Budismo - conclusão


As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do budismo e entender o seu significado é essencial para o autodesenvolvimento e o alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o Nirvana.

As Seis Perfeições do budismo são: #1: Caridade; - #2: Moralidade; - #3: Paciência; - #4: Perseverança; - #5: Meditação; - #6: Sabedoria.

A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidades, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a Paz e a Felicidade possam ser definitivamente conquistadas.


Para ser budista

Quem deseja tornar-se budista, deve receber o refúgio na chamada Jóia Tríplice, como um comprometimento com a prática dos ensinamentos de Buda. A Jóia Tríplice consiste em: Buda, Dharma e Sangha.

Budistas laicos podem apenas fazer o voto de praticar cinco preceitos em suas vidas diárias, que são: #1: Não matar; - #2: Não roubar; - #3: Não ter conduta sexual inadequada; - #4: Não mentir; - #5: Não se intoxicar (não usar drogas nem comer alimentos inadequados).

O preceito de não matar e aplica principalmente a seres humanos, mas deve ser estendido a todos os seres sencientes. É por isso que a Sangha e muitos budistas devotos são vegetarianos.

Muitos budistas montam um altar em algum canto tranquilo de suas casas para a recitação de mantras e a meditação diária. O uso de imagens budistas em locais de culto deve ser visto como simbologia. - Os mestres enfatizam o fato de que essas imagens em templos ou altares domésticos servem apenas para nos lembrar a todo momento das respectivas qualidades daquele que representam. Fazer oferendas e reverências são manifestações de respeito e veneração aos Budas e Bodhisattvas.

“A vida humana é preciosa, e, no entanto, nós a conseguimos. O Dharma é precioso, e, no entanto, nós o ouvimos. Se não nos cultivarmos nesta vida, teremos essa chance novamente?” – Venerável Mestre Hsing Yün (Templo Zu Lai)


Alguns termos típicos do budismo:

Boddhisattva – Um ser iluminado que fez o voto de servir generosamente a todos os seres vivos com bondade amorosa e compaixão para aliviar sua dor e sofrimentoe levá-los ao caminho da iluminação. Os Boddhisattvas mais populares no budismo chinês são Avalokitesvara, Ksitigarbha Samantabhadra e Manjusri.

Buda Amithaba – Buda da Luz e Vida Infinitas – É associado com a Terra Pura do Ocidente, onde recebe seres cultivados que chamam por seu nome.

Buda Maitreya – O "Buda Feliz" e o "Buda do Futuro" – Depois da iluminação de Sakiamuni, acredita-se que o próximo Buda a visitar o nosso planeta seria este. Trata-se daquele gordinho sorridente, sempre sentado e que nós vemos representado sob a forma de estatuetas, chaveiros, etc.

Mudra – São os gestos das mãos que geralmente se vê nas representações dos Budas, e significam um tipo de comunicação não-verbal. Cada mudra (lê-se 'mudrá') tem um significado específico. Por exemplo, as imagens de Amithaba o apresentam com a mão direita erguida com o dedo indicador tocando o polegar e os outros três dedos estendidos para cima = simboliza a busca pela iluminação. A mão esquerda, mostra um gesto similar, mas apontando para o chão, simbolizando a liberação de todos os seres sencientes.

O símbolo da suástica (swastika) foi auspicioso na Índia, Pérsia e Grécia, simbolizando o sol, o relâmpago, o fogo e o fluxo da água. Foi usado pelos budistas por mais de dois mil anos para representar a virtude, a bondade e a pureza do insight de Buda na hora da Iluminação. Isso muito antes de Hitler tê-lo escolhido para simbolizar o terceiro reich e a superioridade da raça ariana.


Características singulares do budismo

O Karma

O karma é um ensinamento budista fundamental. E é um dos mais complexos e freqüentemente mal compreendidos. "Karma" é um termo do sânscrito que significa ação ou ato. Qualquer ação física, verbal ou mental pode ser chamada de karma. Karma significa, portanto, uma resposta automática a quaisquer de nossos atos. O budismo vale-se de uma simbologia muito própria para explicar a ação do karma no mundo. Diz que as sementes de karma positivo e negativo encontram-se armazenadas no “alaya-vijnana”, o “armazém da consciência”. Tais sementes manifestam-se quando surgem as condições apropriadas. As manifestações dessas sementes são os frutos do karma. Aqueles que alcançam o Samadhi (Liberação do mundo dos fenômenos através da meditação) podem libertar-se da ação do karma. - O karma desses seres denomina-se “karma imóvel”. Os frutos do karma podem amadurecer em momentos diferentes na vida de uma pessoa, por duas razões: a primeira é a força da causa, que determina quando o efeito surgirá. A segunda razão está no fato de que as condições necessárias podem demorar mais ou menos a se manifestar. Diz um ditado budista que “Todos os atos, bons ou maus, geram conseqüências. É só uma questão de tempo até se manifestarem".

