Bhakti Yoga - o caminho da devoção




"Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu pensamento. Esse é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a esse, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos depende toda a Lei e os profetas." - Mateus, 22:37-39


Sim. Isto resume tudo. E talvez uma das ferramentas mais úteis que eu já encontrei para me aperfeiçoar (internamente) nesta prática tenha tenha sido o Yoga, uma disciplina que surgiu na minha vida bem antes do reencontro definitivo com Jesus Cristo.

Chama-se "Bhakti Yoga" a devoção ao Reino Divino através da adoração e do Amor. Bhakta é como se chama o devoto que, na adoração de uma imagem/expressão de Deus, entra em êxtase. Ele experimenta a mais intensa felicidade quando abrasado no Amor Divino, e nesse momento se esquece do ego; se esquece de tudo e exulta, bem-aventurado, consumido e arrebatado nesta Graça incomparável.

O Amor reduz a distância. A adoração unifica o devoto com o Objeto de sua devoção. Humilde e amoroso, o bhakta vê Deus como Pai, Mãe, Próximo, Amigo... Quando ele ora, sua prece é declaração de amor. Ele medita somente para, meditando, buscar uma proximidade cada vez maior com o Amado.

O bhakta sabe amar a tudo e a todos e, amando tudo e todos, ama o Todo.

Bhakti é amor irrestrito e doação total. Nada pede. Nada espera. Nada reclama. Não aspira reciprocidade e nem mesmo o prazer incomparável resultante desse intenso amar.

Mas os professores alertam o bhakta quanto aos desvios, e a que tipo de desequilíbrio a devoção pode levá-lo. Se não houver "viveka", isto é, discernimento, o bhakta corre o risco de resvalar para o fanatismo. De novo a importância do Caminho do Meio... mas por que é que alguém não deveria "mergulhar de cabeça" em alguma coisa realmente boa? Um dos problemas aqui é que o fanático não admite outra expressão da Divindade que não seja aquela que ele adora. Devotos fanáticos têm ensangüentado campos de batalha em suspeitas “guerras santas”.

Enquanto o fanatismo cega, o discernimento ilumina.

Além disso, o maior perigo é que mesmo o Bhakti Yoga pode corromper, gerando beatos inoperantes e indiferentes aos dramas de seu mundo, total e egoisticamente entregues às delícias da adoração e ao fervor dos rituais, estacionando seu crescimento espiritual neste ponto, quando o nosso objetivo neste mundo deveria ser ir bem além disso. Mais uma vez, a mensagem de Jesus é perfeita, nos lembrando inúmeras vezes que apenas a adoração, por si só, não é o verdadeiro Caminho: "Nem todos os que apenas dizem 'Senhor, Senhor', entrarão no Reino". "Por que me chamam 'Senhor' e não fazem o que eu digo?". Aqui devo confessar que eu fui um desses, que ao me deparar com as delícias da devoção interior, profunda e arrebatadora, me levando além de todos os problemas do difícil cotidiano, esqueci-me do Serviço ao próximo. Quando conheci o Serviço, percebi que na realidade não havia melhor maneira de devoção, e foi aí que verdadeiramente renasci, quando encontrei Deus, tão próximo, dizendo: "Estou em cada um destes pequeninos". Mas tudo tem o seu espaço e o seu tempo na vida de um buscador sincero.

Um verdadeiro bhakta torna o seu servir oração. Ama o Deus dos homens servindo aos homens de Deus, seus irmãos. O bhakta ama todas as expressões da vida que o circunda, pois tudo que vive e a própria vida são expressões de Deus; mas onde mais O adora é no altar de seu limpo, bom e ardente coração devoto.


Prece de Bhakta

Sou ovelha desgarrada. Meu Pastor, resgata-me.

Sou um filho retornando ao Lar. Concede-me a graça de receber-me, meu Pai.

Sou frágil criança perdida na multidão. Vem, Mãe Divina, apanhar-me.

Sou vazio. Vem, Plenitude, preencher-me.

Sou pobre. Vem, Riqueza Pura, enriquecer-me.

Sou peregrino buscando o perdido rumo, na treva e na distância. Vem, Luz, dar-me direção.

Andando estou há muito tempo, trazendo em mim a ânsia por chegar. Minhas forças são limitadas. Vem, Alento, reerguer-me.

Pai, Mãe, Amor, Alento e Luz, sinto Tua ausência. Teu silêncio dói. Tua distância angustia.

Concede-me Tua graça.

Desvela-Te.

Faze-Te presença a meus olhos, ainda na penumbra.

Faze-Te canção a meus ouvidos vazios.

Amor Divino, nutre meu coração necessitado.

Paz Infinita, afasta meus conflitos.

Sabedoria Absoluta, ilumina-me.

