Os Nomes de Deus - conclusão

Os 72 Nomes do Eterno Deus (Cabalá hebraica)

Para não transgredir a Lei de Deus

Temerosos em transgredir o terceiro mandamento da Lei no Decálogo, os Judeus passaram a não pronunciar o Nome do Deus Todo Poderoso

"Não tomarás o nome de YHVH, teu Deus, em vão (ou 'de modo fútil'), pois YHVH não considerará impune aquele que tomar seu Nome em vão."


Em determinado período, surgiu entre os judeus a idéia de que era errado até mesmo pronunciar o Tetragrama YHWH. Não se sabe exatamente em que se baseou a descontinuidade do uso deste nome. Alguns sustentam que o nome era considerado sagrado demais para ser proferido por lábios imperfeitos ou impuros. Mas uma pesquisa no Velho Testamento não revela nenhuma evidência de que quaisquer dos adoradores de YHWH alguma vez hesitassem em proferir o nome Dele. Documentos hebraicos não-bíblicos, tais como as chamadas "Cartas de Laquis", mostram que o termo "YHWH" era usado na correspondência comum na Palestina na última parte do 7.º Século aC.

Outro conceito sustenta que se pretendia impedir que povos não-judaicos (gentios) conhecessem O Nome e possivelmente usá-lo mal. Todavia, o antigo Testamento afirma que o próprio YHWH faria com que Seu Nome "fosse declarado em toda a Terra", para ser conhecido até mesmo pelos seus adversários (Êxodo 9:16; Isaías 64:2; Jonas 1:1,17). Segundo a "Enciclopédia Judaica" O Nome do Deus de Israel era conhecido e usado por nações pagãs (politeístas) tanto antes da Era Cristã como nos primeiros séculos dela.

Não existe certeza do motivo originalmente apresentado para se descontinuar a pronúncia correta do Tetragrama YHWH, assim como também há muita incerteza quanto à época em que tal conceito se iniciou. Alguns afirmam que começou após o Exílio Babilónico, mas o profeta Malaquias, que foi um dos últimos escritores do Velho Testamento (última metade do 5.º Século aC), dá grande destaque ao Nome Divino.

Outras obras de referência sugerem que O Nome deixou de ser usado por volta de 300 aC. Evidência para esta data foi supostamente encontrada na ausência do Tetragrama (ou de uma transliteração sua) na Septuaginta Grega, iniciada por volta de 280 aC. - é verdade que as cópias mais completas conhecidas destes manuscritos seguem uniformemente o costume de substituir o Tetragrama YHWH por expressões substitutas. Esses manuscritos principais remontam apenas ao 4.º e 5.º séculos dC, mas descobriram-se recentemente cópias mais antigas da Septuaginta Grega que continham o Tetragrama YHWH, embora em forma fragmentária.

Uma delas, descoberta no Egito, composta de restos fragmentários dum rolo de papiro com uma parte do Deuteronómio (32:3,6), identificada como "Papiro Fouad" (inventário 266) apresenta 49 vezes o Tetragrama YHWH. Registram-se mais três ocorrências de YHWH em fragmentos não identificados (116, 117 e 123). Os peritos datam este papiro como do Século I aC, e, neste caso, foram escritos quatro ou cinco séculos antes dos manuscritos já mencionados.

Flávio Josefo, historiador judeu que descendia de uma família sacerdotal, após narrar a revelação que Deus forneceu a Moisés no local da sarça ardente, ao falar sobre pronúncia do Nome de Deus do tetragrama YHWH menciona apenas: "O Nome sobre o qual estou proibido de falar."

Essa mudança ocorreu nas traduções gregas da Septuaginta nos séculos que se seguiram à morte de Jesus Cristo (Yehshua) e de seus apóstolos. Na versão grega de Áquila, que data do 2.º século dC, e na Hexapla de Orígenes, que data por volta de 245 aC, YHWH ainda aparecia em caracteres hebraicos. Ainda no 4.º Século dC, Jerônimo (tradutor da Vulgata Latina) diz no seu prólogo dos livros bíblicos de Samuel e de Reis: "E encontramos o nome de Deus, o Tetragrama, em certos volumes gregos mesmo hoje, expresso em letras antigas."


