Princípio essencial da Kabbalah #3

Aviso: este é um dos mais importantes posts (em duas partes) que eu já publiquei neste espaço. Vai aí um grande segredo da vida, um que traz em si a possibilidade de nos libertarmos dos sofrimentos inúteis. Muitíssimas pessoas buscaram por essa verdade suas vidas inteiras, sem conseguir encontrá-la, porque o fizeram da maneira errada. Um verdadeiro segredo será revelado, agora mesmo, para todos os que chegaram aqui e estiverem dispostos a aprender. Se você acha que tem “olhos para ver” e “ouvidos para ouvir”, este é o momento...




Não gosto de parecer místico, eu sempre procuro evitar ao máximo passar uma imagem errada sobre mim, pois sei que há muita gente sedenta de Deus neste mundo, pessoas que precisam desesperadamente de consolo, que procuram com muita angústia por respostas que as reconfortem. E infelizmente, essas pessoas são alvos extremamente fáceis para todo tipo de picaretagem. - São as primeiras vítimas das tantas e tantas seitas e líderes espiritualistas charlatões que existem, cumprindo um papel (nefasto) específico nesta nossa realidade. - Algumas dessas pessoas chegam até este espaço, e me mandam mensagens por email, me fazendo perguntas, como se eu fosse uma espécie de “mestre”. E eu não sou mestre. Sou tão mestre quanto qualquer um que tenha vindo “cair” aqui e que esteja lendo estas palavras agora. Estou dizendo essas coisas porque antes de entrar no estudo de hoje gostaria de compartilhar uma experiência arrebatadora que vivi na noite passada.

Na noite de ontem eu tive uma das mais belas experiências místicas de toda a minha vida. Entrei num estado de meditação profundíssima, e certas portas do invisível se descortinaram diante de mim. Ainda que eu não tenha “visto” nada, nem tenha conseguido alcançar a compreensão sobre detalhes das realidades sutis, eu pude sentir muito claramente. Senti e compreendi que a Luz e a Felicidade plenas estão de alguma forma muito próximas de nós, que são realidades que podemos atingir, estão sempre quase ao alcance de nossas mãos! Ontem à noite, quando tudo estava quieto e calmo, quando o silêncio e o escuro eram tudo que podia ser experimentado pelos meus cinco sentidos comuns, algo como uma “lufada” de bem-aventurança passou por mim, deixando minha alma impregnada da mais perfeita expressão de felicidade que eu jamais poderia conceber. Eu contei, aqui, aqui, aqui e aqui, que já passei por experiências como essa antes, vivências que podem transformar uma vida para sempre. Acho que seria interessante compartilhar com vocês também que, a cada vez que isso me acontece, eu percebo que saí com algumas “seqüelas” bem perceptíveis. A cada vez que me elevo dessa maneira, percebo, por exemplo, que o meu apetite diminuiu. E essa diminuição não é temporária, é perene! Sim, eu sei que parece estranho, mas ultimamente eu tenho me alimentado, em termos de quantidades, como uma criança de 5 anos... Como porções muito pequenas, todos se espantam. Quando vou jantar em casa de algum parente ou amigo, sempre me perguntam: “Você não gostou da comida? Não comeu quase nada...” Mas a verdade é que eu não sinto fome... Estou escrevendo agora, às 17 horas e vinte e cinco minutos (o post foi escrito em 31/01/08) e hoje ainda não comi praticamente nada. - Estou com um iogurte com fruta e um pedaço de pão desde que saí da cama. - E não sinto fome. Não me sinto fraco nem sem energia; estou bem, desperto e animado. Não poderia afirmar com certeza que esse fenômeno está diretamente ligado às experiências que relatei, mas desconfio que sim. Não sentir fome e comer cada vez menos é uma realidade que vem ocorrendo na minha vida há algum tempo, desde a primeira experiência inefável que vivi, e percebo que a sensação se intensifica mais e mais a cada vez que isso acontece. Para finalizar, gostaria ainda de observar que ontem, enquanto eu transcendia meu mundinho das preocupações ordinárias, comecei a me sentir mais e mais envergonhado... Sim, envergonhado por ser ainda tão egoísta, tão fraco, por vacilar tanto diante das oportunidades que tenho para fazer o bem ao meu próximo, que é Deus se manifestando diante de mim, entre outras coisas. E percebi também, mais uma vez, que todas as dificuldades e dores que enfrentamos em nossas vidas têm a sua perfeita razão de ser. Porque o Luz do Eterno deve se nos manifestar aos poucos, muito lentamente, ou então ficaríamos todos cegos.

