Oração do Mahatma

Neste final de ano, vale a pena refletir um pouco sobre cada um desses versos de Gandhi.



"Senhor, ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes
e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.

Se me dás fortuna, não me tires a razão.

Se me dás sucesso, não me tires a humildade.

Se me dás humildade, não me tires a dignidade.

Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.

Não me deixes acusar o outro em traição aos demais,
apenas por não pensar igual a mim.

Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo.

Não deixes que me torne orgulhoso, se triunfo;

nem cair em desespero se fracasso.

Mas recorda-me que o fracasso
pode ser a experiência que precede o triunfo final.

Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.

Se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso.

Se eu ofender as pessoas, dá-me coragem para desculpar-me.

E se as pessoas me ofenderem, dá-me grandeza para perdoar-lhes.

Senhor, se eu me esquecer de Ti, nunca Te esqueças de mim."



Fonte:
Semanário Eclesial
"Voz Portucalense"



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É Natal!!

"Será chamado 'Maravilhoso'!" - Simon Dewey


"Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens; e a Luz resplandesce nas trevas, e as trevas não a compreenderam."
- João, 1:4-5


Chegou o grande dia. O dia do eterno (Re)Nascimento. Dia da Renovação. Da chegada da Luz que resplandece nas trevas, trevas que não a reconheceram, e infelizmente, ainda não a reconhecem. Mas, depois desse dia, o dia em que a Luz brilhou no meio das trevas, nada mais voltou a ser o mesmo de antes, nos corações daqueles que têm boa vontade.

Infelizmente, hoje, eu vejo o Natal sendo contestado. No mundo e no meu país, os cristãos encontram-se tão divididos que nem entre estes há consenso, e nem mesmo sobre o Natal.

Algumas denominações protestantes/evangélicas condenam a comemoração do Natal. No bairro vizinho ao que eu moro há um luxuoso conjunto de prédios, que todos os anos, desde que eu era adolescente, se enfeita com luzes de cima abaixo nesta época do ano. Lembro-me de levar os meus filhos para ver as luzes, todos os anos. Algumas anos foi colocada uma decoração mais elaborada, com bonecos de neve, torres de neve artificial, caixas de som reproduzindo músicas natalinas...

Hoje, isso não está mais acontecendo. Em frente a esse condomínio há um parque no qual eu corro quase todas as noites, e eu pude perceber que esse ano há alguns andares, nesses prédios, “furando” a decoração natalina. O conjunto agora não fica mais completamente enfeitado, começam a surgir algumas falhas na decoração. Isto é, alguns andares não permitem a colocação das luzes. Ouvi uma menina perguntando ao porteiro: “Porque não tem luz naquele?” e a resposta do segurança: “O dono daquele apartamento é ‘evangélico’.”...

Honestamente, eu não consigo entender que pecado pode se ver num cristão comemorando a natividade do Cristo com luzes e cores. Gostaria que alguma dessas pessoas me mostrasse na Bílblia onde está escrito que comemorar o Natal é pecado.

Mas eu sei que existem três razões principais para se contestar o Natal...

Contestação ao Natal #1: “Jesus Cristo não nasceu no dia 25 de Dezembro. Essa era a data de uma festa pagã da qual a igreja católica 'se apoderou', pra tentar converter as pessoas ao cristianismo!”...

Sim, isso é certo, as festividades em Dezembro já existiam no atual Ocidente. Havia uma grande celebração festejada antes da entrada do cristianismo na Europa, e exatamente por isso tornou-se uma festa na qual convergiram e coincidiram tradições pagãs e cristãs. Para os Europeus antigos, na raiz desta festa estava a celebração do Solstício de Inverno, isto é, do momento em que o Sol, depois dos seis meses de declínio, reinicia a sua ascensão. Por isso também se chamava “Natal do Sol Invictus”, que vem de “Nascimento” e é de raiz latina, como a própria Língua Portuguesa, que é, como se sabe, de ascendência romana. Significava para os pagãos o nascimento do novo ano solar. Simbolizava também o encerramento do ano de colheitas e o início de um novo ano, para que as sementes brotassem e dessem seus frutos abundantemente. Os cristãos aproveitaram a comemoração para torná-la a data-símbolo do nascimento de Jesus Cristo.

Trata-se pois, na tradição européia original, da “Festa do Nascimento da Luz” e também a "Festa da Renovação da Vida". Para os cristãos, a "Festa do Nascimento" daquele que traz a Luz e a nova Vida ao mundo. Qual o problema?

Por isso, quanto à contestação do Natal em razão de não ser a data correta do nascimento de Jesus, eu simplesmente pergunto: E daí?? Que diferença realmente importante faria sabermos se ele nasceu em Janeiro, Março, Junho, Setembro ou...? Que diferença isso faz? Qual a importância da data correta? O sentido dessa celebração não tem nada a ver com a matemática, nem com a História ou com as coisas exatas. Tem a ver com tudo que é humano, sutil e inefável em nós. Como seria bom se pudéssemos deixar os e as diferenças pra lá, ao menos nesse dia...

E depois, o fato de ter unido cristãos e não-cristãos em torno de uma mesma celebração só tornou a data ainda mais bela, porque a tornou universal.


Contestação ao Natal #2: "O Natal virou puro comércio. Ninguém está mais nem aí para o sentido interior profundo dessa festa. Todos só querem saber de consumir, comprar e vender... A figura do Cristo foi completamente substituída pela do 'Papai Noel' e a data religiosa é só um pretexto para o lucro."

Mais uma vez, isso é verdade. A mais pura verdade. Fora das igrejas, não vejo ninguém falar em espiritualidade ou no “aniversariante” simbolicamente representado. Só que, de novo, eu vejo aí um motivo a mais para se comemorar corretamente o Natal. Se todos estão perdidos, vagando no meio do escuro e sem direção, mais um excelente motivo para fazermos, nós, a coisa certa, e darmos o exemplo de como deveria ser uma celebração verdadeiramente espiritualizada. Não encher a cara, não gastar além da conta, lembrar dos menos favorecidos, cultivar a paz e a amizade, não deixar de reservar pelo menos alguns minutos desse dia especial para uma oração e/ou meditação em Cristo... Isso já seria suficiente para tornar a data menos carnal/materialista/consumista e mais próxima do seu real significado.


Contestação ao Natal #3: "Festas não são coisas boas". Quanto a essa contestação não tenho muito a comentar. Esse é o tipo de pensamento que só as denominações "cristãs" mais radicais (que infelizmente andam em alta no nosso país) adotam. Uma festa pode ser o que você quiser. Pode ser um encontro familiar, uma reunião de amigos muito especiais, com oração e Amor fraterno unindo os corações. Pode ser uma celebração onde todos estejam unidos num verdadeiro sentimento crístico... E também pode ser um “carnaval” de comilança e álcool, com todo tipo de excesso e brigas entre parentes para temperar (que infelizmente é o que mais se vê). Mas o que vai ser a sua celebração de Natal só depende de você. Como em quase tudo nesta vida, isso é uma escolha. Se cada um fizesse a sua própria escolha sem se preocupar tanto com regras separatistas ditadas por líderes religiosos...

Enfim, eu, que acredito e gosto, procuro aproveitar o Natal ao máximo, do meu jeito, junto com a minha família, minha esposa amada e meus filhos, enquanto posso. E procuro sempre a União em todas as situações. Se alguém se perturbar por causa das luzes, eu posso retirá-las. Se alguém se incomodar com a decoração, eu posso desmontar tudo. Mas o sentido interior do Natal, a benção imaterial, inefável e verdadeiramente luminosa da Natividade da Verdade, isso eu nunca abandonarei.


Ontem, eu ouvi os melhores votos de "Feliz Natal" que alguém poderia receber - alguém muito especial me disse: "Um santo Natal para você!"."Santo" quer dizer "separado para Deus", e quer dizer também "outro". E este é também o meu desejo para todos vocês. Um Natal separado de todo o mal, todo o ódio, toda inveja, toda mesquinharia, todo materialismo fútil, toda intriga, todo apego, todo sentimento de divisão. Um outro Natal, com muito Amor e Paz. Se buscarmos primeiro isso, as outras coisas virão por acréscimo.


Tenham um santo Natal!


"Este menino será Luz para 'as gentes'" - Greg Olsen



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Ecumenismo

Resumo da palestra de Dom Lawrence Freeman em 2001, na PUCSP (Seminário do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUCSP sobre Ecumenismo e Violência)

Dom Laurence Freeeman e Thomas Merton

Para falarmos sobre Ecumenismo, devemos antes considerar o significado da palavra FÉ.

O significado vital de qualquer palavra é determinado pelo seu contexto. O contexto de origem da palavra "fé", no grego PISTIS é o de um relacionamento pessoal. PISTIS significa um comprometimento pessoal com o outro. Assumir um compromisso profundo e duradouro. Recentemente acompanhei o sofrimento de uma amiga que havia sido abandonada pelo marido após longos anos de casamento. Ela havia perdido a fé. Fé em Cristo significa entrar numa relação pessoal com Ele e sustentar essa relação através dos desafios da vida. O mesmo significado é encontrado em outras palavras que traduzimos por fé, como o sânscrito "shradha", que significa "colocar o coração em alguém ou em algo",o hebraico "munah ou aman he'min", que significa "confiar", também o árabe e o latim "credo", termo composto de "cor, cordis" que significa "coração" - significando "confiar, entregar".

No contexto ecumênico é preciso distinguir muito bem fé de crença. Santo Agostinho observou que somos salvos pela fé e não pela crença. Fé é a capacidade de compromisso íntimo com Deus. Por isso, no Evangelho, Jesus repete algumas vezes "Tua fé te salvou". Enquanto capacidade de comprometer-se com alguém, a fé é capacidade de transcender, de superar nossos limites por causa do outro. Fé é capacidade de amar.