Karma significa a Lei de causa e efeito, que é inexorável. Uma determinada causa tem que resultar, inevitavelmente, em um determinado efeito: não há fuga nem exceção. Aqui está uma diferença primordial entre cristianismo e budismo. - A inexorável Lei do Karma budista exclui a possibilidade do Perdão Incondicional, que é a base da doutrina cristã. Por isso alguns monges beneditinos e franciscanos têm o seu próprio ditado: “O doutrina do Buda é o mais perto possível que o homem consegue chegar de Deus. Mas a doutrina do Cristo é a dádiva divina que permite ao homem se tornar uno com Deus, agora, independente dos méritos”. - Isto é: errar é humano e não há quem não erre. Mas o perdão é divino, e se não fosse por ele, nós nunca, jamais conseguiríamos escapar da lei de causa e efeito, porque a cada nova vida cometeríamos mais e mais erros, inevitavelmente, acumulando mais e mais karma negativo. Seria simplesmente impossível nos libertarmos deste círculo vicioso sem fim. A única solução é o perdão, puro e simples, que pressupõe o Amor maior que a Justiça, independente dos nossos erros.

Não há como negar, porém, que a Lei de Causa e Efeito é algo real, e que aquilo que os budistas chamam de karma tem fundamentos bem sólidos. As diferenças estão na crença de que ela não possa ser quebrada ou revertida, sob nenhuma hipótese. No budismo, existem diferentes categorias em que se classifica o karma: individual ou coletivo, por exemplo – O karma acumulado por uma única pessoa (individual) resulta em determinada força; o karma acumulado por centenas ou milhares de pessoas (coletivo) resulta numa força maior, enquanto o karma de toda uma nação, de milhões ou bilhões de pessoas, resulta em conseqüências catastróficas. O que acontece com tantos países e o estágio que atravessa atualmente o nosso planeta, devido a nossa estupidez, seria um ótimo exemplo de karma negativo...


A Gênese Condicionada

Outra característica singular do budismo, A Gênese Condicionada, se fundamenta em três princípios básicos:

O primeiro diz que “Todos os Efeitos Surgem de Causas”. - É o "Hetupratyaya" ('Causa e Condição'), que está profundamente relacionado com a noção do karma, e que trata das causas e condições que regem a Vida e a existência.

O segundo princípio da Gênese Condicionada reside no fato de que "Todos os Fenômenos Existem em Consonância com a Verdade”. A Verdade “é” desde sempre: “A Verdade era originalmente, é inevitavelmente e é universalmente”. Isto quer dizer que a Verdade é, independente do que pensamos, do que escolhemos ou daquilo em que preferimos acreditar. Ela simplesmente é. Não pode ser modificada por discussões e não precisa ser descrita em palavras. Nunca surgirá um fenômeno que não esteja de acordo com a Verdade.

O terceiro princípio diz que “o Surgimento da Existência Depende de Sunyata”, que é outra característica singular do budismo.


Sunyata

Sunyata é um conceito muito difícil de ser compreendido pelas mentes ocidentais. “Sunyata” quer dizer “Vazio”. Mas não significa o nada absoluto. Quer dizer que os princípios do Dharma não têm uma natureza específica, e, portanto, são descritos como vazios. Além disso, na visão budista, os elementos físicos são fundamentalmente vazios. A natureza de todos os eventos e fenômenos deste mundo e deste Universo foram descritos pelos Budas como vazios, sem existência verdadeira. Sunyata pode ser percebido através da existência ilusória da continuidade, da natureza ilusória dos ciclos, da natureza ilusória das combinações, da natureza ilusória da relatividade, da natureza ilusória das aparências, da natureza ilusória dos termos (nomes) e da natureza ilusória dos diferentes pontos de vista. Como se percebe, é um conceito profundíssimo, que exige muito estudo e meditação.


