Revisão


Nova versão do post “A segunda pergunta”, revista por mim mesmo, em estado de Graça.

Deus é felicidade. Não. É muito mais do que isso. É mais como se você pudesse chegar mais perto de Deus quando você está muito, muito, completa e perfeitamente, FELIZ!

Se aproximar de Deus é estar bem. Chegamos mais perto de Deus, por exemplo, quando conquistamos algo que estivemos ardentemente desejando por muito tempo. Quando um sonho muito acalentado se realiza, e aí você sente aquela felicidade perfeita, aquela sensação de realização, de completitude... E sente que tudo está no seu lugar, que tudo é como deveria ser e que a vida é perfeita. Nesse momento exato chegamos mais perto de compreender o que significa “crer em Deus”.

Aí, pode jogar fora toda a Teologia! Ao lixo com as especulações filosóficas dos eruditos! Deus está além, muito além de tudo que possa ser pensado, imaginado, conjecturado, elucubrado, analisado, ponderado, dissecado, examinado... É com o sentir que mais podemos nos aproximar dEle. Pobres dos que perderam a capacidade de sentir...

Deus ainda pergunta: "Por que se endureçeram os vossos corações contra mim??.."

Jesus se autodenomina como “a Vida”, e fala em “Vida Plena”. Sim! Isto resume a mais perfeita definição de Deus que o homem pode alcançar: Deus é a própria Vida, e é a Fonte da Vida.

Também há uma outra definição igualmente bela e perfeita, que mesmo diante das inúmeras tentativas de banalização, continua resistindo, incólume: Deus é Amor!

Será que alguém ainda sabe o que vem a significar isto, "Amor"? Não estou falando de apenas amor (que já é maravilhoso), mas estou falando de algo muito maior e muito mais profundo. Estou falando do Amor!

Quando meu filho de 8 anos vem me visitar, aos finais de semana, depois de alguns dias distante (o que parece uma eternidade para nós dois), quando ele me vê, de longe, esperando no portão, e o seu avô acaba de deixá-lo na esquina da rua onde moro... Ele sai correndo ao meu encontro! Corre de braços abertos! Na correria, às vezes, deixa cair coisas, e nem percebe. A chave, que pula de dentro do bolso ou a blusa que se desamarra da cintura e vai pro chão... mas ele não nota nada, seus olhos estão fixos em mim. Um sorriso do tamanho do mundo preenche todo seu rostinho radiante, todo seu ser. Um sorriso sem tamanho preenche sua alma pura de criança, do princípio ao fim, e não sobra espaço pra mais nada. Nada além de Amor. Então ele me alcança. Me abraça forte, entre gargalhadas... Ele não quer nada de mim, nada além de um abraço. Ele não espera nada além de ser acolhido com carinho e alegria. Nada, em troca do seu abraço 200% sincero. Ele apenas quer e precisa manifestar o seu Amor gratuito.

É disso que estou falando! Este é o tipo de Amor que eu sinto quando me aproximo de Deus, ou quando Ele se permite vislumbrar! Muito melhor do que sexo, muito maior e muito antes do que qualquer outra coisa! Isto é DEUS!!

Eu quis aproveitar esse meu momento de 'iluminação', enquanto estou vendo tudo tão claramente, pra falar a respeito daquilo que jamais poderá ser apreciado pelo intelecto. Eu também falhei na minha primeira tentativa de falar sobre isso, aqui no blog. E vou falhar sempre, enquanto estiver tentando com a inteligência que a natureza me deu, porque Deus está além da natureza. Ele não é uma parte da natureza, Ele é o Autor da natureza. Ele pode estar também na Natureza, sim, eu sei... Mas Ele está também, e principalmente, além disso. Nós, porém, enquanto seres humanos, somos parte da natureza, e por isso jamais seremos capazes de transcendê-la, usando apenas os talentos que ela própria (a natureza) nos concedeu. É preciso ir além. E somos capazes disso. É exatamente isso que nos difere dos animais. Fomos dotados de uma Consciência que nos permite ir além de nós mesmos.

Como neste exato momento, o meu intelecto parece ter saído para uma voltinha, e o que me comanda agora é o entendimento puro de criança, aproveitei para revisitar o mesmo velho assunto, sabendo que o enfoque seria totalmente diferente.

Honestamente, acho que a explanação sobre o tema 'o que é Deus?' ficou bem melhor assim.


Fim da revisão escrita na última sexta-feira, 15/06/2007.



Quero observar que, desde o dia em que escrevi isto, nada ainda voltou a ser como antes, para mim. Sim, as nossas vidas são constante mudança. Se para melhor ou para pior, depende de nós. Só a Verdade não muda, e a nossa relação com essa Verdade é que nos move, para um lado ou para outro. É tempo de voltarmos à nossa verdadeira Casa.



Batam à porta, e ela lhes será aberta. Peçam, e lhes será dado. Busquem, e encontrarão. Qual o pai que, se o filho lhe pedir um pão, lhe dará uma pedra? Quanto mais dará o Pai celestial a quem Lhe pedir.

Eis que estou a porta e bato. Se alguém me ouvir, e abrir a porta, entrarei, e cearei com ele, e seremos como um só.

Estou com vocês sempre, até a consumação dos tempos.

Como uma mãe amorosa não abandona os seus filhos, também eu não os abandonarei. Mas, ainda que venha o dia em que uma mãe abandone seus filhos, eu, contudo, não os abandonarei.

Não tenham medo. Para onde estou indo, vocês não podem ir agora, mas eu lhes prepararei lugar.



C G Jung - conclusão




O Inconsciente Coletivo

Dentre os muitos conceitos inovadores e revolucionários impetrados por C G Jung, um dos mais importantes sem dúvida é o do Inconsciente Coletivo, que postula que todos nós já nascemos com uma herança psicológica (incomensurável) que se soma à herança biológica (comensurável).

Ambas (herança psicológica e a biológica) são determinantes essenciais do comportamento e da experiência do ser. Jung diz que "...exatamente como o corpo humano representa um verdadeiro 'museu de órgãos', cada qual com sua longa evolução histórica, da mesma forma deveríamos esperar encontrar também, na mente, uma organização análoga. Nossa mente jamais deveria ser considerada como apenas um produto sem história, em situação oposta ao corpo, no qual a história (biológica) evidentemente existe". Jung afirma, categórico, que a mente da criança já possui uma estrutura que molda e canaliza todo seu posterior desenvolvimento e interação com o ambiente. O Inconsciente Coletivo inclui materiais psíquicos que não provêm da experiência pessoal, ao contrário do que postularam outros autores, como Skinner, os quais assumem implicitamente que todo desenvolvimento psicológico vem da experiência pessoal. O Inconsciente Coletivo é constituído não por aquisições individuais, mas por um “patrimônio coletivo” da humanidade. Esse conteúdo coletivo é essencialmente o mesmo para todos, não varia de pessoa para pessoa. Como o ar, esta espécie de “memória da humanidade” é a mesma em todo lugar, é “respirada” por todos e não pertence a ninguém.

Os chamados Arquétipos são os conteúdos do Inconsciente Coletivo. São condições ou modelos prévios da formação psíquica em geral. Importante dizer que o termo "Arquétipo" é freqüentemente mal compreendido, julgando-se que expressa imagens ou motivos mitológicos definidos. Na verdade, essas imagens ou motivos mitológicos são apenas representações conscientes do Arquétipo. O Arquétipo gera uma tendência a formar tais representações que podem variar em detalhes, de povo a povo, de sociedade a sociedade, de pessoa a pessoa, sem perder sua configuração original. Dentre outros, ótimos exemplos disso seriam as figuras mitológicas do lobisomem e do dragão, seres que nunca existiram historicamente, mas que “existem” desde a antiguidade no imaginário de praticamente todos os povos das civilizações ancestrais. Alusões à figura do dragão estão presentes nas tradições babilônica, suméria, céltica, hindu, chinesa, persa, nórdica, hebraica e outras, e até mesmo nas lendas do folclore de diversas nações indígenas, inclusive do Brasil! O conhecimento deste fato lança uma luz definitiva para a compreensão do sentido do termo “Inconsciente Coletivo”: Se a maior parte destas culturas antigas não tinha nenhum contato entre si, como poderiam acreditar numa mesma figura, que nunca existiu realmente?





De uma maneira indireta, compreendendo-se a noção do Inconsciente Coletivo, torna-se mais fácil a compreensão do significado das figuras arquetípicas. Há uma extensa variedade de símbolos que pode ser associada a um Arquétipo. Por exemplo, o Arquétipo materno compreende não somente a mãe real de cada indivíduo, mas também todas as "figuras" de mãe, figuras nutridoras e protetoras. Isto inclui mulheres em geral, imagens míticas de mulheres (tais como as imagens idealizadas clássicas da Vênus, da Virgem Maria, da Mãe Natureza...) e símbolos de apoio e amparo, tais como a Igreja e a Pátria.

O Arquétipo materno inclui, além dos aspectos positivos, os negativos, como a mãe ameaçadora, dominadora ou sufocadora. Na Idade Média, por exemplo, este aspecto do Arquétipo estava cristalizado na imagem da "bruxa velha". Aliás, a Idade Média foi um dos períodos históricos mais propícios para a cristalização de Arquétipos bem definidos. E é exatamente por essa razão que não podemos julgar acontecimentos ocorridos em outras eras ou períodos históricos distantes usando-se os padrões de justiça e conduta social atuais. Por que a antiga sociedade judaica apedrejava até a morte os pecadores (infratores da Lei)? Por que o Império Romano crucificava rebeldes e inimigos, com requintes de crueldade? Todas as sociedades antigas adotavam a pena de morte com sofrimento como a única maneira justa para punir criminosos. Para os padrões mentais atuais, estas coisas soam absurdas, crueldade inominável. Mas para o padrão mental (Inconsciente Coletivo) da época, era a coisa certa e normal a se fazer.

Jung denominou como Arquétipos a cada uma das principais estruturas da personalidade, incluindo o Ego, a Persona, a Sombra, a Anima (nos homens), o Animus (nas mulheres) e o Self. Um maior aprofundamento neste e outros assuntos pode ser adquirido consultando-se suas "Obras Completas".