Água Viva, sacia-me.

Porta, abre-te.

Dolorida ausência, faze-te Presença.

Deus, liberta-me. Salva-me...

Deus, ensina-me a verdadeira devoção.

Mostra-Te a mim em tudo.

Aparece-me como o Todo.

Corrige meu humano amor ainda mesquinho, ainda apegado, ainda limitado, ainda míope...

Pai, Mãe, Amor... perdoa meu imperfeito amar.

Torna-me um bem-aventurado devoto.




Post baseado no livro "Yoga, Caminho para Deus", do professor José Hermógenes.



Sofrimento: por quê?


“Diz-me, por favor, onde não estás, em que lugar posso não ver-Te, onde possa dormir sem recordar-Te e onde Te recorde sem que isso me assuste e doa. Diz-me por favor onde posso caminhar sem ver as Tuas pegadas, onde posso correr sem recordar-Te e onde descansar com a minha tristeza, longe de Ti. Diz-me, por favor, qual é o céu que não tem o Calor da Tua Presença e qual é o sol que tem somente a luz e não a sensação de que me chamas. Diz-me por favor qual é o lugar em que não deixaste a Tua Presença. Diz-me por favor qual é a noite em que não virás para trazer tudo e tudo é nada, levar contigo todos os meus sonhos na madrugada… não posso viver bem porque Te renego, não quero aceitar-Te como És, mas não posso morrer porque bem no fundo Te quero.” - Autor desconhecido.


Por que sofremos??

Com certeza, nenhuma questão desviou mais seres humanos da fé, em todos os tempos, do que esta. Lembro-me de uma ocasião em que eu, ainda criança, com uns 8 anos de idade, assisti na TV a um documentário sobre animais...

Um pequeno cervo, comendo seus matinhos na planície, tranqüilamente. Um filhotinho, tão bonitinho, tão encantador... Sua mamãe está sempre perto, vigilante... Mas há uma leoa à espreita. Ela está muito bem escondida sob alguns arbustos. Apenas observando, paciente. E aguardando...

O animalzinho, sem saber que está sendo observado pelo seu maior predador, se distrai por uma fração de segundo. E aí, como um raio, a leoa salta do arbusto onde estava escondida, num vôo rasante direto sobre o corpo do pequeno cervo. Que ainda tenta fugir, chega a correr alguns metros. Sua mãe corre ao seu encontro, numa tentativa inútil e patética de ajudá-lo de algum modo. Mas num piscar de olhos, as presas assombrosas do grande felino estão cravadas no pescoço do filhote. Que grita. Seus gemidos parecem os gritos de um bebê humano. A câmera ainda consegue um close dos seus olhos arregalados, mortalmente assustados. O pequeno ainda chama por socorro. Sua mãe galopa ao seu lado e ao redor dele, desajeitada; querendo mais que tudo encontrar uma maneira de evitar o inevitável. Mas tudo que pode é assistir a cena. E nada mais...

Acho que nunca torci tanto algo como torci para aquele filhote de cervo escapar daquela leoa, naquela planície relvada. Em vão. A cena seguinte foi a leoa se afastando, em toda sua beleza selvagem, com o corpo imóvel do inocente pendendo da sua bocarra, sangue abundante pingando e escorrendo até suas patas...

Eu fiquei encolhido naquele sofá, estarrecido, arrasado. Meus olhos deviam estar tão arregalados como estavam os do pequeno cervo antes de ser assassinado. Lágrimas começaram a brotar nos meus olhos, e quanto mais eu tentava impedi-las, mais teimavam em se manifestar. Era uma tarde de sábado, lembro-me bem. Minha mãe, percebendo a minha aflição, passou a mão na minha cabeça e disse: “A natureza é assim mesmo...”

Logo em seguida, o programa mostrou o desfecho da tragédia: a leoa chegando ao seu covil, com o prêmio recém conquistado, onde um pequeno grupo de leõezinhos famintos aguardava o almoço... a presa é entregue e devorada pelos filhotes irrequietos. Então era isso. A leoa também era uma mamãe, e não um ser maligno e cruel, como eu imaginara antes. E ela não estava fazendo nada mais do que seguir seus instintos naturais, e se o filhote de cervo não fosse sacrificado, os lindos filhotinhos de leão morreriam de fome.

Eu ainda era pequeno para compreender o sentido deste princípio imenso, que rege o nosso plano de existência, mas eu tive uma vaga idéia do que significava: Compreendi que nem tudo é tão simples quanto parece.