Os três Selos do Dharma

#1: Todas as coisas condicionadas são impermanentes;

#2: Nenhum Dharma tem individualidade substancial;

#3: O Nirvana é a paz perfeita.



Fontes bibliográficas:
YUN Hsing. What is Buddhism?, Chung Tian Temple: Fo Guang Shan Brasil/IBPS Brasil/International Buddhist Association of Queensland, 2001;
PAULING, Chris. Introducing Buddhism, New York: Windhorse Publications, 1997.



6 comentários:

Leon disse...

Como disse no outro post,eu comecei a estudar o Budismo ha um ano,esporadicamente por causa de tudo que eu intercalo(Hermetismo,Hinduimo,TAO,Mitologia,Xamanismo...).
É facil compreender as 4 Nobres verdades,o Nobre caminho Octoplo,as 6 perfeições,etc.Mas Sunyata é algo que eu venho tendo bastante dificuldade de compreender,mesmo lendo varios texto sobre o tema,nenhum conseguiu clarificar a questão.

o/

H K Merton disse...

LEON, seu caminho é luminoso. Você veio para a batalha muito bem equipado. Mas lembre-se de não se sentir orgulhoso, porque nada é seu, e jogar tudo fora será sempre uma opção (e um risco) também.

A minha observação sobre o seu comentário é a mesma do Dalai Lama (ele vive dizendo isso em palestras por aí): pára de fazer salada de fruta com caminhos espirituais e se fundamenta, mininu!

Falo isso sem moral nenhuma, porque eu fiz exatamente a mesma coisa na sua idade, e assim continuei até muitos anos depois... ¬_¬

Leon disse...

Eu ja cheguei e pensar em me focar no Budismo,mas ai me vem a sensação de que eu me limitaria.
Eu sempre tive essa visão Universalista em relação a espiritualidade,mesmo quando não estava "oficialmente" na busca.

Quando tinha 8 anos de idade eu decidi estudar a bíblia com as Testemunhas de Jeova.Eles tinham um livro,que apesar de ser tendencioso em relação a "verdade Bíblica",era mto interessante,chamado "O Homem em Busca de Deus",que descrevia brevemente as principais religiões ao redor do globo.Eu lembro que fikei maravilhado com tudo que li,e pensava comigo mesmo:

-"Mas e se alguma dessas religiões estiver certa,e a bíblia errada?"

Mas lógico que a política do Medo logo predominava,pois "Deus castiga quem duvida dele".

Anos depois quando me voltei verdadeiramente a espiritualidade,comecei a estudar todas aquelas religiões maravilhosas que tinha conhecido quando criança.
Pela Internet conheci o Universalismo Espiritualista do Humberto Rhoden e me apaixonei.
E conforme fui me aprofundando fui conhecendo varios espiritualistas que abordavam todas as vertentes possíveis de religação com o divino.
E vc foi um deles =D.

Por tudo isso,pra mim é fácil me desapegar do mundano,mas eu não consigo deixar de estudar tudo que eu puder no que tange a experiência espiritual.

Abraço 0/

H K Merton disse...

LEON,

Esta é uma etapa necessária para caras como eu e você.

Apenas tente manter em mente que NÃO, os caminhos não são todos iguais, nem levam todos ao mesmo destino. Essa é a maior lorota que existe (e você vai ouvir isso a toda hora) na senda espiritual. Uma figueira é um figueira, um espinheiro é um espinheiro. Até o dia em que os dois serão uma só coisa.

Anônimo disse...

é a primeira vez que vejo duas pessoas falando aos modos, vivos... rs.

me pareço com vocês 2.

o caminho do meio, é muito interessante!

Muito Obrigado Senhores, muito bom saber sobre vocês dois.

allmour

Anônimo disse...

o Sunyata é a despersonificação da psique, é ver a cousa ou cousas como elas são, não como a mente, tende ou quer, tem que estudar a estrutura psiquica com cuidado, talvez até chegue a linha tenue entre a loucura e a genialidade, mas lembrara-se que o caminho é o do meio.

Tenho "atritos", rs... como a questão sexual, ainda mais como o mundo como está hoje.... e não vou me mudar pras montanhas, pelo menos agora... rs !