O Fim e o Princípio

Iniciamos as aulas de canto, eu e Hana, juntos, como sempre. O curso livre da Faculdade São Bento iniciou-se com aulas de canto gregoriano, muito legal... Descubri, através de testes, que o meu tipo de voz é tenor, e a de Hana é contralto. Ambos temos vozes graves. A primeira música a ser ensaiada é o famoso cântico monástico "Kyrie" (vocativo da palavra grega 'Kyrios' - Senhor). " Kyri - riê - eeeê - eeeeeeeê - leisom..." ... Maravilhoso.

Era muito bom estudar canto, mas eu continuava, como antes, me sentindo meio perdido na minha vida espiritual, querendo, ainda, descobrir como seguir o Caminho. Não tinha mais aquelas dúvidas fundamentais me atormentando, como já contei aqui, mas ainda me sentia meio... confuso. O que fazer? Para onde ir? Qual o meu caminho, dentro do grande Caminho? Permanecia aquela sensação de que eu deveria fazer alguma coisa, sentia que tinha uma missão a cumprir, nesta vida, mas não sabia exatamente qual era, e muito menos como começar a cumpri-la. Continuava tentando me encontrar...

O fato é que eu já havia tentado, mais de uma vez, até porque era sempre esse o conselho dos meus amigos, viver a minha vida simplesmente, sem me preocupar com mais nada, que tudo fluiria naturalmente. Mas "alguma coisa" sempre acontecia, que me levava de volta a essa Busca infinita, que é por vezes revigorante, energizante, e outras vezes penosa, extenuante; mas raras vezes calma e tranquila. Eu simplesmente não conseguia ficar em paz com esse sentimento de que tinha que encontrar a minha resposta, e que o meu tempo estava acabando... E isso não era porque eu queria! Quantas tentativas anteriores já tivera feito, resoluções de simplesmente acabar com toda essa história de buscar. E de novo e de novo, não conseguia.

Numa tarde eu estava sozinho, na região do Ibirapuera, próximo ao Shopping (um dos) mais elegante de São Paulo. Tinha ido entregar uma pintura naquela região, depois das 17:30 PM, a pedido do cliente. E eu não estava nem um pouco disposto a encarar o trânsito da hora do rush, na volta para casa. Por isso, resolvi entrar no shopping, para "matar" um pouco de tempo até que o movimento nas ruas se acalmasse um pouco. Talvez pegar um cineminha, ou conferir os últimos lançamentos na book store...

Acabei ficando boas horas, como sempre, perdido entre os livros da Saraiva (vocês acham que eu levo jeito pra escrever? Eu leio muuito...) Um título, em especial, pareceu me "saltar aos olhos": "Jesus, o Mestre Interior" (Editora Martins Fontes). Contava a história de um inglês "muito louco" que tinha a Busca por Deus como a coisa mais importante da sua vida, e resolveu entrar para o seminário. Narrava suas primeiras experiências, suas dúvidas e dificuldades iniciais, tudo de uma forma leve e descontraída. Sim, o autor era um monge católico. Só então verifiquei o seu nome: Laurence Freeman. E sim, era o mesmo autor a respeito do qual o organizador do grupo de meditação cristã havia me falado. Mas naquele momento eu não me lembrei disso, simplesmente não associei as coisas. Não comprei o livro porque achei caro, e eu estava sem grana naquele momento. Os livros no Brasil são pornograficamente caros, impostos absurdos em cima de uma coisa que deveria ser muito barata, como nos países desenvolvidos. Depois o Luis Inácio fala um educação... Isso é outro assunto. Naquelas horas que passei na livraria, reclinado confortavelmente naquele sofazão, "devorei" praticamente metade das páginas suaves desse belo livro. Pensei comigo: "Que maravilha, se todos os 'cristãos' pensassem como este homem"...

No dia seguinte, estava no centro da cidade, próximo à famosa esquina da Av Ipiranga com a São João... Percebi um novo sebo, que acabava de ser inaugurado, com muitos livros interessantes em oferta. Claro, entrei pra dar uma conferida. Minha atenção logo foi atraída para um pequeno livro de capa azul, de uma autora desconhecida, com uma introdução na contra capa de ninguém menos que Paulo Coelho, que se declarava amigo pessoal da autora. O título: "Uma Peregrina Aquariana no Reino da Luz". Depois de uma breve folheada, resolvi comprá-lo. Naquela mesma noite, eu li suas 142 páginas inteiras, de um só fôlego! Era uma obra autobiográfica, que contava a história de Regina Sylvia Pugliero, pseudônimo Dhyana, uma autêntica buscadora, cuja vida tinha sido uma verdadeira epopéia, muito parecida com a minha.

Ela iniciou a sua busca ainda na infância. Vejam esse pequeno trecho do início da sua história:

" Foi a minha imagem refletida no espelho a primeira a me perguntar: - 'Quem és?' - E sem que pudesse impedir, refletiu-se em mim a pergunta, e quando me dei conta estava me questionando: - Quem sou? - O mais estranho é o que veio a seguir, quando sem entender como era possível, não encontrei respostas para esta indagação: - Meu nome é Dhyana, tenho 11 anos, minha mãe se chama Emília e meu pai Irizé... - 'E daí? Por que você é você?'"...


Por essa pequena amostra, já dá pra perceber o teor da leitura. O livro conta, de uma forma deliciosamente simples e muito clara, como essa menina virou mulher, entre acontecimentos misteriosos e Sinais impressionantes, buscando a pergunta para essa e outras questões fundamentais da vida (qualquer semelhança comigo será mera coincidência?). O fato é que essa Dhyana hoje é minha grande amiga, já me presenteou com outras obras suas, e temos um encontro marcado para qualquer dia desses, em sua casa que mais parece um retiro espiritual, cercada de montanhas, córregos e natureza por todos os lados, numa cidadezinha maravilhosa no Centro-Oeste do nosso país.

Ainda adolescente, dominada por um sentimento de Amor transcendente, à maneira de Irmã Dulce, ela recolhia mendigos nas ruas e os levava para sua casa, oferecendo banho, alimentação e roupas novas. Seu pai se via louco com ela.. De origem católica, logo direcionou sua busca para outras paragens. Passou por "n" seitas e vivências dentro de diversas tradições religiosas, lançou e por muitos anos publicou a antológica revista "NAVE", verdadeiro ícone dos alternativos espiritualistas da década de 1970. Essa revista era especializada principalmente nas tradições religiosas orientais e esotéricas, que na época do movimento "hippie" se tornaram 'febre' no mundo inteiro.

Dhyana foi hippie, budista, esotérica, depois largou tudo para ir viver numa comunidade alternativa no meio do nada. Praticou meditação, yoga, foi vegetariana radical... Mas em nenhum desses caminhos conseguia encontrar a paz (qualquer semelhança)... Começou a sonhar com anjos a lhe darem orientações precisas do que fazer:

"A mente tranquila é uma mente simples. Quando se coloca idéias requintadas para enfeitar o intelecto, perde-se a clareza, já não se tem mais simplicidade. O mesmo ocorre na vida espiritual. Na busca ansiosa por uma revelação espiritual, entra-se em caminhos complicados, que levam à perdição e a angústia. A Busca espiritual autêntica e direta é aquela em que o peregrino penetra em seu mundo interior, na simplicidade da oração. No contato com a Fonte, com o Pai Celestial, com Cristo, com a Mãe, pode o buscador encontrar a Alegria e a Paz interior, que nenhuma teoria e estudo esotérico tem para oferecer. Portanto, para aquele que está em busca de Deus, que pare e encontre-o em si mesmo, na simplicidade do Eu Sou. Tudo o mais fluirá."

"Você é cruz mas também é estrela. Você é terra mas também é éter. Você é humano mas também é espiritual. Ao carregar sua cruz você desperta sua estrela. Não tenha medo."

"Sua busca parece não ter fim... Como uma mariposa em torno da luz, você ainda teme este confronto direto com sua verdadeira essência. Não tema a Luz, ela não ofuscará seus sentidos. O Fogo é Sagrado, ele consome apenas as ilusões."

Estes são apenas pequenos "aperitivos" deste livro interessantíssimo, da Editora Record, que não é tão difícil de ser encontrado nos sebos da vida. Os que gostam de ler meu blog, com certeza gostariam de ler as aventuras desta minha irmã espiritual.

Mas o mais importante a contar sobre este livro, a sua influência na minha própria Busca, é o seu desfecho. Porque depois de ter vivido tantas experiências impressionantes, em sua busca determinada, Dhyana é levada de volta, mesmo que contra a sua vontade, ao Crisitianismo; onde afirma ter encontrado a Verdade que tanto procurava. Abaixo, um trecho do prefácio de Paulo Coelho:

"A Dhyana que conheci se chamava Regina Sylvia e editava a revista NAVE. Vivíamos numa época em que falar de ocultismo, esoterismo, extraterrestres e ecologia era tarefa para loucos, para raros. Revê-la como Dhyana, católica, morando numa cidadezinha do interior de Goiás e assumindo um apostolado alternativo me surpreendeu, mas colocou meu coração radiante. Vi nesta conversão a marca do inesperado.
Deus, através da Virgem Maira e seus Anjos, imprimiu em Dhyana uma bela história, como imprime em todos que aceitam o Seu chamado com o sim da alegria. 'E é bom manter oculto o segredo do rei; porém, é justo revelar e publicar as obras de Deus' (Tobias 12:7). Este livro é, pois, um relato de uma alma peregrina, uma alma pequenina, que aceitou retornar, como criança, aos braços do seu primeiro amor."



>> Para ler a continuação, clique aqui.



Tome uma atitude...

Faça a sua parte. Saia da teoria para a prática!


Dicas preciosas de oportunidades para VOCÊ fazer o bem:



# Pastorais CNBB >> Sua chance para fazer o bem com certeza está aqui;

# Viva e Deixe Viver >> "Estava enfermo e me visitastes";

# Toca de Assis >> "A fé sem as obras é morta";

# Projeto Anchieta >> Não basta sentir dó...

# Transparência Brasil >> Combata a corrupção... você pode!

# Projeto Pró-Vida >> Defendendo a Vida;

# Aborto.com >> Saiba mais para saber combater.


Fazer o bem vale a pena e é extremamente gratificante. Se desejar, conte ao autor do blog a sua experiência: hkmerton@yahoo.com.br. Ou compartilhe com os outros leitores o quanto é bom praticar o Amor, deixando uma mensagem aqui no blog.


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E falando em fazer a sua parte... você já tomou posição a respeito do projeto de lei que prevê a legalização irrestrita do aborto, ATÉ O NONO MÊS DE GRAVIDEZ?




O aborto sempre foi um tema polêmico e causador de discussões. Indico as páginas a seguir a todos os meus leitores. Elas foram criadas para informar acerca de como o aborto pode ser feito, como a religião enxerga o assunto e como o aborto é tratado pela lei. Você também encontrará espaço para dar sua opinião, estatísticas e depoimentos de pessoas que abortaram. Espero que você saiba usar estas informações para formar a sua opinião sobre este tema que gera tanta controvérsia:

_____# Aborto.Com.Br

_____# Pró-Vida



Fotos reais de bebês abortados


Perguntas e respostas simples sobre o aborto:

- Você acredita que a vida de um indivíduo humano começa com a concepção?