Responder à pergunta “Por que estamos aqui?” é uma tarefa que talvez nunca poderemos cumprir perfeitamente, ao menos enquanto estivermos aqui nesta realidade. O que podemos fazer é observar. E observando, percebemos que muitas vezes, neste plano de vida, para um vencer, o outro deve sucumbir. Para que um triunfe, e conheça o prazer da vitória, é preciso que outro experimente a dor da derrota. E até para que aconteça a própria vida, é preciso haver a morte. Para nos alimentarmos, precisamos matar. Mesmo os vegetarianos subsistem da morte, já que vegetais também são seres vivos. E os vegetais sobrevivem da terra, que só é rica e pródiga em produzir a vida, por causa dos componentes orgânicos presentes nela. Corpos de animais e insetos em decomposição e excrementos de animais (carnívoros), além dos restos de outras plantas, que por sua vez também se nutriram da morte de outros seres vivos. Para que uma semente possa brotar e produzir flores e frutos, é preciso que, antes, morra. Este é o meio da natureza. Para a vitória existir é preciso haver derrota. Para a vida existir é preciso haver a morte. A luz só pode ser vista, resplandecente, no meio das trevas. E a felicidade e o prazer só podem ser percebidos onde um dia houve sofrimento e tristeza.

O sofrimento faz parte da vida, indubitavelmente. Dor, sofrimento, decepções, frustrações e tribulações... não há nenhuma dúvida de que tudo isso é inevitável na vida de qualquer pessoa. Mas nós não queremos o sofrimento. Fugimos desesperadamente de qualquer manifestação de dor e sofrimento, o que é perfeitamente normal e compreensível. E também inútil. Por isso reclamamos, nos lamuriamos ou nos revoltamos. Muitos se perdem nesse processo de revolta ou de continuar remoendo interminavelmente algum problema insolúvel. Ao longo da minha vida de prestação de serviços comunitários, conheci pessoas infelizes que se amaldiçoavam o destino até por pertencerem a uma determinada raça! “Por que Deus me fez dessa cor? Se eu fosse diferente, não teria que passar por tudo que passei, não seria discriminado, não teria que sofrer tanto...” Se uma condição não pode ser mudada, só existem dois caminhos: A aceitação ou o sofrimento, que poderá ser intensificado até a insanidade.

Existe um ego presente nas nossas personalidades que quer e exige prazer sempre. Mas há também uma consciência presente, que combate este ego. Esta consciência é exaltada por todas as religiões.

Quando eu comentei com um dos meus maiores mentores, Monsenhor Valter Caldeira, a respeito de um quadro representando Jesus derrubando e destruindo completamente um quadro representando Krishna (saiba mais aqui), sem nenhuma causa natural aparente, ele me olhou francamente e respondeu que não sabia se aquilo tinha sido uma manifestação sobre/supranatural, e que não haveria como ele ou qualquer outra pessoa me dizer isso com certeza. Mas que era um fato que eu, em toda minha história, sempre tivera uma predileção muito especial pelas tradições orientais, particularmente hinduísmo e brahmanismo. Ele disse que achava estas religiões maravilhosas, riquíssimas em folclore, simbolismo e conteúdo cultural, mas que eu buscava a Verdade, e ele acreditava que a Verdade se manifesta sempre a quem a procura sinceramente. Então me falou mais ou menos o seguinte:

“Eu vejo muitos elementos da Verdade em diversas religiões. Mas entendo que Jesus é diferente de tudo! Por quê? Porque ele diz a Verdade integralmente. Você conheceu, e eu também, inúmeros ‘mestres’ que ensinam coisas muito belas. Todos dizem que você é o máximo, que você é divino, que você tem o poder para fazer o que quiser e que você deve buscar somente vitórias. Jesus também diz tudo isso, até aí nenhuma novidade. Alguns desses mestres até disseram estas coisas bem antes dele, como é o caso de Zoroastro, Buda e outros. Mas só Jesus trouxe a Verdade completa. Ele diz: ‘Sofram! Sofrer também faz parte!’ Se ele quisesse ser popular, você acha que diria às pessoas que elas tinham que carregar cada qual a sua cruz? Você acha que ele diria que são bem aventurados os pobres e os que sofrem, e ameaçaria constantemente os ricos, dizendo, ‘Ai de vós, os ricos e os que agora riem, porque vão chorar’? Claro que não! Os falsos profetas de hoje dizem exatamente o contrário do que Jesus disse. Dizem que os abençoados são os ricos, e que os pobres só são pobres porque não têm fé. Eles contrariam o cerne da doutrina original de Cristo. Jesus disse a Verdade completa, e não pela metade. E ele viveu integralmente até o fim! Morreu torturado e humilhado, de uma morte considerada indigna. Não há exemplo maior e mais perfeito.”