Por quê as religiões, que têm no seu âmago a intuição da bondade humana e de sua capacidade de amar, se tornam origem de conflitos entre pessoas e povos inteiros? No passado e hoje religiões são vistas como fonte de guerras, tais como ocorre entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, o fundamentalismo hindu e seu desumano sistema de castas, ou o profundo radicalismo de seitas islâmicas que assusta o mundo inteiro e alimenta o conflito entre judeus e palestinos.

A questão é: se não cuidamos bem de nossas crenças, elas podem nos conduzir a divisões e conflitos.

Crença é o modo como descrevemos nossa experiência de Deus. A experiência de Deus não pode ser completamente colocada em palavras. Mas quando as religiões perdem o senso do inefável da sua experiência central, elas chegam a confundir fé e crenças e colapsam para posições inflexíveis.

Dentro desse quadro, o ecumenismo toma outra luz. Ecumenismo é trazer as pessoas de diferentes crenças para o cultivo da unidade. Esse é um trabalho que nunca acaba, pois sempre temos a tentação de nos dividir por causa das diferentes crenças. Mas é um trabalho sempre necessário, porque a vocação humana por excelência é a unidade.

Para algumas pessoas, ecumenismo é a ameaça de trair sua crença. Sentem que o encontro com pessoas de crença diferente ameaça a sua própria crença. Na recusa ao Ecumenismo está o medo. Medo de que a união pode destruir a sua identidade. E perda da identidade é um problema importante em nossos dias. Significa o medo de nos comprometermos com o outro.

Então, na raiz da postura fundamentalista se encontra o medo e o isolamento. Isolamento que nasce do egocentrismo, que tem necessidade de separar-se.

Temos uma tarefa difícil: apresentar o Ecumenismo como algo que não ameaça a identidade. É difícil porque justamente aqueles que ainda não participam do ecumenismo, que se recusam a participar, são inconscientemente movidos pelo medo. E o medo é irracional. É difícil conversar razoavelmente com quem não consegue raciocinar clara e calmamente.

Esse conversar, o dialogar, é a vida do Ecumenismo. Diálogo é uma atividade humana muito sofisticada. Estamos apenas começando a descobrir o que é o diálogo.

Dialogar não é querer convencer o outro. Dialogar é expandir o seu próprio ponto de vista. É tentar compreender o ponto de vista do outro. Dialogar é tentar enxergar o mundo desde o ponto de vista do outro. É a coragem de olhar o mundo a partir das crenças do outro. É uma atividade difícil e exigente. Mas na verdade é a única base real de qualquer relacionamento humano profundo.

A condição básica para o diálogo e para o ecumenismo é a amizade. E quando o diálogo acontece, ele nos conduz à amizade.

A importância da idéia de amizade é muito antiga. Os gregos observaram essa importância. Para os homens da Idade Média, a amizade era o fim último da vida emocional. Depois essa idéia se esvaeceu. A teologia, especialmente a teologia monástica do Ocidente, herdou a tradição da valorização da amizade e refletiu muito sobre a natureza da amizade.

Existem três tipos de amizade: 1) a amizade de conveniência, quando temos interesse em alguma coisa que o outro pode nos proporcionar; 2) a amizade de prazer, quando sentimos o gosto de estar juntos; 3) a amizade espiritual, quando nos relacionamos no nível mais profundo e íntimo de nós mesmos (Jesus, na amorosa conversa da última ceia, disse aos seus seguidores: 'Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas eu vos chamo amigos' João 15,15).

A amizade espiritual tem duas características: igualdade (não há amizade se uma pessoa se sente superior ou inferior à outra) e benevolência (amigos querem todo o bem e não querem nada de mal um ao outro).

Diálogo e amizade residem no coração do Ecumenismo. É necessário um compromisso pessoal para realizar isso. Para ter diálogo e amizade precisamos contar com a profundidade pessoal, precisamos estar em contato com o nosso próprio coração. E é em nosso coração que vive a fé.

Fé é uma experiência não-denominacional. A experiência da fé nos leva à experiência do amor. Leva ao chão comum, à base comum de todas as tradições religiosas.

O objetivo dos grupos de meditação cristã é ensinar a meditar na tradição cristã. A meditação cristã é essencialmente ecumênica. Em todo o mundo os grupos reúnem pessoas das mais variadas denominações que buscam entrar em uma amizade espiritual.

Meditar não é apenas exercitar uma técnica, mas essencialmente crescer em relacionamento íntimo com Deus. Os grupos de meditação testemunham que o relacionamento íntimo com Deus não nos separa dos outros, mas nos une aos outros, com quem também estabelecemos laços de amizade espiritual íntima.

Por isso, contemplação e diálogo, que parecem coisas diferentes e até irreconciliáveis, mostram-se profundamente interligados.

Tenho a oportunidade de viver isso junto com Sua Santidade o Dalai Lama. O Dalai Lama entrou em contato pessoal com Dom John Main dois anos antes da morte deste último. E foi um contato muito caloroso e significativo. Por isso, convidei o Dalai Lama para orientar o Seminário John Main em 1994. Esse seminário foi um acontecimento importante para o diálogo inter-religioso em nossos dias. Foram quatro dias de preleções do Dalai Lama sobre oito passagens que escolhi dos Evangelhos, discussões interessantes e sessões de meditação. Estou absolutamente convencido de que foram os momentos de silêncio que tornaram as conversas tão interessantes, vivas e significativas.

O Dalai Lama sabe que não deixará de ser budista. Está firme em sua identidade de monge tibetano. Veio sem medo de ser convertido pelos cristãos. Por isso, diz que aprendeu muito e até mudou alguns conceitos antigos sobre o cristianismo. E nós pudemos receber novas luzes sobre as riquezas de nossos textos sagrados. Quando há amizade, vigora o sentimento de liberdade e expansão.

Muitos leitores do livro que resultou desse Seminário escreveram ao Dalai Lama testemunhando que seus comentários os haviam ajudado a retornar ao seio do cristianismo, descobrindo aspectos que ainda lhes eram desconhecidos. E o Dalai Lama fica realmente deliciado com isso, porque ele não quer que ninguém deixe sua própria tradição de origem. Ele trabalha para que todos se aprofundem em suas próprias tradições.

Então Diálogo pressupõe não ser possessivo ou competitivo, para poder se colocar na posição da outra pessoa.

Como fruto daquele Seminário começamos um programa de três anos chamado Caminhos da Paz. Em 1996, com um grupo de 200 cristãos, fomos a Bodh Gaia, o lugar sagrado da Iluminação de Sidarta Gautama, onde o Dalai Lama nos recebeu para um seminário sobre os conceitos de Salvação e Iluminação no Budismo e Cristianismo.

Em 1998 discutimos a questão de Palavra e Imagem, em Firenze.

E em 1999 estivemos, junto com um bom grupo de dirigentes da Comunidade Mundial de Meditação Cristã, em Belfast, para mostrar que a amizade espiritual, que nasce da meditação e se expressa no diálogo, pode se transformar numa força política.



Anotações de Nestor Müller


Faltam... Ei! Falta só mais um dia pro Natal!


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Uma canção para hoje



Monte Castelo

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É um não querer, mais que bem querer;
É solitário andar por entre as gentes;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem,
Todos dormem, todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a Face.

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.



Legião Urbana (I carta aos Coríntios, capítulo 13 / Soneto 11 de Camões)


Faltam 2 dias para o Natal...

Ode ao Menino Jesus

Por Hana, com uma pequena ajuda de H K Merton

Eu não sei se esta é uma narrativa fictícia. Simplesmente não sei. Não sou capaz de precisar até que ponto eu inventei uma história, ainda que baseada numa experiência que realmente vivi, e a partir de onde começa uma descrição fidedigna de fatos reais. O que eu sei é que eu a vi. Sim, amigo leitor, eu a vi, e também a ouvi. Na verdade, eu almocei com ela: ela, a verdadeira Verdade! E pretendo contar aqui, como tudo se deu. Se o meu relato puder ajudá-lo, de algum modo, ficarei muito feliz. Senão, agradeço a atenção. Como diz São Paulo numa de suas cartas: “Façam prova de todas as coisas, e fiquem com o que é bom”.

Estava saindo do médico. Após a consulta teria ainda que ir para o trabalho. Estava com fome, já eram aproximadamente meio dia e quarenta e cinco, eu havia me levantado muito cedo naquele dia e estava até agora apenas com um cafezinho preto e um minúsculo pão de queijo. Não imaginava que a consulta demoraria tanto, por isso não tinha levado quase nada de dinheiro, e aquele lugar é um bairro chique, qualquer restaurante é caríssimo. Eu trabalho no centro da cidade, onde tudo é muito mais em conta. Mas estava com fome e sem paciência para “encarar” meia hora de ônibus até poder comer. Por isso andei pela Avenida Brigadeiro Faria Lima procurando alguma lanchonete com jeito de não ser tão cara. Depois de uns quinze minutos passeando, ao passar em frente àquela pequena galeria, onde até bem pouco tempo havia o cine Call Center (nunca entendi o porquê desse nome – hoje no lugar há uma igreja evangélica), resolvi entrar.

E logo à entrada do corredor, do lado esquerdo, vi que havia um restaurantezinho, simpático e com preços bem em conta, pelo que pude observar no menu, afixado na porta de vidro. Entrei, e só então percebi que o lugar estava lotado. Andei até os fundos do estabelecimento e voltei, olhando para as mesas. Todas ocupadas. O cheiro que dominava o ambiente era muito bom, e meu estômago reclamava. Mas já ia me encaminhando para a porta de saída, porque parecia que estava mesmo lotado. Foi quando afinal vi uma mesa vazia. Já ia me acomodando, ajeitando minha bolsa no canto da mesa, quando percebi bem atrás de mim quatro homens de terno, já se preparando para sentar nesses únicos lugares vazios, e ocupar a última mesa disponível. Na mesma hora pensei: “Eu cheguei primeiro!” – Mas aí vi uma antipática garçonete chegando do meu lado, falando em alto e bom tom, para que todos os presentes pudessem ouvir: “Esse lugar está reservado!” – Não falei nada, só esbocei um sorriso amarelo, retirei minha bolsinha, e assim, meio constrangida, meio irritada, voltei a me dirigir, dessa vez mais depressa, à porta de saída.