Símbolos

De acordo com Jung, o inconsciente se expressa primariamente através de símbolos. Embora nenhum símbolo concreto possa representar de forma plena um Arquétipo (que é uma forma sem conteúdo específico), quanto mais um símbolo se harmonizar com o material inconsciente organizado ao redor de um Arquétipo, mais ele evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada. Jung se interessa pelos símbolos naturais, que são produções espontâneas da psique individual, mais do que por imagens ou esquemas deliberadamente criados por um artista. Além dos símbolos encontrados em sonhos ou fantasias do indivíduo, há também símbolos coletivos importantes, que são geralmente imagens religiosas, tais como a Cruz, a Estrela de David, a Roda da Vida budista, etc, etc...

Imagens e termos simbólicos, via de regra, representam conceitos que nós não podemos definir com clareza ou compreender plenamente. Para Jung, um símbolo (ou signo) representa alguma outra coisa; um símbolo é algo em si mesmo, uma coisa dinâmica e viva. O símbolo representa a situação psíquica do indivíduo, ele é essa situação num dado momento. Aquilo a que nós chamamos de símbolo pode ser um termo, um nome ou até uma imagem familiar da vida diária, embora possua conotações específicas além de seu significado convencional e óbvio. Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo que não é nunca precisamente definido ou plenamente explicado.

A dissertação de mestrado de Jung, importante que se diga, intitulava-se “Sobre os Fenômenos Assim Chamados Ocultos”. Foi apresentada em 1902, e analisava detalhadamente a suposta mediunidade da senhorita S W (pseudônimo de Helena Preiswerk, uma prima sua em primeiro grau) durante sessões mediúnicas, bastante em moda na virada para o século XX, realizadas em presença de familiares e outros convidados. O estudo fora feito entre 1899 e 1900; a médium era uma pessoa introvertida, franzina, de natureza frágil e não muito inteligente; apresentara problemas de aprendizado na escola e contava quinze anos quando se iniciaram as sessões. Morreria aos 26 anos, de tuberculose. Os fenômenos desenvolvidos por Helena iam desde a psicografia e a movimentação rápida de um copo sobre as chamadas "mesas girantes" (uma espécie de 'passatempo' da burguesia na época), até estados de “incorporação”, incluindo mudanças no tom da voz, na maneira de falar, etc. Também ocorriam as chamadas comunicações com os "desencarnados", mediante golpes que se ouviam nas paredes e na própria mesa de trabalhos.

Jung, interessado nessa fenomenologia, passou a organizar sessões aos sábados em sua própria casa. Decepcionou-se, entretanto, ao flagrar por diversas vezes sua prima fraudando os fenômenos. Acabou concluindo sua análise como um "caso complexo de dissociação histérica, facilitado e prestigiado pelo meio cultural-religioso em que ocorria". Seu trabalho nesse campo, interessantíssimo e escrito com agudo senso de investigação, compõe o 1º volume de suas Obras Completas, editado em português pela editora Vozes, sob o título "Estudos Psiquiátricos".

***

Algumas falas e declarações marcantes de Jung:

1883-84: "No jardim de minha casa havia um muro de pedras (...) e em frente a este muro havia uma elevação com uma pedra que era a 'minha' pedra. Freqüentemente, quando eu estava sozinho, me sentava nesta pedra e começava um jogo imaginário que era o seguinte: 'Eu estou aqui assentado em cima desta pedra e ela está embaixo'. Mas a pedra também podia dizer 'eu' e pensar: 'Eu estou aqui deitada nesta elevação e ele está sentado em cima de mim'. A questão aí surgia: 'Eu sou aquele que está assentado em cima da pedra, ou eu sou a pedra na qual ele está assentado?' Esta pergunta sempre me deixava perplexo, e eu me levantava e ficava pensando quem era o quê agora. A resposta sempre permanecia obscura e minha incerteza era acompanhada de um sentimento curioso e fascinante de escuridão (...) Mas não havia dúvidas de que, o que quer quer fosse, esta pedra surgia numa estranha relação comigo. Eu podia sentar nela por horas, fascinado pelo enígma que ela produzia."

1886: "A idéia de Deus começou a me interessar."

1887 - Jung consegue vencer uns ataques de desmaio que sofria a alguns meses e usava como desculpa para não estudar: "Poucas semanas depois eu retornei à escola e nunca mais sofri um outro ataque. Foi quando eu compreendi o que era uma neurose. Aqueles dias viram o início da minha consciência (...) Uma outra experiência ocorreu naqueles dias. Eu estava indo para a escola quando de repente, num flash, eu tive a impressão de ter acabado de emergir de uma nuvem densa. Eu imediatamente soube: Agora eu sou eu!"

1888: "Nesta época, eu comecei a duvidar de tudo que o meu pai falava. Quando o ouvia pregar sobre graças eu sempre pensava em minhas próprias experiências. O que ele dizia soava vazio, como a alguém que narra um conto por sabê-o de cor mas não pode acreditar em si mesmo. Eu queria ajudá-lo mas não sabia como. E ainda eu era muito tímido para contar-lhe minhas experiências ou me meter em suas preocupações. Por um lado eu me sentia muito pequeno e por outro eu tinha medo de jogar na cara dele aquela autoridade que minha 'segunda personalidade' me inspirava. (...) De repente eu compreendi que Deus era, pelo menos para mim, uma das experiências mais certas e imediatas."

1889: "À medida em que crescia, eu não tinha uma noção clara do que eu queria ser. Meus interesses me levavam em direções diferentes. Por um lado eu estava fortemente atraído pelas ciências, com suas verdades baseadas em fatos; por poutro eu era fascinado por tudo que tinha a ver com religião comparada."

1890: "Nesta época eu tive um sonho que me assutou e encorajou ao mesmo tempo. Era noite em algum lugar desconhecido, e eu estava lentamente forçando o meu caminho contra um vento muito forte. Havia uma neblina forte por toda parte. Eu tinha as minhas mãos em concha em torno de uma luz muito fraca que ameaçava se apagar a qualquer momento. tudo dependia de eu manter esta luz acesa. De repente eu percebi que havia alguma coisa chegando por traz de mim. Eu olhei para traz e vi uma figura gigantesca me seguindo. Mas ao mesmo tempo eu estava consciente, que apesar de meu pavor, que eu devia manter aquela luz frágil por toda a noite, apesar de todos os perigos. Quando eu acordei eu imediatamente percebi que a figura era a minha própria sombra nas brumas esvoaçantes trazida à vida pela pequena luz que eu estava carregando. Eu sabia também que aquela pequena l;uz era a minha consciência, a única luz que eu tinha, apesar de infinitamente menor e mais frágil em comparação aos poderes da escuridão, ainda era uma luz, minha única luz. Este sonho foi de grande iluminação para mim. Agora eu sabia que o eu nº 1 era o portador da luz, e que o nº 2 o seguia como uma sombra."

1892-94: "Eu mantive inúmeras discussões com o meu pai...Eu via que as minhas questões criticas o faziam ficar triste, mas eu nunca tive a esperança de uma conversa construtiva, pois parecia quase inimaginável para mim que ele não tivesse tido uma experiência de Deus, a mais evidente de todas as experiências..."

Eu ainda poderia narrar aqui muitos outros episódios parapsicológicos na vida de Jung, sendo que boa parte deles encontra-se descrita na sua autobiografia. Mas a pretensão deste post é apenas revelar o quanto de mistério ainda existe em nosso mundo psicológico mais profundo, passível de interação não mecânica com o meio físico à nossa volta, capaz de transpor as barreiras impostas pelo tempo e pelo espaço.

No apêndice de "O Homem e Seus Símbolos", obra voltada ao público leigo, esboça-se uma relação entre a Psicologia Analítica e as descobertas relativísticas da Física Quântica. Jung julgava imprescindível uma complementaridade à sua psicologia para que a humanidade encontrasse modelos mais satisfatórios para a explicação dos fenômenos psi. Jung sonhava que os físicos, a começar por seu paciente e amigo Wolfgang Pauli, um dia pudessem emprestar à sua obra um auxílio enorme, para que uma teoria interdisciplinar mais consistente se firmasse sobre novos e revolucionários paradigmas, transcendendo a maneira encontrada pela física clássica para explicar o universo e seus fenômenos. Mais uma "profecia" do médico da Basiléia, pois é isto justamente o que vem ocorrendo, cada dia mais, no discurso científico contemporâneo.

Jung faleceu em 16 de Junho 1961, com 86 anos de idade, deixando sua marca definitiva na história das ciências e uma magistral obra literária, ainda hoje considerada revolucionária. Apenas dez dias antes havia concluído o ensaio para o Livro-referência "O Homem e seus Símbolos".


Fontes e bibliografia:
"Teorias da Personalidade"- J. Fadiman, R. Frager - Harbra - 1980;
"Memories, Dreams and Reflections" - Carl Gustav Jung - editado por Aniela Jaffé;

Site “Amigo da Alma”.


Para maiores informações:
"Tipos Psicológicos" - C. G. Jung - Zahar Editores - RJ – 1980;
"O Homem e seus Símbolos" – C. G. Jung – editora Nova Fronteira.

No inefável


Post escrito num caderno, no banco do corredor de uma faculdade, na noite da última sexta-feira, dia 15 de Junho:

O post anterior, sobre Jung, tem uma continuação, que será a conclusão. Eu deixei o melhor para o final, como de costume. Temas como o Inconsciente Coletivo e os arquétipos serão abordados nessa última parte.

Mas, hoje, eu realmente preciso fazer uma pausa, para falar de algo muito importante, que aconteceu e está acontecendo agora, e eu achei por bem escrever já, até porque se eu esperar para falar depois as minhas percepções a respeito vão mudar, vão se tornar um pouco menos claras. Eu sei bem como funciona, já aconteceu comigo antes.

Bem, eu tenho um blog, não é? E a idéia de um blog é a de um diário pessoal, onde contamos nossas particularidades. Sim, eu optei por utilizar esta ferramenta para falar de assuntos muito mais importantes do que o meu dia-a-dia, minhas aventuras e desventuras na faculdade, os meus gostos pessoais e etc... Mas nesse blog nunca deixei de contar a minha vida, só que de um jeito muito mais profundo, porque contei as minhas vivências, as experiências por que passei e que me levaram a ser o que sou. Achei importante fazer esta espécie de "grande apresentação do autor do blog", antes de começar a falar de religião, filosofia, psicologia, espiritualidade... achei que os meus companheiros de letras, companheiros anônimos de partilhas das minhas descobertas, alegrias, tristezas e até de algum desabafo, precisavam saber, antes de mais nada, quem é o buscador que ali fala.