“O que eu acho é que não devemos nos prender nem procurar as tristezas, mas também não devemos deixar de vivê-las. Nem um extremo, nem outro. Devemos atravessar serenamente as situações difíceis, porque são oportunidades. É no sofrimento que crescemos, que aprendemos, que aperfeiçoamos o nosso dom de amar... todos querem o céu, mas se esquecem do caminho até lá, querem pular etapas. O sofrimento faz parte da natureza deste mundo, e nós também somos parte desta mesma natureza. Mesmo que não percebamos, mudamos para melhor através do sofrimento. Querer ignorar esta realidade é exatamente o que causa cada vez mais dor e sofrimento, porque assim nos afastamos da Verdade. E estar longe da Verdade é a pior coisa que nos pode acontecer.”


Quando ele falou da maneira brutal e terrível como morreu Jesus, outro grande problema teológico atemporal (mesmo entre os cristãos, muitos não conseguem compreender porque isto foi necessário), lembrei-me de Sri Lahiri Mahasaya, o grande guru do guru (isso mesmo) de Yogananda, que sempre ensinou que o verdadeiro yogue alcança domínio sobre a matéria, sobre os desejos, sobre o corpo físico e até sobre a vida e a morte. Ele negava a importância do sofrimento no aprendizado e dizia que conhecer Deus elevaria o homem acima de qualquer tipo de dor, doença ou revés. Ele era (e é) considerado como um dos maiores homens santos da Índia em todos os tempos. Morreu de um câncer maligno nas costas, depois de sofrer acamado por meses a fio. Buda pregou a negação do mundo fenomênico, e toda sua busca foi pela liberação da dor e do sofrimento. Morreu entre violentas cólicas intestinais, defecando sangue até o óbito. Jesus Cristo foi o único dos chamados “grandes mestres” a ensinar a importância do sofrimento como elemento inerente à própria vida, embora tenha dito que este sofrimento seria vencido pelos que seguissem as suas palavras. Ele nunca disse que deveríamos buscar a dor e o sofrimento (aliviou dos seus ‘fardos’ aos que o procuraram e curou os doentes que encontrou pelo caminho), mas disse que deveríamos aceitar os vicissitudes como parte do “Caminho Estreito”.

Se não existisse a dor, o sofrimento e as tristezas, existiriam a alegria, a compaixão e a fé? As nações que mais valorizam a paz são as que passaram um dia pela terrível experiência da guerra. Você só pode escrever usando tinta preta, se for sobre um papel ou uma superfície branca. Se os dois forem pretos ou brancos(tinta e papel) nada poderá ser escrito. Da mesma forma, é por perceber a existência do mal que somos motivados a buscar o bem. Isto leva à pressuposição de uma Força maior, que por tradição chamamos Deus, dominando e controlando ambos os lados desta vida: o lado sombrio e o lado luminoso.

Por isso, a minha experiência de vida diz que devemos viver a dor e o sofrimento sem medo. Isso nos aproxima de nós mesmos, leva-nos ao autoconhecimento e à plenitude. “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos” (C. G. Jung). Apenas nos conhecendo e nos aceitando como realmente somos, é que poderemos nos tornar seres humanos maduros, integrais. Enxergando-nos com honestidade, temos a possibilidade de mudar o que entendemos que deve ser mudado. Mas se eu me iludo, fica impossível qualquer modificação da minha parte. É difícil compreender que o sofrimento é um componente inerente à nossa experiência de viver. Se o entendermos como punição, apenas, o crescimento não será possível.

Mas também é óbvio que devemos desejar alegria e prazer. Contudo, se a eles nos apegamos, tentando desesperadamente ignorar o seu oposto (as aflições), aí estará o erro. Vivemos uma época de busca desmedida pelo prazer. Dedica-se 100% das energias neste sentido, desconsiderando-se o valor do aprendizado da dor. Observe-se que essa questão está vinculada ao entendimento do conceito do "caminho do meio": os extremos devem ser evitados. A chave é permanecer no "centro"; aceitar tanto as dores quanto os prazeres da vida, em sua justa medida; o que significa não passivedade, mas atenção para aprender o que poderá ser usado como ferramenta útil mais adiante.

O inconsciente coletivo está repleto de idéias que nos chegam de fora, e nós as incorporamos. Aprendemos muitas vezes da maneira errada, e nos tornamos indefesos diante da nossa própria falta de conhecimento acerca de nós mesmos. Não nos preocupamos em acessar o nosso interior e adquirir conhecimento do nosso eu verdadeiro, aquilo que somos realmente, com todas as nossas diversas facetas. Decidimos concentrar nossos esforços em nós mesmos, e inevitavelmente nos deparamos com algo que está além de nós, dos nossos limites. Por isso é preciso cautela, não renegar as experiências de aflição, nem tentar fugir delas. Negar o aprendizado provoca a repetição da lição. Mude suas percepções a respeito do prazer, da alegria e do sofrimento e da dor. Perceba o que pode ser aproveitado. Aceite a inevitabilidade destas vivências. Conquiste a calma e a serenidade para lidar com os sofrimentos da vida. As dificuldades são oportunidades para nos recolhermos e realizarmos belas e proveitosas viagens ao nosso interior. Ter menos medo da dor e do sofrimento aumenta a capacidade de superação.