A pronúncia do Tetragrama YHWH

Na segunda metade do primeiro milênio na nossa era, os escribas conhecidos por massoretas introduziram um sistema de sinais vocálicos para representar as vogais ausentes no texto consonantal hebraico. Em vez de inserir os sinais vocálicos corretos de YHWH, colocaram outros sinais vocálicos para lembrar ao leitor que ele devia dizer "Adonai" ('Soberano Senhor') ou "Elohím" ('Deus').

O Códice de Leningrado, do 11.º Século dC, tem no Tetragrama YHWH sinais vocálicos para rezar Yehvíh, Yehváh e Yehováh. A edição de Ginsburg do texto massorético tem sinais vocálicos para que se reze Yehováh (Gênenis 3:14). Os hebraístas em geral são a favor de Yahvéh como a pronúncia mais provável. Salientam que a forma abreviada do nome é Yah (ou Jah, na forma latinizada - Jahvéh/Javé), como no Salmo 89:8 e na expressão HaeluYah (que significa 'Louvai a Jah!'; em português convertida em 'Aleluia'). Alguns peritos argumentam que se o nome de Deus fosse Jeová, não se falaria "aleluia" ('Hallelu Yah'), e sim "aleluieo" ou "Hallelu Yeho" - ('Glória a Yehowah' - 'Jeová'). Também as formas Yehóh, Yoh, Yah e Yáhu, encontradas na grafia hebraica dos nomes Jeosafá, Josafá, Sefatias e outros, podem todas ser derivadas de Yahwéh. As transliterações gregas feitas pelos primitivos escritores cristãos indicam direção similar. Ainda assim, os nomes próprios de certos personagens bíblicos podem fornecer indícios da antiga pronúncia do nome de Deus que levam alguns eruditos a concordarem que a pronúncia “Jeová” seja correta. Realmente, de modo algum, há unanimidade sobre o assunto entre os peritos.

Para a denominação religiosa Testemunhas de Jeová, conhecer e divulgar o nome pessoal de Deus é considerado muito importante. Sua posição atual sobre este ponto resume-se ao seguinte: Visto que, atualmente, não se pode ter certeza absoluta da pronúncia, parece não haver nenhum motivo para abandonar, em português, a forma bem conhecida, Jeová, em favor de Javé. Se tal mudança fosse feita, então, a bem da coerência, deveriam ser feitas alterações na grafia e na pronúncia de uma infinidade de outros nomes encontrados na Bíblia. Por exemplo, Jeremias seria mudado para "Yirmeyáh", Isaías se tornaria "Yeshayáhu", e Jesus seria pronunciado "Yehohshúa" ou "Yeshúa" / "Yeshoúa", em hebraico, ou "Iesoús", no grego.


Frequência nos escritos originais

Muitos eruditos e tradutores da Bíblia defendem que se siga a tradição de eliminar o nome de Deus. Alegam que a incerteza a respeito da pronúncia do Tetragrama YHWH justifica a eliminação, e também sustentam que a supremacia e a existência ímpar do Verdadeiro Deus tornam desnecessário que Ele tenha um nome específico para se identificar dos "demais deuses". O problema é que este conceito parece não encontrar apoio na própria Bíblia.

O Tetragrama YHWH ocorre 6.828 vezes no texto hebraico da Bíblia Hebraica de Kittel (BHK) e da Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS). A frequência em que aparece o Tetragrama pode atestar sua importância. Seu uso em todas as Escrituras ultrapassa, em muito, o de quaisquer Nomes-Títulos.

É também digno de nota a importância atribuída aos nomes próprios entre os povos semíticos.