E agora eu tenho que interromper a seqüência de postagens sobre o grande Jung para novamente lhes contar algo pessoal.

Hoje é uma sexta-feira comum. São 19:00 horas, o ar está seco e poluído, há uma greve de servidores do Metrô, os engarrafamentos batem recordes na minha linda São Paulo e eu tenho problemas financeiros urgentes... enfim, uma sexta feira comum. Mas eu não sei porquê, foi exatamente nessa sexta-feira que a experiência do inefável voltou a acontecer na minha vida.

E foi tão forte e tão belo que, desta vez, eu resolvi mandar às favas as preocupações com a possibilidade de vocês me considerarem um louco desvairado, e escrever sobre isto. É que qualquer tipo de preocupação, agora, me parece coisa tão pequena, tão ínsiginficante, diante do que estou vivendo, que vejo como completamente descabido querer frear o meu ímpeto de extravasar esta imensa, incomensurável necessidade de fazê-lo!

Foi nesta sexta-feira. Ele, o meu Bem-Amado Cósmico me chamou para um passeio.


Eu fui tirado deste mundo, como se a “tomada” que me mantém ligado a ele tivesse sido desconectada. As trevas vieram primeiro, e a inconsciência. Acho que eu teria sentido medo, se durante toda minha vida não tivesse me esforçado tanto e por tanto tempo para compreender essas coisas. Eu acho que, por essa razão, os efeitos sobre o meu intelecto foram minimizados. Tranqüilo, mantive minha serenidade e meus olhos abertos, porque o calor de um Amor inexprimível dominou tudo que posso chamar “eu”, e não me deixou, mesmo quando tudo à minha volta se tornou escuro e misterioso para mim.

Senti sombras, vultos e movimentos agitados em volta, senti que haviam forças horríveis e desarmônicas me cercando, tramando contra mim, bem próximas, mas eu não tive nem sombra de medo. Sim... ele, o velho Mal, como sempre, tentando me desestabilizar. Eu estive tentando prevenir o meu próximo sobre isso. Eu quis avisar a todos de que, se não estivermos muito bem preparados, ele nos pode desviar, no mínimo nos distrair, e é assim, sutilmente, que nos faz confundir os lados! Este é um perigo real...

Mas ele (o Mal) não podia me atingir naquele momento. Por que eu estava bem no centro da Palma da mão direita de Deus! E era como se eu pudesse ouví-Lo, me dizendo: “Não tentaste me decifrar, por isso Eu te reconheço. Não quiseste explicar os meus meios, mas os aceitaste com alegria, e assim alcançaste o lugar em que estás agora...”.

E eu lhes dou a minha palavra: me vi acima te toda a confusão dos pensamentos. Me vi além de toda preocupação humana e de todo ódio, toda confusão, toda dúvida; me vi além de todos os sentimentos mesquinhos.

Eu vi as nossas civilizações, eu vi os homens se agitando como formiguinhas, como as moléculas que vibram, compondo as substâncias. Vibram e desaparecem, depois reaparecem, quase ao mesmo tempo. Na mesma fração de segundo elas existem e não existem, e é assim que são, indefinidamente. Assim são compostas as substâncias de tudo que vemos e tocamos. Substâncias suaves e substâncias duras. E não fazia para mim nenhuma diferença saber onde eu estava. Não tinha nenhuma importância, naquele momento, fazer perguntas, querer saber coisas. Eu fui além disso. E além. Eu vi sem ver, estive sem estar. Mas o mais importante: eu soube sem saber. Compreendi a insignificância da morte, a inutilidade do medo. Aceitei as diferenças. Me separei completamente do meu ego. Meu ego se tornou nada, e eu me tornei, neste abençoado momento, parte do Todo indizível. Vi o sacrifício do meu próprio eu, e com ele a aniquilação de tudo que me prendia a este mundo. Amarras se romperam e eu me vi livre. Livre ao pé da letra. Talvez por um lapso de tempo eu tenha desejado que durasse para sempre, mas realmente não havia espaço para pensar no que viria depois, porque tudo estava completo, terminado, tudo era absoluto. E eu simplesmente tinha certeza de que tudo tem o seu tempo certo, e que voltar ao mundo ordinário era uma depuração ainda necessária, para mim. Por isso eu o faria com todo prazer, faria tudo que fosse preciso, porque agora eu tinha visto o Real. Nada poderia me incomodar naquele momento. Nenhuma preocupação seria capaz de molestar a minha paz. Uma energia desmedida de Amor me preenchia, tão poderosa e completamente, que não sobrava espaço para mais nada...

Tudo isto foi escrito ainda no exato momento em que ainda estava acontecendo, a lapiseira está agora sobre a folha do caderno que estava dentro da minha mochila.


Fim das anotações feitas na última sexta-feira.

Até agora não há medo, não há dor, não há dúvida de espécie alguma. Só há Paz, Amor e Liberdade. E eu percebo que algo está mudando nas minhas experiências transcendentes: Esta vez foi diferente das outras. Porque agora estou ficando cada vez mais consciente durante o processo; desta vez eu não “perdi” aquilo que eu recebi quando entrei nesse estado alterado-beatífico da consciência, algum tempo depois. Isto é, na primeira vez em que experimentei esse “arrebatamento” para uma espécie de estado mental superior, foi como um sonho maravilhoso, daqueles que nos encantam, mas dos quais já não nos lembramos mais, em detalhes, depois de algumas semanas. A sensação, quando a experiência passava, era a de que eu tinha retornado de uma viagem para algum lugar sublime, mas de onde não poderia trazer nada de realmente consistente, a não ser um grande bem estar que surgiria cada vez que me lembrasse dele. Ainda assim, um bem estar que depois desaparecia, e isso era desesperador! Mas não foi assim desta vez. Algo ficou! Minha memória está lúcida, a sensação está presente comigo até agora, como se eu a estivesse experimentando ainda, neste momento, só que em menor intensidade.

Algo novo eu percebi, também, na sexta-feira. Percebi nítidamente que, enquanto estou vivenciando este processo inefável, não “entendo” melhor as coisas; não fico “sabendo” de nada, mais ou menos do que sei quando estou no meu estado “normal”. Eu apenas compreendo, integralmente, que tudo está bem e que não há motivo para me preocupar. Que tudo que é preciso é aceitação, entrega... e persistir no Caminho do buscador.

***

Há ainda um detalhe particularmente interessante que eu queria contar. Essa experiência abriu minha mente e me fez ver uma coisa que eu queria e pela qual esperava há muito tempo. E já nesse mesmo dia, na sexta-feira, finalmente comecei a escrever o meu livro, aquele que de algum modo eu já sabia que deveria escrever, sendo que essa sensação vinha ficando cada vez mais forte ultimamente. Sabia que isso aconteceria mas não sabia quando. Cheguei a considerar que este livro poderia ser a obra completa do Arte das artes, tudo que já escrevi aqui, revisto e remontado em forma de capítulos. Muitas pessoas me escrevem dizendo que eu deveria fazer isso. Mas agora sei que o meu livro será outro. Será um romance misturando ficção e elementos históricos. Como disse, já comecei a escrevê-lo, e isso só foi possível por causa do que aconteceu nesta inesquecível sexta-feira. Pensei em ir publicando este livro enquanto vou escrevendo, aos poucos, num novo blog. Cada capítulo seria um post. Acho que seria interessante, porque eu poderia contar com o feedback dos leitores online, e eu acho muito mais interessante escrever sabendo que não estou “só”, que a história está sendo acompanhada por outras pessoas (talvez você que me lê agora)... Enfim, eu gosto dessa história de blog. Não gosto de Orkut, não gosto de MSN, mas gosto muito de escrever num blog.

Aos que, depois de ler este post, me consideraram um maluco, meu muito obrigado. Encontrar DEUS é mesmo enlouquecer para o mundo. Sabem o que lamentei, depois? Que quando eu escrevi aquele post a respeito da idéia de Deus, eu não estava sentindo e vendo o que senti e vi na sexta feira!... O texto teria saído bem melhor!

Mas, na verdade, eu fiz isso, na sexta feira mesmo. Logo depois de escrever este aqui, escrevi um novo post falando sobre “O que é DEUS”, de um ponto de vista completamente diferente do anterior - não o de alguém que conjectura, analisa e pondera, mas o ponto de vista de alguém que se sente "íntimo" de Deus. Eu o publicarei logo após a conclusão da seqüência sobre Jung.

A Paz, meus amigos e irmãos.



C G Jung - parte 2


Entre as idéias mais usadas de Jung estão os conceitos da introversão e extroversão. Yung descobriu que cada indivíduo pode ser caracterizado como sendo primeiramente orientado para seu interior ou para o exterior, sendo que a energia dos introvertidos se dirige em direção a seu mundo interno, enquanto a energia do extrovertido é mais focalizada no mundo externo. Entretanto, ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido. Algumas vezes a introversão é mais apropriada, em outras ocasiões a extroversão é mais adequada. Mas as duas atitudes se excluem mutuamente, de forma que não se pode manter ambas ao mesmo tempo. Nenhuma das duas é melhor que a outra e o mundo precisa dos dois tipos de pessoas. Darwin, por exemplo, era predominantemente extrovertido, enquanto Kant era introvertido por excelência. O ideal para o ser humano é ser flexível, capaz de adotar qualquer dessas atitudes quando for apropriado, operar em equilíbrio entre as duas.

Os introvertidos concentram-se prioritariamente em seus próprios pensamentos e sentimentos, em seu mundo interior, tendendo à introspecção. O perigo para tais pessoas é imergir de forma demasiada em seu mundo interior, perdendo ou tornando tênue o contato com o ambiente externo. O cientista distraído, estereotipado, é um exemplo claro deste tipo de pessoa absorta em suas reflexões em notável prejuízo do pragmatismo necessário à adaptação.