Ia passando sem olhar para os lados, envergonhada e de cabeça baixa, depois dessa minha pequena gafe. E foi então que aconteceu aquilo que me motivou a estar agora escrevendo. Foi de um jeito completamente ordinário, comum. E totalmente inesperado, quando parecia que vivia apenas mais uma experiência dessas triviais, absolutamente rotineiras, que nada têm de especial... Naquele instante, pelo canto dos olhos vi uma mesa de quatro lugares vazia! Quero dizer, quase vazia. Um dos lugares estava ocupado por um homem. Num primeiro momento, fiquei surpresa ao ver estes lugares vagos. Eu já tinha passado por ali... Mas agora eu não queria mais! Primeiro porque a atitude da garçonete me deixara furiosa. Segundo porque não me sentiria à vontade me sentando, nem à frente, e muito menos ao lado de um homem estranho. Sou muito bem casada, diga-se de passagem... Mas aí, quando vi esses lugares vagos, pelo canto dos olhos, percebi também que o tal desconhecido me olhava fixamente.

Esta é uma daquelas coisas que acontecem com todos nós, seres humanos, e não sabemos explicar exatamente como ou porquê. Quando sabemos, às vezes até “instintivamente” que alguém nos olha, sentimos um impulso quase irresistível para olhar de volta. E assim aconteceu: Olhei para o homem. E, olhando para ele, vi que sorria para mim. Talvez por um milionésimo de milésimo de centésimo de décimo de segundo, eu tenha chegado a pensar que flertava comigo, ou coisa dessa ordem. Mas bastou fixar o olhar, para perceber que não, não era nada disso.

Não havia quaisquer traços de segundas intenções naquele olhar. Era um homem de aparência jovial, porém que transmitia um certo ar de maturidade. Usava cabelos longos e tinha o rosto sombreado por uma barba cerrada, de dois ou três dias por fazer. Como sorria, impossível não perceber a perfeita conformação daqueles dentes muito brancos. Pele de um tom azeitonado. Cabelos castanhos, com nuances de acobreado. Camisa xadrez cinza, muito simples, já meio desbotada. Os cabelos, que deviam chegar à linha dos ombros, quando soltos, estavam desleixadamente presos atrás da nuca, com casuais fios soltos escapando por cima das orelhas. Sei o que as leitoras possam estar pensando ao ler esta descrição. Que homem atraente! Mas juro que, ao vê-lo, este tipo de observação não me passou pela cabeça, nem por um segundo. Claro que apesar de casada estou viva, e sei apreciar a beleza masculina. Mas... a visão daquele rapaz sorridente me provocou, isto sim, uma sensação completamente oposta. Algo como o que se sente ao reencontrar um parente muito chegado, ou um velho amigo que não se vê há anos. Ele fez um gesto com a mão, para que me sentasse à sua frente. Mas eu estava decidida a ir embora...

Então me sentei no lugar vago à frente do homem desconhecido que ainda me olhava e sorria. Ele disse: “Pode ficar à vontade...” – Minha irritação com a garçonete mal educada passou instantaneamente, ao ouvir sua voz, como que por mágica. A voz era suave... mas firme. Ouvi-la foi um bálsamo para meus ouvidos. Fiquei constrangida por um instante, mas logo me senti muito à vontade, embora ele não tirasse os olhos de mim. Olhos de um castanho claro incomum. Peguei o menu, aberto à minha frente, sobre a pequena mesa de fórmica branca. Sentia que o estranho ainda me observava. A garçonete chegou, ele pediu o seu prato (perdoe-me curioso leitor, mas eu não me lembro qual foi, porque estava tomada por uma emoção forte e desconhecida).

Pedi o especial da casa, sem ao menos saber o que iria comer. Ele continuava me olhando, e eu repentinamente percebi que alguma coisa importante estava me acontecendo. Eu estava sendo transportada de minha condição humana ordinária, para qualquer lugar mais elevado, mais bonito! Os pensamentos racionais dentro de mim já começavam a gritar alto, tentando sufocar a certeza com que meus sentidos me batiam na face! Um vigoroso turbilhão de cores, formas e sensações me tomou de assalto. Fui invadida, num segundo, por uma torrente magnífica de pura loucura, até que finalmente abri e levantei meus olhos, e direcionei meu olhar para aquele rosto! Ele me olhava sim, ainda. Minha boca se abriu, como que contra minha vontade, e uma frase escapou por entre meus lábios.- "Você... é Ele, não é?.. – minha voz estava fraca, mas soava nitidamente.

- "Sou Eu" – ele respondeu, ainda sorrindo. E completou – "Você disse que queria conversar comigo. Que se pudesse, gostaria de ter uma conversa comigo. Comigo e com o Albert Einstein". - Não dissemos mais nada. Nos instantes seguintes, se é que o tempo existe, eu compreendi tudo. Todas as respostas que eu vinha procurando há tempos, finalmente se revelaram. Os porquês desfilaram diante de mim, um a um, enquanto eu, encantada, descobria que a felicidade existe. Tudo que pude fazer depois foi um resumo do que aprendi naquele dia. Mas as explicações são sempre muito imperfeitas, quando se tratam desses assuntos. Transubstanciar o ilimitado intangível em palavras não é tarefa possível. Aí vai a minha tentativa:

A "inteligência" atrapalha tudo. Quanto mais tentam entender, mais se afastam da Verdade. Isso já foi dito antes, mas os homens não podem entender este tipo de ensinamento através da palavra escrita, simplesmente porque, para ler, precisam usar o intelecto. E o intelecto humano é uma ferramenta limitada, que não pode abarcar o infinito. Use sua Consciência. Este é o maior presente que receberam. É a Consciência que faz de você um ser humano, e não um animal, um inseto ou uma planta. E qual a diferença? Este poder inominável que faz com que andem anos luz à frente de qualquer outra criatura conhecida? A chave do poder humano é a Consciência, e o único acesso possível a ela é por meio dos sentimentos e das emoções. Sabe como nascem as doenças? As insanidades, a loucura, os conflitos psicológicos? Eles surgem onde há emoções mal resolvidas. E só podem ser curados por meio do direcionamento correto dessas mesmas emoções. Este é o único caminho possível, esta é a chave para a auto-realização. O controle das próprias emoções. O pensamento racional, analítico, o intelecto, toda a erudição humana, nesse sentido, só servem para atrapalhar. São obstáculos no caminho da verdadeira Liberdade. Agora você tem a solução. Use-a. SEJA E FAÇA. Você já está calejada de saber quais são as emoções que deve cultivar e as que deve rejeitar.


"EIS QUE ESTAREI CONVOSCO ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS" - Matheus, 28:20



Post dedicado à Cris. - Faltam 3 dias para o Natal!..



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Menina de Ouro

De hoje até o Natal, que para mim é uma data muito especial, eu vou fazer uma pausa na Enciclopédia das Religiões do Arte das artes e publicar alguns posts mais emocionais, que falam diretamente de experiências internas, - subjetivas e belas! Muitos me acusam de ser racional demais, mas... A verdade é que eu amo a subjetividade! Minhas mais importantes experiências, as que mais me fizeram crescer e aprender de fato, se deram no âmbito da subjetividade. As coisas mais importantes desta vida são aquelas que não podem ser provadas, não podem ser reproduzidas em laboratório e nem explicadas. Caminho do Meio é a resposta, e quase tudo na vida tem o seu lugar, desde que seja na justa medida: razão e emoção, ciência e fé...

Mas antes que eu me desvie mais do assunto e perca o foco, vamos ao post. - Acontece que há algumas semanas, eu dava uma "sapeada" no blog da minha amiga Andrea, o "Borboletas ao Luar", e vi uma postagem que me chamou muito a atenção. Fala da menina Akiane, uma norte-americana que... bem, é melhor ler o post - eu achei que tinha muito a ver com o Natal.


A lindeza na foto é Akiane Kramarik. Uma delicada menina de 10 anos que vive com seus pais e seus três irmãos em Idaho, EUA. Ela desenha com grande habilidade desde os 5 anos de idade, vem ganhando atenção internacional e tem aparecido como convidada especial em muitos programas de TV americanos. Suas pinturas são vendidas com preços que variam entre 25 e 55 mil dólares e ela tem feito grandes contribuições à caridade para aliviar a pobreza e a fome, principalmente de crianças. Akiane é também uma poetisa muito elogiada e fala russo, lituano e inglês. Ela atribui seus talentos a Deus:

"Meu maior desejo é que todos amem a Deus e uns aos outros”

"LifeSiteNews.Com" falou com Akiane e sua mãe Forelli Kramarik sobre a arte dela e seu relacionamento com Deus. A Sra. Kramarik disse que sua família inteira não tinha fé e se converteu a Cristo por causa de visões que Akiane começou a ter com a idade de 4 anos. Segundo ela, são essas visões e conversas com Deus que conduzem Akiane em sua arte. Sua mãe destacou que a menina se levanta às 5 da madrugada diariamente para orar, e então pintar. Akiane mesma descreve suas experiências:

“Todas as manhãs e todas as noites, converso com Deus. É como se fosse uma voz na minha mente conversando comigo”.

Akiane revelou para LifeSiteNews.Com a origem de uma pintura de Cristo particularmente impressionante que ela intitulou “Príncipe da Paz”. Akiane declarou que ela viu Jesus numa visão e por um longo tempo depois buscou um modelo apropriado para pintar Jesus do modo como ela o viu na visão. “Por dois anos, eu procurei um modelo para Jesus no Colorado, porém não consegui achar nada. Então nos mudamos para Idaho e orei a Deus: ‘Se você quer que eu pinte este modelo de Jesus, por favor traz na porta da minha casa’. Depois de dois dias, apareceu um carpinteiro (!) bem na porta da frente, e ele era exatamente perfeito para minha pintura. Foi tão maravilhoso e ele concordou em servir de modelo para minha pintura!”