- Não, eu não acredito nisso, porque isso não é objeto de crença. É uma verdade que eu colho das Ciências Naturais. Da mesma forma, eu não "acredito" que a Terra é redonda, nem que a água é composta de hidrogênio e oxigênio. Não é necessária uma revelação sobrenatural para saber que um indivíduo humano começa quando é concebido. Os que defendem o aborto negam um dado biológico.


- Uma menina foi violentada e está grávida. Você acha que uma criança pode ser mãe de outra criança?

- Mãe, agora, ela já é. Na verdade você não está perguntando se ela pode ou não ser mãe de outra criança; você pergunta se podemos matar a criança pequena em benefício da criança grande. Respondo que não. Ambas as vidas são igualmente invioláveis.


- É justo compelir uma mulher a levar adiante a gestação de um feto que não tem cérebro ou com alguma outra deficiência grave?

- O que você pergunta é se é justo dar à mãe de uma criança deficiente o direito de assassiná-la. É claro que a mãe não tem esse direito.


- Nos países que legalizaram o aborto, houve uma queda do número de abortos. Não seria conveniente que os defensores da vida lutassem para legalizar o aborto?

- Esses dados não são precisos, mas o que realmente importa não é o “total geral” de abortos, e sim a vida de cada criança, que é especial e particular. Ainda que, por absurdo, a legalização desse crime levasse à diminuição de sua prática, não poderíamos legalizá-lo. O que importa é a proteção legal da crianças no ventre dessas mães. Cada bebê é precioso, e não um simples número em uma estatística.


- Você não acha que cada mulher deve ter direito sobre o seu próprio corpo?

- Pelo que entendi, para você o corpo humano se compõe de quatro partes: cabeça, tronco, membros e criança. Assim como a mulher corta as unhas e os cabelos, ela deveria, segundo o seu pensamento, poder cortar a criança que carrega em seu útero. É isso? A mulher tem direito ao seu corpo, assim como a criança indefesa em seu ventre já tem o direito mais fundamental de todos: o direito de viver.


- Atualmente só as mulheres ricas têm acesso a um aborto seguro. As mulheres pobres acabam morrendo em clínicas clandestinas. Não seria melhor legalizar o aborto para dar fim a essa hipocrisia?

- O fato é que para o bebê o aborto nunca é seguro, - é sempre 100% letal! - E isso é homicídio. A única diferença entre se assassinar uma pessoa na rua e um bebê dentro do ventre de sua mãe, é que o bebê não tem nenhuma chance de se defender. Ninguém, seja rico ou pobre, tem o direito de exigir segurança para assassinar um inocente! Assim como os ladrões não têm direito a um “roubo seguro” e os seqüestradores não têm direito a um “sequestro seguro”, o que seria um completo absurdo, os homicidas também não têm direito a um “homicídio seguro”.


- Centenas de milhares de mulheres morrem, a cada ano, por causa de abortos mal feitos. Legalizar o aborto não seria uma exigência da saúde pública?

- Esses dados são altamente contestáveis, mas ainda que fosse verdade que houvesse uma multidão de mulheres mortas a cada ano por causa de “abortos mal-feitos”, a solução inteligente e . Ao invés de legalizar o assassinato dos inocentes, é preciso valorizar a maternidade e a vida intra-uterina, e dar assistência às gestantes. Esta sim, é uma exigência da saúde pública! E nem tão difícil assim de se resolver.

Do site Pró-Vida.


Foto real de um bebê não abortado (e sortudo)...


Por que todos ficam chocados quando surge a notícia de alguma mãe que jogou seu bebê recém-nascido numa latrina ou o abandonou numa lata de lixo para morrer, mas quando o assunto é aborto alguns consideram algo "normal" ou um "direito da mulher"? Só existe uma diferença entre os dois casos: no primeiro, o bebê estava fora do ventre da mãe, e tinha alguma chance de se salvar. Ne segundo, ele estava total e completamente indefeso!




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Clique aqui e vote contra o aborto na enquete da Globo.

Clique aqui e participe da campanha "Nascer é Um Direito".


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Segue um email que recebi e que achei que valeria a pena compartilhar:


"Prezado amigo,

Acabei de ler, com perplexidade, uma lista de três proposições do deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL do Rio de Janeiro. A primeira delas pretende acabar com o dia do nascituro. Isso mesmo! Revogar uma conquista do Estado do Rio de Janeiro, a Lei n.° 3847, de 24/05/2002, que instituiu o dia 25 de março como dia do nascituro. Não é brincadeira. Visitem a
página do deputado e leiam o teor e a justificativa do Projeto de Lei 146/2007:

Para o parlamentar, o nascituro não merece um dia comemorativo (embora o mereça o time do Fluminense). Festejar o nascituro seria tão-somente o produto de 'convicções morais e religiosas' que o Estado não deveria prestigiar. Sim. O parlamentar é contra a celebração da vida intra-uterina, porque isso prejudicaria a legalização do aborto! E, em sua opinião, o aborto deveria ser um 'direito' a se sobrepor ao direito do nascituro à vida.

A segunda proposição pretende acabar com a proteção do Estado à criança gerada em um estupro. Mais uma vez não estou brincando. Visitem a página do deputado e leiam o teor e a justificativa do Projeto de Lei 145/2007. Esse projeto pretende revogar uma outra preciosa conquista: a Lei estadual n° 3.099, de 06/11/1998. Essa belíssima lei, a ser destruída pelo deputado, assegura à vítima de estupro que quiser ficar com a criança, uma pensão mensal de um salário mínimo, até o filho completar vinte e um anos. Para o deputado, a vítima de estupro não deve ter direito à pensão. Na mente do parlamentar, a mulher violentada deve optar entre duas coisas: praticar o aborto ou assumir a criança sem qualquer ajuda estatal!!

A terceira das suas proposições revela, de vez, o plano pró-aborto do parlamentar. Trata-se do Projeto de Lei 144/2007, que 'cria atendimentos de referência para os casos de aborto previstos em lei'. Talvez o deputado não saiba que não existem abortos 'previstos em lei'. Todos eles constituem crime, haja ou não aplicação de pena, como nas hipóteses do artigo 128 do Código Penal, em cuja redação se lê: "Não se pune..." se o aborto é praticado a pretexto de salvar a vida da gestante ou a pretexto de punir a criança pelo crime de seu pai estuprador, o crime permanece, embora a lei deixe de aplicar a pena. É isso que, em Direito, chama-se escusa abolutória. As escusas não tornam o ato lícito. Apenas autorizam sua não punição.

O desejo do deputado é, sem dúvida, desprezar a vida intra-uterina, deixar em desamparo a vítima de estupro e usar o dinheiro público para financiar o crime. Entre em contato com o deputado, clicando
aqui, e manifeste a sua opinião."

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do Pró-Vida de Anápolis.

Colaboração de Andrea, por email.


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Uma nova Luz - conclusão


Na noite seguinte, conseguimos (eu e Hana) chegar no horário certo para a Meditação Cristã em grupo, antes das 20 horas, e fomos festivamente recebidos pelo grupo que se reunia às quartas feiras, dirigido pelo Sr. Paulo. Esse grupo, logo percebemos, era mais homogêneo, constituído exclusivamente por membros católicos. Logo ficamos sabendo que o que víramos na noite anterior fora uma espécie de encontro meditativo inter-religioso. Paulo gostou muito de saber que eu já tinha experiência com a meditação, mesmo que adquirida de outras tradições religiosas. "O objetivo é sempre o mesmo, e as técnicas também são muito parecidas", disse ele. Nos explicou, brevemente, algo acerca da tradição da meditação na história do Cristianismo. Falou de John Main, Dom Lawrence Freeman e outros grandes entusiastas da prática nos tempos modernos. Me mostrou também alguns livros que ele carregava na pasta, casualmente, sobre o assunto, e me perguntou se os queria emprestados. Respondi que sim, e ele me avisou, em tom brincalhão: "Mas esses livros são difíceis de achar, eles têm que ir e voltar, heim?" - Logo depois me disse que o livro mais interessante para eu ler sobre o tema seria o legendário "A Nuvem do Não Saber", escrito no século XIV por um monge inglês desconhecido, e considerado uma verdadeira obra prima do conhecimento espiritual em todos os tempos (Como é que eu nunca tinha ouvido falar nesse livro, logo eu que pesquisei tanto??).

Conversamos um pouco sobre as semelhanças entre as diferentes linhas de meditação que surgiram ao redor do planeta, desde o início da civilização humana, suas origens, causas e conseqüências históricas. Parecia que era mesmo impossível a Busca pelo Transcendente sem esses momentos de pausa, uma espécie de "reiniciar a máquina", para podermos continuar, revigorados, nossas Jornadas. Paulo explicou que na Meditação Cristã tradicional inicia-se a prática com a recitação e repetição mântrica da palavra "Maranata", que em aramaico (língua falada por Cristo) significa "Vinde, Senhor", ou "O Senhor vem"; soletrando-se sílaba por sílaba, pausadamente: "Ma - Ra - Na - Ta... Ma - Ra - Na - Ta..." - começando em tom de voz normal e diminuindo-se a entonação, gradativa e suavemente, até o silêncio total e a repetição continuar apenas mentalmente; até que por fim a recitação desapareça, naturalmente, e com ela, as próprias agitações mentais...

As luzes foram abaixadas, depois uma breve oração. Paulo tocou um sininho ressonante (o mesmo que os budistas usam), e a sessão começou. Permanecemos todos em silêncio por meia hora, ou um pouco mais. Estávamos no final da Quaresma, uma semana antes do início da Semana Santa; por isso, logo após a sessão de meditação, foram feitas recitações de orações católicas tradicionais, e depois a leitura de um trecho dos Evangelhos que narra o suplício e o sofrimento de Jesus no Monte Calvário. Após a leitura, Paulo pediu a todos que ficassem à vontade para comentar o texto. Achei curioso, porque eu mesmo, nas minhas sessões de meditação solitária, sempre tive o hábito de ler algum trecho da Bíblia, de algum Sutra ou mesmo abrir algum livro que estivesse lendo no momento e que considerasse inspirador, e ler algumas linhas, para depois refletir sobre o assunto. Algumas vezes eu até escrevia, tentava passar minhas reflexões para o papel, um exercício bastante agradável e produtivo.

As pessoas então começaram a falar. Logo percebi uma coisa que me desagradou: Alguns dos freqüentadores mais antigos começaram uma pequena e sutil "disputa", pra ver quem falava mais, ou primeiro, ou quem conseguia falar mais "bonito"; em tentativas infantis de impressionar os colegas. Sinal que alguns não meditaram de verdade, porque a verdadeira meditação também dá seus frutos... Lembro-me de uma senhorinha muito simples, já idosa, que comentou (sobre a leitura): "Pois é... Cristo sofreu tanto, à toa, né? O mundo continua uma perdição só...".

Toda a sessão (meditação, oração, leitura e reflexão) durou pouco mais de uma hora. Bem pouco para alguém acostumado a participar de sessões de até sete horas de meditação contínua. No final, todos os membros nos saudaram e pediram que voltássemos mais vezes. Paulo nos emprestou dois livros que tratavam dos princípios básicos da Meditação Cristã.