Talvez a maioria das pessoas acredite que felicidade significa ausência de problemas e reveses, que somente se pode ser feliz num mundo ideal e “perfeito” (o que é perfeito?). Nos ensinam desde a infância que a vida deve ser feita somente de coisas belas e agradáveis, e que dificuldades não fazem parte. Mas enquanto não entendermos que dor e sofrimento são intrínsecos à vida, não poderemos alcançar o estado de verdadeira felicidade. E enquanto não encararmos os problemas, não nos libertaremos do sofrimento que eles trazem. Se tantas vezes enfrentamos problemas cuja solução escapa ao nosso controle, por que resistimos tanto a aceitar a impermanência das coisas? Por que não conseguimos deixar de sofrer? Por que é tão difícil aceitar a dor?

Prazer e alegria, dor e sofrimento; tudo faz parte de um todo. Ainda precisamos da dor para expandirmos nossa compreensão e a nossa consciência. É através da dor que o Amor e a compaixão se desenvolvem. Mas o ser humano de hoje prefere continuar usando de “anestesias” diversas. Se drogando, bebendo, fazendo compras compulsivas, jogando, fingindo que o problema não é com ele. Uma inútil tentativa de fuga da realidade.

“Transforma as pedras que você tropeça nas pedras da sua escada." - Sócrates

“O Si-mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade. A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, exatamente, com ou sem a concordância do sujeito, quer tenha consciência do que acontece, quer não.” – C. G. Jung

“Cada qual tem de encontrar seu próprio caminho. No entanto, se a pessoa se recusa a pensar que tem um problema interior não conseguirá sair da encruzilhada. Ninguém pode substituí-lo. Temos de aprender a reconhecer nosso próprio âmago.” - Joseph Campbell

É preciso que haja equilíbrio entre dor e prazer. Em nosso mundo, um não existe sem o outro. Quanto aquele filhotinho de cervo, o seu ciclo simplesmente terminou, na hora certa. E foi por uma boa causa: alimentar um outro filhote, de uma outra espécie, tão puro e tão belo quanto ele próprio era. Esta é a realidade. Temos duas opções, aceitá-la ou não. Uma opção significará aprendizado. A outra, apenas mais dor e mais sofrimento.


Porém, às vezes, mesmo as leis naturais pode ser quebradas em nome de algo maior. Mesmo entre os animais. Assista:




Apelo cultural

Divulguem, por favor, e acessem, para não perdermos essa ferramenta!

Imaginem um lugar onde se pode ler gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores histórias infantis de todos os tempos.

Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade.

Pois esse Lugar existe!

O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:

www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras!

Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por falta de uso, já que o número de acessos é muito baixo.

Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Divulguem para o máximo de pessoas, por favor, e eu prometo que não vou comentar do absurdo que é uma ferramenta dessas correndo o risco de desaparecer por causa da falta de uso.

Enquanto isso, sites como o 'O Fuxico' continuam "bombando"...




Star Wars e o poder do mito

Direto do Rancho Skywalker, uma entrevista com um dos maiores gênios do cinema em todos os tempos, sobre assuntos como Deus, espiritualidade, transcendência, mitos e filmes. - Com vocês, Mr. George Lucas! - Por Bill Moyers


Assisti a essa cena umas cem vezes e ainda acho emocionante...



Bill Moyers: Joseph Campbell disse que todos os grandes mitos, os mitos primitivos, as grandes histórias precisam ser recriadas, para que possam provocar algum impacto. E você fez isso com “Guerra nas Estrelas”. Você estava consciente que fez isso, pensando “Estou tentando recriar os antigos mitos”, ou você só queria fazer um bom filme de ação?

George Lucas: Quando eu fiz “Guerra nas Estrelas”, conscientemente eu comecei a recriar mitos, e os temas mitológicos clássicos. E eu queria usar esses temas para falar sobre assuntos que existem hoje em dia.

Bill Moyers: E eu gostaria de acrescentar a relação com seus pais. Eu me pergunto se você teve tal mentor quando estava crescendo. Isso faz parte do filme, como uma extensão do que aconteceu com você?