A pintura final ficou incrível por sua qualidade artística. A Sra. Kramarik observou que Jurij Sizenov Nikolaevich, da rede de televisão russa Shabolovka, ficou de boca aberta diante da pintura de Cristo feita por Akiane.

Akiane estuda somente em casa, pelo método homeschooling (educação escolar em casa) e raramente vê televisão. Com relação à sua educação, ela comenta: “Adoro estudar só em casa. Assim, tenho mais tempo para orar, pintar, escrever, passar tempo com minha família e brincar com meu irmãozinho bebê e meu cachorro. Eu realmente gosto do 'homeschooling'”.

Akiane pintando a obra "Príncipe da Paz"

Akiane está para publicar um livro sobre sua vida, intitulado "Akiane, Sua Arte, Sua Poesia e Sua Vida".

Neste vídeo, a menina em ação:



Para mais informações sobre Akiane, este é seu site oficial: Akiane.Com.

Interessante, não? Sabia que só faltam 5 dias para o Natal?..



Fonte: LifeSite Daily News, 1 de setembro de 2004.
Traduzido e adaptado por Julio Severo.



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Proposta prática #3

Relatório da proposta de prática anterior:


Eu já venho tentando praticar a consciência diária da minha condição impermanente há mais ou menos 16 anos, desde que descobri e constatei a importância deste princípio espiritual essencial. Não sou perfeito e falho constantemente, mas não deixo de voltar a persistir na prática. Quero citar, em especial, um fato ocorrido comigo na última quarta feira...

Levei o meu filho de 8 anos ao shopping, para um passeio e para assistir o "Bee Movie". Na saída do cinema, estava combinado que iríamos embora, mas ele me pediu pra dar mais uma volta no shopping, pra ele escolher o seu presente de Natal. Concordei com uma certa má-vontade, porque eu ainda tinha outras coisas pra fazer naquele dia. Depois de muito andar e entrar em várias lojas de brinquedos e de celulares, sem que ele se contentasse, eu, já bastante cansado, comecei a ser rude com ele. Como depois de mais um tempo ele ainda insistisse em ver mais e mais brinquedos, acabei me descontrolando e, com voz forte disse que não iria ver mais nada e que iríamos embora já! Ele fechou a cara e, sem largar da minha mão, assentiu com a cabeça. Logo depois, quando chegávamos já na porta de saída, percebi que seus olhos estavam cheios de água. Nesse instante, me lembrei do post que eu mesmo publiquei aqui, e me lembrei do quanto passou rápido o tempo de criança dos meus outros dois filhos (tenho mais um casal: a menina, a mais velha, está com 19 anos). Lembrei-me do quanto é importante estar consciente da nossa condição impermanente nesta terra, do quanto a infância é um período especial e como passa rápido. Lembrei que um dia haveria de sentir muitas saudades daquele menino frágil e fofinho que estava na minha frente naquele momento, fazendo beicinho tentando segurar o choro. Pensei no quanto, sem que percebamos agora, sentiremos falta dessa época mágica e feliz, em que tudo que mais importa na relação é o carinho, a cumplicidade, a atenção, e, se possível, um brinquedinho no Natal (que ganhar roupa, nessa data, criança nenhuma merece...)...

Assim, imediatamente mudei a minha cara e a minha disposição. Falei que tudo bem, que podíamos ver mais algumas lojas pra ele escolher o seu presente... O rostinho dele se iluminou, claro, e a noite virou dia. Ainda fomos à lanchonete, depois à livraria ver livros ilustrados e aqueles bacanas, que contam histórias através de armações de papelão que se abrem a cada página que abrimos... Chegamos em casa por volta das 21 horas; eu, extenuado mas feliz. Ele, só feliz. Muito. Foi dormir pensando em nossa tarde divertida, e esse é o tipo de coisa que a gente leva pro resto da vida, por mais bobo que possa parecer na hora. Meu filho de 16 anos se lembra de cada um dos nossos passeios, nossas idas aos parques, ao shopping, nossas tardes de brincadeira de "cabaninha" no quintal, de passeios de bicicleta... Minha filha ainda se lembra que choramos juntos dentro do cinema quando o "pai do Rei Leão" morreu. - Ela nunca mais vai esquecer desse dia, e nem eu. Assim como nunca mais vou esquecer dessa tarde no shopping, na última quarta-feira, entrando em todas as lojas de brinquedos, testando todos os aparelhos de celular de todas as lojas possíveis... Não vou esquecer do milk shake derramado, da guerra de batatinhas, dos livros de armar... Coisas simples, que eu só pude viver e proporcionar ao meu filho porque me lembrei de um princípio espiritual essencial que os budistas denominam Impermanência. Se eu tivesse sido um chato e pensado apenas no meu cansaço e nas minhas obrigações adultas e "chatas", teria perdido tudo isso.




As "Boas Obras"

Nunca escondi que eu não concordo com a idéia de que “todas as religiões são iguais”, ou que “todas falam a mesma coisa de modos diferentes”. Mas eu entendo perfeitamente a nobre intenção dos que dizem isso, - a paz e a harmonia entre todas as pessoas, entre as diferentes mentes, de todas as crenças - e também sou o primeiro a concordar que todos somos irmãos, membros de uma mesma família que deveria ser muito mais unida... Também concordo que, no fundo, todos buscam a mesma coisa, ainda que alguns o façam inconscientemente. Se todo mundo de repente passasse realmente a acreditar que todas as religiões são iguais, guerras cessariam. Discussões inúteis, desrespeito, incompreensão... Tudo isso diminuiria muito. Se todos passassem a ver no seu próximo um irmão que busca a mesma coisa que si mesmo, só que de um jeito diferente, haveria muita paz e muita harmonia. Porém, infelizmente, eu vejo que os homens fizeram coisas muito diferentes das idéias originais das religiões. Mas, mesmo achando que dizer que todas as religiões são iguais seja muito simplista, eu até concordo com isso, num certo sentido.

Exemplo: eu vejo que todas as religiões são iguais no seu objetivo. Vejo que todas são iguais na incapacidade de explicar o que não pode (e não deve) ser explicado, mesmo que algumas achem que podem. Vejo todas as religiões com falhas, e todas com suas virtudes...

Porém, a maior e a mais inegável semelhança que eu vejo entre as religiões é o fato de que a grande maioria delas, ao menos as que se empenharam seriamente em buscar a Realidade transcendente da vida, ou as que derivam dos ensinamentos de alguém que de fato teve algum contato com a Verdade, chegaram a certas conclusões muito parecidas, senão idênticas, a respeito do modo de conduta que devemos adotar em nossas vidas.

"Não façais ao vosso próximo o que, se fosse feito a vós, causaria dor." – Mahabharata (Livro sagrado hindu)

"O que não queres que vos façam, não façais aos outros." - Hilel (rabino judeu)

"Aquilo que não desejas para ti, também não o faças às outras pessoas." - Confúcio

"Não firais ao próximo com o que vos fere." - Sidarta Gutama (o Buda)

"Quando o amor e a compaixão estão incorporados a nós, nossa afeição pelos seres é tal que não suportamos aspirar somente a nossa libertação pessoal." – Sutra Tibetano da Compaixão

"Ama o teu próximo como a ti mesmo. - O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles." – Jesus de Nazaré (o Cristo)

"Nenhum de vós sois um crente, enquanto não devotardes pelo próximo o mesmo Amor que devotais a vós próprios." – Maomé


Amor é consenso. Fazer o bem é consenso. Não negar ajuda a quem precisa é consenso. Ser desapegado das posses materiais é consenso. Se você amar a Deus, como Pai/Mãe da Criação, e amar ao seu próximo, se você viver uma vida ética, então sem dúvida estará vivendo em acordo com o que ensinaram todas as grandes religiões. E mesmo tradições como o judaísmo e o cristianismo, que ensinam que a fé e o Amor são os reais fundamentos da libertação, redenção e salvação, enfatizam que a verdadeira fé e o verdadeiro Amor se refletem, e só podem ser avaliados como reais, por meio das obras:

"A fé sem as obras é morta. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." - Tiago, 2:18 e 12:14-20


O próprio Jesus Cristo diz que os que serão salvos são aqueles que alimentaram os famintos, vestiram os nus e visitaram os que estavam na prisão, e não só os que dizem que tem fé. Isso está muito claro em Mateus, capítulo 25.

Tudo isso foi para dizer que a proposta de prática para esta semana é ao mesmo tempo fácil e difícil. Porque é simplesmente a prática das "boas obras" que venho propor. Esta prática não provém de nenhuma religião em especial, mas de todas elas ao mesmo tempo, porque tem destaque especial em todas as tradições religiosas.


"Grande é a Seara, poucos os trabalhadores..."


A prática

A prática proposta para esta semana, como disse, é bem fácil, mas também pode se revelar difícil para os que estão habituados ao comodismo. A proposta de prática para esta semana é, simplesmente, fazer o bem:

Em cada um dos dias desta semana, religiosamente, vou fazer o bem para alguém. Pode ser um gesto simples, pode ser algo maior. Mas eu não vou deixar de fazer o bem para o meu próximo, nenhum dia sequer, desta semana inteira, até a próxima segunda feira. Eu posso dar uma bala para uma criança, uma palavra de consolo a alguém que esteja com algum problema, posso ligar para aquele parente ou amigo que não vejo há anos, posso ir visitar alguém no hospital... Oportunidades não faltam, todos os dias, para fazermos o bem: em nosso trabalho, na escola ou faculdade, no caminho pra casa... Compre a bala do garoto que vende no coletivo. Compre um pacote de alimento não perecível e doe para alguma instituição. Você tem religião? Honre-a! Não tem? Prove que fazer o bem independe do credo! Mãos à obra, literalmente! Assim que possível, retornaremos ao assunto.


Boa prática a todos!



Mistério: mapas de Piri Reis

Inicio hoje uma nova série no Arte das artes. Esta vai abordar os grandes enigmas que desafiam a compreensão humana. - Os grandes mistérios, os fenômenos inexplicáveis, ao redor do nosso planeta ou em outros pontos deste nosso Universo ainda tão desconhecido. Como podem imaginar, o terreno é vastíssimo, e aqui se incluirão os assuntos mais variados, como mistérios antigos, ufologia, fenômenos que a ciência não consegue desvendar, grandes enigmas da humanidade, etc. O primeiro assunto é...


