod, da seguinte maneira:

Três letras mães:

A - (Aleph)

M - (Mem)

S - (Schin)

Sete letras duplas (duplas porque exprimem dois sons, um forte e positivo, e outro fraco e negativo) :

B - (Beth)

G - (Ghimel)

D - (Daleth)

Ch - (Chaph)

Ph - ( Phe)

R - ( Resch)

T - (Thau)

Doze letras simples, formadas pelas demais letras.

Cada letra hebraica representa três coisas: 1) Uma letra, isto é, um hieróglifo; 2) um número, o da ordenação da letra; 3) uma idéia. Combinar as letras hebraicas é combinar números e idéias.


Fontes:
Profº Luiz Martins
Rabino Yehuda Berg