George Lucas: Claro que o meu primeiro mentor foi meu pai. Mas aí você evolui para pessoas que podem ser mais habilidosas em determinadas áreas. No cinema, Francis Ford Copolla foi meu grande mentor. Ele me ensinou a escrever roteiros e a trabalhar com atores. Eu estava acostumado a trabalhar com câmeras e edição de vídeo, com o lado técnico das coisas. E acho que meu último mentor provavelmente foi o Joe (Joseph Campbell). Ele fez as perguntas mais interessantes, e foi quem me apresentou a muitas coisas que me interessaram. Despertaram muito mais o meu interesse às perguntas cósmicas e aos mistérios. Eu sempre me interessei por isso, toda a minha vida, ms passei a dar uma maior atenção à elas quando conheci o Joe.

Bill Moyers: Conheço um professor que recentemente perguntou à sua classe do primeiro ano quantos deles haviam assistido os 3 episódios da sua trilogia (a primeira). Todos levantaram a mão, sem exceção. Ele me disse: “Espero que George Lucas saiba que ele está inspirando uma geração inteira”.

George Lucas: (parecendo constrangido): Acredito na filosofia de que todos ensinamos. Nós ensinamos todos os dias de nossas vidas. E não é necessariamente por meio do discurso. Eu descobri que as crianças não gostam de discursos. Trata-se de como vivemos as nossas vidas, o que fazemos com elas e como nos conduzimos. E, às vezes, eles escutam os discursos. Então, quando eu faço os filmes, estou ciente do fato de estar ensinando numa escala maior do que apens sendo um pai, ou qualquer outra pessoa. Porque eu tenho este megafone, qualquer pessoa na mídia tem um megafone com o qual pode atingir muitas pessoas diferentes. Então, o que eles dizem, fazem, como se comportam e o que produzem tem uma influência. Estão ensinando alguém. E eu tento ter cuidado com o que estou falando.

Bill Moyers: O que você acha do fato de tantas pessoas terem interpretado “Guerra nas Estrelas” como sendo profundamente religioso?

George Lucas: Não acho que seja profundamente religioso. Acho que “Guerra nas Estrelas" juntou diversos aspectos que a religião representa e tentou “destilar” isso em uma coisa mais moderna, mais acessível, a que as pessoas puderam se apegar para aceitar o fato de que há um Mistério maior lá fora. Quando eu tina dez anos, eu perguntei para minha mãe: “Se há um só Deus, porque existem tantas religiões?” - E desde então eu reflito sobre essa questão. E a conclusão a que cheguei é que todas as religiões são verdadeiras, elas apenas apresentam aspectos diferentes de uma mesma Verdade. A religião é, basicamente, um repositório para a fé. A fé é a “cola” que nos mantém juntos como uma sociedade. Fé na nossa cultura, fé no nosso mundo ou qualquer outra coisa em que estejamos tentando nos apoiar. A fé é uma parte nossa muito importante, eu acho, que nos permite continuar estáveis, em equilíbrio. Eu coloquei a “Força” nos filmes, para despertar um certo tipo de espiritualidade nos jovens. É mais uma maneira de crer em Deus, do que em qualquer sistema religioso. A verdadeira questão é fazer a pergunta; porque se você não tiver interesse suficiente nos mistérios da vida para fazer a pergunta: “Existe ou não um Deus?” – para mim, essa é a pior coisa que pode acontecer. Se perguntar a um jovem de hoje, se existe um Deus, ele diz que não sabe. Acho que é preciso ter uma opinião sobre isso.

Bill Moyers: Você tem uma opinião ou ainda a está procurando?

George Lucas: Eu acho que há um Deus. Agora, o que esse Deus é, ou o que podemos saber sobre Ele, quanto a isso eu não estou certo. O que eu sei sobre a vida e sobre a natureza da raça humana, é que a raça humana sempre acha que sabe tudo. Até os homens da caverna achavam que sabiam tudo. Que conheciam tudo sobre todas as coisas. Foi daí que surgiu a mitologia. Ela constrói um tipo de contexto para o desconhecido. Então, se sabemos tudo, tudo bem... Eu diria que os homens da caverna, numa determinada escala, conheciam 1 das coisas. Agora, conhecemos mais ou menos 5. O que muitos não percebem é que a escala vai até um milhão!

Bill Moyers: O centro épico de nossa cultura tem sido a Bíblia. Que trata de queda, milagres, redenção, retorno. Mas a Bíblia já não está mais ocupando o mesmo lugar central na cultura ocidental. Cada vez mais, as pessoas, sobretudo os jovens, estão se inspirando em filmes e não na religião organizada.

George Lucas: (rindo) Bem, espero que esse não seja o rumo que tudo isso tome, porque eu acho que há um lugar para a religião organizada. Ela é uma parte importante da estrutura da sociedade. Eu odiaria nos ver numa sociedade em um mundo completamente secular, materialista, onde o entretenimento fosse usado no lugar da experiência religiosa.




Bill Moyers: Uma das razões pela qual a trilogia é tão popular entre os jovens, é o fato de ela apresentar uma “religião” sem compromisso. Isso se transforma em uma base muito fraca para Teologia.