Por que estou falando dessas coisas? Porque eu desejo que você, que lê isto agora, saiba que DEUS existe, de fato. Que compensa continuarmos resistindo aos nossos impulsos mais baixos e que devemos nos manter firmes em nossos propósitos, pois em breve poderemos erguer as nossas cabeças e nos alegrarmos, porque estamos bem guardados; e tudo que nos perturba e incomoda, tudo que nos entristece, vai passar, mais repentinamente do que possamos imaginar. O conteúdo do post que segue está diretamente relacionado a todas essas constatações, e também aos muitos sinais comprobatórios que eu tive da sua veracidade. Por hora é só.


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Conforme estudado anteriormente, segundo a Cabala, nós somos os nossos desejos. Pois bem, agora é a hora de compreender a principal razão de existir a infelicidade neste mundo. Já andei especulando anteriormente sobre a questão da dor e do sofrimento, tentando chegar a um termo sobre as razões de tanta desarmonia em nosso mundo e em nossas vidas. Mas acredito que nunca cheguei tão fundo, nunca me aproximei tanto de uma resposta definitiva quanto farei desta vez. O terceiro princípio essencial da Cabala me parece que realmente vem solucionar uma “charada” sobre a qual se debruçaram inúmeros santos, sábios e filósofos no decorrer da história humana - sem conseguir encontrar uma solução que parecesse realmente funcional ou definitiva.

Imagino que as declarações acima possam estar soando, no mínimo, como um exagero de minha parte. Como sempre, a minha proposta é que cada um examine o que está sendo exposto por si mesmo e chegue às suas próprias conclusões. Ou, como preconiza o primeiro princípio, não acredite numa única palavra do que aprender nos seus estudos. teste as lições aprendidas . Estaria eu afirmando que a Cabala nos traz as respostas definitivas para todos os problemas da vida, que ela é a fonte da Verdade suprema ou que ela resume o Caminho do buscador? Não, não é o que estou dizendo. Eu continuo acreditando que as verdades essenciais estão espalhadas pelo mundo, em diversas escolas, ocultas sob as mais variadas formas, e podem surgir das mais inesperadas fontes. Porque a compreensão do nosso Bem Amado Cósmico está disponível para todos, e Ele próprio não se limita às nossas ordens, escolas e especulações. Também dentro da tradição da Cabala, eu digo que é possível encontrar equívocos, falhas e descaminhos. Assim como nela podemos encontrar verdades poderosas e transformadoras como o seu terceiro princípio essencial, que diz:

“Tudo que um ser humano realmente deseja da vida é a LUZ espiritual”


Sim! É exatamente isto que nos falta compreender! Somente por acreditarmos que não é assim, por acharmos que precisamos de muitas outras coisas, é que sofremos.

Você sabe o que é “equilíbrio homeostático”? E você sabe o que quer dizer o termo psiquátrico “prazer negativo”? Essas realidades científicas estão diretamente relacionadas à compreensão do assunto deste post. Por isso transcrevo abaixo as explicações abalizadas do brilhante psicólogo, psiquiatra e psicanalista Dr. Flávio Gikovate, antes de passar à segunda parte desta postagem fundamental:

“Para falar sobre a possibilidade de um ser humano ser feliz, convém começar pelas coisas mais simples, ou seja, aquelas que nos fazem infelizes. Nosso organismo como um todo, assim como cada célula ou órgão nosso, busca permanecer em um estado de equilíbrio interno. No caso das células, isso corresponderia ao entre as concentrações de substâncias como o sódio e o potássio no interior delas e nos líquidos que as cercam. Se a concentração for maior de um dos lados da membrana que as limita surgem movimentos migratórios de substâncias líquidas para que as concentrações voltem a ser iguais dos dois lados. Esse é o fenômeno básico da homeostase, a busca permanente por equilíbrio.

Assim como cada célula, nosso organismo – inclusive o psiquismo – também busca o equilíbrio homeostático. Isso se faz por meio da ingestão de alimentos e líquidos, pela eliminação de detritos, além, é claro, da respiração. Trata-se de uma busca contínua, uma vez que o equilíbrio se perde pela simples razão de suarmos num dia quente. O momento do equilíbrio homeostático é como uma fotografia, um fotograma em um filme. É um instante fugidio que se perde e se recupera a todo momento. É um ponto que se busca o tempo todo, se alcança, se perde e se torna a se buscar. Essa é a vida de todos os seres vivos sobre a terra, e também a dos seres humanos.

Os desequilíbrios homeostáticos são, via de regra, sentidos como desagradáveis. Isso quer dizer que nossa mente registra esses estados físicos como dolorosos. A mente toma consciência, por exemplo, da falta de água no organismo. Chamamos a essa percepção de sede. O mesmo acontece com a comida: sentimos o desconforto que chamamos de fome. Sentimos dor e incômodo se não pudermos satisfazer a nossa necessidade de eliminação dos detritos do corpo na hora por este solicitada. – coisa que nos acontece muitas vezes em virtude das normas civilizatórias que regulamentam os locais específicos para esse fim e que nem sempre estão onde precisamos.