O que eu achei: Gostei, mas confesso que, na ocasião, achei um pouquinho decepcionante. Já que a Vida parecia estar me "empurrando" na direção do Cristianismo, e agora eu tinha descoberto que a Meditação (que eu considerava fundamental) fazia parte da tradição cristã, eu fui para aquele encontro achando que seria uma experiência maravilhosa, mágica... E não foi. Foi apenas mais uma experiência comum, mais uma sessão de meditação em grupo da qual eu participei. O que já é uma linda coisa, sem dúvida, mas...

Além disso, eu estava acostumado às tradições orientais, onde há todo um misancênio, um certo "clima de mistério" bacana: música, aromas, ritualística requintada... todo tipo de "adorno" para enfeitar a prática em si. Ali, naquela sala do complexo do Mosteiro São Bento, não havia tanta pompa. Nenhum espalhafato. Apenas a meditação, pura e simples. Outra coisa que estranhei: o grupo era formado por pessoas muito simples. Ali ninguém conhecia sânscrito nem termos em línguas exóticas. Ninguém estava muito preocupado com rituais elaborados, como nas escolas e templos que eu havia freqüentado antes. Até as suas falhas eram simples. Como aquela senhora dizendo que Jesus passou por tanto sofrimento "à toa"(!). Naquele momento, eu não me contive e disse: "Se não fosse por esse sacrifício, não estaríamos reunidos aqui, hoje. Afinal, a base fundamental do catolicismo não é a Ressurreição?" - Mas fui completamente ignorado. Era como se eu estivesse falando grego, para ela. Paulo me olhou, nessa hora, e não disfarçou um sorriso divertido. Era como se ele soubesse de algo que eu então nem desconfiava. Mais tarde, reservadamente, ele me diria: "Essas coisas são assim mesmo. Precisamos ter paciência e não julgar os irmãos mais simples..." Eu respondi: "É que eu, que não sou católico, não posso compreender como uma suposta católica praticante pode pensar assim..." Ele apenas sorria, e eu pensava: "É por isso que a Igreja perde tantos adeptos, ultimamente. São 'desencanados' demais...". Em todos os templos que freqüentei, fossem japoneses, chineses, tibetanos ou hindus, todos sabiam exatamente o que estavam fazendo, na hora das práticas. Aquele tinha sido o primeiro lugar onde encontrei praticantes que pareciam não saber (e não se importar com) o que significava o que faziam, e nem mesmo porque estavam ali, para começar. Isso me irritava um pouco, e logo me lembrei dos motivos porque tão cedo abandonei o Catolicismo.

Hana também pensava assim, embora ela seja muito mais branda do que eu, no seu jeito de ser a agir. Minha impulsividade, ao longo desse Caminho, às vezes me ajudou, outras me atrapalhou, mas com certeza perdi muitas coisas importantes por causa dela. Mas a minha visita não seria em vão (não mesmo, como verão mais tarde). Naquela mesma noite, na saída da prática, passando pela secretaria da Universidade São Bento, descobrimos que aquela instituição estava promovendo um curso livre de canto (para coral de orquestra) aberto ao público leigo. E no mesmo edifício onde se praticava a meditação, o da Universidade. Eu e Hana logo nos interessamos. E nos inscrevemos.

As aulas seriam no mesmo dia e horário das reuniões de meditação, então não poderíamos mais participar delas. Mas àquela altura eu achava que realmente não iria perder tanta coisa, e que aprender a usar a minha voz como um "instrumento musical" seria muito mais interessante e até mais importante, naquele momento. Eu estava certo e errado, como ficará claro mais adiante.



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Uma nova Luz

Para a minha surpresa, quando o site de busca abriu a lista de links contendo as palavras “grupos de meditação”, olhei e li: “Grupos de Meditação Cristã”, logo no topo da página. Isso me chamou a atenção, como não poderia deixar de ser. Lembro-me de ter comentado com Hana, uma vez, a respeito da possibilidade de me tornar um “cristão praticante”: “Eu teria muita dificuldade em seguir uma religião em que não se pratique meditação”.

Meditação é tudo e nada ao mesmo tempo. É conhecer-se, de fato. É observar e observar-se. É estar dentro e fora ao mesmo tempo, é procurar sem procurar. É largar mão de tudo e ao mesmo tempo encontrar o seu lugar no Universo (Pluriverso?). É ser si mesmo, e ao mesmo tempo "ser Um" com o Pai e com toda a existência... Como diz Osho, "a meditação acontece quando o meditador não está". E praticar isso é muito importante. Essa pausa, esse "deixar o ego ir embora", sempre me pareceu necessário. Nessas horas é que eu era eu mesmo, nesses abençoados momentos era que eu "flertava" com essa Verdade que tanto busquei. Nessa hora é ela deixava de fugir e me escapar, para se sentar ao meu lado, como uma amiga íntima.

Meditação Cristã... Então isso existia? Abri o link e fui parar num site onde havia uma matéria do pesquisador e jornalista Jomar Morais (escreveu durante muito tempo para as revistas Superinteressante, Galileu, Planeta e outras) falando sobre as diversas linhas de meditação (transcendental, budista, yogue, etc.), com especial destaque exatamente à essa linha cristã, por ser uma prática que começava a ganhar força aqui no Brasil (estamos ainda no ano de 2004, na minha narrativa).

A primeira coisa que eu imaginei, quando conheci o termo "Meditação Cristã", foi que se tratava de algum tipo de inovação ou adaptação de um costume oriental à tradição cristã. Mas, lendo a matéria, fiquei sabendo que essas especulações precipitadas estavam muito longe da verdade. A prática da Meditação remonta às próprias origens do Cristianismo. O próprio Jesus teria se retirado ao deserto para jejuar por quarenta dias e quarenta noites, como uma preparação para o início de sua vida pública... É justo e até óbvio imaginar que ele deve ter passado longos períodos em meditação profunda; o que a Igreja viria a chamar, posteriormente (já a partir dos primeiros séculos da nossa Era) de "Oração Contemplativa", simplesmente "Contemplação" ou ainda "Oração Centrante"; em outras palavras, colocar-se só e em silêncio, elevar o pensamento e anular o próprio ego, acalmando os pensamentos agitados do dia-a-dia... E eu vim a saber que os primeiros monges eremitas cristãos, entre eles São Jerônimo, que se retiravam para o deserto afim de viver em completo ascetismo, praticavam meditação. Muita meditação. Além disso, eles viviam, na prática, o que Osho (apesar das muitas discordâncias, eu nunca neguei que ele falou grandes verdades) dizia: "O objetivo maior e real da meditação é que toda a vida se torne meditação" (Livro Orange - Técnicas de Meditação). Não só o momento em que você pára e se senta para acalmar a mente, mas todos os momentos da vida devem ser "meditativos". Na Índia, é comum que yogues, sadhus e "homens santos" façam "voto de silêncio", como uma forma de permanecerem em tempo integral "conectados" à energia divina. Monges budistas também vivem rotinas de silêncio e atenção constantes (aliás, importa dizer que meditar não é 'relaxamento', como muitos pensam. Meditar é permanecer calmamente atento à vida). Não pude deixar de me surpreender ao descobrir que a prática mais importante do Zen-Budismo e do Yoga também era usada pelos cristãos, há séculos.

Havia uma lista de endereços e horários naquela página da Internet (hoje bastante desatualizada). Um em especial me chamou a atenção: "Meditação Cristã no Mosteiro de São Bento - terças feiras às 18:30 horas, quartas às 20 horas". Eu já conhecia a Capela do Mosteiro de São Bento, no centro velho da capital paulista. Sempre que passava em frente ao grande templo, construído em estilo gótico, e estava com tempo livre, entrava para admirar a bela decoração interna. No fundo da capela, ao lado do Altar, está a sala do "Santíssimo Sacramento", uma espécie de "pequena capela dentro da grande capela", com bancos e genuflexórios (ô palavrinha... é só o apoio para os fiéis que preferem orar ajoelhados). Ali, na parede do fundo, há um afresco belíssimo, em estilo medieval, representando Jesus e o "discípulo amado", João, diante da mesa com o Pão e o Vinho sagrados. Muitas vezes me sentei ali para meditar. Algo inexplicável, mas certos lugares são propícios para você simplesmente parar, dar um tempo para si mesmo e elevar o pensamento a DEUS. Mesmo no tempo em que eu tinha uma certa "birra" contra a Igreja Católica, eu achava, naquele lugar, esse tipo especial de paz. Por isso me chamou a atenção saber que ali aconteciam sessões de meditação coletiva todas as semanas.

Na terça-feira seguinte, lá estávamos, eu e Hana. Mas não no horário certo. Nos atrasamos mais de vinte minutos (São Paulo, trânsito, sabe como é...), por isso não pudemos entrar para a sessão. Costume comum em todas as linhas de meditação que eu conheci, quando há prática coletiva, esta não pode ser interrompida depois de iniciada, para a entrada de retardatários, porque isso atrapalha, e muito, a concentração dos participantes. Entramos no prédio da Faculdade (O Mosteiro de São Bento é composto por um complexo que inclui a bela Capela, o Mosteiro em si e a tradicional Universidade de Filosofia e Teologia), mas ficamos apenas diante da porta da sala onde o grupo de meditação se reúne, de onde pudemos olhar o que acontecia lá dentro, pelo vidro da porta. E vimos que lá dentro, na penumbra, gente de todo tipo praticava junta. Alguns estavam sentados no chão, sobre o assoalho, em posição de lótus, ou sentados sobre os calcanhares, à moda oriental; outros estavam acomodados em cadeiras, todos posicionados em formação de círculo no centro da sala. Lembro-me de ter visto uma senhora usando um turbante hindu, que meditava fazendo "puja" (saudação yogue tradicional, com as mãos postas diante do peito). Outros usavam "japa-malas" (rosário hindu) no pescoço. Ficamos muito bem impressionados ao ver aquela diversidade de culturas e origens, representantes de diferentes tipos de fé reunidos para simplesmente meditar juntos. Óbvio, voltamos na noite seguinte.



> Para ler a continuação clique aqui.



Um Dia da Consciência

Bebê abortado às 16 semanas de vida

Este chamado "produto de gravidez indesejada" é o resultado de um dos tipos de aborto mais comuns nos EUA e Canadá, processo usado quando já se acumulou bastante líquido na bolsa. Uma agulha longa é inserida atravéz do ventre da "mãe" até a bolsa e injeta-se uma solução concentrada de sal. O bebê respira, engole o sal e é envenenado. A camada externa da pele fica queimada (como se vê na foto) pelo efeito corrosivo do sal. Leva mais de uma hora para matar um feto desta forma. O bebê morre lentamente.


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Sábado, dia 24 de março. São 15:35 e eu estou chegando agora do “Movimento Nacional em Defesa da Vida”, que desde a manhã de hoje está movimentando milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, diante da Catedral. Só gostaria de deixar registrado que foi um evento fantástico, que tudo correu muito bem e que estou me sentindo muito gratificado por ter participado deste movimento. Gratificado e abençoado.