Os extrovertidos, por sua vez, se envolvem com o mundo externo das pessoas e das coisas. Eles tendem a ser mais sociais e mais conscientes do que acontece à sua volta. Necessitam se proteger para não serem dominados pelas exterioridades e, ao contrário dos introvertidos, se alienarem de seus próprios processos internos. Algumas vezes esses indivíduos são tão orientados para os outros que podem acabar se apoiando quase exclusivamente nas idéias alheias, ao invés de desenvolverem suas próprias opiniões.


Funções Psíquicas

Jung identificou quatro funções psicológicas que classificou como fundamentais: Pensamento, Sentimento, Sensação e Intuição. E cada uma dessas funções pode ser experienciada tanto de maneira introvertida quanto extrovertida.


O Pensamento

O Pensamento, segundo Jung (assim como o Sentimento), é uma maneira alternativa de elaborar julgamentos e tomar decisões. O Pensamento, por sua vez, está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de critérios impessoais, lógicos e objetivos. As pessoas nas quais predomina a função do Pensamento são chamadas de Reflexivas. Esses tipos reflexivos são grandes planejadores e tendem a se agarrar a seus planos e teorias, ainda que sejam confrontados com contraditória evidência.


O Sentimento

Tipos sentimentais são orientados para o aspecto emocional da experiência. Eles preferem emoções fortes e intensas, ainda que negativas, a experiências apáticas e mornas. A consistência e princípios abstratos são altamente valorizados pela pessoa sentimental. Para ela, tomar decisões deve ser de acordo com julgamentos de valores próprios, como por exemplo, valores do bom ou do mau, do certo ou do errado, agradável ou desagradável, ao invés de julgar em termos de lógica ou eficiência, como faz o reflexivo.


A Sensação

Jung classifica a sensação e a intuição juntas, como as formas de apreender informações, diferentemente das formas de tomar decisões. A Sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos. A Sensação reporta-se ao que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a experiência concreta e tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da experiência. Os tipos sensitivos tendem a responder à situação vivencial imediata, e lidam eficientemente com todos os tipos de crises e emergências. Em geral eles estão sempre prontos para o momento atual, adaptam-se facilmente às emergências do cotidiano, trabalham melhor com instrumentos, aparelhos, veículos e utensílios do que qualquer um dos outros tipos.


A Intuição

A intuição é uma forma de processar informações em termos de experiência passada; objetivos futuros e processos inconscientes. As implicações da experiência (o que poderia acontecer, o que é possível) são mais importantes para os intuitivos do que a experiência real por si mesma. Pessoas fortemente intuitivas dão significado às suas percepções com tamanha rapidez que, via de regra, não conseguem separar suas interpretações conscientes dos dados sensoriais brutos obtidos. Os intuitivos processam informação muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência passada com as informações relevantes da experiência imediata.


Arquétipos

Dentro do Inconsciente Coletivo existem, segundo Jung, estruturas psíquicas ou Arquétipos. Tais Arquétipos são formas sem conteúdo próprio que servem para organizar ou canalizar o material psicológico. Eles se parecem um pouco com leitos de rio secos, cuja forma determina as características do rio, porém desde que a água começa a fluir por eles. Particularmente comparo os Arquétipos à porta de uma geladeira nova; existem formas sem conteúdo - em cima formas arredondadas (você pode colocar ovos, se quiser ou tiver ovos), mais abaixo existe a forma sem conteúdo para colocar refrigerantes, manteiga, queijo, etc., mas isso só acontecerá se a vida ou o meio onde você existir lhe oferecer tais produtos. De qualquer maneira as formas existem antecipadamente ao conteúdo. Arquetipicamente existe a forma para colocar Deus, mas isso depende das circunstâncias existenciais, culturais e pessoais.

Jung também chama os Arquétipos de imagens primordiais, porque eles correspondem freqüentemente a temas mitológicos que reaparecem em contos e lendas populares de épocas e culturas diferentes. Os mesmos temas podem ser encontrados em sonhos e fantasias de muitos indivíduos. De acordo com Jung, os Arquétipos, como elementos estruturais e formadores do inconsciente, dão origem tanto às fantasias individuais quanto às mitologias de um povo.

A história de Édipo é uma boa ilustração de um Arquétipo. É um motivo tanto mitológico quanto psicológico, uma situação arquetípica que lida com o relacionamento do filho com seus pais. Há, obviamente, muitas outras situações ligadas ao tema, tal como o relacionamento da filha com seus pais, o relacionamento dos pais com os filhos, relacionamentos entre homem e mulher, irmãos, irmãs e assim por diante.


Os Tipos Psicológicos

Normalmente, uma combinação das quatro funções resulta numa abordagem equilibrada do mundo para a pessoa. Jung considera que, para nos orientarmos, temos que ter uma função que nos assegure do concreto que está aqui (sensação). Em seguida, uma segunda função que estabeleça o que é esse concreto percebido (pensamento), depois, uma terceira função que declare se isto nos é ou não apropriado ou que valor isso tem (sentimento), finalmente, uma quarta função que indique de onde isto veio e para onde vai (intuição). Entretanto, ninguém desenvolve igualmente bem todas as quatro funções. Cada pessoa tem uma dessas funções fortemente predominante, e tem também uma segunda função auxiliar, parcialmente desenvolvida. As outras duas funções restantes em geral são inconscientes e a eficácia de sua ação será bem menor. Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem as funções dominante e auxiliar, mais profundamente inconscientes serão as funções opostas.E quais seriam, segundo Jung, as funções consideradas opostas? O Sentimento se opõe ao Pensamento e a Sensação se opõe à Intuição. Assim sendo, a pessoa jamais seria predominantemente Sentimental tendo em segunda prevalência o Pensamento, ou seja, jamais seria Sentimantal-Reflexiva, mas poderia ser Sentimental-Intuitiva, por exemplo. Segundo essa caracterização de personalidade de Jung, teríamos 4 tipos psicológicos mistos: Reflexiva-Sensitiva (caso prevaleça o Pensamento em primeiro plano e a Sensação em segundo, sobre as outras duas bastante apagadas); Sensitiva-Reflexiva, Intuitiva-Sentimental e Sentimental-Intuitiva. Nosso tipo funcional indica nossas forças e fraquezas relativas e o estilo de atividade que tendemos a preferir. A tipologia de Jung é especialmente útil no relacionamento interpessoal, ajudando-nos a compreender os relacionamentos sociais. Ela descreve como as pessoas percebem, usam critérios, agem e ao fazem julgamentos. Por exemplo, os oradores Intuitivos-Sentimentais não terão um estilo de conferência lógico, firmemente organizado e detalhado como são os oradores Reflexivos-Sensitivos. É provável que seus discursos sejam divagações, que apresentem o sentido de um tema abordando-o sob vários ângulos diferentes, ao invés de desenvolvê-lo sistematicamente. Jung chamou as funções menos desenvolvidas em cada pessoa de funções inferiores. Inferior é a função menos consciente, mais primitiva e menos diferenciada. Essa função inferior pode representar uma influência demoníaca para algumas pessoas, pelo fato de terem pouco ou nenhum entendimento ou controle sobre ela. Por exemplo, tipos cuja função mais forte é a intuitiva, podem achar que os impulsos sexuais parecem misteriosos ou até perigosamente fora de controle pelo fato de haver excessiva falta de contato com a função sensitiva.



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Fontes:
Revista Junguiana (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica);

Site
"Psiqweb";
Site
"10 em Tudo";
Site
"Psicologia pra Você";
Site
"Salves.com".



Carl Gustav Jung


A partir deste post, começo a realizar um sonho antigo, o de falar sobre um homem que eu admiro muitíssimo. Um revolucionário, um questionador por natureza, verdadeiro ícone que eu estudo há muito tempo, e de quem nunca poderia falar o suficiente, neste blog...

Carl Gustav Jung foi, segundo muitos experts, o maior psiquiatra do mundo em todos os tempos. Fundador da Escola Analítica de Psicologia, foi o descobridor de diversos dos conceitos fundamentais que são usados hoje, como "Extroversão", "Introversão" e o revolucionário "Inconsciente Coletivo".

Jung interpretou diversos distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do individuo de buscar a perfeição pessoal e espiritual, da qual tinha opiniões que estavam muito à frente do seu tempo.


Breve resumo biográfico

Jung nasceu em 26 de julho de 1875, no vilarejo de Kesswil, na Suíça. Era o filho mais velho (e o único a sobreviver) de Jean Paul Achille, pastor protestante, e Emilie Achille, dada aos assuntos místicos. Ele tinha ainda oito tios que também eram pastores. Esse contato com religião e misticismo influenciou profundamente seu trabalho. Quando Jung era criança, sua mãe desenvolveu um distúrbio nervoso, provavelmente por conseqüência das dificuldades que enfrentava em seu casamento, e foi hospitalizada por alguns meses.

Jung foi uma criança muito solitária. Sua família mudou-se diversas vezes durante sua infância, e sua irmã nasceu apenas quando ele já estava com nove anos. Assim, ele acabou desenvolvendo uma tendência a sonhar e fantasiar. Suas experiências de infância se tornaram grande influência em seu trabalho. Durante anos sofreu de pseudo-crupe (laringo-tráquéobronquite); machucava-se constantemente. Algumas versões da sua biografia dizem que ele teria, inconscientemente, tentado o suicídio, quando escorregou pelas frestas de uma ponte sobre um precipício. Sua babá o salvou. Passou sua adolescência convivendo em meio a conflitos religiosos, e foi encontrar consolo nos estudos da Filosofia.

Após terminar a escola, Jung entrou para a Universidade de Basil, e, em 1902 formou-se em medicina, com um amplo conhecimento em biologia, zoologia, paleontologia e arqueologia. Mas ainda antes da sua formação, teve seu interesse voltado para o mundo misterioso dos fenômenos transpessoais. Dois eventos inexplicáveis ocorridos em sua casa foram a gota d’água para que o calouro de medicina acreditasse que tais sinais eram um explícito chamado do Além. Uma resistente mesa de nogueira se partiu ao meio e uma faca espatifou-se em quatro pedaços! Nos dois casos, Jung e a família materna não conseguiram outra explicação para os estranhos acontecimentos a não ser a decidida intromissão do sobrenatural na rotineira realidade de suas vidas.