Fome, sede, frio, sono e desejo de defecar e urinar são alguns dos desequilíbrios homeostáticos mais habituais e de caráter desagradável. - Existem também os desequilíbrios que podem ser registrados como agradáveis, e que por isso mesmo podem se tornar muito perigosos; esse é um outro assunto, a ser abordado em outra ocasião. - Se estivermos com sede e sem acesso a água ou outro líquido, sentiremos a dor do desconforto. Infeliz com isso, nossa mente passa a se ocupar de forma prioritária do problema, buscando sua resolução com determinação e firmeza. Finalmente encontramos o remédio que tanto buscávamos: água potável! Se estivéramos por muito tempo sentindo a sede, quando bebemos sentimos um enorme prazer que advém do fim do desconforto. O prazer acontece por sairmos de um ponto zero, o ponto de equilíbrio homeostático. Daí Schopenhauer ter chamado esse tipo de prazer de ‘prazer negativo’. – O prazer negativo é uma felicidade passageira, efêmera, que deriva do fim da dor relativa à sede. Fenômeno idêntico acontece com todos os outros desconfortos físicos causados por desequilíbrios homeostáticos.

Temos paladar, olfato e visão apurados. Ao sentirmos sede ou fome, podemos tomar água ou nos alimentar de várias coisas básicas e preparadas de forma singela. Podemos também tentar acrescentar algum tipo de sofisticação extra ao processo de resolução de nossas necessidades. Podemos ingerir sucos de frutas adoçados, podemos comer de forma criativa, nos servindo de pratos bonitos, aromáticos e de paladar particularmente requintado. Saciaremos a sede ou a fome e ainda por cima experimentaremos um certo prazer especial derivado de sensações que são requintes agregados aos prazeres negativos. Nós, humanos, por meio da inteligência, sofisticamos nossas atividades fisiológicas mais simples, transformando-os em prazeres que vão muito além da simples resolução das necessidades. Agregamos prazeres positivos ao processo de recuperação do estado homeostático. A isso poderíamos chamar de prazeres negativos sofisticados pela razão criativa.

A vaidade, componente de nosso instinto sexual, também participa dessa sofisticação das nossas atividades essenciais. Atua de forma óbvia e explícita na questão do vestuário, elemento necessário para nos protegermos contra o frio, que ultrapassou esse objetivo inicial. No caso das comidas e bebidas mais requintadas, também estamos diante do prazer exibicionista, já que nos sentimos importantes e prestigiados quando fazemos aquilo que chama a atenção dos outros. Isso acontece quando nos destacamos porque temos acesso a alimentos fora de série, preparados por chefs famosos que trabalham em restaurantes caríssimos.

Graças à inteligência e à vaidade, transformamos nossas atividades essenciais relacionadas com a sobrevivência em algo complexo e rico em detalhes. Assim procedendo, nem parece que estamos saciando necessidades fisiológicas simples. É como se quiséssemos, a todo momento, nos esquecer de nossa condição animal e principalmente de nosso caráter mortal. Os atos relacionados com a eliminação dos detritos não puderam ser camuflados de maneira competente, de modo que, nessa hora, ricos e pobres são forçados a reconhecer sua precária condição de ‘simples’ mamíferos.

Entre os prazeres negativos, penso que é importante registrar de modo especial aquele que está relacionado com a saúde e a doença. Sentimo-nos doentes quando vivenciamos um quadro genérico de fraqueza, desconforto, calafrios, tonturas e etc. muitas doenças provocam sintomas mais específicos, como é o caso de dores localizadas, erupções cutâneas, alterações digestivas, estados depressivos e assim por diante. São desprazeres bem maiores do que a sede, a fome ou o frio temporários. Não há proporção entre o grau de sofrimento que experimentamos e a gravidade da doença. Nos casos em que existe risco de morte o sofrimento psíquico cresce muito, mas também padecemos bastante nas dores de dente, enxaquecas, cálculos renais e outros males.

O prazer negativo relacionado com a recuperação da saúde – recuperação do bem-estar geral ou fim de um sintoma específico – é enorme. Estávamos muito afastados do ponto de equilíbrio, e por um tempo maior do que costumamos passar fome ou sede. ‘Saudamos’ a recuperação física do mesmo modo que nos alegramos com uma grande conquista: o prazer é extraordinário e fundamental. O que acontece depois de 24 ou 48 horas? Tratamos nosso bem-estar com absoluta naturalidade. Não sentimos mais o grande prazer de acordar bem dispostos e energizados. Assim como todos os prazeres negativos, esse também tem duração efêmera, posto que logo que nos acomodamos à boa situação, ele cessa. É como se tivesse sido sempre assim. Precisamos nos empenhar para evocar a lembrança das agruras que passamos com a doença que já se foi. Porém, ao primeiro sinal de um novo mal-estar, voltamos a nos preocupar e valorizar a saúde como a maior de nossas dádivas.