Praticamente todas as principais expressões religiosas do nosso povo estavam representadas no local: Igreja Católica, Federação Espírita, Legião da Boa Vontade, diversas congregações evangélicas, e até o Movimento Islâmico Brasileiro. Além disso, a iniciativa contou com o apoio irrestrito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da Comissão em Defesa da República e Democracia (na pessoa do Dr. Cícero Harada), e outras entidades sociais, além da presença de diversas celebridades e representantes do meio artístico.

O objetivo do evento é sensibilizar a população brasileira, os governantes e o Congresso Nacional para uma rejeição efetiva ao Projeto de Lei nº 1135/91, em trâmite na Câmara dos Deputados, que determina que a vida possa ser eliminada até o nono mês de gravidez, procedimento este que poderá ser aplicado sem qualquer restrição.

«Devemos alertar e mobilizar a sociedade quanto ao Projeto de Lei que ainda é desconhecido por grande parte da população. Por isso, queremos colocar publicamente a discussão que defende o valor da vida, desde o momento da concepção até o 9º mês de gravidez», afirma a advogada Dra. Marília de Castro e coordenadora do Comitê Estadual da Campanha Nacional em Defesa da Vida.

«A vida humana é um direito natural anterior ao Estado, que o mesmo deve reconhecer como direito fundamental. Por isso, sua garantia é a consagração da própria democracia. Não se trata de direito constituído pelo Estado e, portanto, nenhum grupo social poderá decidir quando outros devem morrer. É ainda um direito inquestionável conforme preceitua o art. 5º da Constituição Federal e o art. 2º do Código Civil Brasileiro», enfatiza advogada.

Bem, mas o que eu queria registrar mesmo, aqui, é que Cris Lisboa é uma gaaaaaaata de um metro e 80 de altura, cabelos longos e acobreados e corpão de modelo de passarela!!!! Ela levou um super cartaz (enorme!) com uma frase que dizia “Você que é a favor do aborto, que bom que deixaram você nascer, pra estar vivo hoje, dando a sua opinião!” (‘cabeça’, né?) Eu fui com a minha super gata, claro, Hana, e ficamos os três juntos até agora há pouco, pulando e agitando muito! Quando o Padre Marcelo subiu ao palco, vou te contar (eu nunca tinha visto o cara), a galera foi à loucura!! Confesso, fui às lágrimas vendo católicos, espíritas, evangélicos e até muçulmanos cantando juntos o hino "pop-espiritual": “Ergue-ei as mã-ãos, e dai glória a De-eus...” Ah, que bom seria, se todos os dias, todos os povos enxergassem bons motivos para se unirem, ombro a ombro, em prol de um objetivo comum!.. Hoje, olhando para os lados, por alguns minutos parecia que isso não só era possível, mas real, estava acontecendo ali mesmo, ao meu redor, bem diante dos meus olhos!

Estou muito feliz por ter feito a minha parte, e por ter sido parte de algo maior, algo em que eu acredito e que acho que realmente vale à pena. Bom final de semana!..







Beautiful Day! - U2


"The heart is a bloom, shoots up through the stony ground


But there's no room, no space to rent in this town


You're out of luck and the reason that you had to care,


The traffic is stuck and you're not moving anywhere.



You thought you’d found a friend to take you out of this place


Someone you could lend a hand in return for graceIt's a beautiful day!


The sky falls and you feel like it's a beautiful day... Don’t let it get away


You’re on the road but you've got no destination


You’re in the mud, in the maze of her imagination


You love this town even if that doesn't ring true


You’ve been all over and it’s been all over youIt's a beautiful day


Don't let it get awayit's a beautiful day


Touch me, take me to that other place


Teach me, I know I'm not a hopeless case


See the world in green and blue


See China right in front of you


See the canyons broken by cloud


See the tuna fleets clearing the sea out


See the bedouin fires at night


See the oil fields at first light and,


See the bird with a leaf in her mouth


After the flood all the colours came out


It was a beautiful day


Don't let it get away. Beautiful day


Touch me, take me to that other place


Reach me, I know I'm not a hopeless case


What you don't have you don't need it now


What you don't know you can feel it somehow


What you don't have you don't need it now


You don't need it now


Was a Beautiful day..."





Tradução:

Um Lindo Dia!

"O coração é uma flor que brota num chão de pedras
Mas não há nenhum quarto, nenhum lugar para alugar nesta cidade
Você está sem sorte e o motivo que você tinha para se preocupar
O trânsito engarrafou e você não está indo a lugar algum
Você achou que havia encontrado um amigo para lhe tirar deste lugar
Alguém a quem você pudesse dar uma força em troca de misericórdia

É um lindo dia
O céu desaba e você acha que é um lindo dia
Não deixe ele escapar

Você está na estrada mas não tem destino
Você está na lama, no labirinto da imaginação dela
Você ama esta cidade, mesmo que isso não soe verdadeiro
Você conhece ela inteira, e ela conhece você por inteiro

É um lindo dia
Não deixe ele escapar
É um lindo dia

Toque-me, leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me, eu sei que não sou um caso perdido

Veja o mundo em verde e azul
Veja a China bem na sua frente
Veja os canyons rasgados por nuvens
Veja o cardume de atum limpando o mar
Veja as fogueiras beduinas à noite
Veja os campos de petróleo à primeira luz e,
Veja o pássaro com um ramo no bico
Depois da enchente todas cores apareceram.

Era um lindo dia
Não deixe ele escapar
Lindo dia

Toque-me, leve-me para aquele outro lugar
Alcançe-me, eu sei que não sou um caso perdido

O que você não tem, você não precisa agora
O que você não sabe você pode sentir de alguma forma
O que você não tem você não precisa agora
Você não precisa agora

Foi um lindo dia..."



Tudo novo!

É o seu filho!”...

“É o seu filho!”...

“É o seu filho!”...

Essas palavras ecoavam em meus ouvidos, quando eu despertei em minha cama, de manhã, coração repleto de uma intensa Paz. Embora para alguém que observe de fora possa parecer que essa frase não fazia muito sentido, naquele momento, a mensagem para mim foi claríssima. Eu entendi o seu significado de imediato. Em primeiro lugar, serviu para dissipar toda e qualquer dúvida que eu pudesse ter a respeito da realidade da vida espiritual. Uma mensagem explícita. Se essa mensagem partiu do meu próprio subconsciente (Jung explica?) ou do Universo; se foi apenas um sonho ou se foi meu "Anjo de guarda" me auxiliando naquele momento difícil, isso não importava tanto. O que importava era que, de um modo ou de outro, a Vida me reconduziu ao Caminho. Mesmo que eu quisesse, não sei se poderia ter escapado do meu destino...


Despertei do meu sonho (ou vivência?) com a mais absoluta certeza da realidade espiritual. Talvez pela primeira vez na minha vida, fé não era mais simplesmente fé. Era certeza! Agora eu sabia que a minha Busca nunca estivera fundamentada em delírios de alguém que nunca se conformou com a finitude e a aparente falta de sentido da vida. A minha história, minhas experiências extraordinárias... Tudo tinha sido tão real quanto esse teclado à minha frente, agora. Ocorre que, devido à minha fragilidade, de tempos em tempos eu vinha precisando de pequenas “provas” como essa. Precisei de muitos “atestados de autenticidade” do Infinito, para não me perder nem me desviar. Isso mostra o quanto não sou nenhum “iluminado”, nem “santo” ou “mestre”, como já disseram(rs). Sou o mais fraco e tolo dos homens, meu único mérito foi ter buscado com sinceridade, e ter sempre considerado essa Busca como a coisa mais importante. E fui fortemente abençoado por isso.

Sobre o sonho, me mostrou duas coisas:

#1 Os planos espirituais existem, e coexistem com essa nossa realidade comum, sem que percebamos (até aí, novidade nenhuma, mas experimentar 'na própria pele’ é completamente diferente de ouvir falar ou ler em algum livro).

#2 A mesma e primordial mensagem, repetida novamente: "Todos somos um!" - Todos são nossos irmãos, e filhos, e filhas, e pais e mães! Somos todos feitos de uma mesma "Massa Primordial", fomos gerados como um só. Uma oração cristã, cuja origem se perde na História, diz: “Fazei de nós um só corpo e um só espírito”. Jesus diz: "Tudo que fizestes a um dos meus irmãos, mesmo que seja o menor deles, a mim o fizestes" (Matheus, 25:40). E diz também: “Aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática, são minha mãe e meus irmãos" (Lucas, 8:21). O maravilhoso João Evangelista confirma, mais adiante: “Quem diz que ama a Deus, e não ama o seu irmão, mente” (I João, 4:20).

Quando aquele ancião me revelou que o rapaz que voava no campo gramado era meu filho, imediatamente compreendi o significado profundo daquelas palavras, um entendimento que entrou em mim como que num “estalo”, independente da minha inteligência ou capacidade de compreensão: Eu não deveria ficar triste pelo meu filho, porque todos ao meu redor são meus filhos, meus irmãos. Todos somos parte de uma mesma Família Cósmica, e nos preocuparmos somente com “os nossos” não deixa de ser um tipo de egoísmo. Mais uma vez, o Mestre dos mestres com a palavra:

“Se amardes apenas os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim também os pecadores?” - Matheus, 5:43–47

A afirmação de que aquele rapaz, que eu nunca tinha visto antes, era meu filho, tinha um significado muito mais profundo do que aquele que talvez possa transparecer numa primeira impressão. Não significava que ele tivesse sido meu filho numa encarnação passada, ou que viria a ser meu filho no futuro, nem nada parecido com isso. Significava que eu devia parar de me preocupar somente com os meus próprios problemas e abrir os meus braços e o meu espírito para a Grande Família Humana, da qual eu fazia parte!

Assim recuperei minha fé. Mas agora resolvera que deveria seguir a vida do “meu jeito”, vivendo um dia de cada vez, sem me preocupar tanto em buscar caminhos nas diferentes maneiras que os homens inventaram para tentar encontrar suas Respostas. Abandonar a Busca, enfim, e simplesmente ser "eu mesmo".

Mas esta não foi a primeira vez que tentei abandonar a Busca, deixando de lado as preocupações e confiando apenas e tão somente nos meus instintos, garimpando aleatoriamente ensinamentos de algum mestre aqui e ali. Já tinha tentado fazer isso muitas vezes antes, no passado, em especial quando descobri as religiões da tradição oriental baseadas na doutrina “Advaita”, que significa “não dual” ou “não diferente”, e ensina que todos somos Deus; e que sendo assim, todas as vias seriam válidas, não existiriam o mal e o sofrimento (tudo já é como deveria ser). Não precisaríamos buscar absolutamente nada, porque a perfeição já existe e está presente, só temos que prestar "atenção". Na verdade, eu vivi segundo esses princípios por muitos anos. Toda a minha fase de incursões pelo Budismo e pelo Hinduísmo, e o meu longo período de estudo e prática do Yoga foram uma forma de “Busca através da não-busca”, se é que me faço entender. Esse modo de entender a Vida era sem dúvida apaixonante, convidativo. Parecia libertador, trazia conforto e alívio... Mas, depois de um tempo, comecei a perceber que viver essa filosofia, na prática, não funcionava... "Deus está em tudo e tudo está bem"? "Tudo é harmonia no Universo"? - Como eu já disse, aqui, isso podia ser verdade sob uma ótica muito profunda, altamente filosófica. Mas no dia-a-dia, "na real", mesmo, simplesmente acreditar que tudo está bem e que eu não precisava fazer nada, acabou me levando a um estado de inanição espiritual e apatia. Além disso, olhando ao meu redor, eu não via harmonia. Longe disso. Via caos, ódio, violência, incompreensão, inveja, corrupção... seres humanos em franco processo de involução, cada vez mais dominados pelo materialismo e pela luxúria... Sim, talvez todas as possibilidades que buscamos estejam presentes dentro de nós mesmos, de forma latente. Mas estas capacidades encontram-se como que "atrofiadas" pelo não uso, "adormecidas" dentro de cada um. Fazê-las "despertar" envolveria, eu descobri, um trabalho diligente e constante de auto-aprimoramento.