Os Mapas de Piri Reis

No início do século XVIII foram encontrados, no Palácio Topkapi, Istambul, certos mapas muito antigos que haviam pertencido a um oficial da marinha turca, o Almirante Piri Reis (1470-1554). Os mapas mostram as Américas, o oeste da África e a Região Antártica, sendo que esta última está representada na parte inferior de um deles. Estes mapas trazem muitos mistérios.

Em primeiro lugar, ocorre que a escala e a proporcionalidade destes mapas, no que corresponde ao continente Antártico, corresponde quase que perfeitamente à massa de terra que jaz há milênios sob espessa camada de gelo e que só recentemente foi revelada por meio de equipamentos especiais (registradores de ondas sonoras refletidas), sonares de última geração! Mas o mapa foi produzido em 1513! Como seria possível a um navegador do século XVI ter produzido um mapa, com detalhes topográficos precisos, de uma região que ainda não tinha sido descoberta e que era simplesmente impossível de ser observada nessa época?


Clique na imagem para ver o mapa ampliado


Mas não é só. As mais recentes pesquisas (do Professor Charles H. Hapgood e do matemático Richard W. Strachan) fornecem-nos informações ainda mais estonteantes. Confrontando fotografias do globo terrestre, batidas por câmeras instaladas para esse fim em vários satélites, percebemos que os "modelos" dos mapas de Piri Reis só podem ser apreciados se vistos de grandes distâncias do espaço!

Os mistérios envolvendo os mapas de Piri Reis não param. Eles nos levam à maluca conclusão, quase inequívoca, de que ou Piri Reis sobrevoou o planeta Terra de uma distância totalmente impossível para sua época, ou ele recebeu as informações de alguém que podia fazê-lo. Aviões não existiam, óbvio, mas ainda que existissem, isso não explicaria a confecção dos mapas. Seria preciso uma visão do espaço, somente possível, hoje, através de satélites!


Informações e curiosidades:

# Os mapas demonstram que o seu autor conhecia a circunferência precisa da Terra (em 1513!);

# Estudos sugerem que os mapas mostram latitudes precisas do litoral da América do Sul e da costa da África, o que seria também impossível;

# O mapa principal está centrado na cidade de Alexandria, centro cultural na Antiguidade onde se localizava a maior e mais antiga biblioteca do mundo;

# Descrições de Piri Reis no mapa indicam que alguns dos seus mapas-fonte datam da época de Alexandre, o Grande (332 aC!).


Algumas anotações feitas nos mapas de Piri Reis:

"Este país é inabitado. A população inteira anda nua."

"Esta região é conhecida como a 'Vila de Antilia'. Está localizada onde sol se põe. (...) Há uma pedra aqui. A pedra é preta. As pessoas a usam como um machado."

"Este mar é chamado de 'Mar Ocidental', mas os marinheiros o chamam de 'Mare d'Espagna'. (...) Até então se pensava que o mar não tinha fim ou limite, e que o seu fim estava localizado na escuridão. Agora descobriram que este mar tem uma costa, porque ele é como um lago; portanto o chamaram de 'Ovo Sano'."

"Neste ponto há bois com um chifre e também monstros nesta forma."



Conformação das terras no mapa de Piri Reis


Após ter sido descoberto em Topkapi, cópias do mapa foram enviadas aos maiores museus do mundo, mas em princípio não lhes foi atribuído grande valor. Em 1953, uma cópia chegou ao engenheiro-chefe do Departamento de Hidrografia da Marinha Americana, que alertou por sua vez Arlington H. Mallery, um especialista em mapas antigos. Foi então que o caso do mapa de Piri Reis veio a tona. Mallery fez estudar as cartas por algumas das maiores autoridades mundiais do assunto, como o cartógrafo J. Walters e o especialista polar R. P. Linehan. Com a ajuda do explorador sueco Nordenskjold e de Charles Hapgood e seus auxiliares, chegaram a uma conclusão sobre o sistema de projeção empregado nos mapas: embora muito antigo, o sistema de Piri Reis era exato. Charles Hapgood foi o responsável por ter tornado o mapa de Piri Reis tão famoso. No seu livro, "Maps of the Ancient Sea-Kings", de 1966, fez diversas revelações. Aqui, um resumo delas:

"O mapa mostra, com nitidez, centenas de pontos do globo terrestre que só seriam conhecidos, oficialmente, séculos depois, com os navegadores espanhóis, portugueses, holandeses e ingleses. Eles também revelam detalhes geológicos surpreendentes. (...) No mapa aparecem extremamente bem desenhados os detalhes da costa do continente americano. Até mesmo a cordilheira dos Andes aparece em detalhes, bem como as montanhas da Antártida. Possuí uma exatidão impressionante nomeadamente no que tange aos contornos da Antártida, cujos contornos mais ou menos exatos, só foram possíveis de determinar nos dias que correm, mais concretamente a partir da década de 60 do século XX, com o recurso a meios aéreos e a satélites. - O aspecto alongado das massas de terra se devem a uma projeção eqüidistante do centro do mapa, localizado sobre Alexandria, Egito, similar ao obtido por um satélite EM GRANDE ALTITUDE sobre o local.


Uma cópia do mapa foi enviado para o Esquadrão de Reconhecimento Técnico da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), encarregado da cartografia militar norte-americana, com a intenção de verificar a precisão de seus contornos. Em 6 de Julho de 1960, o tenente-coronel Harold Z. Ohlmeyer relatou suas conclusões: nelas admitia que a costa antártica que representava o mapa teria, forçosamente, que "ser cartografada antes que fosse coberta pela capa de gelo". Essa seria a única explicação lógica. - Acontece que isso aconteceu há mais de 6 mil anos atrás! Charles Hapgood conclui: Ou isso ou...

..."A evidência apresentada nos antigos mapas parece sugerir a existência, em tempos remotos, antes do aparecimento de qualquer das culturas conhecidas, de uma verdadeira civilização; de um tipo avançado, a qual estava localizada em uma área mas tinha comércio mundial, ou era, realmente, uma cultura mundial."


Os mapas, produzidos no século XVI, demonstram com exatidão a camada de Terra que há sob as geleiras da Antártica, A escala e proporcionalidade dos mapas corresponde exatamente às de fotografias que só podem ser tiradas por satélites. Ou seja, a conformação e a disposição dos continentes nestes mapas só podem ser divisadas do espaço. É ou não um grande mistério?


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Fontes e bibliografia:
HAPGOOD, Ch. H. Maps of the Ancient Sea Kings, Philadelphia/New York: Chilton Books, 1965;
SOUCEK, Svat. Piri Reis and Turkish Mapmaking after Columbus. Studies in the Khalili Collection, vol. II, Cambridge: Oxford University Press, 1966;
CeticismoAberto.Com;
FenômenoMatrix.Com.

Budismo - conclusão


As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do budismo e entender o seu significado é essencial para o autodesenvolvimento e o alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o Nirvana.

As Seis Perfeições do budismo são: #1: Caridade; - #2: Moralidade; - #3: Paciência; - #4: Perseverança; - #5: Meditação; - #6: Sabedoria.

A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidades, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a Paz e a Felicidade possam ser definitivamente conquistadas.


Para ser budista

Quem deseja tornar-se budista, deve receber o refúgio na chamada Jóia Tríplice, como um comprometimento com a prática dos ensinamentos de Buda. A Jóia Tríplice consiste em: Buda, Dharma e Sangha.

Budistas laicos podem apenas fazer o voto de praticar cinco preceitos em suas vidas diárias, que são: #1: Não matar; - #2: Não roubar; - #3: Não ter conduta sexual inadequada; - #4: Não mentir; - #5: Não se intoxicar (não usar drogas nem comer alimentos inadequados).

O preceito de não matar e aplica principalmente a seres humanos, mas deve ser estendido a todos os seres sencientes. É por isso que a Sangha e muitos budistas devotos são vegetarianos.

Muitos budistas montam um altar em algum canto tranquilo de suas casas para a recitação de mantras e a meditação diária. O uso de imagens budistas em locais de culto deve ser visto como simbologia. - Os mestres enfatizam o fato de que essas imagens em templos ou altares domésticos servem apenas para nos lembrar a todo momento das respectivas qualidades daquele que representam. Fazer oferendas e reverências são manifestações de respeito e veneração aos Budas e Bodhisattvas.

“A vida humana é preciosa, e, no entanto, nós a conseguimos. O Dharma é precioso, e, no entanto, nós o ouvimos. Se não nos cultivarmos nesta vida, teremos essa chance novamente?” – Venerável Mestre Hsing Yün (Templo Zu Lai)


Alguns termos típicos do budismo:

Boddhisattva – Um ser iluminado que fez o voto de servir generosamente a todos os seres vivos com bondade amorosa e compaixão para aliviar sua dor e sofrimentoe levá-los ao caminho da iluminação. Os Boddhisattvas mais populares no budismo chinês são Avalokitesvara, Ksitigarbha Samantabhadra e Manjusri.

Buda Amithaba – Buda da Luz e Vida Infinitas – É associado com a Terra Pura do Ocidente, onde recebe seres cultivados que chamam por seu nome.

Buda Maitreya – O "Buda Feliz" e o "Buda do Futuro" – Depois da iluminação de Sakiamuni, acredita-se que o próximo Buda a visitar o nosso planeta seria este. Trata-se daquele gordinho sorridente, sempre sentado e que nós vemos representado sob a forma de estatuetas, chaveiros, etc.

Mudra – São os gestos das mãos que geralmente se vê nas representações dos Budas, e significam um tipo de comunicação não-verbal. Cada mudra (lê-se 'mudrá') tem um significado específico. Por exemplo, as imagens de Amithaba o apresentam com a mão direita erguida com o dedo indicador tocando o polegar e os outros três dedos estendidos para cima = simboliza a busca pela iluminação. A mão esquerda, mostra um gesto similar, mas apontando para o chão, simbolizando a liberação de todos os seres sencientes.