Em 1903, Jung casou-se com Emma Rauschenbach, que o ajudou em seu trabalho até vir a falecer, em 1955.

Jung acompanhava de perto as publicações de Freud. Em 1905, tornou-se professor de psiquiatria da Universidade de Zurich, na mesma época em que ocupava o cargo de médico superior em uma clínica psiquiátrica. Jung conduziu uma pesquisa que visava o estudo das reações da psique de pacientes mentais, dando início ao seu trabalho sobre associação de palavras. Nesta experiência, apresentava uma lista de palavras, uma por vez, e o paciente tinha que responder com a primeira palavra que lhe viesse em sua mente. Caso o paciente hesitasse indevidamente antes de responder ou expressasse uma emoção, isso indicava que a palavra revelava o que Jung chamava de “complexo” do indivíduo – termo (mais um cunhado por ele) que a partir de então se tornou universal.

Os estudos de Jung sobre os complexos lhe trouxeram reconhecimento mundial. Publicou trabalhos a respeito do assunto e um livro chamado “A Psicologia da Demência Precoce”, no qual apoiava algumas das teorias de Freud. Quando Freud entrou em contato com o trabalho de Jung, em 1907, o convidou para visitá-lo em Viena. O encontro deu início a uma grande amizade profissional e pessoal que durou cerca de seis anos. Freud via em Jung seu sucessor, a pessoa que pudesse dar continuidade às suas idéias, tendo inclusive o chamado de filho, em uma carta.

Em 1912, por insistência de Freud, Jung tornou-se presidente da Sociedade Psicanalítica Internacional. Mas, apesar da amizade, Jung não adotou várias das teorias de Freud, especialmente a de que os problemas sexuais são a base para todas as neuroses; nem a visão do "complexo de Édipo". Jung tinha sua própria (e revolucionária) linha de pensamento, e em 1914, devido às divergências de opiniões, Freud e Jung se afastaram. Jung desistiu da presidência da Sociedade Internacional de Psicanálise e co-fundou o movimento chamado "Psicologia Analítica".

A partir daí Jung desenvolveu suas teorias, baseando-se na Mitologia, na História, em viagens ao redor do mundo e nas suas próprias fantasias e sonhos de infância. Em suas longas viagens ao Quênia, à Tunísia, ao Deserto do Saara, ao Novo México e Índia, entre outros países, estudou diferentes culturas e seus povos. Nestas viagens formulou sua Teoria do Inconsciente Coletivo, desenvolvendo uma distinção entre este e o inconsciente pessoal.

Em 1921, Jung publicou seu trabalho principal, "Tipos Psicológicos", que trata do relacionamento entre o consciente e o inconsciente e propõe os tipos de personalidade: introvertido e extrovertido - termos que se tornaram parte de nosso vocabulário.

Jung escreveu muito, especialmente sobre métodos analíticos e o relacionamento entre a psicoterapia e a crença religiosa. Seus conceitos e métodos continuam sendo amplamente difundidos por todo o mundo.

Jung faleceu no dia 6 de junho de 1961, em Küsnacht, Suíça.

"Eu logo cheguei à compreensão de que quando nenhuma resposta vem do interior para os problemas e complexidades da vida, eles definitivamente significam muito pouco. Circunstâncias externas não são substitutas para a experiência interna. Logo minha vida tem sido singularmente pobre em acontecimentos externos. Eu não posso dizer muito sobre eles, pois isto me pareceria vazio e insubstancial. Só posso compreender-me sob a luz dos acontecimentos interiores. São eles que constituem a particularidade da minha vida e é deles que trata minha auto-biografia." - C.G. Jung, "Memória, Sonhos & Reflexões".



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Fontes:
Revista Junguiana (
Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica);

Site
"Psiqweb";
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"10 em Tudo";
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"Psicologia pra Você".



Ansiedade


Um dos tormentos que mais afligem a nossa sociedade, hoje, é a ansiedade; essa dolorosa sensação de medo e apreensão diante da vida, sendo que na maioria das vezes nem temos consciência de quais sejam as suas causas. A ansiedade nos dificulta a visão clara das coisas, nos leva a interpretações equivocadas e a julgamentos e atitudes precipitadas. Não raro, também nos impede de tomar ações apropriadas. A ansiedade, enfim, nos impede de viver a vida plenamente, com simplicidade e com gratuidade, o que seria necessário na construção de uma rotina de vida feliz. Isso nos impede de ver tudo que há de bom ao nosso redor, a cada instante.

O problema já foi muitas vezes abordado em tratados de psicologia e medicina, ensaios filosóficos e até em estudos avançados da física quântica, nos quais alguns cientistas se aventuraram a teorizar sobre a Consciência e as suas manifestações no Universo conhecido. Neste post, a atenção está direcionada para um ponto estritamente relacionado aos estados de ânsia e angústia no dia a dia: a maneira como lidamos com o tempo, com o desejo e com a percepção do relativo e do absoluto.


Ontem, Hoje e Amanhã

Não obstantes as considerações científicas sobre a relatividade do tempo, proponho a conscientização de que o tempo se estrutura na mente como decorrência da atenção dada ao objeto observado, do que resulta o registro de um traço de memória. Daí o caráter relativo e ilusório das nossas medições do tempo, ainda que sejam necessárias à nossa visão lógica da vida na dimensão em que existimos. Mas o fato é que vivenciamos uma sucessão aparente de períodos que denominamos “ontem”, “hoje” e “amanhã”, quando, na verdade, o que existe é um hoje contínuo no qual estão embutidos o passado, como memória, e o futuro como possibilidade imaginativa. Em outras palavras, poderíamos dizer que o real é o “não-tempo”, a eternidade, que permeia todos os eventos no antes, durante e depois.

Vivenciar no cotidiano a noção de eternidade, ou “tempo infinito”, é mais que um exercício de abstração. A consciência de que o essencial está além do tempo e do espaço ajuda-nos a reconhecer a relevância meramente funcional do tempo medido pelo relógio, induzindo-nos a ver os fatos em nova perspectiva e a reprogramar nossas atitudes. A ansiedade se alimenta, principalmente, da sofreguidão dos pensamentos em direção ao futuro, provocando assim uma percepção precária (ou nenhuma percepção) do momento presente, o único onde tudo acontece e em que podemos intervir, realizando opções que influenciarão o futuro, que também só poderá ser vivido como um “novo momento presente”.

Incluir a dimensão eterna da vida na nossa rotina diária não nos deixa incapacitados de operar com a noção de tempo relativo, própria do mundo físico. Continuaremos aptos a estabelecer objetivos e a trabalhar com afinco para alcançá-los – o que, aliás, só pode ser feito efetivamente no agora, no presente. Mas a jornada deixaria de ser uma atuação obsessiva em busca do conseguir, do possuir e do controlar, o que geralmente nos conduz à inflexibilidade dos sistemas rígidos, fomentadores das competições egoísticas e das práticas anti-éticas, tão nocivas à saúde e à paz entre os homens. Com isso, vencemos o desconforto da ansiedade e do stress e reconquistamos o prazer de sentir confiança, o prazer da entrega à Vida e a Deus.


Entre o Desejo e o Tédio

Nossos desejos nos levam a buscar a satisfação dos impulsos egoístas, numa experiência impermanente do “ter”, a sucessão de eventos ilusórios que se manifestam na manutenção de posses materiais, desfrute de “status” e controle sobre coisas e pessoas. Mas tudo isso, como qualquer um pode perceber, está fora do Reino dos Céus, aquele que, nas palavras de Jesus registradas pelo evangelista Lucas, está dentro de nós e não em alguma instância exterior. Reconhecê-lo como nosso tesouro (situado onde o “ladrão na rouba nem a traça consome”) e como nossa prioridade, é um antídoto natural à ansiedade, que também se alimenta dos desejos que logo se transformam em tédio. Afinal, no Reino de Deus toda ação (e não o imobilismo) se submete à Sua Vontade.

Obviamente, para alcançarmos esse nível precisamos, como ponto de partida, alinhar a nossa vida – palavras, atitudes e ações em qualquer circunstância – à nossa crença real. E isso, certamente, nos levará a um questionamento profundo sobre no que realmente acreditamos. Se percebermos (e não apenas professarmos) o "Reino dos Céus" como a dimensão profunda do nosso ser e o tomarmos como o propósito da nossa vida, tudo se torna compreensível, mais simples e mais fácil na caminhada espiritual, inclusive a superação do egoísmo e do desejo, proposta por todas as religiões verdadeiramente espirituais.


O Relativo e o Absoluto

O Absoluto é inefável, isto é, não pode ser dito, não cabe em palavras. O Absoluto, Deus, no entanto, pode ser experienciado, sentido no âmago do ser. E isso é uma experiência suficiente e transformadora.

No nosso mundo de perfil ultrapragmático (extremamente materialista), dominado pelo ego e pelos desejos que lhe são inerentes – e, conseqüentemente, permeado pela ansiedade – sentimos uma “urgência” enorme de previsibilidade e de elementos “concretos”, o que nos leva a relativizar cada vez mais o Absoluto em nossas incursões espirituais. Tentamos “concretizar” Deus e acabamos gerando ídolos e idolatria, e não estamos falando de estátuas, mas sim de exercícios conceituais e lógicos, todos na linha do tempo cronológico, na qual experimentamos os desejos e a ansiedade. Talvez isso explique o fenômeno do “materialismo espiritual”, que vem expulsando das tradições espirituais a filosofia e a experiência numinosa (sentido do sagrado), substituídas pelas relações mercantilistas com aquilo que se acredita ser o Transcendental.

No materialismo espiritual o tempo conta, e muito. O caminho espiritual e a estrada do sucesso material se confundem, como no caso da (pseudo) "Teologia da Prosperidade. A União com Deus (Reli-gião) fica relegada a um segundo ou terceiro plano, e, por isso mesmo, vira impossibilidade. Muitas das palavras contidas nos Evangelhos são misteriosas, e algumas delas deixam margem para diferentes interpretações; mas, neste caso, o Mestre é mais do que claro: “Não podeis servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. “Busca primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e as outras coisas virão por acréscimo”. Ter Deus e a vida espiritual como algo secundário em nossas vidas não é uma possibilidade real. Nossa miséria interior se alastra por que nos afastamos cada vez mais daquilo que realmente importa, do sentido real da vida e da razão porque estamos aqui, para começar. Restam o desejo e a ansiedade, o medo e as reações que lhe são próprias, como a ausência de Amor, fraternidade e liberdade.