George Lucas: Realmente é uma base muito fraca para Teologia. É por isso que eu hesitei em chamar a “Força” de Deus. Quando o filme foi lançado, quase todas as religiões tomaram o filme como exemplo para suas doutrinas. E nós pudemos mostrá-las aos jovens e relacioná-las com histórias específicas da Bíblia, do Alcoorão, da Torá. Então, sabe, se é um instrumento, que pode ser usado para renovar histórias antigas, com as quais os jovens possam se identificar, esse é o objetivo.

Bill Moyers: Você foi influenciado pelo budismo? Porque a segunda trilogia foi lançada numa época em que acontecia um interesse crescente na América pelas religiões orientais. E eu notei que no episódio 1 havia aquele garotinho, que eles descobrem como uma criança escrava, e ele tinha uma certa aura... Lembrei-me de como os budistas saem atrás do próximo Dalai Lama.

George Lucas: Sim. Bem, há uma mistura de todos os tipos de mitologia e crenças religiosas que eu inseri no filme. Eu tentei colocar idéias mais ou menos comuns a todas as culturas, porque isso me fascina e acho que essa é uma das coisas que eu realmente aprendi com Joseph Campbell. Era o que ele tentava fazer - achar coisas semelhantes em todas as mitologias e religiões.

Bill Moyers: Uma das comparações que me vem à cabeça: Eu percebi na última vez em que assisti ao filme quando Darth Vader tenta Luke a passar para o lado do Império, oferecendo-lhe todas as vantagens que o Império poderia lhe dar... Eu me lembrei da história de Satã levando Cristo até a montanha para tentá-lo, e tudo que poderia oferecer-lhe se ele desistisse de sua missão. Você tinha consciência disso?

George Lucas: Bem, sim. Essa história sobre a tentação já foi contada várias vezes. Buda também foi tentado da mesma maneira. Está na mitologia. Eu não queria inventar uma religião, Eu estava tentando explicar, de uma maneira diferente, as religiões que já existem.

Bill Moyers: Você criou um novo mito.

George Lucas: Estou contando um mito antigo de uma nova maneira. Eu peguei o mito como um todo e o localizei. No final, acabei localizando-o para o planeta e acho que e o localizei mais para o fim do milênio do que para algum lugar em particular. Isto é, isto faz parte da globalização do mundo em que vivemos. O homem comum, hoje, tem mais consciência das diferentes culturas que coexistem com ele neste planeta. E há certas coisas que existem em todas as culturas. O entretenimento é uma delas. Filmes e histórias que eu conto são vistas por todas as culturas do mundo.

Bill Moyers: Qual você acha que é mensagem que “Guerra nas Estrelas” está passando para pessoas ao redor de todo o planeta?

George Lucas: Um dos temas principais do filme é fazer com que os organismos percebam que devem viver juntos, para o benefício mútuo. Não apenas os humanos, mas todas as coisas vivas. Tudo na galáxia é parte de algo maior. É uma questão de aquietar a mente para ouvir a si mesmo. E como Joe diria: “Siga sua felicidade” – É para seguir o seu talento, é uma forma de colocar isso. É como eu vejo. A coisa mais difícil para um jovem, é decidir o que ele vai fazer da vida. Você nunca sabe o que fazer. Mas, se for atrás daquilo que você gosta... Eu não acho que as pessoas realmente gostam apenas de ganhar dinheiro. Elas gostam do que podem fazer depois de ganhá-lo. Mas não gostam do que tem que fazer para ganhá-lo. Se você puder mudar esse processo, se achar algo que realmente goste de fazer, então você achou sua felicidade.

Bill Moyers: Como os mitos se encaixam aí?

George Lucas: Eles tentam mostrar o nosso lugar. Os mitos o ajudam a ter a sua própria saga de herói, a encontrar a sua individualidade e o seu lugar no mundo. Mas eles também fazem lembrá-lo que você faz parte de um Todo, e que você deve fazer parte da comunidade. E pensar no bem da comunidade acima do seu próprio bem.

Bill Moyers: Eu ouço muitos jovens de hoje, falando sobre uma vida sem heroísmo. Não há mais coisas nobres ou heróicas a fazer. O que diz a eles?

George Lucas: Todos podem escolher entre ser um herói ou não, todos os dias da sua vida. Você pode ajudar alguém, ter compaixão, tratar a todos com dignidade. Ou não. De uma forma você pode ser o herói, ou de outra, você é parte do problema. A coisa não precisa ser tão grandiosa. Você não precisa entrar numa luta de sabres de luz ou viajar em espaçonaves para se tornar um herói. São as pequenas coisas que acontecem na sua vida que realmente importam.




Fonte: DVD "O Poder do Mito – Joseph Campbell" - Cultura Marcas / LogOn Editora Multimídia.