O símbolo da suástica (swastika) foi auspicioso na Índia, Pérsia e Grécia, simbolizando o sol, o relâmpago, o fogo e o fluxo da água. Foi usado pelos budistas por mais de dois mil anos para representar a virtude, a bondade e a pureza do insight de Buda na hora da Iluminação. Isso muito antes de Hitler tê-lo escolhido para simbolizar o terceiro reich e a superioridade da raça ariana.


Características singulares do budismo

O Karma

O karma é um ensinamento budista fundamental. E é um dos mais complexos e freqüentemente mal compreendidos. "Karma" é um termo do sânscrito que significa ação ou ato. Qualquer ação física, verbal ou mental pode ser chamada de karma. Karma significa, portanto, uma resposta automática a quaisquer de nossos atos. O budismo vale-se de uma simbologia muito própria para explicar a ação do karma no mundo. Diz que as sementes de karma positivo e negativo encontram-se armazenadas no “alaya-vijnana”, o “armazém da consciência”. Tais sementes manifestam-se quando surgem as condições apropriadas. As manifestações dessas sementes são os frutos do karma. Aqueles que alcançam o Samadhi (Liberação do mundo dos fenômenos através da meditação) podem libertar-se da ação do karma. - O karma desses seres denomina-se “karma imóvel”. Os frutos do karma podem amadurecer em momentos diferentes na vida de uma pessoa, por duas razões: a primeira é a força da causa, que determina quando o efeito surgirá. A segunda razão está no fato de que as condições necessárias podem demorar mais ou menos a se manifestar. Diz um ditado budista que “Todos os atos, bons ou maus, geram conseqüências. É só uma questão de tempo até se manifestarem".

Karma significa a Lei de causa e efeito, que é inexorável. Uma determinada causa tem que resultar, inevitavelmente, em um determinado efeito: não há fuga nem exceção. Aqui está uma diferença primordial entre cristianismo e budismo. - A inexorável Lei do Karma budista exclui a possibilidade do Perdão Incondicional, que é a base da doutrina cristã. Por isso alguns monges beneditinos e franciscanos têm o seu próprio ditado: “O doutrina do Buda é o mais perto possível que o homem consegue chegar de Deus. Mas a doutrina do Cristo é a dádiva divina que permite ao homem se tornar uno com Deus, agora, independente dos méritos”. - Isto é: errar é humano e não há quem não erre. Mas o perdão é divino, e se não fosse por ele, nós nunca, jamais conseguiríamos escapar da lei de causa e efeito, porque a cada nova vida cometeríamos mais e mais erros, inevitavelmente, acumulando mais e mais karma negativo. Seria simplesmente impossível nos libertarmos deste círculo vicioso sem fim. A única solução é o perdão, puro e simples, que pressupõe o Amor maior que a Justiça, independente dos nossos erros.

Não há como negar, porém, que a Lei de Causa e Efeito é algo real, e que aquilo que os budistas chamam de karma tem fundamentos bem sólidos. As diferenças estão na crença de que ela não possa ser quebrada ou revertida, sob nenhuma hipótese. No budismo, existem diferentes categorias em que se classifica o karma: individual ou coletivo, por exemplo – O karma acumulado por uma única pessoa (individual) resulta em determinada força; o karma acumulado por centenas ou milhares de pessoas (coletivo) resulta numa força maior, enquanto o karma de toda uma nação, de milhões ou bilhões de pessoas, resulta em conseqüências catastróficas. O que acontece com tantos países e o estágio que atravessa atualmente o nosso planeta, devido a nossa estupidez, seria um ótimo exemplo de karma negativo...


A Gênese Condicionada

Outra característica singular do budismo, A Gênese Condicionada, se fundamenta em três princípios básicos:

O primeiro diz que “Todos os Efeitos Surgem de Causas”. - É o "Hetupratyaya" ('Causa e Condição'), que está profundamente relacionado com a noção do karma, e que trata das causas e condições que regem a Vida e a existência.

O segundo princípio da Gênese Condicionada reside no fato de que "Todos os Fenômenos Existem em Consonância com a Verdade”. A Verdade “é” desde sempre: “A Verdade era originalmente, é inevitavelmente e é universalmente”. Isto quer dizer que a Verdade é, independente do que pensamos, do que escolhemos ou daquilo em que preferimos acreditar. Ela simplesmente é. Não pode ser modificada por discussões e não precisa ser descrita em palavras. Nunca surgirá um fenômeno que não esteja de acordo com a Verdade.

O terceiro princípio diz que “o Surgimento da Existência Depende de Sunyata”, que é outra característica singular do budismo.


Sunyata

Sunyata é um conceito muito difícil de ser compreendido pelas mentes ocidentais. “Sunyata” quer dizer “Vazio”. Mas não significa o nada absoluto. Quer dizer que os princípios do Dharma não têm uma natureza específica, e, portanto, são descritos como vazios. Além disso, na visão budista, os elementos físicos são fundamentalmente vazios. A natureza de todos os eventos e fenômenos deste mundo e deste Universo foram descritos pelos Budas como vazios, sem existência verdadeira. Sunyata pode ser percebido através da existência ilusória da continuidade, da natureza ilusória dos ciclos, da natureza ilusória das combinações, da natureza ilusória da relatividade, da natureza ilusória das aparências, da natureza ilusória dos termos (nomes) e da natureza ilusória dos diferentes pontos de vista. Como se percebe, é um conceito profundíssimo, que exige muito estudo e meditação.


Os três Selos do Dharma

#1: Todas as coisas condicionadas são impermanentes;

#2: Nenhum Dharma tem individualidade substancial;

#3: O Nirvana é a paz perfeita.



Fontes bibliográficas:
YUN Hsing. What is Buddhism?, Chung Tian Temple: Fo Guang Shan Brasil/IBPS Brasil/International Buddhist Association of Queensland, 2001;
PAULING, Chris. Introducing Buddhism, New York: Windhorse Publications, 1997.



Aforismos de João da Cruz


Ser sem ser

"Para chegares a saborear tudo,

não queiras ter gosto em coisa alguma.

Para chegares a possuir tudo,

não queiras possuir coisa alguma.

Para chegares a ser tudo,

não queiras ser coisa alguma.

Para chegares a saber tudo,

não queiras saber coisa alguma.

Para chegares ao que gostas,

hás de ir por onde não gostas.

Para chegares ao que não sabes,

hás de ir por onde sabes.

Para ires ao que não possuis,

hás de ir por onde possuis.

Para chegares ao que não és,

hás de ir por onde és."


Modo de não impedir o Tudo:

"Quando reparas em alguma coisa,

deixas de ver o Tudo.

Porque para ir de todo ao Tudo,

hás de negar-te de todo em tudo.

E quando vieres a tudo ter,

hás de tê-lo sem nada querer.

Porque se queres ter alguma coisa em tudo,

não tens puramente em Deus teu tesouro."



"Textos de São João da Cruz - para Ler com os Olhos da Alma" - Tradução: monjas da Ordem das Carmelitas Descalças.



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Faça alguém feliz neste Natal


A todos os leitores do Arte das artes;


Esta é uma campanha de fraternidade da instituição Toca de Assis. Se vocês puderem ajudar, isso seria realmente uma excelente e verdadeira prática espiritualista, tão boa ou melhor do que muitas horas de meditação ou recitação de mantras ou... enfim, isto é o resumo de tudo: amar e praticar o Amor! Por isso, hoje eu vim pedir a todos vocês, na maior cara de pau: Ajudem!

Transcrevo abaixo o apelo que recebi dos meus amados irmãos da Toca de Assis:


"Não conseguimos fechar as quantidades de kits deste ano, para realizarmos a distribuição na nossa celebração do Natal junto aos nossos irmãos moradores de rua. Nos ajude! Por favor, veja qual o item com que você poderia nos ajudar a levar um pouquinho de felicidade para esses nossos próximos que sofrem.

Cada kit contém:

1 toalha de banho;
1 prestobarba;
1 chinelo de nº 37 a 43;
1 sabonete;
1 creme de barbear;
1 desodorante;
3 peças intimas (cuecas ou meias - na rede Carrefour está custando R$ 5,00);
1 escova de dentes;
1 pasta de dente;
1 cortador de unha;
1 gel para cabelo.

Doações de quaisquer desses itens, em qualquer quantidade, podem ser entregues na Casa Fraterna Toca de Assis mais próxima, ou na rua Amador Bueno, nº 30 - Vila Industrial, Campinas-SP - CEP 13035-030 (Você pode enviar a sua doação de qualquer desses itens via correio).

Você também pode fazer doação de qualquer valor na conta da "Fraternidade de Aliança Toca de Assis", no Banco Bradesco - agência 311-5 conta 92225-0.

Maiores informações pelo tel.: (19) 3274-2000 com Andréia ou pelo e-mail jornalismo@tocadeassis.org.br


Deus lhes pague!


- Irmão João Paulo"



FRATERNIDADE DE ALIANÇA TOCA DE ASSIS
RUA AMADOR BUENO, 30, VILA INDUSTRIAL
CAMPINAS-SP CEP 13035030
FONE (19) 3274-2000


Sabem o que mais me toca? Enquanto nós estamos aqui resolvendo se vamos comer peru, pernil ou os dois, com ou sem frutas em calda; farofa doce ou salgada; enquanto temos que decidir a marca do espumante que vamos estourar à meia noite e coisas assim... Esses abnegados não estão conseguindo montar seus pequenos kits para distribuir aos milhares de seres humanos iguaizinhos a nós que moram nas ruas, porque não há quantidade suficiente desses itens básicos.

O presente de Natal dessas pessoas será uma singela embalagem produzida artesanalmente, contendo pasta de dente, escova, xampu... coisas muito importantes para eles, e muito úteis. E eu já vi a reação deles quando recebem os presentes... Ficam mais felizes do que muitas crianças que ganham aquele vídeo game de última geração.