Não acordamos felizes todos os dias por sermos saudáveis, nem pensamos nisso de modo espontâneo. Agora, se acordarmos com uma pequena dor no dedo do pé, serão sobre ela nossos primeiros pensamentos – cheios de apreensões. É assim que funciona o psiquismo, sempre mais preocupado em nos preservar do que facilitar as lembranças dos prazeres e alegrias. Acordamos pensando nas nossas dívidas, mas nunca pensamos em nossa situação financeira quando estamos com um bom saldo no banco. A propósito, temos de analisar melhor a importância do dinheiro para a construção da felicidade. Não pretendo esgotar um tema assim tão vasto e acho que cabe aqui apenas afirmar que o dinheiro é essencial para a resolução de dores e de outras fontes de infelicidade que derivam dos desequilíbrios homeostáticos. O dinheiro é o instrumento por meio do qual podemos adquirir agasalho para nos proteger contra o frio e ter acesso a um teto que nos proteja das intempéries climáticas. É o mediador das trocas que podem nos permitir acesso aos alimentos e até nos gratificar com uma deliciosa barra de chocolate (sofisticação extrema de um prazer negativo).

O dinheiro é essencial para que possamos cuidar bem da saúde e resolver outras necessidades básicas e experimentar prazeres negativos essenciais à preservação de uma vida considerada digna. As dúvidas acerca da importância do dinheiro para o tema da felicidade aparecem sobretudo nas reflexões acerca do seu uso para o consumo de quantidades cada vez maiores e crescentes de produtos supérfluos. Refiro-me tanto à ânsia de sofisticar exageradamente os prazeres negativos como aos duvidosos benefícios derivados da gratificação da vaidade exibicionista, com o objetivo de chamar a atenção dos que têm menos dinheiro.

Minha experiência pessoal e profissional me faz desacreditar da capacidade efetiva de obtermos algum tipo de felicidade derivada da acumulação de bens materiais não essenciais. Não creio que provoquem algum tipo de satisfação mais importante e/ou duradoura. Certa vez li uma frase interessante: ‘Ricos são aqueles que tem muito das mesmas coisas’! Ter muitos sapatos pode fazer uma pessoa mais feliz do aquela que tenha o suficiente – e talvez um pouco mais – do que o essencial?

Vejam como o tema pode se complicar: mesmo que o dinheiro não seja importante para atingir a felicidade, o fato é que as questões relacionadas com ele podem ser fonte de grande infelicidade quando se transformam em uma questão social ligada às comparações. Um estudo recente levado a cabo nos EUA mostra que família que ganham US$50 mil por ano e vivem num bairro em que a média de salários é de US$40 mil estão mais satisfeitas com a sua condição dos que as que ganham US$100 mil e vivem numa comunidade em que a média é de US$120 mil. Os números falam por si: somos mais incomodados pela suposta 'humilhação' de não podermos ter aquilo que os nossos vizinhos possuem do que pela falta efetiva de bens materiais(!!!). Certa vez, um psicólogo cubano me contou que não tinha carro, mas que isso não o incomodava em nada, porque em Havana ninguém, das pessoas com quem ele convivia, tinha!

Assim, a falta de dinheiro para fins supérfluos pode se transformar em uma nova dor, similar à fome ou às doenças, em uma sociedade que valoriza demais o sucesso nessa área e o acesso a bens materiais duvidosos – tanto em relação à necessidade que temos deles quanto às gratificações e aos prazeres que eles nos proporcionarão. Um indivíduo bem sucedido, que consegue ganhar dinheiro para comprar o que os outros também têm, experimenta a felicidade derivada de um prazer negativo: conseguiu sair da condição de humilhação (dor psíquica) em que se encontrava por não estar na mesma condição de seus pares. A dúvida é em que medida – e por quanto tempo – ele realmente aproveitará sua nova condição.

A certeza é que a sociedade de consumo conseguiu seu objetivo: produzir uma nova fonte de sofrimento relacionada com a falta de bens supérfluos(!!!). Lutamos de forma competitiva até a exaustão para ter acesso a bens de que só necessitamos para que não nos sintamos tristes por não possui-los! - Vamos mal!"



Dr. Flávio Gikovate


Continua...


Fontes e bibliografia:
Artigos do "Kabbalah Centre Institute";
"O Poder da Cabala", - Rabino Yehuda Berg (Imago);
"Dá pra Ser Feliz... Apesar do Medo", 2ª edição (2007) - Dr. Flávio Gikovate (MG Editores)