Mas isso tem jeito! Da mesma forma que, na ignorância e na prisão dos desejos, a mente forja a miséria nos planos visível e invisível da vida, quando esclarecida e disciplinada proporciona a descoberta da ventura que, segundo o Mestre, potencialmente já está dentro de cada um. Caminhar nesse sentido é uma escolha individual.

Baseado num texto do jornalista Jomar Morais.



Oração para hoje




Meu Deus,

Muito obrigado por eu estar aqui, agora.

Muito obrigado por tudo que eu sou,

Por tudo que me deste por empréstimo, nesta vida,

E por todos os aprendizados.

Muito obrigado por este momento contigo.

Meu Deus,

Guia-me.

Mostra-me o Caminho;

E dá-me coragem e força para segui-lo;

E que assim eu possa alcançar a Paz e a Felicidade.

Que nesse percurso eu não faça inimigos,

Que eu viva com sabedoria o dia de hoje.

Afasta de mim todo o mal. Afasta de mim o ódio, o medo, as preocupações desnecessárias, a impaciência, o mal-humor, o preconceito e o desânimo.

Meu desejo é o Amor, a boa vontade, a harmonia interior e as realizações que sejam produtivas para todos.

Que o meu exemplo seja luz para o meu próximo.

Quero sorrir, combatendo o bom combate.

Quero ser útil, sem nunca esmorecer.

Eu, que sou nada, quero ser tudo em Ti.

De todo meu coração,

Amem.



Há o Mal? - conclusão



Meu filho mais velho (vou chamá-lo aqui de Júnior) há cerca de dois anos (então com 14 anos de idade) começou a manifestar alguns sintomas estranhos, de uma doença que os médicos não puderam diagnosticar: Ele começou a ter desmaios ocasionais. Da primeira vez, ele estava no banheiro, quando a sua mãe ouviu um baque surdo vindo de lá. Subiu e começou a bater na porta e chamar pelo seu nome, mas ele não respondia. Depois de muita insistência e nenhuma resposta, vizinhos tiveram que ser chamados (nós não moramos juntos) e a porta teve que ser arrombada, e ele estava caído no piso, com um galo enorme na cabeça. Depois de alguns minutos, recobrou a consciência e disse não se lembrar de nada.

Foi levado ao pronto socorro. O médico disse que poderia haver uma infinidade de possibilidades para o desmaio de um adolescente, desde stress até algum desequilíbrio hormonal, passando por alimentação inadequada. Então não demos muita importância ao ocorrido, e como até um mês depois tudo estava bem, resolvemos esquecer o caso. Mas, uns 60 dias depois, ele voltou a desmaiar. Dessa vez a situação nos levou a uma preocupação realmente maior: Ele estava em cima da laje da casa do avô, tinha subido atrás de uma pipa (ou quadrado, papagaio, pandorga...). Ele subiu e demorava muita para descer, então a sua avó subiu para ver o que estava acontecendo. Ele estava caído desmaiado, bem próximo à beirada. Ela deu um grito, e ele se mexeu. Logo recobrou a consciência e se levantou, ainda tonto. Essa casa é um sobrado de três andares, e se o desmaio tivesse acontecido apenas um passo adiante, ele teria despencado de uma altura de mais de 20 metros!

Agora a nossa ansiedade era grande, claro, e começou uma longa peregrinação a hospitais e clínicas especializadas em neurologia. Eletroencefalograma, tomografia computadorizada, todos os tipos de exames de análises clínicas... Todos As investigações foram feitas, mas nada de anormal foi detectado. Nenhuma alteração foi percebida em nenhum dos exames a que ele foi submetido. Algum tipo de epilepsia menos comum foi a hipótese mais aceita. Ele começou a tomar medicamentos. Mas os desmaios continuaram acontecendo. As dosagens foram aumentadas. Nada surtia efeito.

Numa ocasião, ele estava no ponto de ônibus, quando, subitamente uma sensação estranho o tomou de assalto... Segundo ele conta, de repente tudo apagou, e quando recuperou a consciência, estava dentro de um carro de bombeiros sendo levado ao pronto-socorro. Levou suas mãos ao rosto e viu que estavam cobertas de sangue. Ergueu-se na maca, e percebeu que toda sua roupa estava encharcadas de sangue... Ele tinha desmaiado e caído na calçada. Segundo testemunhas (isso aconteceu próximo da minha casa, e alguns conhecidos presenciaram a cena), ao cair, sua cabeça chocou-se violentamente no chão, o que provocou um grande ferimento, por onde começou a verter uma quantidade enorme de sangue, provocando uma poça enorme na calçada. Finalmente alguém chamou o socorro (um morador de rua que vive numa praça próxima, com o qual eu fiz amizade depois desse acontecimento). Eu não estava em casa e estava incomunicável nesse dia, por isso só vim a saber do ocorrido no dia seguinte. Passei no ponto de ônibus e vi a enorme poça de sangue seco. Lembrei daquele bebê que dormia todas as noites no meu colo, há tão pouco tempo. Fui tomado pela emoção. Por que aquilo estava acontecendo?

Mas ainda pior do que tudo isso, é que durante esse período todo, ele começou a se comportar de um modo extremamente agressivo, principalmente para com o irmão menor, de 7 anos. Júnior, já aos 14 anos, tinha um metro e oitenta de altura, 78 quilos e as costas largas como as de um atleta olímpico. Às vezes brincava comigo, me abraçando e me levantando do chão como se eu fosse um boneco de pano (eu peso 88 quilos...) E esse homem forte começou a revidar qualquer provocação do irmãozinho pequeno com violentos socos no rosto e no corpo. Não adiantavam broncas nem conversas. Um dia, por causa de um motivo fútil, uma discussão banal, ele segurou a sua mãe pelos braços e lhe deu um chacoalhão tão forte que ela achou que seria esmagada. Ele estava cheio de ódio e revolta. O menino tranqüilo de olhos doces que eu conheci estava se transformando numa fera, por algum motivo que ninguém podia explicar. Sua mãe resolveu levá-lo, sem me consultar, a um centro espírita para receber alguns “passes”. Lá chegando, contou o caso ao médium que a recebeu, que prontamente diagnosticou o caso como sendo um caso claro de assédio por “espíritos obsessores”. Prescreveu um “tratamento espiritual” determinado, que ela não quis me contar, imaginando que eu seria contra.

Mas o comportamento do meu filho começou a piorar, e muito. Suas notas na escola começaram a cair. Seu grau de concentração despencou. As agressões ao irmão aumentaram. Eu perdi as contas de quantas vezes tentei conversar com ele, tentando entender o que estava acontecendo, mas ele não se abria, nada surtia efeito.

Numa noite, o meu filho mais novo acordou com o som de um grande peso caindo violentamente no chão, seguido de uma sucessão de ruídos estranhos e abafados. Pulou do beliche e deu um grito: O irmão estava jogado no chão, numa posição completamente desarticulada, com o lençol fortemente retorcido, como se fosse uma corda, enrolado em volta do seu pescoço, e a cabeça presa no tecido, parecendo um capuz. Achou que o irmão não estava conseguindo respirar, que estava sendo sufocado pelos lençóis que apertavam o seu pescoço e cobriam o rosto. Tentou libertá-lo, mas não conseguiu. Então correu para chamar ajuda, e quando os adultos chegaram e finalmente puderam retirar os lençóis, perceberam que ele estava realmente sufocando, vermelho e ofegante, com o rosto coberto de saliva, ainda inconsciente.

Obviamente, eu orei por ele. Orei muito. Ele alternava momentos de melhora com outros de agravamento, tanto dos desmaios, quanto do comportamento agressivo. Recentemente, eu estava me sentindo especialmente angustiado, e tentando compreender o porquê daquela situação. Disse a Deus que eu aceitaria o que quer que Ele tivesse para me dar, pois eu entendia que as minhas vãs capacidades e o meu entendimento humano limitado não seriam capazes de compreender os Seu desígnios, e eu apenas cofiava nEle. Assim, me acalmei, e uma grande certeza surgiu no meu íntimo: “Este mal veio para preservar o meu filho de algo muito mais grave, e no momento devido, vai passar.” Esta certeza me invadiu, e meu alívio foi completo. Minhas preocupações simplesmente acabaram. Três dias depois, a bisavó de Júnior apareceu trazendo três “pilulinhas” do Santo Frei Galvão. Ela teve muito trabalho para conseguir isso. Velhinha, precisou passar muitas horas na fila da igreja construída pelo primeiro santo brasileiro, porque com a proximidade da visita do papa e a divulgação pela mídia, o lugar andava realmente muito concorrido. Mas conseguiu as pílulas de papel consideradas milagrosas. Essas pílulas são constituídas de uma oração (Ofício de Nossa Senhora - “Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta. Mãe de Deus, intercede por nós”), escrita num pedacinho de papel muito pequeno, enrolado em forma de um pequena pílula. Inclusive uma das curas consideradas milagrosas obtidas por intermédio de Frei Galvão ocorreu associada ao uso dessas pílulas. E o mais impressionante ocorreu quando a mãe dele (que não é católica) lhe pediu que tomasse as pílulas...

Segundo o relato da sua mãe, quando Júnior viu a pilulinha de papel na sua mão, seu rosto se transformou numa carranca. Gritou que não ia tomar “aquilo” de jeito nenhum, que “aquele negócio” não passava de um pedaço de papel enrolado, e que não adiantava insistir. Mas ela, percebendo nesse momento que realmente devia lhe dar a pílula, insistiu. Depois de muita briga (ele gritava e gesticulava com os braços, dizendo para que ela afastasse aquilo dele), ele se jogou violentamente no sofá e virou o rosto para a parede, dando a parecer que tinha desmaiado. Achando que ele estava fazendo “manha”, sua mãe sentou-se do seu lado, segurou o seu rosto e o virou. E um calafrio gélido percorreu sua espinha de cima abaixo, quando olhou para o rosto de Júnior. Ele estava com uma expressão cadavérica, corpo rígido; não esboçava nenhuma emoção, e seus olhos estavam abertos, mas completamente brancos, sem nenhum vestígio das pupilas, como se ele estivesse cego. Ela sentiu um grande pavor nessa hora, mas, nas palavras dela, “se encheu de coragem” (coisa de mãe), e introduziu a pílula contendo a oração de Frei Galvão em sua boca, despejando em seguida meio copo de água, para ter certeza de que tinha engolido. Ele imediatamente fechou os olhos, dando a impressão de que ia dormir. Sua então mãe subiu ao seu quarto para rezar.