Então, se você puder, por favor, adquira um ou mais dos itens relacionados acima, procure uma agência dos Correios e envie para o endereço citado. Esse que escreveu aí em cima "Deus lhe pague", eu dou a minha palavra que é um "santinho" na Terra. Eu conheço esse pessoal, como sabem, e garanto que eles merecem a nossa ajuda. Feliz Natal, queridos.



( Comentar no Livro de Mensagens

Budismo


O budismo é uma filosofia de vida que procura se basear integralmente nos ensinamentos do Buda para todos os seres, que, segundo a fé budista, revela a verdadeira face da Vida e do Universo. Quando pregava, o Buda não pretendia convencer as pessoas, mas iluminá-las. É uma religião de sabedoria, onde conhecimento e inteligência predominam; uma religião prática, devotada a condicionar a mente inserida em seu cotidiano, de maneira a levá-la à paz, serenidade, alegria, sabedoria e liberdade perfeitas. Também é chamado de “budismo humanista”.

Logo após a morte de Sakiamuni, foi realizado o primeiro concílio budista (em Rajagrha (hoje Rajgir, no estado do Bihar, na Índia), que reuniu 500 membros, a fim de coletar e organizar os ensinamentos do Buda, o Dharma. Este se tornou o único guia e a fonte de inspiração da Sangha (comunidade budista). Seus discursos são chamados de Sutras. Mas foi no Segundo Concílio Budista (de Vaisali), realizado algumas centenas de anos após a morte do Buda, que as duas grandes tradições, hoje conhecidas com "Theravada" e "Mahayana", começaram a se formar. Os theravadins resolveram seguir o cânone páli, enquanto os mahayanistas escolheram os sutras que foram escritos em sânscrito como base dos seus estudos.

As duas principais tradições, apesar de compartilharem certos princípios essenciais, possuem métodos diferentes de buscar a iluminação. A linha “Theravada”, ou “Pequeno Veículo”, enfatiza o alcance da iluminação através do próprio esforço. É comum no Sri Lanka, Tailândia, Burma, Laos, Camboja e Malásia. Nesta tradição o nível de iluminação é a condição de "Arahat" - um ser em cuja a mente não surgem fatores insalubres, que segue um caminho de auto poder, não aceitando e tentando esmagar sua Natureza.

A linha “Mahayana”, ou “Grande Veículo”, busca não só a auto-iluminação, mas também enfatiza o servir a todos os seres sescientes. Os "bodhisattvas" (seres iluminados da tradição Mahayana) levam adiante, incansavelmente, a missão de salvar o Universo. Seus atributos principais são o amor, compaixão, generosidade, sabedoria e uma ilimitada capacidade de servir aos outros. Mahayana é comum na China, Mongólia, Coréia, Tibete e Japão. Dentro dessa tradição há muitas escolas, incluindo o budismo C’han (China), Zen (Japão) e Tântrico (Tibete).

Os ensinamentos do Buda foram transmitidos pela primeira vez, fora da Índia, no Sri Lanka, durante o reinado do rei Asoka (272-232 aC). Na China, a História registra que dois missionários budistas da Índia chegaram na corte do imperador Ming no ano 68 dC e lá permaneceram para traduzir textos budistas. Durante a dinastia Tang (602-664 dC) um monge chinês, Hsuan Tsang, cruzou o deserto Ghobi até a Índia, onde reuniu e pesquisou sutras budistas. Ele retornou à China dezessete anos depois com grandes volumes de textos budistas e a partir de então passou muitos anos traduzindo-os para o chinês.

Finalmente, a fé budista se espalhou por toda a Ásia, enquanto, ironicamente, praticamente se extinguia na Índia até 1300 dC. Os chineses introduziram o budismo no Japão. A tolerância, o pacifismo e a equanimidade promovidos pelo budismo influenciaram significativamente a cultura asiática. Mais recentemente, muitos países ocidentais têm demonstrado considerável interesse pelas religiões orientais, e centenas de milhares de pessoas vêm adotando os princípios do budismo.


Karma

Uma pessoa é a combinação de matéria e mente. A mente é a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico – na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação duração, deterioração e cessação. O Buda ensinou que a interpretação da vida através de nossos seis sensores (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente) não é mais do que uma ilusão. Quando duas pessoas experimentam um mesmo acontecimento, a interpretação de uma pode levar à tristeza, enquanto a da outra pode levar à felicidade. É o apego às sensações, desenvolvidas nesses seis sentidos, que resulta em desejo e ligação passional, ou seja, apego.

Os budistas acreditam que as condições dos nascimentos das pessoas estão associados à consciência proveniente das memórias e do Karma herdados de vivências passadas. “Karma” é uma palavra que significa, no sânscrito, “ação”, “trabalho” ou “feito”. Qualquer ação física, verbal ou mental, realizada com intenção, pode ser chamada de karma. Assim, boas atitudes poderiam produzir karma positivo e más ações karma negativo.

Há seis tipos de existência: devas (deuses), asuras (semideuses), humanos, animais, pretas (espíritos famintos) e seres do Inferno. Sim, dentro da tradição budista, os deuses estão sujeitos às mesmas limitações humanas. Cada um desses seis reinos está sujeito às dores do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte. O renascimento em alguma dessas formas superiores ou inferiores é determinado pela qualidade dos atos do indivíduo, o karma.


Nirvana

Através da prática diligente, do proporcionar compaixão e bondade amorosa a todos os seres vivos, do condicionamento da mente para evitar apegos e eliminar karma negativo, os budistas acreditam que finalmente alcançarão a Iluminação. Quando isso ocorre, eles são capazes de ascender ao estado de Nirvana. O Nirvana não é um local físico, mas um estado de consciência suprema de perfeita felicidade e libertação.


Sofrimento

O Buda Sakyamuni ensinou que uma grande parcela do sofrimento em nossas vidas é auto-infligido, oriundo de nossos pensamentos e comportamento, os quais são influenciados pelas habilidades de nossos seis sentidos. Nossos desejos, - por dinheiro, poder, fama, bens materiais... – e nossas emoções – raiva, rancor, ciúme, inveja... – são fontes de sofrimento causado por apego e por essas sensações negativas. Nossa sociedade tem enfatizado consideravelmente a beleza física, a riqueza material e os status social, desde tempos imemoriais. Nossa obsessão com as aparências e com o que as outras pessoas pensam a nosso respeito são também fontes de sofrimento.

Portanto, o sofrimento está primariamente associado com as ações da nossa mente. É a ignorância que nos faz tender à avidez, às vontades doentias e à ilusão. Como conseqüência, praticamos maus atos, causando diferentes combinações de sofrimento. O budismo nos faz vislumbrar maneiras efetivas e possíveis de eliminar todo o nosso sofrimento, e, mais importante, de alcançar a libertação do ego.




As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo

As quatro nobres verdades foram compreendidas pelo Buda em sua Iluminação. Pra erradicar a ignorância, que é a fonte de todo o sofrimento, é necessário entender As Quatro Nobres Verdades, caminhar pelo Nobre Caminho Óctuplo e praticar as Seis Perfeições (Paramitas).


As Quatro Nobres Verdades são:

#1: A Verdade do Sofrimento

A vida é sofrimento. A vida está sujeita a todos os tipos de sofrimento, sendo os mais básicos o próprio nascimento (já chegamos nesse mundo com dor e medo), o envelhecimento, doença e morte. Ninguém, independente de quaisquer condições, está isento deles.

#2: A Verdade da Causa do Sofrimento

A ignorância leva ao desejo e à ganância, que, inevitavelmente, resultam em sofrimento. A ganância produz apego, uma das raízes do sofrimento.

#3: A Verdade da Cessação do Sofrimento

A cessação do sofrimento advém da eliminação total da ignorância e do desapego à ganância e aos desejos, alcançando um estado de suprema bem-aventurança ou Nirvana, onde todos os sofrimentos são extintos.

#4: A Verdade do Caminho que leva à Cessação do Sofrimento

O caminho que leva à cessação do sofrimento é o Nobre Caminho Óctuplo.


O Nobre Caminho Óctuplo

#1: Compreensão Correta

Conhecer as Quatro Nobre Verdades de maneira a entender as coisas como elas são.

#2: Pensamento Correto

Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa e da aversão a prejudicar os outros.

#3: Palavra Correta

Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas.

#4: Ação Correta

Abster-se de matar, roubar e ter conduta sexual indevida.

#5: Meio de Vida Correto

Evitar qualquer ocupação que prejudique os demais, tais como o tráfico de drogas ou matança de animais.

#6: Esforço Correto

Praticar autodisciplina para obter o controle da mente, de maneira a evitar estados de mente maléficos e desenvolver estados de mente sãos.

#7: Plena Atenção Correta

Desenvolver completa consciência de todas as ações do corpo, fala e mente para evitar atos insanos.

#8: Concentração Correta

Obter serenidade mental e sabedoria para compreender o significado integral das Quatro Nobres Verdades.


"Aqueles que aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz, livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito de abnegação e bondade amorosa" - Venerável Mestre Hsing Yün.



Fontes bibliográficas:
YUN Hsing. What is Buddhism?, Chung Tian Temple: Fo Guang Shan Brasil/IBPS Brasil/International Buddhist Association of Queensland, 2001;
PAULING, Chris. Introducing Buddhism, New York: Windhorse Publications, 1997.


Proposta prática #2

Brevíssimo relatório da prática anterior: Informo que, feliz ou infelizmente, durante a semana que passou, eu não tive a oportunidade de praticar, ao menos de uma maneira que merecesse ser mencionada aqui, a prática proposta na última segunda feira, a de "Oferecer a Outra Face". Mas talvez ainda voltemos a falar sobre isso...