Gostaria também de deixar claro que (apesar de talvez não ter ficado evidente nos meus relatos até aqui), eu também vivi longos períodos em que “deixei tudo pra lá” e tentei apenas viver, simplesmente. Cuidar da minha “vidinha”, pensar só nas coisas simples e esquecer essa história de encontrar o que não pode ser encontrado... Mas a Vida sempre me chamou de volta, muitas vezes com grande contundência.

E agora eu estava de volta, novamente achando que devia seguir o meu caminho, do “meu jeito”, ou seja, solitariamente. Pensava: “Não preciso de religião, não preciso de nenhum 'caminho' para seguir, a não ser o verdadeiro Caminho espiritual, que é viver em paz comigo e com a minha consciência”. Mas já sabia que precisava me manter “antenado” com a espiritualidade, caso contrário os cuidados imediatos da vida materialista me afastariam novamente. Isso também já tinha acontecido muitas vezes.

Sempre gostei de meditação coletiva. Para mim é uma experiência diferente da meditação solo, principalmente quando todos os participantes estão numa mesma “sintonia”. Um belo dia, resolvi procurar na Internet informações sobre “grupos de meditação”. Aparentemente essa breve pesquisa não implicaria na descoberta de nenhuma novidade, já que a meditação tinha sido uma das minhas primeiras grandes descobertas (logo percebi que se tratava de uma poderosa ferramenta a ser utilizada na Busca interior; e desde então eu nunca mais tinha abandonado a sua prática). Por isso mesmo eu nunca poderia imaginar a diferença que essa busca pequenininha faria na minha grande Busca...


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Esvaziar-se é preciso


Transcrevo abaixo mais um trecho do que eu escrevi naquele caderninho, sentado no banco do jardim, sentindo a minha fé e as minhas convicções “escorrerem por entre meus dedos”:

“Ainda que tenha buscado em muitos lugares, por muitos países, primeiro fora; e, após isto tenha buscado incessantemente em muitos outros lugares, por muitos países, dentro de mim (Isto começou aos meus 4, e continua até hoje, faltando 17 dias para meus 37)... Eu não encontrei a paz.

Ansiei tanto por ela, mas nunca a encontrei... Ouvi falar dela, acreditei que ela existe, encontrei mesmo seus vestígios, cheguei a ver o seu rastro. Mas não a vi de frente. Não segurei a sua mão, ela não me chamou de amigo nem jantamos juntos. Por isso hoje... eu desisti da busca.

Quem é DEUS? Eu não sei. Há um DEUS? Eu acredito que sim. Acho que, dentro de mim, eu sei com certeza, porque posso sentir. Porque as coisas acontecem quando espero nEle, porque há algo dentro de mim que grita que sim! Há um DEUS, Justo e Magnânimo, onisciente e onipresente, que nos protege e cuida. Que rege o Universo ou o Pluriverso, e se revela aos puros de coração. Mas... eu apenas acho. Eu nada sou e nada sei. Ir além disto é mais do que eu posso. E eu preciso de mais.

Talvez eu seja fraco. Talvez meu espírito seja muito fraco. Está escrito que Tomé conviveu com o próprio Jesus, e que teve muitas provas e viu muitas maravilhas... Mesmo assim, precisou ver e tocar, para crer. Acho que sou mesmo muito fraco. Na verdade não sou como as outras pessoas. Eu penso mais, e penso que penso demais. Às vezes o raciocínio parece inimigo da fé (Mas isto não deveria ser assim). Quando penso na idéia que os homens fazem, geralmente, a respeito de DEUS, mil perguntas pipocam em minha mente irrequieta: Por quê há tanto sofrimento neste mundo? Se este 'plano' é como uma escola, onde estamos para aprender e evoluir, como acreditam muitos, então por quê é tão difícil encontrar o caminho da evolução e do aprendizado? Isto me parece difícil, dificílimo, quase impossível. As religiões que se propõem a conduzir o homem pela senda mais elevada, espiritual, não estão, no meu entender, sendo conduzidas por humanos dignos da confiança dos seus semelhantes. Eu não compreendo por que DEUS não se manifesta de forma clara aos que O buscam, para que continuem cada vez mais firmes no Caminho, com a certeza de estarem seguindo no rumo certo.

Os que buscam a DEUS o encontram sempre, fatalmente? Eu não sei. Isto está além de mim. Mesmo assim, se um assassino apontasse uma arma para a minha cabeça, e eu estivesse impossibilitado de reagir, eu faria, intimamente, uma oração. Sim, eu creio. Apenas digo que eu não sou o que gostaria de ser.

Creio, mas não sei bem em que crer. E mais, não sei como devo crer. Eu não sei quem é DEUS. Este é o ponto central de tudo. A razão da minha angústia.”...

Eu me sentia vazio. Mas não um vazio bom, positivo; não o vazio que surge quando se entra num estado de meditação profunda. Eu sentia um vazio desagradável, “negativo”, incômodo... Desistir da Busca não é a mesma coisa que terminar ou encerrar a Busca. Terminar a busca por ter encontrado o que se procurava, ou encerrá-la por se chegar à conclusão de que não compensa continuar, é uma coisa. Mas não era isso que tinha acontecido.

No meu caso, naquela ocasião, o que ocorreu foi muito diferente: Desistência, pura e simples. Eu estava extenuado, simplesmente esgotado, já não suportava mais procurar tanto por algo que eu não sabia exatamente o que era, sem encontrar. Pior: no decorrer desse longo processo, tinha perdido a fé no ser humano. Com isso aprendi, na prática, algo muito curioso: Perdendo a fé na humanidade, também a minha fé em Deus estava ameaçada.

O questionador, agora, questionava suas próprias bases. Todos os meus porquês estavam sendo colocados em cheque, desde as minhas motivações até as razões que me levaram a iniciar essa busca: Medo da morte?.. engraçado, mas agora, do alto dos meus 36 anos, isso não me parecia tão importante. Morrer? Descansar, enfim? Continuar, de um jeito diferente?.. Renascer sob uma outra forma? Afinal, se eu não podia mesmo ter a certeza de qual era a resposta, por que me preocupar?..

Mas os questionamentos iam além... Será que existia mesmo essa história de vida espiritual? Haveria mesmo um Deus por trás da realidade visível?.. Ao mesmo tempo em que me via refletindo em todas essas, sentia-me culpado por duvidar, logo eu que fora agraciado com tantas experiências pessoais maravilhosas. Mas, e se essas experiências todas fossem apenas enganos? E se tudo não passasse de alucinação, delírios de uma mente obcecada? Vazio. Me sentia mais perdido do que nunca. Perder a fé, assim, no meio do percurso, não estava nos meus planos.

Sei que muitos não conseguem entender as minhas dificuldades. Nem todos são tão complicados quanto eu. Muitos me dizem que eu deveria simplesmente relaxar. Outros me acusam de me comportar como um cético, que não consegue aceitar certas realidades simplesmente pela fé. Fato: explicar essas coisas é muito difícil, senão impossível, mas o que eu sempre tinha esperado, dessa busca, era apenas algo concreto, uma comprovação palpável, que me desse a certeza definitiva de que eu estava mesmo no caminho certo. Quer dizer, se eu estava disposto a empenhar a minha vida, os meus pensamentos e as minhas melhores energias nesse propósito, então o mínimo que eu podia desejar era ter a certeza de não estar, simplesmente, me iludindo. Mais um trecho do meu caderninho:

"Eu, enquanto ser pensante, racional e evoluído, mental e intelectualmente, só poderei encontrar a paz se estiver nesta busca com a absoluta certeza do que estou fazendo, sem deixar espaço para nenhuma sombra de dúvida, isto é certo. Se eu deixar quaisquer margens a dúvidas, dentro de mim, nas convicções que eu abraçar, certamente elas voltarão a me perturbar mais à frente, podendo me destruir (Aliás, convicção pode ou não ser alguma coisa que se escolhe?). Nesse caso, o que dizer da fé?”...

Foi um dia difícil. Eu me sentia como se estivesse vivendo num ambiente estranho, hostil. Tudo estava mudado. Minha visão estava alterada. Minhas impressões, a respeito de tudo e de todos, estavam alteradas. Um gosto amargo na boca não me deixava, por mais que eu escovasse os dentes, e uma forte dor de cabeça me perseguiu até à noite.

Madrugada. Depois do programa do Jô, depois de horas deitado em minha cama, olhando para o teto, completamente desorientado e insone, finalmente o sono chegou e eu dormi.

E me vi num lugar agradável, cercado por natureza exuberante. Estava sentado sob uma árvore de copa larga e tronco amplo, acomodado confortavelmente em suas largas raízes. À minha frente, um grande e límpido lago, cujas águas calmas refletiam a luz de um sol ameno, a superfície ligeiramente agitada, vez ou outra, por uma brisa suave... Todo o contorno deste lago era cercado por árvores e altas e vegetação belíssima, luxuriante... Fiquei um bom tempo assim, sentado olhando o lago, apenas aproveitando o bem estar do momento. Não pensando em nada, não pensando se aquilo era um sonho ou não. Apenas me sentia feliz, pura e simplesmente, e aquilo era tudo que eu precisava naquele momento. Ouvia pássaros cantando, toda a natureza ao redor parecia sorrir para mim.

Me levantei, olhando ao redor. Voltei-me, dei a volta por trás da árvore sob a qual estivera sentado, e caminhei tranquilamente por entre outras árvores, sobre um solo macio e recoberto de folhas... Cheguei então numa vasta área livre, um enorme campo gramado, muito verde e viçoso. Olhei em volta, extasiado... o lugar parecia não ter fim, a imensa planície verde prosseguia à minha frente até onde minha vista alcançava, indo fundir-se com o azul na linha do horizonte. Foi quando percebi, a uma distância de uns duzentos metros, um grande grupo de pessoas; uma pequena multidão reunida em volta de alguma coisa, e percebi, ao mesmo tempo, o ruído das vozes e a algazarra que faziam.