Poucos minutos depois, Júnior estava desperto, alegre e sorridente, e a sua expressão tinha mudado. Ele estava calmo e sereno. Mas o que mais impressionou a sua mãe foi a cena que aconteceu logo em seguida: Seu irmãozinho sentou-se do seu lado, para jogar vídeo game, meio ressabiado, porque ultimamente só recebia socos e pontapés do irmão mais velho. Mas Júnior olhou pro irmãozinho por um momento, enquanto este estava entretido com o jogo. Por fim (!) abraçou–o com força, fazendo-o aninhar-se no seu peito largo, e o beijou várias vezes na cabeça e na testa, dizendo: “Você sabe que eu te amo, né?” Sua mãe foi até a cozinha, chorar escondida, e no exato momento em que digito essas palavras, há um nós na minha garganta, também. Desde esse dia, o menino doce e suave que, mesmo depois de crescer tanto, nunca deixava de freqüentemente me cobrir de abraços e beijos, reclinar a cabeça no meu colo e dizer várias vezes o quanto gostava de mim, estava de volta.

Depois disso, ele não se comportou mais agressivamente, nem voltou a desmaiar. Júnior definitivamente voltou a ser o que era. A “última” dele foi dizer que, quando fizer 18 anos, vai tatuar a minha cara no seu peito – claro que eu vou tentar impedir - ô mau gosto!


Conclusões

Como sempre, deixo a conclusão para você, querido leitor. Só peço que, seja como for, nunca deixe de ser sincero consigo mesmo. Isso é mesmo muito importante. Digo sempre isso porque, mesmo que não percebamos, adoramos nos enganar... A minha busca chegou ao fim. Minha jornada chegou ao seu destino. Por muitos anos, eu quis me achegar a Deus, e sinto que hoje, afinal, ele se chegou a mim. “Chegai-vos a Deus, e Ele se chegará a vós.” (Tiago 4:8). E, paradoxalmente, sinto que a minha escolha não foi uma escolha. Sinto mais como se eu tivesse sido escolhido; porque o encontro do Caminho não se deu baseado em análises e ponderações. Minha inteligência não teve nada a ver com isso. Eu tentei desesperadamente contar como foi isso, mas... eu não consigo. É um pouco frustrante, reconheço. Mas a felicidade na qual eu me movo hoje é tão grande que não há espaço para frustração. A felicidade me envolve, me completa, parece “vazar” dos meus poros, exalar de mim, e às vezes eu percebo o efeito disso, nos outros. Este é um “fruto”, como diz o meu amado Mestre, da fé realizada em algo Real. Crer na ilusão acaba trazendo decepção, frustração, dor, sofrimento e, conseqüentemente, tristeza, ira, inveja... Mas crer no Real dá prazer, traz uma alegria que nunca se acaba.

A descoberta é difícil. Pode ser muito difícil mesmo, e se torna ainda mais dura para os seres racionais, como eu. A primeira parte do processo tem que ser a entrega, e isso pode ser difícil porquê exige muita coragem. É como fechar os olhos e se atirar no desconhecido. E quase nunca a realidade é o que imaginamos, ou o que gostaríamos que ela fosse. Olhamos todas as nossas respostas prontinhas, bonitinhas, que nós cultivamos por tanto tempo, que escolhemos com tanto carinho, e não queremos jogá-las fora. Enquanto isso, a Verdade espera, paciente. Pra piorar, para nos testar, ela costuma se apresentar como algo muito feio, em princípio. Algo que não queremos para nós. "Cypher", no filme "The Matrix", preferia voltar para a ilusão da "Matrix" e ter uma vida agradável e prazerosa do que continuar vivendo na realidade, que lhe parecia dura e cheia de dificuldades. Ele disse a famosa frase: “Ignorância é felicidade”. Eu digo que a felicidade é muito, muito mais do que isso.

Porque, se devolvermos a Deus o lugar de Deus (lugar que estivéramos obstinadamente tentando ocupar), e desistirmos de inventar as nossas próprias respostas e começarmos a apenas prestar atenção às respostas dEle, o que parecia pesado se torna leve, o que parecia difícil se torna suave... a Perfeição mostra sua face!.. Saia do Centro. Esta é a única maneira de voltar ao centro. A verdade está nos paradoxos. Deus o espera lá. Ele quer ser um com você. Você só tem que deixar.

Estou feliz e grato por ter conseguido terminar este post. O Mal, esse assunto pesado, precisava ser abordado. Também prefiro falar só no Bem; mas eu precisava dizer que há uma escolha a ser feita, e que dizer que essa escolha não existe também é uma escolha. Faça a sua.



Há o mal? - parte 3




Continuação do relato de Rita Klaus ao escritor e repórter investigativo Randall Sullivan, da revista "Rollig Stone" e do "Men’s Journal".

”Então é aí que começa a história que eu quero lhe contar, e que ocorreu mais ou menos um ano depois da cura dos meus males físicos, numa noite em que eu e meu marido estávamos na cama. Eu estava dormindo, e de repente acordei com uma forte pressão no meu braço. Era o meu marido. Ele estava praticamente impedindo o meu sangue de circular, tão forte era o aperto no meu braço. E a respiração dele estava estranha. Ele estava ofegante; desesperado. Eu disse então: ‘Ron, o que está acontecendo?’ não houve resposta. Então acendi a luz e fiquei apavorada quando o vi. Os olhos dele tinham literalmente saltado para fora. Era como se algo horrível lhe tivesse acontecido e ele estivesse explodindo por dentro. Ele continuava ofegante, como se respirar fosse cada vez mais difícil. E então comecei a rezar, implorando a Deus que o salvasse, fosse do que fosse. Uns cinco minutos depois, ele pulou da cama e correu para o banheiro.

E se pôs diante do espelho; ele estava totalmente cinza! Eu queria chamar o médico, mas ele disse: ‘Não, me dê alguns minutos’. Ele estava ainda com a respiração entrecortada e tinha dificuldade em falar. Por fim, disse: ‘Você não vai acreditar se eu lhe contar o que aconteceu’. E eu então disse: ‘Vou sim, me conte logo!’ E ele disse: ‘Eu acordei e senti uma pressão horrível no peito. Achei que estava tendo um ataque cardíaco, e então abri os olhos. E havia um enorme cachorro negro sentado no meu peito, de olhos vermelhos como fogo...’ E continuou: ‘E não era nenhum sonho. Pode crer, eu estava acordado, não estava dormindo. Nunca estive tão acordado na minha vida’.

Na noite seguinte, aconteceu a mesma coisa. E na outra também. Na quarta, ele se recusou a ir para a cama, e me disse que ele simplesmente não dormiria. Eu não compreendia o que estava acontecendo. E continuei a rezar, mas achei que poderia ser a pressão causada pelo interesse excessivo dos outros, pelas mudanças, por ele temer que eu tivesse uma recaída. A única coisa que ele disse quando comecei a rezar foi que estava sentindo ‘aquilo’ ir embora. Então, depois chamei um padre, um grande amigo meu, e lhe contei o que estava acontecendo. Ele disse: ‘Quando você for se deitar, jogue água benta em sua cama. Vou lhe dar a água’. Mas passou quase uma semana antes que meu marido voltasse a subir para se deitar na cama. Ele se deitava n sofá, mas, quando adormecia, o mal acontecia de novo.

Afinal, ele disse: ‘Eu já sei o que é. É o Diabo. Ele realmente existe. Eu duvidava. Eu duvidava de tudo. Duvidava até da sua cura, Rita. Mas agora não duvido de mais nada. Que outra coisa poderia deixar o diabo tão zangado, a não ser a sua cura?’ E meu marido sempre me disse que, ao seu ver, o Diabo estava tentando jogá-lo contra mim. O mais espantoso foi que assim que o meu marido aceitou a idéia de que aquele bicho era Satanás, Satanás o deixou em paz. Mas ele não foi embora - começou a atormentar os meus filhos. A minha menor, Ellen, que estava então com sete anos, me contou: ‘Mamãe, tem um cachorro esquisito que desce a escada atrás de mim’. Achei que poderia ser o nosso cão, Matty, mas ela disse: ‘Não, não é o Matty. É um cachorro grande. E tem os olhos vermelhos!’

Nós tínhamos nos preocupado muito em não dizer nada às crianças sobre o que estava acontecendo com meu marido, porque não queríamos amedrontá-las. Perguntei à minha filha quando e onde ela havia visto esse cachorro. Ela respondeu: ‘Às vezes ele está me olhando do outro quarto’. E disse mais: ‘Quando esse cachorro está aqui, o Matty não entra’. E Matty estava realmente estranho, rosnando e choramingando pelos cantos.

Isso tudo estava acontecendo na última semana de outubro de 1992. Nessa ocasião, eu estava me preparando para ir a Boston trabalhar no
meu livro. As pessoas não paravam de me pedir: ‘Por favor, escreva a sua história! Você não pode conversar com todo mundo...’ Por fim, concordei: ‘Está certo, o próximo editor que me procurar, eu aceito’. E assim fiz. Gravei o máximo de informações que pude, mas então eu deveria ir a Boston e começar a trabalhar com o editor.

Aquela era a semana do Halloween, e as minhas duas filhas mais velhas queriam dar uma festa no domingo anterior ao festejo. Eu disse que tudo bem, mas uma das meninas que elas convidaram levou um daqueles tabuleiros próprios para sessões mediúnicas ou telepáticas. Minhas filhas carregaram-no, sorrateiramente, para cima, porque sabiam que eu não permitiria o uso dele em nossa casa. E também levaram um candeeiro a óleo que eu tinha, um desses que têm um globo de vidro. Apagaram todas as luzes e começaram a fazer perguntas do tipo: ‘Com quem eu vou me casar? Quantos filhos vou ter?’

