Budismo


O budismo é uma filosofia de vida que procura se basear integralmente nos ensinamentos do Buda para todos os seres, que, segundo a fé budista, revela a verdadeira face da Vida e do Universo. Quando pregava, o Buda não pretendia convencer as pessoas, mas iluminá-las. É uma religião de sabedoria, onde conhecimento e inteligência predominam; uma religião prática, devotada a condicionar a mente inserida em seu cotidiano, de maneira a levá-la à paz, serenidade, alegria, sabedoria e liberdade perfeitas. Também é chamado de “budismo humanista”.

Logo após a morte de Sakiamuni, foi realizado o primeiro concílio budista (em Rajagrha (hoje Rajgir, no estado do Bihar, na Índia), que reuniu 500 membros, a fim de coletar e organizar os ensinamentos do Buda, o Dharma. Este se tornou o único guia e a fonte de inspiração da Sangha (comunidade budista). Seus discursos são chamados de Sutras. Mas foi no Segundo Concílio Budista (de Vaisali), realizado algumas centenas de anos após a morte do Buda, que as duas grandes tradições, hoje conhecidas com "Theravada" e "Mahayana", começaram a se formar. Os theravadins resolveram seguir o cânone páli, enquanto os mahayanistas escolheram os sutras que foram escritos em sânscrito como base dos seus estudos.

As duas principais tradições, apesar de compartilharem certos princípios essenciais, possuem métodos diferentes de buscar a iluminação. A linha “Theravada”, ou “Pequeno Veículo”, enfatiza o alcance da iluminação através do próprio esforço. É comum no Sri Lanka, Tailândia, Burma, Laos, Camboja e Malásia. Nesta tradição o nível de iluminação é a condição de "Arahat" - um ser em cuja a mente não surgem fatores insalubres, que segue um caminho de auto poder, não aceitando e tentando esmagar sua Natureza.

A linha “Mahayana”, ou “Grande Veículo”, busca não só a auto-iluminação, mas também enfatiza o servir a todos os seres sescientes. Os "bodhisattvas" (seres iluminados da tradição Mahayana) levam adiante, incansavelmente, a missão de salvar o Universo. Seus atributos principais são o amor, compaixão, generosidade, sabedoria e uma ilimitada capacidade de servir aos outros. Mahayana é comum na China, Mongólia, Coréia, Tibete e Japão. Dentro dessa tradição há muitas escolas, incluindo o budismo C’han (China), Zen (Japão) e Tântrico (Tibete).

Os ensinamentos do Buda foram transmitidos pela primeira vez, fora da Índia, no Sri Lanka, durante o reinado do rei Asoka (272-232 aC). Na China, a História registra que dois missionários budistas da Índia chegaram na corte do imperador Ming no ano 68 dC e lá permaneceram para traduzir textos budistas. Durante a dinastia Tang (602-664 dC) um monge chinês, Hsuan Tsang, cruzou o deserto Ghobi até a Índia, onde reuniu e pesquisou sutras budistas. Ele retornou à China dezessete anos depois com grandes volumes de textos budistas e a partir de então passou muitos anos traduzindo-os para o chinês.

Finalmente, a fé budista se espalhou por toda a Ásia, enquanto, ironicamente, praticamente se extinguia na Índia até 1300 dC. Os chineses introduziram o budismo no Japão. A tolerância, o pacifismo e a equanimidade promovidos pelo budismo influenciaram significativamente a cultura asiática. Mais recentemente, muitos países ocidentais têm demonstrado considerável interesse pelas religiões orientais, e centenas de milhares de pessoas vêm adotando os princípios do budismo.


Karma

Uma pessoa é a combinação de matéria e mente. A mente é a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico – na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação duração, deterioração e cessação. O Buda ensinou que a interpretação da vida através de nossos seis sensores (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente) não é mais do que uma ilusão. Quando duas pessoas experimentam um mesmo acontecimento, a interpretação de uma pode levar à tristeza, enquanto a da outra pode levar à felicidade. É o apego às sensações, desenvolvidas nesses seis sentidos, que resulta em desejo e ligação passional, ou seja, apego.

Os budistas acreditam que as condições dos nascimentos das pessoas estão associados à consciência proveniente das memórias e do Karma herdados de vivências passadas. “Karma” é uma palavra que significa, no sânscrito, “ação”, “trabalho” ou “feito”. Qualquer ação física, verbal ou mental, realizada com intenção, pode ser chamada de karma. Assim, boas atitudes poderiam produzir karma positivo e más ações karma negativo.