Caminhei até lá, e a medida que me aproximava, o som de risos e gritos de alegria aumentavam. Finalmente alcancei o grande grupo: Eram pessoas comuns, de todos os tipos. Havia homens e mulheres, de diversas raças, jovens, velhos, crianças... Eram centenas de pessoas, , vestidas normalmente, reunidas em torno de alguma coisa. Todos pareciam acompanhar, atentamente, o desenrolar de algum evento muito importante, em torno do qual se reuniam alegremente. A intervalos regulares, alguma coisa especial acontecia ali no meio, e todos gritavam juntos exclamações de incentivo, como “bravos” e “vivas”... Entrei no meio dessas pessoas, que se posicionavam umas ao lado das outras, e assim pude ver, finalmente, o que estavam olhando:

Havia uma espécie de pista de corrida, traçada na grama, parecida com aquelas que são usadas para a disputa da prova dos cem metros rasos, nas olimpíadas. Essa pista tinha 4 raias, e em cada uma delas se posicionavam pessoas comuns (idosos, jovens, crianças), como se estivessem se preparando para algum tipo de corrida. Então alguém dava um sinal, essas pessoas saíam correndo por essas raias, e, depois de um certo trecho, alçavam vôo!

Algumas eram desajeitadas, deixavam o solo meio tortas, desequilibradas. Outras voavam alto, braços abertos, corpo ereto. Outras ainda pareciam encontrar dificuldades, apenas planavam poucos centímetros acima do chão. Mas a cada vez que alguém corria e conseguia voar, todos gritavam! Uma alegria contagiante invadia o lugar. Muitas gargalhadas, muitos abraços sendo trocados, palavras de incentivo...

Fiquei olhando para aquela cena maravilhosa, boquiaberto. De repente, não sei bem porquê, me lembrei do meu filho de 11 anos, que eu não via há algum tempo (eu tinha acabado de me separar da mãe dele, nós éramos muito unidos, e eu estava muito preocupado, sentindo imensa saudade e tristeza com a nossa separação forçada). De imediato, uma profunda tristeza me invadiu. Nesse exato momento, um senhor que estava à minha frente, de cabelos brancos e ralos, se virou para mim e disse, apontando para o alto: “Você está vendo aquele rapaz moreno, ali, que acaba de voar, todo feliz?” – Eu olhei para cima e vi o tal rapaz, de uns vinte e poucos anos, esvoaçando para todos os lados, logo acima de nossas cabeças, como uma borboleta gigante, soltando gritos de alegria. O senhor grisalho continuou: “É o seu filho!”.



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Vazio


"Apesar das necessidades básicas do Homem e os anseios do seu coração serem iguais, as maiores religiões do Mundo oferecem meios diversos e muitas vezes contraditórios para se preencher tais necessidades. Um relance à alguns tipos de fé e práticas mais comuns o torna evidente:

1. Crentes devotos de muitas fés tentam preencher suas carências espirituais freqüentando regularmente lugares de adoração como santuários, templos, mesquitas, catedrais, etc., onde fazem suas orações, queimam incenso e observam um grande número de tradições, cerimônias e rituais.

2. Algumas almas dedicadas estão dispostas a renunciar a todos os prazeres e possessões mundanas a fim de se devotarem inteiramente a várias práticas religiosas. Em vez de honrarem ou olharem para ídolos, imagens e representações do seu deus ou deuses, muitas procuram a Verdade e a realidade dentro de si, buscando a 'iluminação' através de intensa concentração, contemplação e meditação.

3. Algumas dessas pessoas que buscam a Verdade adoram um deus, enquanto outras adoram centenas ou até milhares de deuses. Algumas das maiores religiões do Mundo começaram simplesmente como filosofias de moral e ética, e os seus fundadores nunca tiveram a intenção de que nenhuma divindade ou deus fosse idolatrado. Contudo, hoje em dia, esses mesmos fundadores são adorados como se eles fossem deuses!

4. Para muitos crentes, a sua mais alta aspiração e maior esperança é sobreviverem à morte como uma personalidade individual numa vida feliz depois desta.

5. Outras zombam da idéia de continuarem a viver como indivíduos, e estão à espera da anulação do seu ego, para que venham a se fundir com a Realidade Máxima do Universo.

6. Algumas, ainda, acreditam que depois que morrerem voltarão a viver outras vidas na Terra, repetidas vezes, e que a vida atual é apenas um dos muitos nascimentos e renascimentos que continuarão indefinidamente até que se tornem um espírito de luz ou atinjam a realização completa.

7. Há também as que acreditam que o Homem vive apenas uma vida na Terra, e que portanto só têm uma chance de viver adequadamente e de alguma forma assegurar uma vida feliz após esta.

Com tantas crenças — muitas vezes contraditórias — como alternativa, é de se entender que alguém que busque a Verdade fique confuso. Principalmente pelo fato de que quase todas as maiores crenças no Mundo acreditam e afirmam que a sua doutrina é que é o caminho verdadeiro para a "iluminação", felicidade, salvação ou Céu!"


David Berg


Eu acrescentaria ainda, a essa ótima dissertação do pastor evangélico David Brandt Berg, que muitos buscadores, de tanto procurar sem sucesso por suas respostas, acabam encontrando alento em novas propostas que pipocam a todo momento, aqui e ali, com movimentos como o da chamada "Nova Era". Muitos afirmam que, basicamente, todas as religiões falam a mesma coisa, apenas de modos diferentes, e que todas nos levam aos mesmos resultados, infalivelmente (eu falei sobre isso no último post). Por isso mesmo, não precisaríamos nos preocupar muito com nada, porque tudo dará certo no final. Muitos acreditam nos reptilianos. Acreditam piamente em diversas teorias conspiratórias, desde o ataque às torres gêmeas de 11 de Setembro planejado pelo próprio Pentágono até os planos secretos de "domínio do mundo" pelos Illuminati, passando por uma mega-conspiração dos governos do mundo inteiro em nos "idiotizar", nós, cidadãos inocentes, para poderem nos dominar mais facilmente, através da implantação de micro-microships em nossos corpos, sem que saibamos, de várias maneiras. Através das campanhas de vacinação, por exemplo. Observem essa pérola constante no site “Nova Era”:
“Um cientista que trabalhava pra CIA contra a sua vontade me disse, há dois anos atrás, que na verdade os microchips eram tão pequenos que eles estavam sendo inseridos através de injeções durante as campanhas de vacinação pública. Essa é outra razão crucial para não vacinarmos nossas crianças (...) Por favor, sinta-se livre (você que me visita), para copiá-la (esta informação) e passá-la adiante”. - David Icke.

Detalhe: Na página principal deste mesmo site, logo abaixo do título, uma frase está em destaque: "Conhecereis a verdade, e ela vos libertará!"... Pois é. Onze entre dez seitas obscuras usam o nome de Jesus para aparentar um ar de seriedade às suas teorias malucas. Então, você que não concorda comigo nesse ponto, pense de novo: Será mesmo que todas as seitas e religiões são iguais, será que todas elas levam ao mesmo lugar e estão dizendo a mesma Verdade, apenas de modos diferentes?

Esse foi o tema do post anterior, e a razão de estar insistindo nele é por que essa era a conclusão que eu estava chegando, em meados de 2004, depois de tantas decepções em minhas incursões pelo universo das possibilidades religiosas. Começava a pensar que a solução seria misturar tudo, fazer uma boa “salada” de idéias e princípios, usando as coisas que me agradassem, desta ou daquela tradição, e descartando o que eu considerasse equivocado ou inútil.

Mas não demorei a perceber que deste modo seria impossível encontrar um caminho coerente, e que assim não estaria sendo verdadeiro comigo e muito menos com a minha proposta inicial de encontrar a Verdade. Isto é, eu poderia chegar a um sistema pessoal de crenças e escolhas coerente, que fizesse sentido para mim, mas essa nunca foi a minha intenção. A minha proposta desde o princípio sempre fora encontrar a Verdade, e não me contentar com menos. Não me bastava "ficar bem", o que eu queria era entender. O resultado, naquele momento, depois de tantas e tantas cabeçadas (que os que me acompanham já conhecem) foi que acabei desistindo das crenças.

Minha obsessão em ver além me levou a tantos desencontros que não podia mais suportar, e isso finalmente estava me cansando. Sucessivas decepções, uma após outra, desde a minha infância e adolescência... Cheguei a um estado de desânimo tal, que acabei me afastando da fé, que sempre fora minha característica mais forte.

Isso mesmo. Num dia que nunca mais me esquecerei, me retirei do mundo para meditar, como sempre fazia, desde os primeiros tempos da Busca, mas não consegui me desligar dos meus pensamentos angustiados. Eu tinha acabado de visitar a sede nacional da “Seicho-No-Iê”, no bairro da Conceição, em São Paulo, onde conheci a biblioteca, as diversas salas de palestras e estudos, e o grande templo (que de longe parece uma igreja católica, com uma imagem entalhada acima da porta de entrada, representando o fundador Massaharu Taniguchi abençoando todos os visitantes). Aprendi a "Oração pela Manifetação da Imagem Verdadeira" e os princípios da "Meditação Shinsokan"... Mas estava vazio por dentro. Tinha cansado.

Lembro-me de ter saído de lá desanimado, exausto dessa minha Busca. Logo ao lado do prédio da Seicho-No-Ie há o bonito e moderno complexo dos edifícos-sede do Banco Itaú, que tem um amplo largo de entrada, com uma grande escadaria que dá acesso ao parque arborizado que existe na rua abaixo. Nesse largo há dois grandes chafarizes, jardins cuidadosamente tratados, diversos bancos de pedra para os transeuntes poderem se sentar um pouco e relaxar por alguns preciosos minutos. Um belo e harmônico complexo, desenvolvido e conservado pela iniciativa privada, como quase tudo que funciona, no Brasil.

Àquela hora (14:30 PM) apenas uma ou outra criança, usando uniforme escolar, brincava por ali. Então me sentei num grande banco circular, todo em granito branco, de onde podia ver, no plano superior do grande jardim, uma grande e interessante “escultura de água” (uma estrutura metálica articulada que se movimenta aleatoriamente sob efeito da pressão da água, que sobe por cânulas e depois cai em cascatas, suavemente, do alto da estrutura, provocando um ruído como o de uma cachoeira).

A tranqüilidade, a quietude, os risos distantes das crianças brincando, abafados pelo suave ruído das águas... Tudo era um convite para a meditação. O aroma das flores, a sombra fresca das árvores... tudo era quietude à minha volta, menos eu próprio. Por quê? Por que, se eu procurava tanto, não conseguia encontrar? Via todos discutindo, ou querendo parecer felizes, dar a impressão de que encontraram suas próprias respostas, mas era tudo tão subjetivo...

As lembranças das minhas experiências inefáveis pareciam, naquele momento, apenas lembranças de sonhos distantes... Eu só conseguia pensar que tudo que procurei era muito belo, mas no fim, ninguém podia ter certeza de absolutamente nada. Meus pensamentos me fugiam: "Quem falou que temos que buscar algo mais elevado? E se tudo for apenas ilusão, e se eu estiver simplesmente enganado, sobre tudo?”... As palavras finais do “Manual do Messias”, no livro "Ilusões" ecoavam em minha mente: “Tudo neste livro pode estar errado”.

"Por que Deus não nos dá certezas? Se Ele quer que O busquemos, porque não aponta os caminhos, claramente? Como discernir o que é ilusão do que é experiência espiritual autêntica? Como saber até onde vão as sensações provocadas por efeitos puramente químicos, efeitos de substâncias em desequilíbrio nos nossos cérebros, e onde começa a realidade??"...

