Proposta prática

"Oferecer a outra face"

Prólogo: Este é o início de uma série de postagens que eu esperava ansiosamente publicar, já há algum tempo. Agora o momento chegou. Este post reflete um dos princípios essenciais pelos quais eu tento me conduzir, e a segunda feira me parece o dia perfeito para começar. Estou falando de prática, de exercermos em nossas rotinas de vida aquilo que acreditamos. Este post é a proposta de um exercício, como disse, uma proposta de prática, algo que eu espero que você faça, exercite, por uma semana. Este é um post para mudar a sua vida (sem nenhum acesso de grandeza da minha parte)...

Não há espiritualidade verdadeira apenas "interna", que só se manifeste da boca pra fora, ou que se limite à leitura de um livro sagrado. Não acredite numa espiritualidade que não faça diferença no mundo, que se expresse apenas em cultos semanais, sessões de estudo, meditação ou seja o que for. Do que adianta assistir e até se emocionar com uma preleção, pregação ou palestra sobre temas espiritualistas, se ao sair dali você imediatamente retorna à sua condição materialista e viciosa? O católico diz: "Não sou santo", o evangélico exclama: "Só Jesus!", e o espírita alega: "não sou tão evoluído...". Estão todos usando das mesmas muletas como desculpa para si próprios: uma desculpa para não se esforçarem no auto-aprimoramento.

O auto-aprimoramento está no cerne de todas as religiões que existem: todos os fundadores das grandes religiões deram maior ênfase à prática que aos rituais. Infelizmente, a nossa tendência é viver de maneira completamente oposta. Falamos e não fazemos, acreditamos mas não praticamos, frequentamos mas não somos, de fato; escolhemos, mas não assumimos nossas escolhas.

Toda a vida e todos os ensinos do Mahavira, que acabamos de estudar na nossa Enciclopédia das Religiões, enfatizaram a importância da prática das virtudes para o auto-aprimoramento. Despertar - praticar - evoluir - transcender - libertar-se. Tudo que disse Buda, que passaremos a estudar a partir da próxima postagem, foi muito semelhante, senão idêntico. O mesmo com o Cristo. O mesmo também com Maomé e todos os gurus do hinduismo. A mensagem é sempre a mesma:

“Do que adianta ter fé, se eu não tiver as obras?” – São Thiago

“A prática do budismo não é somente sentar-se em meditação silenciosa, mas desenvolver uma nova atitude que ajuste nossa mente com a realidade.” – Chagdud Tulku Rinpoche (Mestre budista Vajrayana).

O Deus UNO parece gritar nas páginas do Antigo Testamento da Bíblia: "Amor Eu quero, e não sacrifício" – ou em outras palavras: "Eu quero a prática diária da Minha Vontade, que é o Amor, e não os rituais vazios". O Cristo diz: "Parem de limpar apenas a parte externa do vaso, e se preocupem mais com o conteúdo... porque vocês dão o dízimo e omitem o que há de mais importante na Lei: a justiça, o Amor e a fé?". (Matheus 23)

Não basta apenas ler, estudar e/ou discutir ensinamentos. Não basta conhecer a vida dos santos, mestres ou gurus. Todo ensinamento existe para ser praticado. Isso posto, vamos a proposta de prática em si.


A prática

Como parte dos estudos e meditações que realizamos aqui, juntos, neste meu humilde espaço virtual, venho hoje, agora, propor um acordo com todos os meus leitores: iniciarmos, em grupo, uma experiência que eu pessoalmente já venho realizando, há alguns anos, com excelentes resultados. Mas sobre resultados não vou falar, ainda. A idéia não é minha, é de um teólogo, escritor e palestrante norteamericano reconhecido internacionalmente, chamado Brian D. McLaren. A experiência consiste no seguinte:

Durante uma semana - sete dias exatos - praticar, a sério, um princípio espiritual essencial. Mas praticar de verdade, com esforço, vontade, disposição. Finda esta semana, ou seja, no nosso caso, na próxima segunda feira, voltaremos a abordar o assunto, quando haverá um desdobramento deste exercício. Talvez durante a semana possamos compartilhar nossas experiências pessoais, as vivências de cada um, discutirmos o que aconteceu e quais foram os resultados: sucessos, fracassos, surpresas, reflexões, conclusões, dúvidas... Podemos usar o livro de comentários para isso.

A partir de hoje, a cada segunda feira, renovaremos a nossa experiência prática, sempre fundamentados num ensinamento espiritual essencial. Trarei aqui sempre princípios básicos, de todas as grandes tradições. Está feito o convite. Conto com a participação de todos os que realmente se importam.

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A proposta de prática do Arte das artes, para esta primeira semana, é "Oferecer a outra face" (Lucas, 6:29 / Matheus, 5:39):

Durante toda esta semana, eu me comprometo a praticar o "oferecer a outra face", este ensinamento essencial trazido pelo Cristo (e tão negligenciado pelos cristãos).

Durante toda esta semana, não vou reagir aos maus tratos que eu por acaso vier a sofrer, sejam palavras ásperas ou hostilidades; não vou retaliar, nem responder ou "dar o troco na mesma moeda". Não vou nem mesmo me retirar de uma discussão, indignado. Vou realmente praticar o "dar a outra face", proposto pelo Mestre Jesus, isto é, quando alguém me agredir ou se comportar grosseiramente para comigo, eu vou reagir com a exposição clara e tranqüila dos meus pontos de vista, sem me ofender, sem me indignar; mas de um modo criativo e transcendente. Vou me esforçar, de verdade, em me manter num patamar mental acima do dos meus agressores, ou seja, tentarei ser, com todas as minhas forças, maior do que a minha reação automática agressiva, maior do que o ímpeto em responder a qualquer ofensa ou grosseria com uma agressão maior ainda.


Que o meu proceder e a minha conduta, durante toda esta semana, sejam um exemplo perfeito do "oferecer a outra face". Que os meus atos nestes próximos sete dias, neste sentido, sejam o limpo reflexo daquilo que eu gostaria de ver nos atos do meu próximo.

A todos os que assumiram este compromisso, junto comigo, desejo uma boa prática!


Nota: Por que só uma semana? Este princípio não deveria ser seguido sempre? Sim, mas o prazo de uma semana, neste exercício, tem um propósito e uma razão de ser, que serão esclarecidos na próxima semana.


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