Há seis tipos de existência: devas (deuses), asuras (semideuses), humanos, animais, pretas (espíritos famintos) e seres do Inferno. Sim, dentro da tradição budista, os deuses estão sujeitos às mesmas limitações humanas. Cada um desses seis reinos está sujeito às dores do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte. O renascimento em alguma dessas formas superiores ou inferiores é determinado pela qualidade dos atos do indivíduo, o karma.


Nirvana

Através da prática diligente, do proporcionar compaixão e bondade amorosa a todos os seres vivos, do condicionamento da mente para evitar apegos e eliminar karma negativo, os budistas acreditam que finalmente alcançarão a Iluminação. Quando isso ocorre, eles são capazes de ascender ao estado de Nirvana. O Nirvana não é um local físico, mas um estado de consciência suprema de perfeita felicidade e libertação.


Sofrimento

O Buda Sakyamuni ensinou que uma grande parcela do sofrimento em nossas vidas é auto-infligido, oriundo de nossos pensamentos e comportamento, os quais são influenciados pelas habilidades de nossos seis sentidos. Nossos desejos, - por dinheiro, poder, fama, bens materiais... – e nossas emoções – raiva, rancor, ciúme, inveja... – são fontes de sofrimento causado por apego e por essas sensações negativas. Nossa sociedade tem enfatizado consideravelmente a beleza física, a riqueza material e os status social, desde tempos imemoriais. Nossa obsessão com as aparências e com o que as outras pessoas pensam a nosso respeito são também fontes de sofrimento.

Portanto, o sofrimento está primariamente associado com as ações da nossa mente. É a ignorância que nos faz tender à avidez, às vontades doentias e à ilusão. Como conseqüência, praticamos maus atos, causando diferentes combinações de sofrimento. O budismo nos faz vislumbrar maneiras efetivas e possíveis de eliminar todo o nosso sofrimento, e, mais importante, de alcançar a libertação do ego.




As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo

As quatro nobres verdades foram compreendidas pelo Buda em sua Iluminação. Pra erradicar a ignorância, que é a fonte de todo o sofrimento, é necessário entender As Quatro Nobres Verdades, caminhar pelo Nobre Caminho Óctuplo e praticar as Seis Perfeições (Paramitas).


As Quatro Nobres Verdades são:

#1: A Verdade do Sofrimento

A vida é sofrimento. A vida está sujeita a todos os tipos de sofrimento, sendo os mais básicos o próprio nascimento (já chegamos nesse mundo com dor e medo), o envelhecimento, doença e morte. Ninguém, independente de quaisquer condições, está isento deles.

#2: A Verdade da Causa do Sofrimento

A ignorância leva ao desejo e à ganância, que, inevitavelmente, resultam em sofrimento. A ganância produz apego, uma das raízes do sofrimento.

#3: A Verdade da Cessação do Sofrimento

A cessação do sofrimento advém da eliminação total da ignorância e do desapego à ganância e aos desejos, alcançando um estado de suprema bem-aventurança ou Nirvana, onde todos os sofrimentos são extintos.

#4: A Verdade do Caminho que leva à Cessação do Sofrimento

O caminho que leva à cessação do sofrimento é o Nobre Caminho Óctuplo.


O Nobre Caminho Óctuplo

#1: Compreensão Correta

Conhecer as Quatro Nobre Verdades de maneira a entender as coisas como elas são.

#2: Pensamento Correto

Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa e da aversão a prejudicar os outros.

#3: Palavra Correta

Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas.

#4: Ação Correta

Abster-se de matar, roubar e ter conduta sexual indevida.

#5: Meio de Vida Correto

Evitar qualquer ocupação que prejudique os demais, tais como o tráfico de drogas ou matança de animais.

#6: Esforço Correto

Praticar autodisciplina para obter o controle da mente, de maneira a evitar estados de mente maléficos e desenvolver estados de mente sãos.

#7: Plena Atenção Correta

Desenvolver completa consciência de todas as ações do corpo, fala e mente para evitar atos insanos.

#8: Concentração Correta

Obter serenidade mental e sabedoria para compreender o significado integral das Quatro Nobres Verdades.


"Aqueles que aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz, livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito de abnegação e bondade amorosa" - Venerável Mestre Hsing Yün.



Fontes bibliográficas:
YUN Hsing. What is Buddhism?, Chung Tian Temple: Fo Guang Shan Brasil/IBPS Brasil/International Buddhist Association of Queensland, 2001;
PAULING, Chris. Introducing Buddhism, New York: Windhorse Publications, 1997.