Não me conformava por estar me sentindo ainda no ponto de partida, como se em todo esse tempo eu não tivesse saído da “estaca zero” na Busca... Depois de tanto esforço, depois de tanta caminhada, tanto empenho. Uma desolação terrível me atingiu em cheio, e eu fui vencido. Puxei um caderninho velho que carregava comigo, de dentro do bolso da minha calça (sempre levava um caderninho para anotações, quando ia conhecer algum lugar novo), desenhei um círculo, sem começo nem fim, que representa o eterno retorno ao ponto de partida, e anotei:

“Vazio. A minha busca terminou hoje. É o fim de uma grande fase na minha vida. Não sei o que virá ou o que serei, daqui pra frente, já que os meus melhores esforços, por toda minha vida, foram no sentido de encontrar este Caminho, que hoje eu nem sei se existe. É só”.





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Chegando lá...

Conforme já deve ter dado para perceber (e muita gente já falou, nos comentários), conhecer a Sociedade Teosófica foi mais uma decepção. Mais uma amostra que eu precisei “coletar”, na prática, da incapacidade do homem em cumprir as metas a que se propõe, quando o assunto é espiritualidade. Deixo claro que nada tenho contra os indivíduos, nada contra qualquer um que esteja empenhado na Busca verdadeira e que porventura tenha se encontrado na ST. Minhas observações são sempre a respeito da “prática na prática”, isto é, a essência da coisa. Às minhas impressões e conclusões se referem à tradição em si, e não aos que a seguem. Eu discuto idéias, não homens. Deixo isso claro, porque, vez ou outra, um dos meus visitantes se ofende com a minha postura, sente-se agredido em nível pessoal. O meu objetivo com o “Arte das artes” é a provocar a discussão saudável, produtiva. É levar o leitor a repensar suas convicções. Pretendo lançar um chamado para uma retomada de consciência, e nesse processo eu obviamente não poderia me furtar de deixar a minha opinião sobre os temas abordados. E nessa intenção não me é possível (nem seria coerente) concordar sempre com tudo. Discutir pressupõe observação, e, principalmente, auto-observação. Além disso, as minhas conclusões são exatamente isso mesmo: As minhas conclusões. E, como eu já disse antes, se em algum momento esse trabalho de reflexão vier a ser útil para alguém, em sua própria busca, então meus objetivos foram alcançados.

Todas as sociedades secretas (olha que eu deixei de contar muitas histórias, aqui), ordens religiosas e grupos de estudo que eu conheci na minha vida, acabaram me levando às mesmas conclusões: Falar é fácil. Querer também é fácil. Ser é difícil, uma coisa muito rara. Quando eu achei que devia ampliar meus horizontes, ainda adolescente, e fui buscar respostas em doutrinas distantes e exóticas, achava que encontraria outros buscadores sinceros como eu, preocupados apenas em encontrar o Caminho verdadeiro. E encontrei ingênuos, deslumbrados, curiosos... além de homens e mulheres “brincando de espiritualidade”...

Conheci pessoas que se vestiam como espiritualistas. Que falavam, andavam, gesticulavam e se alimentavam como espiritualistas. Mas não pensavam realmente como espiritualistas. “Espiritualidade” pode parecer algo divertido para se fazer nas horas vagas, uma espécie de passatempo. Muitos querem aprender coisas novas e diferentes, para serem admirados e conquistar simpatia. Querem parecer misteriosos, exóticos, diferentões... Outros ainda são simplesmente curiosos, acham interessante estudar religião, filosofia, misticismo, ocultismo...

Todas as Sociedades, ordens e grupos espiritualistas que eu conheci, tinham ideais muito nobres, alguns perfeitos, irretocáveis. Mas os seus membros, invariavelmente, na prática, viviam e agiam de modo contrário aos princípios que pregavam. A experiência na Sociedade Teosófica foi muito importante, para mim, porque aconteceu numa fase em que eu já tinha conquistado maturidade suficiente para enxergar a distância que separa palavra e prática.

Se alguém diz que “não existe religião superior à verdade”, e logo em seguida se propõe a ensinar aos outros partindo de uma “salada” de religiões, uma confusão de caminhos que se cruzam e se contrapõem, até onde poderá chegar? Palavras de “Sua Santidade”, o 14º Dalai Lama:

“Sempre achei que a base da harmonia religiosa é o respeito recíproco. Todos temos o que aprender com outras tradições. Mas considero totalmente equivocada essa onda da nova era (‘new age’) que surgiu no mundo. Não dá para pegar um pouco de cada tradição, um pouco daqui e um pouco dali, e jogar tudo no ‘liquidificador’. Isso é um erro! É melhor para o homem que siga uma tradição autêntica. Se você tentar misturar tudo, achando que todas são iguais, vai acabar perdendo a essência e a maravilha de cada uma delas”.


Disse tudo. E agora eu entendia que a minha resposta não estava na crença em que todas as religiões são iguais, como rios que desembocam todos no mesmo mar, a não ser num sentido muito profundo, que está além da prática diária. E do que me adianta conhecer filosofias de vida profundíssimas, se eu não sei como viver o meu dia-a-dia, na prática? O que eu precisava saber era como viver a minha vida, meu aqui-agora, saber qual prática espiritual adotar, qual o passo-a-passo para encontrar DEUS!

Eu sei que muitos devem estar imaginando por quê não me bastavam todas as belas experiências que vivi, por quê não era suficiente a certeza da existência de uma Realidade Maior, e viver a minha vidinha simplesmente, com Amor, serviço ao próximo e alegria?... Acontece que uma inquietação profunda continuava aumentando, cada vez mais, dentro de mim. Um sentimento de coisa inacabada, uma lacuna importantíssima a ser preenchida, e viver em paz, antes de entender essa sensação, era para mim uma tarefa impossível.



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A Sociedade Teosófica


Este é o belo lema da Sociedade Teosófica:

“Não existe religião superior à Verdade”.

Concordo. Plenamente. Como também me agradam, e muito, os objetivos “oficiais” da Sociedade Teosófica:

1) Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor;

2) Encorajar o estudo da Religião Comparada, Filosofia e Ciência;

3) Investigar as leis inexplicadas da natureza e os poderes latentes no homem.

Como eu já conhecia e tinha sido membro do grupo de estudos “K”, que propõe a discussão da filosofia pura, tendo como “patrono” Jiddu Krishnamurti, e também baseado no que eu conhecia das histórias do próprio Krishnamurti, Madame Blavatsky e Annie Bessant (membros famosos – ver links no post anterior), cujas biografias eu tinha lido muitos anos antes, me empolguei em finalmente conhecer a Sociedade Teosófica...

Além do lema coerente e dos objetivos nobres, a Sociedade Teosófica (daqui pra frente, chamada ST) tem uma história bastante interessante: Foi fundada em 1875 pela própria Helena Petrovna Blavatsky, que definiu a Teosofia assim, entre outras palavras: "A palavra Teosofia significa, essencialmente uma autêntica vivência ou realização direta da Verdade” (a 'minha cara!..’). Mais ainda: O site oficial também diz que "A palavra Teosofia significa, em essência, o verdadeiro e puro Altruísmo ou Sabedoria. Cabe lembrar ainda que a ST não define o que seja esta Sabedoria, pois, se o fizesse, estaria formulando uma doutrina, e a aceitação desta doutrina não implicaria na realização da Teosofia, mas, tão somente, na adoção de um novo credo". – Cada vez melhor, eu sei... Mas ainda não era só isso que me atraía. Transcrevo, a seguir, alguns princípios básicos da Teosofia:

# Sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Ao afirmarmos que a Teosofia é sabedoria, não podemos alegar que ela é uma "possibilidade de conhecimento". O conhecimento é uma representação intelectual do mundo. A sabedoria é uma habilidade ou destreza para lidar com o mundo.

# O conceito de "verdade" é extremamente controverso e não deveria ser aplicado à definição do campo de trabalho do teosofista. Cada um de nós tem uma percepção muito pessoal acerca do que acontece ao nosso redor, e essa percepção é o que chamamos de "realidade". A "verdade" é aquilo que acontece de fato e a realidade é apenas a parcela que somos capazes de perceber da verdade. Só podemos conhecer o real, e eventualmente intuir o verdadeiro (perfeito, e tem a ver com o ‘comentário da semana’).

# Se aceitarmos a tradução da voz grega "theoi" por "deuses", estaremos fugindo de um esclarecimento oferecido por Platão, e referido por Blavatsky. Ele deriva "theós" de "theô" (verbo que significa "correr" - como objetos em movimento ou como linhas imaginárias) e descreve os "theoi" como os "moventes", relacionando-os aos planetas, que são "estrelas" móveis. O sentido de "theos", na palavra teosofia, seria, portanto, mais para "móvel", ou "dinâmico", do que para "divino". Isso faz sentido se pensarmos que a sabedoria só se revela na ação. Não existe sábio na teoria, mas apenas na prática - a sabedoria é dinâmica por definição. Cabe esclarecer também que só quem dava importância aos deuses, na Antigüidade, eram os sacerdotes. Os muitos deuses e deusas são retratados nos mitos relacionados aos Mistérios como inimigos da Humanidade. Por que razão haveriam os teosofistas de homenageá-los agora?

O termo "Teosofia" também foi utilizado outras vezes antes de ser remodelado por Helena Blavatsky, como pelo filósofo Jacob Boehme, no século XVII, e também Jâmblico, Porfírio, Proclo e outros pensadores antigos. Mas este tema é complexo demais para ser abordado aqui, agora. O que tentei fazer, até aqui, foi deixar o mais claro possível quais eram as minhas expectativas ao chegar na loja central da ST em São Paulo, que fica no bairro oriental da Liberdade. A partir de agora descrevo a minha visita:

Por meio de um telefone que encontrei na internet, eu já sabia que, na época, a loja da Liberdade (na verdade, existem duas naquele bairro, mas não muito próximas uma da outra) promovia reuniões informais, com palestras, às terças feiras. Chegamos ao endereço um pouco ressabiados, eu e Hana, porque essas reuniões eram à noite, e o endereço fica num ponto não muito agradável do bairro oriental, uma região um tanto quanto decadente, já não tão bem freqüentada quanto em épocas passadas.

Era uma grande casa antiga, com um amplo salão na parte da frente e um corredor lateral à direita, que dava para uma pequena fonte, logo ao lado da porta de entrada para a recepção e um salão menor (mas não pequeno), onde eram realizados os encontros semanais. O portão estava aberto, e assim fomos entrando, devagar, sem saber muito bem o que nos esperava. Logo ao adentrar o salão de palestras, posso dizer que fui tomado por um sentimento de nostalgia, uma sensação muito forte de “retorno ao passado”. Percebi, num canto, um jogo de sofás em formato geométrico, com encostos angulares e revestidos em napa de cor vinho, daqueles típicos da década de 70. “Meu pai comprou um muito parecido com esse, quando eu era criança”, falei ao ouvido de Hana. Mas não era só isso. Toda a decoração, todas os objetos que se viam no local, eram dessa mesma época: móveis, vasos sobre as mesas, as cadeiras... Tudo tipicamente anos 70. Tinha até flor de plástico! O lugar parecia uma espécie de museu temático... Logo que entramos, um homem que conversava com uma senhora, no outro lado da sala, nos viu e acenou, como quem diz “Já vou falar com vocês”... Ficamos pr ali, observando livros numa estante, a maioria da editora Record. Peguei alguns e folheei. Páginas amareladas... Não resisti. Olhei as datas de edição e confirmei o que era óbvio: Todas eram de um período entre 1971 e 1976! Brinquei com Hana: “Isso está parecendo o 'túnel do tempo'! Será que voltamos ao passado?” - Ao que ela (bem) observou: “Só não diria isso porque, se assim fosse, os livros e os móveis estariam todos novos!” – e me deu uma piscadela. De fato, as condições do sofá (com um grande rasgo no acento) e dos outros móveis eram precárias, embora eu soubesse que na época em que haviam sido adquiridos eram muito chiques. Era como se o auge da ST no Brasil tivesse ocorrido na década de 70, e de lá pra cá tivessem parado no tempo.