Uso Moderno

A pronúncia Jeová, além de aparecer em algumas versões bíblicas, também é usada por maçons e rosacruzes. Correntes esotéricas, tais como Gnose e Rosacruz, identificam esse tetragrama como designação do Espírito Santo, e não do Deus-Pai.

Alguns exemplos do uso do Tetragrama YHVH:

# Gênesis 27:36;
# I Samuel 25:25;
# Salmos 20:1;
# Provérbios 22:1.


Outros usos de YHWH

O dado curiosos é que não existe um "abjad" (um sistema de escrita com símbolos das letras que representem as consoantes), ou seja, não há como se saber exatamente qual o verdadeiro Nome utilizado originalmente para se referir ao UNO DEUS.

A tradição religiosa dos judeus, especialmente a sua tradição esotérica e mística, a Cabala (post futuro), considera o Nome de Deus tão sagrado quanto impronunciável. De qualquer maneira, os judeus em algum período pós-exílico, adotaram a palavra hebraica "Adhonai" ao pronunciarem o Tetragrama Sagrado. Assim, YHWH recebeu sinais vocálicos - colocados pelos copistas judeus chamados "massoretas" - de forma que fosse pronunciado "Adonai". Sendo assim, ficou reservado apenas aos copistas e sacerdotes a correta pronúncia de YHWH codificada num sistema de sinais vocálicos, e perdida desde então.


Na Cabala judaica

Segundo a Cabala judaica, a Torá teria sido revelada a Moisés no alto do Monte Sinai, e ele teria registrado de forma escrita aquilo que só poderia ser entendido diretamente de Deus, garantindo assim que permaneça impronunciável. Afirmam uma eventual relação do Tetragrama com o nome de Adão (Yode) e Eva (Chavah) no Génesis, já que Yode-cHaVaH resulta exatamente YHWH, o Tetragrama Sagrado, dando a entender uma relação mais profunda ainda entre Deus e Sua Obra.

Com o decorrer do tempo, os judeus adotaram outras expressões substitutivas para o Tetragrama Sagrado: "O Nome", "O Bendito" ou "O Céu".

Na Cabala, as palavras correspondem a valores que são calculados usando-se uma atribuição de valores às letras do alfabeto hebraico. Isto chama-se gematria. É considerado um dos mais importantes mecanismos de interpretação do texto bíblico usados pelos cabalistas e místicos judeus. Usando gematria, os cabalistas calculam o valor numérico do Tetragrama Sagrado como sendo 26 (Yode = 10, Hê = 5, Vau = 6, Hê = 5; 10 + 5 + 6 + 5 = 26 ), cujo número menor é 8 (2+6). Para os rabinos, o número 26 também é sagrado pois identifica-se com o Tetragrama YHWH. Os ocultistas interpretam o Tetragrama YHWH e outros símbolos cabalisticos como signos poderosos capazes de abrir as portas da consciência humana.

Os estudos eruditos continuarão. Os judeus deixaram de pronunciar o nome de Deus antes dos massoretas desenvolverem o sistema de pontos vocálicos. Não há como se saber quais vogais acompanhavam as consoantes YHWH. O "verdadeiro Nome de Deus" parece ter se perdido para sempre, nos séculos da História. Isso não foi planejado, e não se sabe como nem porquê aconteceu. Com relação ao Nome, assim como ocorre com a Arca da Aliança e com tudo mais que envolve o assunto Deus, só o que temos é um profundo e indecifrável mistério.


"Que o Eterno te responda no dia da tua atribulação e te traga a um refúgio seguro o Nome do Deus de Jacob. (...) Alguns confiam em carros, outros em cavalos, mas nós, somente no Nome do Eterno, nosso Deus." - Salmo 20



Fontes e bibliografia:
"Enciclopédia Judaica", 1901-1906 - Funk e Wagnalls (Domínio público - Jewish Encyclopedia)
Wikipédia
Enciclopédia "TioSam"
Monomito.Worldpress
Kabbalah Center
Profº Américo Nunes