Prólogo: Antes de qualquer outra coisa, gostaria de esclarecer o objetivo desta série de postagens sobre práticas espirituais. - Obviamente, a idéia não é apenas praticar por uma semana e observar os resultados. Acontece que mudar para melhor qualquer coisa, em nossas vidas, implica esforço. E é por isso que estamos buscando algo bem próximo do lema dos admiráveis Alcoólatras Anônimos: "Só por hoje eu não vou beber". Em outras palavras: assumir para si mesmo um compromisso difícil (como o de 'dar a outra face', por exemplo), para o resto da vida, é algo complicado; pode soar abstrato, distante - há uma tendência de nos esquecermos, de "relaxarmos", com o tempo - nossa determinação inicial tende a esmorecer, e quando nos apercebemos, estamos fazendo tudo aquilo que um dia nos comprometemos a não fazer. Porque este mundo é complicado, as dificuldades estão em toda parte, o tempo todo. Mas, a partir do momento em que passamos a concentrar os nossos esforços num único período curto de tempo, seja um dia ou uma semana, fica mais fácil manter o cuidado e a atenção. O "Vigiar e Orar" fica possível. E assim conseguimos comprovar, pessoalmente, objetivamente, que estes princípios não são apenas abstrações, não são só palavras bonitas e inspiradoras... mas que eles funcionam na prática.


Impermanência

O entendimento e a prática da Impermanência não são apenas descrições da realidade. Compreender o conceito budista da Impermanência pode ser uma ferramenta extremamente útil em nossa transformação interior, cura e emancipação. Eu não tenho a ilusão de conseguir transmitir através desta postagem a imensa importância deste princípio magno. Mas digo que assimilá-lo nos levará à compreensão da Verdade.

Impermanência significa que tudo muda e que nada permanece o mesmo em dois momentos sucessivos. As coisas mudam a todo momento, elas não podem ser descritas com precisão como as mesmas que eram há a um momento atrás.

Quando Confúcio estava na margem de um rio, assistindo seu fluxo, ele disse: "Isto flui assim, dia e noite, sem fim". Ele compreendeu que o rio que estivera observando, um dia antes, não era o mesmo rio que observava naquele momento. Se hoje tomarmos banho no mesmo rio em que nos banhamos ontem, estaríamos nos banhando realmente no mesmo rio? Heráclito disse que "nós não podemos entrar duas vezes no mesmo rio". Ele tinha razão: as águas do rio, hoje, são diferentes das águas em que nos banhamos ontem. - Foram completamente renovadas. Poderíamos dizer que estaríamos tomando banho num outro rio, e, avançando ainda mais nessa linha de raciocínio, a pessoa que toma banho no rio, hoje, também é outra. Os pensamentos de quem entrou no rio, ontem, eram diferentes, as preocupações eram outras... morremos todas as noites, ao nos deitarmos, e voltamos a nascer ao despertarmos, todas as manhãs. A isto o budismo chama Impermanência.

Apesar de estar na essência da doutrina budista, a importância da Impermanência está presente e evidenciada no texto bíblico, no Antigo e no Novo Testamentos. É um princípio essencial do judaismo, do hinduismo, do cristianismo, do islamismo e de praticamente todas as tradições religiosas que existem. O insight da Impermanência nos ajuda a ir além de todos os conceitos. Nos ajuda a ver que o mundo não é o mesmo mundo a cada nova olhada que damos nele. Nos mostra que a chama que acendemos na vela antes de dormir não é a mesma chama queimando na manhã seguinte. Compreender isto, profundamente, é importante porque nós freqüentemente ficamos tristes, e sofremos muito quando as coisas mudam, mas a mudança e a Impermanência são positivas. Graças à Impermanência, tudo é possível. - Graças a ela, a própria vida é possível:

"Hokusai", a "Grande Onda ao Largo de Kanawaga"

Se uma semente não for impermanente, ou seja, se ela não "morrer" e secar, nunca poderá se transformar em uma árvore. E se a árvore não fosse impermanente, nunca poderia nos proporcionar frutos e flores. E quanto aos seres humanos? Se o seu corpo não fosse impermantente, você não poderia ter se tornado a pessoa que é hoje, forte e imune a diversas doenças, apta a interagir com o mundo e com outros seres; desfrutando e proporcionando alegria. Os pais também não compreendem que, se a sua bebezinha linda não fosse impermanente, ela não poderia crescer e se tornar uma mulher, e se não fosse por uma mulher nenhum de nós estaria aqui, hoje, pra começar.

A maior parte do tempo, nos comportamos como se nossos filhos sempre fossem estar em casa conosco. Nós nunca pensamos que em alguns poucos anos eles nos deixarão para se casar e ter as próprias famílias. É por não compreendermos a Impermanência que não valorizamos os momentos em que nossos filhos estão conosco. Eu conheço muitos pais cujos filhos aos dezenove ou vinte anos deixam suas casas e vão morar sozinhos. Só então eles percebem o quanto foram descuidados, então sofrem e se sentem arrependidos. Quantas vezes deixaram de dizer: “Você é importante pra mim”, ou “Eu amo você, tudo que sempre quis foi o seu bem”... O fato é que a maioira dos pais não costuma valorizar os momentos que têm com seus filhos. O mesmo vale para os próprios filhos com relação aos seus pais, e também para os namorados, maridos e esposas e para os grandes amigos. Você pensa que o seu parceiro, seja um(a) namorado(a), eposo(a) ou amigo(a), estará lá por toda a sua vida, mas como você pode estar seguro disso? Nós realmente não temos nenhuma idéia de onde nós ou nossos parceiros estarão em dez anos, um ano, um mês ou mesmo amanhã! Por isso é importante nos lembrarmos da prática da compreensão da Impermanência, diariamente.

A Impermanência também deveria ser entendida à luz da interdependência. Porque todas as coisas que existem no mundo natural são interdependentes, ou seja, elas estão constantemente influenciando umas às outras. É dito que as asas de uma borboleta que se agitam de um lado do planeta podem afetar o clima do outro lado. As coisas não podem ficar do mesmo modo porque elas são influenciadas por tudo o mais que existe.

Todos nós podemos entender a Impermanência num certo nível, com o nosso intelecto, mas isto não é a verdadeira compreensão. Apenas nosso intelecto não nos pode conduzir à liberdade. Quando nos concentramos verdadeiramente, podemos praticar o olhar em profundidade, que pode também ser chamado meditação. Quando olhamos profundamente e vemos a natureza da Impermanência, e conseguimos ficar concentrados neste insight profundo, isto é aceitar a Impermanência. Essa expressão intrínseca da Verdade se torna uma parte integrante do nosso ser; se torna nossa experiência diária. E assim podemos ver e viver a Impermanência todo o tempo, sem dor, sem apegos, sem sofrimentos inúteis. Esta é a raiz do desapego. Quando nós pudermos compreender o milagre da Impermanência, nossa tristeza e sofrimento passarão. Este é um passo imenso no Caminho dos buscadores.

Compreender a Impermanência é uma chave que abre a porta de Realidade.


A prática

Quando alguém disser algo que lhe provocar raiva e você desejar que essa pessoa fosse embora, procure olhar a situação profundamente com os olhos da Impermanência. Se ele ou ela tivesse ido, o que você sentiria realmente? Você estaria contente ou se lamentaria? Quando está irritado, o que você faz normalmente? Grita, tenta culpar outra pessoa pelos seus problemas?.. Mas olhando para a raiva com os olhos da Impermanência, você pode parar e respirar.

Dilgo Khyentse Rinpoche, professor do Dalai Lama, aos 78 anos de idade, disse:

"Vi muita coisa durante minha vida. Tantos jovens morreram, tantas pessoas de minha própria idade morreram, tantos homens idosos morreram. Tanta gente que esteve no alto e depois caiu. Tantas pessoas que, de baixo, se elevaram. Tantos países mudaram. Houve tanta confusão e tragédia, tantas guerras e epidemias, tanta destruição terrível ao redor do mundo. E apesar disso, todas essas mudanças não são mais do que um sonho. Quanto você olha em profundidade, pode perceber que nada existe de permanente e constante, nada, nem mesmo o mais fino fio de cabelo do seu corpo. E isso não é teoria, mas algo que você pode de fato entender e até ver com precisão, com os seus próprios olhos."

A razão pela qual somos tolos o bastante para sofrermos e fazermos outra pessoa sofrer é que nos esquecemos que somos, nós e a outra pessoa, impermanentes. Algum dia, deixaremos este mundo, com todas as suas posses, poder, títulos, cargos, carreiras, família, prazeres... Tudo. Isto é Impermanência. - Nossa liberdade, paz e alegria no momento presente são as coisas mais importantes que temos. Mas sem um entendimento desperto da Impermanência, não é possível estar feliz, nunca. Nunca, nem mesmo quando estamos vivenciando experiências muito boas. Durante toda esta semana, eu vou me lembrar disso, todos os dias, em todos os momentos. Vou me esforçar para tanto. Talvez eu escreva isso num papelzinho que vou dobrar e carregar comigo, no meu bolso. Cada vez que eu enfiar a mão no bolso vou me lembrar da impermanência. E vou mudar meu modo de ver o mundo e a vida.

Algumas pessoas nem mesmo querem olhar para uma outra pessoa quando ela está viva, mas quando essa pessoa morre, escrevem homenagens eloqüentes e fazem oferecimento de flores. Naquele momento a pessoa morreu e não pode mais desfrutar da fragrância das flores. Se nós realmente entendemos e nos lembramos que aquela vida era impermanente, fazemos tudo o que podemos para fazer a outra pessoa feliz agora mesmo. Porque só o agora é real. Se nós passamos vinte e quatro horas com raiva de alguém, esta é uma prova do quanto somos ignorantes sobre a Impermanência.

A proposta para esta semana será, obviamente, praticar a Impermanência
:

Durante toda esta semana, eu vou me lembrar disso, e fazer tudo de bom que eu puder pela minha vida e pela vida do meu próximo, como se não houvesse amanhã, porque na verdade não há.

Durante toda esta semana, eu vou praticar a compreensão da Impermanência. Não vou me apegar. Não vou acreditar que sou eterno. Assim serei capaz de dar o devido valor aos bens materiais, efêmeros e transitórios, e principalmente aos bens eternos, aqueles que se refletem nos meus atos e nos meus pensamentos.


Uma boa prática e até a próxima semana!



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