Mas então minha filha Ellen, que é muito inteligente, perguntou: ‘Minha vida vai ser feliz?’ E ela virou o ponteiro que havia no tabuleiro para baixo, e ele começou a se mexer sozinho. Primeiro, ele deu uma volta e tocou no ‘Sim’, depois voltou e tocou no ‘Não’. E as meninas, sem tocá-lo, fizeram ‘Aaahh!’ Por fim, minha filha perguntou: ‘Quem é você?’ E o ponteiro parou no ponto de interrogação. Então elas tiveram uma idéia. Com um pedaço de esparadrapo, grudaram um lápis no ponteiro. E então puseram o ponteiro sobre uma folha de papel em branco. E depois disseram: ‘Identifique-se’. E o ponteiro voltou a se mexer. Elas acharam que o lápis estava escrevendo, mas era um desenho. Depois, de repente, o candeeiro explodiu, a chama foi até o teto, chamuscando-o. ouvimos uma gritaria aterrorizante, um tropel de passos descendo a escada, a porta da frente se abrindo e uma grande algazarra, enquanto elas corriam para fora. Achamos que as meninas estavam apenas se divertindo, mas depois ouvimos choros e soluços.

Então saímos e as vimos paradas no jardim. Eu disse: ‘O que vocês fizeram? Ficaram metendo medo umas às outras, com histórias de fantasmas?’ E pedi que entrassem, mas elas não entraram. Minhas filhas então disseram: ‘Mamãe, não vá lá em cima’. Por fim, consegui que voltassem para dentro de casa, mas elas continuavam a chorar e a tremer. Pouco depois, me contaram o que tinha acontecido, mas as palavras saíam confusas. Meu marido tentou convencê-las de que estavam imaginando tudo aquilo. Afinal, Ellen disse: ‘Já sei. Vai lá em cima e pega o papel que está no tabuleiro'. Meu marido subiu sozinho e voltou com o tabuleiro, o ponteiro e o papel. E disse: ‘Foi isso que apavorou vocês? Quem desenhou isto?’ E elas disseram: ‘Desenhou? O que está aí não é um nome?’ E Ron respondeu: ‘Não, aqui há um desenho, mas muito apagado.’ Então acendemos a lâmpada, e, com o papel sob o foco da luz, pudemos ver o desenho nitidamente. Era a figura de um demônio. Mas não um Satanás que tivesse sido desenhado por uma criança. Era um desenho minucioso: um homem sentado numa pedra grande, de barba, chifres, pernas cruzadas cascos fendidos, e, no rosto, uma careta horrorosa.

Ron levou o tabuleiro, o ponteiro e o papel para fora, e queimou tudo na presença delas. Só que as amigas das minhas filhas continuavam histéricas. Então elas ligaram para os pais e pediram que eles fossem apanhá-las. E disseram: ‘Nós não vamos passar a noite aqui. Esta casa é esquisita’. Elas saíram ainda em prantos, e minhas filhas também estavam chorando.

Os dias que se seguiram foram um verdadeiro inferno. Aquela coisa estava dentro de casa. Todos nós dormimos no térreo, nos sofás. Na noite seguinte, às duas da manhã,m ouvimos um baque horrível, uma pancada como nunca tínhamos ouvido. E depois um choro. Ron corre e encontra nossa filha Heidi, então com 15 anos, como se estivesse imprensada contra a parede, sem poder se mexer. Heidi disse: ‘Mãe, é aquela coisa! Primeiro, estava junto da porta, e ficou olhando para mim’. Perguntei: ‘Era o cachorro de novo?’ Ela disse: ‘Não, isso se parecia mais com um homem, mas não era’. Ela disse que isso era escuro, e tinha olhos vermelhos como o cachorro, mas parecia uma pessoa. E continuou: ‘Fiquei tão apavorada que não podia nem gritar. Então ele subiu na cama e foi para cima do meu peito. E começou a dizer palavrões horríveis, que alguns eu nem sabia o que significavam’. Minha filha, disse: ‘Então ele me disse que ia enterrar minha alma no inferno’. Heidi explicou que ele falava com ela sem usar a voz. E ela disse para aquilo: ‘Eu não quero ir para o inferno’. E ele: ‘Quando eu fizer o serviço todo, você vai querer ir para o inferno’. E ela contou: ‘Então ele me pegou pelos calcanhares e rodou comigo pelo quarto e me atirou contra a parede’. Ela estava machucada, bem machucada.

Eu pensei: ‘Isso não pode estar acontecendo’. Era como se estivéssemos na Idade Média! Telefonei para o padre meu amigo. E ele fez pouco caso do que eu disse, no início: ‘Por que você não larga um pouco dessa história, tenho certeza que isso não vai continuar’. Então tentei seguir esse conselho. Na noite seguinte, porém, aconteceu a mesma coisa. Então liguei para o padre Glen e disse: ‘Eu realmente estou precisando de ajuda’. Ele foi lá em casa e interrogou as meninas. Então Ron lhe contou o que se passou com ele. E o padre Glen disse: ‘Eu acredito’. E depois perguntou: ‘O que você está fazendo que incomoda tanto Satanás?’ Respondi: ‘Eu deveria ir a Boston trabalhar no meu livro’. O padre disse: ‘Então é por isso que essas coisas estão acontecendo! Você precisa mostrar a Satanás que não vai desistir por medo. Quando ele compreender isso, vai deixá-la em paz.’ Meu marido me disse: ‘Você tem de trabalhar no livro’. Então eu fui, com muita ansiedade e depois de rogar muito a Jesus pelo nosso bem estar. Pedi que o padre Glen ficasse lá em casa, e pusemos medalhas de São Bento por toda parte.

Cheguei a Boston e fui para Cape, onde meu editor mora. Liguei para minha casa e me disseram que estava tudo tranqüilo. Daquele dia em diante, não tivemos mais problemas. A única conseqüência desagradável foi que as duas meninas que tinham estado lá naquela noite contaram para todo mundo. Então foi aquela boataria. Até os professores da escola pública das minhas filhas lhes disseram: ‘Vocês sabem, pode ser que sua mãe não esteja muito bem. Ouvimos falar do que aconteceu na sua casa. A sua mãe tem poderes mediúnicos?..’ Mas o que nós poderíamos dizer? Tínhamos que nos conformar com isso...”



Esta foi a conclusão do relato de Rita Klaus. Podemos aprender alguma coisa com ele? Além de assustador, ele pode nos ser útil de algum modo? Pode nos ajudar a entender alguma coisa sobre o mal? Perguntas... Mas há ainda alguns fatos importantes que eu não poderia deixar de citar, antes de encerrar, por hora, este assunto:

Particularmente interessante é a similaridade que existe entre o relato do marido de Rita, sendo acordando no meio da noite por uma presença terrível, na forma de um cão maligno, sentado em seu peito e o encarando fixamente, e outros casos ocorridos em lugares diferentes. Um outro livro bem interessante, é “Matrix - Bem Vindo ao Deserto do Real” (Editora Madras) - uma coletânea de textos escritos por diversos expoentes da ciência, física, filosofia e espiritualidade. Eu já o tinha folheado na livraria e até lido alguns trechos, mas não me chamou tanto a atenção num primeiro momento. Recentemente, porém, e justamente no momento em que estava começando a esboçar esse post, por coincidência(?) minha leitora-amiga “Fiat Lux” me enviou por email um resumo da obra, e foi assim que eu tomei conhecimento de um fato muito intrigante.

Neste livro, a renomada mestra em filosofia, Carolyn Korsmeyer, autora do antológico “Gender and Aesthetics”, nos traz uma desconcertante informação. Segue um pequeno trecho:

“Korsmeyer lembra a morte misteriosa de 120 pessoas no Laos e que aconteceram enquanto as vítimas dormiam. Nenhuma causa médica foi determinada e a doença ficou conhecida como ‘Síndrome da Morte Noturna Súbita Inexplicável’. As vítimas sobreviventes relatavam um terror paralisante e a sensação de que uma criatura maligna se sentava sobre o seu peito. O episódio levantou hipóteses perturbadoras...”

O diretor Scott Derrickson e os roteiristas Paul Harris Boardman e Scott Derrickson, do filme ”O Exorcismo de Emily Rose” queriam apenas fazer um filme de terror realmente assustador, e sabiam que nada assusta mais as pessoas do que saber que a história na telona é baseada em fatos reais. Se você sabe que realmente aconteceu, o terror é muito maior. É incômodo saber que se está assistindo não apenas boas interpretações e efeitos especiais elaborados, mas uma reconstituição de algo real, que realmente aconteceu, e portanto poderia acontecer com qualquer um, inclusive com você mesmo. Pois bem, a idéia era essa. Acontece que, quando os roteiristas, declaradamente céticos, se propuseram a uma pesquisa aprofundada sobre o tema “possessões demoníacas”, tiveram suas próprias convicções desafiadas, e, segundo a palavra de um deles, precisou de meses de terapia para se refazer do choque dessa experiência - descobrir que as histórias de possessões são muito mais reais do que ele jamais poderia supor. O material para pesquisa sobre o assunto é vastíssimo, repleto de comprovações e evidências claras o suficiente para deixar um cético convicto muito abalado, se ele se aprofundar na investigação com verdadeiro espírito científico. Para quem se interessar, o DVD da “edição especial” traz entrevistas com o diretor, produtores e roteiristas falando sobre este assunto.

Desde que comecei a escrever esse post em 4 partes, eu fiquei três noites inteiras sem dormir. Estou sofrendo com dores de cabeça e náuseas que não têm explicação aparente. E, desde a sexta-feira, dia 31 eu não consigo abrir o blogger no meu computador. Foi por isso que não pude cumprir a minha palavra e publicar esta seqüência no sábado, conorme tinha planejado. Provavelmente é algum "cavalo de tróia" que o Windows Care não está conseguindo detectar. Em todo caso, falar sobre este assunto nunca foi fácil.

Na sequência, a parte final: um testemunho pessoal meu. Isso já está escrito e eu pretendo publicar amanhã, se tudo der certo. Até.