Guia prático do buscador

Continuo a falar de alguns princípios essenciais que eu descobri há muito tempo, quando ainda era um buscador desesperado, querendo encontrar a Verdade hoje, agora JÁ!.. É que uma das primeiras coisas que eu entendi, quando comecei a me importar com espiritualidade, foi que o único dia real é hoje, e o único momento que existe é o agora. Isso muito antes do Eckhart Tolle lançar o seu livro “O Poder do Agora”, no qual se propôs a dissertar, didaticamente, sobre esse princípio básico dos verdadeiros buscadores. Segue mais um trecho (do ano de 2004) de um dos meus cadernos de anotações, onde escrevia, quase que diariamente, montando uma espécie de "guia prático" para me orientar no dia-a-dia, para não me esquecer das descobertas feitas e etc.




Onde está a Busca verdadeira? A que caminhos ela leva? Ícones da erudição humana em todos os campos da filosofia e da religião chegaram a uma só conclusão: O meio termo é igual à sensatez. Santo Agostinho, o "doutor da Igreja", demonstrou ter compreendido que a virtude está longe dos extremos. O Buda diz que "se esticarmos demais a corda, ela arrebenta, e se a deixarmos muito frouxa, não será capaz de produzir música". A Bíblia nos exorta: "Não declines nem para a direita e nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Provérbios 4:23-27). - Se eu não me desvio nem para a esquerda e nem para a direita, só resta um caminho a ser seguido: obviamente, o do meio - o mesmo que ensinaram Sócrates e o Tao...

De fato, observo que um grande mal do homem é o extremismo. Ele tende sempre aos extremos. Ou a se tornar um fanático religioso fundamentalista, ou a não crer em nada, repudiando até mesmo à possibilidade da existência das coisas ditas espirituais. Mas há Verdade nas religiões dogmáticas? Qual o significado dos rituais? A ciência dos homens é totalmente confiável? E o mais intrigante: posso eu descobrir todas estas respostas? O que devo tentar entender primeiro, se é que devo fazê-lo: se há um DEUS, ou quem é este DEUS? Minha conclusão se compõe mais de perguntas do que de respostas, e talvez seja assim para sempre.

Quando eu nada sabia a respeito de DEUS, Ele para mim era apenas... Deus. Quando eu comecei a buscar, Ele deixou de ser, para mim, apenas Deus. Agora, depois de tê-Lo buscado por muitos lugares e em muitas doutrinas, fora e também, principalmente, dentro de mim; entendo que Deus continua sendo... apenas DEUS.

Digo "apenas" no sentido de "apenas isto", porque nada além disto eu posso compreender. A única apreensão que me chega de Deus é que Deus é DEUS. Dentre os precários avanços que consegui até aqui, e que terão de ser meu ponto de partida (porque não há nada mais), está o entendimento de que a Verdade está longe dos extremos. E que por isso é preciso ter calma. Não devo ter medo. É preciso olhar para fora e para dentro de mim, com muita calma; e com muita sinceridade. Não devo inventar, para mim mesmo, preceitos e formas daquilo que eu não conheci verdadeiramente.

A partir de agora vou incorporar este novo aprendizado ao que eu já tinha compreendido anteriormente. Um destes meus importantes aprendizados, talvez o prinicipal, é o de que a melhor maneira para "viver bem", em todos os sentidos, é cultivando o Amor. Se eu puder olhar para tudo e todos, e também para mim mesmo, com um sentimento amoroso, puro e verdadeiro, então serei mais feliz; e penso que as respostas estarão mais próximas. E isto tem a ver, também, com um outro princípio básico cuja importância eu já confirmei na minha experiência pessoal: devo manter a minha mente, tanto quanto possível, no momento presente.

Manter-me no caminho do meio é uma arte essencial dentro da grande Arte da Busca: Viver com paz, sabendo que nada sei. Aceitar meus limites, porque decisão contrária pode levar à loucura. Tudo que posso fazer é simplesmente tentar viver da melhor maneira que eu puder, consciente de que não posso, porque sou humanamente limitado, apreender (entender), ao menos integralmente, aquela Verdade última, o que significaria alcançar, enfim, a realização, a sonhada Paz e a perfeita Liberdade. Isto não deve significar acomodamento, porém uma rendição diante da sensatez, como aconselham as principais tradições religiosas, como na doutrina do "Caminho do Meio” e como aconselha São Paulo numa carta, dizendo que o vaso não pergunta ao oleiro porque o faz da forma como faz. Isto é viver um dia de cada vez, como propôs Jesus. E isto é viver no momento presente. Em outras palavras, a aceitação é uma condição necessária à manutenção de uma vida espiritual sadia.


Escrito em 01.09.2004.