Depois disso fomos observar uma série de quadros que estavam na parede principal. O maior deles, bem ao centro, representava o emblema da Sociedade Teosófica, uma cruz “ansata” (ou ankh) dentro de dois triângulos sobrepostos e opostos, inseridos numa serpente que morde a própria cauda, em cuja ponta há uma cruz suástica. Ao lado deste, diversos retratos de místicos, membros célebres da ST e grandes vultos da história antiga: Pitágoras, Henry Stell Olcot, Raimundo P. Seidl (fundador da ST Brasileira), Annie Bessant, e, claro, Blavatsky, além de outros que eu não pude identificar.

O homem que nos cumprimentara ao chegar se aproximou. Apresentou-se como Erasmo, parecendo muito animado com a nossa chegada (talvez porque pouquíssimas pessoas tinham comparecido para a palestra). Aparentava uns 50 anos. Era branco, alto, tinha olhos claros e cabelos grisalhos encaracolados. Estava vestido de um jeito simples, e nos perguntou se conhecíamos alguma coisa a respeito da Teosofia. Falei pra ele o que eu sabia, ele respondeu que eu conhecia mais do que a maioria, mas que ainda tinha muito para aprender. Uma dúvida que eu tive a oportunidade de sanar ali foi a respeito da origem do termo “loja” para designar o local de encontro dos estudantes. Segundo Erasmo, essa expressão remonta aos primeiros anos da nossa era, quando sábios viajantes de diversas partes do mundo marcavam encontros nas rotas de comércio, para trocar experiências e conhecimentos sobre magia e esoterismo. Havia, inclusive, numa das paredes do fundo, um grande mapa mundi mostrando essas rotas, de onde se viam linhas unindo Egito, Palestina, Europa, China...

Ficamos por um bom tempo, eu, Erasmo e Hana, batendo um papo animado. Falamos inclusive sobre alguns aspectos da minha busca, e eu contei que estava ainda procurando “a minha turma”, algum grupo que se interessasse em estudar os mistérios da vida, independente de misticismo ou sectarismo religioso/dogmático. Ele se empenhou em garantir que ali eu encontraria o fim de minha busca. Garantiu que os teósofos têm por costume não subentender verdades, e muito menos aceitar crenças prontas, vindas desta ou daquela religião ou tradição. Falou ainda que a superstição era por eles renegada, e que a grande premissa do grupo é a busca pela Verdade, independente de sectarismo, conforme reza o seu lema. Isso tudo me deixou bastante animado. Logo ele pediu licença e se afastou, pedindo que nos acomodássemos em alguma das muitas cadeiras vazias (apenas umas quatro ou cinco pessoas tinham comparecido para a reunião), que a palestra iria começar. Hana me olhou, sorriu e disse: “Será que dessa vez encontramos o nosso caminho?”... O palestrante subiu ao púlpito, levando um calhamaço de folhas e pastas debaixo do braço. Era uma figura curiosa, que parecia um personagem de história em quadrinhos. Um senhor dos seus 65 anos, alto, cabelos completamente brancos e muito longos, presos atrás da nuca num elegante rabo de cavalo. Calças jeans, camisa escura de mangas longas, abotoadas, e botas pretas, impecavelmente lustradas. Tinha um jeito altivo de caminhar, uma postura nobre, tipo lorde inglês. Só a sua voz destoava do conjunto, rouca e um pouco aguda. Mas antes que ele começasse a falar, Erasmo tomou a palavra:


“Antes de começar a palestra, irmãos e amigos, façamos a nossa oração...” – Olhei para Hana, tentando entender. Mas ele acabara de falar que Teosofia não é religião, e sim uma fraternidade de estudantes que busca a Verdade(?)... Bem, talvez fosse algum tipo de oração universal, eu pensei, sem menção a religião... – A oração foi assim: “Pedimos a Maitreya, nosso irmão de luz, que nos ajude. Que Parvati esteja conosco nessa noite, nos protegendo e guiando, Que todos os deuses e deusas que protegem e guiam a humanidade sejam louvados e nos auxiliem, que abram o nosso entendimento para a absorção das verdades que vamos estudar...”. Agora era Hana que me olhava de lado, imaginando o que eu deveria estar pensando. Eu entendia cada vez menos. Maitreya é o “Buda do futuro” (representado na foto acima, ao lado dos seus discípulos – é o Buda que, segundo algumas linhas, virá para dar continuidade ao trabalho começado por Sidarta Gautama, chamdo Sakiamuni ou Buda histórico, conhecido por todos), uma figura controvertida nas diversas linhas do budismo (nem todos os budistas aceitam). Já Parvati é uma deusa hindu, esposa de Shiva, o destruidor, e mãe do Ganesha (aquele que tem cabeça de elefante)... Estudar essas coisas, a título de conhecimento, ok. Mas começar uma reunião fazendo pedidos e rendendo louvores “aos deuses” era a última coisa que eu esperava de uma entidade que tinha como lema “Não existe...”... Ah, vocês já conhecem o lema.

A palestra começou, finalmente. E tema era: “As Profecias de São Malaquias”.

São Malaquias foi um monge e bispo cristão que viveu no século XII (amigo de Bernardo de Claraval (ou Clairvaux), o fundador da legendária Ordem dos Cavaleiros Templários). Foi canonizado pelo papa Clemente III em 6 de julho de 1199. Sua festa é celebrada em 3 de novembro. Muitos milagres foram atribuídos a São Malaquias, mas ele também era conhecido pelo seu dom da visão do futuro, sendo que se tornou célebre principalmente por ter escrito uma série de profecias que muitos pesquisadores associam a eventos do final dos tempos. Segundo São Bernardo, São Malaquias anunciou o dia exato de sua morte (dois de novembro) estando com ele na abadia de Clairvaux. No museu do Vaticano foram encontrados textos manuscritos seus, contendo a sucessão de papas desde a época em que ele viveu até o fim dos tempos. Constam essas profecias de uma lista de 112 sentenças curtas, supostamente fornecendo os caracteres dos papas católicos, desde Celestino II, em 1143, até aquele que seria o último dos pontífices, Pedro II, que viria a ocupar o trono do Vaticano no meio de extremos sofrimentos mundiais.

A citada lista é composta pelos nomes dos papas, sendo que para cada nome há um lema atribuído a ele. Este assunto é bem interessante, sem dúvida, mas existem aí dois problemas: O primeiro é que a autenticidade das profecias é contestada. Para começar, foi muito discutido se São Malaquias é o verdadeiro autor das profecias. Alguns historiadores acreditam que o manuscrito original foi escrito até o século XVI. Se São Malaquias é o autor das profecias, então elas ficaram desaparecidas por mais de 400 anos. No século XVII, o Padre Menestrier, jesuíta, cogitou a hipótese de uma das profecias ser um plágio para influenciar as eleições de Gregório XIV no conclave de 1590. O lema que corresponde a este papa na profecia é "Antiquitate urbis", que faz uma alusão a sua cidade natal e sede episcopal, Orvieto. Mas essas questões não foram citadas na palestra. Apenas foi dito lá que as profecias são autênticas, acima de qualquer dúvida.

O segundo problema com relação às profecias é que, pelo fato de os lemas terem sido escritos em tom velado, obscuro (semelhante à forma das quadras de Nostradamus, escritas de maneira cifrada), elas precisam ser interpretadas. Durante a palestra, a livre interpretação era sempre “forçada” para se adaptar aos acontecimentos históricos. Exemplo: O lema do papa Pio XVII é “Áquila Rapax”, ou seja, águia de rapina. Interpretação – Esse papa viveu sob o domínio militar de Napoleão Bonaparte, cujo símbolo foi uma águia imperial. Pio XII recebeu o seguinte lema: “Pastor Angelicus”. Interpretação: Este papa, reinante em 1942, era um grande amante da ciência, especialmente das ciências que estudavam os céus (ou seja, a morada dos anjos). Já a legenda de João XXIII é: “Pastor et Nauta”. O termo Nauta (timoneiro), segundo a interpretação do palestrante da Sociedade Teosófica, se refere à Veneza, cidade alagada, onde nasceu este papa. Sobre o papa que viria depois do atual Bento XVI (de nome Petrus II), a legenda é a seguinte: Tu, in desolacione suprema sede. Ecce Petrus Romanus, ultimus Dei veri Pontifex! Tradução: "Na suprema desolação do mundo, reinará Pedro, o Romano, o último papa do Deus verdadeiro!". Para quem quiser saber mais sobre a lista de papas atribuída a São Malaquias, aqui tem um link interessante .

Terminada a preleção, o palestrante perguntou se alguém tinha perguntas, mas a partir daí o assunto se desviou completamente. Os membros mais antigos da ST brasileira passaram a fazer perguntas (que mais me pareceram chamados a uma disputa para ver quem sabia mais) sobre temas como magia e esoterismo, Grande Fraternidade Branca, Mestres Ascencionados e etc. Depois da palestra, fomos convidados, eu e Hana, por Erasmo e sua esposa, a participar de um pequeno lanche. Aceitamos, e fomos conduzidos à cozinha da casa, à qual chegamos depois de cruzar um longo e escuro corredor, que saía dos fundos do salão de palestras. Dali daquele aposento podíamos ver que aquele era mesmo um casarão antigo imenso, que no passado deve ter servido de morada para algum milionário. A cozinha era maior do que muitos apartamentos atuais inteiros. Ali, entre uma bolacha de água e sal e um pedaço de bolo de fubá com uma xícara de chá, fomos convidados a participar de uma celebração da ST que ocorreria no próximo domingo, com cânticos e recitação de versos. Observaram que Hana tinha uma voz muito bonita, que seria muito bem vinda a participar da leitura nas celebrações e etc. Nos passaram uma folha com a letra de um cântico. Mais uma vez, louvores a deuses do panteão hindu, a Maitreya, às “Hierarquias Celestes Superiores”, e etc. Fiquei sabendo que o palestrante (o do rabo de cavalo), o Sr. Carlos (não cito aqui o nome completo porque não estou autorizado), era na verdade um conhecido escritor, com diversos livros publicados pela Editora Madras (o último deles sobre Pitágoras), e, depois de algum tempo de conversa, me incentivou a tentar publicar meu próprio livro, dizendo que me ajudaria no que pudesse. Todos foram muito simpáticos, extremamente receptivos.

Voltamos pra casa carregados de folhetos e jornaizinhos da ST, e inúmeros pedidos para que retornássemos outras vezes. E, mais uma vez, terei que concluir essa história na próxima postagem.



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